A EXPERIÊNCIA DE OFICINAS DE ENSINO-APRENDIZAGEM NO ÂMBITO DO PIBID E DO PIBIC Jr
João Henrique Sartorello, Eugenio Maria De França Ramos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 22/01/2013
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A EXPERIÊNCIA DE OFICINAS DE ENSINO-APRENDIZAGEM NO ÂMBITO DO PIBID E DO PIBIC Jr
João Henrique Sartorello¹, Eugenio Maria de França Ramos²
- ¹ UNESP Campus de Rio Claro / IB Departamento de Educação / PIBID UNESP CAPES, sartorello5@gmail.com
- 2 UNESP Campus de Rio Claro / IB Departamento de Educação, eugenior@rc.unesp.br
## Resumo
Analisamos neste trabalho as intervenções visando a valorização de atividades experimentais no Ensino de Física, particularmente a realização de Oficinas Pedagógicas: a) com os estudantes do Ensino Médio, que puderam construir seus próprios protótipos e estudá-los, orientados pelos professores bolsistas e b) com um grupo alunos da escola vinculados ao Programa PIBIC Jr. Entendemos que a participação nas atividades das oficinas extrapolou a aquisição de técnicas para a construção dos instrumentos, propiciando contato diferenciado com conteúdos da Física. As oficinas ofereceram maiores oportunidades de acesso ao conhecimento, diferente daquele que geralmente é proporcionado em aulas apenas expositivas: ao professor proporcionou oportunidades de estabelecer novas relações entre os conteúdos de Física e, assim, propor novas atividades que permitam abordagens mais significativas; aos alunos ofereceu-se, entre outras possibilidades, a participação ativa no processo de ensino/aprendizagem. Nas Oficinas de Aprendizagem e Ensino os estudantes puderam construir seus próprios protótipos, manuseando e desvendando o experimento, assessorados pelos professores-bolsistas. As estratégias didáticas escolhidas tiraram o foco do ensino centralizada na figura do Professor, atribuindo um papel diferenciado aos alunos.
Palavras-chave : Experimentação no ensino de física. Oficinas de eletrostática. Laboratório de ciências.
## Introdução
Analisamos parte de pesquisa qualitativa sobre o uso de experimentos didáticos para o Ensino de Física, no âmbito do Programa PIBID CAPES, associado ao Programa PIBIC Jr, que ocorreram em Escola de Ensino Médio da cidade de Rio Claro, SP.
Ao longo de algumas décadas, escolas que possuíam laboratório didático tiveram esses espaços transformados ao longo do tempo. Os laboratórios foram gradativamente eliminados e com isso as atividades didáticas experimentais se tornaram pouco usuais.
Diante de tais perspectivas decidimos trabalhar especialmente com estratégias didáticas que envolvessem a experimentação no Ensino de Física. Foram elaboradas possibilidades de intervenção que pudessem ser realizadas na sala de aula ou experimentos que pudessem ser levados pelos alunos para suas casas.
Considerando as características do trabalho pretendido, foram selecionados experimentos que priorizam a utilização de material de baixo custo e fácil acesso em sua construção (FERREIRA e RAMOS, 2008), valorizando a interação lúdica e experimental dos alunos com a Física, a partir da utilização e da confecção de protótipos de Eletrostática, no âmbito das atividades de Iniciação a Docência nos
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20 a 25 de janeiro de 2013
anos de 2011 e 2012, no âmbito do Programa PIBID CAPES, vinculado ao Departamento de Educação do Instituto de Biociências, da UNESP Campus Rio Claro, SP, associado ao Programa PIBIC Jr, que ocorreram em Escola de Ensino Médio.
É visível a rejeição por aulas que contenham a resolução de exercícios e a memorização de fórmulas com o professor utilizando exclusivamente lousa e giz. Os alunos sentados, de preferência em silêncio. Ou seja, procedimentos de repetição que acabam tornando muitas aulas enfadonhas. O que por sua vez gera falta de interesse por parte dos alunos, desmotivação, indisciplina.
Robilotta (1988, p.7) reflete sobre os cursos de Física na Educação Básica:
O conhecimento discutido no quadro negro não se ajusta ao mundo em que o estudante vive, ele não se enquadra na vida real.[...] Isso manifesta-se, por exemplo, como a incapacidade que muitos alunos têm, depois de serem submetidos ao/domados pelo processo educacional, de formularem questões básicas. [...] Infelizmente, não são somente os alunos que perdem a capacidade de perguntar: o caso dos professores é bastante análogo.
## Oficinas semanais
Nos primeiros meses do ano de 2011, surgiu a possibilidade de formação de um pequeno grupo de alunos que desenvolveria estudos em Física a partir de encontros semanais realizados em horário extra ao das aulas. Tais atividades seriam desenvolvidas dentro do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica Júnior (PIBIC Jr), que visa promover a iniciação de alunos da Educação Básica e Pública de Ensino na pesquisa científica, concedendo bolsas de estudos e promovendo convivência cotidiana com o procedimento científico.
Foram selecionados alunos do Ensino Médio com aparente interesse por estudos de Física e por atividades extracurriculares. O grupo se constituiu com três alunos bolsistas e ainda uma aluna voluntária.
Definiu-se que o trabalho se daria em oito horas semanais, divididas em um período para estudos teóricos e outro para os encontros, que teriam como ambiente de trabalho o Laboratório de Ciências da própria escola.
Os trabalhos do Grupo de Estudo de Física (GEF) se iniciaram a partir da realização de Oficinas de Aprendizagem e Ensino de Física, com as quais propusemos aos estudantes construir e estudar os experimentos de Eletrostática (figura 01). Visávamos um trabalho baseado no modelo de Laboratório Divergente, conforme sugerido por Ferreira (1978).
- O trabalho seguia com o estudo teórico dos assuntos relacionados à Eletrostática. Além do Livro Didático adotado pela Escola, buscou-se bibliografia complementar em livros do nível Superior de Ensino, procurando oferecer de maneira alternativa uma formação estruturada e teoricamente embasada.
- O passo seguinte foi elaborar, em conjunto com os alunos, possibilidades individuais de trabalho. Definiu-se como um primeiro trabalho individual, o estudo crítico e aprofundado de determinado experimento. Cada aluno elegeu seu objeto de estudo. Os alunos tinham liberdade no estudo do seu funcionamento, na busca por modelos e no aprimoramento dos protótipos construídos, mantendo contato crítico com os conteúdos de Física relacionados aos estudos desenvolvidos.
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Figura 1
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Experimentos de baixo custo utilizados.
A partir de tais estudos individuais, surgiu a primeira possibilidade de formalização dos trabalhos na forma de artigos científicos, a serem submetidos ao Congresso de Iniciação Científica (CIC) da UNESP. Os quatro trabalhos elaborados pelos estudantes foram aceitos e apresentados na forma de painéis, sendo que dois destes trabalhos ainda receberam premiação e menção honrosa.
Com o decorrer do trabalho conjunto aos alunos, foi possível verificar grande desenvolvimento qualitativo referente aos conteúdos de Física estudados. Os estudantes do grupo conseguiam debater diferentes aspectos teóricos da construção do material experimental.
Com destaque para um destes estudantes, o qual chamaremos de E1. Este aluno em especial, demonstrou grande interesse pelo material experimental e conteúdos propostos. Ao longo das oficinas semanais e dos estudos teóricos, desenvolveu grande capacidade de reflexão crítica quanto aos conteúdos de Eletrostática e aos materiais experimentais. Criou autonomia na busca por aprimoramentos dos materiais experimentais inicialmente propostos, sugerindo modificações e apresentando sugestões de utilização de outros materiais nas construções. Passou ainda a buscar, espontaneamente, novos experimentos que pudessem ser construídos e que fossem pertinentes aos estudos do tema. Além da busca, optou por desenvolver construções em sua casa, testando possibilidades e adaptando materiais necessários, aos que ele podia obter. Desenvolvimento bastante semelhante é sugerido por Ferreira (1978), quando discutiu o Laboratório de Projetos em que a participação é crescentemente autônoma do aluno.
## Oficinas de eletrostática
Os efeitos físicos foram inicialmente observados e depois debatidos com os alunos, dando espaço para que procurassem respostas e conclusões para o que visualizavam no experimento. Por meio dos experimentos foi possível observar fenômenos físicos como eletrização por contato, atrito e indução; atração e repulsão de cargas elétricas; polarização etc.
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Em atividade realizada neste ano de 2012 os quatro estudantes do Grupo de Estudos de Física realizaram uma Oficina de Eletrostática para alunos de outras as turmas do Ensino Médio da Escola, como mostram as figuras 02 e 03.
Figura 02
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Oficina de eletrostática realizada em sala de aula pelos estudantes do Grupo de Estudo de Física. Na foto estudante monta o eletroscópio de folhas.
Figura 03
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Uma das estudantes do GEF explica qualitativamente a situação de um dos experimentos observados e debatidos com os colegas.
Após a realização de tal oficina realizamos algumas entrevistas com os estudantes, recolhendo algumas de suas impressões sobre o trabalho que
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realizamos. Os depoimentos de D e V oferecem aspectos da segurança em lidar com a atividade didática e particularmente com os conteúdos dos dois experimentos utilizados:
A princípio eles demonstraram timidez e mostraram dificuldades para montar os dois experimentos escolhidos (igrejinha eletrostática e eletroscópio de folhas). Entretanto o acompanhamento dos alunos do GEF, com desenhos feitos na lousa para a explicação dos fenômenos físicos facilitaram a compreensão da matéria, os participantes puderam explorar conceitos como atração, repulsão elétrica e eletrização por atrito, contato e indução.
Avaliando o trabalho realizado num projeto de Iniciação Científica no Ensino Médio percebemos que não apenas nos trouxe conhecimento sobre Física e seu Ensino, como também nos tornou experientes para as próximas etapas de formação acadêmica.
[Depoimento de E2, bolsista PIBIC Jr]
Essas atividades estão sendo planejadas e desenvolvidas desde o primeiro semestre de 2011, e já foi possível observar que os alunos demonstraram incorporar os termos do novo conteúdo exposto, conseguindo trazer a matéria para seu dia-a-dia e deixando de conhecê-la apenas como um conceito teórico na lousa ou no livro didático.
[Depoimento de E1, bolsista PIBIC Jr]
## Considerações Finais
Analisando o trabalho desenvolvido do ponto de vista da docência, constatamos ser possível a utilização de experimentos didáticos no Ensino de Física na Rede Pública de Educação Básica. Para tanto, certas condições são necessários, como a habilidade e disposição do Professor de Física e disponibilidade de alguns recursos materiais, até mesmo para realizar experimentos com materiais de baixo custo.
Assim sendo a formação inicial do Professor de Física precisa abranger aspectos como desenvolver competências e habilidades necessárias na elaboração de práticas não rotineiras para o Ensino de Física. O Professor precisa conhecer o material experimental e analisá-lo criticamente, procurando situações que se encaixam com os objetivos e conteúdos a serem estudados.
Para a realização das oficinas, verifica-se a necessidade de todo o material de consumo necessário às construções, bem como material de apoio (basicamente material de escritório), além de pequena caixa de ferramentas do Professor, que dê conta de pequenos reparos e montagens. A figura 04 ilustra essa observação, mostrando o detalhe da mesa de trabalho do professor durante a realização da oficina de eletrostática pelos alunos do GEF.
Portanto, considerando tais aspectos que poderiam ser classificados a primeira vista como pequenos detalhes (mas não o são), nem sempre a realização de atividades e implementação de estratégias didáticas experimentais são triviais. Nem sempre o investimento é de baixo, como o nome do material sugere (material de baixo custo), pois neste sentido trata-se de um baixo custo relativo..
Outras atividades de formação fizeram parte do trabalho do PIBIC Jr, como a elaboração de uma biblioteca de experimentos, na produção de outros experimentos adicionais (como o gerador eletrostático de Kelvin e o eletróforo de Volta) e a participação no XXIII Congresso de Iniciação Científica (CIC), da UNESP, com
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Figura 04 Detalhe da mesa com materiais de trabalho e protótipos para demonstração.
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apresentação de quatro trabalhos individuais, com destaque para dois deles que foram premiados com Menção Honrosa.
No que tange a formação de professores, envolvendo a Iniciação a Docência dos bolsistas do PIBID, percebemos que a opção pelo trabalho com experimentos didáticos promove novas possibilidades de trabalho, ao criar novas situações de ensino-aprendizagem, que normalmente não vivenciariam durante seu curso de Licenciatura, e, por isso, desenvolvem habilidades distintas e relevantes para sua formação.
Quanto ao projeto PIBID, três aspectos de tal programa devem ser particularmente destacados: a) o aumento da aproximação dos licenciandos com as atividades de Educação Básica, muita vezes restritas nos currículos tradicionais dos cursos de Graduação a atividades pontuais ou ao estágio supervisionado de Prática de Ensino, b) o envolvimento de Escolas de Educação Básica e c) docentes deste nível como parceiros, atuando de maneira colaborativa. Com o PIBID percebemos a possibilidade de aliar pesquisa à docência já nos primeiros passos do exercício da docência.
Quanto à oferta de Oficinas, ainda que trabalhosas, propiciaram aos alunos contato de maneira nova com conceitos de Física, sobretudo com a construção dos protótipos e a discussão de conteúdos teóricos e da análise de observações.
Por fim, consideramos que o foco do trabalho em atividades experimentais para o Ensino de Física permitiu resgatar de forma crítica tais materiais didáticos, bem como colocar os futuros professores diante de possibilidades de construir estratégias inovadoras para o desenvolvimento de seus projetos de ensino e nas ações de intervenção no contexto educacional.
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## Referências
FERREIRA, N. C. e RAMOS, E. M. de F. Cadernos de instrumentação para o ensino de física : eletrostática, Rio Claro: UNESP/IB, 2008.
FERREIRA, N. C . Proposta de laboratório para a escola brasileira - um ensaio sobre a instrumentalização no ensino médio de física. Mestrado - USP Instituto de Física e Faculdade de Educação, 1978.
RAMOS, E. M. de F. Brinquedos e Jogos no Ensino de Física , dissertação (mestrado), USP: São Paulo, 1990.
ROBILOTTA, M. R. O cinza, o branco e o preto - da relevância da história da ciência no Ensino de Física. Cad. Cat. Ens. Fís. , Florianópolis, 5 (Número Especial): p. 7-22, jun. 1988.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.