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ENSINO DE FÍSICA E MÚSICA: UMA PROPOSTA PARA O ENSINO DE ACÚSTICA

Daniel De Andrade Moura, Pedro Bernardes Neto

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
24/01/2013
Linha de pesquisa
Ciência, Cultura E Arte
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ENSINO DE FÍSICA E MÚSICA: UMA PROPOSTA PARA O ENSINO DE ACÚSTICA

## Pedro Bernardes Neto , Daniel de Andrade Moura 1 2

1 UNESP, pedrobernardesneto@gmail.com 2 UFABC, ascencao@hotmail.com

## Resumo

A acústica é um tema apresentado aos alunos da educação básica durante a abordagem de ondas sonoras, normalmente no segundo ano do ensino médio. Devido a sua relação com a música, o assunto pode ser abordado interdisciplinarmente fazendo uso da linguagem musical de forma a melhorar a eficácia do processo de ensino-aprendizagem, contextualizar o assunto e motivar o educando. Tendo isto em vista, o presente artigo apresenta uma proposta de construção e criação de instrumentos musicais, a partir de materiais de baixo custo, na qual o aluno participa de maneira ativa no processo de ensino. O intuito é oferecer ao professor de física mais uma ferramenta para tratar a acústica em sala de aula. A proposta foi executada numa turma de segundo ano do ensino médio com 20 alunos, sendo possível perceber ao término de sua execução que os alunos ficaram mais motivados e predispostos para as aulas sobre acústica.

Palavras-chave : acústica, construção de instrumentos musicais.

## Introdução

A acústica é um assunto apresentado pela Física normalmente no segundo do ensino médio. Ondas mecânicas, frequência e intensidade sonora são alguns dos temas abordados dentro do assunto.

Porém, apesar da importância do tema, é comum o professor encontrar alunos desinteressados e desmotivados com o ensino de física, que é vista por muitos educandos como uma disciplina desinteressante. Além disso, há alunos que possuem grande dificuldade na compreensão dos temas trabalhados por ela.

Uma forma de amenizar os problemas presente no ensino da acústica é contextualizar o assunto, com o intuito de motivar o aluno a participar de forma ativa do processo de ensino-aprendizagem. Segundo Conceição et al (2009), 'a relação Física-Música é bastante rica no sentido de poder explorar vários conceitos importantes da Física através do estudo da música'. Como a acústica e a música estão intrinsicamente relacionadas, e levando em conta que a linguagem musical faz parte do universo de todos os seres humanos, o uso de instrumentos musicais pode auxiliar no ensino do assunto e facilitar o árduo trabalho do professor de física.

Além da motivação citada acima, relacionar música e física é uma ação incentivada pelo PCN:

'Compreender a Física como parte integrante da cultura contemporânea, identificando sua presença em diferentes âmbitos e setores, como, por exemplo, nas manifestações artísticas ou literárias, em peças de teatro, letras de músicas etc., estando atento à contribuição da ciência para a cultura humana' (MEC, 2002, p.87).

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20 a 25 de janeiro de 2013

Porém relacionar música e física não é uma tarefa simples, pois exige interdisciplinaridade na forma de abordagem e conhecimentos de ambas as áreas. O problema é agravado pela formação dos professores de física e de música. Os que conhecem a parte física do som normalmente não possuem vivência musical e aqueles que dominam saberes musicais normalmente não conhecem os conceitos físicos do som.

Tendo isto em vista, o presente artigo apresenta uma proposta para o ensino de acústica no ensino médio, de forma a facilitar o processo de ensinoaprendizagem do tema. Nela, o aluno cria e monta instrumentos musicais com materiais de baixo custo, sendo sujeito ativo na construção de seu conhecimento e desenvolvimento de suas habilidades e competências. A criatividade é um dos componentes principais na proposta, que foi aplicada numa turma do segundo ano do ensino médio de 20 alunos da Escola Educandário Elite, localizada na cidade de Guarulhos.

## Criatividade e o ensino de Física

A criatividade e sua inserção dentro do currículo escolar é um assunto em pauta atualmente. E muitos países, como na Finlândia, a busca é como fazer os estudantes criarem possibilidades a partir dos conceitos apreendidos em sala de aula. Esta abordagem visa a criar cidadãos versáteis, capazes de lidar com o máximo de problemas possíveis em uma mesma situação.

Na educação brasileira atual, especialmente quanto às ciências exatas, o incentivo à criatividade ainda é muito negligenciado. Principalmente num ensino tradicional de física em que se tem a ideia de que o aluno deve apreender numerosas técnicas para realização de cálculos e, depois de 'absorvidos', estão preparados para discutir e aplicar os conceitos físicos.

Este artigo vai à contramão desta proposta, pois simplesmente levar o educando a decorar os conceitos físicos não significa que o mesmo será capaz de aplicá-los. Para isso, a criatividade e a contextualização são elementos valorizados neste trabalho, pois demonstram a conexão da realidade do estudante com os conteúdos da Física.

Para discutir a criatividade dentro do ensino, é necessária sua definição. Dentre tantas, adotamos duas definições propostas por Demos et al (1967), uma para o contexto individual e outra para o coletivo:

- · Criatividade Individual: se trata de um processo que envolve a formação de hipótese, o teste da mesma e a comunicação dos resultados obtidos.

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- · Criatividade em nível social: Processo que resulta em um novo trabalho que é aceito como convincente para deter minado grupo de pessoas, como útil ou satisfatório, em determinado período.

A abrangência destas definições é o que nos leva a admiti-la, mesmo sendo afirmada em meados no fim da década de 70. Como não é tão específica, abarca diversas disciplinas e demonstra que já nesta época não se entendia o ensino da criatividade ligado estritamente ao ensino das artes, que é exatamente o que este artigo propõe.

Ainda parafraseando Demos et al (1967), eles entendem a criatividade como algo a ser 'ensinado', em que estabelecem três princípios básicos para isso:

- 1. Todos possuem certa medida de criatividade;
- 2. Tais habilidades que alguém possui podem ser desenvolvidas por meio da prática;
- 3. Tal treinamento é de responsabilidade da escola.

Desta forma, argumentamos na mesma linha no sentido de que o ambiente escolar deveria desenvolver este papel, o que não ocorre na maioria dos casos. Esta é deixada junto às artes, porém, mesmo estas podem ser abordadas de modo extremamente técnico e repetitivo, refletindo num ensino praticamente sem nenhuma abordagem criativa neste sentido.

A proposta principal deste artigo é, portanto, apresentar uma atividade desenvolvida no nível médio a partir da criação de instrumentos musicais com materiais do cotidiano. No SNEF em 2011, realizamos uma proposta da reprodução de técnicas de construção de instrumentos musicais de baixo custo. Agora, a ideia é apresentar possibilidades sonoras e acústicas de objetos geralmente não conectados ao fazer musical, como linhas de pesca, garrafas plásticas, grãos de feijão, etc. Assim sendo:

'[...] ao considerar outras formas de utilização para um objeto como uma folha de papel, os estudantes são ensinados a olhar para cada atributo do papel -sua brancura, seus quatro cantos, suas bordas retas, etc. Cada um destes atributos, então, sugere um número de utilidades possíveis' (DEMOS et al, 1967, p. 35).

Como apresentado, o foco é um trabalho com música que visa a gerar interesse nos estudantes e envolver os conteúdos das disciplinas Física e Artes, com o objetivo principal de, por meio de uma proposta criativa, dar ao aluno domínio dos conceitos físicos apreendidos em sala. A avaliação deste ocorre, em primeiro lugar, observando a produção final e, em um segundo e mais importante, através do questionamento do professor quanto aos temas presentes na acústica.

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## Proposta de Criação e Montagem de Instrumentos Musicais para o Ensino de Física

A proposta aqui apresentada possuía dois objetivos:

- -Desenvolver a percepção prática dos estudantes sobre os seguintes conteúdos de acústica: frequência, timbre, intensidade sonora e harmônicos.
- -Avaliar capacidade dos estudantes em relacionar os conceitos de acústica com materiais de sucata para construção de instrumentos musicais.

Para a realização da atividade, foram utilizados os seguintes materiais:

- - Copos de vidro
- - Garrafas plásticas com tampas
- - Arroz
- - Feijão
- - Tubos de PVC
- - Cordas de violão usadas
- - Caixa de sapato
- - Folhas de papel
- - Rolos de papel higiênico
- - Fita adesiva

No início da aula, os alunos foram divididos em grupos. Cada grupo recebeu uma porção do material e tinha como atividade criar um ou mais instrumentos musicais a partir dos elementos que haviam recebido, explorando possibilidades sonoras.

Ao término da construção dos instrumentos, criados a partir da criatividade de cada grupo, cada equipe apresentava o que havia construído, tocando o aparato recém-criado e buscando fazer sons com alturas e timbres diferentes.

Após a apresentação, os alunos foram instigados a relacionarem os efeitos sonoros obtidos a partir de suas criações e os conceitos físicos abordados previamente em sala de aula.

## Resultados Obtidos na Aula

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A proposta foi executada pelos dois autores deste trabalho, sendo que o Daniel de Andrade Moura era o professor de Física responsável pela turma e Pedro Bernardes o professor de Música.

O trabalho teve duração de 50 minutos, sendo 30 para a atividade prática e 20 para a discussão sobre os conceitos da acústica presentes em cada artefato criado. Vinte alunos participaram da atividade, sendo divididos em quatro grupos, deixando que se agrupassem de acordo com sua vontade. Depois, eles receberam os materiais e foram estimulados a construírem um ou mais instrumentos musicais.

Durante a montagem observou-se que houve muito interesse no trabalho, embora faltassem ferramentas práticas para tanto. Via-se a relação entre os objetos, mas não como relacioná-los. Um exemplo foi um garoto que tentava relacionar o copo d'água com um tubo de PVC, mas não via possibilidades para tanto. Quando os professores sugeriram: 'Por que você não tenta utilizar água dentro do copo? Vai que algo acontece.' A partir desse pequeno comentário, ele construiu a FLAUTA D'ÁGUA. Outra estudante via rolos de papel higiênico, os feijões e arroz, sentia a possibilidade de utilizar esses dois elementos, porém faltava algo. Então ela pediu aos professores uma fita adesiva e construiu um CHOCALHO. Essas duas mesas foram aquelas com melhores resultados em termos de elaboração, até em função do pouco tempo disponibilizado. Outros grupos se limitaram a assoprar os tubos de PVC, no máximo colocando a folha de papel na saída do mesmo, obtendo outro resultado sonoro. Um último encheu a garrafa com água e percebeu que sem a água, ao bater na garrafa, o som é significativamente diferente de seu som com a água.

Quando os alunos e os professores voltaram à sala para a discussão sobre o que havíamos realizado, observou-se que os estudantes relacionaram aos instrumentos construídos os seguintes conceitos de acústica:

- · Frequência: a flauta d'água montada por uma das equipes possibilitou a demonstração de sons graves (menor frequência) e agudos (maior frequência). Outro grupo assoprou diversas vezes sobre a boca de uma garrafa pet com água, mudando a quantidade de água e, consequentemente, modificando a frequência obtida.
- · Intensidade sonora: no chocalho os educandos brincaram bastante com a questão da intensidade. As demais equipes também realizaram algumas possibilidades com diferentes amplitudes sonoras, por meio de um assopro mais forte.
- · Timbre: por meio das diferentes fontes sonoras produzidas pode-se perceber as diferenças timbristicas.
- · Harmônicos: embora não tenha surgido na discussão feita logo após a atividade, o aprendizado do tema 'harmônicos' ficou mais fácil, pois os alunos conseguiram vincular o conteúdo com a prática realizada na aula anterior.
- O professor de música ilustrou a questão do violão tocando algumas músicas, porém acredito que tudo ficou um pouco distante, já que ninguém explorou a questão das cordas durante a atividade.

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No geral, a atividade superou as expectativas, que eram baixas. Portanto poderia ter sido exigido mais deles. Por outro lado, questões de disponibilidade de horário para tanto atrapalharam um pouco o desenvolvimento.

## Conclusão

A proposta se mostrou uma boa ferramenta para o ensino de acústica, pois os alunos se sentem motivados a participarem da aula quando são incentivados a criarem instrumentos musicais. Além disso, os alunos puderam vivenciar na prática os conceitos que foram abordados em sala de aula, o que auxiliou no processo de ensino-aprendizagem da acústica.

Porém, é preciso ressaltar que seria interessante a realização da proposta em mais turmas e o uso de outros materiais a fim de aperfeiçoar a ferramenta aqui apresentada.

## Referências

CONCEIÇÃO, M. O.T.. et al. Uma proposta de utilização da acústica musical no Ensino de Física . Trabalho apresentado no SNEF XVIII em 2009.

DEMOS, George D.; GOWAN, John curtis; TORRANCE, E. Paul. Creativity: Its Educational Implications . New York, London, Sydney: JOHN WILEY & SONS, INC, 1967.

MENEZES, Flo. A acústica musical em palavras e sons . São Paulo: Ateliê, 2004.

MEC. PCN + Ciências da Natureza e suas Tecnologias - Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio . Publicado em 2002.

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