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CONTEÚDOS EDUCACIONAIS DE FÍSICA NAS DIFERENTES REGIÕES DO BRASIL - UM OLHAR PARA O TEMA MATÉRIA E RADIAÇÃO

Marcos Rogério Tofoli, Yassuko Hosoume

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
21/01/2013
Linha de pesquisa
Seleção, Organização Do Conhecimento E Currículo
Tipo
Pôster

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Texto completo

## CONTEÚDOS EDUCACIONAIS DE FÍSICA NAS DIFERENTES REGIÕES DO BRASIL - UM OLHAR PARA O TEMA MATÉRIA E RADIAÇÃO

## Marcos Rogério Tofoli , Yassuko Hosoume 2 1

1 Escolas Associadas Pueri Domus, tofoli@uol.com.br 2 Universidade de São Paulo, yhosoume@if.usp.br

## Resumo

O trabalho, aqui relatado, trata da análise de propostas curriculares de Física de diferentes regiões e estados do Brasil, realizado com o objetivo de verificar como esses documentos desenvolvem os conteúdos educacionais do tema estruturador 'Matéria e radiação', definido nos PCN+ e constituído pelas unidades temáticas: Matéria e suas propriedades, Radiações e suas interações, Energia nuclear e radioatividade e Eletrônica e informática. Para a pesquisa foram escolhidas cinco propostas curriculares, dos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Ceará, Acre e Goiás, utilizando três critérios: representação regional, período de publicação e construção participativa. A partir da leitura desses documentos, procurou-se em uma primeira análise identificar as bases teóricas que revelassem um alinhamento com a orientação dos PCN+ e, em uma análise posterior, buscou-se a compreensão das diferentes formas de desenvolvimento dos conteúdos relativos ao tema Matéria e radiação, criando três tipos de caracterização de propostas curriculares: abordagem em tema estruturador, desenvolvimento sem tema estruturador e ausência do conteúdo. Os resultados indicam que todos os documentos fizeram referência as diretrizes e parâmetros nacionais (aspecto geral), mas quanto ao desenvolvimento do tema estruturador (aspecto específico), com seus respectivos conteúdos educacionais, foi possível observar que os Estados do Acre, Rio Grande do Sul e São Paulo foram os que atenderam uma grande parte dos aspectos que compõe o desenvolvimento do tema estruturador Matéria e radiação, sendo o documento do Acre o que mais se aproximou da proposta dos PCN+, já os Estados do Ceará e Goiás deixaram de fazer a relação desses conteúdos educacionais e não reelaboraram em nenhum aspecto, mantendo a proposta tradicional. Essas diferenças revelam que currículos são construções que se situam em um dado momento da história educacional e, portanto um produto espaço-temporal.

Palavras-chave : Currículo de Física, Propostas Curriculares Estaduais, Tema Estruturador Matéria e Radiação.

## Introdução

Ao pensar sobre currículo, é preciso lembrar que este significa mais do que um conjunto organizado de conteúdos específicos, escolhidos em função da importância estabelecida pelas diversas áreas do conhecimento. Segundo Forquim, o currículo é um artefato que reflete concepções e características de uma sociedade (FORQUIM, 1993). O contexto social e cultural de uma população a que um currículo é destinado, o período histórico em que ele está inserido e a perspectiva educacional que ele deve carregar são, entre outros fatores, elementos considerados básicos ao se elaborar um currículo. Ao mesmo tempo, um currículo, que ordena a distribuição de conhecimento através 'do sistema educativo é um modo não só de influir na cultura, mas também em toda a ordenação social e econômica da sociedade' (SACRISTÁN, 1998, p. 108). Neste processo, ainda temos a própria complexidade do conhecimento disciplinar que deve ser estruturado de forma consistente com as diretrizes gerais da proposição curricular e, ao mesmo tempo, com a garantia dos aspectos fundamentais do referido conhecimento.

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20 a 25 de janeiro de 2013

Ao considerar, especificamente, o currículo de Física, é possível verificar as mudanças ocorridas ao longo da história da educação brasileira, desde a Reforma Capanema (1942) com a inclusão de seus conteúdos como uma disciplina do nível colegial, hoje educação média, até os dias atuais, onde a principal referência no ensino desta disciplina está pautada nos PCN+ (BRASIL, 2002) . Como da Reforma 1 2 Capanema à LDB/1961, o currículo de Física foi pautado por um rol de conteúdos específicos da área (MARTINS E HOSOUME, 2007), a LDB/1996 vem alterar profundamente o significado de currículo, definindo os objetivos da educação média pelas competências e habilidades a serem desenvolvidas.

As DCNEM 3 /PCNEM 4 (MEC, 2002), propõem, em consonância com os objetivos da LDB 9394/96, o alcance de competências e habilidades articuladas dentro das áreas de conhecimento, ao longo do Ensino Médio, definidas em três grandes áreas: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias. A área Ciências da Natureza, que abarca os conhecimentos disciplinares da Física, Química e Biologia, inclui, em seus objetivos, a compreensão dessas ciências como construções humanas e a relação entre conhecimento científico-tecnológico e a vida social e produtiva, alcançados na estreita relação com as outras duas áreas do conhecimento e articuladas por competências e habilidades. Portanto, essas competências gerais, que orientam o aprendizado no ensino médio, também devem ser promovidas pelo conjunto das disciplinas dessa área, que é mais do que uma reunião de especialidades (BRASIL, 2002, p. 24).

Nos PCN+, o ensino de Física está previsto para ocorrer por meio de uma abordagem temática composta por eixos estruturadores. Essa abordagem evidencia que os objetivos educacionais do trabalho pedagógico sejam orientados por competências, a fim de não reduzir os temas ao tratamento dos conteúdos disciplinares específicos, 'os temas de trabalho, na medida em que articulam conhecimento e competências, transformam-se em elementos estruturadores da ação pedagógica, ou seja, em temas estruturadores' (BRASIL, 2002, p. 69). E, com vista a associar as competências e conhecimentos e oferecer subsídios para organização dos conteúdos a ensinar, os PCNs+ sugerem, seis temas, sendo eles: 1- Movimentos, variações e conservações; 2- Calor, ambiente e usos de energia; 3Som, imagem e informação; 4- Equipamentos elétricos e telecomunicações; 5Matéria e radiação e; 6- Universo, Terra e Vida. O tema 'Matéria e radiação', que é foco desse trabalho, faz o tratamento de algumas questões essenciais na formação básica, como o uso das diferentes radiações, seus benefícios e riscos, seja nas telecomunicações (como telefonia celular, radares, televisão etc.), na medicina (em radiodiagnósticos e terapias, em aparelhos domésticos, como fornos de microondas) ou na geração de energia (no caso das usinas nucleares).

Embora o tema Matéria e radiação envolva conteúdos de Física Moderna e Contemporânea (FMC), nos PCN+ eles são desenvolvidos de forma temática escolhidos para o desenvolvimento de competências formativas e não como uma área de conhecimento definida como sendo a Física após o final século XIX até os dias atuais (OSTERMANN e MOREIRA, 2000). Entre os trabalhos relativos à

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problemática da inserção da FMC no ensino médio (TERRAZZAN (1992), OSTERMANN (2000), SANCHES E NEVES (2010), OLIVEIRA E VIANNA (2007), SOUSA e KAWAMURA (2010), VALENTE e BARCELLOS (2011), entre outros) é raro aquele que aborda conteúdo relativo ao tema Matéria e radiação, pois no banco da Capes foi possível identificar apenas os trabalhos de SILVA (1994) e LEAL, 5 (2006).

Como previsto pela LDB/96 e tendo como orientações os parâmetros curriculares das diferentes áreas do conhecimento (PCN e PCN+), a maioria dos Estados, nos últimos anos, vem articulando, junto a várias instituições (Secretarias estaduais ou municipais, universidades, entre outras) a elaboração de uma proposta curricular, de acordo com suas necessidades e características locais. É assim que, embora a elaboração da proposta curricular nos Estados seja um novo documento teórico que buscará dar conta das necessidades locais, também deverá constituir-se e aproximar-se de um currículo real (GOODSON, 1995), para que os professores possam planejar e acompanhar as ações do processo de ensino e aprendizagem, sendo algo que transcenda a teoria e remeta às idéias de criação e geração, norteando uma concepção mais abrangente e dinâmica de currículo.

Após 10 anos da publicação dos PCN+, quase a totalidade dos Estados tem elaborado sua proposta curricular do ensino de Ciências da Natureza e, nele, o ensino de Física. É neste contexto que situa este trabalho de pesquisa com o objetivo principal de verificar o tratamento da temática 'Matéria e radiação' nas propostas curriculares de diferentes regiões da federação, ou seja, verificar como foram contempladas as unidades temáticas que a compõe: Matéria e suas propriedades; Radiações e suas interações; Energia nuclear e radioatividade e; Eletrônica e informática. Acredita-se que esse olhar, por meio dos documentos oficiais publicados, para a maneira como as temáticas que compõe o grande tema Matéria e Radiação é prevista para ser incorporada na sala de aula, trará elementos do próprio currículo de física da escola média nesses últimos anos.

## Desenvolvimento da pesquisa

A pesquisa se iniciou a partir do levantamento das propostas curriculares das unidades federativas do Brasil, através de consultas aos sites das secretarias estaduais de educação e contribuições de colegas de profissão de vários estados. Pelo encaminhamento utilizado, foi possível obter propostas curriculares de 18 estados e do Distrito Federal, indicados no Quadro 01.

Quadro 01: Unidades federativas e datas das publicações dos respectivos currículos

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Esse Quadro 01 mostra que os documentos obtidos se distribuem nas 5 grandes regiões do país: 5 do Norte (AC, AM, AP, PA e TO), 3 do Nordeste (CE, AL e PE), 3 do Centro-Oeste (DF, MT, MS e GO), 4 do Sudeste (ES, MG, RJ e SP) e 3 do Sul (PR, SC e RS), indicando que o material tem abrangência nacional.

A proposta curricular de Física de SC é de 1998, portanto anterior à publicação dos PCN e PCN+ e dos estados do MS e do PA são de 2002 e 2003, respectivamente, portanto logo após a estes dois documentos que norteiam a educação média. A grande maioria data dos anos de 2008 (CE, DF, SP e PR), 2009 (ES, RS e AP), 2010 (RJ, MT, AL, AC e GO) e, o mais recente, de 2012, é do Amazonas. Para o desenvolvimento desta pesquisa, o primeiro critério foi a escolha de um currículo por região, totalizando o material de análise em 5 propostas curriculares e escolhemos as propostas curriculares que foram formuladas nos anos de 2008 a 2010, períodos com um número maior de publicações de currículos e com distância temporal suficiente para que os PCN e PCN+ já pudessem ter suas influências.

Na leitura da seção 'Apresentação e/ ou Introdução' desses documentos ou nos cadernos complementares, foi possível identificar documentos com o histórico da construção dos mesmos com todos os detalhes desse processo, bem como o envolvimento de várias instituições (representantes das universidades locais, professores da própria rede, assessores etc.), possibilitando uma conclusão desse trabalho colaborativo.

Dessa forma, foram escolhidos, para análise, os currículos dos Estados de RS (Rio Grande do Sul) 6 , SP(São Paulo) , AC(Acre) , CE(Ceará) e GO (Goiás) 7 8 9 10 , utilizando os seguintes critérios: representação regional, período de publicação e

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construção participativa. Essas propostas curriculares estão estruturadas em formato de cadernos específicos dentro da área de Ciências da Natureza e, somente o material do Estado do Ceará, foi montado um caderno complementar em formato de tabelas, denominado de matrizes curriculares. De forma descritiva, todos os documentos têm uma introdução que compõem o histórico da produção do material e são divididos em seções específicas que, buscam de forma geral, apresentar os objetivos de ensino, conteúdos educacionais, estratégias de trabalho e indicar referências. Diferentemente dos demais Estados, a opção do Estado do Rio Grande do Sul foi criar um caderno unificado para apresentar a proposta curricular de Ciências do EF e EM (Física, Química e Biologia). Os Estados de SP, AC e GO apresentaram suas propostas em um caderno específico de física.

A primeira parte da análise das propostas curriculares pautou-se na leitura integral de todos os documentos e verificação, nas diferentes seções dos documentos, os locais que foram apresentados os conceitos relacionados ao tema Matéria e radiação. Um quadro síntese foi à forma utilizada para levantamento dessas informações para uma posterior criação da caracterização de propostas.

- O quadro abaixo apresenta, de forma sintetizada, os aspectos gerais e específicos identificados, nas diferentes propostas de Física, existente nos documentos analisados.

Quadro 02: Relação dos aspectos analisados e ocorrência nos documentos

Em uma primeira análise, todos os documentos fizeram referência as diretrizes e parâmetros nacionais (aspecto geral), mas o entendimento e reelaboração dessas propostas no âmbito estadual tiveram interpretações diferenciadas em termos do desenvolvimento dos temas estruturadores (aspecto específico).

Quanto aos aspectos específicos da abordagem do tema 'Matéria e radiação' (existência, tratamento e descrição de formas de trabalho) não foi possível perceber um alinhamento entre esses documentos.

Para compreender a natureza dos conteúdos relativos à Matéria e radiação propostas nos diferentes currículos foram criados três tipos de caracterização de propostas, sendo uma com o foco na 'importância do trabalho com tema estruturador Matéria e radiação' que significa de certa forma as propostas curriculares que destacaram sua importância para compreensão do ensino de Física, apresentando além dos objetivos e conteúdos educacionais, formas e

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estratégias de trabalho de maneira contextualizada. Um segundo tipo de caracterização seria do 'tema estruturador Matéria e radiação com pouca relação referente aos objetivos e conteúdos educacionais', o que significa uma organização do ensino da Física sem a preocupação com esse eixo estruturante. Um terceiro e último tipo de caracterização é que 'não trabalha com esse tema estruturante', onde em nenhuma parte da proposta de ensino de Física está previsto o trabalho com conteúdos educacionais relativos esse tema estruturador. O quadro abaixo apresenta alguns elementos que permitiram a realização de uma classificação dessas propostas curriculares estaduais nas respectivas caracterizações de propostas.

Quadro 03 : Caracterização de propostas quanto à abordagem do tema estruturador Matéria e radiação

Estado do Acre - Descreve objetivos gerais para o trabalho com o tema na 3ª série e apresentam relações desses conteúdos educacionais que devem ser previamente introduzidos junto aos temas estruturadores 'Som, Imagem e Informação' e 'Sistemas Elétricos e Telecomunicações'.

Faz a ampliação da compreensão dos modelos microscópicos da matéria, reconhece suas condições de aplicação e utiliza para análise de situações concretas, bem como apresenta algumas estratégias de trabalho.

Estado de São Paulo - Apresenta de forma gradativa as temáticas referente a Matéria e radiação na primeira série com a proposta de Calor, contempla novamente alguns conteúdos educacionais na 2ª série com o tema Luz e Cor (4º bimestre), onde realiza o tratamento específico com o conceito de espectro eletromagnético. Na 3ª série, apresenta uma proposta de finalização do 1º semestre, com conceitos de forças e campos eletromagnéticos e, durante todo o 2º semestre, desenvolve temáticas específicas de Matéria e radiação, com a apresentação dos respectivos objetivos de ensino e conteúdos específicos conforme previsto nos PCNs.

Estado do Rio Grande do Sul - A proposta é específica para todo o 2º semestre, da 3ª série, e, apresenta uma estrutura muito similar a prevista nos PCNs, tendo como diferencial a descrição de duas sugestões de trabalho com as respectivas estratégias de ensino. Os conceitos de física de partículas são propostos para introduzir o estudo da estrutura da matéria e das radiações.

Na parte específica do documento, denominada como estratégia para ação, é apresentado um mapa conceitual para o trabalho com o tema estruturante Universo, Terra e Vida que apresenta vários conceitos de Física Moderna.

- 2. Pouca relação com os objetivos de ensino e distribuídos de forma aleatória na proposta.

CE

Estado do Ceará - Faz uma relação de objetivos de ensino na 3ª série (especificamente, no 4º bimestre), e busca uma associação com os conceitos de força e indução eletromagnética. Acrescenta no final da proposta, em forma de conteúdos tradicionais, que seja trabalhado a relatividade, modelo atômico moderno e mecânica quântica.

- 3. Não apresentou o tema e nem fez relação com objetivos de ensino e conteúdos educacionais.

GO

Estado de Goiás - O enfoque é nos conteúdos tradicionais da física e sem nenhuma apresentação dos elementos e conceitos relacionados à Física Moderna Contemporânea ao longo de toda proposta curricular. Na parte final do documento é colocada uma observação que o professor poderá fazer escolhas caso tenha tempo, onde descreve: 'para suprir os conteúdos não contemplados, sugere-se que o professor de Física elabore e faça proposta junto à unidade escolar, de disciplinas optativas. Estas necessitam estar respaldadas pelo Projeto Político Pedagógico da unidade escolar, possuir uma carga horária e ementa. As disciplinas optativas poderão abordar temas, como por exemplo, Física Celeste, Física Rotacional, Física dos Fluídos, Física Moderna, Teoria Cinética dos Gases, entre outras.' (GOIÁS, 2010, p. 26)

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Foi possível verificar que, somente o Estado do Acre, atendeu todos os aspectos de análise dessa pesquisa (Quadro 02), onde apresentou a proposta de trabalho com a temática Matéria e radiação, reservou um momento no currículo para tratá-lo detalhadamente e apontou possibilidades e caminhos pedagógicos para o desenvolvimento dos conteúdos educacionais propostos. O Estado do Rio Grande do Sul deixou de fazer uma conexão mais direta com os objetivos, apontando uma fragilidade na relação desses conteúdos educacionais com os temas e objetivos do ensino de Física, mas apresentou todos os demais aspectos analisados como forma de estruturação do currículo. No caso do estado de São Paulo, percebe-se uma distribuição dos conceitos de FMC ao longo de toda a proposta, nas diferentes temáticas e, uma parte específica do currículo (3ª série - 2º semestre) que trata especificamente do tema Matéria e radiação, distribuídos de forma idêntica as temáticas previstas nos documentos norteadores. O Estado do Ceará, não apresentou uma proposta de trabalho com esses temas, onde somente com um caderno específico, denominado de Matrizes Curriculares (Escola Aprendente), foi possível perceber uma abordagem a partir da descrição de conteúdos tradicionais, denominados no próprio documento como 'Relatividade, Modelo Atômico e Mecânica Quântica'. O Estado de Goiás, não contemplou essa temática e, deixou uma observação no documento, como possibilidade de ampliação do currículo frente aos objetivos e conteúdos educacionais não propostos, atribuindo toda autonomia ao professor, porém, vale ressaltar que essa proposta é pouco flexível quanto a mudanças e muito distante da esperada pelos documentos norteadores da proposta nacional.

## Conclusões e considerações

Durante todos os anos que ocorreram a reconstrução curricular das propostas analisadas (2008 a 2010), percebeu-se uma preocupação dos envolvidos em atender as expectativas dos parâmetros curriculares, conforme atendimento aos aspectos gerais apresentados no quadro 02, bem como, de propiciar caminhos mais específicos para a compreensão da proposta curricular nacional de Física. Porém, quanto à interpretação referente aos temas estruturantes e, seus respectivos conteúdos educacionais é possível observar no quadro 03, diferenças que revelam controvérsias em suas construções.

Também no quadro 02, percebe-se uma preocupação das propostas curriculares trabalharem com objetivos de ensino que relevem o ensino dos conceitos relacionados a Física Moderna e Contemporânea, mas a grande diferença está em como essa abordagem foi realizada. Em síntese, no caso dos currículos dos Estados do Ceará e, de Goiás, a abordagem se aproxima mais a atender uma descrição de conteúdos, ou simplesmente, eliminar da proposta essa temática do que realmente relacioná-las às suas competências gerais conforme descrita nos PCN+.

Essas diferenças se acentuam, ainda mais, no tratamento desse tema estruturador 'Matéria e radiação', ora obedecendo a uma distribuição dos seus conteúdos ao longo dos períodos/ anos escolares, ora sendo concentrado todo em um único semestre. Dessa forma, não reelaboraram em nenhum aspecto, mantendo a proposta tradicional como aconteceu com os Estados do Ceará e Goiás.

Embora existam iniciativas na reformulação de propostas curriculares, nacional e/ ou estaduais, os dados desse trabalho parecem indicar que os resultados tem sido divergentes em termos de compreensão. Por outro lado, é também necessário, ampliar o alcance da análise em termos regionais e dos dados

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apresentados por essa pesquisa, para outras características que pudessem contribuir para uma compreensão mais apurada na implementação das propostas curriculares.

## Referências

FORQUIM, J. C. Escola e Cultura: as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar. Artes Médicas: Porto Alegre, 1993.

GOODSON, I. Currículo: teoria e história. Petrópolis: Vozes, 1995.

- LEAL, C. C. Modelo atômico e interação da radiação com a matéria: concepções de um grupo de alunos do Ensino Médio. 2006. 121f. Dissertação (Mestrado). Universidade Estadual do Norte Fluminense, Rio de Janeiro.
- MARTINS, M. I.; HOSOUME, Y. Livros didáticos de Física no Brasil: editoras, autores e conteúdos disciplinares: da Reforma Capanema à LBD de 1996. In Atas do Simpósio Internacional Livro Didático: Educação e História, 2007, São Paulo.
- OSTERMANN, F. Tópicos de Física Contemporânea em escolas de nível médio na formação de professores de Física . 2000. 100f. Tese (Doutorado em Educação) Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
- OSTERMANN, F.; MOREIRA, M. A. Uma revisão bibliográfica sobre a área de pesquisa 'Física Moderna e Contemporânea no Ensino Médio'. Investigações em Ensino de Ciências, v. 5, n. 1, p. 23-48, jan. 2000
- OLIVEIRA, F. F.; VIANNA, D. M.; FERREIRA, J. C. A opinião dos professores de Física e alunos do Ensino Médio sobre a introdução de um tópico de Física Moderna e Contemporânea. In: Simpósio Nacional de Ensino de Física, 17. 2007, São Luís, Maranhão. Anais. São Paulo: Sociedade Brasileira de Física, 2007.
- SACRISTÁN, G. O currículo: uma reflexão sobre a prática. 3ª. Ed. Porto Alegre: ARTMED, 1998.
- SANCHES, M. B.; NEVES, M. C. D. O que pensam professores e alunos a respeito da inserção da Física Moderna e Contemporânea no Ensino Médio . In: Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 12. 2010, Águas de Lindóia, São Paulo. Anais. São Paulo: Sociedade Brasileira de Física, 2010.
- SILVA, C. J. O efeito fotoelétrico: contribuições ao ensino de Física Contemporânea no segundo grau . 1994. 135f. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências - Modalidade Física e Química). Universidade de São Paulo, São Paulo
- SOUSA, P. F. F.; KAWAMURA, M. R. D. Livros didáticos como indicadores da possível diversidade cultural no currículo de física. In: Atas do XII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2010, Águas de Lindóia.
- TERRAZZAN, E. A. Inserção da Física Moderna e Contemporânea no Ensino de Física na Escola de 2º Grau. Caderno Catarinense de Ensino de Física, Florianópolis, v.9, n.3, p. 209-214, dez. 1992.
- VALENTE, L.; BARCELLOS, M.. E. A Física Moderna e Contemporânea nas dissertações e teses da área de ensino . In: Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 13, 2011, Foz do Iguaçu, Paraná. Anais. São Paulo: Sociedade Brasileira de Física, 2011.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.