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Proposta de uso do "Espelho de Lloyd" como método de ensino de Óptica no Ensino Médio

Matheus De Araújo Cavalcante, Eriverton Da Silva Rodrigues

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
24/01/2013
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## PROPOSTA COM USO DO 'ESPELHO DE LLOYD' COMO MÉTODO DE ENSINO DE ÓPTICA NO ENSINO MÉDIO

## Matheus de Araújo Cavalcante¹, Eriverton da Silva Rodrigues²

1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, Campus Campina Grande.

Email: suehtamacv@gmail.com

2 Instituto Federal do Sertão Pernambucano, Campus Salgueiro.

Email: erivertonr@hotmail.com

## Resumo

Este trabalho propõe um método de ensino de Óptica, especialmente de interferência, em aulas de Física no Ensino Médio. Inserindo-se na discussão entre os físicos do século XVII entre o modelo corpuscular e o modelo ondulatório para a natureza da luz, esta experiência permite conseguir um padrão de interferência para a luz, o que condiz com o modelo ondulatório. O Espelho de Lloyd, destaca-se por permitir uma conexão ímpar entre a Óptica Geométrica e a Óptica Física, e por ser bem mais simples que a 'Experiência da Dupla-Fenda de Young'. Nessa experiência, foi observado interferência entre um feixe de luz advindo diretamente da fonte e o advindo após uma reflexão especular. Subsequentes medições do comprimento de onda da luz resultaram em valores próximos a 700 nm, que tomando em consideração a simplicidade da experiência, é uma concordância razoável com a realidade. Conclui-se ser tal experiência uma forma promissora, simples porém malaproveitada de demonstrar a interferência da luz em salas de aula.

Palavras-chave : Óptica; Ensino de Física; Espelho de Lloyd.

## 1. Introdução

Nos primórdios do ser humano a luz era um fenômeno de origem desconhecida e obscura, de forma que várias teorias foram desenvolvidas para determinar o que era e como se propagava. Essa questão foi, ao menos para a época, bem respondida por Maxwell, quando unificou a Eletricidade e o Magnetismo, descobrindo com sua teoria a existência de ondas eletromagnéticas. Ao descobrir que a luz era uma onda eletromagnética Maxwell, portanto, reuniu a Eletricidade, o Magnetismo e a Óptica em uma teoria consistente, conseguindo responder satisfatoriamente a questão da natureza da luz.

## 1.1 Modelos para a Natureza da Luz

Sempre houve muita curiosidade quanto à luz: o que é, como se propaga, como é gerada. Dois modelos principais foram propostos no século XVII para explicar a natureza da luz. Um dos modelos - o corpuscular - dizia que a luz era composta por pequenas partículas emitidas pela fonte luminosa. Com esta premissa, pode-se demonstrar a lei da reflexão ao se assumir que as partículas colidem elasticamente com a superfície de reflexão. Também pode se demonstrar a lei da

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20 a 25 de janeiro de 2013

refração - as partículas do meio atrairiam as partículas de luz, que mudariam sua velocidade e direção (o modelo previa que a velocidade da luz no meio era maior que no vácuo). Isaac Newton usualmente é creditado como o grande defensor desta teoria. De fato, em sua obra 'Ótica' Newton sugere este modelo, mas não o faz absolutamente ao usar a palavra 'talvez' (PIRES, 2011). Mas também foi Newton que escreveu, na questão 29 desse mesmo livro:

Um fluido denso não pode ter utilidade para explicar os fenômenos da natureza, sem ele os movimentos dos planetas e cometas são melhores explicados […] E, sendo ele descartado, as hipóteses que a luz consiste numa pressão em um meio como esse são igualmente descartadas. 1

O outro modelo para a natureza da luz era o ondulatório, que teve sua primeira grande contribuição no 'Tratado Sobre a Luz' de Huygens, publicado pela primeira vez em 1690. A onda de luz se propagaria no chamado éter luminífero, cuja origem também causou grandes discussões posteriores, que fogem ao escopo deste trabalho. Ele também formula o Princípio de Huygens, com o qual é possível explicar a reflexão e a refração da luz a partir de argumentos ondulatórios. Este modelo por sua vez previa que a velocidade da luz em um meio físico deve ser menor que no vácuo, uma previsão contrária ao modelo corpuscular.

Em 1850 Foucalt e Fizeau mediram efetivamente a velocidade da luz em diferentes meios, entre eles a água, e constataram que esta era efetivamente menor que no vácuo, sendo este considerado um argumento decisivo a favor da teoria ondulatória (NUSSENZVEIG, 1998). Entretanto, até essa época diversas observações de fenômenos fizeram com que a teoria ondulatória fosse triunfante. Entre estas observações destacam-se as experiências de Thomas Young e Augustin Fresnel, respectivamente quanto aos fenômenos tipicamente ondulatórios da interferência e difração. Neste trabalho será abordado a interferência.

## 1.2 Interferência

No estudo das propriedades de ondas e partículas foi visto que certos fenômenos são caracteristicamente ondulatórios, como dito anteriormente. Se o modelo ondulatório para a luz estivesse correto, deveria ser possível observar fenômenos como o de interferência usando a luz. No entanto, esses fenômenos possuem uma dependência direta com o comprimento de onda, que para a luz visível tem um valor típico de 0.5 μ m , o que torna a observação desse fenômeno complicada.

Um experimento fundamental, o primeiro a visualizar um padrão de interferência com a luz, foi realizado em 1801 pelo físico, médico e egiptólogo Thomas Young. Ele conseguiu de forma criativa assegurar que as duas fontes emitiam ondas em fase, condição importante para a interferência (FREEDMAN, 2011). Após o experimento, a corrente que defendia o modelo corpuscular perdeu

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muita força e o modelo ondulatório se tornou padrão, ao menos até as teorias quânticas que não serão discutidas aqui.

- O dispositivo experimental utilizado por Young já foi extremamente discutido na literatura especializada, e não cabe aos propósitos deste trabalho uma nova revisão sobre o mesmo. Convém lembrar, entretanto, as condições de interferência construtiva e destrutiva para esta experiência.
- O dispositivo experimental utilizado por Young é mostrado na Figura 1. Uma fonte monocromática F emite luz; contudo essa luz não é apropriada para o experimento de interferência pois ela não tem coerência, que é obtida fazendo a luz passar por uma pequena fenda. Algumas versões modernas da experiência utilizam o laser como fonte de luz, a qual é naturalmente coerente, o que elimina a necessidade dessa primeira fenda. A luz proveniente desta fenda passa então por duas fendas muito próximas (anteparo A ). Como a distância até essas fendas até F é a mesma a luz incide em fase sobre elas, ou seja, são coerentes. A visualização do padrão de interferência é feita em um anteparo O , que é iluminado com mais intensidade nas áreas onde ocorre interferência construtiva.

A interferência construtiva ocorre para os pontos onde a diferença de caminho Δ entre as duas fontes seja múltiplo inteiro de comprimentos de onda λ . Ou seja, as regiões brilhantes sobre o anteparo ocorrem para os ângulos θ que obedecem à seguinte relação:

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Já a interferência destrutiva ocorre para os pontos onde a diferença de caminho Δ seja um múltiplo semi-inteiro de comprimentos de onda. Ou sejam as regiões escuras sobre o anteparo ocorrem para os ângulos θ que obedecem à seguinte relação:

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## 2. Espelho de Lloyd

A experiência chamada Espelho de Lloyd foi primeiramente descrita pelo físico Humphrey Lloyd em 1834, quando o mesmo era presidente da Academia Real de Ciências Irlandesa. Ele a descreveu também no seu livro Elementary Treatise on the Wave-Theory of Light , conforme a seguinte citação:

'O fenômeno da interferência é mostrado de uma forma notável através da ação mútua de luz direta e refletida; o experimento nesta forma é mais manejável que o de Fresnel. Somente temos que usar um pedaço de vidro plano, ou um refletor metálico, e o colocar em uma posição tal que os raios divergindo da fonte luminosa são refletidos em um ângulo próximo a 90º. Um anteparo colocado do outro lado receberá tanto os raios diretos quanto os refletidos; e quando eles se encontram em certo ângulo, e com seus caminhos ópticos diferindo de uma pequena quantidade, eles estão em condição de interferir.' (LLOYD, 1873, pág. 90. Tradução livre)

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Esse experimento é uma forma mais simples de se obter um padrão de interferência com a luz que o experimento de Young. Usando apenas uma fonte luminosa coerente, como um laser, e um espelho o padrão é visualizado no anteparo. Um esquema do Espelho de Lloyd pode ser visto na Figura 1.

Uma fonte luminosa F é colocada muito próxima a uma superfície refletora. Sendo um ponto no anteparo A , a luz proveniente da fonte pode chegar a este ponto tanto por um caminho 'direto' quanto por um caminho que reflete pelo espelho. A diferença entre os comprimentos desses percursos indica que os diferentes feixes estão em condição de interferir. Deve-se lembrar que quando o feixe é refletido sua

fase é defasada em π rad , ou λ 2

.

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O resultado é que o experimento com o espelho é análogo a existência de uma fonte virtual F' emitindo raios defasados de π rad em relação à F . Um novo esquema encontra-se na Figura 2.

Figura 2 -Esquema do Espelho de Lloyd, evidenciando fonte virtual

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O que é muito semelhante ao experimento de Young, embora neste apenas seja observada a metade superior das franjas de interferência (devido ao obstáculo imposto pelo próprio espelho). Outra diferença em relação à de Young é que a defasagem adicional de π rad acarreta que os máximos na experiência da dupla fenda sejam os mínimos no espelho de Lloyd, e vice-versa. A distância R entre as franjas adjacentes é facilmente calculável, e é dada por:

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onde D é a distância entre a distância entre as fontes e o anteparo.

## 3. Metodologia

A experiência do Espelho de Lloyd é muito simples, assim como os materiais utilizados em sua execução. A fonte de luz utilizada foi um laser diodo , comumente encontrado na forma de 'canetas para apresentações' por um preço muito acessível. O comprimento de onda da luz emitida por este laser de baixo custo não é muito estável e tem uma grande largura de faixa, variando desde 630nm (vermelho) até 780nm (infravermelho próximo). Entretanto foi o suficiente para a observação de um padrão de interferência, embora as medidas tivessem sua precisão comprometida devido à imprecisão intrínseca do laser.

Apesar do nome da experiência sugerir o uso de um espelho, o seu uso pode causar imprecisões. Conforme Cattelli e Lazzari, os espelhos têm uma camada de vidro sobre a sua superfície refletora e, dependendo do ângulo de incidência, a luz proveniente do laser refletirá tanto neste vidro quanto na superfície metálica refletora (2004). Recomenda-se utilizar apenas vidro.

Quanto a montagem do experimento em si, uma opção é a construção de suportes de madeira para o laser e o espelho, tendo em vista a sensibilidade do experimento às vibrações, como especificado no artigo de Catelli. Neste trabalho foi utilizado uma versão mais barata do experimento, sem a utilização de suportes, fazendo uso de um prendedor adesivo facilmente encontrado em lojas de materiais de construção por um preço módico. É esse mesmo prendedor que mantém o laser ligado sem a necessidade de proximidade do operador. O vidro fica apoiado sobre

Figura 3 -Montagem experimetal do Espelho de Lloyd

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uma mesa. Um exemplo de tal montagem encontra-se na Figura 3.

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Para a realização das medições, a distância entre a o vidro e o anteparo D - é facilmente mensurada com uma trena ou régua. A visualização do padrão de interferência foi realizada em um anteparo a alguns metros do conjunto laser -vidro. O ângulo que o laser faz com o vidro e a distância vertical a qual está do mesmo podem ser mais facilmente manipuladas que com o uso de um suporte de madeira. Esta distância vertical d - foi mais facilmente mensurada com uma régua, e deve ser medida a partir da superfície do vidro, desconsiderando sua espessura. Essa aproximação é razoável pois, conforme Catelli e Lazzari, para um ângulo de π rad

incidência (medido a partir da normal) próximo de 2 a luz é quase completamente refletida e pouca luz é transmitida através da interface.

Para a determinação do comprimento de onda de luz foi determinada também a separação entre as franjas no padrão. Comumente elas estão separadas por uma pequena distância, de forma que é mais prático contar quantas franjas aparecem por centímetro e a partir daí encontrar a separação entre as franjas, numericamente igual ao inverso do número de franjas por centímetro.

## 4. Resultados

As franjas de interferência observadas no anteparo tiveram o seguinte aspecto:

Figura 4 -Aspecto geral das franjas de interferência observadas

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Foram realizadas para essa experiência quatro medições, variando tanto a distância entre o laser e o vidro quanto a distância entre o conjunto laser -vidro até o anteparo. Durante a realização da experiência verificou-se ser difícil medir com maior precisão a distância d - por tal motivo, a mesma foi medida apenas uma vez e fixada em 1mm . Enfim, evidenciando o comprimento de onda na equação 3, obtémse:

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Os resultados destas medições encontram-se na Tabela 1, que pode ser vista a seguir. Também encontram-se na tabela a média aritmética, o desvio-padrão das medições e o coeficiente de variação.

Tabela 1 - Medições do comprimento de onda realizadas

Os dados encontrados para a média do comprimento de onda são muito próximos do esperado, lembrando da variação do comprimento de onda intrínseca ao laser diodo. Observa-se também que o coeficiente de variação, que é uma variável estatística que mede a dispersão das medições em torno do valor central, tem um valor razoavelmente pequeno, o que embasa o fato que as medidas do comprimento de onda estão pouco dispersas e aproximam-se do valor central.

Tendo em vista os resultados encontrados e a simplicidade da experiência, que pode ser montada em alguns minutos e que requer apenas materiais acessíveis, considera-se o Espelho de Lloyd como uma forma interessante de divulgar - e surpreender - os alunos com as franjas de interferência. E é a mesma experiência que permite também aos mesmos medir facilmente o comprimento de onda da luz, que pela sua ordem de grandeza pequena pode parecer intangível a um aluno de ensino médio que constantemente é confrontado com ensino exclusivamente teórico.

## Referências

CATTELI, F.; LAZZARI, F. Interferência da luz: Uma versão simplificada do Espelho de Lloyd . A Física na Escola, 2004.

FREEDMAN, R. A.; YOUNG, H. D. Ótica e Física Moderna . 10ª ed. São Paulo: Pearson Addison-Wesley, 2004. (Física, v. 4).

LLOYD, H. Elementary Treatise on the Wave-Theory of Light . Londres: Longmans and Green, 1873. Disponível em

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&lt;http://archive.org/stream/elementarytreat03lloygoog#page/n110/mode/2up&gt;. Acesso em 10 jan. 2012.

NUSSENZVEIG, H. M. Óptica, Relatividade, Física Quântica . São Paulo: Editora Blucher, 1998. (Curso de Física Básica, v. 4).

PIRES, A. S. T. Evolução das Ideias da Física. 2ª ed. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2011.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.