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PÁTIO DA CIÊNCIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS: UM CENTRO DE CIÊNCIAS?

Cássio Ramos Pinto, José Rildo De Oliveira Queiroz, Paulo Celso Ferrari

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
27/01/2015
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Educação Não Formal
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## PÁTIO DA CIÊNCIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS: UM CENTRO DE CIÊNCIAS?

## Cássio Ramos Pinto 1 , José Rildo de Oliveira Queiroz , Paulo Celso Ferrari 2 3

1 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, cassio\_ramos14@hotmail.com 2 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, rildo@ufg.br 3 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, pferrari@ufg.br

## Resumo

Pátio da Ciência é uma iniciativa de divulgação científica dos Institutos de Física e de Química da Universidade Federal de Goiás, inspirado no conceito de Centro de Ciência, em atividade desde novembro de 2012. Este trabalho investigou quais são as impressões dos visitantes, se os objetivos do Pátio da Ciência estão sendo cumpridos e se os configuram um Centro de Ciência. Trata-se de uma pesquisa qualitativa envolvendo um grupo de quarenta estudantes de uma escola pública em visita ao Pátio e a análise de seus objetivos. Os dados foram obtidos por meio da análise de conteúdo do projeto de criação do Pátio e das respostas dos visitantes a um questionário. Concluímos que os estudantes reivindicaram a ampliação do número de estandes e monitores, avaliaram positivamente a atuação dos monitores responsáveis pela apresentação dos experimentos, bem como a organização do Pátio e que o Pátio da Ciência já pode ser considerado um Centro de Ciência, mesmo não cumprindo alguns objetivos.

Palavras-chave: Centro de Ciência, divulgação científica, monitor.

## Introdução

Espaços voltados para a divulgação científica e tecnológica, que contribuam para a educação científica da população em geral e de jovens estudantes em particular, têm importância universal indubitável. Tais iniciativas, ao contribuírem para divulgar o conhecimento científico à sociedade, democratizando o acesso a ele, popularizam a ciência, estimulam jovens talentos para as carreiras científicas, complementam as atividades formais de ensino de ciências e são fontes de estímulo aos jovens para os estudos em geral. Num sentido mais amplo, podem contribuir para a maior valorização social da atividade científica. Do ponto de vista das instituições públicas de ensino e pesquisa, é premente a necessidade de instrumentos eficazes de interação com a sociedade, voltados para a divulgação de seus fazeres e competências, visando aprimorar a consciência da importância que têm para a sociedade que as mantêm. Dentro desta perspectiva, merecem destaque programas de divulgação e educação científica não formal, como museus e centros de ciência (ALBAGLI, 1996).

Neste trabalho discutimos as principais características dos Centros de Ciência e do Pátio da Ciência da UFG, pois os objetivos principais são analisar as impressões dos visitantes e avaliar se o Pátio da Ciência da UFG já pode ser considerado um Centro de Ciência.

## Centro de Ciência

Os Centros de Ciência têm origem nos Museus de Ciência (GRUZMAN; SIQUEIRA, 2007), porém, com objetivos e metodologias diferentes. Para Barba

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26 a 30 de janeiro de 2015

(2005), estes são alguns objetivos gerais encontrados tanto nos museus quanto nos centros de ciência:

Cada centro ou museu interativo de ciências formula o próprio rol social que deseja desempenhar; não obstante, no fundamental poderia dizer-se que eles compartilham uma mesma missão genérica e um conjunto de objetivos gerais comuns a todos: promover a apropriação social da ciência e da tecnologia; popularizar conhecimentos científicos e tecnológicos; promover experiências de educação informal e não formal nas áreas de ciência e de tecnologia. (BARBA, 2005, p. 1).

Os objetivos variam de uma instituição para outra, mas são mais ou menos comuns aos dois meios. Ambos têm como principal objetivo aproximar a sociedade da ciência, já a metodologia de trabalho é bastante diferente. Cury (2002) aponta as principais diferenças entre características, objetivos e métodos das duas atividades (Quadro 1).

Quadro 1 - Possíveis formas de aproximação entre Museus e Centros de Ciência e Tecnologia (CURY, 2002, p. 61)

Segundo Albagli (1996), a grande proposta dos centros de ciência é usar métodos interativos nas exposições, para que o público em geral se sinta motivado e envolvido com esta experiência. Segundo essa autora, os centros de ciência parecem funcionar de acordo com alguns princípios gerais, apesar de existirem diferentes centros de ciência com diferentes propósitos, conteúdos e público. São eles: 'priorizar aspectos contemporâneos da ciência, encorajar a participação de seus visitantes, enfatizar exposições vinculadas a projetos educacionais, promover atividades educacionais complementares e eventos paralelos às exposições' (ALBAGLI, 1996, p. 401).

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## O Pátio da Ciência da UFG

O Pátio da Ciência foi criado a partir de um projeto contemplado pelo Edital CNPq/SECIS/MCT/FAPs nº 064/2009, na Linha Temática 1, de implementação de centros de ciências. Inaugurado em novembro de 2012, o projeto original traz como objetivo principal promover a divulgação cientifica na implantação de um Centro de Ciência na UFG. Os objetivos específicos que constam no documento são:

- · Implantar um centro de ciência em área já existente, anexa ao Instituto de Física da Universidade Federal de Goiás.
- · Desenvolver e produzir materiais destinados às atividades de divulgação científica nas diferentes áreas de conhecimento do Programa PÁTIO DA CIÊNCIA, em estreita colaboração com os cursos de Licenciatura.
- · Criar um ambiente que permita aos alunos de graduação em Física, Química e Matemática exercitarem o ensino e a divulgação científica, contribuindo para a formação de recursos humanos nestas áreas.
- · Criar um espaço interativo na internet para dar suporte e ampliar o alcance das atividades do Programa PÁTIO DA CIÊNCIA.
- · Dar maior visibilidade às atividades de pesquisa científica e tecnológica, especialmente aquela desenvolvida nesta universidade. (CARVALHO et al., 2009)

Localizado no Campus Samambaia da UFG, adjacente aos Institutos de Física e de Química, em uma área de 1200 m , mescla espaços abertos e fechados. 2 Conta com 4 estandes amplos, um palco ao ar livre e um auditório para 54 lugares. Os estandes contêm diversos experimentos, agrupados em quatro temas principais: Física para Todos, Energia e Nanotecnologia, Luz e Partículas, Divertiquímica. Nos espaços abertos são disponibilizados três experimentos interativos: Palco da Física, contendo um giroscópio de eixo único e um banco giratório e na entrada o Sistema de comunicação sem fio, contendo duas conchas acústicas alinhadas. Os visitantes têm a oportunidade de observar e interagir com vários experimentos científicos abordando diversos temas, mediados por 5 monitores, assistir palestras, filmes e animações no auditório.

A gestão do espaço e coordenação das atividades é realizada por uma comissão formada por cinco professores do Instituto de Física e dois professores do Instituto de Química. O Pátio conta ainda com uma secretária executiva responsável pelas reservas, o acolhimento e apresentação do espaço às escolas.

## Metodologia

Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa que envolveu um grupo de quarenta estudantes de uma escola pública de uma cidade do interior do Estado de Goiás durante a visita ao Pátio da Ciência da UFG. A apresentação dos estandes ocorreu normalmente, sem comunicar a pesquisa aos monitores e estudantes. Terminada a visita os estudantes foram convidados a voltarem ao auditório e responderem um questionário (MOREIRA; CALEFFE, 2008). A discussão dos resultados foi baseada na análise de conteúdo (BARDIN, 2008).

Os objetivos do Pátio da Ciência foram analisados com base na observação participante dos autores, diretamente envolvidos na implantação do projeto, e posteriormente comparados com os objetivos apontados na literatura referenciada.

## Discussão dos Resultados

Segundo a opinião dos próprios estudantes foram analisados os seguintes aspectos: tempo de duração da visita, experimentos preferidos, atuação dos

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monitores e organização do Pátio. Fizemos esta análise por meio de categorias elaboradas com base na frequência que determinadas informações apareceram. Para analisar os objetivos do Pátio da Ciência recorreremos ao depoimento do primeiro autor, monitor bolsista do projeto, e em seguida comparamos com os objetivos dos centros de ciência aqui referenciados.

## Análise dos questionários

No intuito de preservar a identidade dos estudantes, ao transcrever as respostas de cada questionário, elas estão identificadas com a letra 'Q' seguida de um número.

A primeira informação obtida do questionário foi que praticamente todos os alunos visitaram todos os estandes (exceto um aluno), o que nos permite inferir que o tempo de duração da visita foi suficiente. Em geral a visita não dura mais que uma hora. Caffagni e Marandino (2012) nos alertam que o tempo para as atividades em um museu é diferente do tempo da escola.

Para analisar os demais resultados construímos cinco categorias: experimentos interativos; experimentos preferidos; atuação dos monitores; organização do Pátio da Ciência e sugestões dos visitantes.

- - Experimentos interativos . Nesta categoria analisamos as impressões dos estudantes sobre os experimentos interativos envolvendo os conceitos de Momento Angular (Palco da Física) e Reflexão de Ondas Sonoras (Sistema de comunicação sem fio).

Dos quarenta estudantes, vinte e cinco participaram do experimento do Palco da Física (63%). Os que não participaram apresentaram suas justificativas:

Porque ficar girando muito me da dor de cabeça. (Q10)

Outros preferiram somente olhar, alguns com medo ou receio de participar do experimento:

À toa, preferi só olhar . (Q25) Porque eu estava com receio . (Q26) Só observei. (Q17)

Palco da Física é um dos experimentos mais interativos, pois, para demonstrá-lo o estudante é convidado a se sentar em um banquinho fixo ao giroscópio de eixo único e girar, com a supervisão de um mediador. Ele exige um cuidado especial do monitor responsável, pois o participante pode se machucar. Além do banquinho giratório existem mais dois acessórios para complementar o experimento: uma roda de bicicleta e um par de pesos de academia.

Trinta e três dos quarenta estudantes participaram do experimento Sistema de comunicação sem fio (84%). Esse experimento em espaço aberto contém duas antenas parabólicas adaptadas para que o som acústico seja transmitido de um foco a outro por reflexão. Entre os que não participaram surgiram as seguintes justificativas:

Não sou tão participativa, prefiro olhar . (Q25) Vergonha. (Q8) Porque só pegou dois voluntários . (Q13)

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É bastante comum acontecer de estudantes serem tímidos, o que dificulta a participação nos experimentos, principalmente nos interativos. Com relação à resposta de Q13, pode ter ocorrido falta de informação, pois os estudantes são convidados a participar desse experimento assim que chegam ao Pátio da Ciência, porém, não há um monitor responsável pela sua mediação. A secretária executiva faz uma breve apresentação do experimento para que os estudantes possam utilizálo de forma correta. Apesar de possuir instruções de uso fixadas nas duas antenas, a maioria dos estudantes não consegue executar o experimento de forma adequada.

- -Experimentos preferidos . Nesta categoria reunimos as justificativas sobre o que mais chamou a atenção ou o que mais o estudante gostou. Praticamente todos os experimentos foram citados.
- O Estande 1, Física para todos (gerador de Van de Graaff):

Foi o do choque porque é muito interessante ficar passando choque para os colegas. (Q10)

- A do choque. Porque levar choque é divertido, muito engraçado . (Q29)

Choque, descargas. Muito interessante por eu não ter visto ainda, novos conhecimentos é sempre bom . (Q30)

## O Estande 3, Luz e Partículas:

- O estande de luz porque mostra uma área da física difícil de ser demonstrada . (Q7)
- O estande que falava sobre luz e refração. Porque é tudo tão simples que às vezes passam despercebidos aos nossos olhos. (Q18)

Estande de luz, pois usou técnicas que me impressionou, gostei muito da explicação do instrutor . (Q22)

## O Estande 4, Divertiquímica:

Eu achei muito legal o experimento em que se enchia o balão com bicarbonato . (Q20)

O que eu mais gostei foi do que utilizou-se água óleo e álcool com corante fazendo todos esses elementos se tornar uma luz porque é muito interessante e chama a atenção. (Q15)

- O experimento das conchas acústicas:

As antenas porque ao falar a gente ouve nitidamente [...]. (Q4)

## O experimento do banquinho giratório:

O experimento do banquinho giratório. Porque ele me mostrou [...] coisas que já tinha aprendido mas não feito na prática como lá foi . (Q24)

O banquinho giratório, muito legal . (Q13)

Do banquinho giratório, o interessante foi o modo que gira apenas com alguns movimentos. Show! (Q19)

Ao analisar as respostas percebemos que três das cinco preferências se referem a experimentos de forte interatividade: banquinho giratório, conchas acústicas e o gerador de Van De Graaff. Albagli (1996) afirma que o que motiva um estudante a visitar um centro ou museu de ciências não é propriamente a busca pelo conhecimento, e sim a busca por novas aventuras.

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- -Atuação dos monitores . Nesta categoria reunimos respostas que atribuem à atuação dos monitores o sucesso da visita ao Pátio da Ciência:

Porque foi muito bom as explicações, esclareceu muita coisa [...]. (Q29)

Porque eu fui muito bem tratada em todos os estandes, todas as minhas perguntas foram bem respondidas. (Q23)

Todos os monitores super educados, tiraram todas as minhas duvidas [...]. (Q18)

Todos os monitores explicaram muito bem, respondia todas nossas perguntas bem. Parabéns! (Q31)

Porque as explicações e demonstrações foram excelente . (Q9)

Porque todos foram bem atenciosos e simpáticos e são ótimos para responder as perguntas que fazemos. (Q15)

Fica evidente a influência dos monitores, segundo a opinião dos estudantes. Uma grande parcela dos estudantes aponta os monitores como justificativa para uma boa avaliação. Queiroz et al. (2002) afirmam que 'o mediador pode colaborar para tornar uma visita significativa, preenchendo o vazio que muitas vezes existe entre o que foi idealizado e a interpretação dada pelo público ao que está exposto' e consideram que 'a mediação requer um saber com dimensões peculiares: o saber da mediação ' (QUEIROZ et al., 2002, p. 78).

- - Organização do Pátio da Ciência . Ao justificarem sua satisfação com a visita alguns estudantes fizeram referência à organização do Pátio da Ciência:

Pois ocorreu tudo muito bem [...] tudo era muito bem organizado.

(Q17)

Ótima estratégia utilizada . (Q1)

Porque estava muito bem organizado e com a explicação consegui entender o que era proposto . (Q12)

A organização foi um ponto importante na hora de avaliar o projeto.

- - Sugestões dos visitantes . Nesta categoria reunimos as respostas que indicam as principais reivindicações dos estudantes:

[...] poderia ter mais estandes . (Q32) Acho que deveria ter mais experiências. (Q11) Poucos estandes e monitores . (Q7)

Pelas respostas percebemos que os visitantes querem ver mais coisas novas e com isso sentem a necessidade de mais estandes e monitores.

## Análise dos objetivos do Pátio da Ciência

Primeiramente analisamos se os objetivos específicos que constam do projeto Pátio da Ciência, submetidos ao CNPq, estão sendo cumpridos. Esta análise baseia-se na vivencia como monitor do primeiro autor deste trabalho. Em seguida realizamos uma análise comparativa dos objetivos do projeto com os objetivos dos Centros de Ciência apontados na literatura referenciada.

- 1º Objetivo: implantar um centro de ciências. O Pátio da Ciência foi inaugurado em 19 de novembro de 2012 e desde então funciona regularmente toda segunda, quarta e sexta, das 8:00 às 12:00 com visitas agendadas ou não em

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atendimento por meio de 5 monitores. No ano de 2013 atendeu 1120 estudantes de 23 escolas da Educação Básica. Assim, podemos afirmar que ele foi implantado.

- 2º Objetivo: desenvolver e produzir materiais destinados às atividades de divulgação científica nas diferentes áreas de conhecimento do programa Pátio da Ciência, em colaboração com os cursos de Licenciatura. Esse objetivo ainda não está sendo cumprido e não existe projeto em andamento que possa colocar em prática essas atividades.
- 3º Objetivo: criação de um ambiente que permita aos alunos de graduação em Física, Química e Matemática exercitarem o ensino e a divulgação científica, contribuindo para a formação de recursos humanos nestas áreas. Este objetivo está sendo cumprido por meio de atividades regulares da disciplina Prática de Ensino e Estágio do curso de Licenciatura em Física e o desenvolvimento de pesquisas, em nível de graduação e pós-graduação. Ainda não há um envolvimento dos alunos dos cursos de Química e Matemática.
- 4º Objetivo: criação de um espaço interativo na internet para dar suporte e ampliar o alcance das atividades do programa Pátio da Ciência. Este objetivo está sendo parcialmente cumprido. O site foi criado, < http://www.patiodaciencia.ufg.br >, contém informações como: o que é, localização, galeria de fotos, vídeos das profissões, links para outros centros de ciências e agendamento online. Porém, é interativo até certo ponto. Contém características importantes para a divulgação e suporte das atividades do Pátio, no entanto, ainda não ampliam o alcance das atividades promovendo interatividade por meio de jogos, simuladores, vídeos de experimentos, espaço para perguntas e respostas.
- 5º Objetivo: dar maior visibilidade às atividades de pesquisa científica e tecnológica, especialmente aquela desenvolvida na UFG. Este é um objetivo que inicialmente estava sendo cumprido com palestras promovidas por professores pesquisadores que traziam temas da fronteira do conhecimento. Com o aumento da visitação essas palestras tornaram-se inviáveis. Uma sugestão para este problema é a criação de pôsteres explicativos de cada grupo de pesquisa da instituição.

Quanto à comparação desses objetivos com os objetivos dos Centros de Ciência, consideramos que os objetivos cumpridos (1º, 3º e 4º) se enquadram nos pressupostos de um Centro de Ciência, porém, o Pátio da Ciência da UFG ainda não cumpre alguns objetivos importantes para um Centro de Ciência, como por exemplo: 'fabricação de modelos'; 'renovação, manutenção e reposição de acervo'; 'comunicação de temas científicos ligados à política científica do centro' (CURY, 2002, p. 61). O projeto ainda não investe sistematicamente na fabricação permanente de modelos, não prevê verbas para renovação e manutenção de acervo, apesar de previsto em seu 2º objetivo (citado acima), nem divulga as pesquisas realizadas no âmbito da UFG, conforme previsto em seu 5º objetivo.

## Considerações Finais

Os resultados nos levam a crer que o tempo de duração das visitas tem sido suficiente para que os alunos visitem todos os estandes. Vale ressaltar que o tempo varia com a quantidade de alunos que a escola se propõe a levar.

Alguns estudantes deixaram de participar dos experimentos interativos. Além dos motivos apontados pelos próprios estudantes, consideramos que existem alguns problemas estruturais a serem resolvidos: a) o banquinho sobre o giroscópio é inseguro, pois não possui encosto, braço, nem sinto de segurança; b) o experimento

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de transmissão do som precisa de um monitor permanente para mediar os saberes ali envolvidos, bem como auxiliar na localização do foco da concha acústica.

Mesmo sem um curso formal e específico de saberes da mediação, os monitores foram muito bem avaliados. Podemos considerar que o principal motivo para a avaliação positiva recebida pelo Pátio se deve à atuação dos monitores. Para além de cenários fantásticos e experimentos sofisticados, não há como duvidar do poder da linguagem do mediador. Pavão e Leitão (2007) reconhecem o papel do monitor dentro do museu como instrumento interativo por excelência, com potencial para mediar processos de construção do conhecimento, o que denominam de ' explainers-on' (PAVÃO; LEITÃO, 2007, p. 41).

Vários estudantes apontaram como qualidade a organização do Pátio da Ciência. A única crítica expressa foi reivindicar mais estandes e monitores.

Fazendo uma comparação entre os objetivos do projeto e os objetivos de um Centro de Ciência, embora alguns objetivos do projeto ainda não estejam sendo cumpridos, nossa análise nos permite considerar que o Pátio da Ciência da UFG já se caracteriza como um Centro de Ciência.

## Referências

ALBAGLI, S. Divulgação científica: informação científica para a cidadania? Ciência da Informação , v. 25, n. 3, p. 396-404, 1996. Disponível em: < http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/article/view/465 >. Acesso em: 27/11/2013.

BARBA, M. L. P. Os serviços educativos e de popularização de ciência nos museus e centros de ciência e tecnologia: a visão do Explora. Com Ciência , [on line], v. 72, p. 1-4, 2005. Disponível em: http://www.comciencia.br/reportagens/2005/12/14.shtml >. Acesso em: 27/11/2013.

BARDIN, L. Análise de conteúdo . 5ª ed. Lisboa: Edições 70, 2008.

CAFFAGNI, C. W. A.; MARANDINO, M. A produção do discurso de monitores em museus e centros de ciências. In: BORGES, R. M. R.; IMHOFF, A. L.; BARCELLOS, G. B. (Orgs.). Educação e Cultura Científica e Tecnológica Centros e Museus de Ciências no Brasil. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2012. p. 225-246.

CARVALHO, J. F.; FERRARI, P. C.; GENOVEZ, L. G. R.; MAIA, L. J. Q.; LARIUCCI, C.; GOMES, R. A. Pátio da Ciência - Um Centro de Ciências na UFG. Proposta submetida ao Edital CNPq/SECIS/MCT/Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa nº 064/2009. Goiânia: Ministério da Ciência e Tecnologia/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, 2009.

CURY, M. X. Estudo sobre Centros e Museus de Ciências: subsídios para uma política de apoio. In. O formal e o não-formal na dimensão educativa do museu . Rio de Janeiro: Caderno do Museu da Vida, 2002. p. 60-69.

GRUZMAN, C.; SIQUEIRA, V. H. F. D. O papel educacional do Museu de Ciências: desafios e transformações conceituais. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias , v. 6, n. 2, p. 402-423, 2007.

MOREIRA, H.; CALEFFE, L. G. Metodologia da pesquisa para o professor pesquisador . Rio de Janeiro: Lamparina, 2008.

PAVÃO, A. C.; LEITÃO, Â. Hands-on? Minds-on? Hearts-on? Social-on? Explainerson! In: MASSARANI, L. (Org.). Diálogos & Ciência mediação em museus e centros

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de ciência. Rio de Janeiro: Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, 2007. p. 39-46.

QUEIROZ, G., KRAPAS, S.; VALENTE, M. E.; DAVID, E.; DAMAS, E.; FREIRE, F. Construindo saberes da mediação na educação em museus de ciências: o caso dos mediadores do Museu de Astronomia e Ciências Afins/Brasil. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , v. 2, n. 2, p. 77-88, 2002.

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