A ESCOLA E O ENSINO DE FÍSICA SOB A ÓPTICA DOS ALUNOS DE NÍVEL MÉDIO DE UMA ESCOLA PÚBLICA DE JATAÍ, ESTADO DE GOIÁS
Nilian Divina De Freitas, Isabella Da Cássia Martins Ferreira, Ícaro Lorran Lopes Costa, Marta João Francisco Silva Souza
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 22/01/2013
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A ESCOLA E O ENSINO DE FÍSICA SOB A ÓPTICA DOS ALUNOS DE NÍVEL MÉDIO DE UMA ESCOLA PÚBLICA DE JATAÍ, ESTADO DE GOIÁS
## Nilian Divina de Freitas 1 , Isabella da Cássia Martins Ferreira 2 , Ícaro Lorran Lopes Costa 3 , Marta João Francisco Silva Souza 4.
1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás - Câmpus Jataí,niliandff@hotmail.com 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás - Câmpus Jataí,
isabellacaricato@gmail.com
## Resumo
Este trabalho faz parte de um projeto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), desenvolvido pelo Instituto Federal de Goiás - Câmpus Jataí em uma escola estadual desta cidade, que tem como objetivo conhecer a realidade socioeconômica em que os alunos do Ensino Médio estão inseridos, bem como sua visão sobre a escola e o ensino da disciplina de Física. Para isso, foi realizado, no segundo semestre de 2010, um estudo exploratório por meio de um questionário semiestruturado com questões objetivas e subjetivas. Os resultados obtidos com este trabalho tornaram-se um referencial para as ações de intervenção na escola desenvolvidas pelos bolsistas do PIBID durante o ano de 2011, visando contribuir para a melhoria do desempenho escolar dos estudantes na aprendizagem de Física e sua promoção escolar.
Palavras-chave : PIBID; Física; Ensino Médio; perfil socioeconômico dos alunos.
## Introdução
Em 2008, o Governo Federal criou o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência - PIBID, com o objetivo de contribuir para aproximar o aluno de licenciatura de sua futura atuação profissional. Os projetos PIBID devem prever ações que poderão servir de embasamento para o exercício da profissão docente, motivando o bolsista a seguir na carreira de professor e, contribuir assim, para a melhoria da qualidade da educação no Brasil. (BRASIL, 2008).
Em 2010, foi aprovado o projeto de PIBID do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) intitulado 'Formação Inicial e Continuada para o Exercício do Magistério em Escolas Públicas de Educação Básica Regular' (INSTITUTO, 2010). Este projeto institucional envolve cinco campi, que possuem subprojetos diferentes, conforme as características do curso de licenciatura envolvido, as especificidades da cidade onde o campus está inserido e sua própria realidade.
- O subprojeto de licenciatura em Física proposto pelo IFG-Câmpus Jataí começou a ser executado no mês de abril de 2010, em parceria com uma escola da Rede Pública Estadual de Ensino do Estado de Goiás, e conta com a participação de: dez bolsistas do curso de Licenciatura em Física do referido campus, um professor de Física (supervisor) da escola e uma coordenadora de área (professora de Física do IFG-Campus Jataí).
A escola parceira do IFG-Campus Jataí localiza-se em um bairro de classe média baixa, na zona urbana da cidade e, além de Ensino Fundamental, oferece turmas de Ensino Médio regular nos turnos matutino, vespertino e noturno, com atuação do PIBID, nas turmas do Ensino Médio no período matutino e vespertino.
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20 a 25 de janeiro de 2013
A primeira etapa do subprojeto, que ocorreu no primeiro semestre de 2010, teve como principal objetivo possibilitar aos alunos bolsistas conhecer a estrutura física e administrativa da escola e sua proposta pedagógica. Já a segunda etapa prevê ações de intervenção que busquem soluções para os problemas detectados em relação ao processo de ensino-aprendizagem da Física na escola. Neste sentido, antes de qualquer proposta, é necessário inicialmente conhecer os problemas enfrentados pelos alunos em relação à disciplina de Física, seus hábitos de estudo e sua visão sobre a escola. Neste trabalho traçamos o perfil dos alunos do Ensino Médio da escola parceira, a fim de conhecer suas necessidades e expectativas quanto à disciplina de Física, utilizando-o como subsídio para um planejamento estratégico das ações a serem desenvolvidas pelos bolsistas do PIBID do IFG-Câmpus Jataí durante o ano de 2011.
## Justificativa
Durante o período de observações das aulas de Física na Escola da Rede Estadual, que ocorreram em todas as turmas do Ensino Médio dos turnos matutino e vespertino, foi constatado um alto grau de apatia e de descontentamento dos alunos em relação à disciplina, registrado pelos alunos bolsistas do PIBID, por meio de diários de campo. Observou-se muito desinteresse e pouco envolvimento dos alunos nas aulas e nas tarefas decorrentes das mesmas.
Infelizmente, vários trabalhos realizados em diferentes regiões do país, como Bonadiman e Nonenmacher (2007) no Rio Grande do Sul, Moraes (2009) em Sergipe e Ricardo e Freire (2007) em Brasília, apontam a mesma realidade no que diz respeito à falta de motivação do aluno do Ensino Médio para o estudo da Física e os consequentes problemas de aprendizagem que isso acarreta.
É consenso entre os pesquisadores a necessidade de se compreender os fatos geradores da realidade para, em seguida, propor estratégias que possam contribuir para a melhoria do ensino-aprendizagem nas escolas brasileiras.
Segundo Nieto (1994 apud ALMEIDA, 1999), a reforma de estruturas curriculares só terá sentido se forem acompanhadas por mudanças na forma como os educadores percebem seus alunos. Segundo a autora, uma das formas de se iniciar o processo de mudança nas políticas da escola é conhecer a opinião dos alunos.
Fini (1993) afirma que se os educadores ouvirem atentamente o que pensam os adolescentes, a relação pedagógica estabelecida entre ambos favorecerá o sucesso da ação educativa.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais(PCN) também apontam que é importante conhecermos mais profundamente as particularidades de cada aluno: 'uma reflexão sobre os alunos exige ir além das características etárias, é preciso considerar também as diferentes situações socioeconômicas em que vivem, [...] as diferentes influências étnicas e culturais, as diferenças individuais.'(BRASIL, 1998, p. 103).
Diante do exposto acima, vemos que é essencial conhecer a realidade socioeconômica na qual os alunos estão inseridos, saber quais suas concepções sobre a escola em que estudam, quais são suas expectativas em relação à disciplina de Física, conhecer suas opiniões, propostas e anseios. Compreender como pensa o aluno é condição para viabilizar formas de atuação que sejam significativas e que contribuam para que ele tenha uma percepção mais acurada do seu papel no
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mundo, percepção esta que pode levar à crítica e à transformação desse mundo (ALMEIDA, 1999).
## Metodologia
De acordo com Moreira e Caleffe (2008) consideramos que esta pesquisa foi desenvolvida como uma pesquisa de abordagem interpretativa, que faz uso de dados quantitativos e qualitativos, podendo ser classificada como uma pesquisa descritiva pelo fato de estudar as características dos alunos e suas percepções sobre a escola e o ensino de Física.
Este trabalho se iniciou em agosto de 2010, utilizando-se como instrumento para a coleta de dados um questionário semiestruturado, que foi elaborado pelos bolsistas do PIBID. O questionário possui vinte questões (objetivas e subjetivas), que visam obter informações sobre a situação socioeconômica dos alunos, sua estrutura familiar, sua opinião sobre a escola em que estudam; seu comportamento e suas dificuldades em relação ao processo de ensino-aprendizagem da disciplina de Física.
No ano de 2009 foi implantado, pela Secretaria de Educação do Estado de Goiás, o Programa de Ressignificação do Ensino Médio em Goiás que, dentre diversas modificações no Ensino Médio, tais como a obrigatoriedade da oferta de disciplinas opcionais, alterou o regime seriado anual do Ensino Médio para periódico (GOIÁS, 2009), isto é, o Ensino Médio passou a ser organizado em períodos semestrais. Portanto, no segundo semestre de 2010 havia dez turmas no turno matutino e duas turmas no vespertino, divididas em períodos e série anuais, num total de 315 alunos matriculados. Deste total, 258 alunos (82%) responderam o questionário.
A análise dos dados seguiu um tratamento quali-quantitativo, pois combinando as duas abordagens podemos obter uma visão mais ampla dos resultados. Enquanto uma possibilita estimativa numérica, a outra dá visibilidade e proporciona maior aprofundamento nos significados das questões.
## Resultados e discussão
Analisando os dados obtidos, verificamos que 85% dos alunos do Ensino Médio têm idades entre catorze e dezoito anos, o que significa que a maior parte deles está dentro da faixa etária considerada normal para esta fase. Há apenas oito alunos com idade igual ou superior a vinte anos. É interessante observar que a maioria dos alunos é do sexo feminino (63%).
## Perfil socioeconômico
A maior parte dos alunos mora em bairros próximos da escola, o que indica que há facilidade para que se locomovam até lá, caso venhamos a desenvolver atividades no contraturno. Praticamente metade dos alunos afirmou viver em uma estrutura familiar tradicional (pai, mãe e filhos).
Já o grau de escolaridade dos pais dos alunos varia entre Ensino Fundamental incompleto (que corresponde ao nível mais indicado pelos alunos) e pós-graduação completa. A grande maioria das profissões dos responsáveis corresponde a trabalhos que não requerem o Ensino Médio, comprovando as informações obtidas em relação ao grau de escolaridade.
Apenas 34% dos alunos afirmaram trabalhar. Entretanto, a minoria dos que trabalham (24%) disseram ter que contribuir com a renda familiar. Vemos que grande parte dos alunos desta escola não necessita trabalhar para auxiliar a família
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e, portanto, tem a oportunidade de se dedicar integralmente aos estudos, o que significa que podem participar das atividades que o PIBID venha a desenvolver na escola.
## A visão do aluno sobre a escola e o ensino de Física.
Quando questionados se gostariam de alterar alguma coisa em sua escola, 59% dos alunos responderam que sim. Entre as mudanças sugeridas, mais da metade está relacionada à reforma da escola (pintura, melhoria das salas de aulas e pátio). Um dos alunos justificou: ' A imagem, pois ela é muito feia, aluno nenhum sente prazer em estudar em uma escola feia '. É, portanto, compreensível que os alunos esperem ansiosamente por melhorias na estrutura física da escola já que a mesma espera por reforma.
Houve também algumas poucas propostas de utilização de metodologias de ensino diferentes e mudanças quanto ao comportamento, a qualificação e o modo de ensinar dos professores. Alguns alunos sugeriram a ' volta ao regime seriado ' e outros criticaram o sistema de avaliação da escola.
Quando perguntado se os alunos haviam sido reprovados em alguma disciplina, constatamos um índice de reprovação bastante elevado: 47% afirmaram que sim e 53% disseram que não. Verificamos que entre todas as turmas, a que apresentou o maior número de reprovações foi a de primeiro período. Das disciplinas que mais reprovam encontra-se em primeiro lugar a disciplina de Matemática e em segundo a disciplina de Física. Embora a disciplina de Física seja a segunda disciplina com maior índice de reprovação, quando questionados sobre suas dificuldades em aprender Física, praticamente 50% afirmou ter pouca dificuldade em relação à disciplina, enquanto 18% disse não apresentar nenhuma dificuldade.
Quando os alunos se referem às dificuldades e motivos que os desestimulam a estudar Física, associam-na como sendo difícil de ser entendida porque é uma disciplina ' de cálculos e fórmulas '. Segundo Moraes (2009), isso mostra um grave erro cometido por professores de Física e pelos livros didáticos, pois enfatizar a interpretação de problemas e cálculos provoca uma confusão no aluno, fazendo com que não entendam o real papel da Matemática na Física. Esta predileção pelo formalismo matemático, pela resolução de exercícios memorísticos e algébricos e fundamentada no livro didático também é apontada por outros autores, tais como Pacheco (1983) e Lozada, Lozada, e Rozal (2008), como um problema do ensino de Física no Brasil.
Apenas 25% dos alunos disseram que se sentem desestimulados para estudar Física e associam sua desmotivação a três fatores: o professor, os alunos da turma; e a própria disciplina. Em relação ao professor são indicados: a forma como ministra suas aulas e seu mau humor. Já em relação aos alunos são: a falta de interesse e o barulho. Quanto à disciplina, estes alunos a consideram muito difícil e que sentem dificuldade de compreendê-la.
Dentre os fatores citados acima vale destacar que a falta de interesse é indicada em alguns trabalhos científicos, ao lado de outros motivos, como um fator prejudicial à aprendizagem de Física. Júlio (2002) destaca que
Além das dificuldades com relação aos conteúdos nossos alunos muitas vezes são apáticos e apresentam uma séria falta de perspectiva com relação a seu futuro dentro e fora da escola. Alguns acreditam que a escola é inútil e não acrescenta nada a suas vidas, uma vez que não têm a intenção de prosseguir com os estudos após o Ensino Médio. Outros
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apresentam uma inteligência aguçada que supera as deficiências de formação, para estes, muitas vezes a monotonia e a repetição da sala de aula tradicional prejudicam um desenvolvimento aprimorado (JÚLIO, 2002, p.8).
- O desinteresse também é apontado pelos professores sujeitos da pesquisa realizada por Rezende, Lopes e Egg (2004) como um obstáculo à aprendizagem de Física:
Os professores mencionam que os alunos da escola pública, hoje, de uma maneira geral, não têm interesse em aprender, pois não acreditam que a educação garanta seu futuro profissional. A perspectiva dos alunos do interior é ainda menor, restringindo-se à conclusão do nível médio. Nesse contexto, alguns professores reconhecem que a escola pública está distante da realidade dos alunos e que precisaria mudar (REZENDE; LOPES; EGG, 2004, p.193).
Ir à escola fora do horário das aulas não é comum para 82% dos alunos. Dentre os alunos que disseram frequentar a escola no contraturno (18%), a maioria justificou que é para utilizar a biblioteca e o laboratório de informática. Essas respostas sugerem que os alunos desta escola não têm o hábito de estudar em grupo.
E quanto a estudar a disciplina de Física a maior parte dos alunos alega estudar alguns dias da semana e em véspera de prova. Entretanto, se nos basearmos nas observações realizadas nas salas de aula, onde os alunos se mostraram bastante desinteressados, acreditamos que eles consideraram que comparecer às aulas é o mesmo que estudar Física.
Como última questão, perguntamos aos alunos como eles achavam que deveriam ser as aulas de Física, e pedimos que sugerissem ações que os motivariam a estudar e a gostar mais da disciplina. As sugestões dadas pelos alunos seguem-se uma ordem decrescente em relação ao número de respostas: 'a ulas práticas com experimento em sala e aulas e laboratório', 'mais explicações ( paciência e ir na carteira)', 'menos formulas e cálculos', 'mais aulas por semana', 'ter aulas diferentes (recursos didáticos, metodologia)', 'diálogo em sala de aula', 'é preciso professores que gostem da matéria', 'a colaboração dos alunos ', 'deveriam relacionar a matéria com o dia-a-dia dos alunos'.
As sugestões apresentadas podem ser divididas em duas categorias: propostas metodológicas e relação professor-aluno. Numa análise quantitativa, considerando as 102 sugestões propostas pelos alunos, vemos que 79% almejam por novas metodologias no ensino da Física e, dentre essas, quase metade solicita aulas práticas. No grande apelo que os alunos fazem por aulas práticas, justificam que seria uma forma mais interessante, motivadora e dinâmica de se aprender a disciplina de Física,
Esses dados confirmam o trabalho de Araújo e Abib (2003, p.176), que afirmam que o ' uso de atividades experimentais como estratégia de ensino é apontado por professores e alunos como uma das maneiras mais frutíferas de se minimizar as dificuldades de se aprender e de se ensinar de modo significativo '.
Percebe-se também que os alunos não estão contentes com a atuação do professor de Física. Alegam falta de: diálogo, paciência e interesse do professor pela disciplina, o que demonstra que a comunicação entre os alunos e o professor não está sendo eficiente. Segundo Menegotto e Rocha Filho (2008, p. 306), ' É pela comunicação que aprendemos. Por meio dela também ensinamos. '.
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Levando-se em consideração que o professor de Física, responsável por dez das doze turmas envolvidas nesta pesquisa, é licenciado em Matemática e, portanto, não possui formação específica para lecionar Física, podemos justificar algumas das afirmações dos alunos.
Além disso, a discrepância entre as áreas de formação e de atuação do professor também pode explicar o alto índice de insatisfação quanto às metodologias das aulas que, segundo os alunos ' deveriam relacionar a matéria com o dia-a-dia dos alunos' e apresentarem ' menos fórmulas e cálculos '. Este descontentamento com as metodologias sugere que ' [...] não há a preocupação com uma aprendizagem significativa dos conteúdos físicos, nem sequer relacioná-los com a realidade, por meio da contextualização. ' (LOZADA; LOZADA; ROZAL, 2008, p.10).
A utilização de exemplos para relacionar os conteúdos trabalhados com o cotidiano do aluno é de suma importância tornando-os próximos da sua realidade vivencial. Segundo Ricardo (2003), ' A contextualização visa a dar significado ao que se pretende ensinar para o aluno. Ou seja, se o ponto de partida é a realidade vivida do aluno, também será o ponto de chegada, mas com um novo olhar e com uma nova compreensão [...]' (RICARDO, 2003, p.10).
Após a análise dos resultados obtidos, todas as propostas de intervenção na escola foram no sentido de atender às necessidades detectadas e às solicitações dos alunos. Vimos que a grande maioria dos alunos desta Escola Estadual, apesar de estar cursando o Ensino Médio na idade apropriada, morar perto da escola e não trabalhar, não tem o hábito de frequentar a escola no contraturno para estudar. Segundo as observações em sala de aula, isso decorre da metodologia utilizada pelos professores de Física, que não exigem tarefas para serem realizadas após as aulas. Nossa primeira ação foi, então, disponibilizar um horário de monitoria diário nos turnos matutino e vespertino, no qual os bolsistas do PIBID poderiam auxiliar os alunos com dificuldades, bem como incentivá-los a estudar Física.
Observando as reclamações dos estudantes, em relação às metodologias de ensino utilizadas pelos professores de Física, propusemos até agora três minicursos envolvendo os conteúdos de Termologia, Eletricidade e Astronomia.
- O primeiro minicurso foi preparado priorizando o uso de atividades experimentais, utilizando materiais de baixo custo, buscando a participação ativa dos alunos e incentivando-os a debater e questionar sobre os fenômenos físicos observados. O minicurso de Eletricidade foi baseado em uma atividade proposta no livro de Piubéli e Gobara (2004), intitulada 'Iluminando o Acampamento', e envolveu atividades experimentais investigativas e contextualizadas. Já o minicurso de Astronomia teve como objetivo instigar a curiosidade dos alunos sobre fenômenos celestes cotidianos, bem como motivá-los a participar e a estudar para a Olimpíada Brasileira de Astronomia.
Ainda em relação ao interesse dos alunos por atividades de caráter experimental, foi proposta pelo supervisor, para ocorrer no primeiro semestre de 2011, uma disciplina opcional (GOIÁS, 2009), intitulada 'Prática Lúdica de Física', da qual puderam participar alunos de qualquer período do Ensino Médio.
Iniciamos o ano letivo de 2011 com um sistema de monitoria em sala de aula, onde o bolsista auxilia os alunos na resolução de exercícios durante a aula de Física e ajuda o professor na elaboração e apresentação de experimentos. Desta
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forma buscamos atender às reivindicações dos alunos quando pedem mais explicações e mais atenção do professor e reclamam que só estudam fórmulas e cálculos na disciplina de Física.
## Considerações Finais
Este trabalho foi desenvolvido a fim de conhecer a realidade em que vivem os estudantes de uma Escola Pública Estadual, para planejar estratégias eficientes visando as ações a serem desenvolvidas pelos bolsistas do PIBID do IFG-Câmpus Jataí.
A análise dos resultados revela que, apesar da diversidade cultural, social e econômica das diferentes regiões do Brasil, a realidade da escola pesquisada e as expectativas dos estudantes não diferem das apresentadas por outros estudantes brasileiros, como mostram Moraes (2009), Bonadiman e Nonenmacher (2007) e Ricardo e Freire (2007). Isso mostra a necessidade de uma reestruturação geral em nosso país no que diz respeito ao ensino de Física e à educação brasileira como um todo.
Os resultados obtidos nos forneceram dados preciosos para a elaboração de uma proposta de trabalho que começou a ser desenvolvida pelo grupo responsável pelo subprojeto do PIBID/IFG - Campus Jataí no início de 2011 junto aos alunos e professores de Física da Escola Estadual.
Vimos que é necessário intervir na realidade das aulas de Física a fim de: propor metodologias de ensino que priorizem a participação ativa dos alunos no seu processo de ensino-aprendizagem; contextualizar a Física no dia-a-dia do aluno, de forma a contribuir para que eles compreendam o mundo em que vivem e possam atuar nele criticamente; e explorar o uso de atividades práticas que contribuam para a motivação e a aprendizagem dos alunos. Para que isso aconteça, várias ações já foram iniciadas, como, por exemplo, realização de minicursos e monitorias.
Sabemos que algumas mudanças propostas pelos alunos não são possíveis de serem concretizadas, pois implicam em uma mudança na postura do professor, o que é inviável se levarmos em conta que o professor responsável pela maioria das turmas não é formado em Física, nem dispõe de tempo para preparar aulas diferenciadas. Entretanto, acreditamos que ações embasadas na vivência e expectativas dos alunos terão uma probabilidade maior de surtir efeitos positivos e, talvez, melhorar a qualidade do ensino de Física desenvolvido naquela escola.
## Referências
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