Ensinando Geocentrismo e Heliocentrismo para alunos deficientes visuais: uma proposta didática a luz da teoria dos modelos mentais
Bruna Raíssa Gomes Dos Santos, Erlânia Hélen Da Silva Fernandes, Cyro Wálison Soares Da Silva, Ricardo Rodrigues Da Silva, Clarissa Souza De Andrade
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 24/01/2013
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ENSINANDO GEOCENTRISMO E HELIOCENTRISMO PARA ALUNOS DEFICIENTES VISUAIS: UMA PROPOSTA DIDÁTICA À LUZ DA TEORIA DOS MODELOS MENTAIS
Bruna Raíssa Gomes dos Santos 1 , Erlânia Hélen da Silva Fernandes , Cyro 2 Wálison Soares da Silva , Ricardo Rodrigues da Silva , Clarissa Souza de 3 4 Andrade 5
1 IFRN /Campus Caicó, brunaraissags@gmail.com
2 IFRN /Campus Caicó, erlaniahelen@gmail.com
3 IFRN /Campus Caicó, cyrowalison2@gmail.com
4 IFRN /Campus Caicó, ricardo.rodrigues@ifrn.edu.br
5 IFRN /Campus Caicó, clarissa.andrade@ifrn.edu.br
## Resumo
Mesmo com a preocupação crescente acerca da inclusão de alunos portadores de necessidades especiais nas salas de aula regulares e a implementação de leis, diretrizes e parâmetros que reforçam essa inserção, são diversas as dificuldades encontradas para a garantia de seu ensino-aprendizagem nas aulas de Ciências. Diante deste contexto, o presente trabalho objetiva trazer uma contribuição para o campo de pesquisa em ensino de Física, apresentando uma proposta de estratégia didática sobre modelos planetários para alunos com deficiência visual. Baseados na literatura especializada encontrada em anais de eventos e periódicos nacionais e apontando para a necessidade de uma aula mais dialogada e interativa, foi elaborada uma proposta didática que consiste em momentos de problematizações, discussões, utilização de dinâmicas e experimentos. Sua aplicação será articulada aos trabalhos desenvolvidos pelos autores dentro do PIBID, sendo realizada nas escolas parceiras do programa. Para análise da aprendizagem dos alunos durante e após aplicação da proposta didática, propomos a teoria sobre a formação de modelos mentais de Johnson-Laird. Acreditamos que mesmo se tratando de uma pesquisa em andamento e a proposta ainda não ter sido aplicada, o trabalho possa contribuir para o âmbito da educação inclusiva no que se refere a auxiliar uma prática docente mais acertada em nosso intento de incluir com qualidade, alunos com deficiência visual em salas de aula de Física.
Palavras-chave : Deficientes visuais, Ensino de Física, Estratégia didática e Modelos mentais.
## Introdução
A preocupação acerca da inclusão de alunos com necessidades especiais nas salas de aula tem se intensificado nos últimos tempos. Com a instituição da Lei de Diretrizes e Bases 9.394/96 (BRASIL, 1996) - que assegura o direito de frequentar, preferencialmente, as salas de aula da rede regular de ensino e dispõe, quando necessário, de serviços de apoio especializado garantindo professores especializados e capacitados para sua integração no ensino regular - tornou-se um direito legalizado seu ingresso na educação escolar.
Diante desse contexto e a partir da preocupação de uma turma de licenciandos em Física do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, Câmpus - Caicó, em saber lidar com alunos portadores de necessidades especiais em sala de aula, dá-se início ao projeto 'O ensino de Física
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20 a 25 de janeiro de 2013
para deficientes visuais e auditivos'. Tal pesquisa faz parte do Projeto Integrador da Licenciatura em Física da referente instituição e constitui-se em um dos itens da modalidade de prática do currículo do curso. O projeto objetiva fortalecer a articulação da teoria com a prática, valorizando a pesquisa individual e coletiva e funcionando como um espaço interdisciplinar, a fim de proporcionar ao futuro docente oportunidades de reflexão sobre sua prática. Dando ênfase ao ensino de Física a deficientes visuais , o presente trabalho faz um recorte de estudo do citado projeto.
No campo de pesquisa do Ensino de Física são vários os trabalhos que trazem estratégias metodológicas direcionadas ao ensino de alunos deficientes visuais: Camargo e Silva (2006); Camargo et al (2008); Borges et al (2008), são alguns exemplos. De fato a elaboração dessas estratégias são de extrema importância para que se consiga realmente promover a integração desses alunos em salas de aula regulares. A esse respeito Silva (2008, apud SILVA e BARBOSALIMA, 2011) explica:
É primordial que todos os educandos, e em particular, o aluno cego, disponha de todos os recursos necessários para ter acesso ao currículo comum, já que a dificuldade dos alunos cegos não está relacionada aos conteúdos a serem adquiridos, mas aos meios com os quais o sistema educativo conta para ensiná-los, podendo ocorrer o paradoxo de haver o aluno incluído fisicamente na sala de aula, mas precisando de integração educativa propriamente dita (SILVA 2008 apud SILVA e BARBOSA-LIMA 2011, p. 2).
No entanto, apesar dessa importância dada às estratégias metodológicas, as pesquisas nesta esfera parecem estar em um estágio inicial. Santos et al. (2011) fazem uma pesquisa bibliográfica sobre a problemática do ensino de Física para deficientes visuais e destacam o maior número de trabalhos encontrados relacionados a estratégias metodológicas, constituindo uma preocupação de destaque na busca por atendimento adequado a esses alunos, mas apontam também uma ausência de estudos sobre sua avaliação e uma melhor investigação sobre sua aprendizagem, além de muitas hipóteses apresentadas não terem sido suficientemente validadas.
Buscando contribuir para o campo de pesquisa em ensino de Física e tendo como base o novo objetivo da educação escolar, a formação do cidadão, o presente trabalho apresenta uma proposta de estratégia didática para alunos com deficiência visual, a qual se articulará com as atividades desenvolvidas pelos autores inseridos no PIBID e no Prodocencia (Programa de Consolidação das Licenciaturas) e será testada em algumas escolas parceiras dos referentes programas.
## Referencial Teórico
Mesmo com a preocupação crescente acerca da inclusão de alunos portadores de necessidades especiais nas salas de aulas regulares e a implementação de leis, diretrizes e parâmetros que reforçam essa inserção, são diversas as dificuldades encontradas para a garantia de seu ensino-aprendizagem nas aulas de Ciências. Tratando do ensino de Física, especificamente, Costa et al. (2006, apud Amaral et al., 2009) esclarecem:
[...] o ensino de física para portadores de necessidades especiais visuais passa por diversos problemas. Os fatores que acarretam as dificuldades de aprendizagem entre esses alunos são: salas lotadas, falta de recursos
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adaptados, falta de salas de apoio, dificuldade de adaptação do material didático, ausência de ledores, falta de professores capacitados para atender a este público, cujos efeitos podem se estender ' da frustração da curiosidade, do interesse e do fascínio do jovem pelo empreendimento científico, ao comprometimento do seu entendimento como um todo conexo ' (COSTA et al., 2006 apud AMARAL et al., 2009, p.3).
Considerando que o ambiente escolar ainda apresenta muitos procedimentos didáticos pautados em referenciais funcionais visuais (CAMARGO e SILVA, 2003) faz-se urgente que nas salas de aula sejam incorporados procedimentos que utilizem outras vias sensoriais, como o tato e a audição.
Segundo Dickman e Ferreira (2008) o ensino de Física tem sido questionado em inúmeros trabalhos quanto à utilização, na maioria das vezes, da metodologia de ensino expositiva apoiada em estruturas visuais, apontando a relevância de experimentos adaptados a fim de explorar os demais sentidos dos alunos deficientes. Desse modo, destaca a importância da elaboração de estratégias didáticas nesse âmbito já que as aulas apoiadas em estruturas visuais são inacessíveis aos alunos com deficiência visual. Surgem, então, várias abordagens metodológicas a fim de realmente promover a integração desses alunos nas salas de aula, assim como facilitar sua aprendizagem, destacando-se em muitas pesquisas a importância da utilização de experimentos no desenvolvimento das atividades escolares.
A experimentação apresenta-se como uma atividade relevante à construção do conhecimento no ensino. Ao reduzir a distância entre teoria e prática, promove a interação dos alunos com os conceitos teóricos estudados, desperta sua criatividade e interesse por meio da abordagem de situações cotidianas, contribuindo, dessa forma, para uma aprendizagem mais significativa. Medeiros et al. (2007) afirma que:
A prática experimental é uma atividade onde o estudante está submetido a uma situação real dos fenômenos da natureza. A sua utilização no ensino de física, seja de caráter qualitativo ou quantitativo, traz aos estudantes condições que facilitam o processo de ensino-aprendizagem em torno de conceitos espontâneos (MEDEIROS et al., 2007, p. 8)
De acordo com Camargo (2007, apud Ferreira e Dickman, 2007) as atividades experimentais no ensino de Física para alunos deficientes visuais são ainda mais importantes, pois além de envolver os alunos na construção do conhecimento, permitem a criação de modelos imagem dos fenômenos discutidos.
Johnson-Laird (1983, apud Martins e Linhares, 2010) propõe que o ponto central da compreensão está na existência de um 'modelo de trabalho' na mente de quem compreende, os quais podem ser construídos como resultado da percepção, da interação social e/ou da experiência interna. A esse respeito Moreira e Greca (2004, apud Martins e Linhares, 2010) afirmam:
O processo de aquisição do conhecimento está vinculado pelas sucessivas reformulações dos modelos mentais dentro de uma mesma 'família' de modelos mentais (com o mesmo núcleo) elaborados pelo indivíduo. Logo, se a informação que o aprendiz deve dar significado não permite a elaboração de modelos mentais adequados para sua compreensão, o aluno não construirá modelos mentais e a informação passará a ser memorizada em forma de representações proporcionais sem significado (MOREIRA E GRECA 2004 apud MARTINS E LINHARES 2010, p. 4).
Dessa forma, a construção de modelos mentais de fenômenos físicos caracteriza-se como uma estratégia de extrema importância para se alcançar uma
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aprendizagem mais efetiva. Ferreira e Dickman (2007) defendem que algumas dificuldades na aprendizagem de conteúdos apoiados fortemente na visualização de fenômenos ou situações - no estudo da óptica, por exemplo - podem ser contornadas pela experimentação, uma vez que é usada como uma maneira de introduzir um modelo da imagem relacionada com o assunto estudado.
Ainda é dada importância às relações comunicacionais entre todos os participantes, docentes e alunos, desenvolvidas em sala de aula, uma vez que podem representar pré-requisito para o surgimento e consolidação de processos de ensino/aprendizagem. Destaca Camargo (2010):
A criação de canais comunicacionais adequados o incluiria junto a processos intrínsecos de ensino/aprendizagem tais como: a criação de hipóteses, a elaboração de dúvidas, reformulação e construção de conhecimentos, etc. Sem a utilização de canais comunicacionais adequados, alunos com deficiência visual encontrar-se-ão, do ponto de vista conceitual e procedimental, numa condição de exclusão no interior da sala de aula. A comunicação representa, portanto, a variável central para a ocorrência de inclusão escolar de alunos com deficiência visual. A partir da construção de um ambiente comunicacional adequado, esses alunos terão condições estruturais básicas de participação efetiva junto aos processos de ensino/aprendizagem (CAMARGO 2010, p. 16).
Tomando como base essas pesquisas já realizadas a respeito da temática sobre o ensino de Física para deficientes visuais e considerando as dificuldades aqui expostas, elaboramos uma proposta de estratégia didática sobre modelos planetários para alunos com deficiência visual e propomos a abordagem sobre formação de modelos mentais de Johnson-Laird como um possível instrumento metodológico para analisar a aprendizagem desses alunos.
## Metodologia
Inicialmente, foi realizada uma busca sistemática por trabalhos publicados em anais de eventos e periódicos nacionais que abordassem a temática, procurando, principalmente, por aplicação e/ou elaboração de estratégias didáticas para o ensino de Física a deficientes visuais. Selecionados os trabalhos, efetuou-se a leitura dos seus resumos e artigos completos.
Baseados na literatura especializada encontrada e a partir de várias discussões entre professores e licenciandos inseridos no projeto integrador do curso, foram definidos grupos - mediante as especificidades da turma. O passo seguinte se deu com a elaboração da proposta metodológica que, apontando para a necessidade de uma aula mais dialogada e interativa, aborda problematizações e discussões com os discentes, assim como utiliza de dinâmicas e experimentos.
A partir da inserção dos autores no Prodocência, cujo tema trabalhado no IFRN/Campus Caicó é Astronomia, foi que surgiu a ideia de elaborar a proposta didática sobre modelos planetários. Além disso, trata-se de um assunto o qual todos os alunos, sem restrições entre videntes e não videntes, sentem a necessidade de algo mais concreto para compreender satisfatoriamente os fenômenos envolvidos. Dessa forma, acreditamos que possa promover uma maior integração entre os discentes durante a aula e atenuar os preconceitos que possam existir entre eles.
Logo abaixo, segue os resultados desta pesquisa que dizem respeito à própria descrição da proposta de estratégia didática: seus objetivos, desenvolvimento metodológico, recursos utilizados e avaliação.
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## Resultados: A Proposta Didática
A proposta será desenvolvida por licenciandos - os responsáveis por sua elaboração - e aplicada a um aluno deficiente visual separadamente, em virtude de tratar-se apenas de um teste inicial. Posteriormente, pretende-se fazer as modificações necessárias e aplicar à sala de aula regular. Seu objetivo será discutir sobre as concepções de mundo geocêntrica e heliocêntrica a fim de que o aluno perceba e compreenda as implicações desse estudo para sua vida. Para tanto, dividimos nosso desenvolvimento metodológico em três momentos diferentes: problematização, dinâmica e discussão.
A aula será iniciada com uma problematização objetivando conhecer as concepções de mundo do aluno, seguindo alguns questionamentos como: qual a cidade onde mora? Qual estado? Qual País? Como você imagina que seu país está inserido no planeta Terra? E como é o planeta Terra? Essas questões surgem com o intuito de sistematizar o pensamento do aluno em relação ao formato da Terra e sua concepção de mundo além de permitirem aos professores saberem o que o aluno já conhece acerca da temática abordada.
A importância em saber o conhecimento dos alunos sobre um determinado objeto de estudo antes de discutir o conteúdo sob a concepção científica está em considerarmos que os estudantes constroem seus próprios conhecimentos na interação de suas estruturas mentais com a informação que recebem do meio externo e na interação com os outros. A construção do conhecimento dá-se, sempre, a partir de conhecimentos anteriores, e não sobre uma base vazia. Freire (1985, apud Silva e Nunez, 2007) afirma que 'uma educação bancária na qual se desconhece o que o estudante sabe, sua cultura, interesses, necessidades, leva à aprendizagem memorística descontextualizada, pouco relevante para os estudantes, com pouco potencial educativo'.
No segundo momento da aula, será realizada uma dinâmica na qual, inicialmente, o aluno gira em torno de si mesmo e um professor parado em uma única posição bate palmas (figura 01). Posteriormente, trocam-se as posições e o docente bate palmas girando ao redor do aluno (figura 02). Essa dinâmica servirá para o discente perceber por meio da audição que as duas situações proporcionam as mesmas sensações de localidade, abordando após seu relato sobre a experiência a grande discussão que se tinha entre os modelos planetários do Geocentrismo e do Heliocentrismo.
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Figura 01: primeiro momento da dinâmica Figura 02: segundo momento da dinâmica
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Considerando que para o ensino de Física a alunos deficientes visuais existe a necessidade de estratégias pautadas em outras vias sensoriais (Camargo e Silva, 2003), a utilização dessa dinâmica pode destacar-se como uma interessante ferramenta metodológica para o planejamento de uma prática docente que pretenda inserir com qualidade esses alunos junto aos processos de ensino-aprendizagem desenvolvidos em sala.
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O terceiro e último momento iniciar-se-á com uma discussão sobre os modelos planetários, o Geocentrismo e o Heliocentrismo, abordando suas principais características e diferenças, as controvérsias que existiram ao longo da história a esse respeito e os impactos que trouxeram para a sociedade em si. Além de destacar as explicações que o modelo atual traz para fenômenos os quais ocorrem no cotidiano do aluno. Paralelamente, apresentam-se algumas formas geométricas em três dimensões a fim de que o aluno perceba a distinção, principalmente, entre a esfera e o plano, uma vez que são concepções contestadas sobre o formato da Terra nos dois modelos planetários. Essa discussão e diálogo entre docente e discente acerca da temática caracteriza-se como um elemento essencial para o ensino de Física a deficientes visuais na medida em que se toma um maior cuidado na tentativa de criar um canal comunicacional adequado para o aluno, ferramenta importantíssima para a sua efetiva participação no processo ensino-aprendizagem segundo Camargo e Nardi (2007).
Por fim, apresenta-se uma maquete¹, representada na figura 03, que acreditamos favorecer a construção de um modelo mental mais adequado sobre o Heliocentrismo - concepção mais aceita atualmente - na qual sua manipulação será mediada pelo professor que explicará a maquete ao mesmo tempo em que será dado espaço para os comentários e relatos do aluno. Vale salientar que haverá uma contínua mediação durante esse momento no qual o professor orientará passo a passo do manuseio do experimento junto ao aluno. Este momento é finalizado com uma reflexão do aluno acerca do que foi estudado, a qual será gravada e servirá como registro da aula.
Figura 03: Maquete do modelo planetário - Heliocentrismo
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A experimentação no ensino como atividade complementar é necessária à construção do saber, contribuindo para um aprendizado significativo dos conceitos físicos abordados e caracterizando-se como uma ferramenta ainda mais importante para o ensino-aprendizagem de alunos deficientes visuais uma vez que permitem a criação de modelos imagem dos fenômenos discutidos, afirmam Ferreira e Dickman (2007).
Quanto à avaliação, se dará de forma contínua durante todos os momentos, a partir da participação e desempenho do aluno no desenvolvimento das atividades e dos debates e discussões entre docentes/discente. Também serão analisados seus comentários referidos aos conteúdos ministrados que serão gravados em cada momento, buscando observar se houve a construção de modelos mentais durante a proposta de estratégia didática porquanto sua existência caracteriza-se como ponto central da compreensão, de acordo com Johnson-Laird (1983 apud Martins e Linhares, 2010). A metodologia proposta para investigar se houve a formação de modelos mentais durante os momentos se dará a partir da análise das falas e
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expressões do aluno, baseando-se em Moreira (1996) que afirma:
'Possíveis metodologias para investigar modelos mentais estão baseadas na premissa de que as representações mentais das pessoas podem ser inferidas (modeladas) a partir de seus comportamentos e verbalizações' (MOREIRA 1996, p. 18).
## Considerações Finais
Defendendo uma prática educativa que vise uma formação de cidadãos autônomos, críticos e participativos, capazes de atuar com competência e responsabilidade na sociedade a qual vivem e considerando as dificuldades destacadas na inserção de alunos deficientes visuais nas salas de aula regulares, acreditamos que a proposta aqui apresentada - mesmo não tendo sido ainda testada - surge como uma possibilidade de estratégia didática para potencializar o ensino aprendizagem desses alunos que a cada dia estão mais presentes em nossas salas de aula. Apontamos ainda a análise dos discursos do aluno a partir da abordagem sobre a formação de modelos mentais como uma possível ferramenta para avaliar a aprendizagem desses alunos.
Mesmo se tratando de uma pesquisa em andamento e a proposta ainda não ter sido aplicada, mas que será posta em prática em breve, acreditamos que o trabalho possa contribuir para o âmbito da educação inclusiva no que se refere a auxiliar uma prática docente mais acertada em nosso intento de incluir com qualidade alunos com deficiência visual em salas de aula de Física.
## Referências
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CAMARGO, Eder Pires; SILVA, Dirceu. Atividade e material didático para o ensino de física à alunos com deficiência visual: queda dos objetos. IV Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, Bauru-SP, 2003. Disponível em: <www.dfq.feis.unesp.br/dvfisica/artigo5-atividadeematerial.doc>. Acesso em: 09 de junho de 2012.
CAMARGO, Eder; SILVA, Dirceu. O ensino de Física no contexto da deficiência visual: análise de uma atividade estruturada sobre um evento sonoro - posição
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de encontro de dois móveis . Revista Ciência e Educação, São Paulo, v. 12, n. 2, p. 155-169, 2006. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/ciedu/v12n2/03.pdf > Acesso em: 01 de julho de 2012.
CAMARGO, Eder Pires; NARDI, Roberto; VERASZTO, Estéfano Visconde. A comunicação como barreira à inclusão de alunos com deficiência visual em aulas de óptica . Revista Brasileira de Ensino de Física, São Paulo, vol. 30, n. 3, setembro, 2008. Disponível em: < http://www.sbfisica.org.br/rbef/indice1.php?vol=30&num=3 >. Acesso em: 01 de julho de 2012.
DICKMAN, Adriana Gomes; FERREIRA, Amauri Carlos. Ensino e aprendizagem de física a estudantes com deficiência visual: desafios e perspectivas . ABRAPEC, Belo Horizonte, vol. 8 n. 2, maio/agosto, 2008. Disponível em: < http://www.fae.ufmg.br/abrapec/revista/index.html >. Acesso em: 04 de junho de 2011.
FERREIRA, Amauri Carlos; DICKMAN, Adriana Gomes. Ensino de Física a estudantes cegos na perspectiva dos professores . VI Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Ciências, Florianópolis, 2007. Disponível em CD-ROOM.
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