O PIBID NO TREINAMENTO PARA A OLIMPÍADA BRASILEIRA DE FÍSICA
Glycia Carla De Padua Leite, Nicolle Cabral Coutinho, Wallace Pereira Rosa, Bruna Nogueira Simões Cobuci, Gustavo Mendonça Duarte, Roberto Weider De Assis Franco, Diogo Lopes Barreto, Rosa Maria Alvarenga Leandro
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 22/01/2013
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## O PIBID NO TREINAMENTO PARA A OLIMPÍADA BRASILEIRA DE FÍSICA
Glycia Carla de Padua Leite , Nicolle Cabral Coutinho , Wallace Pereira 1 2 Rosa 3 , Bruna Nogueira Simões Cobuci 4 , Gustavo Mendonça Duarte 5 , Diogo Lopes Barreto 6 , Rosa Maria Alvarenga Leandro e Roberto Weider de Assis 7 Franco 8
- 1 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Laboratório de Ciências Físicas, glycia.leite@gmail.com
- 2 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Laboratório de Ciências Físicas, nicollepetro@gmail.com
- 3 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Laboratório de Ciências Físicas, wrp\_draco@hotmail.com
- 4 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Laboratório de Ciências Físicas, brunacobuci@yahoo.com.br
- 5 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Laboratório de Ciências Físicas, gustavo\_gmd@hotmail.com
6 Colégio Estadual Liceu de Humanidades de Campos, barreto\_diogo@yahoo.com.br
7 Colégio Estadual João Pessoa, rosauenf@ig.com.br
8 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Laboratório de Ciências Físicas, franco@uenf.br
## Resumo
A Olimpíada Brasileira de Física (OBF) representa um desafio aos estudantes de ensino médio e uma oportunidade de se incentivar o interesse pela Física e pelas carreiras científico-tecnológicas. O programa PIBID/UENF/FÍSICA possui uma linha de atuação que prepara estudantes de dois colégios estaduais para a OBF. As atividades foram realizadas nos anos de 2010 e 2011, no contra turno, e foram baseadas nos conteúdos abordados em todas as edições anteriores da referida olimpíada. São apresentadas diferenças e semelhanças entre os conteúdos da olimpíada e o ministrado na escola, que segue o currículo mínimo estadual, e são indicados parâmetros propícios à melhora do desempenho dos estudantes nas próximas edições da OBF. No presente trabalho, também são discutidos os resultados obtidos nesses anos e os fatores que contribuíram para que os mesmos fossem alcançados. É ressaltada a importância do programa para a formação do licenciando, bem como para o estudante da educação básica.
Palavras-chave : Olimpíada Brasileira de Física, Ensino de Física, PIBID.
## Introdução
- O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), instituído pelo Ministério da Educação em 2007, foi criado inicialmente para as instituições federais [1]. Dois anos depois foram incorporadas instituições estaduais de educação superior [2]. O programa tem a finalidade de 'valorizar o magistério e apoiar estudantes de licenciatura das instituições públicas de ensino superior' [1].
Uma das linhas de atuação do PIBID na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) é a preparação de estudantes para participarem da Olimpíada Brasileira de Física (OBF), que é realizada pela Sociedade Brasileira de Física (SBF), e ocorre anualmente desde 1999.
- A OBF é realizada em três fases. Na primeira são aplicadas provas objetivas. Na segunda fase são aplicadas provas discursivas. Participam desta fase os estudantes que atingiram na primeira fase um número mínimo de acertos definido
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a cada ano pela Coordenação da OBF. Na terceira fase ocorre a aplicação de provas teórica e prática. Em cada fase são aplicadas duas provas: uma para o 9° ano do ensino fundamental e 1° ano do ensino médio e outra para os 2° e 3° anos do ensino médio.
## Contextualização das Escolas
## Colégio Estadual João Pessoa
Possui um total de 1400 alunos, sendo 624 do ensino médio, distribuídos em 10 turmas. Alunos dos 1º e 2º anos do ensino médio participam do programa.
## Colégio Estadual Liceu de Humanidades de Campos
Possui um total de 2528 alunos, sendo 915 do ensino médio, distribuídos em 11 turmas. Os estudantes do 1º ano do ensino médio participam do programa.
## Metodologia
O PIBID/Olimpíada atua nas escolas com reuniões para debate e resolução de exercícios aplicados nas provas das edições anteriores da OBF. Além disso, foram apresentados aplicativos e vídeos, caso necessário, para melhor entendimento do conteúdo. Também são aplicadas aulas teóricas sobre os conceitos referentes aos exercícios propostos. Tais reuniões ocorrem semanalmente no contra turno. Em ambas as escolas, os bolsistas atuam sob a supervisão de um professor da instituição.
## Ano de 2010
Durante os primeiros encontros com os estudantes, antes da 1ª fase da Olimpíada, foram utilizadas questões das provas de anos anteriores. Após a 1ª fase da OBF, passou-se a acompanhar o conteúdo dado pela professora em sala de aula, em forma de monitorias. Para atrair um número maior de estudantes, decidiuse trabalhar com os alunos em grupos de duas duplas, de forma que cada dupla fizesse uma questão diferente da outra e explicasse a questão para a outra em nossa presença. Ao final do ano letivo, os estudantes receberam um conjunto de atividades de férias com exercícios sobre Calorimetria, Estudo dos Gases, Termodinâmica e Ótica Geométrica, enquanto o 2º ano estudou Cinemática e Leis de Newton, estudadas no semestre.
## Ano de 2011
Iniciou-se fazendo um planejamento dos conteúdos a serem abordados durante todo o ano letivo, para as 1ª (Quadro 01) e 2ª fases (Quadro 02), sendo o primeiro, de 10 meses, para preparar os reprovados na 1ª fase de 2010. Observe os quadros abaixo.
Quadro 01: Programação para a 1ª fase da OBF
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Quadro 02: Programação para a 2ª fase da OBF
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A duração do programa de treinamento foi estabelecida em dez meses, iniciando-se em julho, para que o final coincida com a realização da primeira fase da OBF de 2012, programada para o dia 19 de maio.
A distribuição dos conteúdos nos planejamentos foi baseada na proporção na qual eles foram colocados nas provas das edições anteriores da OBF. O trabalho, no Colégio Estadual João Pessoa, foi desenvolvido de forma semelhante ao iniciado no ano anterior. Em preparação para a 2ª fase, acompanhou-se o planejamento feito. Durante as férias de julho, o treinamento foi feito na UENF. Após a 2ª fase, seguiu-se o planejamento de 10 meses. O Liceu de Humanidades de Campos não foi inscrito para a OBF de 2010 e 2011.
## Resultados
## Ano de 2010
No Colégio Estadual João Pessoa, a média de participantes dos treinamentos foi de 23 alunos, que representa 6,3% do total de estudantes do ensino médio. A pequena participação, segundo os alunos, foi consequência da dificuldade em retornar à escola no turno vespertino. A quantidade de estudantes não diminuiu durante o semestre. Ressalta-se que a impressão dos alunos sobre o Projeto PIBID/Olimpíada foi positiva, assim como o apoio e incentivo da administração da escola para a realização do mesmo.
Foram inscritos 140 estudantes na OBF. Destes, 10% foram aprovados para a 2ª fase, sendo 10 alunos da 1º ano e 04, da 2º ano. Nenhum aluno foi aprovado para a 3ª fase. No Colégio Estadual Liceu de Humanidades de Campos as atividades iniciaram a partir de agosto.
## Ano de 2011
No Colégio Estadual João Pessoa ficou visível a grande participação dos alunos da 1º ano por serem alunos da supervisora do projeto. Quanto aos alunos das outras séries, a participação foi reduzida. Foram inscritos 142 alunos na OBF. Destes, 9,2% foram aprovados para a 2ª fase, sendo 8 alunos da 1º ano e 5, da 2º ano. Nenhum aluno foi aprovado para a 3ª fase.
No Colégio Estadual Liceu de Humanidades de Campos as atividades aconteceram de julho a dezembro. A frequência dos estudantes foi baixa e em alguns encontros não houve presença dos mesmos. A média de participação é de 8 alunos por encontro.
Em ambos os anos, a participação dos estudantes foi efetiva na resolução das questões propostas. Através das respostas dadas, percebia-se que o conteúdo tinha sido bem assimilado por eles.
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## Discussão
Os estudantes atendidos acompanharam, satisfatoriamente, os conteúdos apresentados durante os treinamentos, mas demonstraram a dificuldade em relação aos conteúdos de Matemática básica para a resolução de muitos problemas de Física, levando à inserção desta disciplina nos planejamentos. Entretanto, em ambas as escolas os professores supervisores observaram uma melhora no desempenho dos estudantes, principalmente dos participantes do 1º ano.
Quanto aos conteúdos abordados nos treinamentos e àqueles cobrados na prova da OBF, são semelhantes, o que facilita os alunos resolverem as questões propostas na olimpíada. Porém, este conteúdo não era coincidente com o ministrado na sala de aula. O Governo do Estado do Rio de Janeiro realizou em 2006 uma reorientação curricular, invertendo os conteúdos do 1º e 2º anos. Então, o currículo do 1º ano contemplava apenas Termodinâmica. Contudo, o currículo do Estado foi novamente alterado em 2012, retornando Mecânica para o 1º ano, possibilitando que os estudantes desta série tenham um melhor desempenho nas próximas edições da OBF.
Comparando-se os conteúdos oferecidos pelo ensino médio no estado do Rio de Janeiro e o conteúdo cobrado na primeira fase de todas as provas das OBF (Figura 01), de 1999 a 2011, este é consistente com o conteúdo normalmente mais trabalhado nas escolas de ensino médio, com ênfase na parte de Mecânica.
Quanto às dificuldades encontradas nos conteúdos, têm-se: Calorimetria, Estudo dos Gases e Termodinâmica, os alunos apresentaram dificuldades matemáticas, ao resolverem as operações. Já em Ótica Geométrica, a dificuldade foi por parte dos bolsistas, porque àqueles que já tinham visto o conteúdo na universidade, não tiveram todas as dúvidas esclarecidas sobre o tema. Os demais bolsistas ainda não tinham estudado o conteúdo na universidade, o que também acarretou a dificuldade.
Para melhorar o rendimento dos estudantes na OBF e na sala de aula e aumentar o número de estudantes participantes no projeto, a equipe de bolsistas pode apresentar aulas mais atraentes, nas quais os alunos tenham a oportunidade de ler textos e assistir vídeos relacionados à Física, criando suas hipóteses na solução dos problemas, relacionando a Física com o cotidiano de um modo investigativo. É importante que sejam cumpridas as programações, oferecendo conteúdos além dos ministrados em sala de aula.
Entretanto, percebe-se que a metodologia adotada tem que ser diferente daquela utilizada em sala de aula, no horário regular, porque o treinamento vem complementar o conteúdo visto pelos alunos e estes esperam uma apresentação diferenciada, com uma linguagem mais informal, adequando-se à realidade da escola e levando-os a participar do projeto sem serem obrigados, no intuito de se sentirem satisfeitos por estar no treinamento.
Com isso, é importante também uma revisão da literatura sobre metodologias que possam ser aplicadas nos próximos anos, como relatos de professores que obtiveram bons resultados na aplicação dos conteúdos, em revistas da área de ensino.
A participação dos bolsistas no programa causou maior interesse pela docência. Uma das bolsistas decidiu estabelecer a área de Ensino de Física como tema do seu curso de mestrado, que foi iniciado em abril/2012.
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A partir destas atividades, espera-se um maior número de alunos inscritos na OBF em 2012, um melhor resultado dos alunos em Física: menor reprovação na escola e mais vestibulandos no curso de Licenciatura em Física.
Será ampliada a abrangência do treinamento dos estudantes para participarem da primeira edição nacional da Olimpíada Brasileira de Física da Escola Pública (OBFEP), que será realizada no segundo semestre de 2012.
Figura 01: Comparação entre os conteúdos.
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## Conclusão
Os estudantes participantes do programa de treinamento apresentaram melhor desempenho escolar. A reformulação do currículo do Estado, restabelecendo o conteúdo de Mecânica no 1º ano, certamente causará proveitos aos estudantes na OBF, bem como na primeira edição da olimpíada específica para as escolas públicas, que será realizada em 2012.
- O PIBID é uma contribuição importante para a formação docente. Através destas atividades os universitários têm a oportunidade de conhecer melhor o funcionamento de uma escola e o desenvolvimento da prática de um professor de Física. O contato com a escola e com o professor supervisor enriquece o conhecimento pedagógico do licenciando, que pode ter uma visão mais ampla e concreta da educação, bem como suas limitações e necessidades. Porém, o futuro docente não pode esquecer-se de estar sempre atualizando suas metodologias, através de programas de formação continuada, por exemplo.
## Referências
[1] BRASIL. Ministério da Educação. Portaria nº 38, de 12 dez. 2007. Dispõe sobre o Programa de Bolsa Institucional de Iniciação à Docência - PIBID. Diário Oficial da União. Brasília, 13 dez. 2007. sec. 1. pt. 1.
[2] BRASIL. Ministério da Educação. Portaria nº 122, de 16 set. 2009. Dispõe sobre o PIBID no âmbito da CAPES. Diário Oficial da União. Brasília, 18 set. 2009. sec. 1. pt.1.
- [3] Breve História. Sociedade Brasileira de Física. Disponível em: <http://www.sbf1.sbfisica.org.br/olimpiadas/obf2011/Historia.shtm>. Acesso em: 03 out 2011.
[4] Reis, G.C.O. (coord.). Física. In: Currículo Mínimo 2012 . Secretaria de Estado de Educação, Governo do Estado do Rio de Janeiro. 2012.
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