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O IMPACTO DA SEMANA NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA SOBRE O CONHECIMENTO DE FÍSICA DE ALUNOS DE ENSINO MÉDIO

Ângela Maria Hartmann, Erika Zimmermann, Saulo Silva Diniz

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XI
Ano
2008
Data
24/10/2008
Linha de pesquisa
Física E Divulgação Científica Em Espaços Educativos Formais E Não Formais
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O IMPACTO DA SEMANA NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA SOBRE O CONHECIMENTO DE FÍSICA DE ALUNOS DE ENSINO MÉDIO

## THE IMPACT OF THE NATIONAL WEEK OF SCIENCE AND TECHNOLOGY ON THE KNOWLEDGE HIGH SCHOOL STUDENTS HAVE OF PHYSICS

Ângela Maria Hartmann 1 , Erika Zimmermann 2 , Saulo Silva Diniz 3

1 Programa de Pós -G-Graduação em Educação, FE/UnB , angelahart@unb.br

2 Programa de Pós-G-Graduação em Educação, FE/UnB, erika@unb.br

3 Professor da Rede Particular de Ensino do DF, professorsaulo@hotmail.com

## Resumo

Tornar a Física mais popular é uma das propostas da organização da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) que, assim, , têm buscado uma maior r participação de estudantes do Ensino Médio como expositores durante o evento. Este trabalho examina o impacto sobre o interesse , a aprendizagem e a motivação para estudar Física de alunos de uma escola do Distrito Federal que se engajaram como expositores na SNCT de 2007 . Além disso, examina-se se essa participação foi favorável à popularização da Física na escola como um todo. Por meio de entrevistas individuais e em grupos focais com estudantes e professores participantes do evento, constatou-se que o estudo e a aprendizagem foram estimulados nos alunos expositores. Os alunos esforçaram-s-se para aprender Física para: (a) responder às perguntas feitas pelo público durante o evento; (b) montar os experimentos apresentados s e que ilustravam fenômenos físicos , e (c) interagir com o público e explicar adequadamente os f fenômenos . A motivação para aprender Física também cresceu nos estudantes por causa a (a) da atuação intensa e constante dos professores que os orientaram; e (b) da ampliação da auto-estima em relação à sua capacidade de explicar conceitos e fenômenos físicos . Esse aumento fortaleceu o interesse deles em aprofundar seus conhecimentos e alguns começam a pensar r em seguir carreiras na área de Física a O impacto nos alunos da escola que não foram expositores, porém, não teve a mesma amplitude .

Palavras -chave: Educação não-formal , Exposições de Física , Interação e S Semana Nacional de Ciência e Tecnologia .

## Abstract

To turn Physics into a more popular subject has been a one of the goals of the Brasilian National Science and Technology Week (Semana NaNacional de Ciência e Tecnologia, SNCT) . This work k examines the impact that the SNCT has had , in 2007 , on the interest and motivation of secondary students who have planned and constructed exhibits to be presented during the event. It also discusses whether students' participation has promoted physics' popularization in their r school l as a whole. Individual interviews and focus group p interviews have shown that these students were encouraged to study physics. Data analisis has shown that they y end

up motivated to learn physics. The reasons that have lead to it t were the need to: (a) reply the questions asked by the public during the exhibitions; (b) organize the exhibits to ilustrate physical phenomena; (c) provide proper explanations about the exhibits to their peers. Other reasons ns to enhance students' motivating to study physics were: : (a) the intense and constant s support of their supervising teachers; and (e) the increase in students' self-f-esteem with regard to their ability to explain physics' concepts and phenomena. This way it has strengthened students' interest in making deeper studies of physics . The SNCT did not have the same impact on other students of the school who did not participate during the week. k.

Keywords: Non-formal education, physics education, National Science and Technology y Week .

## Introdução

Popularizar a ciência tem sido uma das metas da política brasileira para promover a inclusão social. A expectativa é de que a aquisição de conhecimentos básicos sobre ciência e tecnologia, através de atividades educacionais não-formais, aumente a capacidade das pessoas entenderem seu entorno. Outra meta a ser alcançada a através de atividades de popularização da ciência (PC) é a de fomentar o interesse pelo conhecimento científico e tecnológico, principalmente entre os jovens, levandooos a seguir carreiras científicas (MOREIRA, 2006, p. 11). Atualmente, a PC tem sido interpretada como um instrumento para tornar disponíveis conhecimentos e tecnologias que ajudem a melhorar a vida das pessoas, dando o suporte a desenvolvimentos econômicos e sociais sustentáveis (KEMPER; ZIMMERMANN; GASTAL, 2007).

Ações de PC podem apoiar as atividades escolares, no entanto, não podem ser entendidas apenas pelo seu caráter complementar ao ensino formal. Defendemos que elas devem desempenhar o papel de conexão ativa entre a ciência e a sociedade, para ampliar a possibilidade de entendimento que as pessoas têm dos resultados e dos processos de trabalho da ciência. A PC pode contribuir para que o conhecimento científico e tecnológico, o, que é parte da cultura, seja reconhecido como tal e como componente da ciência social, em efetitiva integração cultural, lingüística, social e econômica. Para que isso ocorra, é fundamental ampliar os cenários da ciência e da tecnologia, promover a integração entre educação formal e não-o-formal e aproximar o conhecimento científico e tecnológico dos cidadãos (MERINO, 2003). Além disso, a escola não tem como levar, rapidamente, tanto conhecimento para os cidadãos. Como escreve Gaspar (1993):

Mesmo que a escola fosse, por hipótese, uma instituição eficiente, fiel a seus objetivos, livre das críticas e queueixas que atualmente se voltam contra ela até nos países desenvolvidos, ser-lhe-ia impossível abarcar todo esse conhecimento. Não há tempo, não há espaço em seus limitados currículos e programas e, mais ainda, não há como acompanhar o vertiginoso progresso científico e tecnológico dos nossos dias (p. 32).

As atividades de PC surgem, nesse contexto, como importantes ferramentas educativas. Inseridas no âmbito social através de uma variedade de meios de comunicação, permitem que se leve informação científica a aos mais variados públicos, nos mais diferentes locais. Na conjuntura da educação científica, a PC pode aliar-r-s-se ao ensino formal na construção de uma sociedade letrada cientificamente, capaz de refletir criticamente e atuar a respeito dos assuntos de ciência e tecnologia em seu contexto.

O conhecimento científico é simbólico por natureza, constituindo-s-se a partir de uma construção humana desenvolvida para interpretar e explicar fenômenos (DRIVER et al., 1999, p. 31). Isso significa que esse tipo de conhecimento precisa , de alguma forma, ser comunicado para ser compreendido e aceito e, assim, tornar-r-s-se parte do patrimônio cultural das pessoas. O conhecimento científico se torna público à medida que é comunicado pelas instituições sociais. Para isso, tanto a a escola, como espaços de educação não-o-formal, são contextos em queo letramento científico pode acontecer à medida que o conhecimento científico se torne acessível, popular e compreensível para as pessoas.

Por outro lado, de acordo com Dennis Bartels, presesidente do Technical Education Research Center, existe a tendência de alguns extremistas acharem que tudo que se faz no ensino formal em relação à aprendizagem das ciências está errado e que o ensino não-formal é muito melhor. Para Bartels: "O que falta, na verdade, é algo para que as crianças e os adolescentes possam aprender efetivamente e isso pode acontecer tanto na escola quanto num espaço informal 1 . Só é necessário descobrir o que é esse 'algo'" (ROSENFELD, 2005). Esse "algo", para Bartels, envolve entender como crianças e adolescentes aprendem conceitos de Física, Química, Biologia e Matemática e criar uma metodologia capaz de facilitar o ensino desses conceitos.

Defendemos que essa metodologia passa por uma maior aproximação entre escola e centros de ciências de modo que a curiosidade e o interesse despertados pelas experiências vivenciadas pelos estudantes em um centro/museu de ciências sejam aprofundados na escola por meio de estudos sistemáticos. É difícil para a maioria das escolas reunir, ou reproroduzir, os artefatos científicos e tecnológicos apresentados em centros/museus de ciência. Por outro lado, não é objetivo dos espaços não-formais promover o ensino metódico e sistemático realizado nas instituições formais de ensino, mas em muitos casos existem parcerias entre as duas instituições que podem trazer benefícios para a aprendizagem de conceitos físicos e de sua aplicação cotidiana em artefatos tecnológicos (CABRAL, 2005).

Nessa linha de aproximação entre a educação formal e não-o-formal, Silva Júnior (2004) sugere a participação direta e ativa de alunos da educação básica nos programas de atividades dos centros/museus de ciências . Os alunos teriam na sua grade curricular um horário específico para atuar nos espaços de educação não-o-formal, sendo supepervisionados por um professor da escola e/ou um professor da universidade ou centro/museu.

Tendo em vista essas considerações, a pesquisa aqui relatada tem por objetivo examinar se a aproximação escola-espaço não-f-formal pode tornar a Física mais interessante e atrativa para os estudantes. O que se examina, especificamente neste trabalho, é o impacto sobre as idéias e os conhecimentos que estudantes de Ensino Médio (EM) têm sobre a Física a depois de participarem como expositores na IV Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), realizada em Brasília, em 2007. Outro objetivo desta pesquisa é examinar se e a participação , de alguns alunonos, como expositores, teve impacto sobre a escola como um todo, favorável ao estudo e à popularização da Física.

## A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT)

Segundo Moreira (2007), ), a SNCT é uma iniciativa para que agentes da esfera pública compartilhem conhecimentos científicos com o público visitante e as escolas possam ter acesso a essa informação . Desde que foi instituída, em junho de 2004, centenas de atividades, promovidas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, já aconteceram em diversas cidades brasileiras. Essas atividades buscam apaproximar crianças e jovens estudantes da Educação Básica das instituições de pesquisa com o objetivo de estimular r o interesse e a aumentar o conhecimento da população sobre idéias científicas e artefatos tecnológicos. Participam dessas atividades universidades , institutos de pesquisa, centros e museus de ciência e tecnologia, parques e jardins botânicos, fundações de amparo à pesquisa, entidades científicas e tecnológicas, órgãos governamentais, empresas públicas e privadas, entidades da sociedade civil escolas públicas e privadas etc. As atividades são variadas e incluem experimentos, filmes, exposições, palestras, oficinas, jogos, teatro e música com o objetivo de explorar a curiosidade, estimulando o interesse pela ciência e a tecnologia. A cada ano cresce o número de municípios que promovem o evento, o de instituições que dele participam e de visitantes. O quadro a seguir fornece uma idéia do crescimento desse evento.

Quadro 1 -Participações na SNCT (Fonte: MCT, 2008)

No caso particular de Brasília, a exposição montada, em 2007, no espaço ao largo do Museu Nacional, na Esplanada dos Ministérios, ocupou quatro mil metros quadrados com mais de 70 estandes e reuniu cerca de cinco a seis mil pessoas por dia (MCT, 2008).

## É possível aprender Física fora da escola?

Nos dois últimos séculos, a ciência e a tecnologia desenvolveram-se vertiginosamente, conquistando um papel central na vida moderna. No entanto, para que as pessoas possam participar ativamente dessas conquistas , usufruindo os benefícios desse desenvolvimento e da conseqüente modernização da sociedade, torna -se cada vez mais importante seu letramento científico. Para tal, são fundamentais ações educativas que possam contribuir para a formação de cidadãos críticos, capazes de apreciar a ciência como parte da cultura, de procurar o seu próprio enriquecimento cultural e científico, de questionar o conhecimento difundido pela mídia e de interagir de forma consc iente com o mundo ao seu redor. Como instituição destinada à educação formal dos indivíduos, é papel da escola promover o letramento científico em suas três dimensões:

a aquisição de um vocabulário básico de conceitos científicos, a compreensão da natureza do método científico e a compreensão sobre o impacto da ciência e da tecnologia sobre os indivíduos e a sociedade (BRASIL, 2006, p.18).

A expectativa é que a educação científica seja promovida pela escola, como instituição formal de aculturamento da sociedade. Contudo, de acordo com Fensham (apud CAZELLI; MARANDINO; STUDART, 2003, p. 84), o conhecimento científico

que o público adulto tem sobre temas científicos atuais e relevantes não advém das experiências escolares e sim da ação da divulgação científica, a, da mídia eletrônica de qualidade e da atuação dos museus de ciência, que trazem para as suas exposições tanto os conhecimentos científico/tecnológicos clássicos, quanto temáticas atuais e/ou polêmicas.

De acordo com Marandino et al. (2006), "os museus são ão considerados fontes importantes de aprendizagem e contribuição para a aquisição, ampliação e refinamentos da cultura da sociedade" (p. 161). Museus de ciência e instituições que promovem práticas educativas, mesmo não tendo como fim único promover o letraramento científico, contribuem para ampliar o conhecimento das pessoas sobre a ciência e a tecnologia. As atividades de educação não-f-formal realizadas por essas instituições, geralmente na forma de eventos como exposições públicas, são maneiras de atualizar r o conhecimento científico da população em geral e popularizar a ciência.

A orientação curricular para a Educação Básica, por sua vez, é que "o aluno compreenda as ciências e as tecnologias como um conjunto de conhecimentos produzidos coletivamente pela humanidade" (BRASIL, 2006, p. 36). Esses conhecimentos geram as técnicas e os procedimentos do trabalho produtivo, colocando como exigência do processo educativo estimular o aluno a buscar o conhecimento por iniciativa própria, mesmo fora da escola. A idéia é "expor o aluno à multiplicidade de enfoques, informações e conhecimentos" (idem, p. 37), tornando-o-o capaz de perceber as múltiplas interfaces de cada disciplina e de relacionar fenômenos, conceitos e processos.

As investigações em relação à eficácia da aprendizagem escolar de visitantes acentuaram -s -se nas últimas três décadas do século XX. Contudo, estudos mais recentes têm mostrado que é necessário levar em conta vários parâmetros para "verificar a razão do efeito positivo, mas às vezes indiferente, das v visitas escolares" (MARANDINO, 2006, p. 96). De acordo com Borun et al. (1983)2 )2 , o ganho cognitivo de uma visita a uma exposição museológica é o mesmo de uma palestra, mas o aprendizado nesse espaço está associado ao prazer e ao estímulo em aprender e não tanto na aquisição de conceitos.

Quando se pensa no papel educativo que as exposições científicas podem assumir é importante examinar como a aprendizagem pode acontecer nelas. Levando em conta a experiência de exposições em museus, Cazelli, Marandino e Studart (2003, p. 95) ressaltam que o processo de aprendizagem nesses espaços é freqüentemente centrado nas exposições e o diálogo entre elas e o público resulta em diferentes estilos e formas de interpretação. Contudo, de acordo com as autoras, as pesquisas têm mostrado que os visitantes têm expectativas diferentes em relação à aprendizagem. Alguns preferem uma experiência de aprendizagem informal, descrita na literatura como "livre -aprendizagem", enquanto outros preferem uma experiência educacional mais dirececionada sob a chancela de monitores, curadores ou professores.

De qualquer forma, a parceria museu-escola é importante para que o processo de socialização do conhecimento aconteça de modo mais efetivo, pois "ações em parceria possibilitam aos alunos experiências de aprendizagem diferentes daquelas tradicionalmente privilegiadas em sala de aula" (KÖPTCKE, 2003, p. 112). A parceria com a escola implica a abertura para um atendimento especialmente voltado para o

público escolar, de modo que os serviços de mediação cultural e de educação das instituições sejam realizados com o fim de facilitar o acesso dos estudantes ao patrimônio e à cultura.

Tendo em vista as considerações acima, acreditamos que , mesmo que para alguns alunos a visita ao local onde acontece a S SNCT possa representar apenas um dia de passeio ou um evento isolado no cronograma escolar, se ela for previamente preparada pelo(s) professor(es) e a exposição for r atrativa do ponto de vista técnico, isso pode fazer com que, ao menos, os estudantes se interessem um pouco mais por ciência. Sendo o ambiente onde acontece a exposição relaxado e lúdico, ele pode favorecer a interação do estudante com a ciência de forma a suscitar nele perguntas/respostas que não lhe ocorreriam em uma situação d de ensino formal . Como resultado da participação no evento, as aulas na escola podem se tornar mais importantes para discutir o que os estudantes viram, ou aprenderam, e aprofundar aquelas questões que lhe chamaram atenção.

## Aprendendo Física fora da escola

A situação o examininada neste trabalho envolve a participação de um grupo de trinta estudantes da Educação Básica (quatro de oitava série e o restante das três séries do Ensino Médio) como expositores durante a SNCT realizada em outubro de 2007. Os estudantes são alunos de uma escola particular do Distrito Federal, convidada a apresentar o trabalho realizado por professores e alunos na área de Ciências da Natureza .

Devido às características peculiares da situação investigada, a pesquisa teve um caráter qualitativo e se carac teriza como um estudo de caso3 o3 . Para reunir informações, que respondessem aos objetivovos da pesquisa, foram realizadas entrevistas 4 individuais e em grupos focais 5 . As informações, reunidas com esses procedimentos, foram analisadas para um exame do impacto q que a participação dessa escola na SNCT teve sobre as idéias e o desempenho em relação à Física dos alunos expositores e sobre a escola. Mais especificamente, examinou-s-se e (a) se as concepções dos alunos sobre a Física a mudaram após a participação no evento; (b) se ocorreu algum tipo de aprendizagem de Física e/ou como/por que ela ocorreu , do ponto de vista dos professores e dos alunos participantes, (c) s se há um maior envolvimento dos alunos com a Física após a participação no evento; (d) a repercussão, entre professores e demais alunos, da participação da escola na SNCT. Foram entrevistados quinze 6 alunos 6 6 em dois grupos focais. As entrevistas individuais foram feitas com quatro professores, três de Física e um de Química, que supervisionaram as atividades dosos alunos durante o evento.

A A escola optou por r mostrar na SNCT alguns experimentos de Física, Química e Biologia, que fossem de execução simples, mas intrigantes para os visitantes . Inicialmente, o coordenador pedagógico, que também é professor de Física, mobilizou os professores da área e depois passou de sala em sala convidando os alunos a

participar da exposição. Dentre os que se apresentaram, nem todos se interessavam por Física , muitos se envolveram por ser um evento e em q que representariam a escola.

Os trinta alunos (grande grupo) foram divididos em grupos e cada um dos seis professores da área responsabilizou-s-se por um desses grupos Cada grupo, junto com seu professor orientador, escolheu e montou um experimento que, em um primeiro momento, foi apresentado e explicado para os alunos do grande grupo. Desse modo, todos conheciam os trabalhos e cada um tinha condições de explicá-á-los quando solicitado pelos visitantes da da SNCT. Como nem todos os experimentos puderam ser apresentados, devido ao tamanho do espaço destinado à apresentação da escola (18 m²), foram selecionados aqueles que se mostraram mais interessantes e atrativos. É importante ressaltar que a participação dos alunos foi voluntária, não tendo havido, por parte dos professores, nenhum incentivo de pontuação (de nota).

- O experimento de maior atração e de sucesso para o público durante a SNCT foi o da "Monga", que alguns alunos da terceira série do Ensino Médio haviam apresentado na escola no ano anterior, como trabalho para a disciplina de Física. Esse experimento reproduzia uma atração usada em circos os e que utiliza um jogo de espelhos para criar a ilusão de que uma pessoa se transforma em macaco. Além desse, os alunos apresentavam:
- · a levitação do "Super-Homem", que também emprega um jogo de espelhos os para fazer parecer que uma pessoa está voando;
- · a "lâmpada virtual", que por efeito da refração em um vidro faz parecer que existe uma lâmpada onde não há;
- · o "chafariz", que usa amônia aquecida para, por diferença de pressão, provocar o efeito de esguicho;
- · o foguete d'água, que por ação e reação faz uma garrafa pet se deslocar;
- · da continuidade óptica do óleo;
- · a bazuca , e outros experimentos mais específicos da área de Química.

## As concepções sobre Física

Os depoimentos dos alunos entrevistados mostram que a Física parece ser vista na escola como uma ciêiência sem aplicação prática a no dia-a-dia. A participação na SNCT mudou essa representação o naqueles que participaram do evento e a Física passou a ser vista como algo divertido, interessante e com aplicação no cotidiano. Ao serem questionados sobre o que chamou a atenção deles com respeito à Física, um dos alunos comentou:

É a maneira como é tratada, na SNCT, a Física, de uma maneira criativa. Não é aquela maneira só científica, aquele conhecimento jogado pra fora. É de uma maneira mais simples, mais divertida de você estar aprendendo 7 coisas que você vive no dia -a-dia (2M/M16) 7 .

A representação da Física como uma ciência de teorias e cálculos parece ser construída porque os professores s se sentem pressionados pela comunidade a ensiná-la com esse enfoque p para que os alunos passem no vestibular da UnB.

O que vem acontecendo no Brasil é que essa parte lúdica científica não vem sendo trabalhada. As universidades condicionam ao conteudismo, querendo ou não . A gente acaba deixando um pouco de lado [essa Física lúdica] porque a gente tem um programa a cumprir, a gente é condicionado a trabalhar em cima da UnBnB, a gente precisa de números (prof. de Física).

Para outros alunos, a participação no evento mostrou que a Física não é apenas um campo de teorias interessantes, por vezes difíceis de aprender. Ela é também um conhecimento aplicável no cotidiano.

Muitas vezes o aluno, ele tem uma visão assim... Ah, porque eu tô aprendendo isso? Todas essas teorias... Por exemplo, os astronautas, não só os astronautas... Astronauta porque é uma coisa que chama muita atenção do pessoal, mas todos eles têm que ter o conhecimento da Física, da Química. Então foi bom pra gente poder ter contato com essas ciências aplicadas na vida real. Naquela feira8 você passa a ter uma noção da importância daquelas ciências (1M/V14).

A proposta dos professores era apresentar uma Física para leigos, construindo experimentos de caráter lúdico, confeccionados com material fácil de conseguir. Conforme dedepoimento de um dos professores entrevistados, o sucesso obtido pelos alunos em atrair o público residiu em terem apresentado uma Física lúdica e simples:

Um fato que chamou atenção foi que a UnB, mesmo com toda Experimentoteca 9 9 , ela não conseguiu chamar a ciência popular da forma que a gente conseguiu. Ela estava voltada mais para a pessoa que já detém certo conhecimento científico, não para os leigos. E a gente montou uma ciência para os leigos, porque os recursos utilizados todo mundo conhecia. O pessoal ficava intrigado. "Mas são só dois espelhos mesmo?" (professor de Física).

## O que favorece a aprendizagem da Física?

- (a) Perguntas - Os depoimentos dos alunos mostram que as perguntas feitas pelo público os estimularam a a aprender mais a Física envolvida nos os experimentos da exposição . Segundo eles, as as perguntas os fizeram pensar a respeito de explicações físicas que antes não haviam chamado sua atenção e pesquisar r para reunir conhecimento sobre o assunto para poder r explicá-á-lo. De acordo com os alunos, as perguntas do público eram "básicas": Como é feito? Por que isso acontece?
- O público visitante perguntava muito sobre o funcionamento dos experimentos e isso fez com que a gente pensasse ainda mais (3F/M17).

Acho que aprendi mais lá com as perguntas das pessoa s. Dificuldades eu tive e com essas dificuldades eu procurei pesquisar depois e aprofundar o conhecimento (1F/M14).

- (b) Experimentos - Para a apresentação, os alunos escolheram alguns experimentos relacionados aos conteúdos que estavam estudando naquele período do ano letivo. Por outro lado, montar, fazer funcionar e explicar experimentos levou-o-os a uma maior compreensão do conhecimento teórico desenvolvido durante as aulas.

A gente escolheu porque a gente, na época, tava trabalhando esse conteúdo na escola, só que o experimento complementou e fez com que entendesse melhor a matéria (3F/M17).

Segundo os alunos, rerealizar um experimento para explicar um conteúdo de Física torna o conhecimento mais palpável e concreto. Na idade em que se encontram esses estudantes , a construção de algo concreto parece indicar um reforço para a compreensão do conteúdo físico.

Como a gente tava fazendo o experimento na prática, tá aplicando a fórmula, tá montando o negócio do Super-Homem, a gente tá tendo noção e tá tendo mais cererteza daquilo que é (1F14).

Quando você pega a Física, e você faz a prática, fica muito mais simples. Não só ficar dentro de uma sala de aula aprendendo, aprendendo, aprendendo... É mais simples você fazer um experimento pra mostrar o que tá acontecendo (3M/M17).

- (c) Trabalho em Grupo - Outro fator que estimulou a aprendizagem desses alunos foi o fato de, por orientação dos professores, eles terem de fazer um revezamento para a apresentação dos experimentos. Como cada grupo propôs um, mas todos deviam saber r e apresentar também os demais experimentos, isso os obrigou a entender o conteúdo para explicar aqueles que eles não tinham planejado.

...trabalhou muito essa parte do coletivo, porque muitos eram de turmas diferentes... a gente trocou também muitas informrmações, dúvidas sobre os próprios experimentos, um ajudou o outro (3F/M17).

A gente já sabia mais ou menos o que tinha que falar, mas teve coisa que eu não sabia e que eu aprendi. A gente tinha que saber todos. Não tinha que saber só o nosso experimento, titinha que saber de todos pra explicar porque revezava. O deles mesmo, que era o da Monga, eu não sabia, aprendi com eles (2F/V16).

Registramos aqui a importância da interação entre os próprios estudantes para promover a aprendizagem da Física. Neste caso, os alunos com um conhecimento mais avançado, auxiliaram os demais a entender os conceitos e princípios físicos envolvidos nos experimentos.

- (d) Acompanhamento dos Professoreres - Não se pode deixar de destacar que os professores tiveram um papel fundamental na na promoção da aprendizagem dos alunos que se sentiram acompanhados e orientados antes e durante a exposição, o que lhes deu a auto -c -confiança necessária para mostrar-s-se publicamente em um evento de tal proporção.

O que é importante lembrar aqui é que nesse projeto com os alunos a gente teve muita presença do professor, principalmente na montagem dos objetos (3M/M17).

A gente não tinha dificuldade de responder as perguntas do público porque a gente tinha orientação de professores (3F/M16).

Os alunos, contudo , durante as entrevistas demonstraram não saber exatamente como funcionava a SNCT. Só Só ao chegar ao local da exposição, para montar o estande é que eles perceberam a dimensão do evento.

- (e) Fortalecimento da auto-e-estima - Os alunos que participaram do evento to viveram momentos emocionantes, que os levaram a apreciar a Física e a fortalecer sua autoestima .

Eu fiz o experimento do Super -Homem, que fazia a impressão que tava levitando. E quando eu fazia, demonstrava, as crianças ficavam assim tão emocionadas que tinha algumas que vinham até me pedir autógrafo, porque realmente pensavam que eu tava flutuando. E isso, realmente, é muito legal (3M/M16).

A gente soube lidar com cada pessoa que ia lá. Acho que isso foi um ponto que fez com que o nosso estande teve (sic) esse sucesso. Demonstrou que não só eles [UnB, Agência Espacial Ministério da Cultura] têm condições de ir lá e demonstrar o que eles sabem e interagir, mas a gente também, mesmo a gente não tendo um intelecto tão assim como eles, mas a gente teve condidições de ir lá, se esforçar, mostrar que a gente sabe. Pode ser pouco, mas é essencial aquele pouco pra gente (2M/M15).

## Envolvimento dos alunos com a a F Física

Outra maneira de avaliar o impacto sobre os alunos expositores é é examinando se a participação na SNCT influenciou de alguma forma a a escolha profissional dos alunos , uma vez que é durante o EM que eles têm de realizar uma primeira opção profissional bem definida (mesmo que não definitiva) para um futuro próximo. O depoimento de um professor mostra que a participação foi um incentivo para alguns continuarem o estudo da Física depois do EM.

Tem um monte de menino que participou do evento e que agora quer realmente fazer Física. A gente pode contar pelo menos uns cinco meninos lá que querem fazer Física. E eram meninos que não tinham lá grandes aptidões para a área de exatas, que, na verdade, tinham até um pouco de dificuldade e, gostaram tanto da Física prática, da Física no cotidiano, deles estarem apresentando, explanando, que querem fazer Física. E alguns querem ser professores (Professor de Física).

Durante os grupos focais foi possível constatar que a participação na SNCT foi um elemento que abriu novas perspectivas e incentivou os alunos a pensar na possibilidade de continuar a estudar Física depois do o EM. Todos que participaram da entrevista manifestaram, de alguma forma, que passaram a apreciar mais o estudo dessa ciência, apesar de e nem todos demonstraram o desejo de seguir a carreira de físicos .

Acho que a Física esse anano tá muito mais interessante. Porque naquela época nossa Física era só bloquinhos e anulação de forças (ririsos)s). E daí, quando a gente foi pra feira, realmente eu falei: "Nossa, isso é Física! Óptica!" Era muito mais legal! E agora no segundo ano, que a gente está começando a estudar ondas, vou me interessar mais ainda (2F/V15).

No ano passado eu não gostava muito de Física. Gostava um pouco mais de Química, mas de Física eu não gostava muito. Mas depois, eu comecei a gostar mais e aí, quando eu fui pra feira, eu já gostava, mas ver essa dimensão que toma, e ver isso aplicado mesmo, acho que ajudou mais. Eu gosto mais ainda de Física agora. Eu acho que quando você passa a ver e a fazer experimentos, ver isso, fica mais interessante (1M/V14).

## Repercussão na escola

O maior impacto da partic ipação da escola na SNCT foi, sem dúvida, sobre os alunos expositores e os professores orientadores. No entanto, os depoimentos dos professores mostram que t também houve impacto sobre os demais docentes e alunos.

Alunos que não participaram, já estão querendo participar, professores que não ficaram tão engajados no processo, este ano já estão querendo se engajar mais. E a relação em sala de aula acaba mudando um pouco. Eles encaram a ciência de outra forma, encaram os professores de outra forma. Na verdade, não só o relacionamento [muda], mas o interesse dos meninos por ciência e pelo trabalho extra-escola (Prof. de Física).

Devido à empolgação e ao interesse dos alunos em relação à Física e às outras ciências, surgiu, ao final da SNCT, a proposta de criar-s-se um Clube de Ciências na escola, o que não havia se materializado até o final desta pesquisa.

## Considerações Finais

Este estudo de caso revela que o envolvimento de professores e alunos em eventos de educação não-formal, como a SNCT , motiva os alunos para aprender. r. Além disso, o o trabalho em torno de uma meta comum fafaz az com que alunos e professores se ajudem , cooperando mais intensamente entre si para que a aprendizagem da Física aconteça. Verifica-s-se que o interesse pela Física foi estimulado o nos alunos (a) pelas perguntas feitas pelo público durante a apresentação dos experimentos; (b) pela montagem de experimentos que ilustravam fenômenos físicos; (c) pela interação entre os estudantes devido à necessidade de explicar adequadamente os experimentos; (d) pela atuação intensa e constante dos professores que orientaram os experimentos ; e (e) pelo aumento da auto-e-estima desses alunos em relação à sua capacidade de explicar conceitos e fenômenos físicos, fortalecendo a auto-confiança em aprofundar seus estudos d de Física .

Avaliando a aproximação que se estabeleceu entre a SNCT e a escola em torno da participação no evento, constatamos que ela aconteceu apenas em um nível superficial, mas teve grande impacto no grupo de estudantes-expositores que participou na SNCT de 2007. Esse impacto aconteceu em relação a aspectos como: (1) aumento do interesse em aprender Física; (2) desmistificação da SNCT como um evento só para entendidos em ciência e (3) desmistificação da Física como uma ciência teórica e abstrata. Sobre a esescola, o impacto é menos perceptível, a não ser pelo fato de que tanto aqueles alunos e professores que participaram, assim como entre os que não participaram, aumentaram o entusiasmo e a expectativa da escola voltar a participar da SNCT/2008 , apresentando novos trabalhos. Por outro lado, percebem -s-se muitas intenções emergindo dessa experiência como a de alguns alunos seguirem uma carreira científica, aprofundando-o-s-se no estudo da Física e de criar-r-s-se um Clube de Ciências na escola, o que pode aumentar ainda mais o interesse e o envolvimento de outros alunos com a Física e as demais ciências.

## Referências

BRASIL. Ciências da Natureza, matemática e suas tecnologias: orientações curriculares para o ensino médio. Brasília: Ministério da Educação e Secretaria da Educação Básica, 2006, v. 2.

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