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ANÁLISE DAS ATIVIDADES EXPERIMENTAIS DE ELETRODINÂMICA PROPOSTOS NOS LIVROS DO PNLD ADOTADOS PELAS ESCOLAS CREDENCIADAS NO PIBID/ITAPETININGA

Rodrigo Felipe Raffa, Ariane Braga Oliveira, Matheus Moreira Costa

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
27/01/2015
Linha de pesquisa
Linguagem E Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

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## ANÁLISE DAS ATIVIDADES EXPERIMENTAIS DE ELETRODINÂMICA PROPOSTOS NOS LIVROS DO PNLD ADOTADOS PELAS ESCOLAS CREDENCIADAS NO PIBID/ITAPETININGA

Rodrigo Felipe Raffa , Ariane Braga Oliveira , Matheus Moreira Costa 1 2 3

- 1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo/Campus Itapetininga, rodrigoraffa.fisica@gmail.com
- 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo/Campus Itapetininga, professora.ariane@yahoo.com.br

## Resumo

O governo federal tem investido pesado na compra e divulgação de livros didáticos, através do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Esse trabalho avaliou os livros do Guia 2012 do PNLD, disponíveis nas escolas da rede estadual de Itapetininga credenciadas ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), do curso de Licenciatura em Física do IFSP/campus Itapetininga. Essa avaliação teve como foco as atividades experimentais, em Física, no conteúdo de Eletrodinâmica, encontradas nesses livros. Observamos uma grande diferença entre a quantidade de experimentos presentes nos livros e poucas atividades que exploram a capacidade investigativa e a contextualização sociocultural dos alunos, o que, sob o ponto de vista do ensino da Física, faz com que haja uma grande disparidade de qualidade entre esses livros. Por esse conteúdo ser, geralmente, considerado pelos alunos do ensino médio como de difícil aprendizagem e como a utilização de atividades experimentais pode auxiliar nesse aprendizado, pois coloca o aluno como agente do seu próprio conhecimento, acreditamos que todos os livros deveriam conter atividades deste tipo, como recurso didático.

Palavras-chave : Eletrodinâmica; Experimentos; PNLD.

## Introdução

O governo federal, através do Ministério da Educação, tem investido pesado na ampla distribuição de livros didáticos para a rede pública de ensino. Para que este gasto seja utilizado adequadamente, visando a melhoria da qualidade desses livros, programas de avaliação do livro didático foram instituídos. (Hoffling, 2000)

A preocupação com a qualidade dos livros tem feito vários pesquisadores (Mortimer, 1988; Pretto, 1985; Spontin, 2000; Fracalanza, 1993) analisarem o conteúdo desses livros, apontando suas deficiências e sugerindo melhorias para que este material didático seja mais próximo das demandas sociais e coerente com as práticas educativas autônomas dos professores.

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26 a 30 de janeiro de 2015

No trabalho de Fracalanza e Neto (2003), o autor divide os professores, de acordo com a maneira que utilizam o material didático, em três grandes grupos:

- -Os que utilizam diversas coleções didáticas para elaborar suas aulas;
- -Os que utilizam o material didático como apoio às atividades de ensino-aprendizagem;
- -Os que empregam o livro didático como a única e exclusiva fonte bibliográfica, para complementar seus próprios conhecimentos;

Assim, concluímos que nem todos os professores utilizam o livro didático para o mesmo fim.

'Não tendo oportunidade e condições para aprimorar sua formação e não dispondo de outros recursos para desenvolver as práticas de sala de aula, os professores apoiam-se quase exclusivamente nos livros didáticos, que, muitas vezes, são de qualidade insatisfatória' (Brasil, 1998)

Ao contrário do que foi dito pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) no parágrafo acima, alguns autores (Fracalanza e Neto, 2003) afirmam que professores da educação básica não utilizam integralmente os livros da maneira como foram idealizados por autores e editoras. Um dos motivos apontados é a busca destes docentes pela adaptação dos conteúdos e atividades propostas nos livros, a sua realidade em sala de aula.

Pautados na diversidade do uso do livro didático pelos professores do ensino básico, o governo federal implantou o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) que tem, como um dos principais objetivos, fomentar o trabalho dos docentes através da distribuição de livros que ofereçam suporte às práticas pedagógicas e auxiliem os docentes em seus planejamentos escolares.

No caso do ensino de Física, os livros oferecidos devem levar em conta que a Física é uma ciência de elaboração humana para compreender os fenômenos físicos que nos cercam. Então, as atividades dos livros didáticos devem estimular uma postura reflexiva e investigativa dos fenômenos da natureza e como o entendimento desses fenômenos moldou a realidade social e tecnológica. (Vasconcelos e Souto, 2003)

Um dos principais recursos utilizados por professores e livros, no ensino da Física, é a utilização de experimentos em um ambiente de educação formal. ara ensinar física de uma maneira que promova uma reflexão de vários aspectos da realidade e que estimulem a capacidade investigativa do aluno, Este tipo de atividade promove uma reflexão de vários aspectos da realidade e estimulam a capacidade investigativa do aluno, além de fazer com que ele assuma a condição de agente da construção do próprio conhecimento.

Deve-se lembrar de que a experimentação não pode estar dissociada de uma estratégia de ensino abrangente e que os experimentos não devem ser somente a manipulação de objetos, sem a contextualização do fenômeno. É

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desejável que os experimentos propostos em livros estimulem os estudantes a aprofundar seus conhecimentos em Física e encontrar explicações para fenômenos estudados.

Tendo em vista estas necessidades, alguns alunos do curso de Licenciatura em Física do IFSP/campus Itapetininga, através do subprojeto PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) local, buscaram confeccionar uma série de experimentos de eletricidade e circuitos elétricos. Para isso, foram seguidos os roteiros e exemplos experimentais encontrados nos livros aprovados do PNLD para o ensino médio, de Física.

## Objetivo

Este presente trabalho pretende fazer uma análise qualitativa e quantitativa dos experimentos propostos nos livros de Física volume 3, aprovados no PNLD/2012, sobre tópicos de eletricidade e circuitos elétricos.

## Metodologia e Materiais Utilizados

## Sobre os Livros

Para realizar o trabalho, foram analisados nove livros de Física que apresentam conteúdo de eletricidade e circuitos elétricos. Estes livros são utilizados pelos professores supervisores do PIBID, do subprojeto do curso de Licenciatura em Física do IFSP/campus Itapetininga, para compor suas práticas docentes e como complementação do conteúdo. Os livros são:

## Sobre os experimentos encontrados

Depois da escolha dos livros, procuramos, em seus capítulos, todos os experimentos relacionados à eletricidade e circuitos elétricos. A tabela abaixo apresenta a quantidade encontrada em cada livro, separada pelos conteúdos relacionados com esses experimentos.

Tabela 01: Quantidade de experimentos em cada livro por conteúdos

Como podemos observar na tabela acima, três dos livros analisados (um terço do total) não apresentam atividades experimentais de eletrodinâmica. Em especial, o livro 03 (Conexões com a Física) não apresenta atividades experimentais, mas sugere que os estudantes visitem sites que possuem simulações computacionais. Estes experimentos virtuais estão explicados de forma superficial no corpo do livro.

## Sobre a análise das atividades experimentais

Para analisar as atividades experimentais propostas nesses livros, vamos utilizar a metodologia encontrada no trabalho de Bardin (1995). Vamos utilizar duas categorias:

- 1 Espaço da operacionalização do experimento: nesta categoria analisamos se a atividade experimental proposta é:
- (a) somente descritiva: se baseiam na descrição do experimento sem propor um roteiro para construir a atividade. Esse tipo de atividade trabalha com experiências mentais (Brown, 1991) que são manipulações mentais e, muitas vezes, são propostas por professores ou livros didáticos,

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pois a construção deste conhecimento é inviável financeiramente ou fisicamente.

- (b) prático : nesta categoria encontram-se os experimentos que são possíveis de serem construídos por professores ou estudantes.
- 2 -Espaço das habilidades e competências : Nesta categoria analisamos a capacidade do experimento levar os alunos a desenvolverem algumas habilidades e competências, definidas por Bardin (1995):
- (a) competência investigativa: capacidade do aluno relacionar os conceitos estudados no livro com os materiais manuseados, na atividade experimental.
- (b) contextualização sociocultural: capacidade do aluno reconhecer os conteúdos estudados nos livros, dentro de um contexto histórico e da construção humana, e relacionar esses conteúdos com as tecnologias presentes em seu cotidiano.

Tabela 02: A análise das atividades experimentais

Podemos observar, na tabela 2, que as atividades baseadas na prática do aluno são as mais exploradas pelos livros didáticos e que, o número de atividades que se preocupam em estimular o aluno a pesquisar ou procurar as respostas dos fenômenos estudados é baixo. Além disso, há uma disparidade muito grande entre os livros: enquanto alguns sequer apresentam atividades experimentais, outros apresentam várias.

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## Considerações Finais

Os livros e autores das obras aqui descritas e avaliadas estarão presentes nas escolhas em 2015, em edições mais atualizadas. Vemos que alguns (3,4 e 7) não apresentam experiências para os alunos realizarem em sala de aula, enquanto outro livro (2) possui vários experimentos práticos, trabalhando a competência investigativa e de contextualização do aluno.

Como a eletrodinâmica é um conteúdo geralmente considerado pelos estudantes do ensino médio como de difícil aprendizagem, a utilização de experimentos, nas aulas, que exploram essas competências supracitadas, é importante, já que a atividade experimental é extremamente válida quando inserida em um contexto de ensino e aprendizagem. Elas são de maiores relevâncias quando instigam o aluno a procurar respostas e ser o agente do seu próprio conhecimento, mas infelizmente em poucas atividades analisadas percebemos isso.

Essa grande disparidade entre a quantidade de experimentos apresentada pelos livros faz com que, do ponto de vista do ensino da Física, haja uma grande disparidade também de qualidade entre esses livros.

Por tudo isso, acreditamos que todo o material didático entregue a professores e alunos, deve conter atividades experimentais que precisam ser pensadas em uma aprendizagem mais significativa e que levem a discussões para a construção do conhecimento.

## Agradecimento

Agradecemos a CAPES que através do programa PIBID pode fomentar a pesquisa e produzir resultados que serão utilizados em futuras pesquisas, no contínuo desafio de melhorar o ensino de Física.

## Referências

BARDIN, L. Análise de Conteúdo . Lisboa, 1995.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional . Brasília, 1998.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais - Matemática - 5ª a 8ª séries . Brasília, 1998.

BRASIL. Programa Nacional do Livro Didático - Ensino Médio . Brasiília, 2004.

BROWN, J. The Laboratory of the Mind: Thought Experiments in the Natural Sciences. Routledge. Londres, 1991.

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FRACALANZA, H. O que sabemos sobre os livros didáticos para o ensino de Ciências no Brasil . Tese (Doutorado) - Faculdade de Educação, UNICAMP, Campinas, 1993.

FRACALANZA, H.; NETO, J. M. O livro didático de Ciências: problemas e soluções . Ciência & Educação. v. 9, p. 147-157, Bauru, 2003.

HÖFFLING, E. M. Notas para discussão quanto à implementação de programas de governo: em foco o Programa Nacional do Livro Didático . Educação e Sociedade, v.21, n.70, p. 159-170, São Paulo, 2000.

MORTIMER, E. F. A evolução dos livros didáticos de Química destinados ao ensino secundário . Em Aberto, v. 7, n. 40, p. 24-41, Brasília, 1988.

PRETTO, N. de L. A ciência nos livros didáticos . Ed. Da UNICAMP. Campinas, 1985.

SPONTIN, G. F. O professor de Ciências, o ensino de meteorologia e o livro didático . Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Ciências, UNESP, Bauru, 2000.

VASCONCELOS, S. D.; SOUTO, E. O livro didático de ciências no ensino fundamental proposta de critérios para análise do conteúdo zoológico . Ciênc. educ. v. 9, n. 1, Bauru, 2003.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.