Ensino de física para alunos cegos: Buscando orientações para a elaboração de um material didático de thermoform
Nivaldo Manske, Adriana Gomes Dickman
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 24/01/2013
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## Ensino de física para alunos cegos: Buscando orientações para a elaboração de um material didático de thermoform
## Nivaldo Manske, Adriana Gomes Dickman
Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
raaschmanske@oi.com.br / adickman@pucminas.br
## Resumo
Neste trabalho foi realizada uma pesquisa sobre a utilização de materiais em alto relevo, à base de thermoformagem, como apoio didático ao ensino de física a alunos cegos, incluindo também algumas questões que permeiam o processo de inclusão. A expectativa é que os resultados dêem suporte a professores e demais pesquisadores no que tange às dificuldades encontradas no processo de ensino e aprendizagem de alunos cegos, além de orientações para a elaboração de um material de apoio pedagógico à base de thermoformagem. Participaram da sondagem, docentes que atuam no ensino médio na Região Metropolitana da Grande Vitória (ES). Os resultados indicam a falta de preparo do professor para lidar com alunos cegos, em função principalmente da existência de uma lacuna na sua formação em relação à inclusão. Foi possível verificar que poucas escolas possuem material didático adequado para o atendimento a alunos cegos. Cabe ainda ressaltar que nenhum professor entrevistado conhece algum material de relevo que possa auxiliá-lo nas aulas como recurso pedagógico, e indicam a Óptica como o conteúdo que representa o maior desafio para ensinar a alunos cegos. Essa realidade indica a necessidade de aquisição e utilização de materiais de relevo ou tridimensionais em sala de aula, fazendo com que os materiais de thermoform sejam apontados como recursos que auxiliariam bastante o ensino de Física a alunos cegos.
Palavras-chave : Ensino de Física, Estudantes cegos, Material didático, Thermoform, Ensino médio.
## Introdução
A contemporaneidade vem sendo acompanhada de uma multiplicidade de temas, considerados relevantes para a sociedade, que são instituídos na forma de lei e se tornam prioridade na elaboração de políticas públicas. Um dos temas em questão refere-se à inclusão social das pessoas com necessidades especiais. A adequação de prédios públicos e privados, construção de rampas, sinalização de vias e apropriação de meios de comunicação são algumas metas estabelecidas para possibilitar a acessibilidade de todas as pessoas às instituições.
A educação, enquanto política pública, também tem como proposta o atendimento das pessoas com necessidades especiais. A educação inclusiva é uma preocupação dos governos, de tal forma que no Brasil a legislação assegura o ensino a alunos com necessidades educativas especiais nas escolas regulares, com a disposição de serviços especializados para atender às peculiaridades dos alunos. Assim, de acordo com a lei 9.394/96, Art. 58:
Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais.
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20 a 25 de janeiro de 2013
§ 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial.
A lei institui que alunos com necessidades educativas especiais deverão ser atendidos pelo sistema de ensino com recursos e métodos específicos, de tal forma que é permitida a mudança do currículo para que as suas particularidades sejam atendidas. Esse direito é também assegurado pelas Leis de Diretrizes e Bases (LDB) no art. 59: 'Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específica, para atender às suas necessidades.'
Assim, a inclusão escolar, garantida por lei, provoca a necessidade de mudança na formação dos profissionais de educação, e ainda, a capacitação dos professores que já se encontram no mercado de trabalho. No entanto, de acordo com Glat (1998, apud LEÃO; DOESCHER; DA COSTA , 2005, p.5) a maioria dos cursos de licenciatura ainda não possui uma estrutura adequada para oferecer uma formação profissional que atenda à diretriz da inclusão.
Outro fator que prejudica o processo de inclusão é a falta de recursos pedagógicos adequados à cognição dos alunos com necessidades educativas especiais. No caso específico do aluno cego e de baixa visão, o material disponibilizado nas escolas não atende de forma eficaz esse grupo, uma vez que seria necessário produzir materiais que tivessem por primazia a especificidade de aprendizagem desses alunos (AMARAL; FERREIRA; DICKMAN, 2009).
Além do conhecimento tecnológico, responsável por inserir o homem ao meio, a física tem um compromisso com a evolução do cognitivo humano e com o bem estar da sociedade. Os conceitos físicos devem ser oferecidos a todos sem nenhuma distinção. Nesse sentido, são necessários recursos didáticos que permitam a aquisição dos conteúdos da física por todos os indivíduos, independentemente de suas especificidades. O ensino de conceitos científicos contribui para a conscientização do cidadão e compreensão da tecnologia que o cerca, a partir da formação de um pensamento crítico. Freire (1992) aponta a importância de ensinar aos alunos os conteúdos das disciplinas escolares, tendo por referência a formação de sujeitos críticos.
Nesse contexto, uma das áreas que merece atenção é o ensino de física a alunos cegos, principalmente pela necessidade da compreensão de uma variedade de pressupostos científicos que se baseiam em diagramas, gráficos e modelos visuais (CAMARGO; SILVA, 2003). Assim sendo, tanto o aluno com necessidade educacional especial, quanto o professor, precisam de um suporte pedagógico que facilite o processo de ensino e aprendizagem.
A partir desse contexto, destaca-se a importância da produção de materiais de apoio pedagógico adequados ao processo de ensino e aprendizagem de alunos cegos. Assim, foi realizada uma pesquisa sobre a utilização do material de thermoform como apoio didático no ensino de física a alunos cegos nas escolas, incluindo demais contextos que permeiam essa questão. O trabalho investigativo foi feito com docentes que atuam no Ensino médio na Região Metropolitana da Grande Vitória (ES), e espera-se que os resultados dêem suporte a professores e demais pesquisadores no que tange às dificuldades encontradas no atendimento a alunos cegos, além de orientações para a elaboração de um material de apoio pedagógico à base de thermoform. Dessa maneira, o objetivo desse trabalho é realizar uma sondagem com professores de física do ensino médio, buscando orientações para
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elaborar um material didático em relevo, à base de thermoformagem, para um determinado conteúdo de física.
## Revisão da literatura
A deficiência visual impossibilita o processo de desenvolvimento cognitivo das informações por meio da visão. Assim, a forma como os objetos são percebidos é estabelecida pelo tato. Essa referência deve ser também adotada na escola, uma vez que o contexto da aprendizagem se apresenta múltiplo, o atendimento a essa especificidade representa a ampliação do acesso ao conhecimento.
A preocupação em transmitir o conhecimento, sanando as dificuldades encontradas pelos alunos se apresenta como um desafio ao professor. Desafio maior é a aprendizagem de alunos cegos. Em atendimento à normatização, e em especial, ao aferir importância ao ensino de física a alunos cegos por meio da construção de materiais que objetivem a aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo do aluno, a educação escolar cria novas vias de conhecimento às pessoas cegas. É importante destacar que o mundo dos videntes possui conceitos e valores ditados pelo sentido da visão, desta forma um fenômeno físico visto por um vidente, é percebido por um não vidente de forma diferente, pois a forma de apreensão de uma pessoa cega é diferente da pessoa que enxerga, enquanto que o entendimento é o mesmo (MASINI, 1992). Assim, as novas vias para aquisição de conhecimento correspondem a uma reestruturação psicológica. De acordo com Nuernberg (2008), Vigotski propõe que a reestruturação psíquica é produzida por condições que conduzem as 'funções psicológicas superiores a assumirem um papel diferente daquele desenhado nos videntes'. (NUERNBERG, 2008, p. 312)
Camargo e Nardi (2010) referendam esse contexto como uma dificuldade apresentada pelos professores por não conhecerem o fenômeno da deficiência visual e por vincularem o conhecimento à visão. Cabe ao educador repensar sua prática, analisar como o auxílio a um aluno cego pode propiciar a quebra deste paradigma introduzindo neste caso, uma nova concepção de esclarecimentos ao , docente que propicie um ato de educar adequado à aquisição dos conceitos científicos necessários à formação dos estudantes cegos, tornando a inclusão uma realidade. Assim, acredita-se que
Para se quebrar esta 'cultura do exílio da compreensão' é mister ouvir-se o sujeito conhecedor, ou seja, o próprio aluno. É necessária a busca de uma relação dialógica onde nos seja possível mapear as concepções que estes alunos trazem na interpretação da fenomenologia física. (NEVES et al , 2000)
No ensino de física, o atendimento aos alunos com necessidades educativas especiais, em especial aos alunos cegos ou de baixa visão, se tornou um grande desafio na atualidade, uma vez que a formação do professor e o material didático, facilitador da aprendizagem, não atendem de forma eficaz à demanda, conforme afirmam Costa, Neves e Barone (2006):
De modo geral, em quaisquer tipos de escola ou níveis de ensino faltam ao deficiente visual a literatura e os recursos didáticos adaptados, computadores e tecnologia específica, monitoria especial, acessibilidade arquitetônica, professores habilitados, entre outros. Isso sem considerar o fato de que a dificuldade torna-se ainda maior na medida em que o grau de escolarização aumenta, impossibilitando o estudante com deficiência visual de concluir, até mesmo, as etapas de escolarização anteriores ao ingresso na universidade: os ensinos Fundamental e
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Médio. O sistema escolar é incapaz de lidar com a deficiência: suas deficiências são bem maiores que as dos assim rotulados 'deficientes'! (COSTA; NEVES; BARONE, 2006, p.151)
Cabe referir que a produção de materiais pedagógicos, que possuem relevo, é útil ao aprendizado dos alunos cegos, cuja justificativa permeia a necessidade de relacionar a teoria à prática via atividade tátil (CARDINALI, 2008). De acordo com Ferronato (2002),
Para o deficiente visual a utilização de materiais concretos se torna imprescindível, haja vista que tem no concreto, no palpável, seu ponto de apoio para as abstrações. Ele tem no tato seu sentido mais precioso, pois é através da exploração tátil que lhe chega a maior parte das informações. É através dela que ele tem a possibilidade de discernir objetos e formar ideias. (FERRONATO, 2002, p. 40)
Nesse sentido, a técnica de thermoformagem é adequada para a fabricação de recursos pedagógicos em alto relevo. Esta técnica utiliza polímeros termoplásticos que podem ser conformados mecanicamente várias vezes, desde que reaquecidos, ou seja, são facilmente recicláveis. Há impressoras térmicas que fazem a moldagem dos termoplásticos quando suas placas são aquecidas a uma temperatura entre 135°C e 250°C. Nessas impressoras os termoplásticos são produzidos com o auxílio de um molde que passa por um processo de resfriamento, ficando no plástico uma figura em relevo. Os desenhos dos moldes podem ser feitos com barbantes colados em cartolinas.
Este tipo de trabalho foi desenvolvido pelo Instituto Benjamin Constant (IBC), para diversos conteúdos de Química, Geografia, Matemática, sendo encontrados exemplos de modelos atômicos, tabela periódica, fases da lua, distribuição eletrônica, apostila de trigonometria, mapas, dentre outros. Na figura 01 é mostrado o modelo em alto relevo para o átomo de Hidrogênio.
Figura 01: Modelo do átomo de Hidrogênio. Fonte: Caderno de Química (Material fornecido pelo IBC), confeccionado pelos professores Paulo Augusto Rodrigues e Monica Pernambuco em conjunto com a equipe da Divisão de Pesquisa e Produção de Materiais Especializados (DPME).
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Dessa maneira, o material de thermoform representa um elo entre o conteúdo representado pela descrição em relevo de modelos e a compreensão desse contexto pelo tato. Com exceção do modelo atômico de Bohr, observa-se que não há material específico para conteúdos de física. Assim, no que diz respeito à física, esse material de apoio pedagógico poderia ser uma opção para atender de forma efetiva a necessidade de professores e de estudantes cegos no processo de ensino e aprendizagem.
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## Metodologia
O passo inicial do trabalho consiste em uma pesquisa de campo, na qual um questionário, previamente elaborado, foi enviado eletronicamente a sessenta e cinco professores de física do Ensino médio. Com a aplicação desse questionário buscase a experiência desses docentes em relação à inclusão de alunos cegos, averiguando as principais dificuldades encontradas no dia-a-dia da sala de aula, com o objetivo de estabelecer as principais linhas de ação a serem executadas neste trabalho.
A elaboração do instrumento de pesquisa, mostrado no quadro 01, foi feita visando obter informação sobre a prática docente dos professores pesquisados. Tendo como objetivo principal professores de física do Ensino médio, busca-se na pesquisa identificar: A formação universitária dos docentes; se o tema inclusão foi abordado em alguma disciplina; se os professores lecionam/lecionaram física para alunos com deficiência visual e se sentem-se preparados para esta tarefa; qual conteúdo seria mais difícil de ensinar a estudantes cegos; qual o material de suporte educacional utilizado nas aulas de física; se a escola disponibiliza algum recurso pedagógico ou atendimento especializado; se os professores conhecem o material de thermoform como recurso didático para deficientes visuais; qual tópico de física eles indicariam para a confecção de um material deste tipo.
Posteriormente, a partir da análise das respostas dadas às questões, foi avaliada a situação dos professores de física frente à inclusão de alunos cegos em sala de aula. Essas informações serão adaptadas a uma proposta de elaboração de um material didático à base de thermoformagem que possa auxiliar as aulas de física.
Quadro 01 Questionário aplicado aos professores.
- QUESTIONÁRIO Especifique a sua formação acadêmica: ( ) Licenciatura ( ) Bacharelado ( ) Outros; Qual? ( ) Em Ciências ( ) Biologia ( ) Física ( ) Química ( ) Outros; Qual?\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_ 2) No seu curso de graduação você cursou alguma disciplina que discutiu inclusão? ( ) Sim ( ) Não. Justifique sua resposta 3) Você se sente preparado para lidar com alunos com deficiência visual? ( ) Sim ( ) Não. Justifique sua resposta 4) Você já lecionou para alunos com deficiência visual? ( ) Sim ( ) Não. Em caso afirmativo descreva sua experiência. 5) Ao ensinar Física para alunos deficientes visuais, qual o conteúdo de física que na sua opinião representaria a maior dificuldade? Justifique 6) Há atendimento especializado para alunos com deficiência visual em sua escola? Em caso afirmativo, descreva seu funcionamento. 7) Quais são os recursos/materiais pedagógicos disponíveis na sua escola para o ensino de física a alunos com deficiência visual. 8) Você conhece o material de thermoform para deficientes visuais?
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- ( ) Não e não tenho interesse ( ) Não, mas tenho interesse
- ( ) Usei algumas vezes
- ( ) Conheço, mas nunca trabalhei com ele ( ) Faço uso regularmente
Caso já tenha trabalho com este tipo de material, descreva sua experiência.
- 9) Se você pudesse encomendar um material em alto-relevo (de thermoform) para auxiliar suas aulas de física a alunos com deficiência visual, qual seria o tópico de física que você escolheria? Justifique sua resposta.
Fonte: Dados da pesquisa.
## Resultados e análise da pesquisa
Foram analisados dez questionários respondidos por um mestrando, oito tutores e um doutor, do total de sessenta e cinco questionários enviados. No quadro 02 é mostrada a formação acadêmica dos professores pesquisados. Apenas um professor não é formado em física, sendo que a maioria possui licenciatura em física.
Quadro 02: Distribuição da formação acadêmica dos professores pesquisados.Fonte: Dados da pesquisa.
Apenas um professor obteve informação sobre inclusão na licenciatura. Segundo este professor:
Durante a disciplina de psicologia da educação, discutiu-se brevemente alguns casos de jovens com necessidades especiais e como a psicologia ajudava a entender os processos de desenvolvimento dos mesmos. Estes educandos, no entanto, eram avaliados apenas sob o ponto de vista psicológico, as demais deficiências e necessidades especiais não foram discutidas.
Embora quatro professores já tenham lecionado para alunos que possuem deficiência visual (DV), todos destacaram não estarem preparados para dar aulas a esses alunos.
No que diz respeito ao conteúdo de física, os professores em sua maioria citaram a Óptica como o assunto que representaria a maior dificuldade para ensinar a alunos DV, por lidar com fenômenos que envolvem a luz. No quadro 03 são mostrados todos os conteúdos citados pelos professores. Três professores não opinaram e um declarou não sentir dificuldade em nenhum conteúdo, como mostram suas palavras:
Não encontrei nenhum problema para ensinar algum conteúdo específico para os cegos. Já que essa pesquisa visa a obtenção de informações coletáveis narro apenas um fato de modo muito limitado: A lida com alunos cegos parciais e não congênitos foi mais difícil. Lidar com alunos que tenham doenças contraídas de forma a causar cegueira evolutiva demanda disciplina e acolhimento por parte do professor para que o aluno
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compreenda que estes alunos não serão tratados diferentemente de qualquer outro aluno. Mas óptica.
Embora o professor afirme não ter sentido dificuldades em nenhum conteúdo, ao final de sua fala ele deixa a questão em aberto ao escrever apenas 'Mas óptica'.
Quadro 03: Conteúdos classificados pelos professores entrevistados como difíceis de serem ensinados a estudantes com deficiência visual.
Fonte: Dados da pesquisa.
Em relação ao atendimento especializado nas escolas, 50% afirmaram que não existe, 20% não sabem e 10% não responderam. Apenas 20% dos professores indicaram que suas escolas possuem atendimento especializado. No que tange ao material de apoio pedagógico para alunos DV, 70% afirmaram que a escola não possui nenhum material, 20% não sabem, e 10% citam o computador como recurso. É importante destacar que nenhum dos entrevistados conhece o material de thermoform, talvez pela escassez desse material sobre conteúdos de física. Apenas um professor afirmou não ter interesse em conhecer o material.
No que diz respeito à escolha do tópico de física para elaboração do material em relevo, quatro dos entrevistados não souberam responder, um citou que seria interessante tê-los para todos os assuntos. Os outros professores citaram: Eletromagnetismo (2); associação de resistência elétrica e capacitores (1); Eletricidade (1); Termologia e Termodinâmica (1). O número entre parênteses indica o número de professores que escolheu o tópico. Embora o conteúdo de Óptica tenha sido considerado o mais difícil de ensinar, nenhum professor sugeriu tópicos de Óptica para o material em thermoformagem.
## Considerações finais
O resultado da sondagem indica a existência de uma lacuna na formação do professor de física em relação à inclusão de alunos cegos, em acordo com Glat (1998, apud LEÃO; DOESCHER; DA COSTA, 2005), e que poucas escolas possuem material didático para atendimento a estes alunos, conforme apontado por Costa, Neves e Barone (2006). Cabe ainda ressaltar que nenhum professor entrevistado conhece material de relevo à base de thermoformagem e que a maioria tem interesse em trabalhar com o material.
Verifica-se que há muito o que fazer para alunos que necessitam de novos métodos que atendam às suas espeficidades de aprendizagem, estes obstáculos serão transpostos somente com o planejamento das ações educacionais realizadas pelo professor. Assim, ao realizar uma pesquisa sobre o conhecimento do professor em relação aos materiais disponíveis, investigam-se quais são as contribuições necessárias para a criação de novos materiais e recursos que permitam ao professor realizar uma mediação baseada em adaptações necessárias para o aluno aprender. Essa realidade indica a necessidade da elaboração e utilização de materiais em relevo, fazendo com que os materiais de thermoformagem, principalmente sobre conteúdos de Óptica, sejam apontados como um recurso que auxiliaria bastante o ensino de Física a alunos cegos.
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## Referências
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.