Problemas na aprendizagem de escolares devido a ruídos no ambiente de estudo
Luiz Fernando Ferreira Dos Santos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 22/01/2013
- Linha de pesquisa
- Processos Cognitivos De Ensino E Aprendizagem Em Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## Problemas na aprendizagem de escolares devido a ruídos no ambiente de estudo
## Luiz Fernando Ferreira dos Santos 1
1 Aluno do curso de licenciatura em Física Universidade do Estado do Rio de Janeiro, lf\_santos001@yahoo.com.br
## Resumo
O cenário urbano transformou-se muito nos últimos anos. A população urbana também cresceu bastante. Para atender as necessidades do crescimento urbano acelerado as grandes cidades tiveram um salto no número de construções. Esta expansão não contou com um planejamento urbano e por isso áreas com predomínio de residências foram construídas próximas aos grandes centros comerciais. Juntamente com a falta de planejamento e um projeto acústico definido, ficou evidente que quaisquer construções poderiam abrigar uma escola, hospital ou moradia. A principal função da escola é proporcionar um ambiente favorável ao ensino. Desta maneira toda interferência, seja ela causada pela má conservação das edificações, falta de material, como mesas e cadeiras adequadas, ou mesmo o ruído vindo de outras salas tem uma relevância na aprendizagem, como apontam pesquisas recentes (FERNANDES, 2006) e assim precisamos analisar com cuidado possíveis efeitos destas fontes de interferência. Este trabalho irá analisar quais as influências das fontes sonoras existentes nos ambientes de aprendizagem sobre os ocupantes destes locais e definir quais fenômenos físicos estão presentes nestes ambientes.
Palavras-chave : Ruído ambiental, Ambiente de estudo.
## 1. FENÔMENOS SONOROS GERADOS EM AMBIENTES FECHADOS
Dependendo da intensidade, formato e frequência, as ondas sonoras serão amplificadas; teremos efeitos de eco, sensação de som se prolongando, etc (Nussenzveig, 1981).
## 2. CARACTERÍSTICAS GERAIS DE UM AMBIENTE DE ESTUDO
As escolas são ambientes de estudo, e sendo assim tem especificações estabelecidas de níveis sonoros ideais para seu funcionamento. Entende-se que a voz do professor, é a principal ferramenta de ensino para os alunos e, com isso os mesmos precisam estar atentos ao que o professor fala para compreender o conteúdo das disciplinas (Oiticica, 2003).
## 3. EFEITOS CAUSADOS POR EXPOSIÇÃO A SONS E RUÍDOS
A exposição prolongada às fontes com alto nível de pressão sonora pode provocar diversos problemas, como perda parcial ou total da audição, distúrbios neurológicos e bastante desconforto (Murgel 2007).
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20 a 25 de janeiro de 2013
## 3.1 Incômodo/Desconforto
Nos grandes centros urbanos é comum encontramos pedestres nas ruas expostos a altos níveis de intensidade sonora vindos dos carros, caminhões, ônibus e obras muito acima dos recomendáveis pelos organismos reguladores destes padrões. Obras nas vias públicas que são realizadas sem qualquer preocupação com as emissões sonoras criam ambiente de desconforto e incômodo (Murgel, 2007).
Geralmente as pessoas mostram-se desconfortáveis em ambientes com fontes de ruído acima de 65dB (A) e temos um quadro inaceitável de permanência no ambiente com fontes que ultrapassam os 80dB(A).
## 3.2 Perda Auditiva
O aparelho auditivo é formado de ossos e membranas e com a idade começamos a ter perda natural da sensibilidade auditiva. Isso se inicia aos 30 anos e já aos 70 anos temos um decréscimo de 10dB para baixas frequências e 50dB para altas frequências (Murgel, 2007). Com isso, devem-se evitar exposições a sons e ruídos de grande intensidade.
## 3.2 Efeitos Neuropsiquicos
A audição é um sentido extremamente importante para os seres humanos. Mesmo quando estamos dormindo, este sentido continua ativo e captando informações (Nascimento, 2009).
Existem reações nas quais o cérebro se coloca em um estado de prontidão e alerta ao ouvir sons e ruídos estranhos como forma de defesa que, todavia estejamos dormindo, também se manifestam influenciando, por exemplo, a qualidade do nosso sono. O estado de alerta é algo importante, porém a exposição a ambientes extremamente ruidosos fazem com que esse mecanismo fique acionado initeruptamente, tornando-se algo nociso para a saúde (Franco, 2010).
## 4. LEGISLAÇÃO E NORMAS
No Brasil atualmente existe um órgão específico que regula os níveis de intensidade sonora em ambientes externos que é o CONAMA. O CONAMA é o órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA. Através das normas especificadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o CONAMA delimita valores máximos e critérios para cada tipo de região residencial, urbana ou mista para emissões de ruído.
Desta forma, zonas onde se encontram hospitais ou tipicamente residências não é permitido exceder os 50 dB durante o dia e 45dB em média durante a noite. É importante ressaltar que as fontes externas de emissão sonora não poderão exceder um valor de 10dB com relação às outras fontes pré-existentes naquele local. Todavia, essas normas, mesmo sendo bem estabelecidas permitem brechas para o desrespeito da lei. Assim, podemos destacar o fato de no ano 2000 ter sido publicada a NBR 10.151 que revisava e criava um tabelamento mais complexo que contemplava todas as regiões de forma mais realista e que não permitia este desvio
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de conduta de empresas e organismos da sociedade (Murgel, 2007). Pela norma temos a seguinte classificação por tipos de ambiente:
Tabela 1Valores de NPS por ambiente da escola segundo NBR 10151
## 5. INTERFERÊNCIAS NOS AMBIENTES DE ESTUDO
Um ruído em muitos casos não é percebido como algo danoso (Nascimento, 2009), mas todo e qualquer som ou ruído de natureza diversa pode apresentar risco a saúde e ao conforto ambiental. Deve-se ter o cuidado de saber quando um som comum passa a ser algo prejudicial ao conforto acústico deste ambiente. Na tabela 1 temos os valores de NPS dos ambientes de aprendizagens deste estudo.
Tabela 2 : Medidas de NPS nos ambientes estudados
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Gráfico 1 : Comparação dos valores de NPS. Em azul temos NBR10152, em vermelho, o ruído de fundo e em verde, as medidas NPS do ambiente.
## 5. DISCUSSÃO SOBRE OS VALORES DE NPS MEDIDOS
Abaixo temos os valores padrão de inteligibilidade da fala baseado na relação sinal/ruído:
Tabela 3 : Valores de inteligibilidade da fala
A classificação da tabela anterior é extradida do grafico abaixo:
Gráfico 2 : Inteligibilidade de palavras em função da relação sinal/ruído. Meyer Sound Laboratories (1998)
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Com base nesta tabela de valores de inteligibilidade, podemos classificar os ambientes da seguinte forma:
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Tabela 4 : Dimensões dos ambientes e características materiais
## 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Percebe-se que a relação favorável de sinal/ruído se mantém com base em um esforço vocal grande do professor. Desta forma, cria-se uma situação desfavorável para o professor. Em todos os ambientes, alunos e professores estão expostos a um nível de ruído nocivo à saúde (Franco, 2010). Segundo OITICICA & GOMES, para exercício de atividades de atenção, os níveis de pressão sonora não poderão exceder o valor de 65 dB segundo normas de conforto acústico. Fica evidente a necessidade de monitorar todos os envolvidos nos cenários analisados e identificar quais os impactos do ruído ambiental sobre professores e alunos em ambientes de aprendizagem (Franco, 2010).
## 7. Referências
FERNANDES, João Candido Padronização acústica para salas de aula In: XIII Simpósio de Engenharia de Produção, Universidade Estadual Paulista, Bauru, SP, Brasil 6 á 8 de Novembro de 2006.
FRANCO, Wislanildo Oliveira POLUIÇÃO SONORA EM AMBIENTES DE APRENDIZAGEM UNIPLI Centro Universitário Plínio Leite II Encontro Nacional de Ensino de Ciências da Saúde e do Ambiente Niterói, RJ, Brasil, Maio 2010.
MURGEL, Eduardo Fundamentos da Acústica Ambiental São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2007.
NUSSENZEIG, Herch Moysés 1933 - Curso de Física Básica volume 2 / H. Moysés Nussenzveig. São Paulo Editora Edgar Blücher, 1981.
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NASCIMENTO, Ludimila Souza A influência do ruído ambiental no desempenho de escolares nos testes de padrão tonal de frequência e padrão tonal de duração, 2009, 193f. Monografia de fim de curso para obtenção título de graduação em fonoaudiologia. Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Medicina, Belo Horizonte, 2009.
OITICICA, Maria Lúcia; Duarte, Elisabeth Albuquerque Cavalcanti; Silva, Luiz Bueno da Análise da inteligibilidade da fala de uma sala de aula em situações diversas de climatização dentro do contexto acústico In: VIIENCONRO NACIONAL SOBRE CONFORTO NO AMBIENTE CONSTRUIDO III CONFERÊNCIA LATINOAMERICANA SOBRE CONFORTO E DESEMPENHO ENERGÉTICO DE EDIFICAÇÕES, Curitiba, PR, Brasil 2003. p 479 á 486.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.