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ANÁLISE DO CONTEÚDO DE HISTÓRIA E FILOSOFIA DA CIÊNCIA EM LIVROS DE FÍSICA DO 1$^o$ ANO DO ENSINO MÉDIO

Douglas Gomes Da Silva, Priscila Maria Souza Machado Teixeira, Wilson Nogueira, Jefferson Adriany Ribeiro Da Cunha

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
22/01/2013
Linha de pesquisa
História, Filosofia E Sociologia Da Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ANÁLISE DO CONTEÚDO DE HISTÓRIA E FILOSOFIA DA CIÊNCIA EM LIVROS DE FÍSICA DO 1º ANO DO ENSINO MÉDIO

Douglas Gomes da Silva 1 , Priscila Maria Souza Machado Teixeira , Wilson 2 Nogueira 3 , Jefferson Adriany Ribeiro da Cunha 4

- 1 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, douglasg\_013@hotmail.com
- 2 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, pr.baixinha@hotmail.com
- 3 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, wilsonnog@yahoo.com.br
- 4 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, Jefferson@if.ufg.br

## Resumo

Neste trabalho analisamos alguns aspectos da História e Filosofia da Ciência em conteúdos de Física em três livros do primeiro ano do ensino médio. Tomamos como referencial as recomendações dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio de ciências e trabalhos básicos sobre pesquisa em História e Filosofia da Ciência. Constatamos que os aspectos históricos analisados não foram propostos seguindo as pesquisas existentes na área e sequer observando as recomendações dos PCNs de Ciências. Em geral os recortes históricos são mostrados em quadros (boxes) anexos às páginas, dando a entender que se trata de conteúdo secundário, de menor importância. Nestes textos o conhecimento é mostrado como um objeto acabado, completo, obra de poucas pessoas portadoras de habilidades especiais, os cientistas, prevalecendo também uma análise anacrônica dos fatos históricos descritos. Na análise da dimensão epistemológica das abordagens de conceitos e temas, com raras exceções, o que verificamos é uma forte valorização da visão da construção do conhecimento por meio do método empírico-indutivista.

Palavras-chave : Ensino médio, história da ciência, filosofia da ciência.

## Introdução

Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) preconizam uma abordagem de conteúdo que leve a uma formação geral do aluno. Estes devem proporcionar conhecimentos científicos, tecnológicos e culturais, contribuindo para a formação de um cidadão consciente e sintonizado com seu tempo. Estas diretrizes sinalizam para uma abordagem histórica de conteúdos mais apropriada e uma visão epistemológica moderna da construção do conhecimento científico. Citando especificamente a Física, este documento estabelece:

A Física percebida enquanto construção histórica, como atividade social humana, emerge da cultura e leva à compreensão de que modelos explicativos não são únicos nem finais, tendo se sucedido ao longo dos tempos, como o modelo geocêntrico, substituído pelo heliocêntrico, a teoria do calórico pelo conceito de calor como energia, ou a sucessão dos vários modelos explicativos para a luz. O surgimento de teorias físicas mantém uma relação complexa com o contexto social em que ocorreram. (Brasil, 2000, pag. 27)

Em oposição ao que prega o PCNEM, observamos em alguns trabalhos, como exemplo (PEDUZZI, 1992), que o método científico encontra-se, ainda,

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20 a 25 de janeiro de 2013

bastante difundido em livros de Física, sendo que a concepção empírico-indutivista da ciência ainda faz parte inclusive do ideal de ciência da maioria dos professores em exercício nessas áreas. Neste mesmo, (PEDUZZI, 1992), trabalho analisamos como uma abordagem histórica de conceitos pode contribuir significativamente para uma compreensão adequada de determinados tópicos em Física.

Assim, o ensino de ciências e suas tecnologias, em especial o de Física, devem abordar também os aspectos históricos e filosóficos do conhecimento.

Outro aspecto que justifica o presente estudo é corroborado na literatura, observando que o livro didático ainda é a principal fonte de consulta, por parte dos professores, e o principal instrumento pedagógico utilizado na maioria das escolas do País (PIMENTEL,1998). Portanto o seu conteúdo é de suma importância para cumprir as diretrizes da educação nacional bem como suprir as necessidades curriculares.

Neste trabalho foi verificado o conteúdo relacionado à história e filosofia do conhecimento em livros de Física de primeiro ano do ensino médio. Constatou-se que, de forma geral, as abordagens, quando existentes, são superficiais e colocadas de uma forma não contextualizada.

## Referenciais

Os aspectos históricos e epistemológicos, analisados nos livros didáticos, foram guiados pelo que é recomendado no PCNEM, encontrado em (Brasil, 2000), que nos fornece um norte para a discussão realizada, observando a legislação vigente. Algumas categorias de análises sobre a utilização de aspectos históricos e historiografia da ciência, foram encontradas em (MARTINS, 1990) e também em (MARTINS, 2005). Para classificarmos os textos quanto ao dimensionamento epistemológico, nos fundamentamos em (CHALMMERS, 1997).

## Metodologia

Foi escolhido o tema 'aspectos históricos e filosóficos' por entendermos que se trata de um assunto bastante importante na formação cultural do aluno e que também contribui para um melhor entendimento da evolução do conhecimento. Não houve nenhum critério específico para a escolha de quais livros seriam analisados. Analisou-se três exemplares os quais os autores tiveram acesso. Teve-se apenas o cuidado de verificar se estes livros não eram anteriores à data da publicação dos PCNEM, ou seja 2000.

Para verificar a existência de conteúdos relacionados à História e Filosofia da Ciência, nos livros sob análise, os mesmos foram folheados à procura de qualquer parágrafo cujo conteúdo citasse fatos históricos e/ou questionamentos filosóficos do conhecimento. Estes conteúdos foram resumidos e seus tópicos principais foram listados no item Resultados.

Os aspectos históricos e epistemológicos, observando os critérios encontrados em (MARTINS, 1990), (CHALMMERS, 1997), e (MARTINS, 2005), foram agrupados nas seguintes categorias:

- · Cronologias - relato de datas, nomes e acontecimentos citados nos livros que são usados apenas para dizer quem realizou determinada descoberta, onde e quando;

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- · Anedotas e Curiosidades -relato breve sobre situações misteriosas, engraçadas e curiosas a respeito dos grandes cientistas e de pessoas próximas aos mesmos. São utilizadas para amenizar o tratamento duro das equações e textos. Nem sempre contextualizam o assunto tratado e nunca teremos comprovação da veracidade destas passagens;
- · Valorização do Conhecimento Científico -Passagens históricas enfatizando a grandiosidade dos cientistas e uma inquestionável e inatingível importância do conhecimento científico;
- · História da Ciência Anacrônica - Recortes históricos, observados nos livros didáticos, analisando os fatos do passado com o conhecimento do presente. Nesta análise vários cientistas do passado são colocados como certos ou errados por não terem levado em consideração algum fator conhecido apenas nos dias atuais;
- · Descrição de Cenários e Controvérsias - Utiliza os aspectos históricos na introdução de conceitos e novos conhecimentos. Para este objetivo, são descritos a situação de um cenário econômico, social ou científico, de determinada época ou relatado as controvérsias de uma comunidade científica em determinado tempo em um âmbito de discussão;
- · Postura Empírico-Indutivista -Descreve o conhecimento científico construído por meio de um método científico, valorizando a observação, experimentação e generalização de fatos;
- · Postura Epistemológica Contemporânea -Destaca a coletividade e subjetividade na construção do conhecimento científico e sugere rupturas e o surgimento de novos paradigmas para o conhecimento que a comunidade aceita como científico.

## Resultados e Discussões

Os livros selecionados foram:

- · Livro 1 Tópicos de Física , Mecânica, de Ricardo Helou Doca, Gualter José Biscuola e Newton Villas Bôas, editora Saraiva, 20ª edição (reformulada), 2007.
- · Livro 2 - Coleção Quanta Física , editora PD, autores: Carlos A. Kantor, Lilio A. Paolielo Jr., Marcelo de C. Bonetti, Osvaldo Canato Jr e Viviane M. Alves,1º edição São Paulo 2010.
- · Livro 3 Física conceito e aplicação , Mecânica, autor: Paulo Cesar Martins Penteado, 1998.

## Livro 1 - Tópicos de Física

Trata-se de um livro publicado em 2007, na sua 20ª edição, que segundo os autores foi reformulada. Como afirmam os autores, este livro apresenta 'um caráter interdisciplinar, contextualizado e contemporâneo.' (DOCA, 2007 p. 3). No capítulo Introdução à Física fala-se sobre os principais ramos da Física, suas aplicações e implicações na tecnologia moderna mas nenhuma referência a aspectos históricos ou filosóficos do conhecimento. Na página 9 os autores falam,

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Também é a Física que nos permite entender, por exemplo, a flutuação de um navio, a coloração azul do céu, o sentido das brisas litorâneas, as vantagens da panela de pressão e da garrafa térmica, os motores a explosão, as miragens, o cintilar das estrelas, a bússola, o funcionamento dos motores elétricos, alto-falantes, microfones e cápsulas fonocaptoras, a geração de energia elétrica nas usinas e tantas outras coisas. (DOCA, 2007 p. 9).

No capítulo seguinte, Introdução à Mecânica, no início do capítulo, existe dois parágrafos que tratam da história da mecânica, citando como seus principais expoentes nomes como Aristóteles, Arquimedes, Ptolomeu, Copérnico, Galileu, Newton e Einstein. Neste fragmento o autor deixa claro uma postura de Valorização do Conhecimento Científico e aspectos Empírico-Indutivista.

Na página 17 foi inserido um quadro ( box ) denominado 'Leitura' com o objetivo de explicar a diferença entre cinemática e dinâmica. Cita os trabalhos de Kepler, Copérnico e Newton com relação à descrição do movimento dos planetas. Por exemplo:

Para exemplificar a diferença entre Cinemática e Dinâmica, vamos citar duas grandes descobertas do astrônomo alemão Johannes Kepler (1571-1630), fantásticas tanto pela maneira como aconteceram quanto pelos poucos recursos da época.

Dispondo de observações e medições feitas por outros dois astrônomos, o polonês Nicolau Copérnico (1473-1543) e o dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601), Kepler concluiu que os planetas do Sistema Solar descrevem órbitas elípticas em torno do Sol e que este ocupa um dos focos das elipses.

....

Posteriormente, o físico e matemático inglês Isaac Newton (1642-1727), usando leis que ele mesmo descobriu e recursos de cálculo que ele próprio inventou, justificou as descobertas de Kepler... (DOCA, 2007 p. 17).

Na página 91 existe outro box no qual é solicitado ao aluno que pesquise sobre Eratóstenes, como ele determinou o raio da terra e qual unidade de medida utilizou. Na página 116, no final de um box Leitura, há um retrato de Huygens e citação de seus trabalhos sobre óptica e cinemática vetorial. Na página 120, quando trata do princípio de Galileu das velocidades relativas, cita apenas que ele foi um cientista italiano que nasceu em 1564 e morreu em 1642. Nestes recortes analisamos uma tentativa interessante de utilização de aspectos históricos e também uma tendência antiga dos recortes de Cronologias.

No capítulo introdutório sobre Dinâmica, página 132, em uma página e meia o autor descreve brevemente aspectos históricos, utilizando a estrutura das Cronologias, sobre movimento citando as contribuições de Aristóteles, Galileu, Newton e Einstein:

Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.). Considerado um dos maiores pensadores do Ocidente, nasceu na Grécia, na cidade de Estagira (hoje Stavros) ... produziu uma obra de importância fundamental para o desenvolvimento do pensamento humano, abrangendo praticamente todos os assuntos de interesse para a Filosofia e a ciência.

Albert Einstein (1879-1955). Alemão de Ulm, publicou, em 1905, a Teoria da Relatividade ao descobrir que os princípios da Mecânica Clássica de Galileu e Newton eram inadequados para descrever movimentos de corpos a velocidades próximas à da luz no vácuo ... (DOCA, 2007 p. 132).

Continuando com as Cronologias, página 152, encontramos um retrato de Robert Hooke e uma breve descrição das suas contribuições para a mecânica. A descoberta do que viria a ser a célula biológica, e, citações sobre sua oposição a algumas ideias de Newton. Na página 186, quando trata de atrito, faz rápidas

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referências a Leonardo da Vinci e Coulomb e seus trabalhos sobre o assunto. Na mesma página há um box sobre Da Vince e seus trabalhos nos vários ramos do conhecimento, incluindo mecânica, artes e anatomia.

No Tópico 4 da Parte II - Gravitação, no início do capítulo, há uma descrição dos fatos históricos relacionados às descobertas astronômicas, citando os trabalhos dos antigos gregos, de Copérnico, Galileu e Kepler. Utilizando a estrutura das Anedotas e Curiosidades cita a fuga de Newton para o campo, fugindo da peste, e a sua descoberta da Lei da Atração das Massas, embasada nos trabalhos de Galileu, Copérnico e Kepler.

No ano de 1665, uma grande epidemia de peste assolou a Inglaterra. Buscando refugiar-se, Isaac Newton interrompeu suas na Universidade de Cambridge, que foi fechada na ocasião, e retornou a Woolsthorpe, localidade em que seus familiares mantinham uma pequena propriedade rural. Foi nessa ocasião, na tranquilidade do campo, que Newton viveu, aos 23 anos, uma das fases mais fecundas de sua vida como homem de ciência. (DOCA, 2007 p. 224).

Na introdução do Tópico 5, vemos fragmentos da categoria Descrição de Cenários e Controvérsias, em um quadro sobre a história da balística. Cita que os motivos do seu estudo estavam relacionados ao aperfeiçoamento das armas de artilharia.

Entretanto, em meados do século XVII, esses conhecimentos empíricos de tiro mostraram-se insuficientes, pois não se apoiavam em princípios balísticos bem fundamentados. Disso decorre a intervenção dos grandes físicos da época na história do desenvolvimento bélico, havendo evidências da relação dos seus trabalhos com os interesses da artilharia. Galileu, por exemplo, investigou a queda vertical dos corpos e, com isso, reconheceu a forma parabólica da trajetória dos projéteis sem considerar a influência do ar em seus movimentos. Já Torricelli, Newton, Bernoulli e Euler investigaram a forma real da trajetória dos projéteis, isto é, sua forma modificada em virtude da influência do ar. Para tanto, tiveram que estudar, dentre outros assuntos, a relação entre a intensidade da resistência do ar e a velocidade do projétil.

Podemos dizer, então, que o estudo de lançamento de corpos não se deu simplesmente pelo desejo de se conhecer algo mais sobre a natureza, mas pela necessidade de sua aplicação em benefício do aprimoramento bélico e do cumprimento de interesses econômicos. (DOCA, 2007 p. 242-243).

Na página 287 há um quadro ilustrado com o retrato de James Watt onde são citados seus trabalhos sobre calor, inclusive sua definição de cavalo-vapor (CV). Na página 413, quando trata de Estática dos Fluidos, há um quadro sobre a vida e obra de Simon Stevin e na página 423 há outro quadro com retrato de Blaise Pascal e cita seus trabalhos relacionados à pressão dos líquidos e construção de calculadoras mecânicas. Na página 430 há um pequeno quadro sobre a vida e obra de Arquimedes e na página 440 mostra um quadro com a descrição da famosa experiência da banheira.

Não obstante haver várias inserções no texto de cunho histórico, a grande maioria é superficial. Relata apenas o fato histórico sem inserí-lo em um contexto socio-econômico-cultural da época. A citação em quadros transmite a ideia de coisa secundária, sem importância, é apenas uma ilustração. Ainda assim nota-se algumas falhas, por exemplo quando introduz temas como movimento variado não cita Galileu e quando introduz a equação de Torricelli não diz quem foi esse cientista italiano. O livro não mostra a ciência como uma construção humana, da qual participaram várias pessoas. Não mostra a descoberta científica como o ápice de

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uma série de contribuições de outras pessoas que construíram o caminho que levou àquela descoberta, predominando a visão Empírico-Indutivista de ciência.

## Livro 2 - Quanta Física

Nesta coleção os autores apresentam a 1º edição do seu material didático baseado nas Leis e Diretrizes e Bases (LDB) da educação nacional e os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN) de 1999, e (PCN+) de 2002, no qual é proposto enfoque na formação para a cidadania, aprendizado permanente na vida social e produtiva. Propõem uma especificidade de conteúdos e de métodos que contextualizam vínculos interdisciplinares ao cotidiano, de forma que sua estrutura contempla uma física moderna e contemporânea.

Encontramos citações aos nomes de Isaac Newton e Gottfreed Leibniz pela descoberta do 'Calculo integral' na página 57. Na página 142 é feito uma breve referencia do surgimento da definição de tempo e como surgiram as primeiras medições. Referências como Aristóteles, Galileu Galilei e Isaac Newton são encontrados na página 165 em pequenos quadros, por meio de Cronologias. Ao expor conceitos da mecânica, que se encontram no capítulo 2, o autor expõe em um breve texto de 'Perguntas cujas respostas abalaram (e também construíram) o mundo'.

Albert Einstein é citado em uma caixa de texto, na página 246, por propor a teoria relativística da gravitação. Também é citado o nome do livro ' Philosophiae Naturales Principia Mathematica ' publicado em 1687 por Newton, por conter os princípios da dinâmica. Estes fragmentos são propostos em uma perspectiva de Cronologias.

Observa-se um livro com conteúdo didático dinâmico, o qual apresenta novas perspectivas de ensino (por tratar de forma clara e contemporânea de fácil entendimento). O livro propõe uma construção do conhecimento científico como algo do cotidiano ou de surgimento entre uma comunidade intelectual, apontando sucintamente para uma postura Epistemológica Contemporânea da construção do conhecimento. Os elementos históricos são abordados em pequenos quadros ( boxes ) os quais se referem brevemente a importantes personalidades como Galileu Galilei, Newton e outros porem sem explicar o porquê, quando e como aconteceu à descoberta cientifica, mostrando apenas estruturas cronológicas.

## Livro 3 - Física - Conceitos e Aplicações

Segundo o autor, trata-se de um livro cujo objetivo é 'satisfazer o trabalho didático que estreitasse sempre que possível a relação entre a conceituação teórica da física e o cotidiano do aluno e do professor'. No 1º capítulo - Introdução à Física, na página 2 ele faz uma breve introdução a evolução da Física, onde diz que, ' a Física é uma Ciência que se preocupa em conhecer e explicar os fenômenos naturais do mundo que nos cerca'. E também diz que o homem tinha, como fonte de informações os seus sentidos; por isso classificava os fenômenos apenas através de suas próprias sensações.

A luz, relacionada com a visão, deu origem a óptica; o som relacionado com a audição e o tato deu origem à termologia. Os movimentos, o autor relata que é o fenômeno mais comumente observado, deu origem à mecânica, ou seja, um conhecimento construído através da observação. Na página 3 foi inserido um quadro

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denominado 'Leitura Complementar' com o objetivo de explicar como e quando a física foi considerada como ciência especifica, relatando os primórdios da ciência física, com os cientistas, tais como Copérnico, Tycho Braher e Kepler, na astronomia. Cita os trabalhos de Torricelli, Boyle e Mariotte, Newton e seu livro 'Principia'. Na pagina 6 há uma caixa de texto que relata o sistema de medidas, onde diferencia as medidas em jardas, pés e polegadas e conta a história das unidades de medidas que se deu no século XVII e no século XVIII. Na página 9 o autor dá uma leve introdução a Dinâmica, onde diferencia a cinemática, a dinâmica e a estática.

No capitulo 4 - O Movimento Uniformemente Variado; na pagina 37, o autor relata sobre o movimento uniformemente variado (MUV), mas não relata como se chegou a essa conclusão de movimento, em que época e cientista estudaram, mas em um quadro (box) há uma imagem de um avião decolando do convés de um porta-aviões, onde demonstra a realização de um movimento variado, relacionando os fenômenos físicos com o cotidiano das pessoas, e com a tecnologia. Na pagina 50 há um quadro (box), onde traz uma imagem de Torricelli, contando sua historia na ciência física e seus feitos.

No capitulo 8 - Composição de movimentos. Lançamentos; na pagina 137, o autor não relata a história desse estudo, na introdução do capitulo. Mas na pagina 140 há um quadro denominado Leitura, onde traz a biografia de Galileu Galilei e fala da sua contribuição à área da mecânica, incluem a lei de queda livre dos corpos, a observação do fato da trajetória de um projétil ser uma parábola, a demonstração das leis de equilíbrio e o principio de flutuação, utilizando fortemente a estrutura de Cronologias. Na pagina 150 e 151, há imagens onde ele demonstra esse tipo de movimento, tais como o lançamento de uma bola de tênis, fogos de artifícios e faíscas de uma lixadeira.

No mesmo capitulo, na pagina 163 foi inserido um quadro (box), contendo a biografia de Newton, trazendo imagem de sua casa, e uma imagem de um busto em sua homenagem. No decorrer do capitulo o autor demonstra cada lei de Newton no uso das pessoas, tais como o lançamento de um foguete, ao chutar uma bola etc.

Este livro tenta tratar a filosofia da ciência numa perspectiva contemporânea, saindo do tradicionalismo e mesclando a realidade dos alunos e professores com a física, os tornando participes da construção do conhecimento. Em cada capítulo há boxes falando da história da física e citam alguns físicos que contribuíram para o crescimento dessa ciência, porem não citam todos, apenas a minoria que são de renomes do mundo científico. O livro relata as contradições das criações e descobertas na física e na ciência, onde foge do tradicionalismo, que defende apenas um ponto de vista das descobertas científicas.

## Conclusões

De maneira geral os livros analisados abordam aspectos históricos da ciência de maneira superficial, tratando apenas de eventos isolados que culminaram com as descobertas científicas, sempre em uma perspectiva de Cronologias, Valorização do Conhecimento Científico, Anedotas e Curiosidades e também História Anacrônica. Essa abordagem contribui, além de outros problemas, para a concepção de que a ciência é obra de uns poucos 'iluminados' e que cabe a nós, seres normais, apenas tentar entender seus feitos, sem poder modificá-los. Das análises realizadas, observando as categorias escolhidas, existem poucos

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fragmentos que chegam a concordar em partes com o que prega o PCNEM sobre os conteúdos de Física.

Nas abordagens didáticas, sugeridas nos livros, os conhecimentos não são questionados, não se mostra que os mesmos são uma construção do homem, que evolui com o tempo através de erros e acertos, em um âmbito Epistemológico Contemporâneo. Ao se pesquisar um pouco, sobre a realidade do conhecimento científico, percebemos que não há verdade definitiva nas ciências e isso deveria ser mostrado mesmo no nível do ensino básico. Com estas iniciativas o jovem poderia absorver a mensagem que ele também pode contribuir para o progresso do conhecimento e consequentemente do ser humano. No nosso entendimento os conteúdos referentes à História e Filosofia da Ciência, presentes nos livros analisados, não atendem as recomendações do PCEN. O presente resultado comprova o que alguns trabalhos discutem, sobre a importância de disciplinas de História e Filosofia da Ciência na formação de professores de Física e demais áreas científicas, (MARTINS, 1990) e (MARTINS, 2005). Com estes conhecimentos mais aprofundados, na formação de nossos professores, podemos em longo prazo reduzir um pouco os equívocos apontados pelo presente estudo, permitindo que abordagens mais apropriadas para os aspectos históricos e de construção do conhecimento científico predominem.

## Referências

BRASIL, Ministério da educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino médio. Brasília: Ministério da Educação, 2000 364p.

CHALMERS, A. F. O que é Ciência Afinal? Trad. Raul Fiker. São Paulo: ed. Brasiliense, 1997.

PIMENTEL, J.R. Livros Didáticos de Ciências: a Física e Alguns Problemas. Caderno Catarinense de Ensino de Física , v. 15, n. 3, p. 308-318, Dez 1998.

PEDUZZI, L. O. Q. ; MOREIRA, M. A. ; ZYLBERSTAJN, A. As concepções espontâneas, a resolução de problemas e a história e filosofia da ciência numa seqüência de conteúdos em mecânica: o referencial teórico e a receptividade de estudantes universitários à abordagem histórica da relação força e movimento . Revista Brasileira de Ensino de Física, São Paulo, v. 14, n. 4, p. 239-246, 1992.

DOCA, R. H.; BISCUOLA, G. J.; VALLAS BÔAS, N. Tópicos de Física - Mecânica . editora Saraiva, 20ª ed. São Paulo, 2007.

KANTOR, C. A.; PAOLIELO JR, L. A.; BONETTI, M. C.; CANATO JR, O. ALVES, V. M. Quanta Física - volume único . editora PD. São Paulo, 2010.

PENTEADO, PAULO C. M. Física - conceitos e aplicações (Mecânica) . editora Moderna, São Paulo, 2001.

MARTINS, R. A. Sobre o papel da história da ciência no ensino. Boletim da Sociedade Brasileira de História da Ciência . v. 9, p. 3-5, 1990.

MARTINS, L. A-C. História da Ciência: Objetos, Métodos e Problemas. Ciência & Educação , v. 11, n.2, p. 305-317, 2005.

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