DIVULGAÇÃO DA CIÊNCIA COMO ESTRATÉGIA DE PREPARAÇÃO PARA O ENEM: OFICINAS DO PIBID SOBRE O TEMA ENERGIA
Thiago Soares Gonçalves Serafim, Julio César Faria, Walter Lúcio De Paula Júnior, Alexsander De Souza Carvalho, Marilia Paixão Linhares
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 22/01/2013
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## DIVULGAÇÃO DA CIÊNCIA COMO ESTRATÉGIA DE PREPARAÇÃO PARA O ENEM: OFICINAS DO PIBID SOBRE O TEMA ENERGIA
Thiago Soares Gonçalves Serafim 1 , Julio César Faria , Walter Lúcio de Paula 2 Júnior , Alexsander de Souza Carvalho , Marilia Paixão Linhares , 3 4 5
1 UENF/Curso de Licenciatura em Física, thiagsgs@gmail.com
- 2 UENF/Curso de Licenciatura em Física, julio.cesar.faria@hotmail.com
- 3 UENF/Curso de Licenciatura em Física, walterjunior08@gmail.com
- 4
- UENF/Curso de Licenciatura em Física, carvalho.alexsander@ig.com.br 5 UENF/CCT/LCFIS, paixaoli@uenf.br
## Resumo
O trabalho de divulgação e ensino da Física no Ensino Médio, desenvolvido pelo grupo no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência - PIBID, tem por objetivo despertar o interesse dos estudantes para a busca de conhecimentos relacionados à Física, aguçando-lhes diferentes competências e habilidades. Em consonância com o objetivo do PIBID, de aperfeiçoar os parâmetros de avaliação nas escolas, o grupo focou o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e tem procurado auxiliar os alunos para que alcancem um bom desempenho em provas do ENEM. Trabalhou-se inicialmente o tema Energia buscando despertar o interesse dos alunos por assuntos atuais, como energias alternativas e energia nuclear. As oficinas semanais ocorreram na escola parceira da universidade e tinham a finalidade de preparar o aluno para o ENEM, não só na dimensão conceitual, mas também nas dimensões procedimental e atitudinal, que se referem à capacidade de empregar conhecimentos contextualizados em situações reais.
Palavras-chave : Divulgação Científica, Ensino de Física, Energia
## Introdução
Apoiados em estudos realizados por Peixoto (2010), que constataram a presença de 40% de questões sobre Energia nos últimos exames ENEM, o grupo do PIBID selecionou este tema para planejar oficinas e preparar materiais de apoio para o ensino de Física. Foi produzida uma apostila sobre o tema, relacionando-o aos conteúdos de Física, presentes nas questões do ENEM. O primeiro módulo do material 'A Física no ENEM' foi organizado em cinco tópicos, como proposto na Coleção Quanta Física (2010): Presença Universal, Recursos Energéticos Naturais, Formas de Energia, Máquinas Térmicas e Produção e Consumo de Energia Elétrica.
O fundamento do trabalho apoia-se na defesa de que o ENEM apresenta perfil adequado ao jovem que finaliza a Educação Básica. O exame avalia por competências e habilidades com questões do tipo situações-problema, a maioria contextualizada, algumas interdisciplinares, exigindo do participante capacidade para interpretar e estabelecer conexões entre conhecimentos previamente adquiridos (Peixoto, 2010). A abordagem de problemas, como tarefas complexas e desafios, leva o aluno a mobilizar seus conhecimentos e buscar completá-los, se julgarem insuficientes (Perrenoud, 1999).
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20 a 25 de janeiro de 2013
## Quadro Teórico
O grupo adotou a linguagem da divulgação científica para desenvolver hábitos de leitura, estimular o olhar crítico para a realidade, auxiliar na renovação de conteúdos curriculares de Física, despertar o interesse por temas da Ciência e motivar os alunos para aquisição de conhecimentos científicos.
Diferentes vertentes da divulgação científica foram sistematizadas em trabalhos de Ribeiro e Kawamura (2005), que focalizam a interface divulgação científica/ensino de Física, buscando delinear o estado da arte das pesquisas e ressaltando semelhanças e diferenças quanto às abordagens e aos focos de investigação, com objetivo de subsidiar práticas educacionais.
Os trabalhos apresentam uma articulação e sistematização das potencialidades da divulgação da ciência, dentro do contexto da educação científica e, mais especificamente, do ensino de Física. As vertentes compreendem um conjunto de intenções e papéis atribuídos à divulgação. Destacamos cinco papéis da divulgação científica, que procuramos explorar nos trabalhos realizados no âmbito do PIBID.
Leitura do mundo: vertente relacionada com a inserção de textos de divulgação científica em aulas de Física como auxiliar para o desenvolvimento de hábitos de leitura (Almeida e Ricón, 1993; Silva e Almeida, 1999; Andrade e Martins, 2004).
Formação do espírito crítico: dimensão que usa materiais de divulgação nas aulas de ciências para estimular o olhar crítico para a realidade, que contribuem para a formação do espírito crítico dos alunos (Assis e Teixeira, 2003; Santos, 2001; Alvetti, 1999, Chaves, Mezzono e Terrazan, 2001).
Contextualização e atualidade: vertente que explora o caráter de atualidade das informações sobre ciência e tecnologia veiculadas pela mídia, uma vez que textos dessa natureza podem auxiliar na renovação de conteúdos curriculares de Física (como, por exemplo, a inserção da Física Moderna e Contemporânea no Ensino Médio).
Olhar da sedução: encantamento e motivação, dimensão que compreende um olhar diferenciado para a atividade de divulgação cientifica, pois pretende despertar o interesse por temas da ciência e motivar os alunos. A ciência apresentada pelos meios de divulgação científica encanta e gera uma sensação de satisfação, de prazer. De que forma essa dimensão pode ser explorada no contexto da educação? Essa dimensão ligada ao prazer se contrapõe à dimensão da necessidade, particularmente vinculada ao conteúdo, às informações em si. 'Inserese nessa dimensão do prazer o 'despertar', gerado por esses textos, de algo que faça sentido para a vida, que mobilize emoções e que aflore o desejo de compartilhar o processo de construção do conhecimento científico' (Ribeiro e Kawamura, 2005).
## Metodologia do trabalho pedagógico
O grupo PIBID composto por um professor orientador da universidade, um professor supervisor da escola parceira e por cinco bolsistas de Iniciação Docência,
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alunos do Curso de Licenciatura em Física de períodos variados, se reuniu semanalmente para planejamento e avaliação das ações na escola. Nestes encontros foram discutidas questões do ENEM, escolha do tema, abordagens apropriadas, seleção de materiais e produção da apostila.
- A apostila de apoio didático foi organizada em tópicos, todos contendo: questões de Física selecionadas do ENEM, leituras complementares, sugestões de consultas em outras fontes e relação de competências e habilidades.
- A proposta desenvolvida em uma escola pública de Ensino Médio foi planejada para dez oficinas semanais com duração de duas horas, intercalando vídeos de divulgação científica com o trabalho de leitura de textos e resolução de questões do ENEM.
Para avaliação do trabalho foram observados os dados registrados nos cadernos de campo dos bolsistas PIBID e as falas dos alunos durante as atividades ou em momentos informais.
## Desenvolvimento da proposta
- O trabalho foi realizado em uma escola pública, a fim de auxiliar os alunos na preparação para o ENEM, oferecendo-lhes oficinas planejadas. Os dez encontros ocorreram no contraturno das aulas de Ensino Médio, efetivados pelos bolsistas de Iniciação à Docência e acompanhados pela professora supervisora PIBID da escola.
- O tema Energia se desdobrou em cinco tópicos: Presença Universal, Recursos Energéticos Naturais, Formas de Energia, Máquinas Térmicas e Produção e Consumo de Energia Elétrica. As atividades da apostila foram complementadas por vídeos de divulgação científica da Mostra 'Ver Ciência'.
- O primeiro vídeo 'Energia 2050 - crise do petróleo', fala sobre as bases do nosso aprovisionamento energético atual, que foram definidas há 50 anos e agora, chegou o momento de se conhecer o rumo para os próximos 50. O documentário analisa questões como o crescimento da China, o aumento de 'apagões' e redes de distribuição inteligentes do futuro. Oferece, ao mesmo tempo, visões interessantes e informativas sobre as últimas inovações e descobertas científicas. Este vídeo de 45 minutos foi assistido em duas oficinas.
- O segundo vídeo, 'Expedições - Energias Renováveis' é um documentário que aborda uma questão bastante preocupante: a escassez de petróleo em todo o planeta. Seus autores nos deixam claro que o mundo se prepara para viver sem tal combustível. Segundo as previsões dos cientistas, o século 21 será marcado pelo esgotamento, em nível planetário, dos combustíveis fósseis - como o petróleo e o carvão mineral. O programa investiga a oferta dessas fontes de energia no Brasil, e os benefícios que seu uso pode trazer: além de não se esgotarem, as fontes renováveis de energia são menos poluentes e devem frear o aquecimento global.
- O terceiro vídeo, 'Globo Universidade: Energias Renováveis' apresenta o Núcleo Tecnológico de Energia Solar da Faculdade de Física, PUC-RS, que empreende pesquisas inovadoras na área de energias renováveis. O programa mostra cada etapa da produção de painéis solares fotovoltaicos, que transformam energia do sol em eletricidade. O laboratório da PUC-RS é pioneiro nesta tecnologia no país, assim como a do Eco-óleo, reciclagem de óleo de cozinha em biodiesel.
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Além dos vídeos assistidos pelo grupo na escola, houve outro momento, na Casa Ecológica, na universidade, em que foi apresentado o vídeo 'Água, o Novo Combustível'. O programa traz um sério alerta por parte de vários cientistas: as guerras, em um futuro próximo, serão pela água, responsável pela formação de 75% do nosso planeta. No entanto, devido a fenômenos como o aquecimento global, a desertificação e a contaminação, os recursos hídricos mundiais estão diminuindo rapidamente. E o que a ciência vem fazendo em relação a essa problemática? O que cada um de nós pode fazer para cuidar deste valioso recurso no futuro?
Após a apresentação dos vídeos e a realização de debates, foram propostas atividades relacionadas aos assuntos discutidos: no primeiro encontro os alunos construíram mapas conceituais a partir de algumas ideias principais contempladas no vídeo; no segundo, eles mesmos elencaram conceitos fundamentais para a construção dos mapas e na atividade do terceiro vídeo, utilizou-se um site para elaborar um jogo de palavras-cruzadas relativas aos conceitos estudados.
Após a exibição dos vídeos surgiram questionamentos que mobilizaram bolsistas e estudantes do Ensino Médio, que buscaram complementar as informações sobre a diversidade de fontes renováveis de energia, práticas sustentáveis e potencial do Brasil relação à essa diversidade. As questões abordadas nos vídeos desdobraram-se em outras tantas mostrando que a questão energética é controversa e que não há respostas únicas para os problemas levantados.
Os estudantes compartilharam suas próprias ideias em relação ao assunto, surgindo novas indagações que possibilitaram o desenvolvimento de argumentos sobre diversas perspectivas acerca do problema (Bernardo, Vianna e Fontoura, 2009).
## Desdobramento dos estudos
A partir das discussões realizadas ao longo das oficinas, bolsistas PIBID e estudantes do Ensino Médio buscaram aprofundar dois dos assuntos abordados nos encontros: vantagens e desvantagens das energias alternativas e energia nuclear.
- O questionamento sobre vantagens e desvantagens das energias alternativas surgiu de uma das alunas assíduas nas oficinas que verificou, em uma reportagem de André Julião, da Revista Isto É, setembro 2011, os efeitos colaterais que as Energias Renováveis podem causar, prejudicando o ambiente e os humanos. Diante dos fatos apresentados e discutidos em nossas aulas, relatamos aos alunos que essas fontes utilizam muitos recursos de obtenção gratuita, mas também equipamentos caros de serem mantidos, que são fontes limpas e inesgotáveis, mas que podem afetar a fauna e a flora.
- O segundo tema, energia nuclear, surgiu em uma das oficinas de resolução de problemas. Mesmo sendo um tema atual e abordado constantemente pela mídia, verificou-se que os alunos pouco conheciam sobre o assunto. Assim, foi produzido material em forma de painel, fundamentado no último relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) Key World Energy Statistics, da International Energy Agency , publicado em 2008, mostrando que entre 1973 e 2006 o uso da energia nuclear teve um aumento de 0,9 para 6,2% na matriz energética mundial. Entretanto no Brasil o uso da energia nuclear não alcança 1% de sua utilização total (ANEEL, 2011).
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O debate consciente do uso de fontes de energia faz parte da matriz de competências do ENEM e é parte integrante do nosso trabalho. Vivemos em uma época em que há um grande investimento em desenvolvimento de tecnologias para novas fontes de energia. Os combustíveis fósseis se esgotarão em poucos anos e, portanto, devemos pensar alternativas, se quisermos manter o padrão atual de vida.
## Resultados
As atividades foram realizadas em oficinas com vídeos de divulgação científica e atividades relacionadas, como por exemplo, elaboração de mapas conceituais. Essas oficinas foram intercaladas com leitura de textos e resolução de questões do ENEM.
A apostila produzida e utilizada nas oficinas foi bem aceita pelos alunos, por ser um material inovador, que proporcionou uma participação ativa, contribuindo para uma aprendizagem significativa da Física, uma vez que puderam perceber aplicações de conceitos da disciplina em situações reais da vida, e para a vida.
As observações realizadas mostraram que os estudantes do Ensino Médio consideraram positivo o trabalho por perceberem que foi diferente das aulas Física que estão acostumados a vivenciar. Destacaram a necessidade de memorização de grande quantidade de fórmulas e cálculos, sempre associados às aulas de Física.
Percebemos a necessidade de intensificar a divulgação das oficinas na escola, pois alguns alunos não tiveram conhecimento das oficinas oferecidas pelos bolsistas PIBID. Outra tarefa importante do grupo foi orientar os alunos para inscrição no ENEM e apresentar os cursos oferecidos na universidade.
De acordo com uma das dimensões da divulgação científica, formação do espírito crítico, estimulando um olhar crítico para a realidade, preparando o futuro cidadão para que possa opinar e decidir sobre questões que afetem sua vida, acreditamos que o trabalho realizado nas oficinas, contribuiu para que os alunos buscassem conhecer mais sobre a energia nuclear, formando uma opinião quanto às vantagens e desvantagens do uso desta energia.
Confiamos que estamos contribuindo para despertar o interesse por temas da Ciência e motivar os alunos a buscar amadurecimento intelectual, prezando por uma formação crítica e consciente do cidadão.
Em vista dos resultados alcançados o grupo do PIBID vem propondo uma linguagem diversificada para o ensino científico do conhecimento da Física. Acreditamos que o conhecimento científico tem grande importância para a formação dos alunos do Ensino Médio.
## Considerações finais
Durante as oficinas do projeto PIBID, realizadas na escola de Ensino Médio, os alunos debateram vídeos de divulgação científica, resolveram questões do ENEM, elaboraram mapas conceituais, realizaram leituras e discussões e debateram assuntos relacionados ao tema Energia. Os resultados foram obtidos com base nos dados coletados das observações e registros no caderno campo, analisados em reuniões regulares do grupo.
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A experiência corroborou com o ponto de vista de que as orientações do ENEM apresentam potencial de promoção das aprendizagens, já que apresentam como elemento central problemas que exigem mobilização de conhecimentos não só da dimensão conceitual, mas também das dimensões procedimental e atitudinal, que se referem à capacidade de empregar conhecimentos apreendidos em situações reais.
Foi gratificante perceber que o trabalho realizado no âmbito do PIBID contribuiu para mudanças na realidade da escola, proporcionando aos alunos atividades diferenciadas e mostrando-lhes as possibilidades futuras, como, por exemplo, o ingresso em universidades públicas.
Ficou evidente a satisfação dos professores da escola, que se sentiram mais incentivados a mudanças em sua prática docente, visto que puderam de certa forma, vivenciar situações não convencionais.
Ao trazer aplicações do conhecimento científico para as situações de ensino, foram criadas oportunidades para introduzir conceitos da Física e motivar os estudantes para a busca permanente do amadurecimento intelectual, prezando por uma formação crítica e consciente do cidadão.
Agradecimento à Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior - CAPES pelos recursos e bolsas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência - PIBID e aos organizadores da Mostra VerCiência, pelos vídeos cedidos.
## Referências
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