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A UTILIZAÇÃO DA OBA COMO FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM DE ASTRONOMIA EM ESCOLAS PÚBLICAS DE UBERABA: UM RELATO DA EXPERIÊNCIA DE LICENCIANDOS DE FÍSICA.

Laura P. Lacerda, Antônio L. Ferreira Junior, Arthur P. Alves, Gustavo S. Gomes, Helenice Miranda Oliveira, Isadora M. C. A. Menezes, Rodrigo B. Palis, Nilva L. L. Sales, Marcos Dionízio Moreira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
21/01/2013
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A UTILIZAÇÃO DA OBA COMO FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM DE ASTRONOMIA EM ESCOLAS PÚBLICAS DE UBERABA: UM RELATO DA EXPERIÊNCIA DE LICENCIANDOS DE FÍSICA.

Laura P. Lacerda¹, Antônio L. Ferreira Junior¹, Arthur P. Alves¹, Gustavo S. Gomes ¹ , Helenice Miranda Oliveira¹, Isadora M. C. A. Menezes , Rodrigo B. ¹ Palis¹, Nilva L. L. Sales , Marcos Dionízio Moreira². ²

¹ PIBID/Curso de Graduação em Física-Licenciatura/UFTM, laura\_lacerda@terra.com.br ² Departamento de Física/UFTM, nilva@fisica.uftm.edu.br

## Resumo

Astronomia é um tema interessante e antigo que é estudado até hoje e ainda há muito a ser esclarecido e descoberto, entretanto, não se trata de um tema comum na formação de alunos ou até mesmo de professores. O subprojeto de física do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência)-UFTM-2011 de Uberaba-MG se preocupou em, juntamente com os professores do Ensino Médio das duas escolas parceiras, em transmitir alguns conteúdos recorrentes do tema para os alunos e professores das escolas, com o intuito de preparar os alunos interessados para a Olimpíada Brasileira de Astronomia e incentivar o estudo do tema. Por meio deste trabalho, que relata a primeira experiência deste grupo com a inserção da astronomia no Ensino Médio, narramos as expectativas, dificuldades e contratempos que encontramos durante o processo de preparação e apresentação das aulas por nós ministradas, e o que foi assimilado com essa troca de experiências entre pibidianos, professores supervisores do projeto e até mesmo com os alunos das escolas.

Palavras-chave : Olimpíada de Astronomia; PIBID; Formação de professores

## PIBID na UFTM

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID/UFTM) existe desde 2009 e abrange os alunos dos diversos cursos de licenciaturas da UFTM. Em 2011, foi aprovada a segunda edição do projeto, da qual fazemos parte, que tem como objetivos a inserção dos licenciandos na realidade escolar, favorecimento da educação básica, a valorização do docente e a contribuição com inovações metodológicas aprendidas nos seus cursos em troca da experiência didática dos professores supervisores. Conforme o Projeto Institucional:

Esse é o desafio que a Universidade Federal do Triângulo Mineiro deseja e se sente preparada para atender ao apresentar mais esta proposta a CAPES: o da habilidade de desenvolver - de forma interdisciplinar programas sólidos e eficientes que contribuam para a formação inicial de seus alunos, futuros e/ou já professores da educação básica. Ao articular produção acadêmica e formação de professores, a UFTM contribui para que todos -inclusive a própria universidade -adquiram uma visão caleidoscópica e não unilateral da educação, sendo capazes de refletir sobre suas ações práticas para reestruturá-las ao ponto de suscitar transformações contínuas. (Projeto Institucional PIBID-UFTM 2011)

## Subprojeto de Física

O subprojeto de Física, atualmente faz parceria com duas escolas estaduais de Uberaba através da atuação conjunta com professores de física destas, aqui chamados de supervisores. A proposta desse subprojeto é levar conteúdos de Física

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Moderna e Contemporânea e introduzir a História da Ciência na discussão de temas de Física para os alunos do Ensino Médio (EM), visto que esses são temas interessantes e importantes, porém pouco discutidos nas salas de aula por falta de tempo e/ou preparo do professor. Entre os tópicos que permitem a utilização destas abordagens estão os temas de Astronomia, que é o foco deste relato. Como a Astronomia não costuma ser discutida nas aulas regulares de Física do Ensino Médio, o subprojeto de Física propôs incentivar os alunos das escolas parceiras a participarem da Olimpíada Brasileira de Astronomia oferecendo aulas sobre os temas dessas provas. Assim, preparando essas aulas em parceria com os professores supervisores pretende-se alcançar uma das metas do subprojeto que é:

(...) de tanto contribuir com boa formação do bolsista licenciando através do seu amadurecimento profissional, como contribuir para a atualização do professor supervisor permitindo que ele possa de fato inovar em suas aulas de física. (Subprojeto de Física PIBID 2011)

## A OBA, sua história e características

A OBA (Olimpíada Brasileira de Astronomia), realizada desde 1998, é aberta a todas as escolas, sendo elas particulares, públicas, rurais ou urbanas. O principal objetivo da OBA é desenvolver o interesse dos alunos pelo estudo da astronomia, por esta razão, sua prova é um tanto democrática, pois todos os participantes ganham certificados e os melhores colocados ganham medalhas:

Premiação nacional - Medalhas: A CO/OBA depois de receber todas as listagens com os nomes e notas dos participantes vai relacionar, por ordem decrescente, as notas dos quatro níveis separadamente. Serão enviados, no final do mês de outubro ou início de novembro, certificados para todos os alunos participantes. Serão distribuídas, entre os quatro níveis, aos alunos de maiores notas, a nível nacional, cerca de 30.000 medalhas, entre ouro, prata e bronze. (Regulamento da OBA) 1

Tal atitude permite premiar um grande número de alunos ao longo do país e com isso motivá-los a continuar participando dessa olimpíada, assim como estimular outros colegas a fazê-lo. A prova é estruturada com diversas questões abertas e algumas fechadas referentes à astronomia, astronáutica e energia.

## Proposta do PIBID-Física na realização da OBA

O ensino de Astronomia deveria estar mais frequente no decorrer do EM, no entanto sua inclusão tende a ser descartada ou substituída por temas mais recorrentes em provas de vestibulares, deixando esse cargo para atividades desenvolvidas paralelas às disciplinas do ano letivo. 'Astronomia não é um tópico naturalmente presente nos planejamentos de Física do EM. Por isso a proposta é levar esse conteúdo através do incentivo para participação dos alunos na Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA)' (FERREIRA JR et al; 2012. p. 3-4). Outro fator impeditivo para a inserção de Astronomia no EM é a dificuldade de totalizar o currículo devido à carga horária deficiente. Em contrapartida, Gomide e Longhini (2011) apontam que no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), no período de 1998 a 2008, cerca de 4,6% das questões possuem temas de Astronomia, corroborando assim com a necessidade de incluir a Astronomia no EM.

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A falta de preparo dos professores do EM no tema é também uma razão que dificulta a entrada da astronomia nas aulas regulares de Física (VOELZKE&GONZAGA, 2011), o que também é relatado pelos supervisores desse subprojeto. Isto decorre pelo fato 'dos cursos que formam esses professores falham no preparo de seus estudantes para o ensino de Astronomia' . 2

Foi neste cenário que o subprojeto PIBID-Física decidiu atuar pretendendo oportunizar aos licenciandos e supervisores a experiência de planejar, elaborar e ministrar um curso com temas de Astronomia. Neste momento o objetivo principal foi inserir os pibidianos nesse processo para que vivenciassem os desafios dessa tarefa para em outro momento aprofundar a reflexão e discussão sobre a problemática de levar astronomia para o Ensino Médio.

Desta forma, para este trabalho, foi proposto que ficássemos responsáveis pela organização da OBA nas escolas parceiras, incluindo um curso preparatório para os alunos interessados. Como as escolas nunca haviam participado das olimpíadas, nos encarregamos de auxiliá-las em todas as etapas, desde a inscrição à realização das provas. Isso nos permite conhecer todo o processo de trazer a OBA para uma escola pública.

Como a OBA também era novidade para os alunos, organizaríamos aulas introdutórias para eles. Porém antes de iniciá-las, nós elaboraríamos um pré-teste com questões abertas e fechadas que após uma análise, nos apresentaria um panorama dos conhecimentos prévios deles sobre o tema. Isso nos auxiliaria na escolha dos temas e elaboração das aulas. Em seguida apresentaríamos aulas expositivas e lúdicas aos alunos interessados e a prova seria, assim como as aulas, aplicada na Universidade.

Ficaríamos responsáveis também em auxiliar os alunos com as atividades práticas propostas pela organização da OBA, que consistia em: localizar alguns astros pré-determinados em uma observação a olho nu do céu, determinar o meio dia solar verdadeiro e a direção cardeal norte-sul corretamente; construir um relógio solar. Foi proposto também que montássemos um foguete referente à VI Mostra de 3 Foguetes.

## Desafios e dificuldades encontradas.

Em outro momento desse subprojeto do PIBID, já havíamos trabalhado com aulas no ambiente da Universidade para os alunos interessados. Naquela ocasião os temas das aulas eram bem definidos, como por exemplo, circuitos elétricos em série e paralelo e radioatividade. Cada pibidiano ficou responsável em montar uma aula com um desses temas pré-determinados pelos professores coordenadores do subprojeto. Entretanto, para a OBA a responsabilidade era organizar um minicurso, o que envolvia a escolha dos temas, a distribuição destes entre nós, a definição da sequência de apresentação e a implementação dos mesmos. Ou seja, teríamos maior autonomia e consequentemente maior responsabilidade neste momento. Para

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a escolha dos temas, analisaríamos as provas anteriores à edição de 2012 da OBA. Optamos por desenvolver as aulas em duplas, sendo que cada dupla prepararia e apresentaria dois temas entre os escolhidos, o que daria um total de oito temas.

No desenvolvimento das atividades previstas, ocorreram nossos primeiros problemas: subestimamos o tempo que seria necessário para a preparação das aulas e tivemos alguns problemas como falta de comunicação com os demais membros do grupo e com os professores supervisores e coordenadores. Tudo isso acabou gerando confusão e um pequeno atraso no planejamento inicial. Acreditamos que isso esteve relacionado com a nossa inexperiência tanto no planejamento de uma atividade longa como esta, assim como no trabalho em uma equipe maior, já que éramos oito alunos.

Pelo planejamento inicial, nossa primeira tarefa era elaborar uma avaliação diagnóstica para levantar as concepções dos alunos sobre astronomia. Inicialmente pensamos em utilizar algumas questões de provas antigas da OBA, para esse préteste. Entretanto, após termos esse pré-teste em mãos, chegamos à conclusão de que ele apresentava um nível de dificuldade alto e já que muitos tiveram pouco contato com a Astronomia poderia desmotivar os alunos. Assim, acabamos por escolher questões que encontramos na literatura (LONGHINI & MORA; 2010) e que julgamos mais adequadas para o nosso objetivo. Contudo essas questões eram fechadas e com enunciados diretos, muito diferente das questões da OBA. Por isso mudamos os enunciados e transformamos algumas questões em discursivas para termos um instrumento mais próximo do que esperávamos. Talvez este tenha sido um ponto em que pecamos, pois ao utilizar questões muito simples ou de conhecimentos muito elementares de astronomia, a análise do mesmo qualificava os alunos como conhecedores dos temas apresentados. O que não se mostrou verdadeiro no decorrer das aulas.

Para a escolha dos temas que utilizaríamos nas aulas, nos baseamos também em um trabalho de Langhi (2011), já estudado em reuniões do PIBID/Física, que faz um apanhado dos erros mais frequentes sobre astronomia, e em temas já abordados em antigas provas da OBA. Sendo assim, ficamos com: Fases da Lua e eclipses; Dimensões e movimentos; Estrelas; Estações do ano; Lançamento Oblíquo e de foguetes; Planetas; Leis de Kepler; Gravitação.

Esses temas, além de serem presentes nas provas da OBA e em textos que apontam concepções ingênuas de astronomia (LANGHI; 2011) também são recorrentes em trabalhos que apresentam cursos de astronomia em diferentes contextos (LUCAS e SOARES; 2007, PEIXOTO e RAMOS; 2011, VOELZKE e ALBRECHT; 2011).

## Estrutura das Aulas 4

Para organizar as aulas, houve a preocupação em sintetizar o conteúdo para que o mesmo ficasse da forma mais compreensível e adequada ao tempo disponível para a execução. Nessa montagem, tivemos alguns imprevistos, contratempos e também acertos e ganhos, conforme relatamos a seguir.

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Na estruturação da aula sobre fases da Lua e Eclipses a dupla escolheu utilizar um experimento que permitisse uma visualização das fases da Lua, pois apesar de parecer um tema simples, ele gera muitas dúvidas (PEIXOTO e RAMOS, 2011). Esse experimento consistia no uso de uma caixa de papelão muito escura por dentro, iluminada por uma lanterna em uma das laterais (para representar o Sol) e havia uma bolinha de isopor dependurada no centro (representando a Lua). A caixa possuía um pequeno furo em cada lado, por onde o aluno poderia ver o brilho do 'Sol' refletido na 'Lua' e identificar as suas fases. Os pibidianos construíram poucos experimentos, entretanto eles contornaram a situação reorganizando a dinâmica da atividade. A sala foi dividida em 6 grupos de acordo com as filas de carteiras em que cada aluno se encontrava sentado, e fazendo um movimento rotacional em torno dos experimentos. Além do experimento a dupla também utilizou vídeos disponíveis no site da NASA para facilitar a aprendizagem dos alunos sobre o tema em questão. Os alunos se mostraram bem interessados e tiveram uma boa interação com o tema e com o experimento, e podemos dizer que, apesar de algumas falhas de organização, a aula foi satisfatória.

No planejamento da aula sobre dimensões e movimentos de rotação e translação de planetas do Sistema Solar, pensamos inicialmente em utilizar uma didática que mesclasse o uso da lousa, slides e uma atividade lúdica. A proposta era permitir que os alunos participantes pudessem interagir entre si, utilizando esferas e trena, e que pudessem se familiarizar com as proporções das dimensões e distâncias entre os astros do Sistema Solar. Aqui é importante informar que as aulas foram apresentadas para duas salas, uma com 30 e outra com 60 alunos, o que obviamente interferiu no andamento da aula. Na sala menor, a aula fluiu com tranquilidade e houve tempo suficiente para discutir todo o conteúdo previsto, esclarecer algumas dúvidas e aplicar a proposta lúdica. Na outra sala a atividade transcorreu de forma mais lenta, devido à quantidade maior de alunos e de dúvidas que surgiram no decorrer da apresentação. Isso restringiu um pouco o tempo para a atividade lúdica, por isso foi feita apenas uma pequena atividade rápida para que os alunos pudessem vislumbrar a distância entre os astros, como o Sol e a Terra.

Na organização da aula sobre lançamento oblíquo a falha na comunicação com os professores supervisores se mostrou um problema, pois acabamos por superestimar o conhecimento dos alunos sobre cinemática. Vale lembrar que as aulas eram abertas para alunos de 1ª, 2ª e 3ª séries do EM. Apenas na prévia, que aconteceu na véspera da aula, descobrimos que grande parte deles ainda não havia estudado sobre Movimento Retilíneo Uniforme e Queda Livre. A junção do desnível de conhecimento dos alunos, com a inexperiência do pibidiano responsável pela aula, e o planejamento inadequado acarretaram um resultado não satisfatório. Aqui ficou claro para os pibidianos envolvidos com esse tema a importância de identificar o perfil de conhecimento dos alunos para adequar melhor a sua aula para a turma.

Ao organizar a aula sobre Planetas buscamos levantar os dados mais pertinentes sobre os mesmos. Para isso pesquisamos em alguns sites de astronomia 5 e também utilizamos material de cursos já ministrados pelos coordenadores deste projeto. Após a montagem realizamos uma aula prévia, com a presença dos professores coordenadores e supervisores, que opinaram para deixála mais sucinta. Com isso esperava-se que houvesse tempo para apresentar as

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informações e também para que os alunos participassem da aula. Como esperado, o assunto despertou interesse muito grande por parte dos alunos que interagiram, fazendo com que nossa aula concluísse de maneira satisfatória.

A aula sobre estações do ano foi pensada de modo a desmistificar determinadas concepções alternativas e de senso comum, como por exemplo, afirmar que é inverno ou verão por que a Terra esta mais longe ou perto do Sol. O pré-teste mostrou que a maioria dos alunos apresentava essa concepção incorreta. Assim como na aula sobre dimensões do Sistema solar, aqui também utilizamos tanto o quadro negro como slides. Nessa atividade também utilizamos um globo terrestre e uma lanterna para simular um feixe de raios solares incidindo em determinada área da Terra e com isso explicitar que a variação de temperatura ocorre devido a diferentes inclinações com que os raios solares incidem na Terra. Também mostramos aos alunos que cada planeta de nosso sistema solar possui uma obliquidade específica que possibilita ou não de conter estações bem distintas como na Terra. Os participantes ficaram mais intrigados com o planeta Urano, que possui uma obliquidade próxima a 90 graus. Também procuramos desmistificar que as estações do ano sempre começam nas mesmas datas. Isso porque o tempo total da translação da Terra é ligeiramente maior que o nosso 'ano' . Houve uma 6 interação entre os alunos, que fizeram muitas perguntas aos pibidianos, principalmente sobre movimento de precessão da Terra que foi uma novidade para eles.

Na estruturação da aula sobre Estrelas foi feito, a priori, uma pesquisa inicial nas antigas provas da OBA procurando observar qual assunto específico do tema era mais frequente. A partir dessa breve análise escolhemos abordar a evolução das estrelas. Um ponto de dificuldade na montagem da aula foi a pesquisa de um bom material de apoio. Até porque esse também era um assunto novo para nós pibidianos. Assim, após a elaboração de uma sequência de slides para a aula apresentamos uma prévia para os coordenadores. Esta foi uma etapa importante para reavaliar e readequar a aula deixando-a melhor estruturada, mais clara e com embasamento científico consistente. Apesar da insegurança do pibidiano responsável pela aula, por se tratar de um tema totalmente novo para os alunos, a aula foi satisfatória, pois despertou o interesse dos alunos, sobretudo, durante a atividade prática da observação noturna do céu que ocorreu na mesma noite.

A última aula de cunho teórico foi sobre as leis de Kepler e gravitação. Esse tema também teve sua dificuldade particular devido à complexidade do assunto. Tentamos apresentar esse conteúdo da forma mais clara e objetiva, sem aprofundálo demais, considerando que havia na sala alunos das três séries do ensino médio com níveis de conhecimento diferentes. Aqui ficou claro para nós que os alunos apresentavam dificuldade com o uso de ferramentas matemáticas.

Pensando na preparação dos alunos para realizarem a OBA, decidimos que o último dia seria direcionado à resolução de exercícios algébricos retirados de provas antigas da OBA. Selecionamos exercícios relativos aos temas abordados com diferentes níveis de complexidade que iram do simples uso de regra de três até as mais complexas sobre leis de Kepler e gravitação. O principal intuito desta aula

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foi apresentar a estrutura da prova da OBA aos alunos e ressaltar a importância de uma leitura atenta das questões. Já que estas normalmente, por serem contextualizadas, apresentam enunciados longos que costumam trazer informações importantes para sua resolução.

Além das aulas teóricas descritas acima, também deveríamos realizar as atividades práticas propostas pela comissão organizadora da OBA. Mais uma vez nossa inexperiência nos causou alguns problemas organizacionais. Além disso, para a atividade de observação noturna do céu dependíamos de boas condições climáticas. Infelizmente, no período ideal de observação, o céu estava nublado o que nos fez adiar a atividade em algumas semanas e com isso perdemos a chance de localizar alguns astros importantes. Já a atividade de construção do relógio de sol foi realizada conforme o esperado, ou seja, dentro do prazo previsto e com tempo suficiente para todos os alunos pudessem construí-lo e interpretá-lo. Contudo não houve tempo para acompanhar os alunos na determinação do meio-dia solar e direção norte-sul. Apenas os orientamos a fazê-lo em casa. Por fim, a atividade com o foguete também não foi realizada por falta de tempo. Mas isso não foi um problema, pois essa atividade dizia respeito à parte de astronáutica, que não era nosso principal objetivo neste trabalho.

## Considerações finais

Podemos concluir, a partir dos resultados deste trabalho, que o cotidiano da sala de aula necessita de um bom planejamento e conhecimento do perfil dos alunos. Desta forma, compreendemos que cada realidade demanda esforços e preparações específicas para conseguirmos os resultados almejados com relação ao ensino. Ou seja, no trabalho docente uma boa gestão do tempo é tão importante para um bom resultado quanto possuir um bom conhecimento do tema a ser abordado.

Além disso, retificamos o que já está no senso comum do ensino de astronomia: que apesar do interesse que costuma despertar, esse não é um tópico inserido na grade curricular das Escolas parceiras do PIBID, como na maioria das escolas brasileiras. A sua inclusão, assim como ocorreu em nosso relato, é feita de forma complementar ao planejamento regular de física. Aqui utilizamos a OBA como motivação para trazer os alunos para as aulas. Contudo, acreditamos que esse tema deveria estar nas aulas regulares, assim como já é proposto nos PCN+. Por esta razão pretendemos dar continuidade a esse trabalho, mas agora ampliando o nosso olhar para além da mera aplicação de um curso preparatório para a OBA. Afinal concordamos com a proposta dos PCN+ de inserir temas de astronomia nas aulas regulares. Mas essa proposta pede uma reflexão maior sobre como articular a inserção desse tema dentro da atual estrutura curricular. Assim, para a próxima aplicação desse trabalho pretendemos fazer uma cuidadosa revisão da literatura de Educação em Astronomia e discutir com os supervisores e coordenadores sobre as possibilidades e dificuldades de levar a astronomia para a sala de aula.

Por fim, ressaltando a importância para a nossa formação docente, que é um dos principais objetivos do PIBID, acreditamos que essa atividade foi muito enriquecedora. Isso porque além da oportunidade de vivenciar a rotina docente com o planejamento de aulas e o contato com os alunos, também experimentamos os desafios da inserção de um tema pouco presente nas aulas. Consideramos também que concluímos satisfatoriamente nosso trabalho uma vez que cumprimos

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praticamente todas as etapas propostas para esse trabalho. Deixamos apenas algumas tarefas para trás, o que não trouxe nenhum grande prejuízo, já que eram atividades secundárias. Assim podemos dizer que apesar de alguns contratempos e com muito trabalho, fomos capazes de aprender um pouco sobre como realizar um trabalho em grupo, que deixar as tarefas para 'última hora' acaba gerando confusão e as atividades não são realizadas como previsto. Percebemos a importância de sempre ter um segundo plano, afinal, quando estamos diante de uma sala dependemos de muitos fatores e nem sempre conseguimos prever o resultado, e isso faz parte do dia-a-dia do professor. Enfim, esses são alguns dos ganhos que tivemos ao final dessa experiência.

## Agradecimentos

Agradecemos a CAPES pelo apoio financeiro para execução desse projeto, e as escolas estaduais parceiras Minas Gerais e Boulanger Pucci pelo apoio.

## Referências

FERREIRA JR., Antônio Luiz. et al. Pibid apoiando a participação de escolas públicas de uberaba na olimpíada brasileira de astronomia : UMA ANÁLISE SOBRE A INTRODUÇÃO DE TEMAS DE ASTRONOMIA NO ENSINO MÉDIO. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE EDUCAÇÃO EM ASTRONOMIA, 2012, São Paulo.

GOMIDE, Hanny Angeles; LONGHINI, Marcos Daniel. ANÁLISE DA PRESENÇA DE CONTEÚDOS DE ASTRONOMIA EM UMA DÉCADA DO EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO . Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia RELEA, n. 11, p.31-43, 2011.

LANGHI, Rodolfo. Educação em astronomia : DA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE CONCEPÇÕES ALTERNATIVAS À NECESSIDADE DE UMA AÇÃO NACIONAL. Caderno brasileiro de ensino de física. São Carlos, p.373-399. 2011.

LONGHINI, Marcos Daniel (org). Educação em astronomia : experiências e contribuições para a prática pedagógica. Campinas: Átomo, 2010.

LUCAS, Carla de Souza; SOARES, Vitorvani. UMA ABORDAGEM ALTERNATIVA PARA AS LEISDEKEPLER NO ENSINO MÉDIO. Disponível em: <http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/xvii/sys/resumos/T0343-1.pdf>. Acesso em:

19/10/12.

PEIXOTO, Denis Eduardo; RAMOS, Eugenio Maria de França. FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE FÍSICA PARA O ENSINO DE ASTRONOMIA Disponível em: http://snea2011.vitis.uspnet.usp.br/sites/default/files/SNEA2011\_TCP26.pdf. Acesso em: 17/10/12

PIBID-UFTM. Projeto Institucional. 2011 . Disponível em:

<http://www.uftm.edu.br/upload/ensino/Projeto\_institucional.pdf> acesso em 23/07/12

Subprojeto de Física do PIBID-UFTM

. 2011 Disponível em:

<http://www.uftm.edu.br/upload/ensino/Subprojeto\_Fisica.pdf> acesso em 23/7/12

VOELZKE, Marcos Rincon; ALBRECHT, Evonir. O ENSINO DA ASTRONOMIA NO ENSINO MÉDIO BRASILEIRO SOB DIFERENTES ABORDAGENS METODOLÓGICAS.

<http://snea2011.vitis.uspnet.usp.br/sites/default/files/SNEA2011\_TCP68.pdf>. Acesso em: 17 out. 2012.

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