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LIVROS DIDÁTICOS DE FÍSICA: INSTRUMENTOS PARA SUA ANÁLISE E AVALIAÇÃO

Dilcelia Cristina Bruch Trebien, Nilson Marcos Dias Garcia

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
24/01/2013
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## LIVROS DIDÁTICOS DE FÍSICA: INSTRUMENTOS PARA SUA ANÁLISE E AVALIAÇÃO

Dilcelia Cristina Bruch Trebien 1* , Nilson Marcos Dias Garcia 2**

1

UTFPR, dc.trebien@advir.com

2 UTFPR-DAFIS/PPGTE e UFPR-PPGE, nilson@utfpr.edu.br

## Resumo

Ao escolher um livro proposto pelo PNLD, é necessário que a análise feita pelo professor seja realizada de forma crítica e consciente, observando características dos livros e seguindo critérios bem estabelecidos e adequados, de forma que o livro escolhido estabeleça um diálogo com a realidade da escola e seu projeto pedagógico. O livro assim escolhido possibilitará ao professor melhores condições para o seu trabalho em sala de aula. Há que se considerar, entretanto, que, dentre os diversos problemas nessa avaliação, um deles diz respeito à existência de poucos instrumentos que auxiliem o professor nessa importante tarefa. Visando suprir essa lacuna, o presente trabalho, resultado de investigação documental e bibliográfica, apresenta um instrumento de avaliação de livros didáticos de Física, elaborado a partir da observância do que é proposto pelos documentos normativos e apontado pelo PNLD EM e também pelo que tem sido apresentado como resultados de investigações realizadas no âmbito das pesquisas em Ensino de Física. Apoiado em pressupostos presentes nos atuais debates sobre o ensino de Física, os quais também são apontados pelos documentos normativos, e pelo Edital e Guia do Professor do PNLD EM, o instrumento de análise pretende verificar a presença de aspectos nos livros que, quando presentes, podem contribuir para a melhora do ensino. As questões constantes do instrumento foram elaboradas a partir de resultados de pesquisas descritas em textos acadêmicos (artigos, teses e dissertações) e das considerações dos Guias de Materiais Didáticos do PNLDEM e a sua validação está sendo feita por professores de Física do Ensino Médio.

Palavras-chave : Manuais didáticos, Análise de manuais didáticos, PNLDEM

## Introdução: elementos de referência para a análise de livros didáticos

Ao realizar a análise de um livro didático, deve-se levar em consideração aspectos que privilegiem a forma, o conteúdo, a proposta pedagógica, a precisão e correção conceitual, verificando se atendem o que é solicitado pelos documentos normativos. Considerando que a análise dos materiais curriculares a ser utilizado no trabalho docente é uma atribuição do professor, Aran (1996) expõe que a análise deve ser realizada de maneira formal e sistemática, e destaca que há a

necessidade de dispor de modelos de análise de materiais curriculares, numa perspectiva de aprendizagem significativa e funcional, dirigidos ao professor, para que este possa realizar uma avaliação formal e sistemática que o ajude a selecionar e a estabelecer critérios de uso dos materiais analisados. (p. 79)

- *

Bolsista de Iniciação Científica - CNPq

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20 a 25 de janeiro de 2013

Em sua obra 'Materiales curriculares: Cómo elaborarlos, seleccionarlos y usarlos' (ARAN, 1996), propõe critérios e apresenta uma proposta para analisar materiais curriculares. Ele indica que seu modelo destinou-se a materiais curriculares destinados a alunos e professores, tendo como objetivo auxiliar o docente quanto ao planejamento, desenvolvimento e avaliação do currículo. Expõe ainda que a avaliação do material didático auxilia a selecionar os que são mais adequados e a estabelecer critérios para a sua utilização em sala de aula e que um instrumento de análise deve ser de uso simples e permitir a realização dos níveis de análise segundo o grau de aprofundamento que se deseja.

Há que se considerar também que a análise de conteúdo é inerente ao ato de analisar um livro didático, tarefa a qual os professores precisam estar atentos e preparados, recorrendo, sempre que necessário, a conceitos presentes nas estratégias de análise de conteúdo, conforme o estabelecido, por exemplo, por Franco (2007). Em seu livro 'Análise de Conteúdo' a autora pondera que a análise de conteúdo 'pode ser considerada como um conjunto de técnicas de análises de comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição dos conteúdos das mensagens...' e que 'a intenção da análise de conteúdo é a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção e de recepção das mensagens, inferência esta que recorre a indicadores (quantitativos ou não)' (p. 20). Como, ao produzir inferências, a análise de conteúdo envolve no mínimo uma comparação, 'toda análise de conteúdo implica comparações; o tipo de comparação é ditada pela competência do investigador no que diz respeito a seu maior ou menor conhecimento acerca de diferentes abordagens teóricas' (franco, 2007, p. 25).

Outro elemento de referência está ligado ao respeito que deve existir aos aspectos legais e normativos, levando-se em consideração os vários documentos produzidos principalmente após a promulgação da LDB 9394/96, principalmente as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) e as Orientações Curriculares para o Ensino Médio, documentos que ressaltam vários aspectos fundamentais a serem observados no conteúdo e na metodologia das diversas disciplinas. Esses documentos trazem aspectos que precisam ser contemplados pelo livro didático para que a aprendizagem seja a mais efetiva possível, aspectos também presentes nas diversas discussões na área de Ensino de Física, e que têm sido também direcionadas ao livro didático, já que este é uma das principais ferramentas no trabalho docente.

## A análise e seleção de livros didáticos pelo PNLD EM

Com o início do Programa Nacional do Livro Didático, os livros didáticos passaram a ser distribuídos, a partir de 1985, a todos os alunos do Ensino Fundamental. Em 2004 esse programa foi estendido ao Ensino Médio (PNLD EM), permitindo que todas as disciplinas que compõem os currículos escolares fossem contempladas na distribuição de livros didáticos (GARCIA e NASCIMENTO, 2009). A distribuição dos livros didáticos pelo PNLDEM é feita com recursos públicos de grande monta, e são distribuídos os livros que passaram e foram aprovados por uma avaliação, coordenada pelo MEC, sendo esse processo regulado por editais, os quais levam em conta o que é indicado pelos documentos normativos. Esses editais, além de expor as condições necessárias para a produção dos livros didáticos e orientarem as editoras e autores, tecem considerações a respeito da educação, do

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ensino e do papel desempenhado pelo livro na vida do estudante, como, por exemplo, o exposto pelo Edital PNLD EM 2012, que pondera que nas atividades docentes

o livro didático assume um papel significativo. Com efeito, representa um objeto de cultura, produzido conforme um quadro de fundamentos teóricometodológicos e destinado a orientar as atividades do ensino escolar. Reúne, portanto, a indicação de um caminho e a explicitação das pistas de como atingir as metas pretendidas. Especificamente, em relação ao trabalho com as linguagens, o livro didático deve 'abrir' o interesse do aluno para questões bem mais amplas e relevantes socialmente.(p. 23)

Para fazer parte do Guia do Livro Didático, catálogo que apresenta os livros a serem distribuídos, os livros submetidos pelas editoras devem ter passado por diversas etapas. O catálogo do PNLD EM Física descreve que a

primeira fase consistiu de uma cuidadosa análise das obras inscritas pelas editoras. Esse processo começou com uma averiguação das especificações técnicas dos livros (formato, matéria prima e acabamento). Isso garante que os volumes (...) atendam aos critérios de qualidade estabelecidos pelo MEC. Em seguida, as obras passaram por uma detalhada avaliação dos aspectos conceituais, metodológicos e éticos. Essa etapa assegura que todas as obras listadas no catálogo - e que, portanto, poderão ser escolhidas por vocês - reúnam condições satisfatórias para serem usadas no trabalho pedagógico. (Catálogo do PNLD EM Física, 2009, p. 07).

Além dos livros, o Manual do Professor também é avaliado, levando em consideração que o

manual do professor não pode ser apenas cópia do livro do aluno com os exercícios resolvidos. É necessário que ofereça orientação teóricometodológica e de articulação dos conteúdos do livro entre si e com outras áreas do conhecimento; ofereça, também, discussão sobre a proposta de avaliação da aprendizagem, leituras e informações adicionais ao livro do aluno, bibliografia, bem como sugestões de leituras que contribuam para a formação e atualização do professor.(PNLEM 2012, EDITAL, p. 02).

- O Guia do Livro Didático traz resenhas elaboradas pelos avaliadores, constituindo-se num instrumento para atuar junto aos professores, em equipes, na escolha do livro didático.

Ao ponderar a respeito da avaliação do MEC, Rangel (2005) chama a atenção que, por se apoiar em critérios abstratos e gerais, independentes de contextos e realidades particulares, a avaliação oficial não leva em conta aspectos particulares da realidade e das demandas das escolas. Por essa razão, chama a atenção que, ao avaliar as opções oferecidas pelo Guia, o professor selecione um livro didático que se se aproxime do projeto pedagógico da escola e de sua realidade, sendo fundamental para isso que os professores tenham

um domínio de saberes diversos a serem mobilizados para assumir a responsabilidade ética de saber selecionar os livros didáticos, e não só isso, como também, estar capacitados para avaliar as possibilidades e limitações dos livros recomendados pelo MEC, pois o livro deve ser um, dentre as demais ferramentas, para o ensino. (NÚÑEZ et. al., 2002)

Levando em consideração a importância assumida pela seleção e escolha do livro didático, o qual precisa conversar com o projeto pedagógico e com a realidade da escola, justifica-se a investigação da produção acadêmica relativa aos temas que interessam às escolas e aos alunos no contexto da educação em Física

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atual e a organização de instrumentos de avaliação que possam auxiliar o professor nessa fundamental tarefa de selecionar o livro que utilizará em sua prática docente.

## O instrumento de análise

O instrumento elaborado apoiou-se no que é indicado pelos documentos norteadores da educação, pelo edital do PNLD EM 2012 e pelas discussões proporcionadas por trabalhos de pesquisadores em ensino de Física. Os elementos dele constituintes foram selecionados a partir da verificação de quais aspectos estavam presentes nos documentos normativos e no Edital do PNLD EM 2012 e, principalmente, a forma como eles estavam sendo contemplados nas discussões no campo de Pesquisa e Ensino de Física. Esses aspectos, que deram origem a categorias aglutinadoras, foram: aspectos textuais e gráfico-editoriais; interdisciplinaridade; contextualização; modelagem; resolução de problemas; experimentação; textos; tecnologias de informação; manual do professor e avaliação.

Para que fossem elaboradas as questões que comporiam o instrumento, para cada categoria foi identificado, lido e analisado, pelo menos um texto acadêmico (artigo, tese ou dissertação) relativo à temática da categoria, construindose assim, a partir de uma investigação bibliográfica, uma base teórica consistente para fundamentar as questões que viriam a ser criadas. Os textos foram identificados nos bancos de teses e sites de revistas através de palavras chaves e selecionados aqueles cujas propostas para o ensino de Física estão em coerência com o que é apontado pelos documentos normativos.

Para embasar a categoria 'Interdisciplinaridade', foi optado pelo artigo 'Interdisciplinaridade: fatos a considerar', de Cardoso et. al. (2008), o qual possibilitou a inclusão, no instrumento, de itens que pudessem verificar se a obra em análise apresentaria uma abordagem interdisciplinar e aspectos perceptíveis referentes à interdisciplinaridade.

A categoria 'Contextualização' teve como suporte teórico a dissertação de mestrado de Pagliarini (2007) 'Uma análise da história e filosofia da ciência presente em livros didáticos de física para o ensino médio', a partir da qual foram também elencados elementos que, se presentes nos livros, poderiam indicar a preocupação com a contextualização sócio-histórica e a filosofia da ciência.

Quanto à 'Modelagem', tomou-se como base o artigo 'A modelagem científica de fenômenos físicos e o ensino de física' de Brandão, Araújo e Veit (2008). Para esta categoria, visou-se verificar como os modelos científicos estão apresentados e se é especificado o seu domínio de validade.

Para a 'Resolução de problemas', utilizou-se o artigo 'Habilidades Técnicas Versus Habilidades Estruturantes: Resolução de Problemas e o Papel da Matemática como Estruturante do Pensamento Físico' de Karam e Pietrocola (2009). Nele, procurou-se identificar as habilidades que os problemas exigiam para sua resolução e se haveria atividades que favorecem a formação do espírito investigativo.

A categoria 'Experimentação' utilizou-se dos artigos 'A Experimentação no Ensino de Ciências', de Pacheco (1997) e 'Atividades Práticas: Possibilidades de modificações no Ensino de Física' de Fernandes (2008). Procurou-se verificar se

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existem propostas referentes à experimentação e se essas propostas se apresentam viáveis e se não oferecem riscos na realização.

A categoria que trata de 'Textos' levou em conta o que diz Ribeiro e Kawamura (2006) no artigo 'Divulgação Científica e Ensino de Física: Intenções, Funções e Vertentes'. Foi procurado verificar, caso a divulgação científica estivesse presente no material, como são abordados vários aspectos da divulgação científica e como aparecem as características das linguagens utilizadas.

Para as 'Tecnologias de informação' consideraram-se dois artigos: 'Ciência, Tecnologia e Sociedade: A relevância do enfoque CTS para o Contexto do Ensino Médio' de Pinheiro, Silveira e Bazzo (2007) e 'Educação em Física: Discutindo Ciência, Tecnologia e Sociedade' de Angotti, Bastos e Mion (2001). Para essa categoria, foi levado em conta basicamente que aspectos ressaltados nos artigos referentes ao enfoque CTS deveriam estar presentes na obra para que nela fosse identificada essa preocupação.

A categoria que diz respeito ao 'Manual do Professor' se baseou em Aran (1996). Buscou-se verificar se o manual apresenta orientações claras e se apresentaria uma proposta pedagógica para dar um direcionamento ao professor, se sugere atividades complementares e se faz ligações interdisciplinares.

Para falar das propostas de 'Avaliação' foram consultados dois artigos: 'Uma comparação entre avaliação tradicional e alternativa no ensino médio de Física' de Vidotto, Laburú e Barros (2002) e 'Concepções e Métodos de Avaliação da Física utilizados em Escolas de Segundo Grau de Belo Horizonte' de Talim e Oliveira (2002). Objetivou-se verificar se haveria propostas de avaliação no manual didático, se essas propostas seguem uma tendência tradicional ou alternativa, e como aparece a caracterização da forma de avaliação e a forma como se apresenta a proposta de avaliação.

O instrumento foi organizado por blocos de acordo com as categorias, com exceção da primeira categoria que se divide em dois blocos para melhor sistematização. Ao aplicar o instrumento a um livro, para que fosse verificada a frequência com que cada questão é nele contemplada, o avaliador deverá indicar se o aspecto em questão está presente: (N)Nunca, (A)Às vezes, (Q)Quase sempre ou (S)Sempre. Além dessa avaliação, o instrumento reserva um espaço para que possam ser registradas observações consideradas pertinentes pelo professor avaliador.

Nos quadros abaixo são apresentados trechos exemplificadores de algumas das questões que fazem parte do instrumento:

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## Considerações Finais

É importante que o livro a ser escolhido converse com a realidade em que a escola está inserida e com o seu projeto pedagógico, pois apesar dos livros indicados pelo PNLD EM já terem sido analisados antes de chegar ao professor, o docente precisa verificar se o material a ser escolhido é adequado à sua realidade, tanto local quanto pessoal, visualizando suas possibilidades e limitações. Para que a análise seja realizada de forma crítica e sistematizada, faz-se necessária a utilização de instrumentos que auxiliem nessa tarefa, contribuindo para a seleção de livros didáticos e, consequentemente, para seu aperfeiçoamento e atualização.

Após a validação das questões, o instrumento foi entregue a professores do Ensino Médio para que avaliassem o livro didático que utilizam em sala de aula. Nessa fase, através dessas análises poderá ser verificada a aplicabilidade e validade do instrumento, levando em consideração as opiniões e sugestões que serão apontadas pelos professores.

Com a pesquisa realizada foi possível perceber a distância que há entre os aspectos desejados para um livro didático de Física e a formação dos professores, a qual continua acontecendo de forma tradicional, apesar da exigência de livros atualizados feita pelo PNLD, o que exige uma preparação por parte do docente. Ao realizar a análise, o instrumento permite que o professor passe a olhar de uma forma diferente para o livro que utiliza, incorporando os aspectos evidenciados de forma mais ativa em sua prática didática.

## Referências

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