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INCLUSÃO E O ENSINO DE FÍSICA: UMA PROPOSTA DE CRIAR SINAIS NO ENSINO DA ASTRONOMIA

Edna Menezes Santos, Jadiane Oliveira De Andrade, Niviane Oliveira Santos, Celso José Viana-Barbosa

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
22/01/2013
Linha de pesquisa
Processos Cognitivos De Ensino E Aprendizagem Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## INCLUSÃO E O ENSINO DE FÍSICA: UMA PROPOSTA DE CRIAR SINAIS NO ENSINO DA ASTRONOMIA

Edna Menezes Santos 1 , Jadiane Oliveira de Andrade , Niviane Oliveira 2 Santos 3 , Celso José Viana-Barbosa 4

1 Universidade Federal de Sergipe/Física/ednamenezes19@yahoo.com.br

2 Universidade Federal de Sergipe / Física /jadiane.moita@gmail.com

- 3 Universidade Federal de Sergipe / Física/niviane.oliveira@hotmail.com

4 Universidade Federal de Sergipe / Física /cjvianna@yahoo.com.br

## Resumo

A intenção desse trabalho foi entender como alunos surdos conseguem compreender os conteúdos abordados em sala de aula. A relação entre o cotidiano e o ensino da astronomia foi o ponto de partida para que três bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID) realizassem uma aula sobre astronomia para alunos surdos do ensino fundamental de uma escola pública de Itabaiana/SE na qual foi desenvolvido um experimento sobre as fases da Lua e construída uma maquete sobre o sistema solar. Como a população dos surdos se caracteriza por ser linguisticamente diferente da população ouvinte, a aula foi toda visual-gestual e contou com a ajuda de uma intérprete que intermediou a comunicação entre as bolsistas e os alunos. Após constatar através da própria comunidade surda e do dicionário da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) a falta de sinais dos conteúdos da disciplina física, incluindo principalmente a área da astronomia, as bolsistas reaplicaram a oficina na associação dos surdos da mesma cidade, com o objetivo de proporcionar aos mesmos à oportunidade de criar os sinais em libras para cada um dos planetas. Notamos no decorrer da oficina que os surdos são bastante detalhistas, pois no momento de criar sinais para os planetas eles observavam os aspectos dos planetas e as características mencionadas durante a aula. Observamos também que na confecção do sistema solar eles usaram esse mesmo procedimento em sua construção. Os resultados foram satisfatórios e mostram que ainda há muito a fazer para que as classes possam ser classes realmente inclusivas.

Palavras-chave : Astronomia, Surdos, ensino

## INTRODUÇÃO

Como facilitar a aprendizagem para um aluno surdo? Essa pergunta vem sendo alvo de vários questionamentos por parte dos pesquisadores como (ALVES, 2012; BOTAN & CARDOSO, 2009; CHASSOT, 2003; GIMENEZ, 2008; LIMA, ARAÚJO, SANTANA, 2004). Ensinar alunos surdos requer a utilização de diversos recursos para criar contextos que facilitem o ensino-aprendizagem.

Esse estudo tem uma grande importância para a formação dos futuros professores, além de haver a necessidade de procurar compreender as dificuldades encontradas no ensino da física para alunos surdos. É relevante que o mediador consiga fazer com que os mesmos não se sintam excluídos em sala de aula, proporcionando um bom aprendizado.

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20 a 25 de janeiro de 2013

O uso de recursos didáticos para aprendizagem desses alunos têm sido de grande importância para o ensino de física, a utilização de recursos visuais proporciona uma melhor compreensão dos assuntos que estão sendo abordados. É nesse intuito que examinaremos se o uso do material visual-gestual intervém na aprendizagem dos alunos de uma escola pública, e de uma associação dos surdos da cidade de Itabaiana-SE, sobre conceitos de Astronomia.

## REFERENCIAL TEÓRICO

Educação Inclusiva é tema de debate dentro e fora da escola (GIMENEZ, 2008), pois esse assunto gera grandes discussões na sociedade. O ensino para alunos surdos nem sempre teve espaço nas escolas, por conta tanto da falta de estrutura como da falta de profissionais qualificados na área e, principalmente, por receios dos pais dos alunos por não quererem que seus filhos necessitem de um ensino diferenciado. Esse ensino diferenciado não quer dizer que o discente surdo tenha menos ou mais capacidade que um ouvinte, mas que a forma de explicar os conteúdos abordados em aula, sejam adequados para facilitar a compreensão da aula, ou simplesmente que se utilize da língua brasileira de sinais (LIBRAS).

...a língua de sinais desempenha papel definitivo para aprendizagem dos mais diversos conteúdos escolares, formação de conceitos científicos e de uma segunda língua; quando o surdo não tem oportunidade de adquiri-la e usá-la, apresenta sérios impedimentos de comunicação. Sendo assim, fica evidente que, para dominar eficazmente os conteúdos escolares e promover a formação de conceitos científicos, é imprescindível que o surdo tenha adquirido normalmente uma primeira língua que, neste caso, é a língua de sinais; e a língua do seu país, por intermédio de ambas, haverá um desenvolvimento normal da linguagem. (TREVISAN,2008, p. 22)

A língua de sinais não é apenas um indicador correspondente para a comunicação entre professor-estudante ou estudante-estudante, mas uma ferramenta importante na assimilação dos significados, na formação de conceitos científicos, e na consequente estruturação do pensamento para os surdos, pois, é através do diálogo e da aquisição do sistema conceitual que a criança surda pode expor suas ideias espontâneas. (TREVISAN, 2008).

'Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizarem-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos'. (GIMENEZ, 2008, p.2 apud in BRASIL. 2008 p.15).

A população dos surdos se caracteriza por ser linguisticamente diferente da população ouvinte, já que a linguagem dos ouvintes é uma língua oral auditiva, e a Língua Brasileira dos Sinais (LIBRAS), linguagem dos surdos, é visual-gestual. É um grande desafio ensinar física aos surdos, principalmente por não haver formação necessária na área de LIBRAS por parte dos professores de física.

...a falta de formação profissional específica para a atuação educacional leva a uma visão equivocada de que o intérprete deve ter uma

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formação generalista, e que ele, por vezes, pode se responsabilizar pelos processos de aprendizagem dos alunos surdos. (ALVES, 2012, p. 27. apud LACERDA, 2010, p.145)

A citação a cima indica que o intérprete tem apenas a função de usar a libras para auxiliar o professor durante as aulas, enquanto o docente é o responsável por tentar facilitar a compreensão dos assuntos que estão sendo ensinados.

## METODOLOGIA

Esse trabalho iniciou-se com pesquisas relacionadas com o tema da astronomia, pois tínhamos o interesse de saber se havia sinais em libras na área da Astronomia. Ao observamos que não havia sinais nessa área montamos uma oficina para os alunos surdos de uma escola pública de Itabaiana/SE, onde utilizamos materiais visuais como slides por meio de várias figuras relacionados com a astronomia e contamos também com a ajuda de uma intérprete para intermediar a aula entre as bolsistas e os surdos. Trabalhamos os seguintes conceitos: eclipse solar e eclipse lunar, estrela (constelação), o sistema solar (planetas: Terra, Marte, Vênus, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno, Mercúrio) e as fases da Lua (minguante, cheia, nova, crescente). Apresentamos também um experimento, a fim de mostrar as fases da Lua, no qual procuramos explorar se houve aprendizagem e compreensão do que foi ensinado. O experimento era constituído de uma caixa revestida de papel preto, contendo um orifício de cada lado e um orifício maior para encaixar a lanterna, uma bola de isopor centralizada dentro da caixa, e uma lanterna que representava o Sol. Assim, podíamos observar através das aberturas laterais as fases da Lua. No final os alunos construíram um modelo de um sistema solar através de figuras mostradas no slide. Os dados obtidos foram constituídos por gravação em vídeo da aula.

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Figura 01: Experimento das fases da lua Figura 02: Sistema solar

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Reaplicamos a oficina na associação dos surdos de Itabaiana-SE, utilizando os mesmos procedimentos, no entanto tínhamos um objetivo diferente da primeira oficina. Na segunda oficina nossa pretensão era conseguir os sinais dos planetas, para tornar o conteúdo de mais fácil entendimento na língua de sinais.

## RESULTADOS E DISCUSSÃO

Nesse trabalho foi possível observar a interação dos alunos na aula, notamos inclusive uma grande participação no experimento das fases da lua, onde

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os alunos conseguiram identificar com êxito cada uma delas. Com a construção do sistema solar percebemos que houve um debate entre os próprios alunos na identificação das características dos planetas e do sistema solar como um todo, fato evidenciado através da análise dos vídeos. Observamos que a participação dos alunos ia aumentando à medida que eles eram estimulados a participar ativamente da aula, na qual, disponibilizamos espaço para os discentes exporem as suas ideias. Destacamos que o processo de comunicação com os discentes sobre os conceitos de astronomia mostrou-se complexo, já que não conseguimos aprofundar o conteúdo, pela falta de sinais em libras disponíveis na área da física.

Devido a essa dificuldade encontrada em relação a alguns sinais na área da astronomia, percebemos que a reaplicação da oficina na associação dos surdos foi satisfatória. À medida que os surdos criavam os sinais para os planetas, havia uma grande interação entre os próprios surdos que questionavam qual seria o melhor sinal, pois se baseavam nos aspectos visuais, mostrado a partir das figuras e nas características próprias de cada planeta Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno - Planeta Terra já possui sinal em libras), citadas pelas bolsistas do Pibid, tornando a aprendizagem significativa. Como a língua de sinais é a primeira língua dos surdos, à medida que conseguimos novos sinais para determinados conceitos ou objeto há uma maior compreensão dos assuntos que estão sendo abordados. A criação dos sinais foi um verdadeiro desafio para os surdos, pois o único planeta que eles conheciam era o planeta terra. O planeta Vênus como mostrado na figura 08, foi o planeta que eles tiveram mais dificuldade em criar o sinal por conta do aspecto visual do planeta. Em relação aos outros planetas não houve tanto questionamento. Abaixo segue os planetas com os sinais dados:

## Planeta Mercúrio

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Figura 03: Passos para a criação do sinal do planeta Mercúrio.

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Planeta Júpiter

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Figura 04: Passos para a criação do sinal do planeta Júpiter.

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## Planeta Saturno

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Figura 05: Passos para a criação do sinal do planeta Saturno.

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## Planeta Urano

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Figura 06: Passos para a criação do sinal do planeta Urano.

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## Planeta Netuno

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## Planeta Vênus

Figura 07: Passos para a criação do sinal do planeta Netuno.

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Figura 08: Passos para a criação do sinal do planeta Vênus.

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## Planeta Marte

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Figura 09: Passos para a criação do sinal do planeta Marte.

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Figura 10: Construção de um sistema solar.

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## CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base nas observações e análises feitas, envolvendo o ensino de Astronomia com ajuda de intérprete, concluímos que os resultados foram bastante satisfatórios, pois foi mostrado um grande interesse e entusiasmo pelo assunto abordado por parte dos alunos. Esse trabalho foi muito significativo para os próprios surdos, pois foi a oportunidade que eles tiveram de se aproximar um pouquinho do imenso mundo que está a sua volta e às vezes eles nem percebem por falta de informação. É de extrema importância que o professor conheça e compreenda a LIBRAS como forma de comunicar-se com o aluno surdo, entretanto esta linguagem não contém muitas palavras e termos físicos que possibilitem a comunicação de significados para os discentes surdos. É imprescindível que outros autores que venham a trabalhar nessa linha de pesquisa possibilitem a seus alunos surdos a criação de sinais para que daqui a alguns anos tenhamos um numero significativo de sinais na área de física. Com a criação dos sinais para os planetas, observamos que o assunto é mais facilmente compreendido, já que estamos utilizando a linguagem da comunidade surda. É necessário que exista um apoio constante e empenho de professores e intérpretes para que o aluno surdo tenha uma melhor compreensão dos significados físicos. Também é necessário que o professor desenvolva métodos de ensino que possam ser utilizados em classes inclusivas para que o aluno surdo não se sinta excluído nessas classes permitindo a interação entre alunos surdos e ouvintes.

## REFERÊNCIAS

ACESSIBILIDADE BRASIL. Dicionário de Língua Brasileira de Sinais . Disponível em:&lt;http://www.acessobrasil.org.br/libras/&gt;. Acesso em: 20 de abr. 2012.

ALVES, F. S. Ensino de Física para pessoas surdas: o processo educacional do surdo no ensino médio e suas relações no ambiente escolar . Bauru- SP, 2012. Disponível em: &lt;

http://www2.fc.unesp.br/BibliotecaVirtual/ArquivosPDF/DIS\_MEST/DIS\_MEST20120 206\_ALVES%20FABIO%20DE%20SOUZA.pdf &gt;. Acesso em: 22 mai. 2012.

BOTAN, E. CARDOSO, F.C. Ensino de física, língua brasileira de sinais e o projeto 'sinalizando a física': um movimento a favor da inclusão científica . XVIII Simpósio Nacional de Ensino de Física, 2009. Disponível em &lt;

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http://www.ie.ufmt.br/semiedu2008/gts/gt4/Poster/EVERTON%20BOTAN.pdf&gt;. Acesso em: 22 mai. 2012.

CHASSOT, A. Alfabetização científica: uma possibilidade para a inclusão social . Revista Brasileira de Educação, 2003. Disponível em: &lt; http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n22/n22a09.pdf&gt;. Acesso em: 22 mai. 2012.

GIMENEZ, H. A alfabetização científica de estudantes surdos no centro de educação de jovens e adultos . Encontro Nacional de Educação - ENAED, v. 1, n.

- 1 (2011), 2008. Disponível em &lt;

http://sinop.unemat.br/projetos/revistas\_eletronicas/index.php/enaed/article/view/448/ 283&gt;. Acesso em 22 mai. 2012.

LIMA, M.C.A.B; ARAÚJO, R.M.X; SANTANA, A.C. O mundo do silêncio: a percepção do espaço em alunos surdos e ouvintes . Rio de Janeiro, IX Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2004. Disponível em: &lt;http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/epef/ix/sys/resumos/T0128-2.pdf&gt;. Acesso em 22 mai. 2012.

TREVISAN, P. F. F. Ensino de ciências para surdos através de software educacional . Manaus- AM, 2008. Disponível em http://www.pos.uea.edu.br/data/area/titulado/download/10-15.pdf. Acesso em 22 mai. 2012.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.