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TENDÊNCIAS METODOLÓGICAS NOS MANUAIS DIDÁTICOS DE FÍSICA

Dilcelia Cristina Bruch Trebien, Nilson Marcos Dias Garcia

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
27/01/2015
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## TENDÊNCIAS METODOLÓGICAS NOS MANUAIS DIDÁTICOS DE FÍSICA

## Dilcelia Cristina Bruch Trebien 1* , Nilson Marcos Dias Garcia 2**

1 UTFPR/DAFIS-Licenciatura em Física,dc.trebien@gmail.com

2 UTFPR/DAFIS e PPGTE e UFPR/PPGE, nilson@utfpr.edu.br

## Resumo

As relações de aprendizagem não são estáticas e nem inertes, são construídas pelos sujeitos que fazem parte desse processo. O trabalho pedagógico traz expressões, através da postura do professor, de como são suas concepções e compreensões acerca da educação, as quais se refletem em sua aula e, mesmo que o docente desconheça, evidenciam sua proximidade com alguma tendência pedagógica. Sendo utilizado para a preparação da aula, o livro didático auxilia o professor metodologicamente, porém esse material traz suas próprias concepções referentes ao processo de ensino-aprendizagem, sendo estas regidas pelas ideias pedagógicas do seu período de publicação, juntamente com a contribuição de seus autores, com sua forma de ver o ensino, visto que não são neutros. Percebendo a importância conferida ao livro didático para a prática docente e a influência das tendências pedagógicas, indicadas por Libâneo (2005), não apenas de forma direta na atitude pedagógica do professor, mas também abrangidas pelo livro, foi realizada uma investigação, objeto desse trabalho, com o objetivo de analisar a presença das tendências metodológicas nos livros didáticos de Física, juntamente com as características da educação presentes no período de publicação da obra didática, baseando-se no que é mencionado por Krasilchik (1987). Para que fosse possível analisar o livro didático quanto a esses aspectos foi construído um instrumento de análise, que visa auxiliar a realização do objetivo dessa pesquisa, de forma sistematizada e amigável. O processo de criação e utilização desse instrumento será discorrido nesse trabalho.

Palavras-chave : Tendências pedagógicas, livro didático, Ensino de Física

## A prática docente e as tendências pedagógicas

A relação pedagógica, segundo Santana (2009, p. 36), compreende uma relação de aprendizagem entre professor e aluno, a qual não é estática e nem inerte, visto que há que se considerar que ela se realiza no 'contexto da vivência entre seres humanos e nas condições políticas e éticas'. Essa relação é influenciada pela metodologia utilizada pelo professor, visto que a sua aula será um reflexo da postura e da ação docente.

Para Libâneo (2005, p. 19), a prática escolar 'tem por trás condicionantes sociopolíticos que configuram diferentes concepções de homem e de sociedade e, consequentemente, diferentes pressupostos sobre o papel da escola, aprendizagem, relações professor-aluno, técnicas pedagógicas'. Além disso, ainda conforme indica o autor, a forma de conduzir o trabalho pedagógico está interligada a pressupostos teórico metodológicos, de forma explícita ou implícita.

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26 a 30 de janeiro de 2015

Estes pressupostos incluem ideias e formas de pensar a educação, cujas mudanças, ao longo do tempo, explicitam tendências que evidenciam a concepção e compreensão acerca do processo ensino-aprendizagem, do papel da escola, do professor e do aluno, que se refletem, inclusive, em diferenciadas formas metodológicas.

Uma das obras clássicas que trata da questão da educação sob essa ótica, 'Democratização da Escola Pública: a pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos', de José Carlos Libâneo (2005), classifica essas tendências em dois grupos: um denominado Pedagogia Liberal e outro Pedagogia Progressista. As tendências incorporadas à Pedagogia Liberal têm características ligadas ao sistema capitalista e aos interesses dessa sociedade, dividida em classes. Fazem parte desse grupo as tendências Tradicional, Renovada Progressivista, Renovada Não-Diretiva e Tecnicista. Ela se distingue da Pedagogia Progressista porque nesta a análise, crítica parte das realidades sociais dos envolvidos. São consideradas tendências Progressistas: a Libertadora, a Libertária e a 'Crítico-Social dos Conteúdos'.

A tendência Liberal Tradicional se caracteriza pela relação pedagógica não apresentar relação com o cotidiano e nem com as realidades sociais, sendo predominante a palavra do professor, as regras impostas, o esforço próprio do aluno, o cultivo da intelectualidade (Libâneo, 2005).

Ainda conforme indica Libâneo (2005), a tendência Liberal Renovada propõe a valorização da auto-educação, a centralização do ensino no aluno e no grupo e considera as necessidades e interesses individuais, apresentando-se sob a forma de duas distintas versões: Renovada Progressivista e Renovada Não-Diretiva. A versão Progressivista valoriza mais os processos mentais e as habilidades cognitivas do que os conteúdos organizados racionalmente, sendo mais importante o processo de aquisição do saber do que o saber propriamente dito e o professor apenas interfere no desenvolvimento livre do aluno para ajudar a dar forma ao seu pensamento. Para a tendência Renovada Não-Diretiva, os conteúdos são dispensáveis, dando ênfase ao processo de desenvolvimento das relações e da comunicação. Nesta, o professor deve facilitar a aprendizagem do aluno e não deve fazer intervenções, pois estas ameaçam e inibem a aprendizagem.

A tendência Liberal Tecnicista, por sua vez, tem como foco a preparação de mão-de-obra para a indústria, sendo a educação responsável por treinar nos alunos os comportamentos de ajustamento às metas econômicas, sociais e políticas estabelecidas pela sociedade industrial e tecnológicas. É utilizado um enfoque sistêmico, juntamente com a tecnologia educacional e a análise experimental do comportamento (Libâneo, 2005).

Dentre as tendências Progressistas, a Progressista Libertadora, segundo Libâneo, tem sua atuação no ensino não-formal. Trabalha-se com 'temas geradores' e 'grupo de discussão'. A motivação ocorre por meio da codificação da situação problema, a qual deve ser analisada criticamente. A aprendizagem não é resultado de uma imposição e nem da memorização, mas se relaciona ao nível crítico de conhecimento alcançado pelo processo de compreensão, reflexão e crítica.

Por outro lado, a metodologia utilizada pela tendência Progressista Libertária se apresenta na forma de autogestão, dentro da vivência grupal, através de iniciativas próprias. O grupo tem liberdade de trabalhar ou não, dependendo de suas necessidades. Imposições não devem ser colocadas, pois é recusada qualquer forma de poder ou autoridade.

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Finalmente, a tendência Progressista Crítico-Social dos Conteúdos, considera que não é suficiente apenas ensinar os conteúdos, sendo necessário que eles se relacionem indissociavelmente à sua significação humana e social, devendo ser confrontada a experiência do aluno com o saber trazido de fora (Libâneo, 2005).

De acordo com esse autor, essas tendências pedagógicas percorreram a prática didática em diferentes períodos e atualmente ainda influenciam o trabalho docente, estabelecendo uma relação com a concepção de educação que o professor professe. Sua presença atual, entretanto, não ocorre de forma homogênea, ou seja, não ocorre isoladamente, sendo possível perceber que se apresentam, muitas vezes, combinadas, já que não são mutuamente exclusivas na prática didática.

Essas tendências também se refletem nos livros didáticos e a relação delas com os livros didáticos ocorre pelo fato de que, de acordo com Moreira e Axt (1986, p.34.) nenhum 'texto didático, incluindo o livro, é neutro', sendo portanto, 'influenciado por fatores externos e reflete de modo explícito, ou implícito, determinadas orientações', as quais 'espelham diferentes visões da função do ensino em geral'.

## Características do período de publicação do livro didático

A produção do livro didático busca refletir o que é característico de seu período de publicação, de modo que a forma de abordagem dos conteúdos dentro do currículo proposto e/ou praticado, e a metodologia utilizada vão influenciar a elaboração do material didático. Podemos relacionar as tendências metodológicas com as características próprias do período de publicação do livro didático ao encontrarmos características que demonstram a relação das concepções de educação existentes na prática escolar e a sua extensão à elaboração do manual didático, considerando também, que o autor não é neutro e incorpora ao texto sua própria concepção de educação.

Na obra 'O Professor e o currículo das Ciências', Myriam Krasilchik (1987) se propôs a 'analisar o contexto educacional e a sua influência no currículo de Ciências, tanto em nível de geração de ideias como em nível de resposta prática nas salas de aula' no período de 1960 até 1985, destacando que não é possível delimitar os limites nitidamente do momento em que ocorreram determinadas mudanças curriculares.

Para essa autora, entre 1950 a 1960 o contexto encontrado era de pósSegunda Guerra Mundial, onde a industrialização e o desenvolvimento científico e tecnológico impactaram o currículo escolar. O cenário educacional recebeu influência do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, movimento que originou a Escola Nova, da qual resultou a tendência Liberal Renovada (Progressista e NãoDiretiva). Os materiais didáticos estavam saturados com a influência europeia, sendo, muitas vezes, traduções desses materiais estrangeiros e não apresentando discussões acerca do contexto social, político e econômico, nem de aspectos tecnológicos e aplicações práticas. Era objetivada a transmissão de informações juntamente com a apresentação de conceitos e fenômenos.

- O período correspondente a 1960 até 1970 foi caracterizado pela Guerra Fria. As alterações no ensino de Ciências foram pensadas para que se vinculasse o processo intelectual à investigação científica e houvesse participação dos alunos da elaboração de hipóteses até a aplicação dos resultados obtidos, portanto, o método

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científico passa a ser considerado importante para a formação dos alunos e os projetos curriculares alcançaram o seu auge nesse intervalo de tempo.

As implicações sociais contempladas pelo desenvolvimento científico vieram a ser meta no ensino de Ciências no período de 1970 a 1980. Um marco importante foi a promulgação da Lei n.º 5692/71, a qual direcionou o ensino secundário (correspondente ao atual Ensino Médio), principalmente, para a formação do trabalhador. Predominou, sendo quase imposto, o modelo de estudo dirigido, que constavam de exercícios de múltipla escolha. As aulas expositivas eram a forma mais usada para o desenvolvimento dos conteúdos e a memorização era exigida aos alunos.

- O contexto do período de 1980 a 1985 ocorreu dentro de uma crise econômica e social, na qual ter o ensino médio ou mesmo superior já não garantia o emprego. Dado o crescimento do interesse e necessidade de escolarização, ao mesmo tempo que houve uma massificação da educação, ocorreu um desprestígio da profissão docente, tendo o professor que trabalhar com classes superlotadas, com alunos desinteressados, mal alimentados ou cansados, havendo uma nítida queda da qualidade do ensino. A tecnologia alcançou relevância dentro do currículo, visando a familiarização com a parte instrumental da informática, e jogos e computadores começaram a ser utilizados como estratégias de aprendizagem..

Para os anos que se sucedem a 1985, futuramente, a pesquisa poderá buscar referenciais teóricos que evidenciem as características metodológicas e as mudanças curriculares correspondentes. Os períodos considerados apresentam muitos aspectos que ainda hoje é possível encontrar nos materiais didáticos.

## Elaboração e Aplicação do Instrumento de Análise

Visando analisar como as características identificadoras dessas tendências se manifestam nos livros didáticos e se as propostas dos mesmos se coadunam com o período em que foram produzidos, elaborou-se um instrumento que sistematiza a presença ou não, nos livros analisados, assim como nas orientações metodológicas de seu uso, de aspectos característicos dos períodos considerados.

Na aplicação do instrumento foi levado em conta o fato que, conforme indicado por Libâneo (2005), as tendências pedagógicas não aparecem em sua forma pura e não são mutuamente exclusivas e também que deve-se considerar que livros publicados no mesmo período podem conservar características de períodos anteriores e, até mesmo, seguir, em seu desenvolvimento, uma linha diferente da que caracteriza o período.

A elaboração do instrumento apoiou-se nas obras de Libâneo (2005) e Krasilchik (1987), intituladas por 'Democratização da Escola Pública: A Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos' e 'O Professor e o Currículo das Ciências', respectivamente.

Dentre as tendências pedagógicas apresentadas por Libâneo (2005), foram consideradas, para a pesquisa, apenas quatro tendências, citadas adiante, em função de que, por suas características, podem ter uma presença mais acentuada nos livros didáticos.

- O instrumento, que se inicia pelo registro da identificação do livro a ser analisado, é composto por dois blocos, cada um correspondente a uma categoria: 1.

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Tendências Pedagógicas e 2. Currículo das Ciências em Períodos. Cada bloco conta com subdivisões, que se constituem em subcategorias, que auxiliam a classificação durante a análise. As subcategorias do primeiro bloco são: Tendência Liberal Tradicional, Tendência Liberal Renovada Não-Diretiva, Tendência Liberal Tecnicista, Tendência Progressista 'Crítico-Social dos Conteúdos'. As do segundo bloco são: Década de 1950, Década de 1960, Década de 1970, Período de 1980 a 1985.

As questões são formadas por afirmações, elaboradas a partir de características presentes nas subcategorias, sendo acompanhadas por uma valoração que busca verificar a presença e a frequência com que a afirmação expressa na questão é encontrada na obra didática. Cada bloco teve suas questões elaboradas através de exaustiva leitura e análise dos textos do referencial teórico respectivo a cada categoria. A grande maioria das questões requer apenas que seja analisada a forma como o conteúdo é apresentado e disposto no livro. Outras, entretanto, evidenciam ser necessária a presença de orientações metodológicas para que sejam respondidas, desse modo, em caso de ausência dessas orientações a afirmação não é aplicável no livro analisado.

Para cada uma das questões deve-se verificar inicialmente se o que é está nela proposto é aplicável ao livro. Caso não seja, a ausência é registrada na coluna NA (Não-Aplicável). As questões aplicáveis do instrumento remetem para uma valoração a respeito da frequência com que a afirmação está presente no livro: N (Nunca), A (Às vezes), Q (Quase sempre), S (Sempre). Ao lado de cada questão há um espaço para que sejam registradas observações realizadas através da aplicação da questão ao material.

Um recorte de cada categoria do instrumento de análise é apresentado abaixo, de modo a exemplificar a forma como o instrumento se apresenta. Cabe destacar que são apenas algumas questões do instrumento, sendo este mais extenso.

Quadro 1: Exemplo de questões do primeiro bloco

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## Quadro 2. Exemplos de questões do segundo bloco

## Aplicação do instrumento de análise

O instrumento foi utilizado para analisar quatro livros didáticos, distribuídos no período de 1949 a 1985, visando atender os períodos descritos pelo segundo bloco de categorias. Para efeitos de simplificação, os mesmos foram denominados L1 (1949), L2 (1969), L3 (1970) e L4 (1985).

L3: Física do Científico e do Vestibular. Dalton Gonçalves. Vol. 4. Editora Ao Livro Técnico. 5ª edição. 1972.

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Quadro 3: Identificação dos livros didáticos analisados

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A análise realizada pela aplicação do instrumento permitiu verificar os aspectos descritos a seguir.

- O primeiro livro, L1, se mostra contendo atividades, em geral, para serem realizadas individualmente, dando uma boa importância à memorização, devendo o aluno assimilar seu conteúdo. Assim sendo, suas características evidenciam que a concepção com a qual foi pensado se aproximam da tendência Liberal Tradicional. No período de sua publicação, era dada importância à transmissão de informações atualizadas, embora na obra isso seja pouco frequente, e também é perceptível a influência europeia e norte-americana no material, sem propor discussões contextualizadas e apresentar aplicações práticas e tecnológicas dentro do conteúdo exposto.
- A análise do segundo livro, L2, mostra que este livro, no bloco das tendências pedagógicas, conserva as características de L1, embora a necessidade de memorização por parte do aluno tenha menos enfoque em relação a L1. Como inovador, está o fato de que o autor evidencia que o aluno tem a capacidade de autodesenvolvimento, podendo estudar autonomamente. Embora o livro seja publicado em 1969, contém as mesmas características do período de publicação de L1, diferenciando-se por trazer exercícios, em sua maioria, de múltipla escolha que dependem da leitura e algumas questões dissertativas.
- O terceiro livro, L3, conservou as mesmas características de L1 em relação ao primeiro bloco, sendo dada, entretanto, uma ênfase acentuada à memorização. Porém, conta com aspectos marcantes que evidenciam que se trata de um material instrucional sistematizado que passa as informações ao aluno, o qual deve fixá-las,

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e reforça as respostas desejadas, tendo, portanto, um enfoque sistêmico e mecanizado. Dessa forma, o material mostra-se contendo concepções que indicam que a tendência metodológica que influenciou a sua publicação é a Liberal Tecnicista. Apesar de não apresentar as características pertinentes ao seu período de publicação, conforme a classificação baseada em Krasilchik (1987), é percebida a influência norte-americana e a falta de discussões contextualizadas, aspecto esse próprio da década de 1950 e estendida à publicação dessa obra.

O quarto livro, L4, também mantém as características de L1 em relação ao primeiro bloco, porém a importância dada à memorização não é muito enfatizada, apesar de haver indicações de que, quando recebe a informação, o aluno precisa aprender e fixá-las. A concepção pedagógica que mais se aproxima desse material, é a Liberal Tradicional. O material conserva as características do período de publicação da década de 1950, porém, mesmo com pouca frequência, é percebida a presença de exercícios de múltipla escolha, de caráter qualitativo, ou questões dissertativas e dá-se, por algumas vezes, importância para a análise das implicações do desenvolvimento científico e tecnológico.

## Discussões e Conclusões

A prática docente traz implícitas concepções de educação, as quais se manifestam pela metodologia e ideias expressas pelo professor no seu trabalho em sala de aula. Cada professor se identifica mais com uma determinada tendência pedagógica, podendo mesclar, em alguns momentos características de outras tendências. De outra parte, sendo o livro didático um importante instrumento utilizado pelo docente na preparação de suas aulas e por também apresentar concepções pedagógicas com as quais se identifica seu autor, há que se ressalvar que na atividade docente essas tendências e opções metodológicas se mesclam, fazendo com que a prática docente não se alinhe rigorosamente a uma ou outra tendência ou concepção.

Assim, o instrumento de análise elaborado buscou evidenciar as tendências pedagógicas que mais se aproximavam da concepção de educação presente no livro didático em questão. Como o período de publicação do manual didático tem relações com as tendências pedagógicas, também foi levado em conta, para a análise, o que era considerado importante e os objetivos que se buscavam através do currículo em determinados períodos.

A análise realizada mostrou que apesar dos quatro livros terem sido publicados em diferentes períodos, com autores distintos, conservaram características em comum, mostrando que houve uma predominância da tendência Liberal Tradicional, embora em alguns momentos possam-se encontrar aspectos de outras tendências. Assim, dos quatro livros analisados, três se apresentaram próximos da perspectiva da tendência Liberal Tradicional e apenas em um deles foi constatada uma predominância Tecnicista, mesmo mantendo características da tendência Liberal Tradicional.

O instrumento de análise, que pode ser estendido e abranger um período maior de análise, mostrou-se bastante amigável e de fácil aplicação, servindo de maneira satisfatória ao que se propõe. Pode também servir de elemento para uma maior familiarização dos professores com os livros didáticos e de auxiliar no processo de escolha dos mesmos.

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## Referências

LIBÂNEO, José Carlos. Tendências Pedagógicas na prática escolar. In:\_\_\_\_ Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos . 20 ed. São Paulo: Loyola, 2005. p. 19-44.

MOREIRA, Marco Antonio. AXT, Rolando. O livro didático como veículo de ênfases curriculares no ensino de Física. Revista Brasileira de Ensino de Física , v.08, n.01, p.33-48, jun 1986.

KRASILCHIK, M. O professor e o currículo das Ciências. 1ª Edição. São Paulo: EPU: Editora da Universidade de São Paulo, 1987.

SANTANA, Margarida Conceição Cunha. Relações Pedagógicas Indissociáveis: formação, profissionalização e prática de ensino. Ícone: Revista de Letras , São Luís de Montes Belos, v. 5, p. 35-49, Dez 2009. Disponível em: http://www.slmb.ueg.br/iconeletras/volume5.html. Acesso em: 05/08/ 2014.

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