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SEMANA EDUCAÇÃO PARA VIDA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DA ATUAÇÃO DO PIBIB FÍSICA/UCB

Camille Guedes Silva Dos Santos, Luciani Tavares, Raimundo Maia Dos Santos Junior, Aline Fernandes Souza, Sandra Gonçalves Coimbra

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
27/01/2015
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## SEMANA EDUCAÇÃO PARA VIDA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DA ATUAÇÃO DO PIBIB FÍSICA/UCB

Camille Guedes Silva dos Santos , Luciani Tavares , Raimundo Maia dos Santos Junior , Aline 1 2 3 Fernandes Souza 4 , Sandra Gonçalves Coimbra 5

- 1

Universidade Católica de Brasília/Licenciatura em Física, camilleguedes@yahoo.com.br 2 Universidade Católica de Brasília/Licenciatura em Física, luciani.tavares@ucb.br 3 Universidade Católica de Brasília/Licenciatura em Física, prof.jrmaia@gmail.com 4 Universidade Católica de Brasília/Licenciatura em Física, alinefs91@gmail.com

- 5 Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal/CEMAB, sandracoimbra@ymail.com

## Resumo

O presente artigo tem por objetivo fazer um relato de experiência das ações desenvolvidas pelo grupo de licenciandos em Física participantes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), vinculado à Universidade Católica de Brasília. Em particular, apresentamos o planejamento e a execução de uma atividade intitulada 'Exposição de Física: Consumo de Energia', realizada durante a Semana Educação para Vida no Centro de Ensino Médio Ave Branca/DF. Dentre os objetivos, buscamos propiciar a conscientização de alunos do terceiro ano do ensino médio quanto ao consumo de energia consciente de aparelhos elétricos utilizados no cotidiano, entendendo o funcionamento destes na perspectiva dos princípios físicos envolvidos. Os resultados apontam a contribuição significativa no processo de reflexão/movimento do grupo de trabalho para a compreensão das particularidades que constituem a comunidade da escola parceira e a atuação do grupo de licenciandos neste espaço. Somado a isso, entendemos que este trabalho configura um primeiro relato de um conjunto de atividades que estão sendo desenvolvidas de modo a propiciar a formação de um ambiente favorável ao aprendizado de conceitos científicos através da experimentação no ensino de Física.

Palavras-chave : Ensino de Física, Consumo de Energia, Formação de Professores.

## Introdução

No cenário de pesquisas na área de Ensino de Física, muitas são as discussões a respeito da formação de professores para educação básica. Diversas estratégias têm sido desenvolvidas no intuito de valorizar a profissão docente e, nesse contexto, os investimentos em cursos de licenciaturas vêm ocorrendo, principalmente, por meio de políticas públicas.

Nesta direção, o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) configura-se uma iniciativa para fomentar a iniciação à docência, contribuindo para o aperfeiçoamento na formação de docentes em nível superior e, consequente, melhoria da qualidade da educação básica pública brasileira (BRASIL, 2010).

Ao que tange o Curso de Licenciatura em Física da Universidade Católica de Brasília (UCB), diversas ações são realizadas para proporcionar uma articulação entre

universidade e escolas do Distrito Federal; como a participação no PIBID desde o ano de 2012. Atualmente, o projeto institucional é constituído por nove subprojetos desenvolvidos em escolas públicas parceiras, dentre estes: Biologia, Educação Física, Filosofia, Física, Letras-Inglês, Letras-Português, Matemática, Pedagogia e Química. No que concerne a equipe de trabalho, atualmente temos o total de 109 estudantes atuantes nos referidos subprojetos do PIBID/UCB. A equipe do subprojeto Física é composta por seis licenciandos, uma professora-supervisora e uma professoracoordenadora.

- O subprojeto Física possui como objetivo promover a qualificação para a docência de estudantes de licenciatura, incentivando a inserção destes em escolas públicas de educação básica desde o início de sua formação acadêmica. Além disso, busca-se uma maior aproximação entre as pesquisas em Ensino de Física e o Ensino de Física, entendido este como práticas de sala de aula.

Para o desenvolvimento das atividades, o subprojeto possui como escola parceira o Centro de Ensino Médio Ave Branca (CEMAB). Inaugurada um ano após a fundação de Brasília, localiza-se em uma área central da cidade de Taguatinga-DF. Por conta de sua localização, a escola atende alunos oriundos de diversas regiões do entorno, totalizando cerca de 2800 estudantes. A equipe docente é composta por oitenta e seis professores das mais diversas áreas do conhecimento. A coordenação possui quatro coordenadores pedagógicos, sendo um de Ciências da Natureza, um de Linguagens e Códigos, um de Humanidades e um coordenador geral. A direção da escola conta com um diretor e um vice-diretor.

Desde a implementação do subprojeto, no ano de 2012, foram desenvolvidas atividades pedagógicas que culminaram em produções acadêmicas elaboradas pela equipe de trabalho (LUIS NETO et al , 2013; SOARES FILHO et al, 2013). No segundo semestre de 2012, os pibidianos atuaram na escola por meio de intervenções pontuais através de articulações conceituais entre Física Moderna e Contemporânea (FMC) e a Física Clássica como facilitador no trabalho do professor, buscando articulações com a realidade do aluno. Trabalhou-se conceitos de Teoria da Relatividade Restrita e de Física Quântica no âmbito da Ótica e da História da Ciência, através do livro 'A Ciência Através dos Tempos'. Com base nos resultados, constatou-se que as intervenções pontuais podem contribuir para pequenas mudanças nas compreensões dos alunos, contudo, são necessárias ações mais amplas, que vão além de aulas pontuais.

Posteriormente, por meio da elaboração e execução de uma proposta inovadora acerca do tema 'Usinas Elétricas, do funcionamento às suas implicações', buscou-se elencar os desafios encontrados pelos integrantes do projeto: no âmbito da formação dos professores, da estrutura curricular vigente nas escolas públicas; do livro didático utilizado; e do sistema avaliativo (SOARES FILHO et al , 2013). Quanto às potencialidades, constatou-se avanços na concepção de ensino-aprendizagem por parte dos professores em formação inicial e da professora supervisora em formação continuada, bem como na concepção de currículo, além da importância atribuída à inserção da Física Moderna e Contemporânea no Ensino Médio.

A partir dos resultados alcançados, constatou-se a demanda para o desenvolvimento de novas ações que contemplassem a realização de atividades experimentais no cotidiano escolar, fazendo maior aproveitamento do laboratório de Física da escola parceira. Evidente que o atual subprojeto de Física considera a continuidade das ações realizadas anteriormente, porém, temos como objetivo maior desenvolver atividades que almejem outras facetas do conteúdo curricular do ensino médio, a exemplo, uso de materiais didáticos de baixo custo para o processo de ensino e aprendizagem no ensino médio.

Considerando as atividades realizadas até o final do ano de 2013, partiu-se para a elaboração e submissão do novo projeto. Para tal, entendemos ser de extrema importância agregarmos novas ações que considerem o trabalho já realizado e as demandas que identificamos ao longo do diálogo estabelecido entre universidade e escola. Em consonância com as orientações curriculares, a realidade das escolas públicas do Distrito Federal e pesquisas em Ensino de Física (VILLANI e ORQUIZA DE CARVALHO, 1995; ARAÚJO e ABIB, 2003; CARVALHO et al , 2010), o atual subprojeto Física possui como foco a abordagem de conteúdos de Física por meio de Atividades Experimentais na educação básica. Nesta direção, serão utilizadas diferentes metodologias experimentais, sejam de natureza demonstrativa, investigativa ou de verificação, que possibilitem a formação de um ambiente propício ao aprendizado de diversos conceitos científicos sem que sejam desvalorizados os conceitos prévios dos estudantes (ARAÚJO e ABIB, 2003).

Com a aprovação do subprojeto, articulado com o projeto institucional da universidade, iniciamos as atividades no mês de março de 2014. De modo geral, dentre as ações desenvolvidas inicialmente, destacamos: aproximação com o contexto escolar, por meio de um estudo na escola mapeando informações gerais sobre a escola parceira; reuniões semanais nas dependências da universidade; leitura de bibliografia; e planejamento da 'Exposição de Física: Consumo de Energia' realizada durante a Semana Educação para a Vida.

Em particular, este trabalho tem por objetivo fazer um relato de experiência da primeira intervenção do grupo de pibidianos durante a Semana Educação para Vida na escola parceira. Cabe ressaltar que, as informações apresentadas neste artigo fazem parte do planejamento geral do subprojeto que visa o desenvolvimento posterior de atividades experimentais junto a doze turmas do terceiro ano do ensino médio, atendidas pela professora-supervisora.

## A Experimentação no Ensino de Física

A utilização de atividades experimentais como estratégia de ensino tem sido apontada por professores e alunos como uma importante ação para superar os problemas e dificuldades enfrentados no ensino de Física. Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) estabelecem competências e habilidades por meio de ações concretas acerca de temas estruturadores, ou seja,

[...] o conhecimento de Física deixa de constituir um objetivo em si mesmo, mas passa a ser compreendido como um instrumento para a compreensão do mundo. Não se trata de apresentar ao jovem a Física para que ele simplesmente seja informado de sua existência, mas para que esse conhecimento se transforme em uma ferramenta a mais em suas formas de pensar e agir. (BRASIL, 2000, p.61)

A escolha de como utilizar a atividade prática em sala de aula depende do que o professor entende como conhecimento e de suas concepções. A atividade prática é pensada pelo professor, na maioria das vezes, com o objetivo de informar ao aluno sobre algum conceito, lei ou equação. Por outro lado, a participação efetiva dos alunos deve ser considerada de modo a propiciar o contato e entendimento sobre a linguagem científica e capacitá-los para estabelecer a interligação entre o social e o intelectual.

A experimentação é apontada como uma das maneiras mais eficazes de se ensinar Física, através dela se pode interligar teoria e prática diminuindo as dificuldades de aprendizado. Segundo Araújo e Abib (2003) há uma grande variedade de possibilidades para o uso das práticas de laboratório em sala de aula, mas poucas são explicitadas nos materiais de apoio aos professores. Os modelos que consistem em orientações do tipo 'livro de receitas' são os mais abordados, e nestes modelos o aluno não participa efetivamente. Além disso, foi constatado que atividades experimentais com roteiros fechados que excluem o aluno pouco influenciam no processo de aprendizagem.

De acordo com Rosa e Rosa (2010), as práticas experimentais são alicerçadas por quatro principais concepções teórico-metodológicas: demonstrativa, empiristaindutivista, dedutivista-racionalista e construtivista. A concepção demonstrativa está atrelada à visão do conhecimento como verdade estabelecida, o que implica em um ensino de Ciências com caráter motivacional e ilustrativo. Neste caso, o professor desempenha o papel de 'senhor absoluto do conhecimento', que possui o domínio na manipulação dos equipamentos e dispositivos.

Na concepção empirista-indutivista as atividades experimentais priorizam as generalizações, sendo o conhecimento originado das observações de fenômenos. As atividades experimentais são desenvolvidas segundo passos que definem o método científico: coleta de dados, observação rigorosa, experimentação, análise de dados, formulação de leis e teorias. O ensino de ciências nesta concepção desvaloriza a criatividade e leva à compreensão do conhecimento cientifico como verdade inquestionável, apresentando intolerância a opiniões diferentes.

As atividades experimentais na concepção dedutivista-racionalista partem de hipóteses derivadas de uma teoria. Em outras palavras, a experimentação e a observação não são suficientes para produzir conhecimento, visto que a observação de um acontecimento é influenciada pelo conhecimento prévio do observador. Tal concepção implica num conhecimento científico com verdades provisórias, sujeito à transformação.

Na concepção construtivista, as atividades experimentais são desenvolvidas na forma de problemas ou testagem de hipóteses, sendo levado em conta os conhecimentos prévios dos alunos. Assim, a discussão e o diálogo possuem papel fundamental na compreensão do conhecimento científico.

Ao que tange a sala de aula, Carvalho (2010) aponta as diversas possibilidades de utilização de atividades experimentais, por exemplo, propiciar a enculturação científica. Nesta direção, a ciência precisa ser passada como uma cultura que possui suas regras bem definidas e linguagem própria e deve ser transmitida aos alunos como tal. As atividades experimentais devem ser planejadas com foco em introduzir os alunos neste universo científico de modo que os alunos superem a visão de que a ciência se resume as informações contidas nos livros didáticos e se resume em algo a ser decorado. Para que a enculturação cientifica aconteça o papel do professor em sala de aula deve mudar. O professor precisa orientar os alunos, fazer com que eles argumentem de forma eficaz para que assim os questionamentos os levem a assimilar novos conceitos.

## A Semana Educação para Vida na Escola Parceira

No dia 27 de julho de 2009, foi sancionada a lei nº 11.988 que estabelece a criação da Semana de Educação para a Vida nas escolas públicas de ensino fundamental e médio de todo o país. Mais especificamente,

Art. 2 A atividade escolar aludida no art. 1 desta Lei terá duração de 1 (uma) o o semana e objetivará ministrar conhecimentos relativos a matérias não constantes do currículo obrigatório, tais como: ecologia e meio ambiente, educação para o trânsito, sexualidade, prevenção contra doenças transmissíveis, direito do consumidor, Estatuto da Criança e do Adolescente, etc. (BRASIL, 2009)

No que concerne à escola parceira, as primeiras ações para a realização da Semana Educação para Vida foram definidas pela equipe de professores e membros da direção escolar durante uma reunião de coordenação. Após discussão inicial, definiu-se o tema 'Cidadania na Escola' como norteador das atividades a serem realizadas durante a semana. Dentre as atividades propostas para o turno matutino, além dos jogos interclasses, ocorreram diversas atividades como o cine filosofia, oficina de produção de vídeos, oficina de biologia, oficina de redação e a exposição de física.

Considerando a temática definida pela escola, a equipe do subprojeto de Física ficou responsável pela organização e desenvolvimento da 'Exposição de Física: Consumo de Energia'. A mesma teve por objetivo propiciar a conscientização acerca do consumo de energia elétrica, entendendo o funcionamento de diversos aparelhos elétricos na perspectiva dos princípios físicos envolvidos. A temática da exposição foi definida considerando as sugestões da equipe gestora da escola parceira que busca inserir nas atividades escolares temas relevantes e discutidos pela sociedade atual, além de estabelecer relações com as áreas de conhecimento. Além disso, procuramos

levar em conta os conceitos físicos que estavam sendo problematizados pela professora-supervisora nas turmas do terceiro ano do ensino médio.

## Planejamento 'Exposição de Física: Consumo de Energia'

Dentre as atividades do subprojeto Física, pibidianos e equipe de supervisão reúnem-se semanalmente nas dependências da universidade. Nestes encontros ocorrem a socialização das dificuldades e desafios encontrados pelos licenciandos durante as vivências no contexto escolar, discussão e leitura de referências bibliográficas, além do planejamento das propostas pedagógicas que serão implementadas na escola. Durante os meses de abril e maio de 2014, foram realizadas reuniões dedicadas ao planejamento da Semana Educação para Vida. A estrutura e organização da exposição demandou atividades que envolveram: pesquisa de materiais bibliográficos e didáticos, organização de materiais para execução das atividades experimentais, ambientação do laboratório e divisão de tarefas.

Após discussão e problematização pelo grupo de trabalho, estabelecemos três principais parâmetros/objetivos para a elaboração da exposição de física. O primeiro diz respeito à conscientização e suas implicações quanto ao consumo de energia elétrica na vida dos estudantes. O segundo, tinha por intuito explicitar o funcionamento de eletrodomésticos que são utilizados no dia a dia. Por último, buscamos dar ênfase a aplicação prática de alguns conceitos físicos que contemplavam a temática da exposição e o perfil dos participantes. No decorrer da execução das atividades, também buscamos retomar conceitos físicos já estudados pelos alunos como, por exemplo, dilatação térmica, produção e transformação de energia elétrica.

Para o desenvolvimento das atividades de planejamento, a equipe de pibidianos foi dividida em dois grupos com o intuito de realizar um levantamento de ideias prévias para as atividades que constituiria a exposição de Física. Após a apresentação e discussão coletiva definiu-se que a atividade seria realizada no laboratório de Física da escola, dividida em dois ambientes.

- O primeiro contemplou a ambientação de dois espaços residenciais: sala e cozinha. A sala foi composta por uma estante de ferro que continha uma televisão e duas luminárias, uma com lâmpada incandescente e outra com lâmpada fluorescente, uma mesa com um microcomputador e uma mesa com quatro cadeiras. Em particular, utilizamos o microcomputador conectado à internet para disponibilizar aos alunos o acesso ao Simulador Copel . O objetivo de chamar a atenção para o simulador 1 consistia em proporcionar aos estudantes a oportunidade de realizarem a simulação de consumo de energia elétrica x custo em reais dos aparelhos elétricos disponíveis e utilizados no cotidiano.

O segundo ambiente, configurou-se como um espaço de demonstração de dois experimentos e mural de curiosidades, os quais tinham como objetivo proporcionar a exposição de informações e curiosidades de aparelhos elétricos que são encontrados no cotidiano. Neste ambiente, destacou-se os princípios e conceitos físicos que caracterizam o funcionamento dos aparelhos elétricos aliados a questão do consumo de energia x custo. Cabe ressaltar que, foram utilizados os seguintes equipamentos elétricos: ferro de passar roupa, chuveiro, 'chapinha' de cabelos e secador de cabelos. Ainda neste ambiente, foram utilizados dois experimentos demonstrativos, confeccionados pelos pibidianos. O primeiro experimento intitulado 'O ajuste de temperatura no ferro de passar roupa', tinha por objetivo demonstrar o princípio de funcionamento de um termostato através de um circuito com três lâmpadas conectadas em paralelo com um ferro de passar roupa. O segundo experimento intitulado 'Transformando energia eólica em energia elétrica', o qual tinha por objetivo demonstrar o processo de transformação de energia em usinas eólicas. Por fim, o mural de curiosidades foi confeccionado com base nas informações elencadas durante a pesquisa realizada pelos pibidianos durante o planejamento inicial. De modo geral, destacou-se no mural informações os diversos aparelhos elétricos disponíveis na atualidade (panela elétrica, jarra elétrica, churrasqueira elétrica, fogão elétrico etc), etiquetas do INMETRO associadas com informações sobre como realizar a leitura correta e dicas de economia de energia.

A visitação destes dois ambientes ocorreu de forma orientada, sendo que foram designados três pibidianos para cada ambiente, além da supervisão da professorasupervisora, professora-coordenadora e a contribuição de duas professoras de Física da escola parceira. Para auxiliar a visitação durante a exposição, foram confeccionadas pelos pibidianos etiquetas com informações e curiosidades quanto ao consumo de cada aparelho elétrico exposto nos ambientes. A exposição ocorreu durante quatro dias no horário das 9h00 às 11h00. O público-alvo foi composto por alunos, principalmente, do terceiro ano do ensino médio atendidos no período matutino da escola.

Com o intuito de realizamos uma avaliação acerca do desempenho e condução da exposição, cada aluno participante deveria responder ao final da visitação um questionário composto por três perguntas: Ao utilizar o Simulador Copel, quais foram as suas conclusões quanto ao uso de consumo de energia elétrica na sua casa?; Explique o que você compreendeu sobre o funcionamento de um termostato no experimento 'O ajuste de temperatura no ferro de passar roupa'; As explicações dos pibidianos contribuíram para o melhor entendimento de algum conteúdo dado em sala de aula, ou fenômeno do seu dia-a-dia sobre o consumo de energia elétrica? Por quê?

A seguir iremos apresentar algumas considerações quanto a execução das atividades, destacando pontos relevantes observados durante a atuação dos pibidianos e análise prévia dos questionários respondidos pelos alunos da escola parceira que participaram da Exposição de Física.

Apontamentos acerca da execução ' Exposição de Física: Consumo de Energia'

Conforme mencionado anteriormente, a 'Exposição de Física: Consumo de Energia' foi elaborada considerando como público-alvo, principalmente, os alunos do terceiro ano do ensino médio. A divulgação das atividades da Semana Educação para Vida foi realizada pela equipe gestora da escola parceira. Em especial, contamos com a colaboração dos professores de Física que divulgaram junto aos seus alunos a realização da exposição.

Para a apresentação dos dados elencados durante a referida atividade na escola, adotamos a seguinte nomenclatura para a identificação dos estudantes que responderam o questionário ao final da visitação: nome fictício do estudante, ano e turma (Gabriela, 3MA). Cabe ressaltar que, para a identificação dos pibidianos de Física utilizamos nomes fictícios, porém, mantivemos a primeira consoante do nome.

A Figura 1, apresenta um comparativo entre o número total de estudantes do terceiro ano de todas as turmas atendidas na escola parceira e o número de participantes na 'Exposição de Física Consumo de Energia'.

Figura 01: Participação estudantes na 'Exposição de Física: Consumo de Energia'

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Conforme podemos observar na figura acima, dos 452 alunos matriculados no terceiro ano do ensino médio, tivemos a participação de 343 estudantes ao longo dos quatro dias de exposições, ou seja, tivemos uma participação muito expressiva durante as atividades, mesmo considerando que a escola estava desenvolvendo outras atividades como, por exemplo, os jogos interclasses.

Durante a visitação no primeiro ambiente (casa e cozinha), os pibidianos problematizaram questões sobre o consumo de aparelhos elétricos, que normalmente são encontrados nesses ambientes residenciais. Em seguida, interagiam com o simulador de consumo de energia elétrico COPEL.

A Companhia Paranaense de Energia (COPEL) em sua página oficial oferece produtos e serviços, sendo um deles o Simulador de Consumo de Energia, um programa de computador por meio do qual se pode calcular o quanto gasta cada aparelho elétrico nos diferentes cômodos de uma residência. Os visitantes da exposição foram estimulados a interagir com o simulador utilizando informações encontradas nos aparelhos elétricos expostos. A partir dos dados inseridos no programa, discutiu-se sobre o uso dos equipamentos e custo da energia.

Ao analisarmos o questionário respondido pelos estudantes, constatamos respostas que explicitaram a relevância do uso do simulador Copel. Consideramos que a interação com o simulador propiciou uma oportunidade para a compreensão do consumo de energia dos estudantes em seu dia-a-dia. Vejamos algumas respostas.

'Conclui que certos aparelhos que utilizamos em casa, como a churrasqueira consome muita energia e, podemos saber disso por causa do simulador Copel o valor de um aparelho, o valor da conta'. (Gabriela - 3 MA)

'Bom, eu percebi que gasto mais energia do que imaginava, mas agora que estou ciente de quanta energia é desperdiçada, vou economizar utilizando só o que for necessário (Mariana - 3H)

'Na minha casa gastamos muito mais a noite, não tinha esse conhecimento que gastava muito, principalmente a churrasqueira elétrica'. (Aline - 3ML)

'Que atualmente está muito alto, principalmente na hora do banho, que chega a durar até 20 minutos. É um consumo exagerado e irresponsável comparado ao resultado do simulador'. (Adriana - 3MC)

Podemos observar que os alunos fazem a relação entre o uso incorreto dos equipamentos elétricos no seu dia-a-dia e o custo do consumo de energia elétrica. Ou seja, trata-se de um movimento inicial de reflexão sobre o quanto o uso de eletrodomésticos influencia diretamente no alto consumo de energia elétrica, por exemplo, aparelhos elétricos como churrasqueira, 'chapinha' de cabelo e geladeira.

No segundo ambiente, foram expostos alguns aparelhos elétricos, entre estes: 'chapinha' de cabelo, secador de cabelos, chuveiro elétrico, ferro de passar roupa. Todos estes aparelhos foram desmontados para que os estudantes pudessem visualizar os materiais que constituem os mesmos. Como já mencionado, tínhamos dois experimentos demonstrativos que mediaram a discussão dos conceitos físicos envolvidos, por exemplo, no princípio de funcionamento do termostato e a transformação de energia eólica em energia elétrica. A explicação do funcionamento de cada equipamento foi realizada na perspectiva dos conceitos físicos envolvidos.

Em relação ao experimento demonstrativo 'O ajuste de temperatura no ferro de passar roupa', constatamos que na tentativa de explicar o princípio de funcionamento do termostato, alguns estudantes utilizaram conceitos de forma errônea. Por exemplo, ao afirmarem que após a dilatação do termostato ocorre a produção de corrente elétrica e que o termostato mantém a temperatura do ferro de passar roupa. Vejamos alguns exemplos.

'As lâminas em contato aquecem até o ponto em que você deseja, quando elas atingem as laminas dilatam e se afastam cortando a corrente elétrica'. (Luciano, 3MD)

'Quando o termostato chega na temperatura ideal, cria-se uma corrente para controlar a temperatura.' (Betina, 3MB)

'Duas lâminas ligadas ao ferro que geram eletricidade que quando são desligadas mantêm o calor' (Anderson, 3MA)

'Que os elétrons podem ser passado por uma velocidade baixa ou alta fazendo com que o ferro esquente'. (Guilherme, 3ML)

Por outro lado, constatou-se que um número expressivo de estudantes compreendeu a função do termostato no ferro de passar roupa, porém nem todos souberam explicar o seu funcionamento. Vejamos alguns exemplos:

'Ele não deixa o ferro ultrapassar uma temperatura específica'. (Fernando, 3MK)

'No interior dele há um termostato que equilibra a temperatura, não deixando que aqueça demais'. (Daniel, 3ML)

'O ajuste regula a temperatura que mantem o ferro ligado na base do aparelho'. (Renata, 3ML)

Por outro lado, constatou-se que um número expressivo de estudantes compreendeu a função do termostato no ferro de passar roupa, porém nem todos souberam explicar o seu funcionamento. Vejamos alguns exemplos:

'Com o ajuste nós podemos evitar o gasto de energia e a queima de roupa, pois quando atinge a temperatura desejado ele desliga'. (Luiza, 3MC)

'Controlamos o quanto queremos que o ferro esquente'. (Marcos, 3MC)

'É menor o consumo de energia'. (Paulo, 3MJ)

Dentre os alunos que explicaram o funcionamento do termostato, alguns utilizaram termos como dilatação, corrente elétrica, resistência e resistor.

'Com o aquecimento do aparelho o termostato é 'ativado' não deixando passar corrente elétrica, assim o aparelho não aquece mais do que o necessário'. (Irene, 3MJ)

'2 chapas fazem com que o circuito fique fechado, e quando essas chapas se aquecem, elas se dilatam e faz com que se separem, fazendo com que o circuito abra, e não flua corrente elétrica. Assim o aparelho não funciona até que essas placas contraiam'. (Paulo, 3MK)

'São duas lâminas que se dilatam e cortam a corrente elétrica e deixa de aquecer, controlando a temperatura'. (Isabela, 3ML)

'O ferro elétrico seco funciona através da conversão da energia elétrica que ao passar por uma resistência é transformada em energia térmica, e é regulada por um termostato que regula e deixa constante a temperatura desejada. Já o ferro a vapor é apresentado em uma pequena caldeira, que faz o vapor aquecer e se expelir por orifícios próximos à base ou pela frente do aparelho'. (Juliano, 3MC)

Faz-se importante destacar que esta primeira ação junto aos estudantes da escola parceira trouxe informações e elementos relevantes para a retomada dos

conceitos físicos em sala de aula, que não foram explorados de forma aprofundada durante a exposição. A análise das respostas do questionário avaliativo da exposição configurou um dos pontos de partida para o planejamento das atividades posteriores à elaboração deste artigo.

Somado a isto, apresentaremos algumas considerações realizadas pelo grupo de trabalho durante a reunião semanal na universidade, após as atividades desenvolvidas na Semana Educação para a Vida. Em especial, entendemos que o processo de reflexão da prática docente deve ser estabelecido ao longo de todo o trabalho que está e será desenvolvido na articulação entre escola e universidade através do PIBID.

## Considerações Finais

Considerando os objetivos deste trabalho, realizamos o relato de experiência das primeiras ações desenvolvidas pela equipe do subprojeto de Física do PIBID/UCB, durante os primeiros meses de desenvolvimento do subprojeto atual no Centro de Ensino Médio Ave Branca/DF. Este primeiro contato dos pibidianos com a escola parceira possibilitou aos licenciandos uma aproximação com a rotina que configura a prática docente, em particular, seus problemas, desafios, alegrias e recompensas (SILVA &amp; MARTINS, 2014).

A vivência durante a Semana Educação para Vida configurou-se um momento de reflexão para o grupo, tanto em relação às questões que envolvem o planejamento (elaboração e execução) da exposição quanto à contribuição para a formação dos licenciandos. O primeiro refere-se, principalmente, aos desafios enfrentados durante a execução da exposição, dentre estes: o grande número de alunos participantes; o tempo disponível para a realização das atividades experimentais demonstrativas; e comprometimento dos pibidianos na pré-excecução das atividades. Vejamos o relato de um dos pibidianos durante a reunião semanal após a atividade realizada na escola.

Tínhamos uma demanda muito grande de alunos para atender e pouco tempo disponível, mesmo que as atividades tenham sido realizadas durante quatro dias. Porém, durante o período das oficinas também ocorriam vários campeonatos esportivos na escola, o que fez com que a demanda no último dia fosse ainda mais alta que nos dias anteriores. Outro ponto a ser analisado é em relação à preparação dos pibidianos para atender os alunos. Embora tenha sido combinado que todos deveriam ser capazes de assumir qualquer setor da oficina, ainda assim o trabalho ficou muito fragmentado e dificilmente saíam de sua zona de conforto, aonde tinha se aprofundado mais nas explicações. (Relato Pibidiano Roberto)

Outro aspecto importante ressaltado pelo grupo se refere a ida dos estudantes para a exposição. Esta estava vinculada a uma nota de participação que constituía a avaliação realizada pelas professoras de Física das turmas de terceiro ano. Durante a reunião pós-exposição, foi colocado tanto pelo grupo de pibidianos quanto pela professora-supervisora a preocupação com a questão da participação nas atividades

realizadas na escola como 'moeda de troca', conforme podemos observar no relato a seguir.

- O grande fluxo de alunos prejudicou a explicação, porque tínhamos pouco tempo para dedicar a cada aluno. Alguns alunos deixaram claro ao entrarem no laboratório que a motivação maior era a pontuação. Então na próxima vez poderíamos deixar os alunos optarem a ir ou não para a atividade o que, quem sabe, poderia contribuir para uma exploração maior dos conteúdos envolvidos na apresentação. (Relato Pibidiana Carolina)

Portanto, podemos apontar neste momento que a vivência e experiência nestas primeiras ações contribuíram significativamente para um processo de reflexão/movimento para a compreensão das particularidades que constituem a comunidade da escola parceira e a atuação do grupo de licenciandos neste espaço. Em especial, entendemos que este trabalho configurou um primeiro relato de um conjunto de atividades que estão sendo desenvolvidas de modo a propiciar a formação de um ambiente favorável ao aprendizado dos conceitos científicos ao mesmo tempo que promova a articulação entre universidade e escola.

## Referências

ABIB, M. L. V. S. Atividades Experimentais no Ensino de Física: Diferentes Enfoques, Diferentes Finalidades. Revista Brasileira de Ensino de Física, vol. 25, n. 2, p. 176-194, jun. 2003.

BORGES, A. T. Novos rumos para o laboratório escolar de Ciências. Caderno Brasileiro de Ensino de Física. Florianopólis, v. 19, n.3: p.291-313, dez. 2002.

BRASIL. Decreto N° 7.219, de 24 de junho de 2010. Dispõe sobre o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência - PIBID e dá outras providências. 2010.

- \_\_\_\_\_\_. Lei nº 11.988, de 27 de julho de 2009. Cria a Semana de Educação para a Vida, nas escolas públicas de ensino fundamental e médio de todo o País, e dá outras providências. 2009.
- \_\_\_\_\_\_. Ministério da Educação e Cultura. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM). Brasília: MEC/Semtec, 2000.

CAMILLO, J.; MATTOS, C. R. Nova luz sobre velhos problemas: atividades experimentais numa perspectiva cultural-histórica. In: Atas XII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física. São Paulo: SBF, v. 1, p. 1-12, 2010.

CARVALHO, A. M. As práticas experimentais no ensino da Física. In: Carvalho etal. Ensino de Física. São Paulo: Cengage Learnig, 2010, p. 53-78.

LUIZ NETO, E.; SILVA, G. F.; SANTOS JUNIOR, R. M.; ARAUJO, T. C.; SOARES FILHO, T. P.; BARDELLA, V. S. R; HUNSCHE, S. O Facebook como ferramenta no Ensino de Física. In: III Seminário Institucional do PIBID. Lajeado: Univates, 2013, p. 513.

LUIZ NETO, E.; SILVA, G. F.; SANTOS JUNIOR, R. M.; COIMBRA, S. G.; SOARES FILHO, T. P.; ARAUJO, T. C.; BARDELLA, V. S. R; HUNSCHE, S. Física Moderna e Contemporânea no Ensino Médio: Intervenções Pontuais. In: III Seminário Institucional do PIBID. Lajeado: Univates, 2013, p 357-359.

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