FEIRA DE CIÊNCIAS: RELATO DE UM TRABALHO INTERDISCIPLINAR
Jéssica Azevêdo Vieira, Adevailton Bernardo Dos Santos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 24/01/2013
- Linha de pesquisa
- Ciência, Cultura E Arte
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## FEIRA DE CIÊNCIAS: RELATO DE UM TRABALHO INTERDISCIPLINAR
## Jéssica Azevêdo Vieira , Adevailton Bernardo dos Santos² 1
- 1 Universidade Federal de Uberlândia/Facip/Curso de Física, jessicaafisica@hotmail.com
- 2 Universidade Federal de Uberlândia Facip/Curso de Física, adevailton@yahoo.com.br
## Resumo
O objetivo principal deste artigo é a análise sistemática das interações e envolvimentos desenvolvidos na realização da Feira: 'Meio ambiente - Onde as Ciências se completam'. A metodologia de realização do evento é justificada por fatores que priorizem conectivos facilitadores para a dinamização da aprendizagem. O trabalho foi realizado no âmbito do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência) com o apoio da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), na Escola Estadual Coronel Tonico Franco, localizada na cidade de Ituiutaba - MG. Foram realizadas atividades relacionadas ao tema abordado, as quais destinavam-se a exploração dos assuntos abrangidos e sua consequente compreensão, como também, a interação entre comunidade escolar e sociedade. Ao final foi aplicado um questionário com o objetivo de analisar as características predominantes no evento, através da experiência dos próprios alunos participantes. Verificou-se através deste, que os educandos apresentam disposição e maior interatividade em atividades que dinamizem o conhecimento onde estes sejam colaboradores na construção e desenvolvimento da aprendizagem.
Palavras-chave : Feira de Ciências; Interdisciplinaridade; Meio Ambiente.
## Introdução
Segundo texto publicado pelo MEC (2006), historicamente, sabe-se que a educação brasileira teve suas estratégias e metodologias fortemente inspiradas por estudos realizados no exterior, em grande escala na literatura norte-americana, a partir da metade do século XX. Até meados dos anos 50, o ensino era tratado como tradicional, o qual valorizava somente aspectos positivos, desconsiderando o conhecimento científico, neutralizando totalmente, a ciência em si. Em 1957, a União Soviética lança o Sputnik (primeiro satélite artificial) no espaço, despontando-se em sua supremacia espacial e tecnológica, e como consequência, Estados Unidos reúne os melhores/maiores especialistas na área das ciências naturais e exatas. Os efeitos foram imediatos e causaram mudanças nos currículos escolares, com a finalidade de compreensão do conhecimento e métodos utilizados. Com esse pensamento, surgem então, projetos de ensino, os quais se expandiram em países da América, inclusive Brasil.
Constituiu-se o Centro de Ciências em 1963, com o auxílio do IBECC (Instituto Brasileiro de Educação, Cultura e Ciências), formando posteriormente, a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento do Ensino de Ciências (FUNBEC). Estas formações consolidaram o início às ciências e tais permitiam aos professores e estudantes, o desenvolvimento de práticas experimentais fora do âmbito escolar. Esses projetos eram, inicialmente, sediados em universidades e institutos especializados, com a intenção de atingir os objetivos educacionais, a fim de reformularem o currículo existente, até o momento. Concluídas as reformulações,
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20 a 25 de janeiro de 2013
distribuíram-se as mesmas a professores, através do Guia do Professor, e aos estudantes pelo livro didático. A Lei de Diretrizes Básicas (LDB) 4.024, de 1961, favoreceu significativamente o ensino de Ciências no país, introduzindo o aumento da carga horária para as disciplinas de Física, Química e Biologia, no ensino médio. Com a concretização desses projetos, iniciou-se a divulgação científica, juntamente com a preparação dos jovens na escola primária e secundária. Tal mediação proporcionou inúmeras atividades práticas, destacando-se entre elas, as Feiras de Ciências e os Clubes de Ciências .
As primeiras feiras foram realizadas na cidade de São Paulo nas instalações da Galeria Prestes Maia, sob coordenação da IBECC/UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, e em seguida, várias se estenderam a várias cidades do Estado. Em decorrência do tempo, diversos Estados consentiram a ideia, destacando-se o maior desenvolvimento das atividades no Sul. Os eventos atingiram não somente a educação pública, como também a privada (MEC, 2006).
Nas décadas de 80 e 90 as Feiras continuaram a ser desenvolvidas no Brasil e em países da América Latina, e em 1986, estudantes brasileiros apresentaram seus trabalhos no Uruguai (Flores) durante a 1ª FEINTER - Feira Internacional de Ciência e Tecnologia Juvenil. No ano seguinte, aconteceu a 2ª FEINTER, tendo como sede a Argentina (Gualeguayychú), a qual vários brasileiros representaram o Brasil e a 3ª FEINTER, ocorreu em Santa Catarina (Blumenau), tendo como destaque os estudantes do próprio país. Ressalta-se que várias outras realizações de Feiras foram concretizadas, tendo destaque internacional e nacional.
Hoje, o movimento continua intenso mostrando-se vivo e importante em todo o Brasil e em países da América Latina, assim como no mundo. Essa metodologia aponta recursos para evidenciar a Ciência como processo, pensar e solucionadora de problemas, excluindo assim, a ideia de Ciência como conhecimento estático. Associando a importância e eficiência das Feiras, como intensificadoras de conhecimento e aprendizado, desenvolveu-se a proposta de realização de um evento, em uma escola estadual da rede pública na cidade de Ituiutaba, abrangendo um tema interdisciplinar, que no caso foi 'Meio Ambiente'. O evento também serviu no favorecimento da divulgação do PAAES (Programa de Ação Afirmativa de 1 Ingresso no Ensino Superior), oferecido pela Universidade Federal de Uberlândia.
## Organização e realização do evento.
Os subprojetos do PIBID da Física, Química e Biologia, juntamente com orientadores da Geografia, e demais educadores da escola em questão, propuseram a realização do evento (Feira: Meio Ambiente - onde as ciências se completam), aos estudantes, sendo aceita praticamente em unicidade. O evento se realizou no dia 6 de Junho de 2012, com colaboração significativa de todos os segmentos da comunidade escolar envolvidos.
Distribui-se subtemas relacionados a proposta central, meio ambiente, assim como, disponibilizou-se orientadores/bolsistas/professores para as turmas do ensino
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médio. A metodologia de orientação dirigiu-se sob observações em todas as salas do Ensino Médio: 16 salas no total, sendo 7 de 1º ano, 5 de 2º ano e 4 de 3º ano, abrangendo um total aproximado de 600 estudantes. Durante o trabalho de orientação, foram realizadas monitorias, diálogos constantes, informações e questionários.
Com o objetivo de verificar o envolvimento dos alunos da escola em relação à Feira e realizar uma avaliação crítica da mesma, aplicou-se um questionário em 4 salas (3 do 1º ano e 1 do 2º ano), totalizando 126 estudantes, uma semana após a conclusão do evento. Tal documento era composto de 15 questões, sendo as seis iniciais elaboradas em escala de respostas gradativas, semelhantes à escala de Likert (valores de 0 a 4 - quanto maior o valor da resposta, maior a positividade da mesma em relação à atividade desenvolvida e/ou melhor a opinião do estudante frente ao tema da questão) e as restantes, dissertativas, as quais os estudantes deveriam responder de maneira em que se visualizasse a opinião do estudante no decorrer do evento. Assim, foram relacionadas perguntas onde eles se colocassem em momentos antes, durante e depois da Feira. As questões utilizadas no questionário encontram-se no ANEXO I. Catalogou-se os dados obtidos para melhor compreensão e estudo das análises existentes. Assim, pode-se dividir as indagações em 4 categorias, nas quais, primeiramente há um grupo de inquisições que questionam a Feira em si, vistas aos olhos dos próprios alunos, e suas implicações. Como exemplo disto, destacam-se a importância do evento para a comunidade escolar, pontos negativos e positivos da mesma.
Outro aspecto pertinente foi a motivação e impacto dos alunos sobre a proposta abordada, suas expectativas e resultados obtidos. Nesse ponto, eles foram indiciados a refletir sobre o que os motivaram a participar do evento, se essa participação foi ativa (ou não) e a utilidade do tema abordado no cotidiano. A terceira classificação pode ser associada ao nível de conhecimento dos educandos, antes e depois da realização da Feira, a necessidade de eventos similares futuramente e em quais disciplinas curriculares houve melhor compreensão e aproveitamento do conteúdo. Um último ponto pode ser aplicado à avaliação dos professores/estagiários e suas orientações e se o escolar seria capaz de realizar um trabalho/projeto semelhante sem a direcionalidade dos mesmos. Para cada turma, fez-se a análise das respostas, aproximando os alunos do evento de forma sistemática, para maior/melhor compreensão entre as interações que ocorrem nesse ambiente, e possíveis fatores facilitadores do processo ensino-aprendizagem. Abaixo, descreve-se o posicionamento de cada grupo de alunos (sala) em referência ao questionamento. Os resultados foram colocados graficamente, para melhor visualização do que se propõe.
## Resultados e Discussões.
O gráfico da figura 1 mostra o resultado obtido nas 6 primeiras questões (escala de Likert - 0 a 4), onde percebe-se o comportamento de cada turma, suas expectativas, proposições e os resultados obtidos. A respeito das motivações e impactos dos alunos relacionados ao evento, nível de conhecimento e necessidade de promoção de eventos com características semelhantes ao realizado e conceituação do trabalho desenvolvido pelos estagiários/professores, assim como, a viabilização da presença, ou não, dos mesmos para o desenvolvimento do projeto.
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Figura 1 . Gráfico mostrando as médias obtidas nas 6 primeiras questões do questionário (anexo I).
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Relacionando os requisitos com as argumentações dos selecionados, podese observar que a sala 01 é consideravelmente adepta a importância da realização de eventos como este em questão, avaliando a participação do grupo satisfatória, sendo apenas 2 não participantes e poucos com participação razoável. Sobre o nível de conhecimento anterior a proposta, percebe-se que era insuficiente, quando comparado a série escolar tratada, porém vê-se também que, este fator sofre uma determinada alteração positiva, comportando a sala em um conhecimento posterior, como sendo equivalente ou maior ao previamente já tido como bagagem. A alacridade em virtude à orientação de estagiários e professores é notável, o que se pode associar a participação de tantos. Correlacionando esse fator a motivação dos alunos, destaca-se também a fomentação dos próprios, ocasionada pela pontuação extra em determinadas disciplinas, o aprendizado em si, assim como, o interesse (sendo este minoria). Além do citado, eles acreditam que o acréscimo de informação foi inserido em Física, Biologia, Geografia e Química. Ressalta-se que dois alunos citam matemática e nenhuma matéria para ser adicionada alguma informação relevante.
Para a segunda classe, atribui-se as mesmas características iniciais à sala anterior, porém, como visto graficamente, os alunos apresentam um conhecimento já prévio superior aos demais, o que logicamente, promove um maior bem estar ao desenvolver o trabalho. A aceitação de melhor rendimento de conteúdo também é evidenciada, mas analisando minuciosamente, percebe-se que o contentamento em relação aos estagiários/professores é em escala, relativamente inferior aos comentários passados, entretanto, continua sendo positivo, quando compara-se o total de alunos na sala em questão. Eles são bastante sinceros quando citam os pontos ganhos 'em troca' de desenvolverem atividades para o evento, e uma pequena parte, relaciona o aprendizado adquirido ou reforçado. Há uma insignificante parcela de estudantes, porém existente, que se adéquam a continuidade do tema em oportunidades além, assim como outros relatam que a motivação ocasionou-se em virtude do desmatamento, sustentabilidade e outros termos relacionados. Associam essas ideias a Física, Biologia e Química. Um
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estudante notifica as questões que envolvem o tema 'energia elétrica' como sendo interessante e de utilidade em seu cotidiano.
Ao atentar-se para a terceira turma, é perceptível considerarem totalmente importante a promoção de eventos desse porte, o que faz a participação ser excelente/boa para quase todos os alunos. O índice de conhecimento eleva-se minimamente, quando comparado antes da realização da Feira e depois. Constatase também, a excelência das orientações dos estagiários, e consequentemente, a importância dos mesmos para a realização de atividades similares. A classe considerou Biologia, Química e Geografia, como disciplinas as quais o conhecimento foi melhorado, com um número pequeno de indicações para Física e todas as demais. O maior interesse na realização do evento foi a pontuação para o bimestre e a melhoria no aprendizado. Nota-se que um aluno respondeu se sentir motivado pela 'competição' formada através do evento, visando o prêmio, que seria a participação na Mostra de Ciência e Tecnologia. Na aplicação do questionário na última sala, observa-se a importância da realização da Feira, porém, não com extrema relevância. A participação dos estudantes foi variante entre razoável e excelente, segundo eles. Há uma distribuição de alunos que se concentram entre a igualdade do nível de conhecimento antes e depois da Feira, e aqueles que consideram o aprendizado superior ao de outrora.
## Considerações finais.
Com abrangência, verifica-se a notoriedade das Feiras através de argumentos metodológicos diferenciados como intercessores da melhoria do processo ensino aprendizagem. Assim, se fez vantajoso a realização do evento, o qual alcançou os objetivos primários, os quais visavam certificar a compreensão do tema proposto, não descartando os conceitos prévios dos alunos, mas acrescentando-os ao aprendizado agora continuamente construído, ou até mesmo, recordar alguns destituídos pela memória. Nota-se também no dinamismo, fatores favoráveis a interações entre professores/bolsistas/orientadores e alunos, e também, toda a comunidade escolar, assim como a sociedade, a qual prestigiou o evento. Espera-se que a divulgação do PAAES tenha sido felizmente assimilada, e como consequência desta conscientização, em tempo certo, o número de inscritos para o programa, seja relativamente propício a quantidade total de alunos comportados pela escola.
## Referências.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MEC). Secretaria de Educação Básica. Programa Nacional de Apoio às Feiras de Ciências da Educação Básica Fenaceb. Brasília: MEC/SEB, 2006.
HARTMANN, A. M.; ZIMMERMANN, E. Feira de ciências: a interdisciplinaridade e a contextualização em produções de estudantes de ensino médio. In: VII ENPEC Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, 2009, Florianópolis. Disponível em: <http://www.foco.fae.ufmg.br/pdfs/178.pdf>. Acesso em 14/04/2012.
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MANCUSO, R. Feiras de ciências: produção estudantil, avaliação, consequências. Contexto Educativo - Revista digital de Educación y Nuevas Tecnologias , n. 6, (2000). Disponível em: <http://contexto-educativo.com.ar/2000/4/nota-7.htm>. Acesso em: 14/03/2012.
## ANEXO I
- 1. Para você, qual a importância do evento 'Meio Ambiente: Onde as Ciências se completam':
- ( ) 0 (totalmente sem importância)
- ( ) 1 (pouco importante)
- ( ) 2 (importante)
- ( ) 3 (muito importante)
- ( ) 4 (totalmente importante)
- 2. Como você avalia a sua participação na realização deste trabalho:
- ( ) 0 (não participei)
- ( ) 1 (pouca participação)
- ( ) 2 (participação razoável)
- ( ) 3 (boa participação)
- ( ) 4 (excelente participação)
- 3. Qual o seu nível de aprendizado sobre o tema abordado no seu trabalho, antes da realização do mesmo:
- ( ) 0 (nenhum)
- ( ) 1 (pouco)
- ( ) 2 (mediano)
- ( ) 3 (bom)
- ( ) 4 (excelente)
- 4. E depois da realização:
- ( ) 0 (nenhum)
- ( ) 1 (pouco)
- ( ) 2 (mediano)
- ( ) 3 (bom)
- ( ) 4 (excelente)
- 5. Você acha que seu aprendizado foi menor, igual ou maior, em comparação ao ensinoaprendizagem que ocorre nas aulas convencionais (aulas normais):
- ( ) 0 (nenhum aprendizado)
- ( ) 1 (menor)
- ( ) 2 (igual)
- ( ) 3 (maior)
- ( ) 4 (muito maior)
- 6. Como você avalia o trabalho de orientação realizado pelos professores/estagiários?
- ( ) 0 (péssimo)
- ( ) 1 (ruim)
- ( ) 2 (mediano)
- ( ) 3 (bom)
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- ( ) 4 (excelente)
- 7. Você seria capaz de realizar um trabalho semelhante (similar) sem a orientação dos professores/estagiários?
- 8. Qual(is) o(s) principal(is) motivo(s) que te levou a participação da Feira?
- 9. Qual a visão que você tinha antes da apresentação sobre o evento (como você achou que seria):
- 10. E depois:
- 11. Em sua opinião, em quais disciplinas, o seus conhecimentos melhoraram com a realização do trabalho?
- 12. O tema desenvolvido em seu trabalho é útil em seu cotidiano?
- 13. Além da realização da feira, houve algum outro motivo que levou você a aprofundar os seus conhecimentos sobre o tema de seu trabalho?
- 14. Em sua opinião o que a feira teve de positivo? E de negativo?
- 15. O que pode ser feito para que outros eventos similares, realizados aqui na escola, sejam melhores?
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.