ATIVIDADES DA DISCIPLINA DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DO CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ
Gabriela Corrêa Dos Santos, Dimas Jackson De Oliveira, Antonio Luiz Fernandes Marques
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 27/01/2015
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Educação Não Formal
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ATIVIDADES DA DISCIPLINA DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DO CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ.
## Gabriela Corrêa dos Santos , Dimas Jackson de Oliveira , Antonio Luiz 1 2 Fernandes Marques. 3
Resumo: No decorrer dos anos, diversas técnicas e meios de comunicação foram desenvolvidos e aperfeiçoados visando à divulgação das ciências. Por meio de linguagem adequada, a Divulgação Científica (DC) desperta no público um fascínio pelos conceitos científicos e tecnológicos. Esta divulgação pode ser feita por meio de livros, revistas, programas de rádio e TV, internet, entre outras mídias, promovendo assim a aprendizagem. Este artigo apresenta os trabalhos finais - produzidos em duas mídias: rádio e história em quadrinhos (HQs)- desenvolvidos na disciplina de Divulgação Científica (COM966) do curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI). Desde 2005 esta disciplina é lecionada, e tem como objetivo proporcionar aos discentes conhecimentos sobre as principais técnicas na utilização de mídias de comunicação para difundir a ciência, além de apresentar inovações nesta área. A divulgação destes trabalhos tem como objetivo demonstrar as técnicas adquiridas no decorrer da disciplina e que foram aplicadas na criação de pequenas histórias em quadrinhos e na elaboração de programas de rádio.
Palavras-chave : Divulgação Científica, Rádio, História em Quadrinhos.
## Introdução
Divulgar a ciência é sem dúvida fundamentalmente importante para a evolução desta, não só com o objetivo de publicar resultados, mas também para despertar o interesse pela ciência em cada vez mais pessoas. A Divulgação científica (DC) está correntemente relacionada à veiculação de informações sobre ciências e tecnologias através de diversos meios - como rádio, televisão, internet destinados a um público alvo específico visando assim atraí-lo e efetuar a popularização da ciência (CARVALHO, GONZAGA & NORONHA 2014).
Diante da necessidade de se divulgar a ciência, bem como entender a forma de se realizar essa divulgação, em 2005 foi criada uma disciplina de Divulgação Científica (COM966) para o curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal de Itajubá. Esta disciplina foi fundamentada no curso de especialização oferecido pelo Núcleo José Reis de Divulgação Científica (NJR); e possui carga horária de 32 horas. A disciplina visa promover a implementação da DC na Universidade, potencializando assim a formação dos graduandos, como também incentivando a produção de trabalhos científicos por eles no decorrer do curso; como por exemplo o artigo 'Criação de Trabalhos de Divulgação Científica em um Curso de Licenciatura em Física', da aluna Angelina e colaboradores que foi apresentado no SNEF 2013.
Durante a disciplina foram apresentadas aos alunos algumas mídias que podem ser utilizadas para a divulgação das ciências, como rádio, escrita para jornal,
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história em quadrinhos, vídeo e internet; sendo que no primeiro bimestre de 2014, foram realizadas diversas atividades e estudos sobre a utilização dos diversos tipos de mídias para elaboração de trabalhos de DC no campo da Física. O primeiro exercício de fixação foi a elaboração de um lead o parágrafo inicial para um artigo de jornal; o lead , constitui um parágrafo de três a cinco linhas não-hifenadas e de até setenta toques, no qual devem ser respondidas as seguintes questões: quem, quando, onde, como, por que, para que e para quem. Depois de ter feito isso, o professor sugeriu que os alunos acrescentassem um título (exatamente duas linhas de até trinta caracteres) ao lead, e por fim, foi elaborado um texto com exatamente vinte linhas não-hifenadas e pelo menos dois parágrafos (o lead e mais um). Este tipo de texto tem como base notícias recentes de grandes centros de pesquisa e é de extrema importância analisar com cautela o público alvo para este tipo de divulgação, como também a linguagem utilizada (VIEIRA, 1998).
Nas atividades subsequentes, discutiram-se conceitos de Radiodifusão, Histórias em Quadrinhos, Vídeo e páginas da internet para a Divulgação Científica; sendo que em cada uma delas foi discutido o público alvo, bem como suas especificidades; além de técnicas específicas que potencializam os recursos diferentes disponíveis em cada uma destas mídias.
Já no segundo bimestre os alunos apresentaram seminários de DC, com duração de meia hora; a temática foi escolhida pelos alunos e alguns dos temas abordados foram: Buracos Negros, Matéria Escura, Ondas Gravitacionais, Tempestades Solares. Os seminários foram de grande contribuição para a formação destes alunos, pois neles técnicas para se expressar e transmitir conhecimentos a um público alvo específico foram desenvolvidas, bem como a capacidade de se organizar em um período de tempo especificado. Como trabalho final da disciplina os alunos deveriam optar pela mídia que mais lhe chamou a atenção e confeccionar um material de DC abordando temáticas da Física para aquela mídia.
## Produção de Materiais de DC
Neste trabalho serão apresentados os trabalhos finais de dois alunos que cursaram esta disciplina no primeiro semestre de 2014; sendo que um deles optou pela mídia rádio e o outro por confeccionar histórias em quadrinhos (HQ).
## O Programa de Rádio
Em um mundo no qual a Internet é o meio de comunicação mais acessado para obtenção de informações e comunicação; o rádio ainda é uma mídia de comunicação social de grande relevância. Este destaque se dá ao fato desta mídia estar disposição de todos os cidadãos, podendo ser eles escolarizados ou não; como também é acessível a indivíduos de todas as idades e diferentes classes sociais (ASSUMPÇÃO, 2003).
O rádio é uma mídia de comunicação baseado na difusão de informações sonoras, por meio de ondas eletromagnéticas, em diferentes frequências; sendo bastante atrativo, pois possui características próprias - rapidez na transmissão de informações; recepção da informação em lugares diversos; baixo custo na confecção dos programas; grande difusão da informação; linguagem simples e de fácil acesso (LOPES, 1982) - e que atraem a atenção de seus ouvintes. Este veículo de comunicação foi patenteado por Guglielmo Marconi em 25 de setembro de 1896 e rapidamente ganhou destaque em todo o mundo. No Brasil o padre e cientista Roberto Landell de Moura, em 1893, já realizava transmissões faladas por meio de
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redes sem fio, porém internacionalmente seu trabalho com o rádio não foi reconhecido. Até 1914 o rádio foi utilizado basicamente para transmissão de informações e comunicação entre indivíduos distantes, foi somente em 1915 que o jornalismo começou a ser divulgado nas rádios.
No Brasil a primeira transmissão radiofônica, ocorreu em 7 de Setembro de 1922, em comemoração aos 100 anos da independência do país; porém foi somente em 1930 que este meio de comunicação se destacou em território nacional, iniciando assim a Era de Ouro do Rádio, que durou até meados de 1950. Atualmente o rádio ainda é um dos veículos de comunicação mais utilizados, sendo que cerca de 67% da população brasileira ainda escuta rádio (IBOPE, 2013).
Diante do exposto, optou-se pela confecção de uma série de programas de rádio sobre nomes importantes da Física, como trabalho final da disciplina de DC. Esta série de programas foi nomeada FilosoFisics, pois apresentava seis programas que continham um breve histórico sobre cientistas que contribuíram para o desenvolvimento da Física; o nome do programa agrega em um único termo as palavras Física e Filosofar, pois em seus princípios a Física esteve fortemente ligada a Filosofia e o programa objetivava instigar a atenção de alunos do Ensino Médio para a disciplina de Física.O programa se iniciava com uma música-vinheta, logo após vinha uma sonora que apresentava o físico do dia; no decorrer do programa eram narrados os fatos mais importantes daquele estudioso, bem como suas descobertas que mais contribuíram para o desenvolvimento da Física, após isto o programa era encerrado. O tempo de duração do programa foi estipulado entre dois e três minutos. Abaixo apresentamos dois modelos de roteiro de rádio produzidos (Quadro 1 e 2).
Quadro 01: Modelo de Um programa da Série.
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Quadro 02: Modelo de Um programa da Série.
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## Sobre Histórias em Quadrinhos (HQ)
A narração de fatos por meio de figuras existe há muito tempo (BANZATO et al., 2009); desde de pinturas encontradas em paredes de cavernas até os hieróglifos egípcios, este tipo de narrativa se desenvolveu muito no decorrer da história. As Histórias em Quadrinhos ( HQ) são narrativas visuais feitas com desenhos sequenciais, geralmente acompanhadas por textos curtos (SARMENTO, 2006), que foram criadas no final do século XX.
As HQs geralmente são publicadas em jornais e revistas e possuem uma linguagem própria, sendo um dos mais importantes veículos de comunicação de massas. Após a Segunda Guerra mundial, este tipo de narrativa ganhou grande destaque, com a criação de super-heróis - que simbolizavam os soldados, como também o nacionalismo dos países envolvidos nos conflitos; alguns exemplos são o Capitão América, da Marvel Comics e Superman da Dective Comics (DC) (JARCEM, 2007).
Em 1905 começa a produção de HQs em território nacional, com o lançamento da revista Tico-Tico; porém foi somente na década de 1960 que as publicações e personagens brasileiros começaram a fazer sucesso, destacando escritores como Ziraldo (Menino Maluquinho) e Maurício de Souza (A Turma da Mônica). A partir de 1980 os grandes jornais brasileiros adicionam tirinhas as suas publicações, estas tirinhas tem como características marcantes o humor negro, bem como a crítica a situações cotidianas e política.
Banzato et al. (2009, p.432) afirmam que 'crianças e adultos do mundo inteiro consomem histórias em quadrinhos, como conhecemos hoje, há quase cem anos. A linguagem acessível e o custo baixo tornam a história em quadrinhos um elemento presente no cotidiano das pessoas', podendo ser também um importante meio de DC. Sendo assim optou-se, como trabalho final da disciplina COM966, pela elaboração de pequenas HQs. Essas HQs tinham como objetivo divulgar conceitos da Física, como também despertar no leitor o interesse pela ciência através do humor e dos demais recursos envolvidos nesta mídia. As HQs elaboradas tinham o formato semelhante ao das 'tiras' publicadas em jornais. Apresentam-se aqui algumas das Histórias em Quadrinhos desenvolvidas para esta atividade:
Figura 01: HQ de divulgação movimento retilíneo uniforme.
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Figura 02: HQ de divulgação relacionada à astronomia.
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Figura 03: HQ de divulgação teoria da relatividade restrita.
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Figura 04: HQ de divulgação relacionada às Leis de Newton.
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## Considerações finais
Divulgar as ciências é sem dúvida muito importante e a disciplina de Divulgação Científica (COM966), oferecida pela Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) no curso de licenciatura em Física, tem auxiliado em muito os alunos que a cursam a entender como esta divulgação pode ser feita. As diversas mídias - rádio, histórias em quadrinhos, internet, escrita para jornais e vídeos - utilizadas na DC, são bem trabalhadas, sendo que os alunos produzem materiais em todas elas; o que auxilia na formação destes alunos.
Os seminários produzidos no decorrer da disciplina, também ajudaram na formação dos alunos, pois neles técnicas para se expressar e transmitir conhecimentos a um público alvo específico foram desenvolvidas, característica essencial da DC.
Já os trabalhos finais possibilitaram um contato maior com uma mídia específica, sendo assim os alunos podem optar por começar uma Iniciação Científica nesta área, bem como divulgar seu trabalho em congressos ou utilizá-los em suas aulas. Concluímos assim que os objetivos da disciplina C0M966 foram alcançados, bem como esta disciplina é de grande proveito para os alunos que a cursam.
## Referências
ASSUMPÇÃO, Z. A. Rádio Universitária: vetor de comunicação científica entre especialista e radio-ouvinte. Letras e Artes, 2003.
BANZATO, B. A.; IBELLI, L. F.; MARTINELLI, N. A. H.; MATUCK, F. C. A.; MOTA, T. de C.; SILVA, R. D. de O. As histórias em quadrinhos como meio de disseminação científica. II Seminário Lecotec de comunicação e ciência. Bauru-SP. 09-11 de Nov. 2009.
CARVALHO, M. T. dos S.; GONZAGA, A. Menezes; NORONHA, E. L. Divulgação científica: dimensões e tendências, tendências no ensino de ciências e matemática. Revista Areté: Revista Amazônica de Ensino de Ciências, v. 4, n. 07, 2014.
JARCEM, R.G.R. História das Histórias em Quadrinhos. Revista: História, Imagens e Narrativas. N°5, ano 3, 2007.
LOPES, V.S. Iniciação ao jornalismo audiovisual. Imagem impressa. Rádio. TV. Cinema. Lisboa: Dina Livro, 1982.
MARQUES, A. L. F., Produção de Materiais de Divulgação Científica no Curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI). In: Simpósio Nacional de Ensino de Física, São Luiz, MA, 2011.
PAULA, A. C. S., REBELO, B. R., BENEDITO, G. S. C. B., BUENO, L. C. B. e MARQUES, A. L. F., Criação de Trabalhos de Divulgação Científica em um Curso de Licenciatura em Física. In: XX Simpósio Nacional de Ensino de Física, São Paulo, SP, 2013.
SARMENTO, L. L. Oficina de redação . 3. ed. São Paulo: Moderna, 2006.
VIEIRA, C. L., Pequeno Manual de Divulgação Científica: Dicas para cientistas e divulgadores de ciência. São Paulo: CCS/USP, 1998.
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