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É O DESPREPARO DOS ALUNOS INGRESSANTES NO ENSINO SUPERIOR A CAUSA DE EVASÃO?

Leticia Francisca De Almeida, Wagner Muniz Silva, Felipe Correa Silvano, Paulo Sergio Tomé Mariano, Marcionilio Teles De Oliveira Silva, Ana Rita Pereira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
27/01/2015
Linha de pesquisa
Políticas Públicas Em Educação E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## É O DESPREPARO DOS ALUNOS INGRESSANTES NO ENSINO SUPERIOR A CAUSA DE EVASÃO?

Leticia Francisca de Almeida , Wagner Muniz Silva , Felipe Correa Silvano , 1 2 3 Paulo Sergio Tomé Mariano 4 , Marcionilio Teles de Oliveira Silva , Ana Rita 5 Pereira 6

1 Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Departamento de Física, leticia\_leisy@hotmail.com

2 Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Departamento de Física, wagnerorz@yahoo.com.br

3 Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Departamento de Física,

felipe.fisicaufg@gmail.com

4 Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Departamento de Física, paulosergio.fisica.ps@gmail.com

5 Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Departamento de Física, mteles2009@gmail.com

6 Universidade Federal de Goiás/ Regional Catalão/Departamento de Física, anaritapr@gmail.com

## Resumo

O numero de vagas e de cursos de graduação sofreu uma grande expansão nos últimos anos, mas por outro lado o numero de abandono ou trancamento de matriculas nas universidades também aumentou bastante. É fato que o descaso com a Educação no Brasil, contribui para os alunos cheguem à universidade cada vez mais despreparados, e isso certamente vai dificultar o sucesso dos mesmos no desenvolvimento da sua carreira acadêmica. Essa é a realidade do curso de Licenciatura em Física da Regional Catalão da Universidade Federal de Goiás (RC-UFG), que apresenta um alto índice de alunos que abandonam o curso ou são excluídos devido ao fracasso observado em disciplinas básicas, como Física I e Calculo I, e como consequência atualmente somente cerca de 40 % das vagas ofertadas pelo curso estão efetivamente ocupadas. Este trabalho apresenta uma análise qualitativa dos motivos que podem estar afetando esse quadro, em especial fazendo uma análise do despreparo dos alunos do ensino médio. Através de projetos conjuntos com escolas públicas locais procura-se entender como os alunos, ainda no ensino médio, percebem a Física.

Palavras-chave : Formação básica, Despreparo dos alunos, Evasão.

## Introdução

A Constituição Brasileira garante que a educação é um direito fundamental, universal, inalienável e tem participação ativa na formação integral do ser humano e em sua relação com a sociedade.

Ao se considerar esse direito referente ao acesso ao ensino superior constata-se que poucos são os estudantes que, egressos do ensino médio, alcançam este direito. Os processos de seleção, de forma elitizada, privilegiam os que tiveram acesso a uma boa formação ou foram mais preparados para prestar os concursos vestibulares, e mais recentemente o Enxame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Bem ou mal, atualmente, os estudantes egressos do ensino básico, em numero cada vez maior chegam às Universidades, em especial considerando os programas de inclusão para os alunos oriundos da Escola Publica.

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Apesar de ainda ser considerado um privilégio de poucos, em particular, dos jovens e adultos das classes mais favorecidas, atualmente existe uma ampliação significativa no número de vagas para o ensino superior através do processo de expansão universitária do governo federal e pelo crescimento vertiginoso de novos cursos de graduação em universidades privadas. Esse crescimento alimenta o discurso de que para que o Brasil se torne de fato uma nação economicamente competitiva, faz-se necessário aumentar o numero de pessoas com curso superior, pois isso irá contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico, para a soberania e para a auto-suficiência do país. Obviamente, a educação é o principal caminho para alcançar essas metas.

No entanto o aumento de vagas e a ampliação do acesso ao ensino superior vêm acompanhados pela expansão do numero de abandonos ou trancamento de matrículas dentro das universidades. De modo que hoje a evasão é cada vez mais ostensiva, principalmente dentro dos cursos de graduação, em particular atinge enormemente os cursos de licenciaturas, mas ainda assim, a evasão ainda não mostrou força suficiente para 'tocar as universidades em suas raízes' (MORAES, 1986). Segundo Cunha e colaboradores (CUNHA et. al., 2001), o grande índice de desistência verificado nos cursos de graduação em universidades brasileiras, ' ainda não foi tratado com empenho e rigor analítico necessários ao seu entendimento '. E existem divergências inclusive sobre o que de fato é evasão no âmbito universitário, e não existe consenso sobre como entender ou medir a evasão no ensino superior, ou seja, não existe uma metodologia eficiente que determine com precisão os seus índices.

Os trabalhos existentes em geral quantificam a evasão, sem aprofundar as questões sobre as possíveis causas e motivos que levam um estudante universitário a abandonar o curso que escolheu, a mudar de curso e principalmente a dizer não ao ensino publico e gratuito, como tem ocorrido frequentemente nas universidades publicas no Brasil, e no caso da Física o numero de graduados é relativamente baixo (BARROSO E FALCÃO, 2004; GOBARA E GARCIA, 2007; RODRIGUES E TEIXEIRA, 2009), o que é preocupante considerando o grande déficit de professores de física na Educação Básica. Em relação aos cursos de formação de professores o desinteresse tem sido crescente, e existe um numero significativo de vagas ociosas, sendo que na Regional Catalão da UFG, este número chega a 20% das vagas ofertadas nos cursos de licenciaturas.

É fato que houve inúmeros investimentos na expansão do ensino superior, com o aumento de vagas e de novos cursos, além dos processos de inclusão que possibilita cada vez mais alunos ter acesso a universidade, mas o sucesso do estudante na conclusão da graduação e consequentemente a democratização do ensino superior passa pela superação das desigualdades e deficiências existentes na educação básica. Muitas pessoas ainda entram e saem da escola como analfabetos funcionais, inclusive em um curso superior.

E o despreparo dos alunos ingressantes no ensino superior no Brasil tem sido apontado como a principal causa da evasão, além de ser considerado como reflexo das péssimas condições do ensino nos níveis fundamental e médio, das políticas públicas deficitárias e dos ínfimos investimentos dos governos na educação das crianças e jovens. Consequências desse despreparo são observadas nas avaliações internacionais, que mostram os estudantes brasileiros amargando as últimas posições em testes de leitura, Ciências e Matemática (ZUCCO, 2005). Essas

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condições incluem a dificuldade de acesso à informática, bibliotecas deficientes em acervos, infraestrutura física precária e, essencialmente, professores despreparados e com salários baixíssimos. Tudo isso contribui para a desmotivação dos profissionais educadores que atuam na educação 'pré-universitária' e de seus alunos (ARAÚJO E VIANNA, 2008).

Outro fator, que contribui para o despreparo dos egressos da Educação Básica, pode ser associado aos vazios de atividades experimentais e ausência de novas metodologias e estratégias de ensino adotadas, em especial relacionadas ao Ensino das Ciências, o que coloca a educação cientifica num papel insignificante (ARAUJO E ABIB, 2003). Em geral o modelo de ensino adotado pelas escolas de ensino médio, prioriza os exames de ingresso à universidade, privilegiando a transmissão de informações baseada na memorização de fórmulas e de conteúdo, ou seja, pouco se aprende tudo se decora.

Nas salas de aula na universidade é comum ouvimos depoimentos tipo: 'Eu não vi isso no 2º grau', 'Você esta falando grego pra mim'. Alguns estudantes dizem que se sentem como se 'tivesse pego um filme pela metade' e tem consciência que a formação básica necessária para o sucesso no curso é precária e que vários conhecimentos importantes eles não vão conseguir recuperar, precarizando assim a formação dos profissionais brasileiros.

Mas, devemos ressaltar que as universidades tem uma grande parcela de culpa nesse processo, alimentando esse modelo através da elaboração de provas que valorizam a simples memorização de conteúdos, como é visto nos concursos seletivos para ingresso nas Instituições de Ensino Superior. E não podemos esquecer o papel da universidade como instituição formadora dos professores, é nos bancos universitários que ocorre a formação inicial e muitos dos programas de formação continuada dos docentes que atuam na Educação Básica.

Criado em agosto de 2006, dentro do programa de expansão do Governo Federal o curso de Licenciatura em Física da Regional Catalão da Universidade Federal de Goiás (RC-UFG) faz parte dessa realidade, sendo que atualmente somente 35% de suas vagas são efetivamente ocupadas, o que ocorre tanto pela baixa procura no vestibular quanto pelo alto índice de abandono do curso, que é frequentemente citado dentro do UFG como tendo alta taxa de evasão. O que se observa aqui confirma as estatísticas sobre os cursos de física, verificadas nas universidades brasileiras, onde apenas um pequeno número de estudantes conclui o curso (RODRIGUES E TEIXEIRA, 2009, GOBARA E GARCIA, 2007; BARROSO E FALCÃO, 2004). E comum ouvir como justificativa, por parte dos docentes do curso, que esse quadro é normal na área de física e que acontece principalmente devido ao despreparo dos ingressantes.

Aqui são apresentadas algumas investigações preliminares sobre as possíveis causas do fracasso e abandono escolar no curso de física em Catalão Go, obtidas junto aos alunos do curso. E também é apresentada uma análise preliminar da 'visão' dos alunos de duas escolas da Educação básica sobre as aulas de física.

## O Ensino de Física na visão dos alunos

Em relação ao ensino de física percebe-se que a maioria dos estudantes do nível médio apresenta certo pavor quando o assunto é física, argumentam que tais

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conhecimentos são uma espécie de matemática aplicada, ou seja, você 'decora' algumas equações, e pronto já sabe física, entende que aprender física é como seguir uma 'receita de bolo', mas como são muitas formulas isso torna difícil saber quando usar essa ou aquela equação, conforme a fala de uma aluna ' O problema é que eu custo entender quando eu devo usar tal fórmula na hora certa '. De forma que, em geral, a física ainda é vista como uma coleção de expressões matemáticas que não apresentam conexão com suas atividades cotidianas e com toda a tecnologia moderna.

Assim buscando entender, analisar e propor mudanças que contribua com a melhoria da qualidade do ensino de física, foi propostas ações dentro do projeto 'A arte de ensinar Física', que além de mostrar que a integração entre os níveis de educação superior e básico colabora para melhorar a formação profissional dos alunos de graduação, busca entender como ocorre o processo de ensinoaprendizado da física na região do sudeste goiano e ainda estimular novos métodos e estratégias de ensino de física nas escolas de educação básica.

Uma das primeiras ações deste projeto foi verificar qual a 'visão' que os estudantes tinham em relação à física e as aulas de física. Para isso foram aplicados uma serie de questionários para identificar como os alunos veem a física e as aulas de física. Para isso utilizou como instrumento de coleta de dados, uma serie de afirmações e também questões abertas que visavam identificar os conhecimentos prévios dos alunos sobre os conteúdos programáticos de física e das aulas de física. Abaixo é apresentada uma parte destes questionamentos e os números à direita correspondem a porcentagem de alunos que apontaram cada alternativa. Os alunos que responderam ao questionário foram orientados a não se identificarem. Os resultados apresentados reflete a percepção dos alunos de 3 turmas (1 do primeiro ano, 1 do segundo ano e 1 do terceiro ano), e a idade dos alunos varia entre 14 e 18 anos.

Tabela 1 - O que você pensa das afirmações abaixo (Marque uma alternativa sendo que A Concordo totalmente; B - Concordo parcialmente; C - Sem opinião; D - Discordo parcialmente e E - Discordo totalmente ).

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Através da analise das respostas, da tabela acima, observa-se que embora diversos alunos considerem a física como sendo importante e se interessem pelo seu estudo, ainda existem aqueles que se sentem perdidos nas aulas de física e não percebem qualquer utilidade em seu aprendizado, e encaram a física como um obstáculo a ser superado durante o ensino médio. Considerando que a maioria dos alunos era do segundo e terceiro ano do ensino médio, portanto estes já deveriam ter aprendidos os conteúdos relativos à mecânica, observa-se pelas respostas que estes ainda não atingiram uma a alfabetização científica efetiva e que os alunos respondem as questões ainda de acordo com as concepções alternativas adquiridas ao longo da vida. Daí pode se verificar que existe muita dificuldade no aprendizado da física, que a forma que esta vem sendo ensinada não facilita seu aprendizado, o que pode contribuir para o déficit que os alunos apresentam na hora de relacionar os conceitos de física com as situações cotidianas e os fenômenos apresentados. Chama a atenção o fato de 85% das respostas considera que a experimentação torna as aulas mais interessantes.

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E consequentemente os reflexos deste descompasso, entre o que deveria ser ensinado e o que o aluno aprende de fato, acaba chegando aos bancos da universidade, onde alunos que deixam o ensino médio com excelente histórico escolar fracassam nos cursos superiores. Num estudo realizado com os alunos ingressantes no curso de física da RC-UFG, considerando o período de 2006-2010 (este período foi escolhido porque os ingressantes deste período deveriam concluir o curso até o final de 2013), verificou-se que 30% dos alunos são excluídos por reprovarem 3 vezes nas disciplinas de Física I e Cálculo I e acompanhando a trajetória dos 15% desistentes do curso, em conversas com os mesmos, foi observado que um percentual relativo destes abandonou o curso por não estar conseguindo acompanhar as aulas dessas disciplinas, mostrando que existe um quadro de sérias deficiências carregadas desde a Educação Básica que tem prejudicado o sucesso dos alunos dentro do curso de física, tornando estes incapazes de terem sucesso em disciplinas básicas e introdutórias do curso (PEREIRA et. al., 2011).

E todos estes fatores têm contribuído para aumentar o esvaziamento do curso que neste período preencheu apenas 60% das vagas ofertadas no vestibular. E entre os alunos que permanecem ou que concluíram o curso é raro observar um que não tenha tido alguma reprovação no currículo e que conseguiu concluir o curso no tempo regular de 4 anos (cerca de 10% apenas), confirmando a lacuna entre o que aprendem na Educação Básica e o que é exigido no Ensino Superior. Dos ingressantes no período avaliado somente 16% concluíram o curso e cerca de 11% ainda continuam no curso. Essa situação é preocupante, considerando o alto déficit de professores de Física no Brasil.

## CONSIDERAÇÕES FINAIS

Analisando as respostas dos alunos, percebe-se a existência de um descompasso entre a física ensinada na sala de aula, os conhecimentos prévios dos alunos e os conteúdos científicos que deveriam ser apreendidos pelos estudantes, o que pode prejudicar a construção dos saberes e conhecimento dos fenômenos físicos. O que contribui para que ainda hoje exista um número significativo de estudantes que cultivam a ideia de que os conhecimentos físicos são coisas que ' nunca usaremos em nossa vida .', que ' são pura matemática ', e que ' não são aplicados no meio em que vivemos ', como foi colocado por alguns alunos.

Nos questionamentos realizados com estudantes da universidade e da escola de Educação Básica, observa-se que estes tendem a ver a física como uma espécie de matemática aplicada, ou seja, eles percebem a física como uma coleção de equações matemáticas. Foi observado que os alunos muitas vezes não conseguem associar as formulas apresentadas com as situações cotidianas, e nem mesmo conseguem compreender a linguagem usada pelos seus professores. Outra coisa verificada é que os cálculos exigidos na aprendizagem da física é um empecilho a mais a ser superado pelo estudante, sendo que estes não veem a matemática como linguagem que facilitam a compreensão da física. E como a linguagem matemática tem tido prioridade aos conceitos o resultado é que para os alunos o aprendizado da física se torna destituído de sentido e eles ficam perdidos e não sabem quando e qual o modelo matemático deve ser aplicado.

Especificamente em relação ao curso de Física da RC-UFG, observa-se que as razões para 'evasão' são relacionadas ao próprio desenvolvimento do curso, envolvendo principalmente as dificuldades encontradas pelos alunos para

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aproveitamento nas disciplinas, considerando os altos índices de exclusão ocorridos devido à reprovação, ou seja, o despreparo dos ingressantes, que ainda não desenvolveram as habilidades e competências necessárias para o estudo e aprendizagem da física, contribui bastante para a evasão. Observa-se ainda que os alunos do curso de física são oriundos prioritariamente do ensino publico (77%), e muitos escolhem a física porque obtinham, durante o ensino médio, altas notas nas disciplinas de física e matemática, mas ao chegar a universidade se deparam com uma situação onde os conteúdos são ministrados de forma bem diferente do ensino médio e eles se veem frustrados por não obterem sucesso nas avaliações. Além disso, muitos alunos sequer tiveram aulas regulares de física durante o ensino médio, de modo que trazem consigo seriíssimas deficiências em suas formações básicas, e ao chegar à universidade não conseguem superá-las, e daí ocorre um quadro de repetências sucessivas que levam ao comprometimento de suas autoestimas, ou como no caso da UFG, a exclusão da universidade.

Em Catalão outro fator que afetam esse quadro de desistência é o fato de que metade dos alunos trabalha e tem pouco tempo para se dedicar ao curso, e além disso, existe uma parcela grande de alunos, que oriundos de cidades próximas não residem em Catalão, o que provoca dificuldades na relação aluno-aluno, e não possibilita situações de colaboração e a formação de grupos de estudo, o que poderia ajudar os mesmos a superarem suas deficiências e dificuldades no desenvolvimento do curso.

No entanto, existem outros fatores também contribuem para esse 'fracasso escolar'. Entre estes se destaca o fato deste ser um curso recém-criado, num campi no interior do Brasil, onde seus docentes são majoritariamente bacharéis em física (todos são doutores, mas nenhum na área de ensino), muitos sem experiência docente anterior e/ou que assumem uma postura de critica à licenciatura, que adotam metodologias, estratégias de ensino e critérios de avaliação inadequados frente à realidade dos alunos, e isso têm levado a dificuldades na relação alunoprofessor, como pode ser visto neste depoimento: ' Eu já quis muito ser professor de Física, hoje pretendo buscar outras oportunidades. Acredito que a maior desmotivação do aluno de Licenciatura em Física na UFG de Catalão, começa na própria universidade com os professores do curso. Acho bastante controverso, pessoas dando AULA em um curso de LICENCIATURA condenando a DOCÊNCIA. No fim estas pessoas também são professores. Penso que seja algo para refletir dentro do departamento, pois os alunos do curso que ESCOLHERAM licenciatura, estes estão no lugar certo!'

Outros aspectos que são fontes de desmotivação e se transformam facilmente em evasão, são as escolhas profissionais e as possibilidades do mercado de trabalho, como é colocado por uma aluna: ' Após o contato direto com a realidade escolar, onde se vivencia o desinteresse, a falta de respeito, o plano de carreira desvalorizado do professor, as expectativas mudam. Comecei a refletir, e vi que estava em um curso bastante difícil e que quando conseguisse o meu tão sonhado diploma, ele não teria tanto valor quanto pensei que teria quando ingressei na universidade. A verdade é que sempre escutamos as reclamações dos professores, vemos as greves, mas somos indiferentes. Quando presenciamos as dificuldades de perto vemos que a realidade é bem pior do que esperávamos.'

Portanto, muitos são os pontos que poderiam ser citados para justificar a evasão no curso de física da RC-UFG, sendo o principal o despreparo dos

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ingressantes que provoca alto índice de exclusão por reprovação, mas esse quadro é similar ao enfrentado por muitas outras instituições. Verifica-se que existe uma serie de fatores sociais, econômicos, culturais e políticos que contribui para o 'fracasso' dos estudantes, que não tem conseguido se manter nos bancos universitários, e isso enfatiza a necessidade de uma intervenção integrada que gerem melhores condições, tanto para receber quanto para manter o aluno na universidade.

## AGRADECIMENTOS:

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG), Ao CNPq e a CAPES pelo apoio financeiro.

Aos Programas de Bolsas da Universidade Federal de Goiás: PROLICEM, PROBEC, PIBIC, PROCOM.

Ao Colégio Estadual Abrahão André e ao Instituto de Educação Matilde Margon Vaz de Catalão - GO.

## REFERÊNCIAS:

ARAÚJO, M. S. T.; ABIB, M. L. V. dos S.. Atividades experimentais do ensino de Física: Diferentes enfoques, Diferentes finalidades. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 25 (2), 2003.

ARAÚJO, R. S.; VIANNA, D. M.. Baixos salários e a carência de professores de Física no Brasil . Anais do XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Curitiba, PR, 2008.

Barroso, M. F e Falcão, E. B. M., Evasão universitária: o caso do instituto de física da UFRJ, Anais do IX Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Física, Jaboticatubas, MG, 2004.

Cunha, A. M.; Tunes, E. e Silva, R. R., Evasão do curso de química da Universidade de Brasília: a interpretação do aluno evadido , Química Nova, v. 24 (1), p. 262-280, 2001.

Gobara, S. T. e Garcia, J. R. B., As licenciaturas em física das universidades brasileiras: um diagnóstico da formação inicial de professores de física , Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 29 (4), p. 519-525, 2007.

Moraes, N. I. Perfil da universidade . São Paulo: Pioneira/Universidade de São Paulo, 1986.

Rodrigues, M. A. e Teixeira, F. M., Reflexões sobre a baixa procura pelo curso de física nas universidades federais de Pernambuco, anais do VII Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Ciências, Florianópolis, SC, 2009.

Pereira, A. R., Silva, W. M., Silva, M. T. O., A desistência na licenciatura em física do Campus Catalão - UFG: evasão ou exclusão? Anais do XIII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Foz do Iguaçu, PR, 2011.

Zucco, C. ' A graduação em Química: um novo químico para uma nova era ', Química Nova, 28, S11-S13, 2005.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.