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ABORDAGENS DA EXISTÊNCIA DO AR NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Hiraldo Serra

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
22/01/2013
Linha de pesquisa
Pesquisa Em Educação Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ABORDAGENS DA EXISTÊNCIA DO AR NA EDUCAÇÃO INFANTIL

## Hiraldo Serra 1

## Resumo

Esse trabalho relata uma investigação realizada com crianças da educação Infantil, referente à realização de atividades experimentais de conhecimento físico desenvolvidas de forma a estimular o interesse pelo objeto de estudo. O trabalho descreve atividades experimentais para a abordagem da existência do ar com crianças da pré-escola, nível II. Uma abordagem metodológica qualitativa foi empregada, o registro das intervenções do pesquisador e das percepções dos alunos na experimentação, ocorreu por meio de videogravação. A pesquisa investigou como as crianças se portam diante da realização de atividades experimentais em termos de participação, envolvimento e motivação, bem como, contribuições relacionadas a seus conhecimentos prévios. Por meio desse estudo, foi possível verificar que as atividades práticas realizadas foram de grande importância para o estímulo à participação e motivação das crianças pela aprendizagem e que a realização de atividades de experimentação promovendo a investigação, pode propiciar a construção de um novo conhecimento sobre um determinado objeto de estudo.

Palavras-chave : Investigação, motivação, conhecimento físico, atividades experimentais.

## Introdução

Propostas que defendem a iniciação de crianças desde os primeiros anos da educação básica, nos estudos de conceitos científicos, vem sendo cada vez mais valorizadas dentro do ensino de Ciências, em particular no ensino de Física (ROSA; MACHADO, 2011; RAMOS; FEREREIRA, 2004; SCHROEDER, 2007). Neste contexto, é importante que o ensino de Ciências, desde a primeira infância, seja concebido com vistas a que o aluno seja protagonista de sua aprendizagem, levando-se em conta os conhecimentos que já possui.

As crianças observam e interagem com o mundo ao seu redor, demonstrando que ensinar física desde os primeiros anos é possível, na perspectiva de que o conhecimento adquira um caráter de instrumento para a vida. O envolvimento ativo do aluno em atividades científicas, coloca em movimento uma série de estruturas de pensamento que, caso contrário, permaneceria inerte, se mostrando um importante componente pedagógico (ROSA; ROSA; PECATTI, 2007). Nessa perspectiva, atribui-se ao professor um papel de mediador e facilitador da aprendizagem do aluno e preconiza-se que o aluno seja orientado no sentido de exprimir as suas ideias, planejar, prever, executar e rever procedimentos, dinamizando assim seu raciocínio.

Desta forma, por meio de uma atitude de socialização com as crianças, incentivando-as nas atividades infantis e fazendo perguntas para promover o pensamento crítico, o professor passa a ter um papel crucial para a expansão da aprendizagem em Ciências (RILEY; ROACH, 2006). Em um ensino construtivista é de grande importância a interação professor-aluno, pois o professor é responsável pela introdução de uma atividade, pelo seu planejamento e que essa atividade seja

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20 a 25 de janeiro de 2013

pensada com vistas à participação ativa das crianças, respeitando o seu nível de desenvolvimento.

A curiosidade e a observação são características presentes nas crianças desde muito pequenas e é por meio dessas características e das perguntas que fazem aos adultos, que as crianças buscam entender e compreender o mundo que as cerca, tanto o físico como o social. Atualmente as crianças convivem desde muito cedo com os chamados 'produtos da ciência', um mundo repleto de tecnologia, onde elas têm a oportunidade de manipular objetos e experimentar ações na busca por explicações sobre como os mesmos funcionam (TU; HSIAO, 2008).

Segundo Bizzo (2002), as aulas de ciências geralmente são cercadas de muita expectativa e interesse por parte dos alunos, num momento em que a motivação flui naturalmente, levando-se em conta o estímulo para enfrentar desafios e investigar diversos aspectos da natureza na qual eles estão inseridos. A partir do momento que se prepara um ambiente propício para atividades de ciências, é criada uma atmosfera favorável para as explorações das crianças, em muitos sentidos, possibilitando o surgimento de perguntas, muitas ideias e desafios (WORTH; GROLLMAN, 2003).

Dentro da linha de pesquisa das concepções espontâneas ou alternativas, torna-se crucial escutar o que as crianças têm a dizer. Segundo Vygotsky (2005), os conceitos espontâneos percorrem muitos caminhos até a criança ser capaz de defini-los verbalmente, já os conceitos científicos, que partem de uma definição, precisam aliar a formulação científica à experiência das crianças. De acordo com Hill, Stremmel e Fu (2005), o professor deve promover a articulação entre os conceitos espontâneos, trazidos pela criança e os científicos, veiculados na escola, de modo que os conceitos espontâneos possam inserir-se em uma visão mais abrangente do real e os conceitos científicos tornem-se mais concretos, apoiando-se nos conceitos espontâneos gerados na própria vivência da criança.

No ensino de ciências nas séries iniciais, trabalhos como de Carvalho et al. (1998) têm mostrado o quanto é significativo para as crianças o desenvolvimento de atividades experimentais de conhecimento físico, as quais se constituem em importantes contribuições para a construção do conhecimento. Nas atividades de estudo dos fenômenos físicos, o tempo entre a ação da criança sobre o objeto e a reação desse objeto é bastante pequeno, o que favorece a criança, variar suas ações e observar imediatamente as reações do objeto, conseguindo mais facilmente levantar hipóteses sobre fenômenos, testá-los e tentar explicar o porquê do acontecimento (CARVALHO, 2005).

A realização de atividades experimentais no ensino de Ciências é importante no sentido de promover a interação dos alunos com seus colegas, propiciar a construção de novo conhecimento e abrir espaço para a construção de relações que podem conduzir ao desenvolvimento e posterior expressão de um raciocínio lógico.

O ensino de Ciências deve ser constituído de atividades diversificadas no sentido do que defendem Frizzo e Marin (1989), a ação da criança e a sua participação ativa durante o processo de aquisição do conhecimento inicia-se a partir de atividades desafiadoras de aprendizagem.

## Metodologia

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A pesquisa foi desenvolvida com 16 crianças da educação infantil, Pré II, com idade de cinco anos de uma escola municipal de Dourados/MS. O tópico abordado na atividade experimental vinculou-se à existência do ar, levando-se em conta que a professora da sala já havia trabalhado com o tema 'respiração e a importância do ar para nossas vidas'. Elaborou-se uma sequencia de atividades experimentais para ser desenvolvida em sala de aula conjuntamente com uma proposta de pesquisa que permitisse investigar a participação, o interesse e o envolvimento das crianças, bem como, seus conhecimentos prévios. Uma abordagem metodológica qualitativa foi empregada, o registro das intervenções do pesquisador e das percepções dos alunos na experimentação ocorreu por meio de videogravação.

## As atividades e os resultados

A pesquisa descrita neste texto buscou avaliar a importância da realização de atividades experimentais em física para crianças da educação infantil, analisando de que forma as atividades experimentais podem motivar e contribuir para a (re) construção do conhecimento sobre um determinado objeto de estudo. Uma sequencia de atividades experimentais foi implementada de forma a possibilitar que as crianças pudessem explorar os materiais e posteriormente expressar seus conhecimentos prévios e percepções no estudo do fenômeno proposto.

Para a atividade do primeiro dia, foi oferecido para cada grupo, composto por quatro crianças, um kit com embalagens plásticas vazias de xampu, detergente, água, amaciante, todos sem tampa. Havia também no kit, penas com muitas penugens, papéis franja, plásticos franja e lenços de papel. Inicialmente foram concedidos alguns instantes às crianças para que elas pudessem explorar os materiais do kit, em seguida foram iniciadas algumas abordagens. O que tem dentro dessas embalagens plásticas? Pegue a pena, direcione a boca de uma das embalagens para a pena e aperte-a. O que você observa? E contra o papel e o plástico com franjas; e contra o lenço de papel; o que acontece? Pegue uma embalagem dessas de água, segure sua abertura contra o seu queixo e aperte-a. Você sente alguma coisa? O quê?

Nessa primeira atividade, as crianças inicialmente disseram que não havia nada dentro das embalagens. Depois de apertá-las contra os papéis e os plásticos, sentiram o ar em movimento e se expressaram de forma positiva quanto a sua existência nas embalagens. Foi registrada a fala de uma das crianças com relação ao teste proposto da garrafa contra o queixo, ' o ar está preso, não pode sair'. Colocamos tampa em uma das garrafas e demos para que as crianças apertassem e perguntamos se acontecia algo parecido quando da garrafa contra o queixo, a mesma crianças disse 'o ar não pode sair'. As crianças relataram que haviam afastado a garrafa levemente do queixo e que ao ar havia escapado após terem apertado a garrafa. As crianças conseguiram ter a percepção de que o ar estava presente nas embalagens e que ele pode estar presente em todos os lugares, mesmo quando não se pode vê-lo.

Na atividade do segundo dia, cada criança recebeu sacos plásticos transparentes usados na cozinha para acondicionar alimentos, canudos plásticos e fita adesiva. Pedimos aos alunos que colocassem o canudo na boca do saco plástico e fechassem bem apertado com a fita adesiva. Em seguida, pedimos às

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crianças que soprassem o canudo. O que aconteceu? O que você soprou para dentro do saco? De onde veio esse ar?

As crianças se expressaram no sentido de haviam soprado ar pra dentro do saco e que o mesmo se enchia mais, quanto mais sopravam. Foram obtidas respostas das crianças de que o ar vinha de dentro do corpo delas, ' o ar vem de dentro dos pulmões ', foi o que disse uma das crianças. Nesse experimento, as crianças foram capazes de perceber que o ar ocupa espaço e que ele é algo concreto.

Na atividade do terceiro dia, dispusemos para as crianças uma seringa descartável e uma bomba de encher bolas, alguns momentos foram concedidos para que pudéssemos observar se conheciam esses instrumentos. Em seguida pedimos manuseassem a bomba. O que acontece quando vocês puxam o embolo? O que acontece quando vocês empurram o embolo? A bomba faz o mesmo que fizemos ontem com o canudo no saco plástico? Vamos agora fazer com a bomba no saco plástico. O que vocês observaram? Mexam agora com a seringa. Ela parece com a bomba?

Após os momentos de manuseio da seringa e da bomba pelas crianças, desmontamos a seringa e falamos às crianças de suas partes. As crianças responderam que quando se puxa o embolo, o ar entra na seringa e quando se empurra o embolo, o ar sai. Quanto à pergunta relacionando o que a bomba faz com o sopro deles no canudo no saco plástico, as crianças nada responderam. Colocamos uma extremidade da bomba no saco plástico e pedimos a elas que mexessem com o embolo, puderam perceber que o saco também ia se enchendo de ar. Prendemos então a seringa no saco plástico e pedimos que realizassem o mesmo procedimento. As crianças puderam constatar que ambas conseguiam colocar ar dentro do saco plástico, inclusive com um comentário, ' a bomba e a seringa faz o ar entrar'. Na ação de se colocar o ar dentro dos sacos plásticos com a bomba e com a seringa, as crianças puderam perceber que essa ação foi parecida com a que eles realizaram com o sopro do ar no saco plástico com o canudo.

## Discussão

As crianças participaram das atividades com grande entusiasmo e interesse, esses momentos se configuraram como de enorme significado, ficando evidenciada a relevância das atividades experimentais para seu processo de formação. A realização de atividades experimentais pode contribuir para a aprendizagem significativa dos estudantes, principalmente quando eles têm uma participação ativa, oferecendo estímulo à investigação e conduzindo à aprendizagem do conteúdo específico. A aprendizagem pode ser considerada significativa quando novos conteúdos passam a ter significado para o aprendiz, quando ele consegue relacionar o aprendido com situações que vivencia, quando é capaz de aplicá-los na resolução de problemas, enfim, quando ele obteve uma consistente compreensão.

Segundo Ausubel (2000), um fator de extrema relevância para a aprendizagem significativa é a predisposição para aprender, um esforço intencional, cognitivo e afetivo; que pode se dar pela interação entre os novos conhecimentos e aqueles especificamente relevantes já existentes na estrutura cognitiva do sujeito que aprende.

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No ensino de ciências existe a necessidade de que pesquisas levem em conta fatores não cognitivos tais como as motivações, em especial, quando se propõem a examinar o envolvimento cognitivo em sala de aula, que pode variar de acordo os objetivos e as atividades propostas (SENICIATO; CAVASSAN, 2008). Segundo os autores, a motivação deve ser considerada mais como um processo que um produto, e pode ser entendida como mediadora da relação entre determinada estratégia de instrução e o alcance desejado em termos de aprendizagem.

- É importante se destacar o papel do professor como mediador nesse processo, pois cabe a ele, por meio de suas ações pedagógicas, propiciar situações que permitam integrar aspectos afetivos e conteúdos específicos, favorecendo a apropriação desse conhecimento. Para Watts (2001), toda a aprendizagem, inclusive dos conteúdos científicos, tem uma dimensão afetiva, os sentimentos e emoções podem modelar atitudes, os gostos, a disposição e a motivação em aprender, promovendo encantamento e interesse.
- Os alunos se sentiram extremamente atraídos pelas atividades experimentais realizadas, pois as mesmas possuem natureza lúdica e motivadora, podendo ser destacado o forte apelo à manipulação dos materiais e ao conhecimento. Vaz e Soares (2008), destacando o caráter lúdico da experimentação, apontam para a natureza de brincadeira e divertimento que são intrínsecos a ela, ressaltam que atividades experimentais proporcionam prazer e conduzem ao equilíbrio emocional e podem contribuir para uma maior autonomia do aprendiz, para que ele possa decidir mais conscientemente sobre seus atos e pensamentos.
- A metodologia utilizada no desenvolvimento da atividade proposta demonstrou o quanto é importante se dar atenção ao que a criança pensa e sabe, ouvir suas hipóteses e incentivá-la a discutir e propor alternativas às situações apresentadas. Carvalho et al. (1998, p. 13) defende que 'devemos trabalhar com problemas físicos que os alunos possam discutir e propor soluções compatíveis com seu desenvolvimento e sua visão de mundo'.

## Considerações finais

As atividades realizadas por meio dessa modalidade didática foram capazes de promover a motivação e o interesse das crianças por atividades investigatórias, propiciando espaço à exploração e incentivo à iniciativa, na busca por um conhecimento novo. As atividades foram importantes no sentido de trazerem elementos para a reflexão sobre a utilização de alternativas metodológicas diversificadas para o ensino de Ciências, atividades que sejam representativas para a promoção de uma aprendizagem significativa.

- O estudo trouxe informações de como é importante oferecer às crianças momentos para que elas possam expressar seus conhecimentos e posteriormente relacioná-los com os conteúdos propostos pelo professor. Por meio desse estudo, foi possível verificar que as atividades práticas realizadas foram de grande importância para o estímulo à participação e motivação das crianças pela aprendizagem e que a investigação pode propiciar a construção de um novo conhecimento sobre um determinado objeto de estudo.

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## Referências

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BIZZO, N. M. V. Ciências: fácil ou difícil? São Paulo: Ática, 2002.

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