PIBID-Física/UFRuralRJ - Uma proposta interdisciplinar para o Ensino de Astronomia
Iasmin Da S. S. Nascimento, Eduardo Da Cruz Honorato, Tessie Gouvêa Da Cruz, Francico Antônio Lopes Laudares
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 22/01/2013
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## PIBID-Física/UFRuralRJ - Uma proposta interdisciplinar para o Ensino de Astronomia
## Iasmin da S. S. Nascimento , Eduardo da Cruz Honorato , Tessie Gouvêa da 1 2 Cruz 3 , Francico Antônio Lopes Laudares 4
- 1 Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/DEFIS, iasmin.nascimento@rocketmail.com
- 2 Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/DEFIS, eduardotaicho@gmail.com
- 3 Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/DEFIS, tessie@ufrrj.br
- 4 Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/DEFIS, laudares@ufrrj.br
## Resumo
Há muito tempo conhecemos as dificuldades relacionadas ao ensino e aprendizagem das ciências naturais, em especial da Física. De um lado alunos reclamam que a matéria é difícil e sem significado e de outro, professores dizem que por mais que ensinem os alunos não conseguem aprender o mínimo necessário. Em busca da mudança da realidade na qual o ensino de Física é visto como ineficaz e ultrapassado e tendo em vista que o conhecimento especificamente disciplinar é considerado ineficiente no trato de problemas tanto de ordem social, quanto política e econômica, o subprojeto PIBID-FÍSICA da UFRRJ visa ações de caráter interdisciplinar para contribuir na formação de alunos e em seu pleno desenvolvimento e preparo para o exercício da cidadania. O presente trabalho apresenta a seguinte proposta: as aulas de Artes e Geografia podem ser usadas como linguagem para a compreensão dos conceitos físicos, sendo ainda complementadas com a utilização de materiais de baixo custo. A Astronomia, que é a proposta de trabalho do subprojeto PIBID-FÍSICA, é o tema e eixo integrador das atividades interdisciplinares desenvolvidas no C. E. Professor Waldemar Raythe.
Palavras-chave : PIBID/Física, UFRRJ, Interdisciplinaridade, Astronomia.
## Introdução
A interdisciplinaridade surge a partir da necessidade de contextualização do conhecimento e da possibilidade de formação de um saber crítico-reflexivo sobre a realidade. Encaminhando, assim, a escola na busca de melhores práticas de ensino que permitam a formação de alunos conscientes em vários âmbitos, principalmente o social.
- O surgimento desse conceito teve início por volta de 1960, quando os movimentos estudantis exigiam um ensino mais contextualizado com as grandes questões da época: sociais, políticas e econômicas (FAZENDA, 2008). Desde então, vem sendo frequentemente citado no meio acadêmico e servido como bandeira para muitos educadores. Contudo, foi a partir dos PCN que o termo interdisciplinaridade começou a ganhar contorno e força no que diz respeito a sua definição e funcionamento. No entanto, devemos ter em mente que a interdisciplinaridade não deve ser perseguida como o cumprimento de uma determinação, mas pensada como forma de alcance dos objetivos educacionais, ligados à necessidade de um olhar fundamentalmente contextualizado para uma visão articulada do ser humano com seu meio, conforme o os próprios PCN afirmam:
A interdisciplinaridade supõe um eixo integrador, que pode ser objeto de conhecimento, um projeto de investigação, um plano de intervenção. Nesse
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20 a 25 de janeiro de 2013
sentido, ela deve partir da necessidade sentida nas escolas, professores e alunos de explicar, compreender, intervir, mudar, prever, algo que desafia uma disciplina isolada e atrai a atenção de mais um olhar, talvez de vários . (BRASIL, 2002, p.88-89, grifos do autor).
Segundo JAPIASSÚ (1976), a interdisciplinaridade é caracterizada como uma ação de cooperação entre as ações disciplinares, onde as mesmas se encontram conexas, se tratando, porém de uma ação coordenada.
Figura 01: Modelo esquemático da relação entre as disciplinas na interdisciplinaridade.
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Contudo, ainda deve-se ressaltar que a aceitação do caráter interdisciplinar no meio educacional não implica na aniquilação do caráter disciplinar, mas sim o complementa como forma de estimular uma participação social do aluno.
As ciências e humanidades continuam sendo disciplinas, mas é preciso desenvolver seus conhecimentos de forma a constituírem a um só tempo: cultura geral e instrumento para a vida, ou seja, desenvolver, em conjunto, conhecimentos e competências. Contudo, assim como a interdisciplinaridade surge do contexto e depende da disciplina, a competência não rivaliza com o conhecimento; ao contrário, se funda sobre ele e se desenvolve com ele. (BRASIL, 2002, p. 13).
Em meio a tantas discussões a cerca do tema, o subprojeto PIBID/FÍSICA da UFRRJ elaborou uma carta convite endereçado a todos os professores do Colégio Estadual Waldemar Raythe, no município de Seropédica, com o objetivo de convidá-los a participar de uma proposta interdisciplinar que abordaria os conceitos de Astronomia. Este convite mostrava uma lista de temas a serem trabalhados, dos quais se poderia escolher alguns, ou todos de acordo com a realidade de uma turma.
Os tópicos relacionados no convite feito aos professores eram os seguintes:
- · Utilização da Bússola e determinação dos pontos cardeais;
- · Relógio solar e/ou relógio usando o cruzeiro do sul;
- · Compreensão de escalas astronômicas do sistema solar;
- · Movimento aparente do sol;
- · Estações do ano;
- · Construção de uma luneta didática;
- · Identificação de constelações, estrelas e mapeamento do céu;
- · Observação e identificação de crateras lunares;
- · Representação de alguma região lunar utilizando maquetes.
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Não encontramos resistência dos professores, a maioria inclusive se interessou pelo projeto, criando até possibilidades para que pudéssemos atuar conjuntamente com a escola na implementação da ação interdisciplinar. Os professores das disciplinas de Artes e de Geografia entenderam que poderiam ceder seus tempos de aula para que pudéssemos trabalhar um dos temas apresentados a eles. Como foram os primeiros a terem ideias mais organizadas e por estarem cedendo os tempos que trabalham com uma mesma turma, o PIBID/Física passou a trabalhar com eles no planejamento de planos de aula. Este trabalho então, se limita a uma abordagem descritiva do desenvolvimento destas aulas, que posteriormente serão aplicadas.
Apesar de ter sido pedido aos professores que escolhessem qual o tema desejariam que fosse trabalhado, os mesmos preferiram que nós escolhêssemos, então levando em consideração que já havíamos apresentado um minicurso na XI Semana Acadêmica de Física da UFRRJ, com a intenção de preparar futuros docentes para a utilização de materiais manipulativos e conteúdos interdisciplinares, achamos interessante estender o tema às salas de aula do ensino básico. O Experimento consistia em uma maquete fora de escala do sistema Sol-Terra-Lua, onde poderíamos trabalhar a construção e a utilização para demonstração de fenômenos astronômicos e os impactos de ordem social envolvidos.
## Planejamento e Desenvolvimento
A princípio, foi escolhido iniciar o projeto interdisciplinar com uma turma de 6º ano do Ensino Fundamental, já que esta, pelo Currículo Mínimo Municipal, estaria estudando os conteúdos referentes à Astronomia. Porém, a escola não possuía mais turmas desse nível. Os professores sugeriram então, que o trabalho fosse desenvolvido na turma 701, (7º ano), acreditando que o fato de terem visto recentemente a matéria seria um ponto vantajoso, pois poderia servir como forma de complementação para os conhecimentos adquiridos, já que teriam a oportunidade de observar os fenômenos experimentalmente. A turma possui 36 alunos regularmente matriculados (20 meninos e 16 meninas), com idades entre 12 e 15 anos.
Com base nesses dados, o grupo PIBID, juntamente com os professores, passou a desenvolver dois planos de aula, um para Artes e outro para Geografia, sendo o eixo integrador a Astronomia. Deu-se preferência que em todas as etapas de desenvolvimento os alunos fossem divididos em grupos como forma de estimular a convivência entre pessoas. Eles poderiam interagir com os membros da equipe do PIBID-FÍSICA, com os professores ou com seus próprios colegas de turma. Desta forma seriam dadas oportunidades para que dialogassem e trocassem informações, desenvolvendo hábitos e atitudes sociais.
## A aula de Artes e a interação com o objeto de estudo
Pensou-se esta parte do desenvolvimento do trabalho levando em consideração o processo de concepção do conhecimento para Piaget, já que o ensino de Ciências em sua fundamentação requer uma reflexão entre teoria e prática, entre conhecimento e senso comum.
A inteligência para Piaget é o mecanismo de adaptação do organismo a uma situação nova e, como tal, implica a construção contínua de novas estruturas. Esta adaptação refere-se ao mundo exterior, como toda
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adaptação biológica. Desta forma, os indivíduos se desenvolvem intelectualmente a partir de exercícios e estímulos oferecidos pelo meio que os cercam. O que vale também dizer que a inteligência humana pode ser exercitada, buscando um aperfeiçoamento de potencialidades, que evolui "desde o nível mais primitivo da existência, caracterizado por trocas bioquímicas até o nível das trocas simbólicas " (RAMOZZI-CHIAROTTINO apud CHIABAI, 1990, grifos do autor)
A primeira etapa se daria na aula de Artes, onde os alunos começariam a confecção de uma espécie de maquete fora de escala do sistema Sol-Terra-Lua, conhecido como Telúrio. Os materiais utilizados seriam simples, baratos e fáceis de adquirir. Facilitando, desta forma, a manipulação em sala de aula e viabilizando a sua reprodutibilidade por professores e alunos em outros contextos. Os alunos apenas pintariam as esferas que representavam os corpos celestes, já que nos deparamos com algumas dificuldades:
- · Algumas etapas da confecção do equipamento não fariam parte dos objetivos propostos para a aula;
- · São necessárias algumas ferramentas que poderiam ser perigosas para serem manuseadas pelos alunos.
- · Como os alunos foram divididos em grupos, durante uma parte da montagem, somente um aluno poderia continuar, o que poderia dispersar os outros do objetivo da aula.
No entanto, apesar desses impedimentos o objetivo da aula poderia ser atingido, já que o intuito principal seria o contato com a estrutura do Telúrio, para que houvesse uma dinamização das aulas e contribuição para a percepção dos alunos das formas e cores dos planetas, simbolizadas pelo isopor e pela tinta.
- O grupo PIBID em conversa com a professora de artes desenvolveu um plano de aula em que o conteúdo (cores primárias e secundárias) seria trabalhado durante a pintura das esferas utilizadas para a confecção do Telúrio.
Plano de aula - 7° ano
Professora:
ARTES
## Cronograma: 3 hora/aulas
Tabela 01 - Plano de aula de Artes
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(continua)
Plano de aula - 7° ano
(continuação)
## A aula de Geografia e sua implicação no conhecimento do cotidiano
A seguir pensou-se que para continuar o desenvolvimento do trabalho deveríamos atribuir sentido a ação interdisciplinar levando em consideração o que diz a LDB sobre a função da educação.
A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1996).
Durante as explicações de como ocorrem os fenômenos astronômicos, não poderiam ser deixadas de lado as oportunidades para a discussão de como os mesmos poderiam influenciar acontecimentos de ordem social, política e cultural. Inclusive ao tratar disso, gostaríamos de levar em consideração algumas concepções prévias e supertições que os alunos poderiam apresentar, como: as possíveis justificativas do medo relacionado à escuridão da noite.
Após as explicações foi decidido que deveriam ser realizadas dinâmicas com a finalidade de promover a interatividade e facilitar a compreensão dos conteúdos.
As duas dinâmicas seriam as seguintes:
- · Dinâmica Teatral: Os alunos deveriam apresentar os fenômenos, fazendo de si próprios os corpos celestes. Objetivo: Desenvolver criatividade, improvisação e localização do espaço.
- · Demonstração dos Fenômenos com o Telúrio: Os alunos seriam orientados a demonstrar os fenômenos utilizando o Telúrio. Objetivo: Desenvolver a habilidade de utilização de instrumentos para ensinar conteúdos, improvisação e demonstração de conteúdos aprendidos durante a aula.
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## Plano de aula - 7° ano
Professora:
## GEOGRAFIA
## Cronograma: 3 hora/aulas
Tabela 02 - Plano de aula de Geografia
## Resultados Esperados
Com a aplicação desta proposta interdisciplinar, espera-se:
- · Tornar eficiente a aprendizagem dos alunos quanto ao ensino de Astronomia, fazendo com que os mesmos identifiquem e compreendam os fenômenos físicos, relacionando-os com o cotidiano.
- · Estimular a construção de um conhecimento articulado entre alunos e professores de áreas distintas, com a intenção de formar sujeitos aptos a exercer a sua cidadania. Isto é, adquirir conhecimentos para interagir com o seu meio, tendo responsabilidade e entendendo as consequências de suas escolhas e ações;
- · Ampliar a capacidade comunicativa dos participantes, através da troca de ideias no decorrer das aulas.
## Considerações Finais
Cada aula é uma situação específica e singular. Tratando-se de uma atividade interdisciplinar, essas características são potencialmente aumentadas, exigindo ainda mais interação do professor com a turma e conhecimento das características coletivas e individuais dos alunos. O planejamento das aulas foi feito pelo PIBID/FÍSICA juntamente com os professores, justamente para demonstrar que
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não é possível criar um plano de aula sem levar em consideração a realidade de sala de aula.
Ao fazer o plano de aula para ação interdisciplinar, todos os detalhes foram pensados a fim de alcançar objetivos educacionais que proporcionem ao aluno a possibilidade do desenvolvimento e da criação de habilidades. Neste contexto o PIBID/FÍSICA entende que, ao contrário de pensar que um plano de aula é apenas uma burocracia feita para atrapalhar os professores no desempenho das suas atividades, mostramos que o mesmo é um aliado, já que para desenvolver a sua função didática o professor é responsável pelo planejamento, organização e direção das atividades que compõem o processo de ensino-aprendizagem.
## Agradecimentos
Agradecemos aos alunos bolsistas e alunos voluntários do grupo PIBID/Física/UFRRJ. Agradecimentos ao Ministério da Educação (MEC) e a CAPES pelo apoio financeiro.
## Referências
AZEVEDO, Luciana; LIMA, Maria; QUEIROZ, Glória. A INTERDISICPLINARIDADE ENTRE FÍSICA E ARTES: O BARROCO E O MODERNISMO EM UMA AULA DE CIÊNCIAS . Trabalho apresentado ao XVII Simpósio Nacional de Ensino de Física, São Luis, 2007
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional , Lei 9394/96 de 20/12/1996. Disponível em: http://goo.gl/AFpbu, acesso em: 01-08-2012.
- \_\_\_\_. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais : introdução aos parâmetros curriculares nacionais / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, 1997.
- \_\_\_\_. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais : Ensino Médio. Brasília: Ministério da Educação, 1999.
- \_\_\_\_. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. PCN + Ensino Médio: Orientações educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. Brasília: Ministério da Educação, 2002.
- D'ÁVILA, Nogueira. Utilização de Materiais de Baixo Custo no Ensino de Física . São Paulo: Universidade Federal Paulista Julio de Mesquita Filho, 1999. Monografia, Curso de Física.
FAZENDA, Ivani (Org). O que é interdisciplinaridade?. São Paulo: Cortez Editora, 2008.
JAPIASSU, H. Interdisciplinaridade e patologia do saber . Rio de Janeiro: Imago, 1976.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.