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CLUBE DE ASTRONOMIA DE ARARANGUÁ: A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS COMO DIVULGADORES CIENTÍFICOS

Felipe Damasio, Filipe Calado Duarte, Geison João Eusébio, Jenifer Beterti De Lima, Elis Regina Macedo, Francisca Pereira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
21/01/2013
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## CLUBE DE ASTRONOMIA DE ARARANGUÁ: A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS COMO DIVULGADORES CIENTÍFICOS

Felipe Damasio 1 , Filipe Calado Duarte , Geison João Eusébio³, Jenifer Beterti 2 de Lima 4 , Elis Regina Macedo , Francisca Pereira . 5 6

- 2 Bolsista de Iniciação à Docência (CAPES/IFSC)/wallparede@hotmail.com
- 3 Bolsista de Iniciação à Docência (CAPES/IFSC)/geisoneuzebio@gmail.com
- 4 Bolsista de Iniciação à Docência (CAPES/IFSC)/dieni91@hotmail.com
- 5 Bolsista de Iniciação à Docência (CAPES/IFSC)/eregina.objetiva@hotmail.com
- 6 Bolsista de Iniciação à Docência (CAPES/IFSC)/franciscapereiraifsc@gmail.com

## Resumo

O estudo que este trabalho relata ocorre desde 2009 no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina, campus Araranguá. Nele procura-se formar divulgadores científicos durante a formação inicial de docentes do curso de Licenciatura em Ciências da Natureza com habilitação em Física, além de promover ações de divulgação científica para o público geral da região da cidade de Araranguá por meio de um Clube de Astronomia chamado CA² (Clube de Astronomia de Araranguá). Entres as ações de divulgação científica que os licenciandos promovem estão: produção de vídeos, programas de rádio, palestras, observações noturnas, confecção e exposição de pôsteres, ensino de física para crianças, formação continuada de professores em atividades e ensino de Física regular utilizando a Astronomia como tema gerador. O trabalho de formação docente e divulgação científica do Clube fundamenta-se na Teoria da Aprendizagem Significativa, sempre procurando alcançar a pré-disposição em aprender e produzir material potencialmente significativo, as duas condições necessárias para que a aprendizagem significativa ocorra.

Palavras-chave : formação de professores, divulgação científica, Teoria da Aprendizagem Significativa.

## Introdução

No Projeto Pedagógico do Curso da Licenciatura em Ciências da Natureza com habilitação em Física do campus Araranguá do Instituto Federal de Educação, Ciência de Tecnologia de Santa Catarina (IFSC) está definido que o curso tem a finalidade de formar profissionais com ampla e sólida base teórico-metodológica para a docência na área de Ciências da Natureza e de Física no Ensino Fundamental, no Ensino Médio e na Educação Profissional de nível médio. Visando atender às necessidades sócio-educacionais em consonância com os preceitos legais e profissionais em vigor, tal formação deve incluir espaços não formais no desenvolvimento de processos pedagógicos, principalmente relacionados com o conhecimento das ciências da natureza e da Física.

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Estes espaços não formais constituem uma oportunidade de se estabelecer um meio de divulgação científica, ao mostrar aos alunos da Educação Básica e ao público em geral temas de Ciências da Natureza, abordando atividades e conteúdos a que poderiam não ter acesso de outra forma. Foi em conformidade com estes dois preceitos: o de formar professores capazes de lecionar em ambientes não-formais e professores divulgadores de ciência que o estudo relatado neste artigo foi planejado e está sendo realizado. Este relato traz a fundação de um Clube de Astronomia que tem duas missões: fazer divulgação científica diretamente ao público da região de Araranguá-SC, mas, principalmente, formar divulgadores científicos durante sua graduação em Licenciatura em Ciências da Natureza com habilitação em Física.

A divulgação científica que tratamos aqui é feita baseada em uma teoria de aprendizagem. Todas as atividades são realizadas sob o enfoque da Teoria da Aprendizagem Significativa. Assim, o Clube de Astronomia de Araranguá não faz apenas divulgação científica e procura formar divulgadores, mas também o faz baseado em uma teoria de Aprendizagem.

O presente artigo é um relato de um trabalho que ocorre há quase quatro anos no Curso de Licenciatura em Ciências da Natureza com habilitação em Física do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina, campus Araranguá. Ele envolveu sete turmas, de inicialmente trinta alunos cada, além de cerca de vinte bolsistas de iniciação à docência, cinco de iniciação científica e quatro professores da instituição.

## Fundamentação Teórica - Teoria da Aprendizagem Significativa de Ausubel

De acordo com Ausubel, a aprendizagem significativa ocorre quando uma nova informação se relaciona de alguma maneira (não literal e não arbitrária) com as informações pré-existentes na estrutura cognitiva de quem aprende. Ocorre uma interação entre a nova informação e a estrutura cognitiva do sujeito. A informação já existente na estrutura cognitiva do sujeito serve de ancoradouro para a nova informação, e a aprendizagem significativa vai ocorrer quando a nova informação se ancorar na pré-existente. A aprendizagem significativa se caracteriza por uma interação entre a nova informação e a já existente (MOREIRA, 1999).

Ausubel explicita as condições necessárias para que haja aprendizagem significativa. A primeira é que o material a ser aprendido tem que estar relacionado com o que já existe na estrutura cognitiva do sujeito. Se isto ocorrer, ele chama este material de potencialmente significativo e deve ser suficientemente não-arbitrário e não-aleatório. Além disto, o sujeito deve conhecer os conceitos necessários para que os novos conceitos do material sejam ancorados. A segunda condição para que a aprendizagem significativa ocorra, de acordo com Ausubel, é que o sujeito manifeste uma pré-disposição em aprender (MOREIRA, 2006).

Ausubel conjectura princípios aplicáveis na apresentação e na organização sequencial de um campo de conhecimento, independente de sua área. Estes princípios são chamados por ele de: diferenciação progressiva , reconciliação integradora , organização sequencial e consolidação . Ausubel também sugere uma estratégia instrucional para manipular a estrutura cognitiva do sujeito e criar condições para que a aprendizagem significativa ocorra: os organizadores prévios (MASINI e MOREIRA, 2001).

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A diferenciação progressiva é o princípio de Ausubel que sugere que as ideias mais gerais devem ser apresentadas primeiro, e só depois que estas ideias gerais são de conhecimento do sujeito é que as ideias mais específicas são apresentadas. As especificidades das ideias gerais são progressivamente diferenciadas em seus pormenores. Ausubel introduz o princípio da reconciliação integradora como o que ele chama de antítese da prática usual de separar os materiais instrucionais em tópicos ou seções independentes. A programação de conteúdo deve explorar explicitamente relações entre proposições e conceitos de forma que as diferenças e similaridades importantes fiquem claras, além de reconciliar inconsistências. Novak sugere que para que a reconciliação integradora seja atingida, deve-se organizar o conteúdo 'descendo e subindo' na estrutura hierárquica do campo conceitual à medida que cada nova informação é apresentada. Então, a abordagem ausubeliana de organização de conteúdo não é, de forma alguma, unidirecional. Quando se parte do mais geral para o específico (diferenciação progressiva) deve se fazer constante referência ao geral (MOREIRA, 2006).

Ausubel sugere que a organização sequencial disponibilize ideias-âncoras e que se tire partido das suas dependências sequenciais naturais. Ele insiste na consolidação das proposições que estão se apresentando antes que novos materiais sejam introduzidos, de forma a assegurar a aprendizagem sequencial organizada.

A principal sugestão de Ausubel para manipular a estrutura cognitiva do sujeito para facilitar a existência de condições de que ocorra a aprendizagem significativa é a estratégia chamada por ele de organizador prévio . Esta estratégia pode ser constituída por materiais introdutórios apresentados antes do material instrucional em si, em um nível alto de generalização e abstração que serve de ponte entre o conhecimento prévio do sujeito e o campo conceitual que se pretende que ele aprenda significativamente. Organizadores prévios podem ser vistos como pontes cognitivas. Eles podem fornecer ideias-âncoras relevantes no campo conceitual a ser introduzido. Ele pode servir de ponto de ancoragem inicial quando o sujeito não possui os conceitos necessários para que a aprendizagem significativa ocorra. Sua principal função é a de mostrar ao sujeito a relação entre o conhecimento que ele já tem e os novos que se irão apresentar em seguida. Eles podem resgatar o conhecimento esquecido através do processo que Ausubel chamou de assimilação obliteradora (MOREIRA, 2008).

## Clube de Astronomia de Araranguá

Com a missão de promover a divulgação científica, formar divulgadores e fazer isto de acordo com a Teoria da Aprendizagem Significativa foi fundado em Araranguá o CA² - Clube de Astronomia de Araranguá, que tem o logotipo reproduzido na Figura 1. O clube envolve vinte e cinco bolsistas e quatro professores do curso de Licenciatura em Ciências da Natureza com habilitação em Física. Além de quatro projetos de pesquisa aprovados e financiados pelo CNPq. Mas todos os alunos do curso são envolvidos, durante as cadeiras regulares do curso chamadas de 'Projetos Integradores' nos quatro primeiros semestres. Nestas unidades curriculares os professores abordam divulgação científica fundamentada na Teoria da Aprendizagem Significativa.

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Figura 01: Logotipo do Clube de Astronomia de Araranguá - os números acima são as coordenadas da cidade

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## A formação inicial de docentes como divulgadores científicos

A formação de professores, como também divulgadores científicos, foi realizada com a orientação pelos professores do curso de Licenciatura de como organizar atividades de divulgação científica fundamentadas na Teoria da Aprendizagem Significativa. Assim, as atividades do clube, todas planejadas e executadas pelos alunos licenciandos, iniciavam com um organizador prévio para, também, tentar criar uma pré-disposição em aprender. A seguir, atividades potencialmente significativas eram organizadas respeitando os princípios da diferenciação progressiva, reconciliação integrativa, consolidação e organização sequencial. O que os alunos procuram com estas atividade é criar um ambiente de que conte com as duas condições preconizadas por Ausubel para que a aprendizagem significativa ocorra: pré-disposição em aprender e material potencialmente significativo.

Os alunos regulares sem bolsa são envolvidos no CA² nas cadeiras chamadas de 'Projetos Integradores'. Já os bolsistas trabalham em diversos projetos, todos com o objetivo de divulgar ciência fundamentada com a Teoria da Aprendizagem Significativa.

Um primeiro projeto aprovado pelo CNPq, como parte das comemorações do Ano Internacional da Astronomia em 2009, chamava-se 'Ciência Massa'. Neste projeto, que ocorreu entre 2009 e 2010, os licenciandos tinham aulas de temas de Astronomia dentro do IFSC. A partir destas aulas preparavam atividades para serem apresentadas em escolas e no Centro Cultural da cidade. Estas atividades eram palestras, exposição de pôsteres, observação noturna e construção de experimentos de baixo custo, como o do telescópio caseiro e do periscópio. O relato deste projeto específico foi publicado em 2012 (DAMASIO, ALLAIN e EUZÉBIO, 2012).

Atualmente existem três projetos com bolsistas do CNPq. Um deles se chama "Clube de Astronomia de Araranguá: veículo de ensino, pesquisa e extensão do IFSC por meio da divulgação científica". Neste projeto os dois bolsistas são responsáveis por criar, organizar e incorporar outros licenciandos nas atividades de divulgação científica para o público geral que serão descritas na próxima lauda.

Outro projeto se chama "Ondas da Ciência: divulgação científica fundamentada na Aprendizagem Significativa". O bolsista é responsável por estudar temas, fazer roteiros e gravar programas de rádio. Estes programas de rádios têm dois objetivos: serem veiculados pelas rádios parceiras e servirem de organizador prévio para as aulas de Física que abordem Astronomia (Figura 2 (a)).

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Já os dois bolsistas do projeto "Aprendizagem Significativa Crítica e estratégias de ensino: explorando os princípios e potencialidades das práticas" tem a tarefa de elaborar roteiros de vídeo fundamentados nos princípios da Teoria da Aprendizagem Significativa Crítica. Esta tarefa é continuidade de outro projeto que produziu vídeos para divulgação científica de radioatividade para serem organizadores prévios em cursos de formação continuada de professores.

Além disto, os bolsistas de iniciação à docência, que são vinte, estão todos envolvidos com divulgação científica fundamentada na Teoria da Aprendizagem Significativa. Mais especificamente com o clube estão ligados os cinco bolsistas na Escola de Educação Básica Neusa Ostetto Cardoso, uma escola localizada em uma das regiões mais carentes de Araranguá.

O projeto desenvolvido na EEB Neusa Ostetto Cardoso se chama 'Porta da Ciência'. Ele envolve alunos que estão repetindo alguma série do Ensino Fundamental e que são colocados em uma mesma sala. Os objetivos são, em primeiro lugar, oferecer as duas condições necessárias para que a aprendizagem significativa ocorra e, como objetivo maior, promover a inserção social e educacional destes estudantes, possibilitando que estes tenham formação profissional antes não vislumbrada por eles.

O organizador prévio foi um evento que conta com os cinco bolsistas no 'Memorial da Cidade Quadrante Solar'. Quando chegaram à praça, os alunos foram divididos em cinco grupos, cada um monitorado por um bolsista, que, com uso de cartazes, abordou temas relativos ao memorial. O organizador prévio, então, era composto de uma visita guiada pelo memorial, onde os alunos da Educação Básica se dividiam em grupos que tratava de temas diferentes. Após terminar uma das atividades, iam para outra, monitorada por outro bolsista. O organizador prévio terminava quando cada estudante já havia visitado cada uma das cinco atividades (Figura 2 (b)).

(a) (b)

Figura 02: projetos que buscam formar divulgadores científicos durante a formação inicial

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Após as ações que classificamos como organizadores prévios, ocorreram as atividades planejadas para serem potencialmente significativas dentro da escola. A organização dos conteúdos aplicados no curso de extensão teve seu foco voltado para a Astronomia, mas abordava também temas de física geral e estavam organizados de acordo com os princípios da Teoria da Aprendizagem Significativa. Outro ponto que cabe destacar deste projeto é que os bolsistas de iniciação à docência incentivam os estudantes da Educação Básica a se inscreverem nos cursos técnicos do IFSC ao fim do ano, oportunidade antes ignorada por eles. Esta é uma oportunidade de ter formação técnica e entrar no mercado de trabalho

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qualificado e com melhores salários, o que não é comum ocorrer no bairro onde se localiza a EEB Neusa Ostetto Cardoso.

Além dos projetos integradores, dos projetos fomentados pela CNPq e dos bolsistas de iniciação à docência, outra ação do Clube de Astronomia de Araranguá é a pesquisa destinada aos Trabalhos de Conclusão de Curso. Atualmente, os professores ligados ao Clube orientam dois trabalhos com o objetivo de divulgar ciência visando a aprendizagem significativa. Um deles se chama 'O ensino de Física no início do Ensino Fundamental orientado pela Teoria da Aprendizagem Significativa'. Nele a licencianda estuda formas de abordar a ciência do céu com alunos de seis e sete anos. Para tanto, ela utiliza vídeos como organizadores prévios e realiza diversos experimentos para tentar despertar a pré-disposição em aprender. Depois prepara material potencialmente significativo para as aulas expositivas e dialogadas com as crianças.

Outro Trabalho de Conclusão de Curso em andamento orientado por professores do CA² é o chamado de 'Formação inicial e continuada de professores para o ensino de Astronomia'. Nele o licenciando procura formas de preparar aulas e material para motivar professores em formação ou em atividade para abordar Astronomia nas aulas de Física orientado pela Teoria da Aprendizagem Significativa.

## Ações de divulgação científica realizadas pelos alunos para o público geral

Todas as ações de divulgação científica realizadas pelos alunos buscam a indissociabilidade entre pesquisa, ensino e extensão. O Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) do IFSC, de novembro de 2009, ressalta que cada uma destas atividades, mesmo que possa ser realizada em tempos e espaços distintos, tem um eixo fundamental: constituir a função social da instituição de democratizar o saber e contribuir para a construção de uma sociedade ética e solidária. Logo, segundo o PDI, no que diz respeito à ideia de indissociabilidade, é necessário compreender que o ensino não se resume em compartilhar saberes já produzidos. Se o professor e o aluno forem sujeitos ativos no processo de ensino e aprendizagem, o espaço acadêmico será, também, um espaço para produzir novos saberes, evidentemente, considerando as possibilidades de cada momento do percurso formativo.

Então, como parte da formação destes futuros docentes está a busca por realizar divulgação científica, mas antes eles têm que pesquisar como fazê-la. Tais atividades são realizadas por meio de atividades de extensão, que são por si só atividades de ensino. No entanto, antes de realizar as atividades de extensão/ensino, os licenciandos devem pesquisar como fazer isto de acordo com a Teoria da Aprendizagem Significativa de Ausubel.

São diversas ações já realizadas e algumas que estão em desenvolvimento. Todas as atividades envolvem o curso de Licenciatura do IFSC de Araranguá, mas está em processo inicial a participação do curso de Licenciatura em Matemática do Instituto Federal Catarinense, campus Sombrio.

Entre as ações já realizadas estão observações noturnas com telescópios, durante as quais os alunos divulgam os eventos e recebem visitantes. Além das observações em si, apoiadas por telescópios com computadores portáteis e software adequado, os alunos são preparados para dar explicações aos visitantes sobre as questões levantadas durante as observações. Desse modo, as observações tornam-

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se um organizador prévio na expectativa de que este público geral desperte uma pré-disposição em aprender Física, em especial Astronomia.

- O material potencialmente significativo é oferecido durante o curso de extensão 'As portas da Astronomia' que é desenvolvido e ministrado pelos próprios licenciandos. Todo este curso aborda assuntos respeitando a diferenciação progressiva, ou seja, começando dos conceitos mais gerais para os mais específicos. Além de sempre procurar fazer a reconciliação integrativa, consolidação e organização sequencial. São oito encontros, que abordam, na sequência: história da Astronomia, Universo, Galáxias, Sistema Solar, Estrelas, Luas e corpos menores, Telescópios e oficina de Stellarium e observação. Para promover a organização sequencial, ideias-âncoras são lançadas e revistas durante todo o encontro presencial.

Os alunos utilizam este material produzido para o clube e ministram palestras a estudantes da rede pública visando a Olimpíada Brasileira de Astronomia. Estas palestras se realizam no teatro municipal da cidade de Araranguá. As mesmas palestras também ocorrem nas próprias escolas, bastando para isto que os professores as solicitem ao clube. Quando realizadas nas próprias escolas, os alunos levam também uma mostra de pôsteres que ficam em exposição no pátio da escola durante o ciclo de palestras que os licenciandos realizam. Toda a produção dos pôsteres foi feita pelos próprios alunos visando despertar a prédisposição em aprender dos alunos para as palestras.

Uma ação em curso é a criação de uma hipermídia com todo o material produzido para o curso de extensão 'As portas da Astronomia'. Nesta hipermídia vai apresentar, além dos textos, animações em flash e java , jogos interativos e recomendações de livros e páginas na rede mundial de computadores que tenham mais informações. Além de toda a programação de cursos, palestras e observações do clube.

Material impresso também está sendo confeccionado para distribuição ao público em formatos diferentes: como material de apoio ao curso de extensão que é detalhado e como apoio a palestras e observações com informações mais resumidas.

Outros projetos em andamento são a produção de vídeos para serem organizadores prévios dos cursos de extensão e programas de rádio com o mesmo objetivo. Além de servirem de organizadores prévios, estes programas em vídeo e áudio serão divulgados na rede mundial de computadores e na mídia local, como já ocorreu na divulgação científica de radioatividade que teve seus programas de rádio veiculados pelas rádios Transamérica e Araranguá AM.

## Considerações finais

Divulgação, de acordo com Germano e Kulesza (2007), é o ato de tornar conhecido, propagar, difundir, publicar ou, ainda, fazer-se popular. Não existem fórmulas prontas para fazer divulgação científica. Uma sugestão de como deve ser feita é dada por Jacobucci et al (2008). Ela deve conter aspectos históricos, culturais e principalmente questões do cotidiano das pessoas. E acrescentamos a isto que o ato de fazer divulgação científica deve ser orientado por uma teoria de aprendizagem.

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O trabalho descreveu a formação de divulgadores científicos durante a sua formação inicial como docentes em Ciências da Natureza por meio de um Clube de Astronomia. Também evocou as ações que eles já fazem com o intuito de divulgar Ciência com aspectos históricos, culturais e questões do seu cotidiano e orientados pelo teoria da aprendizagem significativa de Ausubel.

A justificativa para que professores de ciências sejam, também divulgadores científicos, pode ser encontrada na obra de Jonnaert et al (1996) quando analisa as escalas temporais definidas por Vergnaud. Existem dois tempos: um curto durante a relação didática no qual os alunos têm uma relação fraca com o saber (onde atua o professor/divulgador) e um longo da psicogênese do conhecimento que pode se estender por anos. Como, dificilmente, durante a atuação do professor/divulgador, os alunos terão condições de aprender os conceitos abordados, o papel desempenhado pelos licenciandos é o de começar o processo da psicogênese dos alunos. Desta forma, o objetivo principal não é o de ensinar conceitos, mas o de criar as condições para que eles sejam aprendidos durante o que Vergnaud chamou na sua escola temporal de tempo longo.

Os resultados já alcançados apontados acima motivam a continuar fazendo este trabalho de formação de divulgadores científicos. Os licenciandos se envolvem no curso e se sentem cada vez mais motivados a continuar na carreira docente.

## Referências

DAMASIO, Felipe; ALLAIN, Olivier; EUZÉBIO, Geison João. O uso da exposição "Ciência Massa" como atividade não formal para a formação de professores licenciandos em Ciências da Natureza. Ciências &amp; Cognição , vol. 17, n. 2, p. 185-205.

GERMANO, Marcelo G.; KULESZA, Wojciech A. Popularização da ciência: uma revisão conceitual. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , vol.24, n. 7, p.725, 2007.

JACOBOCCI, Daniela, F.C. et al. A DICA chegou! Centro de Ciências da Universidade Federal de Uberlândia: propostas, percepções dos docentes e preceptivas. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , vol. 25, n.2, p.354-367, 2008.

JONNAERT, Philippe et al. Dévolution versus contre-dévolution! Un Tandem Incontournable pour contrat didactique. In: RAISKY, Claude; CAILLOT, Michel (org). Au-delà des didactique: débats autour de concepts fédérateur . Belgium: De Boeck &amp; Larcier S.A., 1996, 278p.

MASINI, Elcie F. Salzano; MOREIRA, Marco Antonio. Aprendizagem Significativa . São Paulo: Editora Centauro, 2001.

MOREIRA, Marco Antonio. Aprendizagem Significativa . Brasília: Editora UnB, 1999. 130p.

MOREIRA, Marco Antonio. A teoria da aprendizagem significativa e sua implementação em sala de aula . Brasilía: Editora UnB, 2006.

MOREIRA, Marco Antonio. Organizadores Prévios e Aprendizagem Significativa. Revista Chilena de Educación Científica , v.7, n.2, p. 23-30, 2008.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.