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ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO DE UM PROFESSOR DE FÍSICA EM UM CURSO DE FORMAÇÃO CONTINUADA

Alice Assis, Amanda Coutinho Costa De Oliveira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
27/01/2015
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO DE UM PROFESSOR DE FÍSICA EM UM CURSO DE FORMAÇÃO CONTINUADA

## Alice Assis , Amanda Coutinho Costa de Oliveira 1 2

1 UNESP- Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá/Departamento de Física e Química/alice@feg.unesp.br

2 UNESP - Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá/Licenciatura em Física/amanda.coutinho@live.com

## Resumo

Na presente pesquisa, foram analisados os efeitos decorrentes da participação de um professor de física em um curso de formação continuada oferecido aos professores que ministram essa disciplina na Rede Estadual da Diretoria de Ensino -Região de Guaratinguetá. Esse professor tem participado desse curso desde o seu início, em 2008. Esse curso tem como eixo central trabalhar as competências de leitura e escrita. Para tanto, foram utilizadas como estratégias de ensino a leitura e discussão de textos alternativos e atividades experimentais. Com o propósito de darmos a esses professores subsídios teórico-metodológicos para o uso das referidas estratégias de ensino, usamos como fundamento a teoria de Vigotsky. Em todo o andamento do curso buscou-se levar os professores a se conscientizarem da necessidade de, constantemente, refletirem acerca de sua prática pedagógica e perceberem sua própria responsabilidade sobre o seu desenvolvimento profissional. Os resultados desta pesquisa mostraram que a participação do referido professor nesse curso tem propiciado a reflexão sobre a sua prática, o que tem fortalecido a sua autonomia. Isso o tem levado a uma mudança de postura no sentido de usar diversas estratégias de ensino e propiciar o diálogo e a interação social em sala de aula. Essa mudança de postura do professor tem motivado os alunos a participarem ativamente das aulas e a aprenderem os conhecimentos abordados.

Palavras-chave : Ensino de física, curso de formação continuada, autonomia docente.

## Introdução

Diversos pesquisadores (PERRENOUD, 2001; ZIMERMANN e BERTANI, 2003; CARVALHO, 2011; NÓVOA, 2007; PEREIRA, 2000) apontam para alguns problemas que necessitam ser discutidos acerca da formação de professores.

Com relação aos cursos de formação inicial, entre esses problemas, Perrenoud (2001) e Pereira (2000) destacam a falta de articulação entre os conteúdos acadêmicos trabalhados e a realidade associada à futura prática docente dos alunos desses cursos.

No que se refere aos cursos de formação continuada, Zimermann e Bertani (2003) destacam que esses cursos, normalmente, têm como objetivo 'remendar o problema de formação anterior através de cursos de aperfeiçoamento (muitas vezes chamados de cursos de reciclagem)' (p.50).

Para Cunha e Krasilchik (2000), os cursos de formação continuada oferecidos aos professores do ensino básico têm o objetivo de suprir a defasagem dos seus conhecimentos devido ao grande avanço da ciência nas últimas décadas. Segundo Schnetzler (2000), muitos desses cursos revisam os conteúdos

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26 a 30 de janeiro de 2015

trabalhados na formação inicial tentando diminuir as deficiências da formação inicial desses professores. Além disso, concebem o professor como ''simples executor e aplicador de receitas' que, na realidade, não dão conta de resolver os complexos problemas da prática pedagógica' (p.23).

No entanto, para Nóvoa (2007), a formação dos professores deveria ser 'mais centrada nas práticas e na análise das práticas' (p.14), sendo essencial a 'reflexão sobre as práticas' (p.15).

Nesse sentido, Nóvoa (1992) afirma ser importante que os cursos de formação 'promovam a preparação de professores reflexivos, que assumam a responsabilidade do seu próprio desenvolvimento profissional'. Essa reflexão pode levar o professor a diversificar as estratégias de ensino usadas em sala de aula, tendo em vista viabilizar 'que todos os alunos tenham verdadeiramente sucesso' (p.8).

## Nessa perspectiva, Viveiro (2010, p.12) afirma que

a formação de professores deveria ser orientada no sentido de trabalhar o conhecimento das diferentes estratégias de ensino e aprendizagem, suas potencialidades e limitações, o que vai muito além de apenas proporcionar o domínio de uma ou outra técnica em particular.

Para tanto, se faz necessário que esses cursos deem aos professores subsídios para que fortaleçam a sua autonomia profissional e a coloquem em prática em sala de aula.

## Neto et al (2007) destacam que

a autonomia docente passa pelo processo de reflexão e compreensão de aspectos atitudinais, ou seja vinculados aos saberes da formação profissional (que envolve uma dimensão pessoal e uma dimensão profissional) traduzidos na forma de se 'colocar-se no lugar do aluno'. (p.12)

Nessa perspectiva, Silva e Bastos (2012) apontam que os cursos de formação continuada de professores devem ter como objetivos: 'ampliar a autonomia docente; fomentar o trabalho em equipe; integrar teoria e prática; e considerar a escola como espaço privilegiado para a formação docente, através de sua parceria educativa com a universidade' (p.185).

Visando atender a esses objetivos, desde 2008, oferecemos aos professores de física, da rede estadual de ensino da região de Guaratinguetá, um curso de formação continuada que tem como eixo central trabalhar as competências de leitura e escrita. Para tanto, utilizamos como estratégias de ensino a leitura e discussão de textos alternativos e atividades experimentais. Em todo o andamento do curso procuramos levar os professores a se conscientizarem da necessidade de, constantemente, refletirem acerca de sua prática pedagógica e perceberem sua própria responsabilidade sobre o seu desenvolvimento profissional.

Com o propósito de darmos a esses professores subsídios teórico metodológicos para o uso das referidas estratégias de ensino, usamos como fundamento a teoria de Vigotsky (2003), destacando a importância da interação social em sala de aula. Ou seja, salientamos que para a ocorrência da aprendizagem e consequente desenvolvimento cognitivo é fundamental ao estudante a sua participação ativa e a discussão de suas ideias.

Nesta pesquisa, especificamente, avaliamos a influência do referido curso na prática pedagógica de um professor que dele participa desde o seu início.

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## A Pesquisa

Na presente pesquisa, analisamos os efeitos decorrentes da participação de um professor de física, de uma escola da Rede Estadual de Ensino, no referido curso de formação continuada a fim de verificarmos: - se essa participação fortaleceu a sua autonomia, colocando-a em prática em sala de aula; - se essa autonomia o levou a diversificar as estratégias de ensino usadas em sala de aula; se sua postura propiciou o diálogo e a interação social em sala de aula; - se os alunos se sentiram motivados a participar das aulas e em aprender os conhecimentos trabalhados.

Para responder a essas perguntas, analisamos as respostas desse professor a uma entrevista semiestruturada. Essas respostas estão associadas aos resultados decorrentes das aulas de astronomia ministradas no primeiro ano do Ensino Médio, pelo referido professor, no segundo semestre do ano de 2013. A análise desses dados foi realizada de acordo com uma abordagem qualitativa (BOGDAN e BIKLEN, 1982).

## Análise dos dados

Primeiramente destacamos algumas respostas do professor que indicam a ampliação de sua autonomia em virtude de sua participação no curso de formação continuada. Para tanto, fizemos, a seguir, alguns recortes das respostas do professor para algumas questões associadas à contribuição desse curso para a sua formação.

Abriu a ideia de procurar outros materiais. Eu fiz uma pesquisa imensa de material. Dependendo da sala que você vai entrar, você vai usar um ou outro material. Tem sala que eu estou lá na frente em termos de conteúdo e outras que eu estou lá atrás. Tem salas que eu tenho que fazer uma revisão de conteúdo e refletir se eles estão aprendendo.

Essa resposta indica que a participação desse professor no referido curso propiciou o fortalecimento de sua autonomia, assumindo uma atitude de pesquisador na sua prática docente. Indica também que essa autonomia pode ser decorrente da sua reflexão sobre essa prática no sentido de ajusta-la a fim de promover a aprendizagem dos alunos, o que é confirmado nas seguintes declarações:

A maior mudança foi a oportunidade de poder refletir sobre minhas práticas em sala de aula. Esse aspecto tem sido fundamental todos os dias.

Toda vez que entro na sala de aula fico preocupado se o aprendizado irá ocorrer e se não ocorrer que estratégia terei que utilizar para que meu aluno aprenda.

Essa afirmação corrobora a ideia de que esse professor assumiu uma reflexão crítica acerca da sua prática profissional, buscando estratégias mais eficientes para a aprendizagem dos alunos. A declaração a seguir reitera essa ideia:

- O material proposto pelo estado sugere e pede que os professores usem os cadernos. O curso contribuiu porque a quantidade de material fornecida favoreceu a utilização de outros tipos de materiais com resultados melhores. Ao observar outros materiais e ver a sua utilização, você percebe que quando usado em sala de aula o resultado é mais positivo do que o material proposto no currículo e usando as

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mesmas competências e habilidades. Resultado melhor, mais positivo, com melhor aceitação por parte dos alunos.

O material proposto pelo estado a que o professor se refere corresponde ao Currículo do Estado de São Paulo. Essa afirmação mostra que a sua participação no curso de formação continuada contribuiu para a diversificação das estratégias de ensino usadas em suas aulas.

Com relação ao fundamento teórico metodológico trabalhado no curso, o professor afirmou que contribuiu significativamente para a sua formação, conforme destacamos a seguir:

Posso dizer que sou outro professor em sala de aula. As informações passadas no curso são valiosas. As 'dicas' da Professora XXXX realmente funcionam. Os estudos feitos no curso sobre as teorias de aprendizagem realmente fortaleceram minha formação enquanto professor.

Essa fala mostra que a abordagem da teoria de Vygotsky conduziu o professor à reflexão e consequente mudança de postura em sala de aula. Isso o levou a viabilizar a interação social em sala de aula, o que ele não fazia antes, conforme relata a seguir ao descrever em qual aspecto a sua mudança em sala de aula foi mais acentuada:

Acho que foi a minha postura enquanto professor. Estava acostumado a trabalhar sem me preocupar com que os alunos pensavam. Na realidade trabalhava apenas a formalização da matemática sem discutir o assunto como alunos. Na realidade não dava ênfase a esse conteúdo e passava rapidamente por ele.

Esse relato sugere que o professor mudou a sua postura no sentido de viabilizar a referida interação e o diálogo em sala de aula, o que é confirmado na seguinte declaração:

Deixar o aluno expressar o que pensa e o que sabe sobre determinado conteúdo foi e está sendo importante na minha formação enquanto professor.

Com relação à participação dos alunos, destacamos as seguintes afirmações:

- O resultado foi excelente, pois o envolvimento dos alunos aumentou muito. Sem medo de errar o envolvimento foi de 100%. Demonstram interesse e participam tanto das aulas como das atividades experimentais que foram propostas em sala de aula.

Antes, os alunos não faziam questionamentos, uma vez que as aulas eram voltadas para a matematização dos conceitos.

Quando levantamos as questões pra debate numa roda de conversa, o resultado foi ótimo, pois todos gostavam de falar e expressar sua opinião ou mesmo perguntar sobre o assunto.

Eles se tornaram mais críticos.

Essas afirmações indicam que a mudança na prática pedagógica desse professor motivou os alunos a participarem ativamente das aulas.

Com relação à avaliação dos conhecimentos trabalhados, o professor declarou ter usado vários critérios para avaliar os alunos:

Sim avaliei. Durante as aulas deixava ocorrer os debates entre eles. Cada aluno colocava a sua opinião e sempre que possível pedia para registrar o que falava e em seguida pedia para ler o que pensou. Apliquei exercícios envolvendo força da

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gravidade, estimativas de distância e tempo, velocidade da luz e pesquisa da vida de alguns cientistas antigos e da atualidade.

Usei vários critérios de avaliação, entre eles, a participação.

A diversificação dos critérios de avaliação tem sido um dos fatores discutidos recorrentemente no curso de formação continuada de professores.

No que se refere à aprendizagem dos alunos, o professor declarou:

O professor de química foi no meu lugar. Ele aplicou um roteiro que eu pedi para ele passar para mim (preparei uma aula) . Depois da aula ele me disse que ficou impressionado. Ele disse: 'Quando eu comecei falar sobre determinados assuntos, eles respondiam tudo, estavam afiados, estão correspondendo'.

Nas avaliações escritas eles melhoraram muito o seu rendimento.

Essas declarações sugerem que a nova postura assumida pelo professor, mediada pelas estratégias utilizadas, foi mais eficiente em termos de aprendizagem do que a sua postura anterior.

## Considerações finais

Os resultados da presente pesquisa mostraram que a participação do professor em questão no curso de formação continuada tem propiciado a reflexão sobre a sua prática, o que tem fortalecido a sua autonomia. Isso o tem levado a uma mudança de postura no sentido usar diversas estratégias de ensino e propiciar o diálogo e a interação social em sala de aula. Essa mudança de postura do professor tem motivado os alunos à participação e à aprendizagem dos conhecimentos abordados.

Esses resultados mostram a importância da constante parceria entre as escolas de ensino básico e as universidades, pois a eficiência dos cursos de formação continuada está atrelada a um trabalho contínuo com os professores.

Ressaltamos ainda, para maior eficiência dos resultados alcançados, a necessidade de que sejam abordados, recorrentemente nesses cursos, os aspectos teórico metodológicos, considerando-se que os professores, em geral, fundamentam as suas aulas no modelo em que foram formados, ou seja, no modelo transmissãorecepção. Nessa perspectiva, é fundamental que os cursos de formação continuada, mais do que suprirem a defasagem de conhecimento dos professores, devem focar nas práticas e na análise das práticas, levando-os à reflexão acerca dessas práticas, de modo a assumirem o seu desenvolvimento profissional.

## Referências Bibliográficas

CARVALHO, A. M. P. De; GIL-PÉREZ, D. Formação de professores de Ciências: tendências e inovações. Coleção Questões da nossa época, v. 28. 10ª edição. São Paulo: Cortez, 2011.

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NETO, S.S.; CARDOZO, A.S.; SILVA, D.B.; RIBEIRO, B.P.; SILVA, J.S.; BRUM, E.V.; CEREGATTO, L.; CESANA, J.; BENITES, L.C.; MOTTA, A.I. Escolha do magistério como profissão. IX CONGRESSO ESTADUAL PAULISTA SOBRE

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FORMAÇÃO DE EDUCADORES . UNESP -UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - PRO-REITORIA DE GRADUAÇÃO. pp.2-13. 2007.

NÓVOA, A. Desafios do trabalho do professor no mundo contemporâneo. In: Encontro do SINPRO SP , 2007, São Paulo. Desafios do trabalho do professor no mundo contemporâneo. São Paulo: SINPRO SP, 2007. p.5-21. Disponível em: http://www.sinprosp.org.br/arquivos/novoa/livreto\_novoa.pdf. Acesso em: 06/06/2014.

NÓVOA, A. Formação de professores e profissão docente. In: NÓVOA, António, coord. Os professores e a sua formação . Lisboa : Dom Quixote, 1992. pp. 13-33. Disponível em <http://repositorio.ul.pt/handle/10451/4758> . Acesso em: 09/06/2014.

PEREIRA, J. E. D. Formação de professores : pesquisa, representações e poder. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

PERRENOUD, P. A prática reflexiva no ofício de professor : profissionalização e razão pedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2001.

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ZIMERMANN, E; BERTANI, J.A. Um novo olhar sobre os cursos de formação de professores. Cad.Bras.Ens.Fís. , v.20, n.1: 43-62, abr. 2003.

VIVEIRO, A. A. Estratégias de ensino e aprendizagem na formação inicial de professores de ciências : reflexões a partir de um curso de licenciatura. 2010. 193 f. Tese (Doutorado em Educação para Ciência) -Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista, Bauru, 2010.

VIGOTSKY, Lev Semyonovich. Pensamento e Linguagem. 2ª ed. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2003.

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