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O USO DE TEXTO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA NO ENSINO DE FÍSICA COM DUAS ESTRATÉGIAS

Izabel Mateus Nogueira Silva, Antônio Marcelo Martins Maciel, Giovanni Romeu Carvalho, Rany De Lourdes Alves, André Bernardes Xavier, Ramon Felipe Dos Santos, Stanley Phillipe Machado Silva, Patrícia Aparecida Marques Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
27/01/2015
Linha de pesquisa
Linguagem E Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O USO DE TEXTO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA NO ENSINO DE FÍSICA COM DUAS ESTRATÉGIAS

Izabel Mateus Nogueira Silva , Antônio Marcelo Martins Maciel , Giovanni 1 2 Romeu Carvalho 3 , Rany de Lourdes Alves , André Bernardes Xavier , Ramon 4 5 Felipe dos Santos , Stanley Phillipe Machado Silva , Patrícia Aparecida 6 7 Marques Silva 8

1 Universidade Federal de Lavras/Departamento de Ciências Exatas, beljbc@yahoo.com.br 2,3,4,5,6,7 Universidade Federal de Lavras/Departamento de Ciências Exatas, antoniom@dex.ufla.br 8 Escola Estadual Firmino Costa, patsilva2010@hotmail.com

## Resumo

A Cultura Escolar estabelecida separa os diversos saberes em disciplinas isoladas e desconectadas umas das outras. Como consequência, considera-se que cada disciplina teria funções muito específicas no que se refere aos seus saberes. A física teria a responsabilidade de explicar os fenômenos naturais em seus aspectos mais gerais, a matemática deveria se responsabilizar pelo desenvolvimento das operações e linguagens próprias da matemática, e a língua portuguesa responsável pelas práticas de leitura e produção de textos, entre outros. Este artigo tem o objetivo de ir de encontro com este pensamento simplista, apresentando a utilização da leitura e interpretação de textos de divulgação científica nas aulas de Física, possibilitando que o aluno em formação perceba a relação da Física com outras áreas do conhecimento, com duas diferentes estratégias. Na primeira utilizamos o texto de divulgação científica no término de uma sequência didática de modo a dar significado aos conteúdos desenvolvidos, na segunda o texto de divulgação científica é utilizado como ponto de partida para os estudos de uma unidade didática, destacando a relevância do novo conhecimento e consequentemente dando ao estudante a predisposição para aprender. Portanto, a escolha do texto é de grande importância no alcance dos objetivos almejados. O texto O maravilhoso espetáculo dos raios+ foi utilizado nas duas estratégias, o tema presente no cotidiano do estudante, não prioriza apenas os conteúdos da eletricidade, mas favorece o ensino com uma perspectiva mais ampla, na formação de alunos cidadãos. O corpo do presente trabalho apresenta as estratégias desenvolvidas, fundamentadas em experiências de outros autores, além de apresentar os resultados alcançados na perspectiva de seis licenciandos em Física e de uma professora de Física da educação básica.

Palavras-chave : linguagem, divulgação científica, estratégias de ensino.

## Introdução

A LDB de 96 (BRASIL, 1996) irá fazer 20 anos de existência e ainda percebemos a prática escolar calcada em moldes do passado. No caso específico do Ensino Médio, as mudanças são significantes e pouco foi absorvido. Os PCNEM (BRASIL, 2000) enfatiza essa mudança para fundamentar as novas perspectivas da educação para esse seguimento:

O Ensino Médio passa a ter a característica da terminalidade, o que significa assegurar a todos os cidadãos a oportunidade de consolidar e aprofundar

26 a 30 de janeiro de 2015

os conhecimentos adquiridos no Ensino Fundamental; aprimorar o educando como pessoa humana; possibilitar o prosseguimento de estudos; garantir a preparação básica para o trabalho e a cidadania; dotar o educando dos instrumentos que o permitam 'continuar aprendendo', tendo em vista o desenvolvimento da compreensão dos 'fundamentos científicos e tecnológicos dos processos produtivos' (Art.35, incisos I a IV). (BRASIL, 2000, p.09)

No Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência, na área de Física, da Universidade Federal de Lavras (PIBID-Física/UFLA), pensamos a formação inicial do licenciando e na formação continuada do professor da educação básica nesta perspectiva. Assim, um grupo de seis alunos bolsistas, uma professora supervisora da educação básica e um professor orientador da universidade, desenvolveram durante os dois primeiros bimestres de 2014 atividades em uma escola da rede estadual de ensino do município de Lavras-MG. As atividades realizadas estavam inseridas no planejamento da professora supervisora e foram desenvolvidas com o objetivo de minimizar dificuldades de aprendizagem dos alunos e de dar significado aos estudos realizados.

Duas dificuldades foram apontadas pela professora, ambas muito presentes nos depoimentos de professores como entraves para o aprendizado de Física. A primeira seria a falta de conhecimento em matemática como limitador na compreensão dos conceitos de Física, e deste modo desenvolvemos algumas atividades tomando como referência o trabalho de Pietrocola (2010), que apresenta a matemática como linguagem estruturante do pensamento físico. A segunda referese a dificuldade que os alunos possuem em ler e interpretar os textos presentes no livro didático e nos problemas propostos. Portanto, a questão da linguagem no conhecimento de Física é de grande relevância no processo de ensino aprendizagem, como destaca Almeida e Ricom (1993):

O conhecimento físico é construído com a mediação da Matemática. E, se quisermos que o estudante se aproprie desse conhecimento, é preciso que ele trabalhe com a linguagem que o constrói e entenda o papel que ela desempenha nesta construção. Mas as críticas que têm sido feitas à presença quase exclusiva de Matemática em aulas de Física têm procedência. O pouco uso nessas aulas da linguagem comum, através da qual o aluno está acostumado a elaborar seus pensamentos, diminui a probabilidade de sua efetiva participação nas atividades de classe. E, se as ideias do estudante não são trazidas à tona, fica difícil para o professor contribuir na organização de raciocínios que levam à construção de conhecimentos novos. (Almeida e Ricom. 1993, p. 02)

Nas reuniões do grupo, discutimos algumas metodologias e estratégias de ensino, como possibilidades de minimizar tais dificuldades. Assim, parte do presente trabalho, refere-se à atividade desenvolvida com texto de divulgação científica (TDC) na sala de aula de uma turma de terceira série de ensino médio, num dado enfoque.

Numa outra atividade desenvolvida pelo PIBID-Física/UFLA, atendemos um grupo de alunos do Centro para o Desenvolvimento do Potencial e Talento de Lavras ++ (CEDET-Lavras). O grupo é composto de estudantes do ensino fundamental e médio e as atividades são desenvolvidas de modo a buscar o acompanhamento e a estimulação do potencial dos estudantes, em acordo com os objetivos do Centro. Após a utilização de TDC na escola, escolhemos a mesma

+

metodologia para trabalhar com este grupo de estudantes. Entretanto, apesar de adotarmos o mesmo TDC, as estratégias de seu uso foram outras, identificando um novo enfoque.

## A pesquisa em ensino e o texto de divulgação científica

O uso de leitura em sala de aula não é uma tarefa simples que consiste no simples fato de levar textos extraídos de livros, revistas ou jornal, contextualizando ou problematizando um dado assunto. Existem várias dificuldades no desenvolvimento de atividades de leitura na sala de aula quando consideramos a expectativa de formação do aluno pela leitura. Leite e Garcia (2009) apresentam em seu trabalho uma lista das maiores dificuldades encontradas, ou equívocos cometidos, ao utilizarmos a leitura na sala de aula. São elas: a expectativa imediata de resultados, por parte dos professores; a dificuldade dos alunos em realizar atividades que solicitem seu espírito crítico e reflexivo, em função de uma prática de memorização privilegiada ao longo de sua formação; a escolha por textos que estão presos em um só significado dificulta e limita a interpretação do aluno; questões propostas ao término da leitura são comumente respondidas com cópias de partes do texto (devem-se elaborar questões que limitem essa prática, pois a mesma não favorece a interpretação); comentários prévios feitos pelo professor fazem com que os alunos abandonem ideias originais no intuito de satisfazer as expectativas do professor (além de inibir a exposição de suas ideias, os comentários prévios podem impedir que o professor tenha conhecimento das concepções que os alunos possuem sobre o assunto).

Terrazzan e Gabana (2003) dizem que é preciso organizar essas leituras em atividades didáticas, permitindo e estimulando os alunos a participar das aulas. Sugerem o uso de TDC, desde que estes possuam uma linguagem acessível e próxima do cotidiano, sendo um motivador para despertar a curiosidade nos alunos.

A escolha apropriada do TDC é fundamental. Segundo da Silva (2006), não é simples identificar o que podemos denominar como divulgação científica ou como texto de divulgação científica. O fato é que com a profissionalização das atividades científicas, seus textos passaram a ser dirigidos a um número limitado de pessoas, e não possui o alcance nem mesmo entre todos os cientistas. Quando considera-se a necessidade de produção, formulação e circulação de uma notícia de caráter científico, um novo gênero textual é necessário, diferentes dos artigos científicos, com interlocuções entre diferentes esferas, política, econômica, pública, etc. Como enfatizado por da Silva, 'não se trata de simplificar a ciência para um outro público, mas porque diferentes interlocuções implicam em diferentes memórias, em diferentes posições e, portanto, em diferentes textualizações'. Portanto, o TDC deve permitir ao aluno aproximar e relacionar a ciência com questões do seu mundo vivencial.

Utilizar um TDC na sala de aula remete ao professor a responsabilidade de relacionar as informações contidas no texto com os conhecimentos prévios dos alunos para que possam juntos atribuir significados as informações. Com o intuito de ajudar o leitor os autores Terrazzan e Gabana (2003) trazem algumas sugestões para uma atividade de leitura. Essas sugestões são divididas em três partes: antes, durante e após a leitura.

Antes da leitura do texto é preciso instigar os alunos a respeito dos seus conhecimentos prévios sobre o assunto a ser lido e para isso é proposta a leitura

apenas do título e subtítulo, em seguida o aluno deverá refletir sobre qual poderá ser o assunto abordado no texto e o que ele sabe sobre isso. Durante a leitura os alunos devem ser motivados a identificar as ideias principais do texto e como essas ideias são sustentadas. Após a leitura sugere-se uma discussão com o grupo, a fim de esclarecer eventuais dúvidas e enriquecer as informações localizadas no texto, e finalizar com uma reflexão (ou até mesmo uma produção) individual que estimule os alunos a relatar o que aprendeu com a leitura e com a discussão. Este fechamento é muito importante, pois é o momento em que os alunos iram retomar as informações e fazer as próprias verificações da sua compreensão sobre o tema estudado.

A estratégia do uso de TDC proposta por Terrazan e Gabana, favorece o desenvolvimento de competências e habilidades apontadas como específicas do ensino de ciências e em particular da Física. Desenvolve a capacidade de comunicação, de leitura, interpretação e produção de textos científicos, de formulação de dúvidas, de identificação de variáveis relevantes ao problema, de utilização de modelos explicativos para sistemas naturais, de articulação do conhecimento científico e tecnológico numa perspectiva interdisciplinar, de uso dos conhecimentos científicos para explicar o mundo natural e de compreender a ciência como construção humana, entendendo como ela se desenvolve por acumulação, continuidade ou ruptura de paradigmas, entre outros. (PCNEM2000)

## Descrição do trabalho desenvolvido

Com base nos estudos realizados, adotamos como principal referencial teórico para o desenvolvimento das atividades o trabalho de Terrazan e Gabana (2003), realizando adaptações em função das estratégias e atores das atividades. Portanto, em conjunto com a descrição das estratégias, evidenciamos o local e atores envolvidos, os objetivos da atividade, a motivação que nos levaram à escolha do tema e das estratégias, os pré-requisitos e avaliações realizadas. Salientamos, mais uma vez, que em ambas as estratégias o texto utilizado foi O maravilhoso espetáculo dos raios, de autoria de Valer Luís Líbero. As descrições se encontram nos quadros 1 e 2.

Quadro 01: Descrição das atividades realizadas na Escola Estadual Firmino Costa

Identificação do local e atores: As atividades foram realizadas com uma turma da terceira série do Ensino Médio regular, nas dependências da Escola Estadual Firmino Costa, localizada no município de Lavras-MG, mas precisamente nas salas de aula da escola. As pessoas envolvidas foram os seis licenciandos do curso de Licenciatura em Física, a professora de Física da turma e cerca de 40 alunos da educação básica.

Motivação para a escolha do tema e estratégia: Nos encontros semanais de estudo e pesquisa do grupo PIBID, a professora solicitou uma atividade que pudesse ter um caráter de conclusão dos estudos da eletrostática. Consideramos o estudo de um fenômeno onde os diversos conceitos desenvolvidos: carga elétrica, processos de eletrização, força elétrica e campo elétrico fossem abordados e possibilitasse a introdução do conceito de potencial elétrico. Assim, deu-se a escolha do estudo da formação dos raios. A intenção de realizarmos atividades diferenciadas que favoreça a formação do aluno num sentido amplo, como nas orientações dos PCNEM (BRASIL, 2000), acarretou na utilização do TDC.

Objetivos: Dar significado aos assuntos de eletrostática desenvolvidos previamente: identificar e diferenciar condutores e isolantes, assim como perceber que esta propriedade está associada à determinadas condições; compreender como ocorre o fenômeno das descargas elétricas na atmosfera terrestre; desenvolver o conceito de diferença de potencial elétrico, de modo que o mesmo pudesse favorecer a

introdução dos conhecimentos da eletrodinâmica. Verificar como os conhecimentos científicos desmistificam as crendices populares. Relacionar os conhecimentos em Física com outras áreas, tais como saúde, economia, ambiente e geografia. Estimular o uso da língua portuguesa pela leitura e interpretação de textos científicos, fazer uso da argumentação na forma oral e escrita.

Pré-requisitos: Como descrito anteriormente, os alunos já haviam estudado os conceitos da eletrostática. A maior parte dos conceitos foram desenvolvidos em aulas expositivas mediadas pela professora da turma e uma atividade experimental investigativa realizada pelo grupo PIBID, onde apresentou-se o gerador de Van de Graaff, mostrando como este funciona, e abordando tipos de eletrização, as forças de repulsão e atração entre cargas, e o conceito de campo elétrico.

Descrição da estratégia: Por contarmos com a participação de quatro licenciandos e uma professora, optamos por dividir a turma em grupos de cerca de oito alunos cada, com um licenciando/professora como mediador. Formado os grupos, o primeiro momento da atividade permitiu que os alunos se manifestassem a respeito do assunto, raios, tendo liberdade de falar ao grupo tudo que sabia sobre o fenômeno, sem qualquer restrição (fase antes da leitura). Na etapa seguinte, os alunos fizeram a leitura, em voz alta, do texto, sendo que todos os alunos realizaram a leitura, em média cada estudante ficou responsável em ler de um parágrafo por vez. Durante a leitura o aluno poderia fazer interrupções sempre que achasse necessário, seja para compreensão do texto, relacionar o texto com estudos realizados anteriormente e para confrontar a leitura com as ideias expostas na fase antes , nesta fase a mediação do licenciando/professora foi crucial para o bom andamento da atividade, uso de papel e lápis foram utilizados para relembrar conceitos e representar geometricamente (criar modelos) a partir das informações contidas no texto. Após a leitura realizou-se um debate final sobre o texto, onde os alunos foram questionados sobre o quanto eles aprenderam de 'novidades' sobre o assunto em comparação as concepções prévias que possuíam antes da leitura. A conclusão da atividade foi a confecção de uma dissertação, pelos alunos, onde foram orientados a falar sobre os raios sem deixar de contemplar na dissertação os conceitos físicos envolvidos, os cuidados de proteção e prevenções contra a incidência e curiosidades sobre o tema. A atividade, com caráter de dar significação aos conceitos já desenvolvidos ocorreu num único encontro.

Avaliação: Durante o desenvolvimento da atividade a observação dos licenciandos e da professora foi um dos instrumentos utilizados no processo de avaliação, tanto com relação a apropriação dos conteúdos conceituais, quanto dos conteúdos procedimentais e atitudinais. A avaliação formal utilizada foi a confecção do texto dissertativo, mencionado nas estratégias.

Quadro 02: Descrição das atividades realizadas na UFLA com os alunos do CEDET

Identificação do local e atores: As atividades foram realizadas no laboratório de ensino de Física (LEF), nas dependências do Departamento de Ciências Exatas, com alunos participantes do CEDET. O LEF possui equipamentos para práticas experimentais, computadores conectados à internet para pesquisas variadas, data show e livros didáticos de nível básico e superior para consultas. As pessoas envolvidas foram os seis licenciandos do curso de Licenciatura em Física e cerca de 10 alunos da educação básica, desde alunos do primeiro segmento do Ensino Fundamental e do segundo segmento do ensino fundamental.

Motivação para a escolha do tema e estratégia: O trabalho desenvolvido com o CEDET tem a finalidade de despertar o interesse dos alunos pelas ciências em geral, e pela Física em particular. A abrangência de faixa etária dos alunos (experiências acumuladas) e do nível de escolaridade orientou as escolhas das atividades para um caráter de divulgação do conhecimento. Como o TDC já havia sido desenvolvido na escola de forma satisfatória, consideramos o seu uso em uma nova perspectiva, o da

motivação.

Objetivos: Despertar o interesse dos alunos pelas descobertas científicas, especificamente as descobertas da área da Física, como forma de compreender a natureza; compreender como ocorre o fenômeno das descargas elétricas na atmosfera terrestre; relacionar a Física com outras áreas do conhecimento; compreender as ações que devem ser tomadas para evitar que um raio nos atinja; desmistificar crendices populares pelo conhecimento científico; estimular a leitura de textos científicos; favorecer a aquisição de conteúdos procedimentais como a escrita, interpretação e argumentação; estimular o aluno na busca pelo conhecimento.

Pré-requisitos: Não há pré-requisitos para a execução da atividade.

Descrição da estratégia: Por contarmos com a participação de três licenciandos, optamos por formar um grupo único de alunos para o desenvolvimento das atividades. O primeiro momento da atividade consistiu em permitir que os alunos se manifestassem a respeito do assunto que seria desenvolvido, raios, tendo liberdade de falar ao grupo tudo que sabia sobre o fenômeno, assim como levantar questões e dúvidas que possuíam sobre o assunto. Enquanto um licenciando coordenava as falas dos alunos, outro anotava no quadro todas as questões e o terceiro assumiu o papel de observador (fase antes da leitura). Na etapa seguinte, os alunos fizeram a leitura do texto em voz alta, sendo que todos os alunos realizaram a leitura. Nesta fase os alunos são convidados a comentarem o texto dizendo o que inicialmente entenderam do mesmo, já os alunos que não compreenderam o texto tem contato com as primeiras explicações do licenciando, mas note que neste primeiro contato o objetivo é sanar a falta de interpretação do texto, esclarecendo o que o autor está apresentando, destacar as partes mais importantes e confrontar a leitura com as ideias expostas na fase antes. Na fase posterior abordamos os conceitos de Física envolvida no texto. Essa fase depende de forma explicita da fase anterior, ou seja, de que o aluno primeiramente entenda o que o texto está dizendo para que depois ele possa entender a Física envolvida. Nos encontros seguintes utilizamos outras estratégias de ensino, tendo o TDC como motivador. Atividades experimentais de processos de eletrização, apresentação de um vídeo que explicava a formação dos raios, uma seção de slides representando esquematicamente a formação dos raios, apresentação em data show da evolução histórica dos conceitos de eletrostática e dos modelos atômicos e aula expositiva abordando conceitualmente os conceitos de força elétrica e campo elétrico complementaram os encontros em conjunto com as pesquisas realizadas pela internet. No total realizamos quatro encontros, sendo o primeiro com o uso do TDC e os demais definidos a partir das questões salientadas com a leitura do texto.

Avaliação: Durante o desenvolvimento da atividade a observação dos licenciandos foi um dos instrumentos utilizados no processo de avaliação, tanto com relação a apropriação dos conteúdos conceituais, quanto dos conteúdos procedimentais e atitudinais. As avaliações formais utilizadas foram um desenho que apresentasse a representação esquemática da formação dos raios, uma pesquisa sobre curiosidades em relação às descargas elétricas, e a elaboração de um texto.

## Resultados obtidos

Os primeiros resultados descritos referem-se às observações e percepções realizadas por licenciandos e pela professora da educação básica. O procedimento de relatar as observações/percepções das atividades desenvolvidas é uma prática realizada nas reuniões semanais do grupo.

Uma percepção compartilhada por todos foi a opção de fazer com que todos os alunos participassem da leitura, segundo os observadores, a escolha dessa estratégia fez com que os alunos se mantivessem focados na leitura sem que

ocorressem dispersões. O interesse dos alunos pelo tema abordado salientou a importância da escolha do mesmo, mas nas discussões, concluímos que o tema por si só não irá despertar o interesse dos alunos, o TDC deve envolvê-los, apresentando informações mais abrangentes, no caso do texto trabalhado, questões como proteção, locais com maiores incidências de raios, equivalência entre a energia de um raio e de uma lâmpada, temperatura dos arredores de uma descarga elétrica, plasma como estado da matéria, entre outras. Portanto, a escolha do texto, pode e deve apresentar novas informações, mas precisa conectá-las com informações conhecidas para dar sentido na leitura realizada e manter o interesse.

Na atividade realizada na escola, foi verificada a relação que os alunos fizeram entre os conhecimentos desenvolvidos previamente com as informações contidas no TDC, notando que tais informações davam significado à conceitos abstratos. Após encerrada a leitura do TDC, a realização do debate nos grupos, com participação ativa dos alunos, confrontando os novos conhecimentos com as concepções prévias e o uso de explicações de caráter científico nas argumentações/explicações expostas.

Um dos licenciandos, mediador em um dos grupos, relata a relação que os alunos estavam fazendo entre o assunto do TDC e outras situações.

Diante dessa atividade nos deparávamos com novas situações/problemas que não estavam descritos no texto ou não tínhamos comentado, com expressões do tipo: 'Mas então quando acontece isso é porque...', o que foi bem interessante pois mostra que os alunos tinham ampliando seu campo de visão e além de relacionarem o tema das aulas com o texto de divulgação científica eles conseguiam relacionar com novas situações. Ou seja, o uso do texto em si conseguiu fazer o que é a meta de muitos professores de conseguir relacionar o tema de suas aulas com o dia a dia dos alunos. (Licenciando do curso de Física, mediador de um dos grupos)

A professora supervisora, também destaca este fato em suas percepções.

Cada grupo fez uma leitura minuciosa do texto apresentado, e a cada dúvida que surgia, esta era discutida no grupo criando uma série de questionamentos, alguns pertinentes ao assunto e outros que talvez não tenham comprovação científica, mas que enriqueceram a discussão sobre o texto. (Professora de Física da Educação Básica, acompanhando a atividade desenvolvida)

No caso das atividades realizadas com os alunos do CEDET, onde os alunos não possuíam conhecimentos formais sobre a eletrostática, verifica-se como o uso do TDC gera a predisposição para a aprendizagem e estimula a busca de conhecimentos. Na percepção de um dos licenciandos, este resultado é evidenciado.

Em vários momentos nos deparamos com manifestações dos alunos do tipo 'Então é assim que acontece?' ou ' Nunca imaginava que era assim!', isso mostra que o texto de divulgação científica traz ao aluno uma situação ou problema diferente do que ele está acostumado. Isso faz com que até o fim das discussões ele se interesse em resolver ou entender tais problemas ou situações. (Licenciando do curso de Física, mediador nas atividades com os alunos do CEDET)

A partir do TDC, as atividades que se seguiram, atividades experimentais de processos de eletrização, evolução das descobertas relacionadas à eletrostática, conceituação de força elétrica e campo elétrico puderam ser desenvolvidos, nesse

caso específico sem qualquer formalidade matemática, na perspectiva de dar respostas à questões geradas a partir do TDC.

## Conclusões

Percebe-se que as estratégias de uso de TDC nas aulas de física, contribuem em vários aspectos para favorecer a aprendizagem do estudante, desde que as mediações das atividades não sejam limitadoras, dando espaço às interpretações pessoais de cada aluno, possibilitando-os a desenvolver a capacidade de abstração e interpretação de conceitos, leis e problemas, além de possibilitarem a identificação dos seus conhecimentos prévios a respeito do assunto ou tema abordado.

A escolha de TDC no ensino da física satisfez os objetivos salientados para os dois grupos de alunos, pois deu significado ao conhecimento escolar, mediante a contextualização, favoreceu a formação geral, em oposição à formação específica, desenvolveu a capacidade de pesquisar, de buscar informações.

A maioria das variáveis envolvidas no processo ensino aprendizagem não são mensuráveis, a escola, a turma, o professor que orienta as atividades, são fatores determinantes no sucesso ou fracasso das ações pedagógicas. Portanto, este trabalho não apresenta receitas de estratégias de ensino, mas apresentam resultados que podem inspirar o uso de TDC em diferentes momentos do processo.

Quanto ao processo de avaliação, a produção de um texto dando fechamento à atividade se mostrou bastante satisfatório para identificar a aprendizagem dos conhecimentos específicos em Física dos alunos e a relação que os mesmo conseguem fazer entre a Física e seu mundo vivencial.

## Agradecimentos

Os autores agradecem a CAPES pelo apoio financeiro na aquisição de materiais e pelas bolsas de iniciação à docência, supervisão para professor da Educação Básica e coordenação de área.

## Referências

ALMEIDA, M. J. P. M. de e RICON A. E. Divulgação Científica e Texto Literário Uma Perspectiva Cultural em Aulas de Física. Caderno Catarinense de Ensino de Física , Florianópolis, v. 10, n. 1, p. 7-13, abr. 1993

BRASIL. Lei n 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases o da Educação Nacional. Diário Oficial [da República Federativa do Brasil] , Brasília, DF, v. 134, n. 248, 23 dez. 1996. Seção 1, p. 27834-27841.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais (Ensino Médio) Parte I - Bases Legais (PCNEM). Brasília. MEC, 2000

DA SILVA, H. C. O que é divulgação científica? Ciência & Ensino , v. 1, n. 1, p. 5359, dezembro. 2006

LEITE, A. E., GARCIA, N. M. D. Leitura na escola. Mas, até em Física? In: Congresso Nacional de Educação, IX, 2009, Curitiba. IX EDUCERE , Curitiba: PUCPR, p. 8583-8594.

PIETROCOLA, Maurício. Capítulo 4- A Matemática como linguagem estruturante do pensamento físico. In: CARVALHO,Anna Maria Pessoa (Org). Coleção Ideias da Física. São Paulo: Cengage Learning, 2010,p 79-105, 2010

TERRAZZAM, E. A. e GABANA M. Um estudo sobre o uso de atividade didática com texto de divulgação científica em aulas de Física. 2003. Trabalho apresentado ao IV Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, Bauru-SP, 2003.

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