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O ENSINO DA FÍSICA PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA: RELATO DE UM EXPERIMENTO COM DEFICIENTE VISUAL

Georgina Amélia De Oliveira, Eric Manuel Campos Dias, Helena Libardi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
24/01/2013
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O ENSINO DA FÍSICA PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA: RELATO DE UM EXPERIMENTO COM DEFICIENTE VISUAL

Georgina Amélia de Oliveira , Eric Manoel Campos Dias , Helena Libardi 1 2 3

1 UFLA/DEX, Licenciatura em Física; georginamelia@gmail.com 2 UFLA, Licenciatura em Física; eric.mcdias@gmail.com 3 UFLA/DEX, Docente em Física: hlibardi@dex.ufla.br

## Resumo

Cada ser humano é único. É indispensável respeitar o ritmo, o tipo de inteligência, a cultura de origem e o repertório de linguagens de cada um. No Brasil o número de pessoas com algum tipo de deficiência é muito grande. A deficiência visual é a mais numerosa. Cada uma destas pessoas possui necessidades específicas de sua deficiência. A inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais no ensino regular é garantida pelo governo. As escolas estão recebendo cada vez mais alunos com deficiência, mas em geral os educadores não possuem formação para trabalhar com a diversidade. Neste trabalho apresentamos uma atividade desenvolvida para trabalhar conceitos de termologia com pessoas com deficiência visual. Todo o desenvolvimento da atividade foi filmado e analisado, e seus resultados foram apresentados e discutidos na disciplina de Metodologia em Ensino de Física do curso de Licenciatura em Física de nossa Universidade. Apresentamos aqui os resultados do experimento e da discussão em aula.

Palavras-Chave : ensino da física; educação inclusiva; deficiente visual.

## Introdução

A inclusão de alunos com deficiência no ensino regular hoje é um dos aspectos mais discutidos na educação como um todo, pois a maioria das escolas e universidades não está preparada para receber tais alunos como deveria e de acordo com a necessidade específica de cada um. O ensino inclusivo deve preparar os alunos não apenas para a vida acadêmica, mas também prepará-los para a vida em sociedade e para o mercado de trabalho. É comum que alunos com deficiências sejam tímidos e inseguros, portanto discussões devem ser incentivadas, não apenas entre o professor e o aluno, mas também, com os demais colegas de classe, promovendo assim, não somente a inclusão didática, mais também a social. As discussões em sala de aula são pré-requisitos para o surgimento e consolidação dos processos de ensino e aprendizagem, possibilitando também que se trabalhe um lado muitas vezes esquecido pelos professores que é a capacidade de debater e argumentar. Estes conhecimentos, necessários para todos os cidadãos, o auxiliarão em seu futuro profissional. Devemos garantir que a educação inclusiva promova a formação do indivíduo, visado o exercício de sua cidadania, em qualquer nível de estudo.

Desta forma, a metodologia utilizada em uma sala onde temos a presença de um aluno com necessidades educacionais especiais deve ser adaptada, considerando o nível de necessidade do aluno. As necessidades podem ser identificadas em diversas situações de dificuldades de aprendizagem, como decorrência de condições individuais, econômicas ou socioculturais dos alunos.

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20 a 25 de janeiro de 2013

Neste trabalho apresentamos um breve histórico sobre a Educação inclusiva e a deficiência visual. Apresentamos também um experimento sobre termologia apresentado na disciplina Metodologia do Ensino de Física. O experimento foi aplicado com um deficiente visual, filmado e discutido em aula.

## Pequeno histórico da inclusão no Brasil

O modelo de inclusão adotado hoje pelas instituições de ensino nos remete a pensar sobre as questões que reorganizam os ambientes educacionais. Como observa Azevedo (2004), o desenvolvimento de uma educação de qualidade é um assunto que chama atenção para avaliarmos as ações e sua repercussão no processo educativo dos alunos com necessidades educacionais especiais, mas também nos faz refletir sobre as realidades de forma ampliada, principalmente, além do espaço escolar.

Iniciativas e movimentações de entidades públicas e filantrópicas, como APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e Pestallozi, foram essenciais para a inclusão de um capítulo sobre educação de excepcionais na LDB (BRASIL, 1961). A educação, conforme o Art. 6º da Constituição Federal (BRASIL, 1988), é um direito social. Entretanto, o movimento para a inclusão escolar 'de todos' é universalista, o que não quer dizer efetivamente 'para todos'.

A Convenção das Nações Unidas sobre os direitos da Criança, em 1989, originou um avanço para a educação de crianças e adolescentes com necessidades educacionais especiais. Seu reflexo no Brasil ocorreu com a elaboração do Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990).

Na perspectiva do processo inclusivo, a década de 1990 exemplifica algumas propostas, principalmente oriundas da legislação que nos orienta até os tempos atuais. Encontrar caminhos para atender a diversidade e não a 'igualdade de todos' configura-se como a grande questão em busca de respostas. O governo Lula (2003 - 2006) dá continuidade à opção pela Educação Inclusiva criando alguns programas e projetos que visam o atendimento a alunos com necessidades educacionais especiais. Um dos programas é o Programa de Educação Inclusiva: Direito a Diversidade (Brasil, 2005) que vem fazendo o papel de disseminador da política de inclusão nos municípios, com o intuito de transformar os ambientes escolares em ambientes inclusivos. Tal Programa tem o objetivo de despertar a 'curiosidade' investigativa, pois se propõe a alcançar, através de um contato com os gestores e educadores, uma parcela expressiva ou a totalidade dos municípios brasileiros.

## Inserção no Ensino

A metodologia utilizada em uma sala onde temos a presença de um aluno com necessidades especiais deve ser adaptada ao nível de necessidade do aluno. As necessidades podem ser identificadas em diversas situações de dificuldades de aprendizagem, como decorrência de condições individuais, econômicas ou socioculturais dos alunos.

A existência de pessoas com deficiência visual no ensino básico justifica a necessidade de estudarmos e desenvolvermos atividades diferenciadas voltadas à inclusão em nossas práticas de ensino de Física. Estes alunos necessitam de

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atenção especial quanto às suas próprias características, que exigem a elaboração ou adaptação de métodos de ensino e formas de avaliação.

- É necessário pensar na importância e na necessidade de novas práticas pedagógicas de modo a abranger o universo de percepção e aprendizagem de alunos com este tipo de deficiência no Brasil.

Em 1998, a ação do governo brasileiro concentrou-se em pensar alternativas pedagógicas para trabalhar com a educação especial na perspectiva da educação inclusiva. O resultado alcançado foi a formulação do documento 'Adaptações Curriculares', que apresenta estratégias para o processo educativo de alunos com necessidades especiais e orienta o sistema de ensino para o processo de construção da 'Educação na Diversidade' (BRASIL, 1998). Azevedo (2004), ainda refletindo sobre a relação da inclusão/exclusão que foi realizada em maio de 1999, na Guatemala, cita a Convenção Interamericana para eliminação de todas as formas de discriminação contra as pessoas portadoras de deficiência, da qual o Brasil é signatário. Trata-se de um documento que confere à pessoa com deficiência sua individualidade, respeitando o 'ser deficiente' e criticando os padrões de normalização existentes nos meios sociais. Os mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso finalizam com dois documentos que procuram delinear as diretrizes e metas para Educação Especial: o Plano Nacional de Educação (BRASIL, 2001a) e as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (BRASIL, 2001b). A Educação Especial é reafirmada como modalidade de ensino que transcorre todos os níveis educacionais (da Educação Infantil à Superior).

A escola, ao assumir tal responsabilidade, precisa constituir-se enquanto espaço multicultural respeitando as diferenças, sobretudo aquelas que para muitos provoca algo parecido ao estranhamento. Os movimentos inclusivos respaldados na reflexão sensível contida na Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994) levantam questões que nos forçam a buscar e entender até que ponto conseguimos por em prática a concepção de educação inclusiva.

Na literatura, ainda é pequena a quantidade de trabalhos sobre o ensino de física para alunos com deficiência, mas é possível encontrados artigos sobre a educação inclusiva na área de física para alunos com deficiência visual (CAMARGO, 2010; CAMARGO & NARDI, 2006; COSTA e colaboradores, 2006). Nestes trabalhos são explorados os outros sentidos destes alunos.

## Outros sentidos

Em sua Carta sobre os Cegos, escrita em 1749, Diderot (1979) foi o primeiro a pensar no problema da comunicação e no modo de percepção. Experiências como por exemplo ir ao teatro e tapar os ouvidos para somente observar e tentar 'apalpar o sentido da visão', eram importantes para o autor, para poder perceber o que um sentido diz para o outro.

- O sujeito é o resultado do trabalho dos cinco sentidos sobre si mesmo, resultado do tempo de nossa elaboração sobre o corpo e a natureza. Diderot destaca a diferença entre o belo natural e o belo imaginário, e afirma que a natureza tem como origem o caos: 'Somos caos permanente em busca de ordem, conseguindo resultados transitórios'.

Existe um problema na passagem da poesia para a pintura, pois a seu ver, a arte tem maior valor em seu esboço do que nas cores e elas servem somente para

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adular o espectador. O autor afirma: 'É preciso colocar ideias na pintura, e não só fazer o retrato perfeito da natureza. Quando você está pintando, está interpretando as ideias, traduzindo a natureza'. Diderot considera a vista como o sentido mais superficial e faz elogio ao tato, como fonte de conhecimento.

Montagu (1988), afirma que na evolução dos sentidos o tato foi o primeiro a surgir. O tato é a origem dos nossos olhos, ouvidos, nariz e boca. Embora possa variar estrutural e funcionalmente com a idade, o tato permanece uma constante. A pele é o mais extenso órgão de sentido do nosso corpo, e o sistema tátil é o primeiro sistema sensorial a tornar-se funcional em todas as espécies até o momento estudadas. O sentido mais intimamente associado à pele, o tato, é o primeiro a desenvolver-se no embrião humano.

Na realidade, existem vários sentidos táteis que estão reunidos sob a denominação comum de tato. Porém, conhecemos os elementos que participam do tato, como pressão, dor, prazer, temperatura, fricção etc. Talvez em função da vida que temos hoje, os estímulos visuais e sonoros parecem concorrer de modo mais intenso (MAIA, 2007). Mas nem por isso o olfato é um sentido de menor importância e suas implicações podem se estender das ciências exatas à psicologia.

A atenção que dispensamos ao olfato não é propriamente pouca em termos absolutos, mas é sim, proporcionalmente menor à atenção que dispomos aos outros quatro sentidos: visão, audição, paladar e tato. Segundo Maia (2007), para entendermos um perfume é interessante entendermos um pouco também desses outros sentidos.

Ainda baseado em Maia (2007), chamamos de sentido as informações que detectamos e analisamos no cérebro para nos informarmos do nosso entorno ou ambiente. São informações necessárias para nos manter vivos. A evolução de nossa espécie nos aparelhou com olhos, ouvidos, língua, nariz e pele, que são órgãos muito complexos que nos permitem ter essas percepções para tomarmos as medidas necessárias frente a variações de concentrações de substâncias químicas, radiações, pressão e temperatura.

Apesar de essa aparelhagem ser muito complexa, nossos órgãos sensoriais são, de certa forma, limitados. A visão, por exemplo: apesar das milhares nuances de cores que nosso olho é capaz de detectar, todas elas são ondas cujo comprimento se situam numa estreita faixa de 400 a 700 nanômetros, que chamamos de luz visível.

Nossos ouvidos também nos trazem informações de ondas que se propagam com um comprimento entre 1,7cm e 17m. Isso equivale às agudas ondas que vibram 20.000 Hz às mais graves, de 20 Hz. À medida que envelhecemos, nossos aparelhos auditivos começam a ficar surdos para algumas faixas de onda, para a diversão dos jovens que fazem seus celulares tocarem tons nos limites do agudo audível na sala de aula sem que os professores algumas décadas mais velhos nada percebam. Nos shows ao ar livre identificamos sons emitidos por potentes amplificadores pelo tato. Mas a audição, assim como a visão, é uma pequena janela que abrimos numa infinidade de ondas que não percebemos. Toda a riqueza do universo que nos encanta, percebemos por duas janelas de espectro incrivelmente reduzidas.

Maia (2007) ainda comenta que o tato é um sentido que nos livra de grandes complicações por perceber as variações de pressão e temperatura. Sensores

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espalhados pela periferia de nosso corpo informam nosso cérebro gerando dores providenciais para tirarmos a mão do fogo, nos proteger do sol, e de outros 'apertos'. Assim como a visão e a audição, o tato também é um aparelhamento que dispomos para detectar variações de natureza eminentemente física: a pressão, temperatura e comprimento de ondas.

- O olfato e o paladar são nossos detectores químicos. Parece que sistematicamente damos menos atenção a esses sentidos do que a que damos aos aparelhos de detecção física, temos mais dificuldades em nos expressar com precisão ou até mesmo em percebê-los. Maia (2007) exemplifica que, para descrever o aroma de comida que chega ao escritório, próximo à hora do almoço, aumentando o volume de saliva em nossa boca, não temos substantivos tão específicos como verde, vermelho, azul, etc. Há de se emprestar palavras de outros sentidos e fazer uma espécie de exercício gramatical.
- É pelo toque que temos as sensações de frio, quente, seco, molhado, percebemos as texturas, formas, volumes e até testamos o coração. O toque nos faz sentir o tato, que tem a pele, o maior órgão do corpo, como responsável. O tato tem um caráter de proximidade, por isso desperta tanto sensações físicas como emocionais. 'Este é o único sentido que o ser humano não vive sem', constata Maia (2007). Uma pessoa pode viver privada de enxergar, de ouvir, desprovida de olfato e do paladar, mas não consegue sobreviver sem a pele, nosso envoltório por natureza. A pele nos põe em contato com o mundo que nos cerca e tem várias funções como proteção, manutenção da temperatura, defesa imunológica, além da sensorial que atua intimamente em nosso sistema psíquico.

Com os cinco sentidos humanos é que temos contato com o mundo. Dentro de suas características podemos descrever o mundo com as informações de cada sentido. Entretanto, o ensino de ciências em todos os níveis está focado em uma perspectiva muito visual. Seu estudo está muito embasado no de gráficos e diagramas. Se os materiais pedagógicos utilizados mantiverem esta dependência no visual, acabamos por prejudicar a formação dos alunos que estão privados do sentido da visão. Em muitos casos um desempenho abaixo do esperado está mais relacionado à falta destes materiais do que por sua limitação devido à falta de visão.

Devido a esta perspectiva visual, uma grande quantidade de informação científica não visual acaba sendo perdida. O estudo de ciências para alunos cegos acaba sendo feito de forma pouco motivadoras, supondo uma dificuldade em seu estudo. Os Educadores não devem ignorar os outros canais sensoriais de entrada de informação, pois correm o risco de passar uma visão reduzida da observação científica (MARTÍ, 1999).

## Relato do Experimento: Sensação Térmica

Com o intuito de testar metodologias de ensino de física visando a inclusão de alunos com algum tipo de deficiência, foi realizado um experimento envolvendo o conceito de sensação térmica, voltado tanto a pessoas com necessidades especiais quando a pessoas que não a possuem.

As concepções espontâneas sobre a termodinâmica que alunos com deficiência visual possuem não diferem das dos alunos do ensino médio sem esta deficiência, desta forma a diferença entre estes alunos não pode ser considerada

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como no plano intelectual (SANTOS e colaboradores, 2009), mas na forma de ensinar, considerando metodologias que façam uso dos outros sentidos.

Apresentamos neste trabalho uma atividade proposta na disciplina de Metodologia do ensino da Física, no primeiro semestre de 2011, de acordo com orientações da professora (ultimo autor). No experimento o aluno deve utilizar apenas as mão para interagir com os objetos, sem poder visualizá-los. Desta forma pode ser feito por alunos cegos ou por alunos sem deficiência com olhos vendados.

A atividade foi desenvolvida com intuito de ser utilizada nas aulas de física no conteúdo de termologia. Para trabalhar com o conceito de sensação térmica foram utilizados diversos materiais com diferentes calores específicos. O objetivo era estimar a temperatura dos mesmos apenas com o tato. No caso de aluno vidente, este deverá ser vendado. Todos os objetos estavam à temperatura ambiente, que no momento do experimento era 23ºC.

- O calor específico de uma substância é a quantidade de calor que se deve fornecer a um grama de determinado corpo para elevar sua temperatura em 1° C. Utilizando dessa informação, o experimento consistiu em adquirir massas aproximadas de diferentes materiais e, portanto, calor específico distintos. Como foi fornecida a mesma quantidade de calor a esses materiais e sendo conhecida a definição de calor específico, foram passados aos participantes do experimento os valores do calor específico dos corpos que seriam fonte do trabalho. Dessa forma, sabendo o valor do calor específico dos corpos e pondo-os em contato com as mãos do participante do experimento, este era capaz de saber pela 'dificuldade' que o objeto tem de aquecer, qual material, de uma lista já pré-determinada, estava sendo estudado.

Com o experimento, o deficiente visual, através de seu tato, utilizando sua sensação térmica deve nos dizer qual a temperatura de determinados objetos de diferentes calores específicos. Os objetos eram vários tipos de tubos de PVC, um tubo de poliuretano, diversos objetos de vidro, metal, aço, plástico, papel e madeira.

Para realizar o experimento foram utilizadas duas bacias com água, uma com água resfriada a 7ºC e a outra com água aquecida a 36º. O procedimento é o seguinte: O aluno deve colocar cada uma de suas mãos em uma bacia, simultaneamente. O aluno tem informação sobre as temperaturas ambiente e das águas.

Em seguida, o aluno retira as mãos das bacias e vai pegando os objetos, primeiro com uma mão e depois com a outra. O aluno deve estimar a temperatura de acordo com sua sensação com cada uma das mãos. Pôde-se observar, que para materiais com calor específicos de valores muito próximos, raramente o participante conseguia distinguir os objetos apenas com o tato.

Para a apresentação desta atividade na disciplina de Metodologia foi feito um vídeo da atividade. Convidamos um aluno com deficiência visual para participar. Este aluno atualmente cursa pós-graduação em Educação em nossa Universidade.

## Resultados e Discussões

Notamos que o aluno possuía um prévio conhecimento do experimento executado, com isso, muito de suas respostas quanto à temperatura dos objetos, foram muito próximas à temperatura ambiente, o que não reflete sua sensação

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térmica baseada na sensibilidade tátil. No entanto ele argumentava sobre a sensação ser de temperaturas mais baixas na mão que estava na bacia com água aquecida e mais alta na mão que estava na bacia com água refrigerada. O objetivo, que era verificar a diferença da sensação térmica para objetos com calores específicos diferentes, foi alcançado, embora o de obter a estimativa relativa a esta sensação, não. As temperaturas oriundas de sensação térmica muita das vezes são sempre mais baixas do que as temperaturas ambientes. Fato este que ocorre em função da temperatura ambiente com a umidade do ar e o vento interferem na sensação da temperatura.

Na apresentação em aula foram feitas diversas sugestões para aprimorar o experimento. Entre elas a de intercalar os objetos e as mãos, para que o aluno não saiba quando um mesmo objeto será testado com a outra mão.

O experimento foi testado apenas uma vez. Devido ao seu bom resultado, os autores pretendem aprimorá-lo e aplicá-lo em sala de aula, permitindo a aquisição de novos conhecimentos na área da Educação Inclusiva, comparando a percepção dos alunos com e sem deficiência visual.

## Agradecimentos:

Agradecemos ao Núcleo de Acessibilidade da UFLA, vinculado à PróReitoria de Assuntos Estudantis e Comunitários (PRAEC).

## Referências

AZEVEDO, J.M.L. A Educação como política pública . 3. ed. Campinas - SP: Autores Associados, 2004

BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: LDB nº 4024, de 20 de Dezembro de 1961.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil . Brasília: Imprensa Oficial, 1988.

BRASIL, Casa Civil. ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente Lei N o 8069, de 13 de julho de 1990.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Adaptações Curriculares / Secretaria de Educação Fundamental. Secretaria de Educação Especial. - Brasília: MEC / SEF/SEESP, 1998.

BRASIL, Casa Civil. Lei N° 10.172/2001. Brasilia, 2001a.

BRASIL, CNE, Resolução CNE/CEB N° 02/2001. Brasilia, 2001b.

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CAMARGO, E. P. A comunicação como barreira à inclusão de alunos com deficiência visual em aulas de mecânica. Ciência & Educação , v. 16, n. 1, p. 259275, 2010

CAMARGO, E. P.; NARDI, R. Planejamento de atividades de ensino de mecânica e física moderna para alunos com deficiência visual: dificuldades e alternativas . Rev. electrón. investig. educ. cienc. v.2, n. 2, p. 40 -64 , 2006.

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COSTA, L. G.; NEVES, M. C. D., BARONE, D. A. C. O ensino de física para deficientes visuais a partir de uma perspectiva fenomenológica . Ciência e Educação, v. 12, n. 2, p. 143-153, 2006.

DIDEROT, D. Carta sobre os cegos - para uso dos que vêe m. Coleção 'Os Pensadores'. Ed. Abril, São Paulo: 1979.

MAIA, N.B. Com Ciência . São Paulo, 2007

MARTÍ, M. A. S. Didáctica multisensorial de las ciências Barcelona: Ed. Paidós, 1999.

MONTAGU, A. Summus , São Paulo, 1988

UNESCO. Declaração de Salamanca sobre Princípios, Política e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais 1994. UNESCO, 1994.

SANTOS, M. C.; SILVA, F. F.; BARBOSA-LIMA, M. C. Concepções de calor e temperatura de alunos cegos . XVIII SNEF. Vitória, ES. 2009. Disponível em <http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/xviii/sys/resumos/T0083-1.pdf>. Acesso em 25/10/2012.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.