O ENSINO DE FÍSICA E O PROGRAMA BRASILEIRO DE ETIQUETAGEM: UMA UNIÃO A FAVOR DO USO RACIONAL DE ENERGIA
Daniel De Andrade Moura
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 22/01/2013
- Linha de pesquisa
- Educação, Política E Sociedade
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## O ENSINO DE FÍSICA E O PROGRAMA BRASILEIRO DE ETIQUETAGEM: UMA UNIÃO A FAVOR DO USO RACIONAL DE ENERGIA
Daniel de Andrade Moura 1
1 UFABC, ascencao@hotmail.com
## Resumo
A cada dia que passa se consome mais energia elétrica no Brasil. Isto ocorre devido a diversos fatores: aumento populacional, consumismo, desperdício de energia, entre outros. O problema deste consumo energético crescente está nas conseqüências sócioambientais da criação de novas obras e projetos de geração de eletricidade para atender a demanda. Tendo isto em vista, o PROCEL (Programa Nacional de Conservação de Energia Eletrica) e o INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) criaram o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), por meio do qual etiqueta diversos aparelhos eletro-eletrônicos, afim de informar ao consumidor o nível de consumo elétrico de cada um. O presente trabalho apresenta um estudo a respeito da eficácia do PBE e a influência do ensino de física contextualizado sobre o mesmo. No decorrer de 3 anos (2009, 2010 e 2011), cento e quarenta alunos foram entrevistados e verificou-se que o ensino de física é uma ferramenta fundamental para o programa.
Palavras-chave : uso racional de energia, PROCEL e INMETRO.
## Introdução
A energia é um elemento essencial para a realização de diversas tarefas no cotidiano de todos. Dentre as diversas formas de energia, a eletricidade é a base para o funcionamento de uma série de equipamentos importantes para vários setores da sociedade.
Devido a sua importância, a demanda por eletricidade aumenta conforme aumenta o número de pessoas e o grau de consumo e uso de novos aparelhos. O gráfico 1 apresenta o aumento no consumo elétrico no últimos anos.
Gráfico 1 - Consumo elétrico. Fonte: Brasil, 2011.
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- O problema do aumento de consumo de eletricidade é que para atender a demanda torna-se necessário criar novas obras e projetos de geração de energia. Independente da forma de geração, sempre há conseqüências sócio-ambientais negativas (GUENA, 2007). Ao se criar uma nova hidrelétrica, por exemplo, há a necessidade de alagamento de uma grande região, o que irá afetar o ecossistema local e provavelmente trará conseqüências para populações da região.
Nogueira (2007) aponta em seu trabalho a possível diminuição do consumo de energia numa taxa de 15% a 30% por meio da melhora da eficiência e diminuição do desperdício, o que evitaria a construção de novas obras e diminuiria os impactos sócio-ambientais. Tendo isto em vista, o INMETRO criou, em parceria com o PROCEL, o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) voltado para aparelhos eletro-eletrônicos. Segundo o INMETRO (2012), os objetivos do PBE são:
- - Dar aos consumidores informações úteis que interfiram na escolha do produto.
- - Estimular a competitividade.
- - Incentivar a evolução tecnológica dos aparelhos de forma que eles se tornem mais eficientes.
Com o intuito de avaliar a eficácia do PBE e a sua relação com o ensino de física nas escolas estaduais de São Paulo, foi feita uma pesquisa sobre a abordagem dada ao assunto no 'Caderno do Aluno' e um estudo sobre o ponto de vista de 140 alunos do terceiro ano do ensino médio sobre o programa.
## O Programa Brasileiro de Etiquetagem no Setor Elétrico
Inicialmente o PBE seria criado para a etiquetagem de veículos automotivos, devido a crise do petróleo de 1970, mas acabou nascendo em 1984 destinado a melhorar a eficiência energética em diversos setores (INMETRO, 2012), entre eles o elétrico.
Para a criação do PBE voltado para aparelhos eletro-eletrônicos, o INMETRO criou uma parceria com o PROCEL. O PROCEL é um programa voltado para a eficiência energética no setor elétrico que atua por meio de vários subprogramas, dos quais pode-se destacar o Selo PROCEL que atua em conjunto com o PBE.
- O INMETRO e o PROCEL avaliam a eficiência de diversos equipamentos eletro-eletrônicos, classifcando-os em sete níveis: A, B, C, D, E, F e G. A escala vai de A a G, sendo que os aparelhos de nível A são os mais eficientes. Além disso, são analisados outras informações como potência e tensão nominal. Todas estas informações são disponibilizadas na Etiqueta colada nos aparelhos. A figura 1 apresenta um exemplo de etiqueta usada pelo PBE.
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Figura 2 - Etiqueta Nacional de Conservação de Energia. Fonte: INMETRO, 2012.
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Além das etiquetas, os produtos mais eficientes são condecorados com o Selo PROCEL. A escolha de cada produto que receberá o selo é por meio de parâmetros pré-estabelecidos (PROCEL, 2012). A figura 3 há um modelo do Selo PROCEL. A participação no subprograma Selo PROCEL é voluntária.
Figura 3 - Selo PROCEL. Fonte: PROCEL 2012.
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## O tema 'consumo elétrico' no ensino de física nas Escolas Estaduais de São Paulo
A eletricidade é um tema normalmente abordado no terceiro ano do ensino médio em diversos materiais didáticos. O 'Caderno do Aluno' de Física, material criado e distribuído pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, não é exceção. Ele aborda o tema durante os dois primeiros bimestres do ano letivo.
No primeiro volume do 'Caderno do Aluno', destinado ao uso no primeiro bimestre, há enfoque no tema 'consumo elétrico'. Dentro dele, são abordados os seguintes assuntos: corrente elétrica, circuito elétrico, eletricidade no cotidiano, noções de campo, resistência elétrica e consumo de energia elétrica. Há duas atividades de contextualização que merecem destaque:
- -Nas páginas 9, 10 e 11 deste caderno há uma atividade chamada 'Situação de Aprendizagem 2: Entendendo as especificações dos aparelhos' (SEE, 2009). Nela, é apresentada a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia e o educando é estimulado a investigar as diversas grandezas presentes na mesma. O início desta atividade sugere o preenchimento de uma tabela com informações disponíveis em etiquetas de cinco aparelhos elétricos. Para a realização desta tarefa, é proposto aos alunos a obtenção dos dados em aparelhos reais. Depois, ela apresenta sete questões referentes aos dados presentes na tabela.
- - Da página 27 a 31, encontra-se a 'Situação de Aprendizagem 6: Energia Elétrica e a Conta de Luz Mensal'. Ela apresenta ao aluno uma conta de luz e uma série de perguntas, com o objetivo de trabalhar a leitura de conta de luz e, desta forma, auxiliar o educando a controlar o consumo elétrico de sua residência.
Um dos pontos fracos da abordagem trazido pelo 'Caderno do Aluno' está na falta de atualização. A conta de luz apresentada na página 28, por exemplo, é um modelo antigo.
Inicialmente o PBE seria criado para a etiquetagem de veículos automotivos, devido a crise do petróleo de 1970, mas acabou nascendo em 1984 destinado a melhorar a eficiência energética em diversos setores (INMETRO, 2012), entre eles o elétrico.
## Visão dos alunos sobre o PBE e o Selo PROCEL
Na primeira semana de aula dos anos de 2009, 2010 e 2011, cento e quarenta alunos foram entrevistados (23 em 2009, 57 em 2010 e 60 em 2011). A intenção era analisar o conhecimento a percepção prévia dos alunos a respeito do Selo PROCEL e das etiquetas distribuídas pelo PBE. A partir dos dados obtidos, foram montados os gráficos 2, 3 e 4.
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Grafíco 2 - Visão sobre as etiquetas do PBE.
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Aproximadamente 85,8% dos educandos admitiram já ter percebido a etiqueta do PBE, mas não sabem o que as suas informações significam. Apenas uma pequena porcentagem deles (aproximadamente 10 %) diz não ter visto as etiquetas. Os poucos alunos que diziam compreender o significado das grandezas presentes na etiqueta (aproximadamente 4,2 %) concluíram ou estudam num curso técnico, no qual o tema 'eletricidade' foi abordado.
Gráfico 3 - Visão dos Alunos sobre o Selo PROCEL
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Ao observar o gráfico 3, é possível perceber que o Selo PROCEL possui baixa eficácia entre os alunos, pois apenas 1 aluno (0,7 %) diz procurar comprar aparelhos com este selo. A maioria (71,4 %) diz nunca ter visto o selo e 27,9 % não
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lhe dá importância, ou seja, provavelmente a presença do Selo PROCEL não interfere na escolha do aparelho no momento da compra.
Gráfico 4 - Interferência nas compras
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O gráfico 4 mostra um dado preocupante: 65 % dos educandos acham que tanto as etiquetas distribuídas pelo PBE como a do Selo PROCEL não interferem na escolha do produto a ser comprado, e aproximadamente 32,9 % afirmam que suas famílias não ligam para as etiquetas. A minoria dos alunos (aproximadamente 2,1 %) que diz ter sua família influenciada pelas etiquetas fazem parte daqueles que concluíram ou estudam num curso técnico.
No final de abril de 2009, 2010 e 2011, os alunos foram novamente entrevistados, com o intuito de observar possíveis mudanças oriundas da abordagem escolar a respeito da eletricidade. Os gráficos 5 e 6 apresentam os resultados desta nova entrevista.
Gráfico 5 Visão dos alunos sobre as etiquetas após estudarem a
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eletricidade
Comparando os gráficos 3 e 5, é possível perceber que o processo educacional proporcionou uma mudança significativa. Agora, 75 % dos educandos afirmam compreender o que dizem as etiquetas e os demais possuem ao menos uma noção.
Gráfico 6 - Opinião sobre o PBE e o Selo PROCEL.
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O gráfico 6 mostra que o PBE e o Selo PROCEL passaram a ter mais importância para os alunos, de forma que boa parte deles diz que irá aproveitar tanto o Selo PROCEL como as etiquetas do PBE no momento de comprar aparelhos eletro-eletrônicos.
## Conclusão
O Selo PROCEL e o PBE são ferramentas que podem apoiar a melhoria da eficiência dos aparelhos eletro-eletrônicos vendidos no mercado brasileiro. Porém, ao observar os resultados expostos na seção 4, é possível dizer que para que ambos os programas tenham sucesso é necessário a promover um processo educacional que oriente as pessoas, explicando a elas o significados das grandezas presentes nas etiquetas e a importância do Selo PROCEL.
É importante mencionar que o sucesso do processo educacional aqui exposto teve como ponto forte a contextualização. Por meio de exemplos do cotidiano, o material distribuído as escolas estaduais pela Secretaria da Educação de São Paulo busca incentivar tanto professor como alunos no processo de ensinoaprendizagem.
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## Referências
GUENA, Ana Maria de Oliveira. Avaliação Ambiental de Diferentes Formas de Geração de Energia Elétrica . Dissertação de mestrado apresentada a USP, em 2007.
INMETRO. Programa Brasileiro de Etiquetagem - PBE / Eficiência Energética . Disponível em <http://www.inmetro.gov.br/qualidade/eficiencia.as >. Acesso em julho de 2012.
NOGUEIRA, Luiz Augusto Horta. Uso racional: a fonte energética oculta . Publicado na Revista Estudos Avançados 21(59). São Paulo: USP, 2007.
PROCEL. Selo PROCEL - Apresentação . Disponível em
< http://www.eletrobras.com/elb/procel/main.asp?TeamID={95F19022-F8BB-4991-862A1C116F13AB71} >. Acesso em julho de 2012.
SEE (Secretaria da Educação do Estado de São Paulo). Caderno do Aluno: Ciências da natureza e suas tecnologias - Física . São Paulo: Secretaria da Educação, 2009.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.