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Prodocência - IFRN: fortalecendo a formação docente em Física através de núcleos de ensino de Física

Ricardo Rodrigues Da Silva, Maria Emilia Barreto Bezerra

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
21/01/2013
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## Prodocência - IFRN: Fortalecendo a formação docente em Física através de núcleos de ensino de Física

## Ricardo Rodrigues da Silva , Maria Emilia Barreto Bezerra 1 2

1 IFRN - Câmpus Caicó/ Professor da Licenciatura em Física, ricardo.rodrigues@ifrn.edu.br 2 IFRN - Câmpus Santa Cruz/ Professora da Licenciatura em Física, emilia.bezerra@ifrn.edu.br

## Resumo

A qualidade do ensino das redes estaduais e municipais do estado do Rio Grande do Norte é apontada como uma das piores da federação pelas avaliações do governo federal. Paralelamente, questiona-se a qualidade dos cursos de formação docente. Preocupando-se com essa situação, o IFRN desenvolve um projeto no âmbito do PRODOCÊNCIA, financiado pela CAPES, que tem como principal objetivo fortalecer os cursos de licenciatura em Física da instituição através da formação de núcleos de ensino de Física os quais são constituídos por professores e alunos da licenciatura. Em cada núcleo, os grupos procuram conhecer melhor as pesquisas na área do ensino de Física, em particular Astronomia, montam kits didáticos e elaboram unidades didáticas que propiciem uma aprendizagem mais significativa. Essas ações, além de contribuírem para a formação dos licenciandos em Física, possibilitarão a formação continuada dos professores das redes estadual e municipal, através de oficinas e minicursos elaborados e oferecidos pelos núcleos.

Palavras-chave : Formação de professores, Ensino de Física, kits didáticos, formação continuada.

## Prodocência - IFRN: objetivos e justificativas

A educação pública no Rio Grande do Norte, nos níveis de ensino fundamental e médio, tem obtido baixos índices de qualidade nas avaliações do governo federal, especialmente nas disciplinas das áreas de Matemática e Ciências da Natureza. Paralelamente, questiona-se a qualidade dos cursos de formação de professores que futuramente se depararão com essa realidade, destacando-se o distanciamento entre a teoria e a prática, entre a produção e a transmissão do conhecimento.

Preocupado com essa realidade, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) desenvolve um projeto institucional intitulado Criação de núcleos de ensino de Física nos Câmpus do IFRN no âmbito do Programa de Consolidação das Licenciaturas (PRODOCÊNCIA), financiado pela Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal e Nível Superior (CAPES). Ele tem como objetivo contribuir para a elevação da qualidade dos cursos de licenciatura, na perspectiva de valorizar a formação e a relevância social dos profissionais do magistério.

O projeto iniciou suas atividades em dezembro de 2010. Com ele, pretendese promover um aumento da qualidade do ensino de Física da educação pública estadual/municipal, bem como refletir sobre a formação do professor de Física no âmbito do IFRN. Para tanto, objetivamos, inicialmente, criar, organizar e manter

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núcleos que promovam a integração entre o curso superior de Licenciatura em Física e a educação básica.

A criação dos núcleos de ensino de Física permite um maior contato dos licenciandos com a pesquisa em ensino de Física, focalizando-se nos conteúdos mais importantes de Astronomia. A escolha desses conteúdos se justifica, basicamente, por dois fatores. Primeiramente, pelo grande potencial interdisciplinar e significativo dos fenômenos astronômicos cotidianos; em segundo lugar, pela necessidade de uma formação adequada tanto dos futuros professores como dos professores que já atuam no ensino básico.

Os fenômenos astronômicos sempre estimularam a imaginação das pessoas, basta iniciar uma discussão com uma pessoa de qualquer idade para percebermos como o tema é instigante. Infelizmente, o seu potencial interdisciplinar e significativo não vem sendo bem aproveitado. Observando os resultados das pesquisas em ensino de Astronomia, Langhi e Nardi (2010) afirmam que os conteúdos não estão sendo trabalhos de maneira significativa, quantitativa e qualitativa nem mesmo na formação inicial de professores.

Os autores destacam, também, a pesquisa de Bretones (1999), que aponta um baixo número de instituições de ensino superior no Brasil que tratam dos saberes específicos de Astronomia. Essa deficiência na formação inicial dos professores os leva a buscar fontes, muitas vezes, não confiáveis, como afirmam Langhi e Nardi, comprometendo o processo ensino-aprendizagem, fazendo surgir ou reforçando concepções alternativas de fenômenos astronômicos, tanto deles quanto dos alunos. Apontam, ainda, que a melhoria da qualificação dos docentes não deve ocorrer apenas no âmbito dos conteúdos, mas também no que se refere às metodologias e outros saberes docentes.

Nessa perspectiva, procuramos desenvolver algumas ações, indicadas abaixo, com o intuito de minimizar os problemas apontados.

- · Elaboração de 'kits didáticos' que propõem experiências e atividades práticas que dinamizem o ensino de Física, em particular o ensino de Astronomia, relacionando os conhecimentos científicos ao cotidiano do aluno de forma significativa;
- · Avaliação contínua da relação entre os conhecimentos adquiridos no curso e as experiências realizadas nas escolas de educação básica, de forma que pudéssemos refletir sobre a formação dos licenciandos em Física oferecida no IFRN;
- · Elaboração de projetos junto às escolas públicas de ensino básico, objetivando uma melhoria na qualidade de ensino de Física;
- · Proporcionar a capacitação dos professores para a utilização adequada dos 'kits didáticos' em sala de aula;
- · Estimular a formação continuada dos professores da rede pública, desenvolvendo minicursos, oficinas e palestras.

Alguns desses objetivos já foram atingidos, como poderemos observar mais adiante. Vale ressaltar que o projeto encontra-se em andamento, pois a sua finalização se dará em dezembro de 2012, com possibilidades de ser prorrogado.

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## Estratégia de execução do projeto

Os núcleos de ensino de Física foram formados por alunos e professores dos cursos de licenciatura em Física, em três Câmpus do IFRN, localizados nas cidades de Caicó, João Câmara e Santa Cruz. Esses grupos partiram do estudo dos conhecimentos físicos específicos, em particular, os saberes de Astronomia e da observação contínua, sistematizada da realidade educacional, partindo disso iniciase a elaboração dos 'kits didáticos' para o ensino de Astronomia para, posteriormente, realizar intervenções nas escolas públicas de ensino básico.

Esses 'kits didáticos' deverão propor experiências e atividades práticas, em uma perspectiva investigativa, na qual buscarão questões problematizadas que possam permitir não só o aumento da curiosidade dos alunos, mas também orientar as visões deles sobre as variáveis relevantes do fenômeno estudado como propõe Carvalho (2010).

Para tanto, os grupos reúnem-se quinzenalmente e, nessas reuniões, ocorrem discussões de artigos ou livros específicos do ensino de Astronomia, bem como a elaboração dos kits didáticos e as respectivas estratégias didáticas a serem apresentadas aos professores e alunos do ensino básico nos minicursos e oficinas.

## Atividades já desenvolvidas

Os licenciandos dos três Câmpus participantes do projeto fizeram leituras e discussões sistematizadas de artigos e/ou livros de ensino de Astronomia, como Nogueira (2009) e, na medida em que esses indicavam alguma atividade prática, quer sejam experimental ou corporal, os alunos iam reproduzindo e discutindo sobre os assuntos ali abordados.

Os licenciandos do Câmpus Caicó colaboraram na organização e execução da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) em 2011 e 2012, realizando as práticas propostas pela OBA com os alunos do ensino médio que iam participar da olimpíada. Para isso, os alunos discutiram as atividades e as estratégias que iriam utilizar para abordar os temas propostos.

Vale ressaltar a importância da realização da OBA nos Câmpus do IFRN, em particular Caicó, tanto pela experiência oportunizada aos licenciandos por desenvolverem as atividades propostas pelas oficinas da OBA que tanto favorecem a discussão acerca dos principais temas de Astronomia, quanto pelo envolvimento dos alunos do ensino básico. São ações como essas que estimulam os participantes, licenciandos e alunos da educação básica, a buscarem a compreensão dos temas que estão relacionados aos fenômenos astronômicos.

Uma das atividades desenvolvidas pelos licenciandos foi a reprodução e discussão das distâncias médias dos planetas ao sol proposto pela OBA 2011, como observamos na figura 1.

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Figura 1: Comparando as distancias entre os planetas.

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Na figura 2, os licenciandos do Câmpus Caicó constroem os planetas com papel alumínio para comparar seus volumes.

Figura 2: Comparando os volumes dos Planetas em escala de tamanho.

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No Câmpus Santa Cruz, os licenciandos construíram relógio de sol (figura 3), um painel representando algumas constelações (figura 4) e uma maquete representando os planetas e suas órbitas (figura 5).

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Figura 3: Relógio de sol.

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Figura 4: Painel representando as constelações.

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Figura 5: Maquete representando os planetas e suas orbitas.

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Outra ação já desenvolvida pelos licenciandos foi a elaboração de oficinas e minicursos voltados para alunos do ensino fundamental e médio das escolas do entorno das cidades de Caicó e Santa Cruz.

Em Caicó, o curso de licenciatura em Física promoveu o I Encontro de Físicos Educadores (I EFE), um evento local com o intuito de divulgar o curso para a sociedade, socializar com a comunidade escolar da região as atividades e projetos desenvolvidos no curso e oportunizar aos professores das escolas estaduais e

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municipais momentos de discussão sobre diversas áreas da pesquisa em ensino de Física.

Nessa oportunidade, os alunos do curso de licenciatura em Física do Câmpus Caicó envolvidos no Prodocência planejaram e executaram uma oficina sobre fases da lua e eclipses voltados para os alunos do ensino fundamental e médio. Na ocasião, os licenciandos elaboraram um roteiro para que, em grupos, os alunos pudessem montar um modelo em miniatura para reproduzir as fases da numa caixa de papelão como mostrado na figura 6, utilizaram também bolas e lanternas para simular os eclipses, apontado abaixo na figura 7 e, por fim, fizeram uso de recursos multimídias para mostrar para os alunos simuladores de eclipses e fases da lua.

Figura 6: Modelo construído pelos alunos do ensino médio para representar fases da lua durante a oficina.

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Figura 7: Representação de eclipses utilizando bolas e lanterna.

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Em Santa Cruz, os licenciandos em Física elaboraram uma série de atividades que foram apresentadas de forma expositiva, porém dialogadas, aos alunos de escolas estaduais e municipais. Para exemplificar, apresentamos duas dessas atividades. A figura 8 mostra um painel construído pelos licenciandos o qual ilustra as constelações da cultura indígena brasileira; na figura 9, pode-se observar os licenciandos em Física discutindo com os alunos das escolas básicas sobre os eclipses, utilizando uma maquete construída por estes últimos.

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Figura 8: Painel ilustrando as constelações da cultura indígena.

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Figura 9: Alunos da licenciatura demonstrando os eclipses e as fases da lua através da maquete.

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Essas ações foram muito importantes para os alunos da licenciatura, pois, além do conhecimento adquirido nas discussões dos textos e na montagem das práticas, eles tiveram que se preocupar como iriam abordar esses temas com os alunos do ensino básico.

Estamos iniciando a penúltima fase do projeto, que é a elaboração dos kits didáticos. Para tanto, fizemos buscas tanto em sítios especializados em atividades práticas quanto em revistas de divulgação de ensino de Astronomia e Física para catalogar diversas atividades relacionadas a fenômenos astronômicos que irão compor os Kits didáticos. Podemos dizer que dois kits estão em fase de confecção, as práticas já foram selecionadas e, no momento, os alunos estão elaborando as estratégias didáticas em uma perspectiva investigativa.

## Ações a serem desenvolvidas

A fase final do nosso projeto será a elaboração de minicursos e oficinas direcionadas para os professores de Física e Geografia das redes estadual e municipal da região do entorno das cidades de Caicó, João Câmara e Santa Cruz, em que poderemos oportunizar a eles uma discussão sobre os conteúdos mais importantes de Astronomia e sobre estratégias didáticas investigativas utilizando os kits didáticos. Com essas ações, acreditamos que podemos minimizar o déficit de conhecimento acerca dos conteúdos de Astronomia, originado, muitas vezes, pela

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não abordagem ou uma abordagem inadequada desses conteúdos em sua formação inicial.

## Considerações finais:

Observando a realidade educacional do estado do Rio Grande do Norte, no que diz respeito ao ensino público de nível médio e fundamental, e refletindo sobre a qualidade dos cursos de formação docente nas áreas de ciências é que surge a nossa preocupação evidenciada na proposta do nosso projeto no qual objetivamos contribuir para uma melhoria do processo ensino-aprendizagem tanto em curto prazo - quando propomos uma ação direta nas escolas, promovendo minicursos e oficinas, subsidiando os professores com materiais adequados ao ensino de Astronomia e abordagens diferenciadas e, consequentemente, atenuando a situação atual da educação básica no que diz respeito ao Ensino de Ciências - como também em longo prazo - quando possibilitamos os alunos dos cursos de licenciatura em Física do IFRN a participarem, de forma efetiva, de todo o processo de elaboração dessas atividades, contribuindo para uma melhor formação docente.

Assim, o projeto atende a uma demanda social, na medida em que propõe uma intervenção direta na realidade educacional do estado, mas também uma demanda institucional do IFRN, já que também propõe a reflexão a partir das experiências realizadas dos cursos de Licenciatura em Física oferecidos pela instituição.

## Referências

BRETONES, P. S. Disciplinas introdutórias e Astronomia nos cursos superiores do Brasil . Dissertação de Mestrado. Campinas, Instituto de Geociências, UNICAMP, 1999.

CARVALHO, Anna Maria Pessoa de. As práticas experimentais no ensino de Física. In: \_\_\_\_\_\_ (Org). Ensino de Física. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

LANGHI, R. &amp; NARDI, R. Formação de professores e seus saberes disciplinares em astronomia essencial nos anos iniciais do ensino fundamental. Revista Ensaio, v.12, n.02, p.205-224, mai-ago, 2010.

NOGUEIRA, Salvador. Astronomia: ensino fundamental e médio. Coleção explorando o ensino, vol.11, p. 232. Brasília: MEC; SEB; MCT; AEB, 2009.

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