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POSSIBILIDADES DE AÇÃO DA PRÁTICA COMO COMPONENTE CURRICULAR (PCC) EM UM CURSO DE LICENCIATURA

Liane Vizzotto, Fábio Muchenski, Luciano Lewandoski Alvarenga

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
27/01/2015
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## POSSIBILIDADES DE AÇÃO DA PRÁTICA COMO COMPONENTE CURRICULAR (PCC) EM UM CURSO DE LICENCIATURA

*Liane Vizzotto , Fabio Muchenski, 1 2 Luciano Lewandoski Alvarenga 3

1 UNISINOS/liane.vizzotto@ifc-concordia.edu.br

2 Instituto Federal Catarinense/fabio.muchenski@ifc-concordia.edu.br

- 3 Instituto Federal Catarinense/Luciano.alvarenga@ifc-concordia.edu.br

## Resumo

A formação inicial de professores possui seus fundamentos na legislação educacional brasileira, cuja orientação oferece base para a construção dos Projetos Pedagógicos de Cursos Superiores. A partir disso, a estruturação dos referidos projetos delimitam as dimensões dos cursos, sendo uma delas a Prática como Componente Curricular (PCC). Esse artigo toma a PCC para debate a partir das possibilidades de sua prática em um curso de Licenciatura em Física. O objetivo, portanto, é demonstrar por meio de uma experiência desenvolvida entre duas disciplinas, uma da área do Ensino de Física e outra da didática para a formação docente, como a PCC pode ser planejada e desenvolvida. Tal planejamento tem como base os documentos legais, bem como os aspectos que deles se sobressaem, especificamente, a relação teoria e prática, a partir da concepção de práxis. Evidencia-se com esse estudo, que a PCC, por sua considerável carga horária no currículo de formação de professores de física, precisa ser planejada e articulada com os conhecimentos escolares da área, de modo a possibilitar aos alunos em processo de formação a compreensão de que planejar e colocar em prática uma aula requer rigor, não apenas conceitual relativo aos conhecimentos de física, mas a compreensão de que toda a atividade possui elementos teóricos e práticos, que juntos caminham para a aquisição da aprendizagem. Também, a PCC no decorrer do curso, proporciona ao estudante da licenciatura a aproximação com a realidade social escolar, contribuindo de maneira significativa para a sua formação.

Palavras-chave : Prática como Componente Curricular, Metodologia do Ensino de Física, formação docente, relação teoria e prática.

## Introdução

Este trabalho toma para reflexão um tema comum da formação de professores para a educação básica, a Prática como Componente Curricular (PCC). A recorrência do debate sobre a formação inicial de professores nos cursos de licenciatura tem ocupado espaço nas reuniões de colegiados, pois seu desenvolvimento exige planejamento e articulação com a proposta do curso. Desde 2001, quando da aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais para Formação de Professores da Educação Básica (CNE/CP, 2002a), a PCC revela-se necessária no trabalho didático dos professores das licenciaturas.

Este ensaio procurará refletir acerca das possibilidades de desenvolvimento dessa prática, que além de obrigatória requer planejamento cuidadoso, no sentido de não torná-la apenas objeto curricular, mas ao contrário, constituir parte fundante da formação docente. Nesse sentido, o trabalho que segue, buscará compreender a

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26 a 30 de janeiro de 2015

constituição da PCC por meio dos documentos legais, bem como levantar seu planejamento e aplicação no Projeto Pedagógico de Curso Superior de Física do Instituto Federal Catarinense IFC - Câmpus Concórdia. Nesse sentido, os aspectos ora analisados evidenciam, mesmo que de maneira breve, os fundamentos legais, os teóricos e a prática dessa orientação de formação.

No que diz respeito aos aspectos legais, procuraremos abordar os documentos emanados pelo Ministério da Educação, por meio de seu órgão regulamentador - Conselho Nacional de Educação. Da parte teórica, observamos a necessidade de pontuar questões relativas ao atual debate, na perspectiva da relação teoria e prática. Destacamos o conceito de práxis, não como a simples associação entre teoria e prática, mas a entendendo como uma premissa básica de que toda a ação prática necessita de um planejamento intencional e articulado com a realidade. Por fim, apresentaremos o planejamento e execução da PCC no IFC Câmpus Concórdia, a partir de duas disciplinas curriculares, a saber, Metodologia do Ensino de Física II e Fundamentos Teóricos e Metodológicos para a Atuação e Formação Docente.

## A Prática como Componente Curricular no Projeto Pedagógico do Curso Superior de Física -Licenciatura e as orientações legais: fundamentando o trabalho desenvolvido

No Projeto Pedagógico do Curso Superior de Física (PPCS) - Licenciatura do IFC Câmpus Concórdia/SC, a 'PCC é compreendida como um componente pedagógico que contempla a transposição didática dos conteúdos em estudo para o ensino' (IFC, 2014, p.36). Conforme o documento, essa definição tem relação com a necessidade de diminuir a fragmentação curricular, de modo a solidificar os conhecimentos nas diferentes áreas da Física e instrumentalizar o aluno para o ensino.

Corroborando com o entendimento expresso no PPCS, o Conselho Nacional de Educação - CNE, por meio do parecer 28/2001, esclarece que a PCC 'é uma prática que produz algo no âmbito do ensino' (BRASIL, CNE/CP, 2001, p.09). Aliase a essa definição, o entendimento expresso no Parecer 15/2005, quando diz que a PCC é 'o conjunto de atividades formativas que proporcionam experiências de aplicação de conhecimentos ou de desenvolvimento de procedimentos próprios ao exercício da docência' (BRASIL, CNE/CP 2005, p. 03). Desse modo, está articulada com o estágio, o que favorece a formação da identidade do professor.

Segundo a Resolução CNE/CP 02/2002b, que institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, a PCC possui duração de 400 horas, juntamente com as demais dimensões, a saber, estágio curricular, conteúdos curriculares de natureza científico - cultural e atividades acadêmico - científico - culturais. Do conjunto dessas, deverá ser garantida a articulação teoria e prática.

No PPCS do Câmpus Concórdia, a carga horária da PCC é de 405 horas e 1 tem como proposta que seu desenvolvimento seja ao longo de todo o curso. Dessa forma, o trabalho consiste na elaboração de planos de ensino e de aula, produção de textos e materiais que proporcionem ao aluno sua inserção no contexto profissional, visando a elaboração de um trabalho interdisciplinar. As disciplinas, que

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contêm a PCC em sua carga horária, são aquelas relativas às áreas de ensino, uma vez que a orientação expressa no Parecer 15/05 indica que 'as atividades caracterizadas como Prática como Componente Curricular podem ser desenvolvidas como núcleo ou como parte de disciplinas ou de outras atividades formativas' (BRASIL, CNE/CP 2005, p.03).

No caso do PPCS em análise, a PCC está distribuída nas Disciplinas Pedagógicas (módulo sequencial especializado) em: Leitura e Produção de Texto Acadêmico, Teorias Educacionais e Curriculares, Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem, Políticas e Sistemas Educacionais, Metodologia do Ensino de Física I e II, Didática das Ciências e Seminários. Já nos componentes curriculares do Núcleo Comum, as disciplinas que têm parte de sua carga horária destinadas à PCC são: Introdução a Medidas em Física, Física I: Óptica Geométrica e Ondas, Física II: Mecânica I, Pesquisa em Ensino de Ciências e Física, Física IV: Termologia e Termodinâmica, Instrumentação para Ensino de Física I, Física V: Eletricidade e Magnetismo, Instrumentação para Ensino de Física II, Modelagem Aplicada às Ciências Naturais e Instrumentação para Ensino de Física III.

Vemos, portanto, que a PCC é parte das disciplinas de caráter prático relacionadas à formação pedagógica, conforme orienta o Parecer 15/2005 do CNE/CP.

- O documento que organiza o curso de Física - Licenciatura justifica a importância da PCC quando diz que,

O fato de o aluno estar em contato com a escola desde o início do curso objetiva também um olhar reflexivo-ativo sobre os problemas enfrentados pelo professor de ciências e física na sala de aula. A discussão de tais problemas dentro do curso abre a possibilidade de realização de pesquisas conjuntas entre alunos, professores em exercício e formadores, numa perspectiva de levantar soluções para os mesmos (IFC, 2014, p. 36).

Mesmo que a PCC seja compreendida a partir de uma visão reflexivo-ativo, ou seja, que leve o aluno às experiências escolares, é salutar não perder de vista a necessidade de compreender que esse componente, cuja carga horária é significativa, não se desenvolva apenas em situações pragmáticas . Ao contrário, é 2 preciso fazer o aluno compreender que a relação teoria e prática é uma articulação intencional e que uma não polariza ou secundariza a outra, mas ambas se completam para fundamentar a prática docente.

Tendo em vista essa necessidade e, seguindo as orientações legais é que tem sido frequente o trabalho integrado na PCC entre diferentes profissionais de áreas e disciplinas, como apresentaremos na última seção deste artigo.

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Entendemos ainda que a PCC, mais que uma prática individual, deve ser socializada e alargada para elaboração de seminários, apresentações, participação em eventos científicos, oficinas e minicursos. Assim, o trabalho perpassa as paredes da sala de aula no ensino superior de modo que a aprendizagem do acadêmico possa se tornar ainda mais significativa.

## Relação teoria e prática: teorizando sobre o trabalho desenvolvido

É necessário que a PCC não seja secundarizada como simples atividade prática, de modo a aplicar uma determinada sequência didática a um grupo de alunos ou de professores, caraterizada a partir de princípios pragmáticos, mas ao contrário, possa efetivar-se na práxis.

É comum no meio educacional ouvirmos de alunos que na prática a teoria é outra. Pimenta e Lima ilustram esse entendimento quando dizem que '[…] não é raro ouvir, a respeito dos alunos que concluem seus cursos, referências como teóricos, que a profissão se aprende na prática , que certos professores e disciplinas são por demais teóricos . Que na prática a teoria é outra ' (2010, p. 33 grifos do autor).

No Projeto Político Institucional - PPI do IFC (2009), a práxis é fundamento para a organização curricular e prática pedagógica. Do documento extrai-se que:

Em consonância com as normas do MEC, organizar um desenho curricular flexível tendo os componentes práticos integrados aos conteúdos teóricos, por meio do emprego de ambientes de aprendizagem e de projetos integradores interdisciplinares estruturados com base curricular comum às áreas de conhecimento e com forte embasamento na práxis (IFC, 2009, p.43).

A partir do PPI (2009), vemos que a práxis é elemento do fazer docente, que embasa as atividades de todas as disciplinas e também da PCC. Para debater acerca da práxis, tomaremos Vázquez (1977) para fundamentar as análises. Para esse autor, a finalidade da atividade prática é a transformação real, objetiva, do mundo natural ou social para satisfazer determinada necessidade humana que, no caso da educação, reflete no processo de ensino e aprendizagem. A partir do conceito de práxis, Vázquez (1977, p. 117) tem a compreensão que '[…] a relação entre teoria e prática é prática na medida em que a teoria, como guia da ação, molda a atividade humana, particularmente a revolucionária; teórica, na medida em que essa ação é consciente'.

A relação entre teoria e prática se consolida como necessária e fortalece o processo de ensino e de aprendizagem, fatores esses, essenciais à formação do futuro professor. Autores como Kuenzer (2000, 2002), Pimenta (1995, 2010), baseiam seus estudos sobre o tema em Vázquez (1977).

Para Pimenta (1995), a partir do entendimento de que não há educação senão entre os homens, cabe à Pedagogia conhecer e explicar os diferentes modos como ela se manifesta enquanto prática social, bem como contribuir para a direção de sentido que se quer dar para o humano. É justamente nesse conceito - 'humano' que se define 'a atividade teórica (intencionalidade) e a atividade prática (intervenção e transformação) como elementos fundamentais da atividade docente, ou seja, o sentido da atividade teórico-prática ou práxis' (PIMENTA, 1995, p. 60-61).

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Dessa maneira, Pimenta, ao buscar a compreensão de práxis em Vázquez, contribui para a análise de que a principal função do professor no processo de ensino e de aprendizagem se dá por meio da práxis, mediando situações didáticas planejadas, sendo a práxis entendida como:

Uma atividade material, transformadora e ajustada a objetivos. Fora dela, fica a atividade teórica que não se materializa, na medida em que é atividade espiritual pura. Mas, por outro lado, não há práxis como atividade puramente material, isto é, sem a produção de finalidades e conhecimentos que caracteriza a atividade teórica (Pimenta, 1995, p. 62).

Do mesmo modo que Pimenta, Kuenzer (2002), ao analisar a relação da teoria com a prática em pesquisas na fábrica, também busca em Vázquez sua fundamentação. Para ela, reduzir a prática como simples atividade é negá-la, e, portanto, relegar à prática a mera atividade tácita.

Kuenzer (2002) aponta para duas falsas tomadas acerca do conceito de práxis. A primeira refere-se à desvinculação da prática com a teoria. A prática, segundo a autora, 'tomada em seu sentido utilitário, contrapõe-se à teoria, que se faz desnecessária ou até nociva. Nesse caso, a teoria passa a ser substituída pelo senso comum, que é sentido da prática, e a ela não se opõe' (KUENZER, 2002. p. 06).

A reflexão sobre a relação teoria e prática não admite a simples sobreposição de uma em relação à outra. Ao contrário, pressupõe uma análise maior em que o conhecimento seja valorizado na sua totalidade, cuja intencionalidade não apenas conheça e interprete o mundo, mas ao contrário, possa transformá-lo.

Foi querendo compreender a PCC na relação teoria e prática, tomando a dimensão da realidade educacional com os conhecimentos teóricos (e práticos) problematizados na sala de aula é que procuramos nas disciplinas de Metodologia de Física II e Fundamentos Teóricos e Metodológicos para a Atuação e Formação Docente, construir uma PCC em conjunto. Desse modo, do planejamento dessas duas áreas, uma ligada especificamente ao ensino de física e outra aos processos didáticos, foi proposto aos alunos que a PCC abarcasse um planejamento e execução de uma aula, com duração de 3 horas. Dessa, além de planejar e executar, foi sugerido ainda, a escrita de um artigo científico.

## PCC - prática entrelaçada no curso de Física - Licenciatura do IFC Câmpus Concórdia

Desde 2013, o planejamento da PCC vem ocorrendo de forma integrada, nas disciplinas de Metodologia e de Fundamentos, pois ambas oferecem a possibilidade de desenvolver um trabalho que valorize a teoria e a prática no ensino de física.

Segundo o PPCS do Curso de Física - Licenciatura, tanto uma disciplina como a outra, sugere que a PCC se desenvolva 'elaborando plano de ensino de Física para ser desenvolvido no Ensino Médio, bem como a produção de material pedagógico para a execução das atividades previstas' (2014, p.21). O que a disciplina de Metodologia aponta ainda é que tal plano de ensino deva elaborar experimentos de baixo custo para o estudo de componentes curriculares de Física do Ensino Médio.

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Observando, portanto, o mesmo direcionamento na PCC, ao invés da elaboração de um plano de ensino, foi proposta a elaboração de um Plano de Aula para ser aplicado em 4 aulas (45 minutos cada aula). A mudança foi pensada tendo em vista o entendimento do conceito de plano de ensino e de plano de aula. O primeiro é um roteiro organizado das unidades didáticas para um ano ou semestre (LIBÂNEO, 1994). Já o plano de aula 'é o detalhamento do Plano de Ensino' (LIBÂNEO, 1994, p.241). Para esse mesmo autor, a preparação de aulas é uma tarefa indispensável e deve resultar em um documento escrito que servirá para orientar as ações do professor e também possibilitar constantes revisões e aprimoramento de ano para ano.

- O objetivo do trabalho em conjunto foi de construir uma proposta de minicurso a partir de um conhecimento/conteúdo da Física, priorizando aspectos relacionados ao processo de ensino e de aprendizagem, cujo foco envolva a Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA).

Em 2013, primeiro ano dessa experiência, a PCC foi desenvolvida por meio de um plano de aula. Isso porque, para a realização de um minicurso de curta duração, seria necessário planejar do mesmo modo que uma aula. As temáticas (conteúdos) desenvolvidas pelos alunos tiveram que ser adaptadas à realidade da escola em que seriam aplicadas e, por isso, não foi possível trabalhar apenas com a indicação sugerida no PPCS. No ano de 2013, os alunos produziram um relatório fazendo análises teóricas e práticas.

Para o ano de 2014, o trabalho foi conduzido de forma semelhante, porém com duas modificações. A primeira diz respeito à metodologia. Mesmo que os conteúdos continuassem sendo definidos em conjunto com os professores da escola escolhida para aplicação da PCC, a metodologia foi definida tendo como temas: CTS e CTSA, Experimentação, Leituras, História da Física, Resolução de Problemas e produção de Vídeos para o Ensino de Física. A segunda alteração é que ao invés de um relatório, solicitamos aos alunos a escrita de um artigo.

## Resultados obtidos

- O trabalho realizado em conjunto nas duas disciplinas foi muito importante para a consolidação da formação inicial dos futuros professores de física. Ao mesmo tempo, articular teoria e prática é uma ação que demanda tempo e análise das melhores estratégias de ensino, bem como das atividades que farão os alunos pensarem sobre o assunto, problematizarem situações e, por fim, desenvolver conhecimento.

Alguns aspectos se evidenciaram durante e após a realização do trabalho e que direcionam nosso olhar para algumas reflexões:

- - os alunos puderam experienciar a prática da sala de aula. Não apenas aplicar um plano de aula, mas se aproximarem do movimento da escola, ou seja, compreender o que é o Projeto Político Pedagógico, a organização do ensino médio e ainda os principais desafios deste nível de ensino no Brasil hoje, visto a necessidade apontada pela legislação em vigor, de aproximar o aluno desde o início do curso à realidade escolar;
- - o planejamento do minicurso, tendo como premissa os passos de uma aula, possibilitou aos alunos a compreensão da necessidade de articular os objetivos da aula com as estratégias e os conteúdos de ensino. Isso porque foi preciso

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planejar a atividade de tal maneira que valorizasse os conhecimentos empíricos dos alunos, mas, ao mesmo tempo, que pudesse superá-los. Esse movimento, característico da práxis, só é possível com planejamento e organização de atividades, pois do contrário, corre-se o risco de ficar apenas no campo do pragmatismo e do debate de qual conhecimento é útil;

- - a prática, mais que a aplicação das atividades, pôde consolidar a teoria que os alunos levaram para a sala de aula. Muitos trabalharam com atividades inicialmente práticas como, por exemplo, o estudo do Movimento Uniforme (MU) por meio da descida de esferas de aço, dentro de uma mangueira plástica presa a uma escala e preenchida por detergente de cozinha. Tais demonstrações foram necessárias para possibilitar a associação entre o conteúdo e uma dada realidade. A escolha de um experimento ocorre preferencialmente a outras metodologias porque demonstrar que a Física está intimamente ligada à prática social é uma premissa que associa a realidade do aluno ao novo conhecimento. Logo, para o desenvolvimento do minicurso, os acadêmicos não apenas leram sobre o conteúdo de Física, mas procuraram envolver aspectos didáticos e históricos para compreender de forma ampla o assunto trabalhado. Nesse sentido, entendemos que a relação teoria e prática consolida-se pela práxis, pois, a prática como guia da ação, se torna o ponto de partida para o trabalho do professor, mediado pela teoria. Destaca-se ainda, que o experimento abriu caminho para a sistematização do conhecimento com atividades escritas e orais;
- - a PCC, na forma articulada entre duas disciplinas, além de integrar o currículo do curso de Física - Licenciatura, atuou de forma direta no objetivo a que se destina, ou seja, produzir algo no âmbito do ensino, refletido na produção dos relatórios e artigos que são nada mais que toda a PCC sistematizada. Se entendermos que para haver ensino é necessário, fundamentalmente a atuação docente, o planejamento e execução dos minicursos foram fundamentais;
- -em 2013, alguns trabalhos da PCC foram apresentados na Semana Acadêmica em outro Câmpus do IFC e também na Mostra de Iniciação Científica (MIC) do IFC Câmpus Concórdia. As atividades socializadas permitem o compartilhamento de ideias e abertura para críticas ou sugestões que podem melhorar os trabalhos da PCC;
- -percebe-se que a PCC oportuniza ao acadêmico a reflexão do conhecimento adquirido ao longo do curso, permitindo que ele possa vivenciar o cotidiano de uma sala de aula antes mesmo de terminar a graduação. Como a PCC permeia o curso ao longo de várias disciplinas, o acadêmico torna-se mais preparado para ministrar aulas de Física se valendo das várias metodologias de Ensino de Física que ele apreendeu durante a Licenciatura;
- -a física, enquanto área que historicamente produziu (e produz) conhecimento, tem papel fundamental na formação humana. No entanto, a escola só estará cumprindo sua função no processo de humanização, quando possibilitar ao aluno a incorporação daquilo que a ciência produziu, tornando o conhecimento algo próprio do indivíduo. O processo de formação humana é algo contínuo e que deve fazer parte do trabalho do professor, quando intenciona, planeja e intervém práxis e do aluno, quando internaliza, toma para si o que a humanidade produziu. E a PCC pode contribuir para isso.

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## Considerações Finais

Ao longo desse artigo, procuramos compreender o trabalho da PCC a partir de eixos fundantes, como a relação teoria e prática - práxis, demonstrando, para tanto, a experiência desenvolvida entre duas disciplinas do curso. Isso significa atribuir real importância ao planejamento intencional das atividades, à escolha das metodologias/estratégias de ensino para desenvolver os conceitos de física trabalhados. Com isso, possivelmente, poderá ser percebido como o conhecimento vai sendo construído pelo aluno, podendo o professor também avaliar-se.

Tendo em vista a práxis, como conceito fundante da PCC, podemos finalizar essa reflexão, com o entendimento de Moraes acerca do conhecimento, quando diz que [...] 'o conhecimento tem um duplo caráter: reconhece as propriedades das 'coisas' como elas são; e reconhece a possibilidade de as 'coisas' virem a ser outras, mudando de forma' (2009, p. 335, destaques do original ).

## Referências

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- \_\_\_\_\_\_. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP 1, de 18 de fevereiro de 2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Brasília: CNE, 2002a.

INSTITUTO FEDERAL CATARINENSE - IFC, Projeto Pedagógico Institucional (PPI). Blumenau, 2009.

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KUENZER, Acácia. Competência como Práxis: os Dilemas da Relação entre Teoria e Prática na Educação dos Trabalhadores. Boletim Técnico do SENAC , 2002.

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MORAES, Maria Célia Marcondes de. Indagações sobre o Conhecimento no campo da Educação. Perspectiva , Florianópolis, v. 27, n.2, p. 315-346, jul-dez. 2009.

PIMENTA, Selma G. O estágio na formação de professores unidade entre teoria e : prática? Caderno de Pesquisa , v. 94, p. 58-73. 1995.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.