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O Programa de Desenvolvimento Educacional do Paraná e as iniciativas didáticas no Ensino de Física.

Maycon Adriano Silva, Sérgio Camargo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
22/01/2013
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O Programa de Desenvolvimento Educacional do Paraná e as iniciativas didáticas no Ensino de Física.

## Maycon Adriano Silva¹, Sérgio Camargo 2

- ¹ Universidade Federal do Paraná/Programa de Pós Graduação em Educação em Ciências e em Matemática (PPGECM)/maycon@seed.pr.gov.br

## Resumo

Esse trabalho apresenta resultados parciais de uma investigação que tem por objetivo conhecer as contribuições para a aprendizagem no Ensino de Física desenvolvidas por meio de projetos de intervenção pedagógica no Programa de Desenvolvimento Educacional do Paraná - PDE/PR sob o ponto de vista reflexivo do professor imerso num programa de formação continuada. A pesquisa foi realizada por meio da análise dos artigos publicados e disponibilizados em meio virtual e oficial da Secretaria de Estado da Educação do ParanáSEED/PR, que foram organizados e denominados como cadernos PDE dos anos de 2007 e 2008. O PDE apresenta-se como uma política pública e tem sua organização e desenvolvimento realizados pela SEED, tendo como objetivo principal o diálogo entre os professores do ensino superior e os da educação básica, através de atividades teóricaspráticas orientadas, promovendo o aperfeiçoamento dos servidores do magistério e produções didáticas. Os trabalhos desenvolvidos pelos professores durante o curso do programa se configuram em moldes de formação continuada e possibilitam o exercício da autonomia dos professores, uma vez que propõem e desenvolvem um projeto de intervenção pedagógica em sala de aula. Para a análise, utilizamos as definições e procedimentos do referencial analítico Pesquisa Documental. Acreditamos, também, na possibilidade de encontrar em outras produções, trabalhos que possam ampliar essa pesquisa e as compreensões referentes ao papel reflexivo do professor de Física durante o curso do PDE.

Palavras-chave: Ensino de Física, Programa de Desenvolvimento Educacional, Formação Continuada.

## Introdução

Até o ano de 2006, a formação continuada do professor pertencente à rede estadual Paraná era caracterizava por um processo descontínuo e independente, onde cada professor buscava seu aperfeiçoamento nas mais diversas ofertas existentes, sendo elas os cursos de capacitação promovidos pela Secretaria de Estado da Educação, bem como a livre escolha por um curso de especialização. Portanto a partir da oferta do PDE, percebe-se a oportunidade dos professores participarem de um programa que apresenta um formato novo, com duração de dois anos, que possibilita aos professores o afastamento das atividades de sala de aula para o retorno aos bancos das Instituições de Ensino Superior - IES, para então elaborar um projeto de intervenção a ser desenvolvido na escola e um trabalho com fundamentação teórica para análise e discussão da proposta escolhida, exercendo assim sua autonomia diante da organização e elaboração de uma pesquisa orientada.

Anteriormente ao PDE, a proposta dos cursos de capacitação, que possibilitavam avanços na carreira dos professores, se apresentavam de forma

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20 a 25 de janeiro de 2013

pronta, sem que fosse possível realizar adequações, se necessário, à realidade da escola dos professores cursistas, bem como estar discutindo sobre suas dificuldades apresentadas no cotidiano escolar em decorrência da estrutura dos cursos se encontrarem pré-definidas. Ainda, em relação a progressão na carreira do professor, outra modalidade de formação continuada se tornou bastante procurada, sendo ela a conquista de um Curso de especialização na área de educação. A respeito dos cursos de Especialização, a escolha e oferta é opcional de cada servidor, uma vez que este pode escolher o curso o qual irá custear, investindo na sua própria formação continuada. Neste contexto, verifica-se que os professores da área de Física apresentam as mais diversas Especializações, muitas delas em ramos da educação que não estão atreladas ao Ensino de Física, como Gestão Educacional, Administração Escolar, Educação Especial, Psicopedagogia, etc. Esse fator gera inquietações, uma vez que mesmo o profissional estando inserido em um processo de formação continuada, reconhece-se uma descontinuidade com a sua formação inicial, pois, mesmo sendo válida a capacitação, é inviável que o professor, estando em contato com outros ramos da educação que não seja sua formação inicial, direcione um olhar sobre sua própria prática em sala de aula, para assim poder se aperfeiçoar e melhorar seu profissionalismo. Desta forma, surge o aspecto positivo do PDE, pois é oportunizado aos professores, neste caso, do Ensino de Física, o engajamento em questões que envolvam exclusivamente a disciplina, buscando enfrentamentos diante de um projeto de intervenção na escola, onde se possa analisar e avaliar a real situação do Ensino de Física no Estado do Paraná.

Neste viés, este trabalho tem como objetivo, analisar as produções do PDE nos anos de 2007 e 2008, enquanto formação continuada dos professores de Física, bem como quais as iniciativas presentes nos trabalhos de intervenção escolar, ou seja, o que vem sendo pesquisado diante da realidade escolar e dos encaminhamentos das Diretrizes Curriculares de Física, que fundamentam o programa.

## O Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) e seus pressupostos.

O PDE se desenvolve com a participação das IES Estaduais e Federais presentes no Estado, objetivando fornecer aos professores da Educação Básica do Paraná uma reaproximação com o meio acadêmico para a construção de conhecimento numa perspectiva freireana, que 'ensina-nos a articular teoria e prática, na busca de objetivos arrojados e na ação concreta, para a transformação dos homens e do mundo, dialeticamente imbricados' (PARANÁ, p. 8, 2007. Seu desenvolvimento ocorre de forma presencial, nas Universidades, e de forma semipresencial, nas interações com os demais professores da rede pública estadual de ensino por meio de ambiente colaborativo e de apresentação de propostas pedagógicas de intervenção nas escolas, promovendo o diálogo resultante das atividades de orientação, frequência de cursos e disciplinas, apresentação de seminários na participação de eventos e produções didático-pedagógicas.

As ações acima citadas são desenvolvidas por meio de planejamento das atividades a serem realizadas no Programa, tendo como direcionamento um projeto de intervenção elaborado pelo professor PDE, sob orientação de um professor de uma das IES que trabalham em parceria com o Programa.

Ainda, o programa assume como referência os princípios políticoseducacionais da SEED, explicitados nas Diretrizes Curriculares para a Educação

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Básica, baseados nos seguintes eixos: compromisso com a diminuição das desigualdades sociais; articulação das propostas educacionais com o desenvolvimento econômico, social, político e cultural da sociedade; defesa da educação básica e da escola pública, gratuita de qualidade, como direito fundamental do cidadão; articulação de todos os níveis e modalidades de ensino; compreensão dos profissionais da educação como sujeitos epistêmicos; estímulo ao acesso, à permanência e ao sucesso de todos os alunos na escola; valorização do professor e dos demais profissionais da educação; promoção do trabalho coletivo e da gestão democrática em todos os níveis institucionais; atendimento e respeito à diversidade cultural. Podemos verificar que o programa se justifica oportunizando ao docente refletir e compreender sobre seus conhecimentos profissionais, na organização de objetivos e os meios a serem usados para atingi-los.

Diante desta concepção, o programa abre caminhos para o retorno dos docentes às Instituições de Ensino superior, por meio do diálogo entre os professores do Ensino Superior e os da Educação Básica, e considerando a realidade em que estão inseridos educadores e educandos, buscando romper com um modelo de formação continuada no Estado do Paraná que se caracterizava como homogêneo, fragmentado e descontínuo. Neste sentido, o PDE supera esse modelo antigo de formação continuada por 'considerar que o conjunto de professores se encontra sempre nos mesmos patamares de formação e experiência profissional sendo atendidos por meio de políticas e ações isoladas e fragmentadas' (PARANÁ, p.13, 2007).

De acordo com Delizoicov et al (2002) 'a democratização do ensino passa pelos professores, por sua formação, por sua valorização profissional e por suas condições de trabalho, pesquisadores têm defendido a importância do investimento no seu desenvolvimento profissional' (DELIZOICOV, et al, p. 12, 2002).

Segundo Audi (2010, p. 31) um dos fatores positivos do PDE constitui 'seu objetivo de fortalecer a articulação entre a Educação Básica e o Ensino Superior'. Essa característica está vinculada ao trabalho elaborado pelo professor PDE e no seu desenvolvimento sob orientação de um professor do Ensino Superior, numa atividade colaborativa, ao longo dos dois anos do Programa. O planejamento e trabalho são previstos no Documento Síntese (2007), que determina a proposta de estudo a ser desenvolvida, compreendendo a elaboração de materiais didáticos para a pesquisa a ser realizada pelo próprio professor e a orientação de grupos de trabalho para os demais professores da rede pública.

- O Programa possibilita que o professor produza conhecimento por meio de sua modalidade de formação continuada, segundo o documento síntese (2007):

Nesse processo, o professor é um sujeito que aprende e ensina na relação com o mundo e na relação com outros homens, portanto, num processo de Formação Continuada construída socialmente. Objetiva-se que essa interrelação provoque efeitos tanto na Educação Básica como no Ensino Superior, tais como: redimensionamento das práticas educativas, reflexão sobre os currículos das Licenciaturas e sua avaliação e demais discussões pertinentes. (PARANÁ, p.13, 2007).

Nesta conjectura nota-se a presença da indicação de necessidades de possíveis mudanças na prática escolar dos professores, relacionada esta diretamente com a iniciativa do profissional direcionar um olhar para sua própria prática. Tais necessidades são encontradas nos referenciais do educador Paulo Freire, quando discursa sobre a importância da reflexão crítica sobre a prática docente, enfatizando a troca de experiência entre educandos e educador,

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possibilitando que possam se libertar como indivíduos sociais, históricos, criativos, entre outros atributos.

Segundo Freire (1996, p. 43),

O de que se precisa é possibilitar, que, voltando-se sobre si mesma, através da reflexão sobre a prática, a curiosidade ingênua, percebendo-se como tal, se vá tornando crítica.

Pois é que, na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática.

- O delineamento pedagógico do PDE está fundamentado nos princípios pedagógicos das Diretrizes Curriculares do Paraná, e assim sendo assume, entre outros, fundamentos norteadores como a organização de um programa de formação continuada atento às reais necessidades de enfrentamento de problemas ainda presentes na Educação Básica e a superação do modelo de formação continuada concebido de forma homogênea e descontínua.
- O professor PDE ao ingressar no Programa, elabora uma proposta de intervenção pedagógica a ser desenvolvida em sala de aula, e também constrói uma proposta teórico-metodológica que será socializada com demais professores da rede estadual de ensino, através de discussões sistematizadas sobre temáticas didáticopedagógicas.

De acordo com os Fundamentos teórico-metodológicos da disciplina de Física, elencados nas Diretrizes Curriculares, os encaminhamentos buscam 'manter o vínculo com o campo das teorias críticas da educação e as metodologias que priorizem diferentes formas de ensinar, de aprender e de avaliar' (PARANÁ, p. 19, 2008).

## O PDE, as Diretrizes Curriculares da Educação Básica - Física e seus pressupostos

Com o intuito de refletir sobre o programa de formação continuada para os professores da rede pública do Estado do Paraná e o que está sendo produzido pelos professores de Física participantes do Programa de Desenvolvimento Educacional em suas intervenções pedagógicas em sala de aula, optou-se neste trabalho a pesquisa documental, sendo que os dados foram extraídos da análise de vinte trabalhos finais do PDE dos anos de 2007 e 2008, explorados por meio de um levantamento para uma posterior análise e interpretação de dados.

Segundo Neto (1987), o aprendizado de uma ciência é similar ao de uma nova língua. Assim sendo, os conceitos e termos específicos da Física e da Matemática devem pouco a pouco entrar na vida diária do aluno e, por isso, não podem ser vulgarizados com o objetivo de uma mera memorização escolar. Desta forma, o aprendizado dos alunos e professores, bem como seu contínuo aperfeiçoamento, deve ocorrer por meio de uma construção coletiva, em um espaço onde o diálogo é viabilizado pela escola. Assim, as situações vivenciais dos alunos, a realidade da escola e comunidade deve ser apropriada em conteúdos de aprendizado, dando significado a condição de cidadania, e não somente utilizados como delimitação de conteúdos.

- A escola é uma instituição cujo papel consiste na socialização dos conhecimentos historicamente sistematizados e organizados para compor o

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currículo escolar (DELIZOICOV et al, 2002; FREIRE, 2011; GIROUX, 1997; SAVIANI, 1991).

Ainda neste contexto, Libâneo (2010) caracteriza a escola como:

[...] um dos lugares específicos do desenvolvimento da razão, portanto, de desenvolvimento da reflexividade. Adquirir conhecimentos, aprender a pensar e agir, desenvolver capacidades e competências, implica sempre a reflexividade. Mas, principalmente, a escola além da cultura reflexiva, que propicia a autonomia, autodeterminação, condição de luta pela emancipação intelectual e social. [...] Se queremos um aluno crítico reflexivo, é preciso um professor crítico reflexivo (LIBÂNEO, p. 76, 2010)

Neste sentido, a escola possibilita a prática pedagógica mediada por diferentes metodologias, frente a diversas concepções de ensino, o que permite a professores e alunos conscientizar-se da necessidade de uma transformação emancipadora.

Segundo Freire (2011),

... o conteúdo programático da educação não é uma doação ou uma imposição - um conjunto de informes a ser depositado nos educandos -, mas a devolução organizada, sistematizada e acrescentada ao povo daqueles elementos que este lhe entregou de forma desestruturada (FREIRE, p. 116, 2011).

Assim, pensando numa escola para todos, percebe-se a necessidade de propostas metodológicas que atendam igualmente os sujeitos, independente das condições econômicas, sociais e culturais. Propostas que possibilitem professores e alunos perceberem o trabalho docente de maneira crítica e potencialmente transformadora. Os professores devem tornar o conhecimento escolar relevante para as vidas de seus estudantes, de forma que os mesmos tenham voz, isto é, afirmar a experiência estudantil como parte do encontro pedagógico fornecendo conteúdo curricular e práticas pedagógicas que tenham ressonância com a experiência de vida dos estudantes (GIROUX, xvii, 1997).

Com base nestes argumentos, encontra-se nas Diretrizes Curriculares da Educação Básica - Física, subsídios de organização de currículo como configurador da prática (PARANÁ, 2008).

Colaborando com essas ideias, Mateus (2002) argumenta que 'o professor moderno deve se educar cotidianamente pela pesquisa e por questionamentos derivados de sua própria ação pedagógica e buscar, assim, sua autonomia e a de seus alunos' (p. 9). Tal afirmação justifica a prática de pesquisa por meio da formação inicial e continuada, ou seja, a identidade do professor sempre em construção. A pesquisa promove o desenvolvimento do pensamento reflexivo e crítico, colaborando para a compreensão de que o papel do professor vai além do simples transmissor de conhecimentos acumulados pelo tempo e que o aluno deve ir além da mera assimilação por meio da cópia ou memorização.

Neste aspecto, encontramos correlação com as ideias do educador Paulo Freire, que critica o ensino bancário, uma prática onde o professor realiza 'depósito' de conhecimentos nos alunos, e estes se mantém na condição de receptores, oprimidos, sem que possam colaborar ativamente com o processo educacional. Para este autor, o ato de ensinar implica em rigorosidade metódica, onde o educador deve instigar a habilidade crítica dos estudantes, possibilitando que eles reflitam

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sobre os conhecimentos, ao invés de apenas memorizá-los. Ainda, para Freire (1996) não há distanciamento entre a criticidade e a ingenuidade, uma vez que 'a superação e não ruptura se dá na medida em que a curiosidade ingênua, sem deixar de ser curiosidade, pelo contrário, continuando a ser curiosidade, se criticiza' (FREIRE, p. 34, 1996).

Portanto para Freire, a prática docente crítica é fortalecida quando o saber ingênuo se transforma em saber científico, num contexto emancipador e intelectual. Neste sentido os professores se encontram no papel de teóricos em profunda relação com a teoria e as atividades práticas dos estudantes. Nas palavras de Giroux (1997),

- [...] independente de sua função social e econômica, todos os seres humanos atuam como intelectuais ao constantemente interpretar e dar significado a seu mundo e ao participar de uma concepção de mundo particular. Além disso, os oprimidos precisam desenvolver seus próprios intelectuais orgânicos e transformadores que possam aprender com tais grupos e ao mesmo tempo ajudar a fomentar modos de educação própria e luta contra as várias formas de opressão (GIROUX, p. 154, 1997).

Para tanto, o profissional professor deve ter como princípio fundamental, a responsabilidade com seu próprio processo de formação, tendo em vista que o mesmo não termina com a graduação, se constitui em um processo contínuo, e considerando que o conhecimento que se domina tem que ser constantemente reelaborado, devido às mudanças que ocorrem na sociedade. Assim, principalmente no ensino de Física, em decorrência dos avanços da ciência e tecnologia, os professores necessitam trabalhar com a realidade dos estudantes e com os acontecimentos externos ao âmbito escolar, num exercício de prática pedagógica em função da qualidade do trabalho, tendo como objetivo principal a aprendizagem.

## Um ensaio analítico

O critério para a escolha dos trabalhos referentes aos anos de 2007 e 2008 aconteceu de acordo com a disponibilidade em que estes se encontram em meio digital, podendo ser acessados livremente, totalizando vinte trabalhos referente ao período mencionado. As demais produções posteriores ao mencionado período ainda se encontram em fase de produção e formatação pela SEED, portando ainda se encontram fora de publicação.

Essa investigação apresentará resultados parciais de uma pesquisa que se encontra em andamento e, que comporá um trabalho final de dissertação de mestrado. Para esse momento, analisamos as iniciativas dos professores diante da possibilidade de executar projetos de intervenção pedagógica que vislumbrem a possibilidade de trilhar caminhos em busca da aprendizagem em Física, a oportunidade de realizar o novo.

Após a leitura e análise dos trabalhos produzidos no PDE/PR, dos anos de 2007 e 2008, e de um modo geral a partir da nossa interpretação, os classificamos de acordo com as seguintes temáticas: O papel dos livros didáticos no Ensino de Física; Os modelos científicos no Ensino de Física; Sobre o uso da História no Ensino de Física; O papel da experimentação no Ensino de Física; Leituras Científicas em Ensino de Física e As tecnologias no Ensino de Física. Desta forma, aparecem nos trabalhos temas diretamente relacionados a estes eixos norteadores, sendo eles: Educação socioambiental, História da Ciência, Uso de TICs, Experimentação, Metodologias contextualizadas, abordagem CTS, Mapas Conceituais e Espaços não formais de aprendizagem. Da análise realizada,

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apresentamos para esse evento, quatro trabalhos que vem ao encontro da nossa investigação, ou seja, remetem-se a iniciativas de professores enquanto profissionais reflexivos de sua prática, buscando diferenciais durante o processo de ensino-aprendizagem. Optamos por preservar os títulos e autores dos trabalhos aqui mencionados, nominando-os como A1, A2, A3 e A4.

No trabalho A1, a intenção da autora foi de conduzir os alunos a uma visita técnica, em uma usina hidrelétrica, objetivando despertar nos alunos o interesse pelo conhecimento científico inerente à energia e suas relações com a Tecnologia, Sociedade e o Meio Ambiente. Tal iniciativa demonstra a intenção da autora em assumir uma postura de pesquisadora de suas próprias práticas, ampliando suas estratégias para o benefício da aprendizagem dos alunos.

No trabalho A2, a autora buscou contextualizar o conteúdo de circuitos elétricos com o cotidiano dos alunos, numa tentativa de superar a pratica dos exercícios repetitivos e da memorização. A iniciativa possibilitou a observação e a construção de modelos relacionados à temática escolhida, na reprodução por meio de desenhos e maquetes da rede elétrica da residência dos próprios alunos, o que gerou na autora, após a conclusão da teoria em sala de aula, um sentimento de inovação e realização.

- O trabalho A3 teve como objetivo uma visita a uma Estação Meteorológica, onde o autor teve o intuito de contextualizar conteúdos programáticos. A experiência foi realizada com duas turmas e foram apontados resultados satisfatórios em relação a índices de aproveitamento e diminuição nas taxas de reprovação na disciplina de Física. Ainda, com uma das turmas, foi possível realizar a construção de equipamentos relacionados à pesquisa, para uma posterior demonstração ao restante dos alunos da instituição.

Por fim, o trabalho A4 demonstrou resultados referentes à economia de energia e preservação do meio ambiente, numa iniciativa que levou os alunos a visitar a subestação de energia elétrica da cidade, onde tiveram contato direto com o objeto de estudo. Segundo o autor verificou-se que a metodologia aplicada foi satisfatória, permitindo ao professor a utilização de um ambiente de aprendizagem diferente dos tradicionais, possibilitando aos alunos visualizar de outras formas os caminhos percorridos pela energia, além de analisar o consumo e o valor pago mensalmente por essa energia, com o intuito de formar um aluno cidadão crítico.

## Algumas considerações

Como já salientamos no início deste trabalho, nosso objetivo é apresentar resultados preliminares de uma investigação que objetiva conhecer as contribuições para a aprendizagem no Ensino de Física desenvolvidas por meio de projetos de intervenção pedagógica no Programa de Desenvolvimento Educacional do Paraná PDE/PR sob o ponto de vista reflexivo do professor, na oportunidade de exercer sua autonomia diante da organização e elaboração de uma pesquisa orientada.

Buscamos nos trabalhos finais publicados dos anos de 2007 e 2008 do mencionado programa de formação continuada encaminhamentos que abordassem sobre a temática central da nossa investigação. Como já esperávamos, encontramos na maioria dos trabalhos encaminhamentos relacionados à experimentação e/ou atividades realizadas em sala de aula que não corroboram com o foco principal desta pesquisa, ou seja, que contemplem metodologias diferenciadas, uma vez que por meio do PDE o professor tem a possibilidade de desenvolver um projeto onde possa assumir uma postura de pesquisador de sua própria prática. No entanto, para

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este evento, apresentamos quatro artigos que vem ao encontro do que esperávamos, de acordo com a temática da investigação, onde ressaltam o exercício da autonomia dos professores diante da elaboração e execução de um projeto de intervenção pedagógica, oportunizando aos estudantes uma melhor compreensão dos conceitos físicos. Os trabalhos selecionados para esta análise também atendem os objetivos das Diretrizes Curriculares da Educação Básica Física, no que concernem seus apontamentos para a 'crítica às contradições sociais, políticas e econômicas presentes nas estruturas da sociedade contemporânea e propiciem compreender a produção científica, a reflexão filosófica, a criação artística, nos contextos em que elas se constituem (PARANÁ, P. 14, 2008).

Por estarmos cientes da formação do professor ser contínua, ressaltamos nosso compromisso de contribuir para o avanço das pesquisas educacionais em prol da reflexão do professor sobre a sua prática e os objetos e sujeitos do ensino e aprendizagem em Física.

## Referências

AUDI, L. C. da C. Eu me sinto responsável: os impactos do Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) sobre a formação de professores de inglês. Dissertação de Mestrado em Estudos da Linguagem. Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2010.

DELIZOICOV, D., ANGOTTI, J. A.,PERNAMBUCO, M. M. Ensino de Ciências: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2002.

FREIRE, P.. Pedagogia do Oprimido. 50. Ed. Ver. E atual. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011.

FREIRE, P.. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. Ed. São Paulo: atlas, 2010.

GIROUX, H. A., Os professores como intelectuais: rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

LIBÂNEO, J. C. Reflexividade e formação de professores: outra oscilação do pensamento pedagógico brasileiro ? P.53-79. In: PIMENTA, S. G.; GHEDIN, E. (Orgs.) Professor reflexivo no Brasil gênese e crítica de um conceito. São Paulo: Cortez, 2010.

MATEUS, E. Educação contemporânea e o desafio da formação continuada. In: GIMENEZ, Telma. Trajetórias na formação de professores de línguas. Londrina: Editora da UEL, p. 3-14. 2002.

PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. PDE. Uma nova política de formação continuada e valorização dos professores da educação básica da rede pública estadual. Documento Síntese: versão para discussão. Curitiba, Secretaria de Estado, 2007.

PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. Diretrizes Curriculares da Educação Básica. Física. Curitiba, Secretaria de Estado, 2008.

SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 2 ed. Coleção Polêmicas do nosso tempo; v. 40. São Paulo: Cortez, 1991.

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