A UTILIZAÇÃO DIDÁTICA DE UM FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA EM AULAS DE FÍSICA NO ENSINO MÉDIO
Rosemeire Aparecida Ferres, Marcelo Zanotello
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 22/01/2013
- Linha de pesquisa
- Linguagem E Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A UTILIZAÇÃO DIDÁTICA DE UM FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA EM AULAS DE FÍSICA NO ENSINO MÉDIO
## Rosemeire Aparecida Ferres 1 , Marcelo Zanotello 2
1 Secretaria da Educação do Estado de São Paulo / Escola Estadual Professora Maristela Vieira, rosemeireferres@terra.com.br
2 Universidade Federal do ABC / Centro de Ciências Naturais e Humanas, marcelo.zanotello@ufabc.edu.br
## Resumo
Neste trabalho, analisamos a utilização para fins didáticos de um filme de ficção científica em aulas de física, com estudantes do 1º ano do ensino médio em uma escola pública paulista. A experiência relatada se insere no desenvolvimento de um projeto de pesquisa, no âmbito do programa Fapesp-Ensino Público, que tem como uma de suas metas investigar como estratégias de ensino alternativas às usualmente empregadas nas escolas nas áreas de ciências podem contribuir para o interesse e aprendizagem dos estudantes . Apoiamo-nos em um referencial que preconiza uma perspectiva cultural para o ensino de física e das disciplinas científicas em geral, ampliando seus objetivos e, por isso, demandando novas estratégias e metodologias que vão além das tradicionais aulas expositivas baseadas na memorização de resultados e resolução de exercícios. Durante a exibição de Armageddon (1998), a professora procurou estabelecer um ambiente de mediação dialógica com as turmas, discutindo aspectos do filme. Posteriormente, um questionário foi aplicado com o intuito de avaliar a receptividade dos alunos à proposta da exibição do filme nas aulas e sua articulação para o ensino de conceitos físicos. A análise qualitativa das respostas por escrito dos estudantes ao questionário e dos relatos da professora nos permitem afirmar que, apear das dificuldades infraestruturais e de tempo envolvidas na realização da atividade, esta propiciou uma oportunidade interessante de aprendizado, indicando que a diversificação de estratégias, no sentido de um pluralismo metodológico, pode contribuir positivamente para as relações de ensino e aprendizagem nas aulas de ciências na educação básica.
Palavras-chave : ensino de física, perspectivas culturais, ficção científica, pluralismo metodológico.
## Introdução e Justificativas
O ensino de física na educação básica ainda é pautado, quase que exclusivamente, por aulas expositivas que estimulam os estudantes a desenvolverem apenas uma forma de raciocínio, baseada na memorização de fórmulas e algoritmos para resolução de exercícios. Palácios (2007) adverte que a ênfase na memorização de resultados científicos ajuda a promover o desinteresse de muitos alunos pelas ciências, contribuindo para os elevados índices de analfabetismo científico observados na sociedade contemporânea. Entretanto, concebendo a Ciência como integrante do arcabouço cultural da humanidade, conforme preconiza Zanetic (2005), os objetivos no ensino escolar das ciências se ampliam. Considerando uma perspectiva de mediação cultural para o ensino de ciências, Almeida (2004) coloca que:
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20 a 25 de janeiro de 2013
[...] as finalidades para ensinar ciência podem assumir um espectro bastante abrangente, podendo-se esperar desse ensino que ele possibilite ao estudante, entre outros objetivos: a internalização de conceitos e leis previamente selecionados; o reconhecimento das condições sociais em que determinadas leis da natureza e certos conceitos foram produzidos, bem como o entendimento de suas influências sobre a sociedade; a compreensão de modos de produção da ciência; a possibilidade de crítica em relação a aplicações e implicações sociais da instituição científica; a aquisição de habilidades e atitudes pertinentes ao fazer científico; o incremento da auto-estima pela inserção em questões próprias do seu tempo. Evidentemente, esses e outros possíveis objetivos não são mutuamente excludentes (ALMEIDA, 2004, p.96).
A consecução de novos objetivos educacionais envolve a busca por diferentes estratégias para abordar os conteúdos; estratégias que sejam capazes de promover maior envolvimento dos estudantes nas aulas através do desenvolvimento de atividades variadas. Em nossa visão, tal processo conduz ao que Laburú, Arruda e Nardi (2003) denominam de 'pluralismo metodológico no ensino de ciências'.
Ao defender o uso de 'novas táticas motivadoras para divulgar, transmitir e ensinar as ciências', Palácios (2007) destaca que a literatura e o cinema de ficção científica podem ser alternativas interessantes. O autor relata a experiência positiva, no que se refere à motivação dos alunos e à construção conceitual em física, com a introdução da disciplina 'Física na Ficção Científica', destinada a estudantes de um curso superior de Licenciatura em Física, em uma Universidade espanhola. Em tal disciplina, se propõe uma análise conceitual rigorosa dos fenômenos físicos que aparecem nos filmes, ainda que a ênfase não seja em aspectos matemáticos das teorias, incentivando o diálogo e a participação dos alunos em debates sobre a veiculação de conceitos físicos em filmes selecionados.
Segundo García-Borrás (2006), a hipótese central que orienta trabalhos que buscam articular o gênero cinematográfico da ficção científica com situações de ensino, é a possibilidade de tal gênero ajudar os estudantes a se interessarem por ciência, conectando os conteúdos científicos a aspectos que podem ser úteis, atrativos e motivadores. Além disso, Barceló (2003) destaca que:
Se o sistema educativo pretende desenvolver novas metodologias para contrastar a aprendizagem repetitiva e monótona do conhecimento científico, a ficção científica pode ser uma ferramenta importante. [...] Ela pode auxiliar o desenvolvimento de atividades interdisciplinares e integradoras, fomentando a realização de sínteses e projetos de investigação criativos, didáticos e divertidos, o que não é pouca coisa (Barceló, 2003, em http://quark.prbb.org/28-29/default.htm).
O presente trabalho se insere no contexto do desenvolvimento de um projeto de pesquisa, cujo financiamento ocorre no âmbito do programa Fapesp-Ensino Público. Um dos objetivos do projeto e, consequentemente, deste trabalho, é investigar como estratégias de ensino alternativas às usualmente empregadas nas escolas nas áreas de ciências podem contribuir para o interesse e aprendizagem dos estudantes. Enfocando o uso de diferentes linguagens para abordagem dos conteúdos, nos propomos a realizar uma análise qualitativa acerca das possibilidades de utilização didática de um filme de ficção científica em aulas de física no 1º ano do ensino médio. Esperamos que o relato dessa experiência forneça alguns subsídios, contribuindo para a diversificação das práticas de ensino nas disciplinas científicas na educação básica.
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## Metodologia
O filme Armageddon (1998), com duração aproximada de 150 minutos, foi exibido para 2 turmas do 1º ano do ensino médio, no período matutino, em uma escola pública na perifeira da cidade de São Bernardo do Campo, SP, no decorrer do 3º bimestre de 2011. Uma das turmas possuía 36 alunos e a outra 34. A exibição integral do filme demandou 6 aulas, sendo que nessa escola a disciplina de física possuía 2 aulas semanais para a referida série. Este filme é indicado na unidade sobre dinâmica, constante na apostila preparada pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, que é o material didático básico usado nas aulas. Porém, não há sugestão alguma na apostila sobre que trabalhos poderiam ser realizados com o filme, cabendo ao professor optar por sua utilização e formas de abordagem. Nesse aspecto, o material didático poderia ser propositivo sem ser impositivo, preservando a liberdade de atuação do professor, mas fornecendo-lhe alguns subsídios e sugestões.
Durante a exibição, a professora fez pausas e levantou alguns questionamentos sobre o que os estudantes estavam assistindo, procurando estabelecer um ambiente de mediação dialógica. Na aula seguinte à exibição do filme, foi realizada uma atividade que consistiu na resposta por escrito a um questionário. O questionário foi composto por questões abertas com o intuito de propiciar aos alunos a oportunidade de posicionarem-se com relação à proposta de utilização do filme nas aulas de física, registrarem suas opiniões, impressões e dúvidas, além de questões que procuraram articular o conceito de força gravitacional com aspectos do filme. As questões propostas foram as seguintes:
- 1) Você já tinha assistido a esse filme? Você o indicaria para um amigo?
- 2) O fato do filme não ter sido assistido em apenas uma aula e sim em várias, foi um problema para você?
- 3) Qual cena do filme mais chamou sua atenção? Por quê?
- 4) Armageddon é um filme de ficção científica onde é retratado o trabalho de uma equipe de perfuradores de petróleo e astronautas, com o objetivo de destruir um asteroide. Vimos inicialmente no filme que uma chuva de asteroides foi responsável pela extinção dos dinossauros. Seria possível acontecer algo semelhante novamente? Por quê?
- 5) Que conceitos físicos você identificou no filme? Você poderia defini-los?
- 6) Dê sua opinião: você acha que assistir a filmes e documentários realmente pode ajudá-lo a entender alguns assuntos sobre a disciplina física? Por quê?
- 7) Expresse suas dúvidas; coisas que o filme aborda e que você não entendeu.
- 8) No filme Armageddon, o asteroide muda sua direção de movimento. Que força foi responsável por esta mudança?
- 9) No filme, os astronautas fizeram treinamentos em uma piscina. Você saberia dizer o porquê deste tipo de treinamento? Explique.
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- 10) Uma grande discussão hoje em dia é: com tantos problemas a resolver aqui na Terra, vale a pena mobilizar recursos visando à exploração do espaço? Por quê?
- O questionário foi respondido individualmente em sala de aula e essa atividade compôs a nota bimestral. Consideramos que a prática da escrita privilegia a possibilidade de reflexão diante de um tema, devendo ser estimulada na escola não somente pelas disciplinas de línguas e humanidades, mas também pelas de ciências naturais e exatas. Obviamente, diversas questões poderiam ser propostas, por exemplo, enfocando de forma mais aprofundada outros conceitos da física relacionados ao filme, como no caso de Dark (2005), que sugere um cálculo envolvendo a conservação do momento linear quando o asteroide se subdivide em dois, a partir das informações do filme. Mas, nosso objetivo principal neste trabalho é avaliar a receptividade dos estudantes a essa proposta de trabalho e analisar qualitativamente suas capacidades e limitações.
## Análise das respostas dos estudantes
Do total de 70 alunos, somente 6 disseram que já tinham assistido Armageddon e 64 o recomendariam a um amigo, alegando terem gostado do filme. Sobre o filme ter sido exibido em várias aulas, 39 estudantes colocaram que isso foi um problema, justificando que a perda de continuidade dificulta o entendimento. Um aluno colocou que:
'Ficou meio disperso. Deu pra compreender, mas se fosse assistido direto, seria mais fácil o entendimento '.
Ressaltamos que, na transcrição de trechos das respostas dos alunos, preservamos a grafia das mesmas em sua forma original.
Um problema com a exibição em várias aulas diz respeito às faltas. Alunos que faltam a algumas aulas perdem partes do filme e isso foi apontado por eles como um fator de dificuldades para a realização da atividade. Alguns estudantes disseram que baixaram o filme pela internet e assistiram em casa. Isso foi feito tanto por alunos que faltaram, quanto por outros que não quiseram esperar as aulas seguintes para ver o restante do filme e estavam curiosos para terminar de assistir. Dentre os 31 alunos que alegaram não ter sido problema exibir o filme em várias aulas, um declarou que:
' Se você realmente prestar atenção, não tem importância em quantas aulas assistimos '.
Este é um ponto polêmico quando se propõe um trabalho com filmes nas aulas: exibe-se o filme todo, fragmentando a exibição em várias aulas, ou selecionam-se previamente apenas trechos do filme em função dos temas que o professor deseja abordar? A resposta depende dos objetivos específicos do professor com a atividade e de aspectos práticos, como o tempo que a atividade irá demandar em função da disponibilidade de aulas para realizá-la. Em nosso caso, optamos por exibir o filme todo tendo em vista que poderíamos ocupar várias aulas sem prejuízos sérios ao planejamento da professora e que a maioria dos estudantes não conhecia o filme.
Dentre as cenas que mais lhes chamaram a atenção, destacamos alguns relatos que ilustram a capacidade de atração dos filmes de ficção científica que, em
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geral, incorporam ingredientes de ação e suspense, capazes de estimular a atenção e a imaginação da plateia:
- 'Quando um dos integrantes fica para explodir o asteroide, ele se sacrificou pelo mundo. Verdadeiro herói'.
- 'Quando eles estão no asteroide e os problemas começam a aumentar com o suspense'.
- 'A cena quando o meteoro menor atinge a Terra, porque os efeitos são muito realistas e dá uma curiosidade de saber se o outro meteoro vai fazer a destruição global'.
- 'O começo, quando os asteroides estavam caindo no planeta. Porque eu nunca tinha visto aquilo. Eu comecei a ter devaneios e me perguntar e se o mundo acaba?'
Neste último relato, é explícito o impacto causado pela referida cena no aluno, como uma revelação para algo novo e que o fez pensar nas eventuais consequências.
Na 4ª questão, 16 alunos disseram não acreditar que poderia haver novo impacto catastrófico de meteoros com a Terra, como o que motivou, provavelmente, a extinção dos dinossauros. Alguns argumentos colocados são:
'Porque se fosse prá ter de novo já teria pois já passou vários séculos'.
'Com a tecnologia de hoje em dia, poderia ser evitado'.
'Porque não acredito em meteoros'.
'Porque é um filme de ficção científica como diz o próprio nome ficção' .
Entretanto, 54 alunos disseram ser possível acontecer um evento similar, pois conforme um deles:
- 'O espaço sideral é cheio de meteoros e asteroides que podem se dirigir para a Terra '.
A respeito dos conceitos físicos que aparecem no filme, os alunos se limitaram a registrar alguns que eles identificaram. Cabe destacar que nenhum deles tentou explicá-los como solicitava a 5ª questão, talvez por medo de errarem, ou por não atentarem devidamente à pergunta, ou ainda por não estarem habituados a esse tipo de pergunta que os convida a escrever sobre um conceito. Dentre os mais citados, estão: velocidade, aceleração, força, gravidade e temperatura. A identificação destes conceitos pode ter sido facilitada em função de estarem sendo estudados ao longo das aulas de física que antecederam a exibição do filme.
Com relação à 6ª questão, os alunos foram unânimes em afirmar que assistir a filmes e documentários pode ajudar a entender assuntos relacionados à física, mesmo tendo sido essa, provavelmente, a primeira experiência dessa natureza que eles tiveram no contexto da sala de aula. Ademais, com a crescente acessibilidade à informação, a escola não deve, em nossa opinião, desconsiderar a influência que os meios de comunicação como a televisão, o cinema e a internet exercem sobre os jovens, uma vez que tais meios propiciam a constituição dos mais variados sentidos sobre saberes que compõem os currículos escolares. O fato é que a utilização de recursos distintos aos normalmente utilizados pode encontrar ressonância entre os estudantes, como ilustram os seguintes relatos:
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- 'O filme desperta a curiosidade e deixa mais interessado sobre a matéria'.
- '[...] com o filme prestamos mais atenção'; 'porque a gente vendo e tendo a explicação fica melhor de entender';
- 'A aula fica mais interessante e serve como exemplos';
- '[...] às vezes cansa ficar em uma sala de aula que só estuda, corrige, faz lição, temos que ter algo diferente' ;
- 'É como se fosse uma aula que tinha vários tipos de linguagens que não só explicação e lousa' .
Ao solicitar que os alunos escrevam suas dúvidas, permite-se que os mesmos reflitam e tenham tempo para melhor elaborá-las do que quando simplesmente se expõe um conteúdo, imediatamente se pergunta se alguém tem dúvidas e segue-se em frente com as exposições. Colocações interessantes sobre a ação da gravidade na trajetória dos corpos celestes, a origem dos meteoros e questionamentos sobre a realidade e plausibilidade das cenas foram levantados nas respostas à 7ª questão, conferindo ao professor a oportunidade de discuti-las em aula:
- 'Fiquei com dúvida porque a gravidade lunar mudou a direção do movimento'.
'De onde surgiu o meteoro?'
'É possível mesmo destruir um meteoro?'
'Por que ocorreu a chuva de meteoros?'
- 'Como um meteoro tem gazes, propagando fogo no meio do espaço se não tem ar e ainda fazer barulho?'
Todos os estudantes identificaram corretamente a força gravitacional como a responsável pela mudança na direção de movimento do asteroide, fazendo-o entrar em rota de colisão com a Terra no filme, ainda que não tenham entendido completamente com isto ocorre. Com relação ao treinamento dos astronautas na piscina, apesar do conceito de empuxo não ter sido trabalhado nas aulas anteriores à exibição do filme, os alunos tentaram propor algumas explicações. Surgiram colocações que podem ser consideradas de senso comum e equivocadas, mas que indicam uma reflexão sobre a questão e que podem subsidiar o trabalho da professora:
- 'De baixo da água os movimentos ficam mais devagar e parece que diminui a gravidade'.
'Porque no espaço nossos movimentos são mais lentos e na piscina acontece o mesmo com nossos movimentos pois temos que puxar ou empurrar a água. Esse treinamento serviu para eles saberem como seria sua movimentação no espaço'.
- 'A sensação de estar na água é a mesma de quando se está no espaço, onde não tem gravidade ou tem muito pouca'.
Acerca da questão 10, as opiniões dos estudantes foram divergentes, como esperávamos diante de um tema polêmico como é o caso da mobilização de grandes recursos financeiros para a exploração espacial, frente aos graves problemas econômicos e sociais que afligem nossa sociedade. Dentre os que
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responderam afirmativamente, a justificativa apresentada foi estimulada pelo tema do filme, uma vez que se basearam na possibilidade da vida na Terra poder ser ameaçada:
'Sim. Se o planeta Terra acabar, poderia ter o recurso de morar no espaço'.
'Sim porque se não ficarmos sabendo o que está acontecendo no espaço a Terra pode estar em perigo'.
Outros alunos colocaram como prioridade a resolução de problemas sociais e econômicos:
'Primeiro temos que resolver aqui na Terra os problemas como fome, desemprego, etc.'.
Alguns não assumiram uma posição, em virtude dos prós e contras associados à questão:
'Sim e não. Sim porque nosso conhecimento sobre o universo aumenta e não porque gasta-se milhões nessas explorações, dinheiro que poderia ter resolvido parte dos problemas como a pobreza, a fome, dentre outros'.
Esta questão pode ser utilizada pelo professor para promover um debate e outras atividades com os estudantes acerca das implicações sociais do desenvolvimento científico e tecnológico.
## Considerações Finais
Embora nem todos os alunos tenham se envolvido na aplicação dessa estratégia, o filme atraiu a atenção e despertou curiosidades na maioria deles, que se sentiu estimulada e participou mais ativamente das aulas, em comparação com o que normalmente ocorre em uma aula expositiva tradicional. Isto evidencia que a diversificação de atividades é capaz de envolver um maior número de estudantes, propiciando novas situações de ensino e aprendizagem, quando devidamente mediadas pelo professor.
Em filmes de ficção científica, geralmente observavam-se equívocos com relação a conceitos básicos das ciências, por exemplo, no caso dos impressionantes efeitos sonoros em explosões no espaço, como as mostradas em Armageddon. Mas, não se pode negar que o gênero de ficção científica tem um aspecto visionário, especulativo, que estimula a imaginação com relação aos avanços tecnológicos e científicos, configurando-se também como uma forma de divulgação da ciência para um grande público. As situações do filme e as dúvidas registradas pelos alunos podem subsidiar a atuação docente para o trabalho com certos conteúdos. A mediação do professor é fundamental para a construção de significados não distorcidos sobre os conceitos, a partir de discussões e análises a respeito do filme exibido.
Problemas de ordem estrutural podem dificultar a realização de atividades alternativas nas aulas. No caso da escola em que se desenvolveu o presente trabalho, não havia uma sala de vídeo adequada, que comportasse todos os alunos. A professora levava o aparelho de DVD e o televisor para a sala de aula, o que sempre acarretava na perda de algum tempo. A falta de infraestrutura adequada para certas práticas não é um problema particular dessa escola, mas afeta muitas escolas em nosso país. Por vezes, podem ser contornados pelo empenho e boa
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vontade da comunidade escolar, porém nem sempre isso é possível, cabendo ao Estado assumir a responsabilidade para solucionar esses problemas.
Enquanto se considerar que a única forma possível de se ensinar física é baseada exclusivamente na resolução de exercícios como os propostos nos livros didáticos e apostilas, haverá pouco espaço nas aulas de física para a abordagem de outros aspectos relativos à ciência e o desenvolvimento de estratégias alternativas, como a que descrevemos aqui, baseada na análise de um filme de ficção científica. Entretanto, ao se adotar uma perspectiva cultural para a formação dos estudantes durante a educação básica, os objetivos do ensino de ciências se ampliam e novas posturas em sala de aula são demandadas. Nesse sentido, uma aproximação entre as pesquisas na área de ensino de ciências e a realidade escolar, não hierarquicamente, mas cooperativamente, pode fornecer subsídios para a construção de frutíferas relações de ensino e aprendizagem.
Agradecimentos : Os autores agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo pelo apoio financeiro, no âmbito do programa Fapesp-Ensino Público.
## Referências
ALMEIDA, Maria José Pereira Monteiro. Discursos da Ciência e da Escola: Ideologia e Leituras Possíveis . Campinas: Mercado das letras, 2004.
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