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A FÍSICA E A SOCIEDADE NA TV

Sidnei Percia Da Penha, Deise Miranda Vianna

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XI
Ano
2008
Data
24/10/2008
Linha de pesquisa
Ctsa E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A FÍSICA E A SOCIEDADE NA TV

## PHIYSICS AND SOCIETY ON TV

Sidnei Percia da Penha1,3

## Deise Miranda Vianna2,3

1 UFRJ/Colégio de Aplicação, sidnei@uol.com.br

2 UFRJ/Instituto de Física, deisemv@if.ufrj.br

3 CEFET - RJ/Mestrado em Ensino de Física

## Resumo

Neste trabalho, apresentaremos as principais características e metodologias adotadas na estruturação e elaboração de um produto educacional desenvolvido para o estudo de parte do eletromagnetismo com estudantes do ensino médio. Utilizando -se de referenciais teóricos e metodológicos específicos, estruturamos uma forma alternativa para a apresentação de um tema que julgamos de elevado grau de especificidade e de difícil abordagem no ensino médio, como é o caso do estudo da força magnética que atua em cargas elétricas em movimento no interior de campos magnéticos. Na confecção deste trabalho, adotamos uma abordagem CTS aliada a uma metodologia relacionada à inserção de Atividades Investigativas. Motivados pela implantação da TV Digital Brasileira, propomos a criação do "Fórum Nacional da TV"V", onde serão levantadas controvérsias sobre a forma de utilização e produção desta nova tecnologia na sociedade. Este fórum será composto de mesas redondas, oficinas e conferências com o objetivo de instrumentalizar os estudantes na tomada de decisão das controvérsias que serão abordadas. Os conteúdos programáticos são apresentados como conseqüência da necessidade do entendimento deste aparato tecnológico. Desta forma, este trabalho apresenta uma contribuição a uma nova abordagem dos conceitos físicos, que só é possível de ser elaborada tendo por base a pesquisa de diferentes referenciais cabíveis ao tema tratado.

Palavras -c -chave: Abordagem CTS, Atividades Investigativas, Força no campo magnético.

## Abstract

In this work we will show the main characteristics and methodologies adopted in the making of an educational product developed for the study of part of eletromagnetism with secondary students. Using specific methodological and theoretical frameworks, we structured an alternative form for the presentation of a theme that we evaluate as of a high degree of specificity and of difficult approach in high school, as it is the case with the study of the magnetic force acting on moving electric charges within magnetic fields. In the making of this work, we adopteted a STS approach together with a methodology related to the insertion of Investigative Actitivities. Motivated by the implementation of Brazilian Digital TV, we propose the creation of the "National TV Forum", where controversies about the way of using and producing this new technology in society will be raised. This forum will be composed

of round tables, workshops and conferences with the aim of resourcing students in the decision making process in the controversies that will be approached. The curricular contents are presented as a consequence of the necessity of understanding this new technological apparatus. This way, this work presents a contribution to a new approach to physical concepts, which is only possible basing the research on different frameworks akin to the subject.

Keywords: : STS Approach, Research-like Activities, Force in magnetic field.

## 1 - - Introdução

Temos verificado que diversos assuntos abordados no ensino médio, embora sejam apresentados como fundamentais para entendimento dos avanços tecnológicos de nossa sociedade, são estudados unicamente sob o ponto de vista de seu formalismo matemático. São ignorados aspectos históricos, filosóficos e sociais na abordagem destes conteúdos, bem como sua relação com o desenvolvimento de novas tecnologias que transformarão o mundo do trabalho e as relações de poder nesta sociedade.

No ensino de Física, por exemplo, a seleção dos conteúdos é na maioria das vezes apresentada como se esta etapa do ensino médio fosse apenas uma preparação para um aprofundamento posterior que se processará na universidade.

Em nosso trabalho de pesquisa desenvolvido no programa de Mestrado em Ensino de Ciências do CEFET, estruturamos um Produto Educacional que consiste em uma nova metodologia de abordagem interdisciplinar para o estudo de parte do eletromagnetismo, mais especificamente ao estudo da força que atua em partículas carregadas em movimento no interior de campos magnéticos.

Utilizando -se de uma abordagem com enfoque CTS (Ciência - - Tecnologia - - Sociedade) associados a uma metodologia de Atividade Investigativa, este trabalho pretende apresentar um modo alternativo de estruturação de novos conceitos que estão relacionados com as evoluções tecnológicas que transformam nossa sociedade e com a instrumentalização dos esestudantes para sua inserção social e no mundo do trabalho. Pretendemos mostrar que a utilização da televisão nos moldes de temas estruturantes, apresentados nos PCN+ (BRASIL, 2002), poderá propiciar um importante trabalho interdisciplinar onde as diferentes áreas do conhecimento possam estabelecer um diálogo em torno deste tema central.

## 2 - - Pressupostos Teóricos e Metodológicos do Trabalho

A imagem popular da ciência está relacionada à idéia de que o conhecimento científico é o comprovado, principalmente por intermédio de observações empíricas. A idéia quase que intuitiva é que a ciência se inicia com a observação neutra, a princípio sem o respaldo de qualquer formulação teórica, livre de idéias pré-concebidas.

Esta idéia tradicional de ciência verificacionista -indutivista foi amplamente criticada desde o final do século XVII por Hume e, posteriormente, por Popper e Kuhn, entre outros. Popper evidenciou, o que chamou do problema da indução, no qual a realização de um número finito de observações não nos permite induzir uma lei universal. Kuhn verificou historicamente que as grandes transformações e idéias

que impulsionaram o desenvolvimento do pensamento científico não ocorreram por descobertas empíricas. As leis de Newton, por exemplo, só foram comprovadas experimentalmente muito depois de sua morte.

Ao realizar uma experiência, um cientista utiliza o conjunto de seus conhecimentos teóricos para montar as estratégias de observação e coleta de informações das variáveis que julgou relevantes. De forma análoga, o estudante é um sujeito que se construiu em uma sociedade, possui uma concepção própria de ciência, da sua importância e da forma como se relaciona com o mundo. Longe de ser uma "tábula rasa" na qual podemos imprimir novos valores e conceitos, o estudante é de certa forma um indivíduo assim como o cientista, que foi desenvolvendo ao longo dos anos o seu próprio método de investigação, realizou descobertas e montou seu modelo pessoal de valores e verdades.

## 2.1 - - Opção pela utilização de Atividades Investigativas

A adoção de uma metodologia de Atividades Investigativas tem, por objetivo, proporcionar aos nossos alunos atividades nas quais possam pensar, debater, justificar suas idéias, modificar e ampliar seus conhecimentos em diferentes situações. A colocação de uma questão ou problema aberto como início de uma investigação é um aspecto fundamental para a criação de um novo conhecimento. Para Bachelard : "Todo conhecimento é resposta a uma questão." (BACHELARD, 1996 apud AZEVEDO 2004, p.21).

A experimentação baseada na resolução de problemas não é suficiente para a descoberta de uma lei física, tampouco achamos necessário que o aluno passe por todas as etapas do processo de resolução de maneira autônoma, mas que, com base nos conhecimentos que os al unos já possuem do seu contato cotidiano com o mundo, o problema proposto e a atividade de ensino criada a partir dele venham despertar o interesse do aluno, estimular sua participação, apresentar uma questão que possa ser o ponto de partida para a constru ção do conhecimento, gerar discussões e levar o aluno a participar das etapas do processo de resolução do problema. (AZEVEDO, 2004, p.22).

O processo de pensar do aluno, como resultado de uma atividade investigativa, faz com que ele comece a construir sua autonomia. Azevedo (2004, p.22), citando Carvalho (1992), defende a experimentação como instrumento de criação de conflitos cognitivos, no qual o aluno aprenderá se suas concepções espontâneas foram colocadas em confronto com os fenômenos ou resultados experimentais.

## 2.2 - - A adoção de uma abordagem centrada no enfoque CTS.

Mortimer (2002, p.01) aponta que, por vivermos em um mundo automatizado, as sociedades modernas passaram a acreditar na ciência e na tecnologia como se confiassem em uma divindade. Afirma ainda que esta supervalorização da ciência gerou o mito da salvação da humanidade, ao considerar que todos os problemas humanos podem ser resolvidos cientificamente. Segundo ele, o mito do cientificismo é uma falácia. Citando Fourez (1995) e Japiassu (1999), Mortimer afirma que não existe a neutralidade científica nem a ciência é eficaz para resolver as grandes questões éticas e sócio-politicas da humanidade.

Dentro de uma perspectiva CTS, a proposta educacional metodológica é a de deslocar -se o foco principal do conteúdo para uma abordagem que dê ao estudante uma certa autonomia para se posicionar frente aos conflitos sociais que virão a surgir quando das diferentes aplicações científico-o-tecnológicas. A construção de um produto educacional, que se proponha a desenvolver uma abordagem contemplando esta interação entre Ciência, Tecnologia e Sociedade, deverá conter elementos que, além da apresentação de conteúdos específicos científicos, possa "...desenvolver a capacidade dos alunos de assumirem posiçõeões face a problemas controvertidos e agirem no sentido de resolvê-ê-los." (KRASILCHIK, 1985 apud CRUZ; ZYLBERSZTAJN, 2001, p.173).

Nosso grupo de pesquisa PROENFIS 1 tem desenvolvido trabalhos dentro deste enfoque CTS. Outros grupos com trabalhos na mesma direção, apontam segundo os autores Cruz e Zylbersztajn (2001), que uma das preocupações tem sido o de investigar as possibilidades didáticas de uma abordagem denominada Aprendizagem Centrada em Eventos (ACE).

A idéia básica que fundamenta tal abordagem é a de que tanto os aspectos científicos como as implicações sociais de um produto tecnológico podem ser melhor explorados, se a aprendizagem dos mesmos for centrada em eventos que tenham a potencialidade de capturar a atenção dos alunos. Isto porque o evento to pode funcionar como um pólo de integração para o tratamento da tríade Ciência -Tecnologia -Sociedade. (CRUZ; ZYLBERSZTAJN, 2001, p.190).

Nesta abordagem, a ênfase está na resolução de problemas reais, que sejam derivados deste evento. Ao contrário de abordagens tradicionais em que se ensinam primeiro os conteúdos científicos para depois efetuar a abordagem de algum aparato tecnológico no qual se aplique este conteúdo, na ACE é o evento que se apresenta no centro da experiência de onde derivamos os demais elementos.

## 3 - - Características e Objetivos deste trabalho

## 3.1 - - Justificativa e Finalidade

É certo que, de posse dos conteúdos cunhados pelo homem acerca dos fenômenos chamados eletromagnéticos até o final do séc XIX , o mundo sofreu e continua sofrendo uma grande revolução social, epistemológica e técnica. No entanto, a maioria dos cursos ministrados em nossas escolas parece não conseguir que os estudantes associem tais revoluções aos conceitos de eletromagnetismo estudados no ensino médio. Os avanços tecnológicos e as conseqüentes transformações sociais, inclusive no mundo do trabalho, que tiveram sua origem com o desenvolvimento de conceitos relacionados ao eletromagnetismo, continuam parecendo aos olhos dos estudantes como uma especificidade que se relacioiona unicamente com o interesse de alguns poucos que devem prosseguir seus estudos na área das ciências ditas exatas.

No caso específico da abordagem sobre o tema " força em partículas carregadas em movimento no interior de campos magnéticos", temos verificadado que mesmo autores defensores de uma abordagem comprometida com a

construção do conhecimento enfrentam grandes dificuldades na apresentação deste tema. É grande o esforço para não transformar este assunto em um complexo receituário de utilização de regras e fórmulas. No entanto, a maioria das abordagens comumente apresentada para este assunto específico parece dissociada do mundo do estudante, em nada se relacionando com a construção do seu conhecimento, sua realidade social, suas preocupações com o mundo do trabalho nem mesmo com os avanços tecnológicos e científicos, que são derivados destes conteúdos dos quais a sociedade faz uso constante.

Na estruturação deste trabalho, apresentamos as principais características utilizadas em uma abordagem CTS associaiada a uma metodologia de Atividade Investigativa para criar uma forma alternativa de apresentação de conceitos que estão relacionados ao estudo do eletromagnetismo, mais especificamente aos conceitos de força magnética que atua em partículas em movimento no no interior de campos magnéticos. Contemplamos, sob a forma da abordagem interdisciplinar, uma análise histórica, filosófica, científica, técnica e social, e que traga aos estudantes elementos que possam contribuir de forma ativa na sua vida pessoal, profissional e social, preparando-os para o exercício pleno da cidadania.

## 3.2 - - A opção por utilizar a TV como tema organizador do trabalho:

A idéia da interdisciplinaridade no tratamento dos conteúdos escolares, trazidos principalmente pelos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio, supõe a existência de um "e"eixo integrador, que pode ser o objeto de conhecimento, um projeto de investigação, um plano de intervenção."(BRASIL, 1999, p.88)

Escolhemos a televisão como tema organizador, em torno do qual estabelecemos um plano de ação para que se possam efetivar as análises pretendidas. A abordagem que apresentamos também estabelece ampla ligação com o enfoque CTS.

Amplamente utilizada em nossa sociedade, a TV constitui-i-se como um marco da sociedade contemporânea. Apesar de apresentar-s-se com um equipamento de elevado grau de complexidade, podemos facilmente transformá-la em um tubo de raios catódicos que será utilizado para as análises da trajetória de cargas elétricas em movimento em regiões de campo magnético. Todas as adaptações necessárias poderão ser feitas pelos próprios estudantes. Para o desenvolvimento de nossas pesquisas, obtivemos facilmente este material gratuitamente como sucata de oficina de TV. Hoje costumamos utilizar o tubo de imagens de computador, que também pode ser obtido facilmente em material de sucata de oficina de informática e possui a vantagem de ser mais leve, facilitando seu transporte e manuseio em sala de aula.

## 3.3 - - A Criação do "Fórum Nacional da TV"

Têm sido amplamente divulgadas nos meios de comunicação as informações sobre a implantação da TV digital, o chamado Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD-T), criado pelo Decreto Presidencial No No 5.820, de 29 de junho de 2006. Mesmo antes de sua implantação, este sistema divide opiniões entre os diferentes setores da sociedade que serão afetados. PaPara que os televisores possam receber este novo sinal digital, será necessária a utilização de um

adaptador (chamado de set top Box), assim como as geradoras e retransmissoras de TV terão que adquirir novos transmissores.

Tendo estes fatores como motivadores e utilizando -s -se de uma abordagem metodológica nos moldes CTS, com uma estruturação de Atividades Centradas em Eventos (ACE), propomos a criação de um "Fórum Nacional da TV"V".

Embora contendo algumas atividades semelhantes ao fórum estabelecidas pelo Decreto de criação do SBTVD-T, este nosso "F"Fórum Nacional da TV" V" terá suas funções ampliadas. Nele, além de discutirmos aspectos da implantação do Sistema de TV Digital Brasileiro, serãrão levantados outros pontos polêmicos apontados por grupos ligados à defesa da criação de uma legislação que possa promover a inclusão social , a diversidade cultural e a democratização da informação.

Pretendemos então promover um debate entre os diferentes "atores sociais" que terão interesses específicos nesta controvérsia. Em nossa proposta de trabalho, os alunos, depois de divididos em grupos, assumirão os papéis destes atores, buscando argumentos na defesa de suas posições.

Neste fórum serão apresentadas CONFERÊNCIAS e OFICINAS que terão como finalidade instrumentalizar os alunos para participação neste debate e na tomada de posição em relação aos temas que serão discutidos. Serão também organizadas "MESAS-REDONDAS", nas quais os grupos de estudantes , devidamente caracterizados como atores da controvérsia, apresentarão propostas e argumentos na defesa de suas posições.

## 4 - - Metodologia para aplicação da Proposta em Sala de Aula

Reunimos as idéias citadas anteriormente em nosso referencial teórico, e elaboramos um "Produto Educacional", com uma abordagem a ser inserida no cotidiano da sala de aula do Ensino Médio. Nosso material teórico -d -didático destinado aos estudantes, ou seja, um Texto para os Estudantes , cuja íntegra é apresentado no APÊNDICE 1 , da dissertação de mestrado A FÍSICA E A SOCIEDADE NA TV (PENHA, 2006), também reproduzido em Novas Perspectivas para o Ensino de Física (PENHA, 2008).

Neste trabalho nos limitaremos a apresentar as principais estratégias desenvolvidas para sua aplicação, ordenando os assuntos que serão apresentados em cada encontro com os estudantes.

## 4.1 --- Apresentação do tema e motivação para o desenvolvimento da controvérsia (1 o Encontro)

Iniciamos nossa primeira aula com a exibição de um vídeo, com as 2 imagens da chegada do homem à Lua 2 . Após o vídeo, o professor procura contextualizar as imagens com as características da sociedade daquela época, no auge da guerra fria e que motivaram a chamada "corrida espacial".

Num segundo momento, o professor lança aos alunos o seguinte questionamento: o domínio de que tecnologias foram necessárias para transmitir estas imagens da Lua até nossas casas? ? Espera-s-se que possam

contribuir com diferentes citações como: domínio da eletricidade, da eletrônica, construção de satélites, rádio, geradores, televisão, etc... O professor poderia 3 mostrar um vídeo com imagens das primeiras transmissões de TV no Brasil 3 e evidenciar as diferenças entre as exibições em salas de cinemas e a transmissão de imagens em TVs.

Num terceiro momento desta primeira aula, o professor pede aos estudantes que façam uma lista do que consideram pontos positivos e negativos desta influência da TV na sociedade. Depois de confeccionada uma primeira lista, propomos a exibição de um novo vídeo 4 , no qual são apresentadas seqüências de imagens e situações ligadas a nossa realidade histórica-a-política-s-social. Ao final do vídeo, o professor retorna ao quadro de pontos positivos e negativos, aguardando novas contribuições dos alunos.

Num quarto momento, o professor apresenta o decreto que estabelece a criação do SBTVD-T e convida os estudantes a participarem das controvérsias que teriam motivação com a implantação da TV digital em nosso país.

Como vimos anteriormente, este " Fórum Nacional da TV" reúne um conjunto de atividades que nos os propiciam analisar e discutir diferentes controvérsias para as transformações necessárias para implantação da TV digital em território nacional.

Para atuação neste Fórum, os estudantes da turma são divididos em grupos que passam a interpretar os papéis d de "atores sociais". Estes atores da controvérsia terão papéis previamente definidos, cabendo aos estudantes buscarem argumentos que possam justificar sua posição e contra-argumentar com outros atores que se mostrem contrários às suas teses.

Propomos ainda que os grupos formados não adotem a defesa de um determinado ator por afinidade com as idéias defendidas. Uma das riquezas desta atividade é o exercício de posicionar-r-se frente a uma situação com o "olhar do outro", ou seja, buscar argumentação para defesa de teses que não sejam necessariamente as suas. Agindo assim podemos ver mais claramente que as posturas contrárias, que surgem em um conflito de idéias, podem estar ambas sustentadas por razões legítimas, ligadas aos diferentes graus de valores que cada sujeito construiu ao longo de sua vida. Aniquila-s-se assim com a idéia primária de que qualquer confronto será um enfrentamento do "certo x errado"; do "bem x mau".

## 4.2 -A -Abertura do Fórum e levantamento de questões para realização das mesassredondas (2 o Encontro)

Como primeira tarefa do fórum, os grupos devem levantar ou fabricar documentos que possam respaldar suas propostas para apresentação das mesasredondas. Propomos que os grupos desenvolvam um trabalho de pesquisa para construírem o perfil do ator da controvérsia e posicionar-r-se sobre os temas que serão abordados nas mesas -redondas. Esta aula pode ser realizada no laboratório de informática, com acesso à rede Internet.

Estas MESAS -REDONDAS são na verdade o momento de confronto entre as diferentes idéias defendidas pelos atores da controvérsia. Propomos a realização de

duas mesas redondas com a participação de 3 atores sociais diferentes, que defendem seus interesses específicos nesta controvérsia.

Na M MESA REDONDA 1, (5 o o Encontro) o tema tratado é : R Reserva de mercado e benefícios fiscais para produção dos equipamentos eletrônicos necessários para a mudança do sistema para TV digital.

Este tema está gerando polêmica principalmente entre as fábricas instaladas na Zona Franca de Manaus, que possuem incentivos fiscais para produção de equipamentos de áudio e vídeo e outros fabricantes situados em outras regiões do Brasil, que pretendem definir estes adaptadores como bem de informática e que, sendo assim, teriam incentivos fiscais previstos pela Lei da Informática para sua fabricação em qualquer lugar do país. Os participantes desta mesa são apresentados na TABELA 1 .

TABELA 1: Atores participantes da mesa -redonda 1

Na MESA -REDONDA 2 , (7 o o EnEncontro) o tema tratado é: A criação e as atribuições que teriam uma possível Agência Reguladora de controle de qualidade de imagem e da programação das redes de TV abertas.

Este tema está relacionado com a liberdade de imprensa e às novas formas de censura em nossa sociedade. Os participantes são apresentados na T TABELA 2 .

TABELA 2: Atores participantes da mesa -redonda 2

Há ainda um 7 a Ator representado pela Equipe para cobertura jornalística do Fórum, que tem como tarefa cobrir o Fórum Nacional da TV, divulgando boletins com resumos, entrevistas e apresentar os pontos polêmicos defendidos pelos diferentes atores que participam deste Fórum. Esta equipe, no entanto, não deverá se esquivar de efetuar uma análise crítica sobre as propostas e a atuação de cada um dos atores desta controvérsia.

## 4.3 -OFICINA 1: A formação da imagem na TV (3 o o Encontro)

Para realização da OFICINA 1, os alunos, já divididos em grupos, levam uma TV(ou sucata de TV conseguida em oficina de eletrônica) para a sala de aula, que será por eles aberta. Primeiramente localizamos a TV no complexo sistema de telecomunicações para posteriormente identificarmos os principais componentes deste aparelho.

- O professor, juntamente com os estudantes, identifica os principais componentetes da televisão, dividindo-a em 3 partes:
- a)Circuitos de geração da alta tensão e processamento dos sinais captados pela antena;

b)a bobina defletora (Chamada de YOKE) que se encontra no pescoço do tubo de imagens (responsável pela deflexão do feixe eletrônico) e

- c) o tubo de imagens (Tubo de raios catódicos).

Figura 1 : Tubo de imagens e bobina defletora (YOKE)

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Depois de apresentar a forma de funcionamento de cada uma destas partes do televisor, o professor descreve o funcionamento do tubo de raios catódicos e da Bobina defletora YOKE, que é a responsável pelo desvio da trajetória dos elétrons de modo que possam atingir todos os pontos da tela de imagens.

Com o objetivo de investigar as características da força magnética, o professor pede aos estudantes que retirem o YOKE do pescoço do tubo de imagem 5 e pergunta o que acham que aconteceria se ligassem a TV agora 5 5 .

Depois de ligada a TV, os alunos devem obserervar a formação de um ponto luminoso na tela.

Temos agora então um feixe de elétrons emitidos pelo canhão eletrônico e indo colidir com a tela da TV. Será que estes elétrons em movimento sofrem influência de um ímã da mesma forma que um pequeno pedaço de

feferro? O que você acha que aconteceria se aproximássemos um ímã do pescoço do tubo? Dê um palpite antes de continuar. (PENHA, 2006, p.A24)

Após a verificação pelos estudantes de que o desvio do ponto luminoso da tela não foi como esperávamos (o ponto luminososo não foi atraído nem repelido pelo imã, mas sofreu um desvio perpendicular ao plano formado pelos vetores velocidade e campo magnético), o professor deve auxiliar os estudantes a analisarem este fenômeno, inclusive no posicionamento e na inversão de polaridade dos ímãs. Depois de realizadas as discussões pelo grupo na tentativa de estabelecer uma regra para o desvio do ponto luminoso, o professor apresenta a opção da regra da mão direita.

## 4.4 -OFICINA 2: Investigação do módulo da Força Magnética (4 o Encontro)

Nesta aula, o professor tentará evidenciar para os alunos como podemos investigar de que variáveis dependerá a atuação desta força magnética. Mais do que simplesmente apresentar e aplicar corretamente a equação matemática expressa pelo produto vetorial F = qv qv x B, pretendemos mostrar aos nossos estudantes as etapas de uma investigação científica, construindo estratégias de observação que possam nos levar a conclusões quantitativas do comportamento desta força.

Mesmo antes de realizar qualquer experiência, os cientistas em geral possuem uma "idéia inicial" sobre um determinado comportamento da natureza. É em função destas idéias que eles montam seus aparatos experimentais na tentativa de verificar se a hipótese que fizeram a priori (antes de realizarem o experimento) encontram respaldo experimental. (PENHA, 2006, p.A30)

Os alunos devem ser capazes de verificar que com o nosso dispositivo experimental podem variar o valor do campo magnético (colocando ímãs de diferentes poderes atrativos) e variar o ângulo entre os vetores velocidade e campo magnético.

Os alunos são então orientados a montar um dispositivo que possa investigar a dependência que o módulo da força tem para um aumento de campo magnético (utilizando imãs com diferentes poderes atrativos) e e do ângulo entre os vetores velocidade e campo magnético.

Figura 2 : Dispositivo para investigação do módulo da força magnética .

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4.5 -CONFERÊNCIA 1: Natureza dos raios catódicos e a "descoberta" do elétron. (6 o o Encontro)

Nesta conferência associamos uma abordagem histórica à utilização de experiências demonstrativas, para analisarmos a controvérsia filosófica sobre a natureza destes raios catódicos: se são ondas, como defendiam os físicos alemães;

ou partículas, como defendiam os físicos ingleses. A polêmica encerra-s-se com a célebre experiência de Joseph John Thomson, físico inglês que colocou um ponto final na controvérsia quando, em 1897, depois de realizar várias experiências com tubos de raios catódicos de alto vácuo, demonstra que tais raios são na verdade partículas com cargas elétricas negativas e determina a relação entre a carga e a massa destas partículas (q/m).

Para a realização destas experiências demonstrativas será necessária a utilização de um gerador de alta-tensão. Este equipamento poderá também ser construído utilizando -se sucata de TV. Bastaria para isso desconectar a chupeta (eletrodo que leva alta tensão ao tubo de imagens) e utilizá-la como ponto de alimentação de alta-t-tensão. O outro ponto de alimentação (o que seria o negativo da ligação) deve ser ligado ao "chassi" da TV (armadura metálica no qual o tubo de imagens fica preso). Este gerador é capaz de provocar o surgimento de arco entre dois pontos metálicos pontiagudos não muito distantes. Poderá também ser utilizado para acender algum tubo de raios catódicos 6 , caso exista algum no laboratório da escola.

Por fim, os estudantes serão chamados a reconstruírem a famosa experiência de J.J.Thomson, que culminou com a determinação experimental da relação entre a carga e a massa dos elétrons. Para esta reconstrução utilizamos a metodologia de problema aberto, que exige dos estudantes, além de domínio conceitual, um detalhado tratamento matemático.

## 4.7 - - Apresentação das Reportagens e Avaliação das atividades do Fórum Nacional da TV (8 o o Encontro)

Este é o momento final do trabalho. Inicialmente a Equipe Jornalística apresenta a programação por eles elaborada para apresentação de um tele-j-jornal noticiando a realização deste Fórum. Em seguida procuram justificar o tipo de edição que adotataram na confecção do programa.

- O professor fecha trabalho motivando os estudantes a contribuírem com suas impressões/observações e procurando destacar que uma controvérsia não é necessariamente um confronto do certo x errado, mas o enfrentamento de duas posições diferentes do modo como vemos um problema e das formas diferentes que temos para soluciona-los.

## 5 -Considerações Finais

- O trabalho com professores de outras áreas pode desenvolver uma abordagem mais interdisciplinar. O número de encontros seria reestruturado, incluindo novos temas como: globalização e reserva de mercado (para professores de Geografia); novas formas de censura do mundo globalizado (para professores de História) e produção e estruturação de textos para as diversas etapas da realização deste Fórum (para professores de Língua Portuguesa).

Com este trabalho apresentamos e divulgamos as características de uma metodologia para abordagem de um tema sobre o qual detectamos uma grande carência de materiais que estejam comprometidos com a constrtrução do conhecimento dos estudantes. A escolha deste tema está relacionada, entre outros

fatores, ao desafio de transformar um assunto que julgamos de difícil abordagem e de elevado grau de especificidade, em um conteúdo que pudesse despertar o interesse e contribuir com a formação dos diferentes tipos de estudantes, e não apenas dos alunos que se destinarão ao estudo das ciências exatas.

A preocupação em desenvolver um material de baixo custo que pudesse instrumentalizar nossos professores na apresentação dos conceitos relacionados ao estudo de forças no campo magnético, juntamente com as dificuldades de encontrar materiais e metodologias experimentais para abordagem deste tema, nos motivou a pesquisar e estruturar as estratégias que posteriormente serviram de base para a elaboração deste trabalho. Ele está baseado no enfoque CTS e nas Atividades Investigativas, como destacamos anteriormente.

Acreditamos que este trabalho nos alinha com as diretrizes dos PCNs, que apontam para uma mudança do foco de nossa a atenção: não só para os conteúdos mas também para a forma que deverão ser apresentados. Esperamos assim que esta proposta seja uma contribuição não ao formalismo da apresentação dos conceitos físicos em si, mas ao formato dispensado à sua abordagem.

## 6 -Referências Bibliográficas:

AZEVEDO, Maria Cristina P. Stella de. Ensino por Investigação: Problematizando as Atividades. In: CARVALHO, Anna Maria Pessoa de. Ensino de Ciências: Unindo a Pesquisa e a Prática. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004. Cap. 2, p. 19-33.

BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria da Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Brasília: Ministério da Educação, 1999. 364p.

BRASIL, Parâmetros Curriculares Nacionais +, Ensino Médio: Orientações Educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais . Ciências da Natureza, Matemáticas e suas Tecnologias. Brasília: Mec;SEMTEC, 2002. 144p.

CRUZ, Sônia Maria S. C. de Souza; ZYLBERSZTAJN, Arden. O enfoque ciência tecnologia e sociedade e a aprendizagem centrada em eventos. In: PIETROCOLA, Maurício. Ensino de Física: Conteúdo, metodologia e epistemologia em uma concepção integradora. 2. ed. Florianópolis: Ed. da Ufsc, 2005. Cap. 8, p. 171-196.

MORTIMER, Eduardo Fleury; SANTOS, Wildson Luiz Pereira dos. Uma análise de pressupostos teóricos da abordagem C-T-T-S (Ciência - - Tecnologia - - Sociedade) no contexto da educação brasileira. Ensaio: Pesquisa em Educação em Ciências, Belo Horizonte, v. 2, n. 2, p.01-23, dez. 2000. Semestral.

PENHA, Sidnei Percia da. A Física e a Sociedade na TV. 2006. 89 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Ensino de Ciências e Matemática, Departamento de Pósgraduação, CEFET-T-RJ, Rio de Janeiro, 2006.

PENHA, Sidnei Percia da. A Física e a Sociedade na TV. In: VIANNA, Deise Miranda. Novas Perspectivas para o Ensino de Física: Proposta para uma formação cidadã centrada no enfoque Ciência, Tecnologia e Sociedade - - CTS. Rio de Janeiro: Gráfica UFRJ, 2008. p. 31-116.

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