OS PRIMEIROS SABERES DOCENTES CONSTRUÍDOS DURANTE A REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO NA DISCIPLINA PRÁTICA DE ENSINO DE FÍSICA
Angélica Cristina Porra, Pedro Donizete Colombo Junior, Cibelle Celestino Silva, Marcelo Alves Barros
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 22/01/2013
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## OS PRIMEIROS SABERES DOCENTES CONSTRUÍDOS DURANTE A REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO NA DISCIPLINA PRÁTICA DE ENSINO DE FÍSICA
Angélica Cristina Porra , Pedro Donizete Colombo Junior , Cibelle Celestino 1 2 Silva , Marcelo Alves Barro 3 4
1, 3,4 Instituto de Física de São Carlos, Universidade de São Paulo; fisica.angel@gmail.com, cibelle@ifsc.usp.br; mbarros@ifsc.usp.br
## Resumo
Neste trabalho analisamos quais foram os primeiros saberes docentes construídos por uma estagiária, durante a realização de seu estágio supervisionado dentro da disciplina Prática de Ensino de Física do curso de Licenciatura em Ciências Exatas da Universidade de São Paulo, onde o estágio foi sua primeira experiência como professora. O estágio supervisionado foi dividido em duas etapas, a primeira referente à observação das aulas de Física em uma escola pública na cidade de São Carlos e a segunda etapa foi a execução da regência em forma de minicurso, onde o tema abordado pela licencianda analisada neste trabalho foi sobre a Espectroscopia. A coleta de dados foi feita a partir da metodologia de pesquisa qualitativa do tipo estudo de caso, onde a licencianda foi entrevistada após ter concluído sua regência. Através da análise de suas falas pudemos notar quais foram os primeiros Saberes Docentes construídos a partir da experiência do estágio.
Palavras-chave : Estágio supervisionado, Formação inicial, Professores de Física, Saberes docentes.
## Introdução
É fato que o estágio supervisionado constitui o alicerce para a formação de profissionais de todas as categorias (Bianchi et. al, 2005). Olhando para o estágio supervisionado nos cursos de Licenciatura, não é difícil perceber que este se distancia muito de atividades deste gênero em outros cursos, em especial dos cursos de bacharelado, uma vez este carrega consigo muitas particularidades: é direcionado para futuros educadores; ocorre em um ambiente já vivenciado e conhecido pelo estagiário, não há remuneração, encontra-se na fronteira cognitiva entre o ser aluno e o ser professor, é possuidor do maior período entre todos os estágios conhecidos, uma vez que podemos inferir que se inicia (mesmo que inconscientemente) na educação básica.
Muitos dos formandos ao iniciarem a carreira, carregam consigo muitas das visões do ser professor adquiridas durante o longo período em que esteve na posição de aluno, desde a educação básica até o nível superior. Tal fato, inevitavelmente influencia em suas atitudes frente às salas de aula, ou seja, a experiência previa adquirida são replicadas (Longuini, 2003). O mais interessante, é que muitas das vezes esta replicação ocorre de forma inconsciente e natural, sendo difícil para o professor iniciante identificá-la e reconhecê-la. Neste contexto, uma medida que pode suprir e fazer a diferença na atuação do licenciando como professor são ações derivadas de uma formação sólida acrescida de um consistente estágio supervisionado.
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20 a 25 de janeiro de 2013
- O estágio tem uma função muito importante na formação inicial do licenciando, seja durante as observações das aulas ou realização de regências. Em sua execução, o licenciando tem a possibilidade de refletir, construir ou anular expectativas sobre a profissão docente e sobre ser professor, a partir do contato direto com a realidade escolar (Baccon e Arruda, 2010).
Neste trabalho discutiremos sobre o preparo e a execução de estágios supervisionados (observação das aulas e regência) de Física por licenciandos do curso de Licenciatura em Ciências Exatas com habilitação em Física da Universidade de São Paulo, campus São Carlos. Em geral, os estágios supervisionados em cursos de Licenciatura estão alocados dentro da disciplina Prática de Ensino, ou similar. No presente caso, o estágio não foge a está 'regra' sendo parte da disciplina Prática de Ensino de Física, destinada a alunos do último ano da graduação.
Quanto ao preparo para a realização dos estágios, este se fez a partir da apresentação de aulas preparatórias de Física para os minicursos e discussão pelos licenciandos durante as aulas de Prática de Ensino de Física do primeiro semestre de 2012. Ao final da etapa preparatória, os minicursos foram oferecidos a três escolas da rede pública de ensino do Estado de São Paulo. Compartilhamos com Carvalho de que O estágio de minicurso é a atividade mais livre para os estagiários, pois, não estando diretamente sob a responsabilidade do professor de uma escola, eles podem planejar, executar seu próprio trabalho (Carvalho, 2012).
Neste texto apresentamos o trabalho dos licenciandos no que tange ao oferecimento de minicursos dentro da prática de estágio supervisionado e dicutimos com mais afinco a abordagem de uma licencianda1 ainda sem experiência didática em sala de aula durante sua graduação. Analisaremos as construções dos primeiros saberes docentes por ela desenvolvidos durante a realização do estágio de observação e regência.
## Os Saberes Profissionais dos Professores
É no momento que o professor adquire contato com a sala de aula que ele desenvolve as habilidades e os improvisos da profissão que o guiará durante toda a carreira docente. O preocupante é que muitas destas atitudes não são desenvolvidas nos cursos de Licenciatura. Para (Tardif e Raymond apud Siqueira, 2012) alguns 'truques do ramo' que se expressam na forma de saber-ser e saberfazer reúnem os conhecimentos, as competências, as habilidades e as atitudes dos docentes. Segundo os autores, são saberes desenvolvidos, construídos ou mobilizados no ambiente de trabalho, portanto, são arquitetados por toda a vida profissional do professor.
- [...] Tardif define o saber docente como um saber plural, formado pelo amálgama, mais ou menos coerente, de saberes oriundos da formação profissional e de saberes disciplinares, curriculares e experienciais, podendo ser caracterizados como temporal, variado, heterogênio, social, personalizado e situado (Tardif (2002) apud Siqueira, 2012).
Os saberes docentes são temporais, pois não são um conjunto de conteúdos definidos, mas sim duradouro em sua carreira e construídos ao longo da mesma. Os
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saberes são também variados e heterogênios, pois cada professor possui uma história de vida e experiências em seu trabalho. São também saberes personalizados, pois estão relacionados com a vida pessoal do professor, suas experiências de vida e são situados por que são construídos e empregados em situações do trabalho. Por último é um saber social, pois este é partilhado por indivíduos da mesma profissão, mesmo ambiente de trabalho (Silva, 2011). Segundo (Tardif, 2002), os diferentes saberes podem ser sintetizados a partir da prática profissional, como explicitado a seguir (Tabela 1).
Tabela 01: (TARDIF, 2002) OS SABERES DOCENTES
Neste contexto, o estágio, seja de observação docente ou de regência, é de suma importância no início da formação profissional do licenciando, pois compreende a oportunidade do estagiário de se colocar em profunda reflexão, construindo ou desconstruindo expectativas sobre a profissão docente, a partir do contato direto com a realidade escolar. Além disso, é importante ressaltar que o professsor regente pode influenciar positiva ou negativamente na elaboração dos saberes dos professores em formação, servindo de modelo ou, mesmo, de contraexemplo para os mesmos (Baccon e Arruda, 2010).
## Metodologia
Este trabalho utiliza metodologia qualitativa do tipo estudo de caso, onde analisaremos quais foram os primeiros saberes docentes construídos por uma estagiária do curso de Licenciatura em Ciências Exatas com habilitação em Física. Para esta análise adotamos o esquema de categorização dos tipos de saberes experienciais identificados por Maurice Tardif. Os dados foram coletados a partir de uma entrevista gravada em áudio e vídeo no final do estágio de regência.
Os estágios de observação e de regência fazem parte da disciplina de Prática de Ensino de Física (PEF) da Universidade de São Paulo, 2 campus São
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Carlos. A disciplina tem como docente responsável um dos proponentes deste trabalho e como escolas parceiras três instituições públicas de São Carlos; E.E. Esterina Placco, E.E. Dr. Alvaro Guião e E.E. Conde do Pinhal.
Quanto ao estágio de observação docente, este teve como carga horária 12 horas/aula (no semestre) e foi realizado em uma das três escolas parceiras. Os alunos assistiam às aulas, e respondiam a uma ficha de avaliação desenvolvida pelo professor da disciplina (PEF), sendo que essa ficha possuía vinte perguntas sobre a estrutura cognitiva da aula, ou seja, como o professor trabalha o conhecimento específico da teoria: exige memorização, estimula a análise e reflexão, considera as concepções prévias dos alunos, faz relação do assunto com o cotidiano, além do comportamento do professor em sala.
Concomitantemente a realização do estágio de observação, teve início a preparação da regência do minicurso. Nesta etapa os alunos matriculados na disciplina se dividiram em duplas e escolheram um tema para ser trabalhado na regência, apresentamos esses temas na (Tabela 2). A preparação pautou-se na apresentação de uma aula sobre o tema escolhido, onde esta deveria conter experimentos, applets e exercícios. Essas aulas foram mediadas por discussões entre os licenciandos e o docente, além disso, todos receberam as gravações em áudio e vídeo de suas aulas a fim de aperfeiçoá-las para os minicursos.
Assim como ilustrado na tabela 2, a execução dos minicursos aconteceu em dois encontros aos sábados no Instituto de Física de São Carlos, tendo como carga horária de aproximadamente 04 horas/atividades e participação de um total de 38 alunos, pertencentes às escolas parceiras, em cada encontro. Ao final dos minicursos todos os quinze alunos matriculados na disciplina PEF foram entrevistados, porém devido ao espaço escasso, neste trabalho, focaremos nossa análise no grupo C, particularmente na aluna C1, o qual abordou o tema Espectroscopia e teve como um de seus integrantes uma proponente deste trabalho. Tal escolha é justificada pelo fato de ser este o tema de maior motivação dos alunos durante a realização dos minicursos.
## Resultados e Discussão
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Com relação ao estágio de observação, foi realizada uma entrevista com a licencianda do grupo C, que vivenciou sua primeira experiência didática em sala de aula durante seu minicurso (regência) com os alunos.
Quando questionada sobre sua recepção nas aulas de Física, a licencianda comenta que foi bem recebida. Relatou que em diversos momentos o professor responsável pela disciplina conversava com ela e explicava o objetivo de sua aula.
[...] o professor me deu algumas dicas de como evitar que os alunos colem na prova, por exemplo, ele mostrou os quatro tipos diferentes de provas que prepara para os alunos, achei bem interessante, pois nunca tinha pensado em fazer isso (Licencianda C1).
Com relação à interação verbal professor-aluno, a estagiária explica que o professor encontrava muita dificuldade em manter a sala de aula disciplinada e para conseguir seu objetivo ele usava um discurso de autoridade, advertindo os alunos de que a matéria explicada seria a matéria da prova, além disso, este perdia muito tempo de sua aula tentando mantê-los atento, consequentemente restava pouco tempo para a exposição do conteúdo.
[...] ele tentava pedir silêncio, mas era impossível, quando um aluno ficava quieto o outro voltava a falar, até mesmo na explicação da matéria os alunos conversavam, o que atrapalhava o professor, pois ele se perdia na explicação, então para os alunos ficarem quietos ele falava que aquilo da lousa ia cair igualzinho na prova, eles ficavam quietos por pouco tempo, depois voltavam a conversar (Licencianda C1).
Quando questionada sobre sua interação com outros professores, a licencianda explica que cursou seu ensino médio na instituição na qual fez o estágio e isso possibilitou o reencontro com alguns de seus antigos professores, porém diferentemente da sua expectativa, que seria a satisfação dos professores ao reencontrarem a antiga aluna e agora colega de trabalho, não foi bem isso que aconteceu, explica a estagiária.
[...] muitas vezes evitei ficar na sala dos professores na hora do intervalo, pois eles pediam para eu seguir carreira acadêmica, para eu não parar meus estudos (fazer mestrado, doutorado), que essa vida de ser professor é muito difícil,eu era nova para assumir uma sala de aula e encontrar aqueles alunos desinteressados [...] só reclamavam dos alunos, que eles eram indisciplinados, não faziam nada na sala de aula [...] por isso eu gostava de ficar no pátio da escola observando os alunos ao invés de ficar na sala dos professores. (Licencianda C1).
Diante deste cenário, nota-se o discurso da queixa, a desvalorização da carreira e a desmotivação dos professores com suas profissões. Todavia, o professor o qual observou às aulas, não pensava dessa forma, ele exercia a profissão há quinze anos e este ano, ele era o único professor de Física da escola, mesmo assim nos momentos em que esteve com ele, nunca ouviu reclamações com relação a profissão, ele sempre a apoiou na escolha profissional.
Como já mencionado, a experiência do minicurso foi o primeiro contato da estagiária com a profissão. Quando questionada sobre o motivo ao qual a levou a escolher o assunto Espectroscopia como tema de regência, prontamente amparou sua escolha na Proposta Curricular do Estado de São Paulo, a qual sugere este
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tema. Também explicitou a ideia de ser este um assunto inovador, atual que permite uma abordagem interdisciplinar em aula, algo raramente encontrada nas salas de aulas. Neste contexto, a estagiária relatou a dificuldade em encontrar materiais adequados para a elaboração do minicurso, ou seja, não havia muitos livros didáticos que abordassem o tema.
[...] tive que fazer uma enorme busca bibliográfica para tentar abordar os aspectos mais importantes e interessantes para os alunos em uma aula, havia poucos livros didáticos do ensino médio que abordavam esse assunto, a maioria do material que encontrei foram artigos escritos em inglês, [...] também tive a preocupação em deixar tudo em uma linguagem fácil para compreenderem minha aula (Licencianda C1).
Em sua regência, a estagiária começou a aula com um experimento (teste da chama) para ser diferente de uma aula tradicional; logo após ela explicou o funcionamento de um CD e fez a ligação desse acessório com a montagem do espectroscópio caseiro , o qual utiliza o CD como uma rede de difração. Após a 3 observação feita pelos alunos com os espectroscópios caseiros dos diferentes espectros de lâmpadas distintas, foi explicada aos alunos a parte histórica a respeito do surgimento da espectroscopia pela união de Bunsen (teste da chama) com Kirchhoff para a construção do primeiro espectroscópio.
[...] Pensei em fazer uma aula diferente, comecei com um experimento [...] depois com a atividade utilizando o espectroscópio e só no final da aula sistematizei a teoria [...] penso que isso foi novo para os alunos, pois por exemplo, na escola que fiz o estágio, as aulas de física eram tradicionais (Licencianda C1).
Quando questionada, a estagiária comenta que se surpreendeu com a participação dos alunos em seu minicurso, pois antes da aula, pensava nas falas dos professores, onde os alunos não eram interessados em nada, que eles não gostam de nenhuma matéria, muito menos de Física, todavia o minicurso não foi condizente com as falas dos professores.
Para começar me surpreendi com o número de participantes do meu minicurso, pois ele aconteceu no sábado às 8horas da manhã, adolescentes adoram dormir até tarde [...] a sala de aula demonstrou silêncio no momento em que eu explicava, pareciam estar atentos e nos momentos em que eram indagados eles participavam da aula [...] no fundo até senti medo de que me perguntassem algo que eu não saberia responder diante do entusiasmo dos mesmos (Licencianda C1).
A estagiária comenta que desde que começou a cursar Licenciatura queria ser professora, sempre se dedicou ao curso pensando em seu futuro no magistério.
[...] Desde criança eu penso em ser professora, sempre tive uma admiração especial pelos meus professores [...] na regência, esse primeiro contato com a sala de aula, foi muito importante para reforçar essa vontade de estar diante dos alunos [...] quero ser professora (Licencianda C1).
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Para analisarmos os saberes construídos pela estagiária durante o período em que fez o estágio supervisionado, utilizaremos a construção de Baccon e Arruda (2010), onde os mesmos procuram evidenciar a construção dos diferentes saberes para os estagiários envolvidos em suas pesquisas. Na (Tabela 3) estão apresentados os saberes construídos pela licencianda analisada neste trabalho.
Tabela 03: (Adaptado de BACCON e ARRUDA, p. 520, 2010) Saberes elaborados pela estagiária
Diante das falas da estagiária, vemos que a mesma construiu quatro saberes docentes iniciais, sendo que o Saber o conteúdo foi construído no momento de preparo do seu minicurso, pois esta demonstra que estava preocupada com o modo o qual deveria transmitir os conceitos sobre Espectroscopia aos alunos, para isso realizou uma busca bibliográfica com o intuito de passar os conteúdos mais relevantes para a formação desses. Já o Saber ensinar foi notado no momento em que é revelada a sua preocupação com a dinâmica de sua aula, ou seja, sua preocupação em realizar experimentos ao início da mesma e apenas no final da aula sistematizar sua teoria. Mesmo que durante o estágio de observação a estagiária tenha assistido aulas tradicionais de Física, seu minicurso rompeu com essa forma tradicional, uma vez que a proposta dos minicursos era realizar uma aula utilizando diferentes recursos didáticos e a estagiária seguiu essa sugestão. Com relação ao Saber pessoal durante o estágio teve a oportunidade de se relacionar com outros profissionais da educação, mesmo diante do discurso da queixa e insatisfação dos professores com relação à profissão e da observação da indisciplina dos alunos durante o estágio, a licencianda conduziu satisfatoriamente sua regência, construindo com isso um saber pessoal. Por último o Saber ser, aparece em sua fala no momento em que ela se refere a admiração e respeito pela profissão docente, além de querer ser professora, vemos que existe uma identidade pessoal nesta licencianda com a profissão.
## Conclusões
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A experiência do estágio é a oportunidade do licenciando começar a desenvolver seus próprios saberes, esses saberes por outro lado, não são desenvolvidos apenas na formação inicial, são construídos e desenvolvidos ao longo da prática e experiência em sala de aula (Siqueira, 2012). Neste trabalho investigamos quais foram os primeiros saberes construídos por uma estagiária durante seu estágio supervisionado em Física e através da análise de suas falas, constatamos a construção de quatro tipos de saberes durante o tempo em que esteve no estágio, são eles: Saber o conteúdo, Saber ensinar, Saber pessoal e Saber ser.
Concluímos então que os primeiros saberes docentes desta estagiária estão relacionados ao Saber o conteúdo afim de transmití-los de forma clara aos alunos, ao Saber a ensinar, neste caso a aluna busca romper com o ensino tradicional de Física, arquitetando sua aula de forma a instigar o aluno, aprendeu a superar o discurso da queixa com relação à profissão, se relacionar com as pessoas envolvidadas no processo de ensino-aprendizagem (professor e aluno), construindo com isso o Saber pesssoal e acima de tudo, aprendeu a ser professor, construindo o Saber ser.
## Referências
BACCON, A. L. P., ARRUDA, S. M. Os Saberes Docentes na Formação Inicial do Professor de Física: Elaborando sentidos para o Estágio Supervisionado. Ciência & Educação, v.16, n.3, 2010, pp 507-527
BIANCHI, A. C. M.; Alvarenga, M.; Bianchi, R. Orientação para Estágio em Licenciatura . Editora THOMSON, São Paulo , 2005.
CARVALHO, A. M. P. Os estágios nos cursos de licenciatura . Editora CENGAGE LEARNING, São Paulo, 2012.
LONGUINI, M. D. Aprender para ensinar: a reflexão na formação inicial de professores de Física. Bauru, 2003. 353p. Dissertação (Mestrado em Educação para a Ciência) - Faculdade de ciências - UNESP/Bauru.
SILVA, M. P. Os saberes docentes de futuros professores de física num contexto de inovação curricular: O caso da Física Moderna e Contemporânea no ensino médio . São Paulo, 2011. 129p. Dissertação (Mestrado em Ensino de Física) - Faculdade de Educação, Instituto de Física, Instituto de Química e Instituto de Biociências - USP/ São Paulo.
SIQUEIRA, M.R.P. Professores de Física em contexto de inivação curricular: saberes docentes e superação de obstáculos didáticos no ensino de Física Moderna e Contemporânea . São Paulo, 2012. 202p. Dissertação (Doutorado em Ensino de Ciências e Matemática) - Faculdade de Educação, Instituto de Física USP/ São Paulo.
TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional . Petrópolis: Vozes, 2002.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.