UM PEQUENO GRUPO DE PESQUISA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES
Joel Túlio Muniz De Lemos Couto, Agamenon Lima Vale, Luiz Gonzaga Roversi Genovese, José Rildo De Oliveira Queiroz
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 22/01/2013
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## UM PEQUENO GRUPO DE PESQUISA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES
Joel Túlio Muniz de Lemos Couto , Agamenon Lima Vale 2 1 , Luiz Gonzaga Roversi Genoveze 3 , José Rildo de Oliveira Queiroz 4
1
Universidade Federal de Goiás UFG/ Instituto de Física, joel\_ladino25@hotmail.com 2 Instituto de Educação de Goiás, agamenon.lv@gmail.com 3 Univesidade Federal de Goiás/Instituto de Física, lgenovez@uol.com.br 4 Univesidade Federal de Goiás/Instituto de Física, rildo@if.ufg.br
## Resumo
Este trabalho relata o impacto da criação de um Pequeno Grupo de Pesquisa (PGP) na formação dos envolvidos como resultante do trabalho realizado no estágio segundo o conceito de ação reflexiva. São feitas inferências na formação dos estagiários e professor supervisor. Trata-se de uma pesquisa qualitativa para melhor análise dos dados, pois, tem uma preocupação especial com o processo de desenvolvimento dos acontecimentos. Adota-se a observação participante que tem por característica não pormenorizar as questões, porém realizar algo mais do que uma simples descrição. O PGP foi formado no Instituto de Educação de Goiás (IEG), escola pública de Ensino Médio da rede estadual em Goiânia-GO, tendo cinco estagiários do curso de Licenciatura em Física da UFG mais o professor supervisor com a participação do professor orientador de estágio da universidade. A nova política de estágio tem proporcionado à iniciação dos graduandos na prática da pesquisa, além da integração social no campo escolar. Reconhecemos este processo como sendo importante para a formação de professores críticosreflexivos.
Palavras chave: formação de professores, ação reflexiva, pequeno grupo de pesquisa.
## Introdução
A pesquisa como componente curricular se faz importante para a formação de professores. No processo educativo, teoria e prática se associam e a educação é sempre prática intencionalizada pela teoria (PIMENTA, 2009). Na formação inicial essa relação teoria-prática é a função principal dos estágios, pois dará ao futuro professor condições para uma ruptura das visões simplistas sobre o ensino de seu conteúdo (CARVALHO, 2012).
O estágio não pode ser encarado como mero 'treinamento em serviço', pautado pela simples aplicação de teorias acadêmicas a problemas bem circunscritos, segundo os moldes de uma racionalidade técnica tão questionada (SCHÖN, 2000). Pelo contrário, deve-se promover a troca de experiências entre os envolvidos, a participação e realização de trabalhos em equipe, a construção de novos conhecimentos e criar a capacidade de tomar decisões profissionais com crescente grau de autonomia num ambiente marcado pela incerteza e urgência (PERRENOUD, 2001). Ou seja, todos os conceitos de reflexão na ação e reflexão sobre a ação podem e devem ser estimulados durante o estágio (CARVALHO, 2012).
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20 a 25 de janeiro de 2013
No intuito de transformar a política de estágio do curso de Licenciatura em Física do Instituto de Física-UFG, o professor da disciplina propôs a criação de um Pequeno Grupo de Pesquisa (PGP) na escola campo de estágio. O PGP é formado pelos estagiários e o professor supervisor com a participação do professor orientador da universidade. Acontece em encontros semanais que tem por objetivo a análise e problematização da prática. É o momento organizador, um importante fórum de ideias, elemento estruturante e estruturador da investigação. Um fórum permanente que se realiza na escola. O PGP é responsável por desenvolver projetos que amparam tanto a formação dos envolvidos como o desenvolvimento do ensino, bem como promove a aproximação entre universidade e escola, além de procurar desenvolver a autonomia desta última (GENOVESE & GENOVESE, 2012).
- O professor da disciplina de Estágio adota a perspectiva de ensino por pesquisa (CACHAPUZ, 2000), e os conceitos envolvidos na criação dos PGP são derivados do conceito de campo (BOURDIEU, 2004), que indica que um determinado campo aumenta sua autonomia proporcionalmente à quantidade de capital interno acumulado.
- O PGP é um grupo guiado basicamente por uma pesquisa geral, intitulada Projeto de Investigação Coletiva (PIC), que tem como objetivo principal a realização dos anseios do professor supervisor do colégio. Em torno do PIC se alocam os projetos individuais dos estagiários, denominado Projeto de Investigação Simplificado (PIS). O PGP, pelo fato de se realizar na escola tem por característica fazer com que os PIS girem em torno dos problemas da escola, independente do referencial adotado por cada um, promovendo ainda o diálogo entre os agentes do campo científico e escolar (GENOVEZ, 2008).
Este trabalho relata o impacto da criação de um PGP na formação dos envolvidos como resultante do trabalho realizado no estágio segundo o conceito de ação reflexiva (ZEICHNER, 1993).
## Metodologia
Este é um relato de experiência do primeiro autor cujos dados foram retirados de Notas de Campo do período de março de 2011 a junho de 2012. O objeto de pesquisa são os agentes envolvidos no PGP. São feitas inferências da formação dos estagiários e professor supervisor. Nesta pesquisa, além de indicar as características do conceito de ação reflexiva que foram exercitados durante a atuação do PGP na escola, relata-se de que forma ela aconteceu. Trata-se de uma pesquisa qualitativa para melhor análise dos dados, pois, tem uma preocupação especial com o processo de desenvolvimento dos acontecimentos. Adota-se a observação participante que tem por característica não pormenorizar as questões, porém realizar algo mais do que uma simples descrição (BOGDAN & BIKLEN, 1994). O PGP foi formado no Instituto de Educação de Goiás (IEG), escola pública de Ensino Médio da rede estadual em Goiânia-GO, em que os envolvidos foram 5 estagiários, o professor supervisor e contou com a participação do professor orientador de estágio da universidade. Neste trabalho identificamos como E1, E2, E3, E4, E5, os respectivos estagiários participantes do PGP.
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## Referencial Teórico
Dentre os princípios norteadores do estágio curricular obrigatório do curso de Licenciatura em Física da UFG está o da reflexão sobre a prática docente, em uma perspectiva crítica e dialética, articulando o pensar ao agir (ação-reflexãoação). Neste sentido, o conceito de ação reflexiva (ZEICHNER, 1993) foi a base teórica escolhida para a identificação dos aspectos que contribuíram à formação dos envolvidos no PGP do IEG. Tal conceito é importante porque além de estar sendo utilizado para a reforma educacional em várias partes do mundo, contempla bem os acontecimentos relativos a esta pesquisa.
O conceito de ação reflexiva tem três características: a primeira remete-se à atenção que o professor deve ter em seu exercício profissional com as condições sociais que o envolve, a segunda consiste em seu caráter democrático colocando enfoque nos problemas de desigualdade e injustiça social e a terceira refere-se ao compromisso de reflexão em termos de prática docente. Assim constroe-se grupos de professores a fim de incentivar a ajuda mútua, tendo um valor estratégico para criar as condições que permitam a mudança institucional e social (ZEICHNER, 1993).
As consequências para a formação de professores do conceito de ação reflexiva giram em torno da autonomização dos espaços educacionais, conjunto com uma produção de teorias pelos professores atuantes na rede de ensino. Esta situação é diferente da apropriação cega de teorias produzidas nas universidades 'para a escola' tão comum nos dias de hoje.
Podemos imaginar o ensino reflexivo como estando permeado de grandes debates em torno dos aspectos positivos e negativos associados à prática docente. Cada professor ao colocar sua prática de ensino sob a discussão de todos os seus companheiros envolvidos no processo ensino-aprendizagem, adquire maior possibilidade de enxergar suas falhas a fim de solucioná-las e seus êxitos a fim de mantê-los.
Mas como toda teoria, esta também tem suas limitações. A apropriação do conceito de ação reflexiva como um fim em si mesmo representa um risco, pois através da reflexão o professor pode produzir maiores danos de forma mais justificada (ZEICHNER, 1993). Não por acaso tal conceito está sendo utilizado como nova bandeira da reforma educacional em curso no mundo inteiro.
## Relato de Experiência
O PGP do IEG foi criado no 1º semestre de 2011, inicialmente com três estagiários. Este como os outros que também foram criados no campo de estágio representam uma nova proposta de modelo de estágio, que antigamente era baseado na observação durante Estágio I e II e regência no Estágio III e IV.
Na medida em que os PGP foram se desenvolvendo em vários colégios começou-se a evidenciar as possibilidades que o ensino por pesquisa pode gerar na disciplina de Estágio (CACHAPUZ, 2000). A mudança principal foi a promoção de uma maior autonomização do campo escolar.
Inicialmente, apenas o primeiro autor deste trabalho participou do processo de mudança de modelo. Quando lá chegou, em março de 2011, o grupo não exercia atividades coletivas nem discussões em torno de aspectos para a formação dos
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estagiários e professor supervisor. Isto fez com que dois dos estagiários não tenham participado integralmente do processo de construção tanto do PGP quanto do PIC. Apesar disso houve aspectos de formação que foram exercitados e indicados em Couto (2011).
A partir de agosto de 2011, o modelo foi ao poucos sendo implantado e envolvendo os outros estagiários. Assim, das discussões no PGP, procurou-se unir os interesses da escola e professor supervisor, aos interesses de pesquisa dos estagiários. Os estagiários começaram a trabalhar em conjunto, discutindo suas ações e resultados, na tentativa de evitar problemas já enfrentados por outros.
Destas discussões, com o professor supervisor e com a participação do professor orientador da universidade, foi escolhida como grande tema do PIC do IEG a alfabetização científica e tecnológica. Assim sendo os PIS do PGP ficaram: uma proposta de ensino de astronomia através da história e filosofia da ciência, dos estagiários E1 e E2; reformulação do conceito clássico de tempo através da história e filosofia da ciência, do estagiário E3; desenvolvimento das máquinas térmicas através da história e filosofia da ciência, dos estagiários E4 e E5.
No início do primeiro semestre de 2012, em Estágio III, ocupamos parte do tempo em esclarecer as características do PGP, e expondo os PIS já prontos, para que os alunos de Estágio I ingressantes no PGP pudessem se orientar melhor num ou noutro PIS dos alunos de Estágio III. Assim o estagiário E1 se aproximou do estagiário E2 e o estagiário E4 se aproximou do estagiário E5.
Tendo explicitado o contexto do PGP do IEG agora tratamos de evidenciar os aspectos relativos ao exercício das características do conceito de ação reflexiva (ZEICHNER, 1993). Diferente do que foi feito em Couto (2011), agora a análise recai sobre todos os elementos do PGP devido à grande participação por parte de todos.
A primeira característica do conceito é relativa à percepção do contexto social em que o processo ensino-aprendizagem está imerso e como tal percepção é essencial para o êxito do processo. Esta característica é bem latente no nosso grupo dada a situação do colégio. Apesar do colégio se situar na região central da cidade, os estudantes são em geral das classes C e D. Há a presença de alguns estudantes com necessidades especiais, devido o lugar ser de fácil acesso, mas somente uma professora qualificada ao acompanhamento. O contexto social da escola foi preocupação constante nas discussões no PGP, e acreditamos que influenciou os integrantes do grupo a escolher abordagens de ensino que refletisse esta realidade. Como exemplo estão os temas dos PIS, e a utilização de kits experimentais de baixo custo. A presença de estudantes com necessidades especiais também influencia na atuação pedagógica do professor supervisor. Ele procura trabalhar com exemplos do cotidiano dos alunos, explicação mais pausada e repete várias vezes se for necessário.
Com relação à segunda, enfoque na injustiça e desigualdade social, não foi possível exercitar esta característica. Durante as reuniões semanais do grupo nenhum dos estagiários colocou enfoque nesta questão, não quer dizer que não tenham pensado a respeito, mas realmente não julgaram importante o suficiente para ser comentado. Ainda estamos nos apropriando do aporte teórico necessário para o desenvolvimento, mas pretendemos nas próximas intervenções tomar cuidado especial com essa característica.
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A terceira característica refere-se ao compromisso do professor em refletir sobre sua própria prática docente. Notamos que esta foi a mais exercitada, pois para a explicação do funcionamento do grupo assim como a adequação dos novos estagiários dentro das linhas de pesquisa do PGP foi necessário instituir um dia de reunião semanal para que a prática de cada estagiário fosse discutida coletivamente, procurando solucionar os problemas que surgiam. As reuniões ocorreram nas quintas feiras, em horário vago do professor supervisor e serviram para que pudéssemos saber o que os outros estagiários estavam fazendo, como estavam fazendo, e com que objetivo. Porém além do encontro semanal esta característica é exercitada a cada momento de discussão entre o professor supervisor e os estagiários, nas trocas de sala, e no fim da aula.
## Considerações finais
O PGP do IEG tem servido de espaço de reflexão e envolvimento de novos integrantes no processo formativo. Neste trabalho evidenciamos como o conceito de ação reflexiva vem sendo utilizado e as qualidades específicas de seu uso para a formação inicial e continuada de professores (ZEICHNER, 1993). Este momento do PGP representa um grande avanço em relação ao que foi desenvolvido no ano passado e relatado em Couto (2011), pois pode-se notar que o conceito de ação reflexiva, vem sendo exercitado pelos vários agentes constituintes do PGP, principalmente em se tratando da terceira característica nas reuniões semanais, servindo de pilar principal do nosso grupo.
A política de estágio do curso tem passado por grandes transformações, e o novo modelo tem proporcionado à iniciação dos graduandos na prática da pesquisa, além da integração social no campo escolar. Reconhecemos este processo como sendo importante para a formação de professores críticos-reflexivos (PIMENTA, 2009).
No campo escolar, a criação de um grupo de pesquisa composto de 'professores de física' abre possibilidades aos anseios do professor supervisor para a pesquisa com os anos de prática e experiência.
- O PGP representa a integração do estagiário no espaço escolar. Desperta o compromisso de preparar a intervenção, junto aos alunos, adequada as suas condições sociais e materiais, a necessidade do estudo aprofundado dos conceitos e a forma como são apresentados.
Não fizemos inferências à consolidação da autonomia do campo escolar porque os dados ainda são insuficientes, pela etapa inicial do grupo, mas é de interesse futuro, relatar a consolidação da autonomia do campo escolar assim como do PGP do IEG.
## Referências
BOGDAN, R. & BIKLEN S. Investigação Qualitativa em Educação : introdução à teoria e aos métodos. Portugal: Porto,1994.
BOURDIEU P. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo científico. São Paulo: Unesp; 2004.
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CACHAPUZ, A., PRAIA, J. & JORGE, M., Reflexão em torno de perspectivas do ensino das ciências: contributos para uma nova orientação curricular. 2000. (Revista de educação).
CARVALHO, A. M. P. Os Estágios nos Cursos de Licenciatura . São Paulo: Cengage Learning, 2012.
COUTO, J. T. M. L. Alguns aspectos de formação dos agentes de um Pequeno Grupo de Pesquisa (PGP) no Instituto de Educação de Goiás (IEG). Unesp Ilha solteira, VII ENPEFIS, 2011.
GENOVESE, L. G. & GENOVESE, C. L. Estágio Supervisionado em Física: considerações preliminares. Goiânia: UAB, 2012.
GENOVEZ, L. G. R. Homo magister: conhecimento e reconhecimento de uma professora de ciências pelo campo escolar. 2008. 228 f. Tese (Doutorado em Ensino de Ciências) Faculdade de Ciências, UNESP, Bauru, 2008.
PERRENOUD, P. Ensinar: agir na urgência e decidir na incerteza. Porto Alegre: Artmed, 2001.
PIMENTA, S. G., LIMA, M. S. L. Estágio e Docência , 4 ed. São Paulo: Cortez Editora, 2009.
SCHÖN, D. Educando o profissional reflexivo: um novo designe para o ensino e aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2000.
ZEICHNER, K. El maestro como profesional reflexivo . (Cuadernos de pedagogia). 1993.
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