Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

O EDUCAR PELA PESQUISA E A INTERDISCIPLINARIDADE COMO PRINCÍPIOS PEDAGÓGICOS NA ÁREA DAS CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS NO ENSINO POLITÉCNICO

Ana Paula Rebello, João Bernardes Da Rocha Filho, Lisiane De Araujo Pinheiro

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
27/01/2015
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2015

Texto completo

## O EDUCAR PELA PESQUISA E A INTERDISCIPLINARIDADE COMO PRINCÍPIOS PEDAGÓGICOS NA ÁREA DAS CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS NO ENSINO POLITÉCNICO

## Ana Paula Rebello , João Bernardes da Rocha Filho , Lisiane de Araujo 1 2 Pinheiro 3

1

PUCRS/PPGEDUCEM/ana.rebello@acad.pucrs.br 2 PUCRS/PPGEDUCEM/jbrfilho@pucrs.br

3 Universidade Feevale/Escola Estadual de Ensino Médio Padre Reus/lisi.ap@terra.com.br

## Resumo

Neste trabalho são apresentadas reflexões e contribuições sobre a importância de desenvolver nos alunos de Ensino Médio a compreensão de conceitos sobre o Educar pela Pesquisa e da interdisciplinaridade, assim como realizar intervenções educacionais tendo em vista estes princípios educativos. Sugerem-se reflexões a respeito dos papéis dos envolvidos no processo educacional - o professor e o aluno -, especialmente no contexto contemporâneo da discussão diretividade versus não diretividade na estruturação das atividades escolares. Na escola não diretiva, quem são os agentes do conhecimento? Quais são os papéis dos professores e dos estudantes nessa nova realidade? Quais são os possíveis benefícios e as reais dificuldades para o estabelecimento da não diretividade no ensino básico público? Como forma de contrapor teoria e prática, neste tema, são feitos apontamentos e análises de atividades que estão sendo desenvolvidas na rede pública de educação básica do estado do Rio Grande do Sul, embasadas nos princípios pedagógicos que norteiam o modelo implantado desde 2012, de forma gradual, intitulado Ensino Médio Politécnico. Tais atividades estão relacionadas à pesquisa de forma interdisciplinar, instigando a curiosidade e a reflexão dos alunos durante todo o processo. Este artigo é parte integrante da tese de doutoramento da primeira autora, orientada pelo segundo autor.

Palavras-chave : Educar pela Pesquisa; Interdisciplinaridade; Ciências da Natureza; Ensino Politécnico.

## Introdução

O artigo apresenta reflexões e traz contribuições sobre a importância da pesquisa para a formação de um cidadão crítico e participativo no contexto social. A discussão apresentada aqui tem como pano de fundo a diretividade e o ensino médio politécnico à luz da educação pela pesquisa e interdisciplinaridade, sob a ótica da experiência da implantação do ensino médio politécnico que se realiza nas escolas estaduais do Rio Grande do Sul.

São evidentes as diferenças entre a pesquisa que se realiza no ensino médio e a pesquisa acadêmica ou a realizada em centros de pesquisa aplicada ou teórica independentes, no entanto, cada uma tem especificidades que as tornam válidas e necessárias. Por exemplo, todas ocorrem a partir do questionamento de uma realidade e objetivam a construção de argumentos para os quais buscam validação por meio da comunicação e discussão dos resultados obtidos. Dessa forma, educar pela pesquisa requer constante questionamento e construção de argumentações, tanto por parte do professor como por parte do aluno (GALIAZZI, 2012).

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

26 a 30 de janeiro de 2015

A educação pela pesquisa pretende promover o estudante da condição de ouvinte à de participante ativo nas decisões do seu processo de educação formal. Esta proposta fornece meios para que o estudante torne-se autônomo e responsável pelo seu aprendizado, o que se dá fundamentalmente pela superação da aula transmissiva e focalização da atividade escolar em processos relacionados à crítica e argumentação, considerando o que os estudantes querem, pensam, dizem e fazem (GALIAZZI; MORAES, 2002). Esse processo privilegia o diálogo em sala de aula, estimula a criatividade, a escrita e a leitura. Ao assumir o compromisso de educar pela pesquisa o professor precisa estar ciente de que terá que adaptar seus processos de ensino para uma situação na qual as relações pedagógicas se dão na horizontalidade, abrindo-se possibilidades de cooperação com vistas à aprendizagem conjunta.

## O Ensino Médio Politécnico e seus princípios pedagógicos

- O Plano de Governo 2011-2014, no que se refere à Política Educacional no estado do Rio Grande do Sul, estabeleceu mudanças para o ensino médio. Motivada pelo panorama desafiador dos altos índices de reprovação e evasão escolar nessa etapa de ensino, que eram os maiores do Brasil, a proposta trouxe uma subdivisão em três grandes organizações curriculares: Ensino Médio Politécnico, Ensino Médio Normal e Ensino Médio Profissional Integrada ao Ensino Médio. Neste artigo serão abordadas reflexões acerca do Ensino Médio Politécnico, foco da pesquisa.
- A mudança envolve a articulação das disciplinas nas áreas de Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Linguagens e Matemática e suas tecnologias, e estabelece ênfase no Seminário Integrado, no qual a pesquisa ocupa o centro das atividades, que visam 'O novo princípio educativo do trabalho [...]' (RIO GRANDE DO SUL, 2011, p.14). Este princípio se orienta para a superação da formação diferenciada entre dirigentes e trabalhadores, assim como traz uma atualização da educação para o mundo informatizado, caracterizada pela intelectualização das competências. Uma das características definidoras dessa proposição é a não diretividade, ou seja, é preciso que o estudante se aproprie da capacidade de assumir o controle sobre seu processo educativo, estabelecendo temas de seu interesse para as atividades do Seminário Integrador. O desenvolvimento dessa autonomia responsável talvez seja o maior desafio do ensino médio politécnico.

Tendo como princípios norteadores a relação parte-totalidade, a teoria e prática, o reconhecimento dos saberes, a interdisciplinaridade e a pesquisa, o modelo de ensino proposto pelo governo trouxe uma nova concepção de educação. Amparado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9394/96), no que se refere à educação integral, o modelo vem ao encontro das orientações do Parecer 04/2010, no seu artigo 26, §1º, do Conselho Nacional de Educação, por meio da Câmara de Educação Básica, no que tange ao Ensino Médio:

- [...] deve ter uma base unitária sobre a qual podem se assentar possibilidades diversas como preparação geral para o trabalho ou, facultativamente, para profissões técnicas, na ciência e na tecnologia, como iniciação científica e tecnológica; na cultura, como ampliação da formação cultural.

Outro fator que corrobora a estratégia da implantação do modelo do ensino politécnico é o vínculo com as diretrizes do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), sobre as quais Castro e Tiezzi (2005) afirmam que:

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

O que está presente na concepção do ENEM é a importância de uma educação com conteúdos analiticamente mais ricos, voltados para o desenvolvimento do raciocínio e a capacidade de aprender a aprender, buscando a eliminação paulatina dos currículos gigantescos e permitindo que as escolas do ensino médio concentrem-se no que é importante ensinar. (p.131)

Dessa forma, os princípios pedagógicos que caracterizam a proposta atendem as premissas de uma concepção de educação mais democrática e preocupada em estabelecer novas relações entre os saberes, abrindo espaço para a formação integral do educando.

## Educar pela Pesquisa para alunos da Educação Básica

Desenvolver a competência de educar através da pesquisa ainda na Educação Básica é um desafio para os professores que atuam nesta etapa da escolarização. Pedro Demo, em seu livro intitulado 'Educar pela Pesquisa', identifica pressupostos cruciais para a proposta. São eles:

- - a convicção de que a educação pela pesquisa é a especificidade mais própria da educação escolar;
- - o reconhecimento de que o questionamento reconstrutivo com qualidade formal e política é o cerne do processo de pesquisa;
- - a necessidade de fazer da pesquisa atitude cotidiana no professor e no aluno;
- - e a definição de educação como processo de formação da competência histórica humana. (2005, p.5)

Estes pressupostos estão enraizados na formação do professor, que por sua vez impregnará suas ações pedagógicas com o que ele efetivamente acredita. Um professor que esteja intimamente vinculado com as concepções acima descritas possivelmente estimulará seus alunos a também serem pesquisadores, e não reduzirá suas aulas a simples cópias de algo já estabelecido. Para esse professor a reflexão constante sobre sua prática é uma premissa do planejamento das atividades educativas.

- O educar pela pesquisa, enquanto pressupõe, também alimenta a capacidade de entender-se incompleto, de que todo conhecimento e prática podem sempre ser aperfeiçoados. As oportunidades de aprendizagem são novos momentos para reiniciar e completar a própria formação. A partir disto o aprendiz se integra em um movimento dialético em que continuamente pode superar-se e superar seus conhecimentos e suas práticas. (GALIAZZI; MORAES, 2002, p.242)

Por outro lado, a ideia de pesquisa nas escolas não é consensual, pois aulas tradicionais e desvinculadas de significado são a regra. O aluno, por sua vez, mostra-se incomodado com estratégias que não o estimulam a pensar, porém cabe ao professor proporcionar um novo olhar sobre o que entende por educação. É mister pensar que nessa nova modalidade de ensino o professor e o aluno agem de forma a contribuir mutuamente sobre o conhecimento a ser estudado. Não se pode considerar o alunado como um coletivo de sujeitos não atuantes, que comparecem na escola como meros reprodutores de conhecimentos que lhe são impostos. O aluno, nessa concepção, é um agente do seu conhecimento e parceiro do docente, pois o intuito de uma educação integral está relacionado à superação da repetição. Conforme Demo (2005),

[...] é fundamental que os alunos escrevam, redijam, coloquem no papel o que querem dizer e fazem, sobretudo alcancem a capacidade de formular. Formular, elaborar são termos essenciais da formação do sujeito, porque

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

significam propriamente a competência, à medida que se supera a recepção passiva de conhecimento, passando a participar como sujeito capaz de propor e contrapropor. Assim, uma coisa é ler, tomando conhecimento do que está no livro. Outra coisa é elaborar o que se leu, imprimindo interpretação própria pelo menos. No primeiro caso, a relação básica é de instrução, ensino, treinamento. No segundo, é de formação da competência. (p.28)

Posto isso, o modelo de Ensino Médio Politécnico vem ao encontro da meta da formação integral do educando, uma vez que procura, em sua essência, estabelecer novas relações entre o cotidiano do aluno e seus interesses, por meio da pesquisa.

## A interdisciplinaridade como alternativa para viabilização do Educar pela Pesquisa

Uma vez estabelecida a importância de se estimular a aprendizagem por meio do Educar pela Pesquisa, outro princípio pedagógico presente no modelo de Ensino Médio Politécnico implantado no Rio Grande do Sul é a interdisciplinaridade. Tal pressuposto rompe com a concepção fragmentada da educação e abre a possibilidade de vislumbrar a aprendizagem como algo complexo e dinâmico.

- O tratamento disciplinar, tão presente nos bancos escolares, impossibilita ao educando a percepção da totalidade e desconstitui a possibilidade de vínculo com o cotidiano no qual o sujeito está inserido. Conforme a proposta pedagógica da Secretaria de Educação do estado do Rio Grande do Sul (2011):

A interdisciplinaridade se apresenta como um meio, eficaz e eficiente, de articulação do estudo da realidade e produção de conhecimento com vistas à transformação. Traduz-se na possibilidade real de solução de problemas, posto que carrega de significado o conhecimento que irá possibilitar a intervenção para a mudança de uma realidade (p. 22).

- O relacionamento entre as diferentes áreas do conhecimento, segundo o modelo de Ensino Politécnico, permite uma ampliação dos saberes que dificilmente as práticas disciplinares lograriam alcançar. Sem a interdisciplinaridade a escola está fadada à transmissão do conhecimento, hipoteticamente contido nos livros, na internet e na mente dos professores, técnicos e cientistas. Na interdisciplinaridade a função da escola não se resume à transmissão de informações, mas amplia-se para assumir responsabilidades mais nobres, pois para muitos estudantes é nessa instituição que se estabelecem momentos de construção e de reflexão sobre determinados saberes que, de outra forma, jamais seriam conhecidos. A escola deve ser local de geração de novas ideias e de estabelecimento de novas relações sobre os conhecimentos, e cabe a essas instituições promoverem momentos de superação de modalidades de ensino que não contribuem para a formação do cidadão crítico.

A articulação de saberes, proposto pela interdisciplinaridade e previsto no modelo de Ensino Politécnico implantado do RS, tem o objetivo de despertar no alunado a curiosidade e a vontade de conhecer o mundo ao seu redor. Como coloca Fazenda:

Ao buscar um saber mais integrado e livre, a interdisciplinaridade conduz a uma metamorfose que pode alterar completamente o curso dos fatos em educação; pode transformar o sombrio em brilhante e alegre, o tímido em audaz e o arrogante e a esperança em possibilidade (FAZENDA, 2008, p. 23)

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Diante de tal exposição pode-se concluir que a interdisciplinaridade, no contexto do ensino médio politécnico e como um diálogo entre as disciplinas, contribui para que o alunado perceba o mundo a sua volta de forma a compreender e aproximar o que se aprende na escola com o que está fora dela. Da mesma forma, a educação pela pesquisa, como elemento chave do ensino médio politécnico, tem a interdisciplinaridade como estratégia, pois cada vez mais os problemas que se apresentam às comunidades humanas exigem soluções que extrapolam os limites estreitos do conhecimento especializado, o que implica no trabalho cooperativo e na integração de conhecimentos.

## A realização da proposta no âmbito estadual

A implantação da proposta ocorreu, de forma gradual, a partir de 2012, iniciando somente com os alunos do primeiro ano, e chegando a sua totalidade em 2014, atingindo todos os alunos matriculados no ensino médio do estado do Rio Grande do Sul. Voltado também a atender metas do plano do atual governo, reduzindo a evasão escolar e a repetência, o Ensino Médio Politécnico é uma determinação do poder público que foi decidida principalmente a partir de estudos de equipes do governo, pois seria impraticável elaborar um plano estratégico desse porte atendendo integralmente os interesses de mais de sessenta mil professores das escolas públicas estaduais. Por isso, o novo modelo sofreu e sofre resistência por parte de professores e gestores que alegam desconhecer a proposta e de não se sentirem capacitados para realizar os pressupostos que regem o modelo de Ensino Politécnico.

Esta é uma dificuldade previsível, na medida em que a unanimidade é improvável em uma sociedade livre e multicultural, e também pela história da gestão da educação no estado do Rio Grande do Sul, que incluiu sempre forte oposição dos professores a mudanças propostas pela Secretaria de Educação. Entretanto, como a implantação da proposta em cada escola depende democraticamente de uma decisão das direções, percebe-se que gradualmente a rejeição diminui e mais e mais escolas se apropriam das concepções propostas e se engajam em projetos voltados a atender tais concepções.

Nessas escolas ocorrem mudanças na organização tornando-se regra que as reuniões tenham pautas realmente pedagógicas. É o caso de duas escolas da zona sul de Porto Alegre que desenvolvem atividades interdisciplinares a partir de temas geradores e dos interesses dos alunos. Uma das escolas procura despertar nos educandos a consciência do meio ambiente por meio do educar pela pesquisa aplicado ao tema sustentabilidade, sobre o qual os alunos se articulam e encontram meios que contribuam para a escola ser mais sustentável. O projeto estimula a participação coletiva, estendendo-se à comunidade escolar.

A outra escola, também localizada na região sul da capital, investe na curiosidade dos alunos como meio para a resolução de problemas. A pesquisa é o ponto motivador da busca pelo conhecimento, e é incentivada nos três anos do Ensino Médio, cujo currículo foi aperfeiçoado para oferecer o embasamento necessário para os jovens pesquisadores. Foram instituídas disciplinas de produção de texto, elaboração de projetos de pesquisa e subsídios matemáticos para a pesquisa. Essas mudanças foram implantadas de forma que o aluno, ao concluir o ensino médio, seja um sujeito mais autônomo, mais responsável socialmente, mais criativo e mais crítico. Para isso, as atividades de pesquisa foram divididas ao longo

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

dos três anos do ensino médio, de modo que o crescimento intelectual do estudante seja refletido na sua pesquisa.

Promover o aluno de ouvinte a pesquisador é revolucionário, pois oferece a ele a oportunidade de aprender a aprender. Essa ação é capaz de transformar um estudante de um simples reprodutor de teoremas, fórmulas e regras em um cidadão que sabe posicionar-se criticamente perante a sociedade em que está inserido.

## Considerações Finais

A utilização do Educar pela Pesquisa e a interdisciplinaridade, defendidas pelo novo modelo de Ensino Médio Politécnico, a partir de 2012 e que em 2014 encontra sua total implantação, está fortemente embasado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (Lei 9394/96). Por meio da educação pela pesquisa e da interdisciplinaridade o projeto procura aplicar os pressupostos da não diretividade e instrumentalizar os estudantes a tornarem-se agentes do seu aprendizado, a serem capazes de refletir, dialogar e dividir suas aprendizagens. Assim, os professores também são convidados a repensar os seus papéis na sala de aula, perguntando-se em que medida ainda é necessário que tenhamos professores que 'ensinam o conteúdo'? Trata-se de um desafio para mudar as práticas pedagógicas e repensar os papéis de cada agente educacional. A tarefa de transmitir informações não tem mais espaço na escola da sociedade contemporânea, que exige um novo professor, o mediador. Neste novo modelo de ensino o professor mediador intermedia as aprendizagens dos estudantes, que podem acontecer das mais diferentes formas disponíveis na atualidade. Sendo assim, professor e aluno estão sendo convidados a repensar os seus papéis na nova escola, e o modelo de Ensino Médio Politécnico, proposto pela Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul, vem ao encontro dessas ideias.

## Referências

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases: LEI Nº 9.394/96, 20 de dezembro de 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil\_03/LEIS/l9394.htm Acessado em: 12 de jun., 2014.

CASTRO, M. H. G. de; TIEZZI, Sergio. A reforma do ensino médio e a implantação do Enem no Brasil. In: SCHWARTZMAN, S. M. C. Os desafios da educação no Brasil . Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.

CNE. Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica. Resolução nº 04, de julho de 2010 . Define Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para Educação Básica.

DEMO, P. Educar pela pesquisa . 7ª. ed. Campinas: Autores Associados, 2005.

FAZENDA, I. C. A. O que é Interdisciplinaridade? São Paulo: Cortez, 2008.

GALIAZZI, M. C.; MORAES, R. Educação pela pesquisa como modo, tempo e espaço de qualificação da formação de professores de ciências . Ciências & Educação, Vol. 8, n° 2, 2002.

GALIAZZI, M. C. O professor na sala de aula com pesquisa. In: Pesquisa em sala de aula : tendência para a educação em novos tempos. Moraes, R.; Lima, V. M. do R. EdiPUCRS, 3ª ed., 2012.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

RIO GRANDE DO SUL. Secretaria Da Educação. Proposta Pedagógica para o Ensino Médio Politécnico e Educação Profissional Integrada ao Ensino Médio 2011-2014. Disponível em:

<http://www.educacao.rs.gov.br/dados/ens\_med\_proposta.pdf>. Acessado em: jun. 2014.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.