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ESTUDO DA EVASÃO DA LICENCIATURA EM FÍSICA NA UFSCAR

Gustavo Petrocelli, Marcus Vinícius Biondo Danuello, Shelton Aguiar, Victor Sanches, Alice Helena Campos Pierson

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
21/01/2013
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## 'ESTUDO DA EVASÃO DA LICENCIATURA EM FÍSICA NA UFSCAR'

Gustavo Petrocelli , Marcus Vinícius Biondo Danuello , Shelton Aguiar , 1 1 1 Victor Sanches , Alice Helena Campos Pierson² 1

1 Universidade Federal de São Carlos, petlif@ufscar.br

2 Universidade Federal de São Carlos, DME, apierson@ufscar.br

## Resumo

Este estudo analítico-descritivo tem como objetivo localizar elementos que possibilitem uma melhor compreensão dos processos que têm levado a uma alta taxa de evasão no curso de Licenciatura em Física-Noturno da Universidade Federal de São Carlos desde sua criação em 2009 até o ano atual. Para o desenvolvimento deste trabalho foram coletados inicialmente alguns dados com a Coordenação do curso e aplicado, aos calouros de 2012, um questionário com perguntas de autoanálise acerca de seu desempenho desde o Ensino Médio até o Ensino Superior, juntamente com questões socioculturais que poderiam ter influência em sua escolha pelo curso. Até o dado momento, pudemos observar que boa parte dos alunos não estava seguro quando optaram por Licenciatura em Física e em alguns casos a decisão foi tomada somente quando os candidatos se encontravam com a nota do ENEM em mãos e estavam no site do Sistema de Seleção Unificada, o SiSU. Esse procedimento é muito diferente do antigo vestibular, quando a escolha pelo curso era anterior à publicação dos resultados obtidos, Outro aspecto a ser estudado é o fato de um número grande de alunos investigados afirmarem que, quando da escolha pelo curso, 'querer ser professor' não foi considerado fator relevante na opção licenciatura. Tal aspecto pode justificar outro motivo bastante citado na escolha do curso: possível transferência para outros cursos. Quanto à escolha pelo período noturno, esta nada tem a ver com os calouros exercerem atividades diurnas, pelo contrário, apenas um ingressante trabalha e poucos outros praticam esportes, em sua maioria se dedicam somente à graduação. Este trabalho permanece em andamento e é muito importante que continue sendo realizado a fim de identificar se a evasão ocorre por algo ocorrido dentro da própria universidade, ou se os futuros desistentes já veem com uma propensão a abandonar o curso antes mesmo do ingresso.

Palavras-chave : evasão, licenciatura em física, SISU

## Introdução

Não é de hoje que há uma alta taxa de abandono nos cursos de Licenciatura em Física em todo país. É uma queixa comum entre os graduandos que há uma dificuldade grande no processo de aprendizagem de física e, consequentemente, um agravamento nos índices de evasão do curso. Há também o fato que, devido à relação candidato/vaga ser baixa, comparada com outros cursos, muitas candidatos acabam optando pela Licenciatura em Física sem ao menos saber o que as espera e acabam, após o ingresso, defrontando-se com uma realidade diferente da que imaginavam.

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20 a 25 de janeiro de 2013

Muitos trabalhos relacionados a esse tema foram desenvolvidos na tentativa de justificar esse quadro, como na pesquisa: 'Evasão Universitária: O CASO DO INSTITUTO DE FÍSICA DA UFRJ'¹, (BARROSO e FALCÃO, 2004), onde se verificou que de 120 alunos ingressantes no curso de Física na UFRJ somente 10% o conclui e outros 10% graduam-se em outro curso. Também podemos mencionar o trabalho 'UM ESTUDO DA EVASÃO NO CURSO DE GRADUAÇÃO EM FÍSICA DA UnB' 2 (RIBEIRO et al, 2008), em que a evasão entre os períodos 01/2001 - 02/2006 foi de 63,6% no curso de Física, evidenciando o problema acima mencionado. Nesse trabalho foi traçado o perfil dos candidatos que evadiram, através da aplicação de um questionário abordando o período desde seu Ensino Médio até o Ensino Superior. Com os resultados, foi possível concluir que na maior parte dos casos, os alunos desistem nos dois primeiros anos, devido a fracassos sucessivos nas disciplinas iniciais do curso. Resultado semelhante é apontado no trabalho de (PEREIRA, 2007) e no trabalho de (CAMPOS e GRASSI, 2010).

De forma similar verificamos empiricamente que o mesmo acontece no curso de Licenciatura em Física da UFSCar e, com essa constatação elaboramos nossa pesquisa aproveitando o fato de tratar-se de um curso novo, e esperamos através dos nossos resultados podermos melhor delinear o perfil dos alunos que ingressam no curso e daqueles que por ventura desistem, para então propormos possíveis ações que possam colaborar para minimizar as altas taxas de desistência.

Quanto ao processo de ingresso ao Ensino Superior, há uma diferença entre a situação que investigamos em relação aos demais trabalhos analisados, pois atualmente na UFSCar o ingresso se dá através do SiSU. Essa forma de ingresso possibilita que o aluno saiba primeiro qual foi seu desempenho no processo seletivo para depois escolher o curso que deseja ou então naquele que a chance de ingresso é maior, diferentemente da UFRJ onde o ingresso se dá através de uma prova aplicada pela própria instituição, no qual o aluno escolhe o curso antes de saber da sua nota, impossibilitando a flexibilidade de escolha de curso como ocorre na UFSCar.

Devido ao Programa de Apoio aos Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais - REUNI, que tem como foco a ampliação do acesso e permanência na educação superior, somada com a valorização da qualidade do ensino iniciou-se, em 2009, o curso de Licenciatura em Física noturno na Universidade Federal de São Carlos tendo como objetivo a formação de um educador capacitado a desenvolver o processo de ensino-aprendizagem da Física Clássica e Contemporânea, valorizando a sua interação com as ciências afins, o mundo tecnológico, os determinantes e as implicações sociais subjacentes.

No curso Licenciatura em Física do período noturno da UFSCar são oferecidas 30 vagas anualmente e, até o momento, não houve nenhum formando devido ao tempo de duração do curso ser de 5 anos. No decorrer dos semestres, desde o inicio do curso, os estudantes foram desistindo ou transferindo-se para outros cursos gradativamente, de tal forma que atualmente nessa primeira turma de 2009 conta com apenas um aluno. Com isso o grupo PET-LiF (Programa de educação tutorial da Licenciatura em Física) vem realizando uma pesquisa que tem como objetivo acompanhar os alunos ingressantes em 2012 e, a partir de dados levantados, procurar levantar possíveis causas para a baixa eficiência do curso.

A pesquisa atual, parte desse projeto mais amplo, se baseou em uma primeira análise quantitativa a partir dos dados fornecidos pelos alunos através de

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um questionário criado pelo grupo e aplicado aos alunos ingressados em 2012, com a finalidade de formar um perfil do calouro. Além desse questionário foram analisados dados obtidos junto à Coordenação do Curso e com o grupo PETEstatística da própria universidade, para uma melhor compreensão do problema e localização de indicadores e tendências sobre a questão da evasão. Este trabalho foi desenvolvido com o objetivo de trazer luz às possíveis causas e a contribuição do histórico e desempenho escolar dos alunos para a alta taxa de desistência.

## Metodologia

Para o desenvolvimento dessa investigação foi elaborado um questionário com 41 questões de múltipla escolha com o objetivo de trazer novos elementos que possam ajudar no esclarecimento das influências, necessidades, opções, entre outras características que possam ter influência sobre a escolha do curso e ainda formar um perfil do aluno ingressante. As perguntas foram separadas em três momentos da vida do estudante: Ensino Médio, prestando o vestibular e Ensino Superior.

No primeiro momento foram elaboradas questões com o intuito de construir uma primeira visão do perfil desses alunos antes de ingressar no Ensino Superior, com prioridade no Ensino Médio. Nessa etapa colocamos o foco das questões em como o aluno avalia a sua aprendizagem nas áreas de ciências humanas, exatas e biológicas, com qual disciplina ele mais se identificava e tinha maior facilidade, além de uma série de questões para analisar com qual frequência elementos como: realização de exercícios pelo professor, seminários, simulações de computadores, experimentos realizados, visitas a museus, entre outros, aconteciam durante o período letivo.

Em seguida, voltamos nossa atenção para o momento do vestibular, que incluía a segurança frente à escolha por Licenciatura em Física, a relevância de certos aspectos na opção do curso, como: ser curioso, querer ser cientista, busca de desafios, possibilitar transferência futura para outro curso, influências da mídia, professor ou familiares, entre outras características que influenciaram nessa escolha.

Em um terceiro momento as perguntas analisavam o aluno já no Ensino Superior, e têm a função de mostrar as atividades que concorrem com seu tempo disponível, como trabalho, atividades esportivas, religiosas, entretenimento, e também como o aluno avalia seu desempenho e de que maneira este se justifica, por exemplo, sua base em física e matemática, aspectos relacionados aos professores e dedicação.

O questionário serviu, portanto, como recurso metodológico com o objetivo de garantir que as respostas fornecidas pelos alunos fossem mais precisas, além de permitir sintetizá-las em gráficos e percentuais para uma melhor visualização e análise dos dados. Esse método foi adequado devido à especificidade do problema, focado em uma turma em particular - a dos ingressantes em 2012, pois nos garantiu uma melhor descrição de aspectos importantes para a formação do perfil desse aluno.

Com as respostas dos alunos, foi feita uma análise quantitativa na qual observamos os fatores e os destacamos, a fim de trazer elementos que nos permitam traçar as possíveis causas do problema evidenciado. Além do

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questionário, foram utilizados dados do PET- Estatística referente aos inscritos em 2011, pois até o momento os dados dos alunos ingressantes em 2012 não estavam disponíveis para essa análise. Entretanto, dado o histórico de acompanhamento do perfil dos ingressantes na instituição, realizado há mais de 10 anos pela Estatística/UFSCar, não há, em princípio, elementos que apontem para uma mudança muito grande entre os ingressantes de 2011 e 2012.

Segundo os dados do PET - Estatística referentes a 2011, os interessados em Física obtiveram as maiores notas em matemática no ENEM e também mais de 60% deles optaram por licenciatura como segunda opção no SiSU, enquanto que 86% dos matriculados escolheram como primeira opção. A maioria dos alunos cursou inteiramente em escola pública tanto o Ensino Médio quanto o Fundamental e sem paralisações em seu estudo. Dos matriculados, 50% exercem atividade remunerada por no máximo 10 horas semanais. Ao final do primeiro semestre 23.3% dos alunos foram desligados do curso, todos pelo motivo de não aprovação em pelo menos quatro créditos no primeiro semestre do curso (mostrado na tabela 1) o que, pelas normas da instituição, leva ao desligamento do aluno. Cabe, todavia, esclarecer que isto pode tanto ter se dado pelo fato dos alunos terem parado de frequentar as aulas por terem desistido do curso, sem que tivessem oficialmente se desligado da universidade, quanto pelo fato de não terem conseguido aprovação nas disciplinas mesmo não tendo abandonado os estudos durante o semestre.

Tabela 01: Situação dos alunos após o 1º Semestre/2011

## Análise e apresentação dos resultados

A coleta de dados para a análise quantitativa teve como objetivo responder às questões associadas às razões do abandono, as causas do fraco desempenho dos alunos e características dos estudantes que favorecem ou desfavorecem a aprendizagem de física.

Os dados coletados de forma sistemática permitem a elaboração do perfil para uma análise sobre rendimento dos estudantes que ingressaram no curso de Física tanto na educação básica como agora no Ensino Superior e quais as expectativas dos alunos ao ingressarem neste curso e seus motivos.

Os dados do perfil elaborado pela Estatística/UFSCar indicam claramente a heterogeneidade existente nos ingressantes de Física, e que ao comparar seu desempenho atual no curso e sua nota do ENEM, podemos verificar que não existe ligação direta, pois alunos com o desempenho maior no ENEM, ingressantes em primeira ou segunda chamada, tem um desempenho parecido com os ingressantes de terceira e quarta chamada, mostrando que o desempenho no curso não está diretamente relacionado ao seu desempenho no vestibular.

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O questionário foi entregue na disciplina de Física Experimental A, matéria obrigatória, no dia da avaliação final e cerca de 12 alunos, dentre os 30 que compõem a turma de 2012, não responderam por estarem ausentes. Esses alunos são possíveis desistentes precoces, ou alunos que podem já ter realizado a disciplina, considerando a possibilidade de reingresso na instituição ou transferência de outra instituição, via vestibular. Esses dados coletados serão confrontados com o número de matriculados no segundo semestre, podendo verificar realmente os que abandonaram o curso.

Contudo, há aspectos bastante interessantes, já possíveis de serem destacados a partir desse primeiro questionário, referentes aos fatores que levam os alunos a buscar a Licenciatura em Física. Foi notada uma grande falta de interesse por parte dos alunos em ser professor, pois 61% (gráfico 01) responderam como irrelevante querer ser professor, o que é no mínimo curioso para um curso que tem como objetivo a formação de um educador.

Gráfico 01: Grau de relevância na escolha pela Licenciatura em Física do desejo de tornar-se professor .

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Coerentemente com os resultados encontrados em outras pesquisas, pudemos observar também no caso da UFSCar que a possibilidade de transferência para outro curso foi um fator de peso na escolha da Licenciatura em Física no vestibular: 67% (gráfico 2) dos entrevistados responderam ter sido esse um fator relevante na escolha. Tal fato mostra uma falta de interesse pelo curso. Outro fator que esclarece esse fato foi que apenas 17% disseram estar convictos quanto à escolha realizada.

Gráfico 02 - Grau de relevância na escolha pela Licenciatura em Física da possibilidade de transferência futura

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Mesmo a maioria visando transferência, o questionário nos mostrou que 66% dos alunos acharam irrelevante o fato do curso ter pouca procura, mostrando que a baixa concorrência não influenciou muito na escolha.

Foi visto que nenhum aluno exercia uma jornada de trabalho igual ou superior a 15 horas semanais, o que é algo contrário ao esperado em um curso noturno, que tem como uma de suas justificativas possibilitar a graduação para quem exerce atividade remunerada durante o dia.

## Considerações finais

- O trabalho apresentado é parte de uma pesquisa ainda em processo, pois trata-se de um projeto que visa identificar o perfil do aluno que busca a Licenciatura em Física e aspectos que favorecem sua permanência ou o abandono do curso, a partir de dados obtidos nos próximos anos.
- O que parece ser relevante para a desistência dos alunos é a dificuldade no processo de aprendizagem, pois como notamos em 2011, todos os desistentes tiveram o mesmo motivo, não atingir o mínimo de 4 créditos no semestre, aspecto já destacado em pesquisas anteriores em outras instituições.

Pode-se notar também que grande parte dos alunos considera importante a possibilidade de transferência de curso, transformando o curso em um trampolim para outro. É interessante ressaltar que a constatação de que os alunos não se sentem seguros quanto à escolha do curso de licenciatura, aliado ao fato de querer ser professor não ser relevante na escolha do curso, nos faz pensar que os estudantes têm pouca informação sobre o profissional a ser formado num curso de licenciatura e talvez o entendam como um curso com características e funções iguais aos de bacharelado. Por outro lado, causa-nos preocupação a dinâmica de escolha do curso apenas após conhecido o desempenho do aluno no ENEM. Mesmo considerando esse fator interessante na medida em que possibilita uma melhor ocupação das vagas disponíveis no ensino superior, por outro pode ser um elemento bastante prejudicial no processo formativo de profissionais em cursos de baixa demanda como é o caso das licenciaturas em Física. Esperamos, com o desenvolvimento dessa pesquisa, termos um quadro mais claro sobre os aspectos que podem favorecer a permanência do aluno no curso e assim podermos colaborar na proposição de melhorias no processo de permanência e, principalmente de formação do futuro professor de Física.

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## Referências Bibliográficas

- 1BARROSO, F. Marta; FALCÃO,B. M. Eliane; O caso do Instituto de Física da UFRJ in Anais do IX Encontro Nacional de Ensino de Física, SBF, Jaboticatuba/MG, 2004
- 2RIBEIRO, B.V. ET AL, Um estudo da evasão no curso de física na UnB, Relatório à Comissão de Graduação do IF/UnB, 2008. www.if.ufrgs.br/agenda/relatorio\_a\_comissão\_de\_graduacao.pdf . Acessado em agosto/2012
- 3CAMPOS, S.L. e GRASSI, M.F.O.M., Análise da evasão no curso de Física da UEMS, Trabalho de conclusão de curso, 2010. http://fisica.uems.br/curso/tcc2010/simone.pdf. Acessado em agosto/2012
- 4PEREIRA, L.J.M. e LIMA, M.C.A, Evasão no Curso de Física da UFMA nos primeiros perídos do curso in Anais do XVII SNEF, São Luis/ MA, 2007. www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/sys/resumos/T0361-1.pdf. Acessado em agosto/2012.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.