AVALIAÇÃO DE AUDIOVISUAIS DE FÍSICA PRODUZIDOS POR ALUNOS DO ENSINO MÉDIO
Eduardo Vieira De Rezende, Alessandra Riposati Arantes
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 24/01/2013
- Linha de pesquisa
- Tecnologia Da Informação E Comunicação
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## AVALIAÇÃO DE AUDIOVISUAIS DE FÍSICA PRODUZIDOS POR ALUNOS DO ENSINO MÉDIO
Autor: Eduardo Vieira de Rezende Co-autor: Dra. Alessandra Riposati Arantes
Programa de Pós - Graduação em Ensino de Ciências Exatas - PPGECE Universidade Federal de São Carlos - UFSCar
## Resumo
Nas últimas décadas, os avanços tecnológicos estão cada vez mais presentes no cotidiano dos nossos alunos em todas as faixas etárias e, com o intuito de motivá-los nos estudos da Física, muitos professores têm solicitado a seus estudantes a produção de audiovisuais sobre o conteúdo abordado em sala de aula. Os resultados presentes na literatura mostram que a produção de audiovisuais pelos alunos traz resultados satisfatórios, porém, os critérios de avaliação destes audiovisuais não são bem definidos entre os autores. Os critérios adotados na avaliação de um audiovisual devem ser sistematizados de maneira a facilitar o trabalho do professor, ou seja, ajudar o professor a realizar uma avaliação tanto técnica em relação à linguagem quanto conceitual sobre o conteúdo abordado. O processo de avaliação de um audiovisual não é um processo 'absoluto', de momento, mas sim um processo progressivo, ou seja, o professor analisa se o audiovisual produzido é eficaz no processo de ensino e aprendizagem da Física, tanto matemático, como, principalmente, conceitual.
Palavras - chave: tecnologias - audiovisual - avaliação
## Introdução
'A escola precisa exercitar as novas linguagens que sensibilizam e motivam os alunos, e também combinar pesquisas escritas com trabalhos de dramatização, de entrevista gravada, propondo formatos atuais como um programa de rádio uma reportagem para um jornal, um vídeo, onde for possível. A motivação dos alunos aumenta significativamente quando realizam pesquisas, onde se possam expressar em formato e códigos mais próximos da sua sensibilidade. Mesmo uma pesquisa escrita, se o aluno puder utilizar o computador, adquire uma nova dimensão e, fundamentalmente, não muda a proposta inicial'. (MORAN, 2007)
Nas últimas décadas as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) têm se tornado cada vez mais presentes no cotidiano de todas as classes sociais. Com a diminuição dos custos dos aparatos tecnológicos, como computadores, tablets e smartphones , esses têm sido adquiridos pela grande maioria da população. Entretanto, as escolas não têm acompanhado esse desenvolvimento e por consequência, não conseguem oferecer um ambiente atrativo para os estudantes que na maioria das vezes, são dependentes dessas tecnologias. Professores, por sua vez, procurando utilizar esses recursos no dia a dia escolar, passam a elaborar estratégias que possam tornar as aulas tradicionais de Física mais atrativas, como pode ser encontrado no trabalho de PEREIRA e BARROS (2008) com 66 alunos do ensino médio que produziram audiovisuais de curta duração sobre atividades experimentais desenvolvidas nas aulas tradicionais de laboratório de Física. Os autores concluíram que a estratégia é vantajosa não somente pelo caráter conjuntural e motivacional, mas principalmente pelos aspectos recursivo-reflexivo e experimental-tecnológico que favorecem a cognição .
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20 a 25 de janeiro de 2013
Entretanto, a produção de um audiovisual pelos alunos é algo novo no ambiente escolar. A primeira referência a essa estratégia metodológica foi encontrada no trabalho de MORAN (1995), um dos primeiros a escrever sobre a utilização de vídeos na sala de aula e apontar parâmetros para sua utilização e até mesmo produção. Audiovisual é uma gravação de imagens em movimento que visa explicar o conceito abordado pelos alunos e permite que os mesmos compreendam conceitos físicos de maneira sensitiva e não apenas cognitiva. Através da elaboração de audiovisuais, o professor cria novas tendências metodológicas; estas, por sua vez, causam um impacto positivo entre os alunos, pois despertam um maior interesse científico e interdisciplinar na abordagem de conteúdos em sala. Segundo MORAN, a linguagem audiovisual desenvolve múltiplas atitudes perceptivas: solicita constantemente a imaginação e reinveste a afetividade com um papel de mediação primordial no mundo, enquanto que a linguagem escrita desenvolve mais o rigor, a organização, a abstração e a análise lógica .
Os resultados presentes na literatura mostram que os critérios de avaliação de audiovisuais não são bem definidos (GOMES, 2008 e CABERO, 1998). Existe um consenso de que a avaliação pode ser feita analisando a técnica e estratégias envolvidas, levando em consideração as seguintes dimensões: trabalho em grupo, interação entre os grupos, abordagem do conteúdo, ritmo, imagens, entre outros aspectos. Quando se trata de um trabalho audiovisual, não devemos esquecer o critério relacionado às qualidades científica e técnica, adequadas às necessidades previstas no conteúdo abordado.
Nesse sentido, este trabalho tem como proposta utilizar como ferramenta pedagógica a introdução de conceitos de termologia através da produção de audiovisuais pelos próprios alunos e, a partir destes, criar um guia de avaliação que auxilie o professor nos critérios a serem considerados no processo de avaliação de um audiovisual.
## A Pesquisa
Esse trabalho surgiu a partir de uma motivação para tornar a Física um assunto mais atrativo para os alunos e, ao mesmo tempo, utilizar as novas tecnologias como estratégia para facilitar a compreensão dos conceitos físicos da Termologia, que está muito presente no nosso dia-a-dia. Para isso foi solicitado que estudantes produzissem audiovisuais com seus celulares ou câmeras digitais.
Para esta pesquisa foram produzidos e avaliados 11 trabalhos de audiovisuais de 23 alunos do 2º ano do ensino médio do Colégio Dom Inácio Unidade II, situada na cidade de Guaxupé, MG. A produção de audiovisuais foi proposta utilizando uma metodologia investigativa. Os alunos foram divididos em grupos, ficando a escolha a critério dos próprios alunos. O trabalho foi dividido nos seguintes passos:
- 1 - Apresentação dos temas estudados em Termologia. Aulas teóricas foram ministradas utilizando a metodologia tradicional.
- 2 - Depois de trabalhado o conteúdo, cada grupo escolheu um tema para desenvolver o seu audiovisual;
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- 3 - Escolhido o tema, cada grupo elaborou um roteiro onde deveria colocar todos os tópicos a serem utilizados na filmagem e edição do audiovisual;
- 4 - Elaborado e corrigido o roteiro, começou a montagem do audiovisual;
- 5 - O produto final foi o audiovisual completo, podendo apresentar diferentes formatos como entrevistas, montagem de experiências, edição de vídeos, teatro, etc.
Todos os passos citados acima foram avaliados. O professor procurou auxiliar os alunos durante todo o processo de desenvolvimento, identificando impasses e buscando soluções.
## Desenvolvimento do Roteiro
- O roteiro é um documento narrativo utilizado como base para a elaboração do audiovisual, contendo a ordem dos conteúdos apresentados e, sua elaboração, permite que se saibam quais serão as filmagens que serão feitas. O roteiro deve conter a íntegra do audiovisual e pode ser dividido em cenas numeradas, que descrevem os personagens e os cenários. Deve incluir todos os diálogos, com indicações para os atores quanto à entonação da voz e à atitude corporal.
Em vista da metodologia adotada para a elaboração do trabalho, propomos um roteiro possuindo os seguintes tópicos:
- 1- Instituição: Nome da instituição de ensino em que o aluno está matriculado.
- 2 - Integrantes: Os nomes dos alunos que compõem o grupo.
- 3 - Série: Qual a série em que os alunos estão matriculados dentro da instituição.
- 4 -Tema escolhido: Qual o assunto escolhido pelo grupo para a realização do trabalho, de acordo com o proposto pelo professor em sala de aula.
- 5 - Argumentos para a escolha do tema. O grupo justifica a escolha do tema; por que o tema escolhido é importante para o trabalho e o grau de relevância no cotidiano.
- 6 - Personagens: Caso o trabalho utilize personagens fictícios para a elaboração do audiovisual, o grupo deverá descrevê-los, juntamente com suas respectivas funções.
- 7 - Ambiente de gravação: Muitos audiovisuais necessitam de um lugar específico. O grupo deve descrevê-lo, justificando a sua utilização.
- 8 - Tempo estimado do vídeo: Os alunos devem levar em consideração que os audiovisuais produzidos terão curta metragem.
- 9 - Formato: Os grupos devem escolher o formato, podendo utilizar entrevistas, reportagem, documentário, situações-problema, entre outros.
- 10 - Data e local da produção: Fica a critério do grupo, de acordo com os prazos determinados pelo professor.
- 11 - Estrutura do conteúdo: Depois do tema escolhido os grupos devem descrever como os conceitos de Termologia a serem abordados serão apresentados no audiovisual.
- 12 - Conclusão: Neste momento os grupos verificam se a estrutura do roteiro atende os conceitos de Termologia a serem explicados, e elaboram uma conclusão parcial.
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De posse do roteiro o professor deve estabelecer os critérios de avaliação. A avaliação deve ser feita em várias etapas, não apenas no produto final, pois o aluno se torna investigador a partir da elaboração dos roteiros. A seguir, apresentamos alguns critérios que podem ser levados em consideração na avaliação do roteiro.
- 1 Quanto ao conteúdo do roteiro podemos analisar os seguintes aspectos: os conceitos prévios dos alunos, o comprometimento dos alunos com os termos científicos adequados ao tema escolhido, à clareza, a contextualização, a escrita do roteiro e, principalmente, se quantidade de informação contida no roteiro é suficiente para o entendimento do conteúdo abordado.
- 2 - Quanto às características linguísticas do texto, ou seja, se a linguagem é coerente com o público alvo e os diálogos são pertinentes,.
Após a elaboração e avaliação do roteiro, partimos para a avaliação do audiovisual concluído.
## Produto Final
Depois da avaliação do roteiro, inicia-se o processo de avaliação do produto final, que deve ser feita observando os critérios de interação entre os conceitos descritos no roteiro e o audiovisual finalizado. Neste momento, o professor pode levar em consideração os seguintes critérios:
- 1 - Interação entre conteúdo visual e conceitos físicos: Neste ponto, o professor deve observar se os conceitos abordados e o visual (experimentos, imagens, entre outros) interagem de maneira significativa, visando realmente explicar o tema e os conceitos abordados pelo grupo.
- 2. Audio de música e efeitos sonoros: Caso o audiovisual elaborado possua estas características, podemos avaliar os seguintes tópicos: o tipo de música utilizada é adequado ao conteúdo abordado, ou seja, se interage com o conteúdo ou é apenas do 'gosto' pessoal dos alunos; se o vídeo possui uma linguagem clara e possui informações que explicam o conceito abordado.
- 3. Quanto às interações: A avaliação das interações entre som, imagens e linguagem pode ser avaliada observando as interações mais criativas e significativas do ponto de vista artístico, relacionando elementos visuais, textuais e sonoros; a montagem da narração e a inclusão de elementos que destacam o que se quer explicar e observar se o tempo duração do audiovisual é suficiente para explicação do conteúdo trabalhado.
- O processo de avaliação deste trabalho é um processo continuado, pois deve ser observado desde a abordagem do conteúdo apresentado pelo professor em sala até o seu produto final.
## Resultados
Este trabalho teve início no primeiro semestre de 2011 com alunos do 2º ano do ensino médio. Foi pedido aos alunos que elaborassem um roteiro que
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abordasse temas estudados nas aulas teóricas sobre Termologia, posteriormente eles deveriam produzir um audiovisual. Lançada a proposta houve a divisão dos alunos em grupos contendo no máximo três alunos. Os alunos tiveram liberdade na escolha- dos tópicos de Física dentro do tema Termologia que foi trabalhado em sala.
Na tabela 1 abaixo, podemos observar os tópicos escolhidos por cada grupo, totalizando 11 trabalhos.
Tabelas 1 - Grupos e os respectivos temas escolhidos
Escolhidos os tópicos de Física, os alunos começaram a trabalhar os roteiros, para isso, foram gastos duas aulas para definição dos itens julgados relevantes para a elaboração do audiovisual. Na elaboração do roteiro, verificamos que a maioria dos grupos preocupou-se em apresentar os conceitos de Termologia corretamente. Para isso, eles foram além ao apresentado em sala de aula e procuraram mais informações na internet. Nessa etapa do trabalho pudemos perceber que os alunos tiveram dificuldades em encontrar sites confiáveis. Uma minoria dos alunos, não conseguiu trabalhar corretamente os conceitos físicos, além disso, teve dificuldades na produção do texto do roteiro.
Durante as aulas teóricas, tivemos uma preocupação em descobrir os conhecimentos prévios dos alunos. De maneira geral, a maioria não trazia consigo muitos conceitos errados. Verificamos nos roteiros o amadurecimento das ideias científicas acerca do conteúdo de Termologia. Acreditamos que tal evolução tenha ocorrido por conta das pesquisas realizadas para a produção do audiovisual.
Vale mencionar que o processo de elaboração dos audiovisuais levou os alunos a assumirem uma postura investigativa, dessa forma, deixaram de ser agentes passivos e passaram a ser agentes ativos no processo ensinoaprendizagem. Esta postura investigativa foi observada também durante as aulas teóricas, pois os alunos adotaram uma postura questionadora e participativa. Além disso, a interação aluno-professor e aluno-aluno foi beneficiada com a elaboração dos audiovisuais, pois, os alunos tiveram que se unir para concluir o produto final.
Quanto à análise dos audiovisuais finais, observamos na maioria dos trabalhos uma sintonia entre os conceitos físicos e o conteúdo visual e que os audiovisuais foram muito criativos. Porém, alguns grupos, mesmo corringindo os
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erros conceituais de Física nos roteiros, os mantiveram no produto final. Em um dos trabalhos, os efeitos sonoros se sobressaíram aos conceitos físicos. No geral, os grupos apresentaram uma excelente interação entre conceitos físicos, linguagem, imagens e som.
No final do semestre, o processo de avaliação ocorreu através da utilização dos critérios já citados anteriormente, ficando cada grupo responsável pela postagem do audiovisual em redes sociais, assim, respeitando os direitos de imagens. A avaliação deste trabalho teve conceito total de 6,0 pontos, sendo distribuídos da seguinte maneira:
- - 3,0 pontos: avaliação do roteiro a partir dos critérios adotados;
- - 3,0 pontos: avaliação do audiovisual produzido levando em consideração os critérios adotados.
De posse destas observações, elaboramos a tabela 2 abaixo, onde apresentamos um resumo dos resultados das avaliações dos roteiros e do produto final (audiovisual) e seus respectivos conceitos:
Tabela 2 - Conceitos atribuídos
## Conclusões
Neste trabalho, concluímos que a avaliação da produção de um audiovisual pela estratégia adotada foi produtiva. Durante a elaboração dos audiovisuais pelos alunos percebemos uma maior interatividade entre aluno-
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professor e aluno-aluno. Essa nova dinâmica ocorreu porque o ambiente em sala de aula ficou mais próximo do cotidiano dos alunos.
Observamos também, durante o desenvolvimento do trabalho, a importância da avaliação do audiovisual desde sua elaboração até o produto final, o que não é uma tarefa simples, pois além do tempo, esta requer que o professor tenha um vasto conhecimento prático e teórico que por sua vez, devem incluir noções da linguagem audiovisual. Os critérios adotados nesse trabalho mostraram-se eficientes para avaliar os audiovisuais produzidos pelos alunos. Concluimos também que a produção dos audiovisuais auxiliou os alunos a adquirir uma postura investigativa sobre o conteúdo abordado.
## Referências
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MORAN, José Manuel. Como utilizar a Internet na educação. Revista Ciência da Informação, Vol 26, n.2, maio-agosto 1997, pág. 146-153. Disponível em: http://bit.ly/NbaBzb. Acesso em: 03 de janeiro de 2012.
MORAN, José Manuel. As mídias na educação. São Paulo: Paulinas, 2007. Disponível em: http://bit.ly/MVD1D8. Acesso em: 06 de fevereiro de 2012.
PEREIRA, Marcus Vinicius; BARROS, Susana de Souza. Análise da produção de vídeos por estudantes como estratégia alternativa de laboratório de física no Ensino Médio. Revista Brasileira de Ensino de Física, v.32, n.4, São Paulo, 2010. Disponível em: http://bit.ly/OX788P. Acesso em: 02 de março de 2012.
VICENTINI, Gustavo Wuergers; DOMINGUES, Maria José Carvalho de Souza. O uso do vídeo com instrumento didático e educativo em sala de aula. XIX
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ENANGRAD, Curitiba, 2008. Disponível em: http://bit.ly/SADwiG. Acesso em: 29 de julho de 2012.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.