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A INTERDISCIPLINARIDADE NAS QUESTÕES DO ENEM NA PERCEPÇÃO DE LICENCIANDOS EM CIÊNCIAS DA NATUREZA

Cristiane Da Cunha Alves, Janaína Viário Carneiro, Rafaele Rodrigues De Araújo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
27/01/2015
Linha de pesquisa
Seleção, Organização Do Conhecimento E Currículo
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A INTERDISCIPLINARIDADE NAS QUESTÕES DO ENEM NA PERCEPÇÃO DE LICENCIANDOS EM CIÊNCIAS DA NATUREZA

## Cristiane da Cunha Alves , Rafaele Rodrigues de Araújo , Janaína Viário 1 2 Carneiro 3

- 1 Universidade Federal do Pampa/Campus Dom Pedrito/Licenciatura em Ciências da Natureza, crisalves1917@hotmail.com
- 2 Universidade Federal do Rio Grande - FURG/Instituto de Matemática, Estatística e Física/ rafaelearaujo@furg.br
- 3 Universidade Federal do Pampa/Campus Dom Pedrito/Licenciatura em Ciências da Natureza/carneirojana@yahoo.com.br

## Resumo

Nesse trabalho buscamos investigar através das percepções de licenciandos do curso de Ciências da Natureza, se a interdisciplinaridade se faz presente nas questões da área de Ciências da Natureza do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Essa avaliação ocorre anualmente em todo o País, e, uma das características e diferencial dessa prova é que a mesma leva em consideração a contextualização e a interdisciplinaridade. Nesse sentido, para realizar essa investigação contamos com a colaboração dos sujeitos de pesquisa, os quais caracterizamos como interdisciplinares, visto que estão inseridos em um curso de formação de professores que capacita a atuação na grande área do conhecimento, ou seja, na Ciências da Natureza, podendo lecionar aulas de Biologia, Física e Química para Ensino Fundamental e Médio. Para efetivação da análise da interdisciplinaridade, os acadêmicos receberam questões de provas do ENEM e responderam a um questionário, as quais os faziam refletir sobre a existência da integração das áreas do conhecimento. A partir das respostas podemos perceber que a partir da apreciação qualitativa, que a maioria dos estudantes avaliou essas questões como não interdisciplinares, sem articulação entre as disciplinas de Ciências da Natureza. Vários são os documentos que apresentam esse conceito como princípio norteador, porém a efetiva implementação das práticas e das teorias interdisciplinares devem ser mais estudadas e exploradas.

Palavras-chave : Interdisciplinaridade; ENEM; Ciências da Natureza.

## Introdução

As práticas interdisciplinares emergem em discussões a algum tempo na história da Educação, principalmente problematizando as relações entre teoria e prática que ainda apresentam um déficit na sua execução. Ser interdisciplinar, praticar a interdisciplinaridade e até mesmo conceituar interdisciplinaridade são pontos difíceis de encontrar significado, visto que a mesma pode apresentar as mais diversas definições. De acordo com Morin (2002) para entender o que é interdisciplinaridade, podemos fazer uma analogia dizendo que a mesma se comporta como uma grande mesa de negociações na Organização das Nações Unidas (ONU), lugar no qual vários países se reúnem a fim de defender seus próprios interesses. Transpondo para a área da Educação, podemos expor como

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26 a 30 de janeiro de 2015

uma transação entre as áreas do conhecimento, um tema em comum, onde cada disciplina defende a inserção de seu conteúdo.

A concepção de interdisciplinaridade que buscamos nesse trabalho é a mesma presente nas ideias de Zabala (2002, p. 33), o qual define como a interação de duas ou mais disciplinas, as quais podem implicar transferências de saberes de uma disciplina a outra, originando, em alguns casos, um novo corpo disciplinar.

Essa interação entre as áreas foi analisada através de uma avaliação realizada todo ano no País que tem como finalidade avaliar o desempenho dos alunos que estão finalizando a Educação Básica, além de possibilitar aqueles que não finalizaram o Ensino Médio de receberem a certificação, caso obtenham certa pontuação. O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP), possui características diferenciadas, visto que é uma avaliação que prioriza a contextualização e a interdisciplinaridade nas suas questões.

Vários documentos oficiais brasileiros (DCNEM, PCN e Orientações (2002, 2006)) trazem os conceitos de contextualização e interdisciplinaridade como forma de tornar mais informativo o Ensino Médio. Os mesmos expõem que esses dois conceitos devem fundamentar o planejamento e funcionar como eixos estruturadores da organização curricular. A contextualização como recurso didático serve para problematizar a realidade vivida pelo estudante, extraí-la do seu contexto e projetá-la para a análise, ou seja, consiste em elaborar uma representação do mundo para melhor compreendê-lo (BRASIL, 2000). No entanto, nesse trabalho daremos ênfase para a interdisciplinaridade, pois percebemos que é um conceito de mais amplo e de difícil execução.

Nesse sentido, este trabalho tem por objetivo analisar se a interdisciplinaridade ocorre realmente nas questões do ENEM, através da percepção de acadêmicos do curso de Licenciatura em Ciências da Natureza, já que o mesmo se caracteriza por um curso de formação interdisciplinar. Este estudo iniciou dentro do Projeto de Pesquisa 'Ensino de Ciências da Natureza: Diálogos Interdisciplinares em Rodas de Formação' e o Projeto de Extensão 'Alfabetizando cientificamente através de abordagens interdisciplinares nas Ciências da Natureza: A experimentação na teoria e na prática' vinculados a Universidade Federal do Pampa -Campus Dom Pedrito, tornando-se espaços de formação de professores interdisciplinares. O objetivo dos projetos é, principalmente, estudar e discutir a interdisciplinaridade dentro desse curso seja das várias formas possíveis. Dessa forma, ao fazer que os licenciandos reflitam sobre a interdisciplinaridade a partir das questões das provas do ENEM, estamos discutindo e promovendo problematizações sobre esse assunto tão instigador.

## Interdisciplinaridade: Concepções nos documentos oficiais

Ao falarmos ou pesquisarmos o conceito de interdisciplinaridade, sabemos intrinsicamente da polissemia de termos que emergem, assim como o diferencial de pesquisas que fazem parte dessa área. Dentro da Educação esse conceito se manifesta a todo instante, seja no discurso ou na prática. O discurso sobre a interdisciplinaridade é presente, principalmente, nos documentos oficiais, os quais trazem fortemente a questão da integração das disciplinas, o trabalho em conjunto, e, até mesmo o trabalho por áreas do conhecimento.

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Ao destacarmos os documentos oficiais mais utilizados dentro da Educação Básica, temos por ponto inicial a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996). Nessa ainda não se mostra explicitamente a palavra interdisciplinaridade, mas em alguns momentos essa questão fica indicada. No Art. 36º Do Capítulo II, da Seção IV, referente ao Ensino Médio isso se torna mais aberto, pois percebe-se com clareza a articulação que deverá ser feita entre as áreas do saber.

[...] I -destacará a educação tecnológica básica, a compreensão do significado da ciência, das letras e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura; a língua portuguesa como instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da cidadania. (BRASIL, p. 14, 2006)

Nesse sentido, vemos indícios da interdisciplinaridade na LDB, no entanto é nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM, 1999) que esse conceito se faz realmente presente. Os PCNEM apresentam currículo do Ensino Médio dividido em áreas do conhecimento, como: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Ciências da Natureza, Matemáticas e suas Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias. De acordo Berti (2007, p.33) essa nova ' organização em áreas tem como base a reunião dos conhecimentos que compartilham objetos de estudo, facilitando a comunicação e criando condições para que possam se desenvolver trabalhos numa perspectiva interdisciplinar'.

Na área de Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, compreende os conhecimentos de Biologia, Física, Química e Matemática. É ressaltado nos PCNEM a articulação interdisciplinar desses saberes, unindo conteúdos tecnológicos e práticos, já existentes em cada disciplina, mas particularmente apropriados para serem tratados desde uma perspectiva integradora (BRASIL, 1999).

As Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN+, 2002) reforçam a prática interdisciplinar dentro de sala de aula. Para Brasil (2002, p. 37) não podemos ' esperar que a interdisciplinaridade aflore por si só, sem que haja um movimento para isso e independentemente do contexto das disciplinas '. Além disso, nesse documento é retomada que a interdisciplinaridade é um trabalho em parceria, onde deve existir uma conversa entre as disciplinas. A mesma só existe a partir das disciplinas, porém deve haver a busca pelo diálogo para que sejam possibilitadas novas aprendizagens (BRASIL, 2002).

Como contraponto da procura do diálogo, temos no ano de 2012 a publicação da Resolução nº 2 de 30 de janeiro, a qual o Ensino Médio passa a não ter mais divisões, mas ser por áreas do conhecimento, assim como constava na proposta dos PCNs. De acordo com Brasil, (2012, p.3) no Título III, Art. 8º, é evidente a separação em áreas do conhecimento:

§ 1º O currículo deve contemplar as quatro áreas do conhecimento, com tratamento metodológico que evidencie a contextualização e a interdisciplinaridade ou outras formas de interação e articulação entre diferentes campos de saberes específicos. (BRASIL, 2012, p.3)

Nesse sentido, questionamentos emergem, como por exemplo: Quem são os professores que irão atuar nessas áreas de conhecimento em sala de aula, visto que a maioria dos docentes é/foi formado em cursos disciplinares de conhecimentos específicos? A partir disso, entram nesse contexto as Licenciaturas Interdisciplinares, com propostas inovadoras, que buscam obter professores com

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uma formação geral, a qual poderá abranger todas as disciplinas que fazem parte da área do conhecimento.

As Licenciaturas Interdisciplinares ainda não possuem diretrizes que baseiam seus projetos pedagógicos de curso, pois essas estão sendo discutidas e elaboradas no Ministério de Educação por um Grupo de Trabalho. Dessa forma, torna-se muitas vezes vaga a formação e o mercado de trabalho para esses licenciandos, porém de acordo com os documentos que surgem dando enfoque ao ensino por áreas, percebe-se que pode ser algo que entrará nas Instituições de Ensino Superior não como algo passageiro, mas como uma formação mais abrangente e que servirá para suprir as necessidades das escolas de Educação Básica.

## ENEM: Uma avaliação na busca da interdisciplinaridade

- O Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) foi criado em 1998, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), e é aplicado anualmente a alunos concluintes da Educação Básica. Um dos objetivos do ENEM é buscar uma sociedade mais expressiva e articulada, na qual alunos da Educação Básica devem ser capazes de assimilar informações e utilizá-las em adequados contextos.
- O exame é constituído de uma prova única, com questões objetivas de múltipla escolha e uma proposta para redação, abrangendo várias áreas de conhecimento, sendo uma delas a de Ciências da Natureza. O aluno participante deve demonstrar habilidade em comunicação e expressão, tanto para descrever um processo físico, químico ou biológico, quanto para perceber as transformações de espaço/tempo da geografia, história e literatura, além de compreender um problema matemático.
- O ENEM, desde sua implantação, sofreu alterações no que diz respeito ao acesso ao Ensino Superior. Em 2005, foi o instrumento de ingresso de estudantes nas universidades privadas, através do PROUNI (Programa Universidade para Todos). Em 2009, surge uma nova proposta para o acesso às vagas federais no Ensino Superior, buscando a reestruturação dos currículos do Ensino Médio. Em 2010, o exame passou a substituir o vestibular em universidades federais, além de ser ' certificado de conclusão de ensino médio para fins de certificação da educação de jovens e adultos ' (BRASIL,1999, p.5). Em 2011, o ENEM se torna obrigatório para financiamento de estudos no Ensino Superior através do Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior).
- A partir dessa breve retomada sobre alguns pontos principais dessa avaliação utilizada em todo o País, percebemos a importância do mesmo para estudantes que pretendem adentrar em uma Universidade, assim como terminar o Ensino Médio. Notamos que essa avaliação tem como uma das características principais, a interdisciplinaridade, visto que o ENEM é composto por questões norteadas por áreas do conhecimento. Nesse sentido, para investigar se essa avaliação pode ser considerada interdisciplinar, realizamos uma pesquisa com licenciandos em Ciências da Natureza da Universidade Federal do Pampa, com intuito de perceber como a presença da interdisciplinaridade é vista por esses estudantes dentro da prova do ENEM.

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## Metodologia e Análise

Para realizarmos a investigação sobre a existência da interdisciplinaridade nas provas do ENEM, especificadamente na área de Ciências da Natureza, realizamos uma pesquisa com discentes do curso de Licenciatura em Ciências da Natureza na Universidade Federal do Pampa do Campus Dom Pedrito. A escolha ocorreu por esses acadêmicos, visto que a formação ocorrerá de forma interdisciplinar, pois os mesmos serão licenciados para atuar na grande área do conhecimento de Ciências da Natureza.

O curso de Licenciatura em Ciências da Natureza do Campus Dom Pedrito, de acordo com o PPC (2012) tem como principal objetivo a formação de professores na área de Ciências da Natureza, habilitando-os para o ensino de Ciências, Biologia, Física e Química no Ensino Fundamental e Médio. O mesmo apresenta uma duração de nove semestres, com uma carga horária total de 3230 horas. Os 16 estudantes com que foi realizada a pesquisa fazem parte da primeira turma do curso, e por estar na metade do mesmo, ou seja, no 5º semestre, esses já apresentam alguma conceituação sobre interdisciplinaridade definida. Além disso, por vivenciarem a todo instante esse conceito, devido a característica desse curso de formação de professores, pensamos que a análise feita pelos mesmos será mais ampla e complexa.

Nesse sentido, construímos um questionário com perguntas que levavam a análise de algumas questões do ENEM, retiradas de forma arbitrária. As mesmas foram selecionadas e retiradas das provas do ENEM dos últimos três anos, ou seja, de 2011, 2012 e 2013. Dessa forma, os licenciandos foram levados a refletir sobre a interdisciplinaridade e se existe ligação entre as temáticas que norteiam o ENEM. As respostas foram consideradas através da análise qualitativa, que tem por atributos a análise da realidade e do sujeito, tendo por objetivo analisar e compreender dados referentes ao comportamento humano e situações decorrentes desses.

A partir das respostas dos discentes, podemos perceber que as provas do ENEM permeiam a interdisciplinaridade na área de Ciências da Natureza, porém muitas vezes contemplam ainda as disciplinas de Biologia, Física e Química separadamente, pois são constituídas de perguntas que relacionam conhecimentos de uma ou duas.

No gráfico 1 podemos notar que 9 (nove) estudantes analisam que as questões do ENEM não apresentam a interdisciplinaridade, de modo a não existir a articulação com as áreas. Assim como 7 (sete) estudantes entendem a interdisciplinaridade de alguma forma se faz presente nas questões do ENEM

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Figura 01: Gráfico referente a opinião dos estudantes sobre a ocorrência da interdisciplinaridade nas questões do ENEM

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O fato que mostra o gráfico 1, se torna explícito na fala de alguns sujeitos de pesquisa, pois de acordo com o licenciando 14 '[...] as questões estavam claramente expondo a que conteúdo se referiam', ou seja, nesse discurso a interdisciplinaridade aparece somente como título da área da avaliação. Outros licenciandos, além de não constatarem a interdisciplinaridade, notam a mesma como algo que aumentaria a dificuldade de raciocínio dos alunos.

[...] ao ler, o aluno necessita de respostas específicas e nos seus estudos a interdisciplinaridade atrapalharia. (Licenciando 4)

A percepção de que a interdisciplinaridade pode se tornar um fator complicador no momento da prova, pode estar expressando o sentimento de alguns estudantes desse formato de curso de formação de professores, em relação à interdisciplinaridade dentro do mesmo. Ressaltamos esse ponto, visto que se trata de um curso inovador, o qual o nível de aprendizado poderá exigir mais do acadêmico, pois demanda conhecimento e estudos em todas as áreas que compõem a Ciências da Natureza.

No entanto, percebemos certa contradição na fala dos licenciandos, visto que muitos entendem a avaliação designada a alguns conteúdos, porém mesmo assim enxergam a interdisciplinaridade em determinados pontos. O licenciando 9 ressalta esse argumento '[...] as questões são muito compartimentadas ficando cada pergunta relacionada com sua disciplina, mas algumas têm interdisciplinaridade.'

Outros estudantes identificam a ocorrência da interdisciplinaridade como o Licenciando 6 ressalta '[...] não existe apenas nas Ciências da Natureza, mas com o português, matemática e o cotidiano estão em uma única questão'. Assim como emerge justificativas que a integração ocorre devido ter relação entre algumas áreas, como por exemplo, da Química com a Biologia e da Física com a Química.

Sim, porque muitas das perguntas conseguimos detectar as três áreas. (Licenciando 10)

Sim, pois na área de Ciências da Natureza têm questões das áreas envolvidas de CiênciasBiologia, Física e Química. (Licenciando 11)

Porém é importante destacarmos que a interdisciplinaridade se torna efetiva no momento em que envolve e articula a Biologia, a Física e a Química, ou seja, emerge como possibilidade de enriquecer e ultrapassar a integração dos elementos

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do conhecimento (FERREIRA, 2011). Nesse sentido, questiona-se a afirmação das questões do ENEM serem interdisciplinares ou multidisciplinares, uma vez que dialogam com alguns conhecimentos.

Nesse sentido, notamos que existe ainda uma busca pela interdisciplinaridade, seja nas práticas escolares e acadêmicas, assim como nas avaliações realizadas. A interdisciplinaridade não é algo simples de colocar em prática, visto que para isso é necessário uma grande articulação entre as áreas, que muitas vezes pode dificultar tanto para quem elabora as avaliações, como para quem está em sala de aula. Podemos perceber a partir da análise de licenciandos em Ciências da Natureza que a interdisciplinaridade se faz presente nas questões do ENEM, talvez não a todo tempo, mas de certa forma mostrando a procura para concretizar a integração dessas áreas.

## Reflexões e Considerações Finais

Dentro das questões selecionadas nas provas dos últimos três anos do ENEM, podemos perceber que a partir da apreciação qualitativa, que a maioria dos estudantes avaliou essas questões como não interdisciplinares, sem articulação entre as disciplinas de Ciências da Natureza. Notamos ainda que, para alguns acadêmicos a interdisciplinaridade, que por ventura apareceria nas questões, dificultaria a linha de raciocínio do aluno.

No entanto, mesmo apresentando relatos de que a interdisciplinaridade entre as Ciências da Natureza não se torna muito explícita nas questões, licenciandos identificaram, que a mesma pode ir além do contexto entre Física, Química e Biologia, e se relacionar com outras disciplinas. Percebemos que a interdisciplinaridade é uma prática complexa, que está sendo construída aos poucos por todos. Desse modo, pelo que vemos nas provas do ENEM, há existência de uma carência na articulação das áreas envolvidas quando elaboradas as questões e o mesmo sentem os discentes quando recebem as mesmas para análise da temática. A interdisciplinaridade trata de uma prática que não dilui as disciplinas no contexto escolar, mas que amplia o trabalho disciplinar na medida em que promove a aproximação e a articulação das atividades, sejam elas docentes, promovendo uma ação coordenada e orientada para objetivos definidos. (CARLOS, 2006).

Por fim, ressaltamos que apesar de ser um assunto muito discutido nos meios de ensino, e nesse momento, com uma retomada maior devido o surgimento das Licenciaturas Interdisciplinares, é necessário ainda encontrar soluções melhores de coloca-la em prática. Vários são os documentos que apresentam esse conceito como princípio norteador, como os parâmetros, resoluções, até mesmo, projetos políticos pedagógicos, entre outros, porém a efetiva implementação das práticas e das teorias interdisciplinares devem ser mais estudadas e exploradas.

## Agradecimentos

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior -CAPES, pelo Projeto Novos Talentos: Alfabetização Científica eCidadania: Investindo em Novos Talentos no Pampa Gaúcho.

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## Referências

BERTI, P. V. Interdisciplinaridade : um conceito polissêmico. São Paulo: USP, 2007. 235 p. Dissertação. Instituto de Química, USP, São Paulo, 2007.

BRASIL. Senado Federal. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: nº 9394/96. Brasília: 1996.

BRASIL, MEC/INEP - ENEM: Exame Nacional do Ensino Médio - Documento Básico 2000, Brasília, Outubro de 1999.

BRASIL. Secretaria de Educação Média e Tecnológica: Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Brasília: MEC, SEMTEC, 2000.

BRASIL. Secretaria de Educação Média e Tecnológica: Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais . Física. Brasília: Ministério da Educação/Secretaria de Educação Média e Tecnológica, 2002.

BRASIL. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Orientações Curriculares para o Ensino Médio . Volume 2. Ciências da natureza, Matemática e suas tecnologias. Brasília: MEC, SEMTEC, 2006.

BRASIL. RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 2, DE 30 DE JANEIRO 2012. Define Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Disponível em &lt; http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com\_content&amp;view=article&amp;id=17417&amp;Item id=866&gt;. Acesso em: 20 Abr. 2013.

CARLOS, J. G. Interdisciplinaridade no Ensino Médio : desafios e potencialidades. Brasília: Universidade de Brasília, 2007. Dissertação. Programas de Pós-graduação em Ensino de Ciências, Brasília, 2007.

FAZENDA, I. C. A. Interdisciplinaridade: História, pesquisa e pesquisa. 18ª ed. São Paulo: Papirus, 2012.

FERREIRA, S.L. Introduzindo a noção de interdisciplinaridade . In: FAZENDA, I. C. A. Práticas interdisciplinares na escola. 12 ed. São Paulo: Cortez, 2011.

MORIN, E. A cabeça bem-feita: Repensar a reforma, reformar o pensamento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

Universidade Federal do Pampa - Campus Dom Pedrito. Projeto Pedagógico do Curso de Ciências da Natureza. 2012.

ZABALA, A. Enfoque globalizador e pensamento complexo : uma proposta pra o currículo escolar. Trad: Ernani Rosa. Porto Alegre: ARTMED, 2002.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.