CONSTRUÇÃO DE UM PLANETÁRIO MÓVEL: METODOLOGIA ALTERNATIVA PARA O ENSINO DE ASTRONOMIA
Necleto Pansera Junior, Guilherme Henkes Bagestam, Renato Pereira Cótica
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 21/01/2013
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## CONSTRUÇÃO DE UM PLANETÁRIO MÓVEL: METODOLOGIA ALTERNATIVA PARA O ENSINO DE ASTRONOMIA
## Necleto Pansera Junior , Guilherme Henkes Bagestam 2 1 , Renato Perreira Cótica³
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Universidade de Passo Fundo, necleto.junior@yahoo.com.br 2 Universidade de Passo Fundo, guilherme\_bagestan@hotmail.com 3 Universidade de Passo Fundo, 115347@upf.br
## Resumo
- O presente trabalho tem o objetivo de expor uma das atividades do Grupo de Ensino e Pesquisa em Física e Astronomia da Universidade de Passo Fundo (GEPAF UPF). O grupo atua ministrando minicursos de astronomia para estudantes de nível Fundamental, Médio e Superior e na capacitação de professores da Educação Básica, bem como disponibilizando minicursos abertos para toda a comunidade. O grupo é constituído por bolsistas voluntários, alunos de todos os níveis do curso de Física da UPF, além de professores do curso. O surgimento do grupo deu-se no ano de 2008, com o intuito de difundir conhecimentos de astronomia em todos os campos da sociedade. O grupo preza acima de tudo a construção e uso de materiais de baixo custo, sempre que possível. A proposta desenvolvida neste é para a simulação da esfera celeste, ela é feita por meio de um planetário, este possui seu teto côncavo. Esse planetário foi construído pelo GEPAF com canos PVC, que foram aquecidos e ajustados para formar uma cúpula, Sendo esta revestida por um pano branco que simula a esfera celeste onde são projetadas imagens do software livre Stellarium utilizando dois projetores, as quais são visualizadas pelos alunos sentados no chão. Nesse ambiente são expostos conceitos sobre a astronomia como: a origem das constelações, orientação espacial e etc. Percebe-se que foi de grande valia o trabalho realizado com os alunos, pois os participantes descobrem um pouco mais sobre o nosso universo e desta forma como tais fenômenos acontecem.
Palavras-chave : Ensino de Astronomia; Planetário; Astronomia
## Introdução
- O Universo sempre foi motivo de muita curiosidade entre vários povos durante toda a existência humana. Sua vastidão e beleza fascinam até hoje seja através da ciência ou das crenças criadas em torno daquilo que somos parte: o Universo. A curiosidade é presente em nossas mentes, e principalmente na mente dos estudantes, mas a falta de vontade desses nos leva a pensar em uma possibilidade interativa e interessante para que a astronomia possa difundir-se entre os alunos.
- O objetivo principal é de difundir o conhecimento nesta área, com metodologias ao alcance de educadores e alunos desde o ensino fundamental, médio, superior e de pós-graduação para diferentes realidades escolares, sempre avaliando seu desempenho e implicações de uso.
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A partir dessa ideia foi criado o planetário do Grupo de Ensino e Pesquisa em Astronomia e Física da Universidade de Passo Fundo. Um planetário construído com o intuito de levar o conhecimento de astronomia a todos, sendo construído com material alternativo e totalmente desmontável para que sua locomoção seja facilitada e utilizando um software livre que simula o nosso céu com uma gama de recursos de fácil manuseio que deixam a astronomia muito mais interessante e dinâmica.
- O artigo esta organizado como segue, na 2ª seção será feito uma apresentação do planetário utilizado para fazer as apresentações e mini cursos, trazendo aspectos de sua estrutura, criação e montagem. Na seguinte algumas das atividades desenvolvidas pelo grupo utilizando o planetário como material de apoio para o ensino de Astronomia. Na última consistem alguns dos resultados obtidos a partir do uso desta metodologia alternativa.
## O Planetário
O planetário foi construído pelo Grupo de Ensino e Pesquisa em Astronomia e Física da UPF, visando à utilização de material de baixo custo e constitui-se de uma estrutura que é totalmente desmontável, dessa maneira é um material didático de fácil construção e ainda tem o seu transporte facilitado para a realização das atividades fora do ambiente universitário. Toda a estrutura do planetário é feita de canos PVC, desde sua base até o topo. Os canos são encaixados e fixados através de pregos que são posicionados a cada encaixe de cano necessário.
Os canos foram aquecidos e ajustados para formar uma espécie de cúpula no topo da estrutura. Essa estrutura tem largura de 4 metros, comprimento de 10 metros e altura máxima de 2,40 metros. Um pano branco cobre o topo do planetário e ali são projetadas as imagens de dois projetores que são ligados a dois notebooks nos quais utilizam o programa Stellarium, um software livre que simula o céu em qualquer lugar do planeta Terra, com uma série de recursos que facilitam a demonstração para o aluno dos assuntos a serem abordados. Os dois projetores ficam posicionados nas duas extremidades do planetário, sendo que o da direita projeta a imagem que provém do notebook para o lado superior esquerdo e o da esquerda projeta a imagem para o lado superior direito da estrutura que simula a esfera celeste.
- A estrutura é montada no sentido Leste-Oeste, pois essa é a faixa do por onde 'passam' o Sol e a Lua e as constelações mais conhecidas. O Stellarium nos proporciona inúmeras possibilidades de simulação ao decorrer da apresentação. O leque de recursos apresentados por esse software vai desde a simples visualização do céu em condições ideais de observação em qualquer época até a aproximação (zoom) de estrelas e planetas e ainda conta com a parte histórica sobre a mitologia de algumas culturas.
## Atividades desenvolvidas
No decorrer da apresentação o grupo utiliza no planetário muitos conteúdos como: a historia da Astronomia, esfera celeste, posição geográfica, constelações e estrelas, vida e morte estrelar, movimento dos astros celestes, entre outros.
- O primeiro conteúdo a ser transmitido é a ideia de esfera celeste e como ela é representada em nossa simulação, mostrando que na verdade ela é a camada
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onde a luz das estrelas visíveis é 'projetada' e que está ali sendo representada pelo pano branco que reveste o planetário. Logo após essa explanação, tendo como pano de fundo as imagens do Stellarium, é fundamental a explicação de que o que nós vemos no céu é apenas uma projeção, por isso as estrelas às vezes parecem estar perto umas das outras quando na verdade estão à milhares de anos luz de distância. Para essa explicação, nós utilizamos dois lasers, um ligado e sendo seguro por um integrante do grupo em uma ponta do planetário e o outro na outra ponta, mas sendo projetados próximos um do outro no pano branco.
Após essa explanação comenta-se sobre o Equador Celeste e antes de explicar o que é, pede-se aos alunos se eles conseguem explicar o que é o equador terrestre e qual a sua utilidade, a partir das ideias dos alunos explica-se o Equador Celeste ele é representado por uma linha azul no programa. Sendo assim mostra-se a linha Eclíptica que é linha onde 'passam' os planetas, representada por uma linha vermelha.
A partir desse ponto começamos a falar das constelações sempre instigando os alunos presentes a participarem da atividade. Posteriormente a explicação do que é uma constelação, é importante dizer que no passado elas eram usadas como orientação, demarcação do tempo, entre outros, e também que cada povo tem suas próprias constelações baseadas em animais, lendas e objetos do dia-a-dia. Para instigar os alunos contam-se algumas histórias, mitos sobre as constelações, as mais exploradas são as do zodíaco, porém também se fala sobre uma constelação dos Índios Brasileiros.
Após, acelera-se o tempo para que eles possam ver o movimento aparente dos astros no céu através do planetário, com isso queremos demonstrar que não é o Sol que orbita a Terra e sim ela, a Terra, e os demais astros do sistema solar que orbitam o Sol. Em seguida são aproximadas algumas estrelas, onde dependendo da idade dos ouvintes contam-se como as estrelas se formam e morrem. E por fim aproximamos alguns planetas e a Lua seguidos de explicações sobre os astros que foram aproximados. Para atividade final, projeta-se um vídeo sobre as escalas que demonstra o tamanho de alguns dos astros encontrados no Universo.
No fim é aberto um espaço para qualquer dúvida que não tenha sido feita ou sanada ao decorrer das atividades, espaço muito importante, pois demonstra que gostaram da atividade e que muitas vezes os ouvintes iram buscar maiores conhecimentos sobre a Astronomia.
Também foi criado um blog, onde se está a disposição dos interessados em manter contato com a equipe. Para que os professores e alunos de diferentes escolas de diferentes níveis de ensino recebam essas informações e como consequência, utilizem da modalidade de trabalho aqui proposta, basta entrar em contato com os elementos do grupo, que se encontram no laboratório de Física da Universidade de Passo Fundo e agendar a visita a esse laboratório ou solicitar a ida do grupo às escolas, com este (planetário) e demais equipamentos necessários para difundir a Astronomia.
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Figura 01 e 02: Apresentação utilizando o planetário
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## Resultados obtidos
Dentre os principais resultados obtidos e reflexões advindas desta pesquisa, relaciona-se: que a grande maioria dos participantes, apresentou dificuldades quanto à redação dos relatórios (a alguns grupos foi solicitada a entrega de relatórios); que aulas desenvolvidas de modo experimental são mais atrativas e participativas por parte dos educandos; que os equipamentos adotados para esses encontros são de simples manuseio, o que facilita a compreensão dos assuntos tratados; a falta de iniciativa quanto a suas exposições referentes a temas voltados ao seu cotidiano; a 'inibição científica', ou seja, a incerteza da exposição individual, quando desafiada a expor tal fato; a garantia, por parte dos alunos, que conhecimento só há de parte dos palestrantes ou de livros didáticos, onde a esses se confia plenamente nas afirmações e nos resultados.
Durante as apresentações e fazendo a análise dos relatórios dos grupos solicitados foi possível percebe que poucos alunos possuem interesse pelo estudo de Astronomia, isso se deve a pouca atenção dada a essa área do conhecimento durante o ensino fundamental e médio, na maioria dos casos somente é ensinado aos alunos como se orientar com os pontos cardeais e como saber para que direção eles estão através do nascer e por do sol, da lua, estrela Polar e da constelação Cruzeiro do Sul. E por ter pouca atenção, o estudo de Astronomia, na educação básica, muitos alunos fazem os minicursos sem muitas vezes nem saberem o que está ciência estuda ou eles não tem conhecimento algum sobre isso e quando tem é puramente um conhecimento popular, isso nos mostra que essa ciência deve ser mais explorada na educação básica para haver alunos que futuramente se tornaram pesquisadores nessa ciência que cresce tanto que já está se separando da Física para se tornar uma ciência 'autônoma'.
O grupo percebe que como a Astronomia oscila por diversas áreas da Física e outras áreas do conhecimento o aluno garante um melhor entendimento sobre alguns conteúdos que são comuns no qual ele está estudando, sendo assim uma maneira de aprofundar seus conhecimentos com algo mais pratico e interessante para estudo e acaba criando não somente o interesse dos professores de ciências como também de outras áreas relacionadas, assim aumentando o leque de turmas que frenquentam os minicursos e tem acesso ao planetário.
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O projeto ainda proporcionou uma melhora significativa com respeito às competências desenvolvidas por nós em sala de aula, dando ainda uma idéia das dificuldades que iremos enfrentar posteriormente no dia-a-dia de professor, bem como abrindo possibilidades para refletirmos sobre o que podemos fazer para diminuir essas dificuldades ao atuarmos como futuros professores de Física. Sendo assim a carga horária de experiência como futuro-professor é grandiosa quando enfrentam os estágios nos semestres finais do curso, os medos são menores, as preocupações são menores e a inexperiência também. E o fato das apresentações serem em duplas ou em mais de alunos do GEPAF, os apresentadores se sentem mais seguros para transmitir os conhecimentos estudados por eles mesmos aos mais diversos alunos que fazem os minicursos.
Apesar do êxito atingido até o presente momento, algumas metas ainda não foram alcançadas, por isso pretendemos continuar com o processo contínuo pela busca da melhoria do ensino de Física que é um trabalho que deve ser realizado em conjunto por Universidades e escolas. É um projeto de grande importância para os alunos do curso de Física e os alunos e professores da educação básica mesmo que se consiga atingir as metas propostas não deve ser deixado de lado ou simplesmente esquecido, pois sempre vamos precisar que pessoas recebam o conhecimento científico principalmente os alunos no qual estão numa fase de grande aprendizado, e quando falamos em 'alunos' estamos falando dos alunos da educação básica que assistem os minicursos com conhecimentos populares e saem com alguns conhecimentos científicos (e são alguns, pois infelizmente não conseguimos fazer com que eles saiam compreendendo todos que foram ensinados) e também para os alunos do grupo que como já dito acabam adquirindo experiência em atividades na qual eles agem como 'professores'.
## Referências
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CANALLE, J. B. G. et al. Análise do conteúdo de Astronomia de livros de geografia de 1º grau . Caderno Catarinense de Ensino de Física, v.14, n.3, p.254263, 1997.
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LANGHI, R. Um estudo exploratório para a inserção da Astronomia na formação de professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Dissertação (Mestrado em Educação para a Ciência). Faculdade de Ciências, UNESP, Bauru, 2004.
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PANZERA, A. C.; THOMAZ, S. P. Fundamentos de Astronomia: uma abordagem prática para o ensino fundamental . Edição experimental. Centro de Ensino de Ciências e Matemática (CECIMIG) e Faculdade de Educação (FaE), UFMG, Belo Horizonte,1995.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.