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CIÊNCIA NA COZINHA: CONTEXTUALIZAÇÃO E INTERDISCIPLINARIDADE NO MUSEU DE CIÊNCIAS

Laís Rodrigues1, Luis Carlos Victorino2, Cíntia Guimarães3, Luana Ramalho4

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
21/01/2013
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Educação Não Formal
Tipo
Pôster

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Texto completo

## CIÊNCIA NA COZINHA: CONTEXTUALIZAÇÃO E INTERDISCIPLINARIDADE NO MUSEU DE CIÊNCIAS

Laís Rodrigues , Luis Carlos Victorino , Cíntia Guimarães , Luana Ramalho 1 2 3 4

1 Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca-RJ/lais\_rds@hotmail.com

2 Museu da Vida - Casa de Oswaldo Cruz - Fiocruz/ luisvictorin@gmail.com

3 Universidade Federal do Rio de Janeiro/

4 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ luanaramalhosilva@gmail.com

## Resumo

Esse trabalho trata-se de um relato de experiência ocorrido no Museu da Vida localizado na cidade do Rio de Janeiro. O Museu da Vida é vinculado a Instituição Oswaldo Cruz e tem como um de seus objetivos informar e educar em ciência e tecnologia de forma lúdica e criativa. A oficina Ciência na Cozinha foi desenvolvida com o objetivo de aproximar os visitantes da ciência do cotidiano, através da simples experiência do preparo de um bolo os visitantes podem interagir com aspectos históricos, físicos, químicos e biológicos envolvidos em seu preparo. Nessa atividade a interação com o visitante acontece por meio de perguntas sucessivas sobre o tema e através de questionamentos simples o visitante tem a oportunidade de esclarecer suas dúvidas e concluir que a ciência está presente nos nossos dias, como por exemplo no simples preparo de um bolo e que muitas vezes a cozinha da nossa casa pode ser um grande laboratório.

Palavras-chave : Divulgação científica, contextualização, Museu da Vida.

## Introdução

A atividade Ciência na Cozinha foi desenvolvida primordialmente para a realização de um evento comemorativo do aniversário do Museu da Vida. A proposta inicial consistia no desenvolvimento de uma 'receita' de bolo de chocolate que pudesse ser reproduzida pelos visitantes em um curto espaço de tempo. Durante a realização da oficina foi possível debater sobre a origem e significado atribuídos aos bolos ao longo da história, trabalhar conceitos de diversas áreas do conhecimento como física, química e biologia o que definiu o caráter interdisciplinar da atividade além da relação direta do conhecimento científico com o cotidiano de cada visitante. Sabemos que a ciência está a nossa volta e muito mais perto do que podemos imaginar. A oficina 'Ciência na Cozinha' pretende explorar a ciência do cotidiano e como a cozinha de nossa casa pode se transformar em um laboratório completo onde nós somos os cientistas. A contextualização é algo muito discutido atualmente, os museus de ciências possuem as ferramentas necessárias para potencializar essa abordagem contextualizada através das diferentes formas de linguagem presentes nesse espaço.

Especialistas indicam que os museus possuem um grande potencial, no sentido de oferecer oportunidades únicas para pais e filhos (Kropft e Wolins, 1989). Segundo Studart 2009, estudos demonstram que os grupos de famílias que visitam museus requerem uma atenção especial, que envolve desde o planejamento de atividades e exposições direcionadas a esse público até a criação de ambientes que

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20 a 25 de janeiro de 2013

levem em conta as suas necessidades. A atividade 'Ciência na Cozinha' se propõe a atender tanto aos interesses dos adultos (pais e acompanhantes) quanto das crianças favorecendo as interações familiares.

## O Museu da Vida

O Museu da Vida, museu de ciências da Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz, é um espaço de integração entre ciência, cultura e sociedade que tem por objetivo informar e educar em ciência, saúde e tecnologia. Por meio de diferentes atividades, como exposições, multimídias, teatro, vídeos e oficinas, o Museu visa incentivar o interesse do público em geral pela ciência, tecnologia e pesquisa em saúde. Seus temas centrais são a vida enquanto objeto do conhecimento, saúde como qualidade de vida e a intervenção do homem sobre a vida.

Situado no subúrbio do Rio de Janeiro, o Museu da Vida localiza-se no campus da Fiocruz em Manguinhos. Por ser vinculado à Fundação Oswaldo Cruz, assume características únicas, refletindo a cultura e o compromisso social da instituição. Sua missão é gerar e disseminar conhecimento científico e tecnológico de forma a contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população e para o pleno exercício da cidadania.

- O Museu recebe visitas de grupos escolares, da rede pública e privada de ensino, moradores do entorno e de outras áreas da cidade, além de visitantes de outras cidades do estado. Todas as suas atividades são gratuitas. Com isso quando pensamos em aproximar a ciência dos visitantes não estamos falando apenas em uma abordagem teórica simplificada, mas de um olhar científico para as atividades comuns do dia a dia.

Figura 1: Museu da Vida

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## Contextualização e Interdisciplinaridade

Para muitos, a simples menção do cotidiano já significa contextualização. Mas será que a simples menção de processos físicos, químicos e biológicos do cotidiano torna o ensino dessas ciências mais relevante? Será que essa é a maneira de aprender ciência mais facilmente? Muitas vezes, essa aparente contextualização é colocada apenas como um pano de fundo para encobrir a abstração excessiva de um ensino puramente conceitual. Compreender as diferentes funções da abordagem de aspectos sociocientíficos permite uma compreensão de que formar cidadãos não se limita a nomear cientificamente fenômenos e materiais do cotidiano ou explicar princípios científicos e tecnológicos do funcionamento de artefatos do dia-a-dia. Assim, para Santos (2007) a contextualização pode ser vista com os seguintes objetivos: 1) desenvolver atitudes e valores em uma perspectiva humanística diante das questões sociais relativas à ciência e à tecnologia; 2) auxiliar na aprendizagem de conceitos científicos e de aspectos relativos à natureza da ciência; e 3) encorajar os alunos a relacionar suas experiências escolares em ciências com problemas do cotidiano.

- O termo interdisciplinaridade tem muitos significados. Para Klein (1995), 'não existe um currículo interdisciplinar único, um paradigma para a prática único e uma teoria única'.

A interdisciplinaridade pode ser entendida, segundo Morin (2000), como uma grande mesa de negociações na Organização das Nações Unidas (ONU), onde muitos países se reúnem, mas cada qual para defender seus próprios interesses. Ela pode significar, assim, uma simples 'negociação' entre as disciplinas; um tema, onde cada disciplina defende seu próprio território, o que acabaria por confirmar a barreiras disciplinares e aumentar a fragmentação do conhecimento. Piaget (1979, p.166) define essas práticas como multidisciplinares, já que compreendem um nível inferior de integração entre as disciplinas.

## Aporte Metodológico

A oficina é baseada em um diálogo com o visitante realizado através de perguntas sucessivas, a primeira pergunta realizada remete a origem da palavra bolo, o visitante é levado a refletir sobre a grafia da palavra e as semelhanças com outras palavras presentes no vocabulário informal. É fácil a conclusão por parte dos visitantes que as palavras 'bolo' e 'bola' são semelhantes em alguns aspectos, este constitui o ponto de partida para a apresentação de origens e reflexões a cerca do conteúdo histórico envolvido em um simples bolo.

A oficina prossegue com o preparo do bolo, para isso cada visitante tem a seu alcance materiais que permitem que cada um possa realizar o preparo do seu bolo, os ingredientes são facilmente encontrados e são comuns aos dos bolos feito em casa, com isso consegue-se uma familiarização do visitante com o ambiente em que está sendo realizado a oficina o que permite uma maior interação com a atividade. Para cada ingrediente utilizado é apresentado um breve resumo de sua composição e função dentro da receita, os visitantes preparam o bolo entendendo o significado de cada ingrediente podendo assim fazer substituições e criar sua própria receita.

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Dentre os ingredientes utilizados podemos citar algumas características de alguns deles como: FARINHA DE TRIGO: A farinha de trigo é feita com uma mistura de vários tipos de trigo, rica em substância elástica chamada glúten. O glúten é importante tanto para a estrutura como para a ligação do bolo. Um bolo feito com farinha com falta de glúten, como aveia ou cevada, necessita de ingredientes adicionais para atingir a textura semelhante à de bolo. OVO: Se você algum dia tentou fazer um bolo sem ele, deve ter aprendido que ovos são essenciais à confeitaria em geral. Eles mantêm os ingredientes ligados, adicionam umidade, e podem mesmo atuar como agente fermentador. FERMENTO QUÍMICO: Algum dia você adicionou fermento em pó à água? Se já fez, sabe que acontecem reações químicas, soltando bolhas de ar. Na verdade essas bolhas são de dióxido de carbono já que o fermento é um produto formado de bicarbonato de sódio (NaHCO3) que, pela influência do calor libera o gás capaz de expandir massas elaboradas com farinhas aumentando o seu volume.

Essas são algumas das características ressaltadas durante a oficina, após o preparo da massa cada visitante leva o copo onde preparou seu bolo ao microondas e observa seu crescimento, durante essa etapa alguns aspectos sobre a utilização do microondas são ressaltados como: benefícios e prejuízos do uso da radiação, cuidados na utilização do equipamento, características de cozimento, entre outros. Após o cozimento cada visitante desenforma e decora seu bolo antes de comê-lo, outras atividades estão sendo desenvolvidas com a temática 'Ciência na cozinha' e assim contribuir de maneira significativa para a aproximação da ciência com o dia-adia de cada visitante.

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Figura 2: Bolo preparado no microondas em ciência na Cozinha.

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Figura 3: Ciência na Cozinha - Festa junina - Bolo de Fubá de caneca.

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Figura 4: Atividade 'Ciência na Cozinha'

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## Considerações Finais

Concluímos que a atividade possui um grande potencial para uma extensão do conhecimento cientifico a nível de desenvolver nos visitantes a curiosidade para explorarem a ciência do cotidiano. Reconhecemos que algumas dificuldades devem ser superadas, como o armazenamento de material, já que por se tratar de uma oficina que envolve alimentos devemos ter um cuidado redobrado com seu armazenamento e consumo. Como aspecto positivo podemos ressaltar o poder encantador que o preparo de um bolo trás as crianças, o fato de serem

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protagonistas de uma atividade, de se identificarem autores de um produto trás para nós a satisfação do trabalho cooperativo.

## Referências

KLEIN, Ruben. Produção e utilização de indicadores educacionais. 2 versão . preliminar. [S.L], 1995. mimeo.

KROPF, M. e WOLLINS, I. How Families Learn: considerations on program development. Em: Butler, B.H. e Sussman, M.B. (1989) Museum visits and activities for family life enrichment. New York: Haworth Press, 1989.

MORIN, Edgar. Saberes Globais e Saberes Locais. O olhar transdisciplinar. Rio de Janeiro: Garamond. 2000. 75 p.

PIAGET, J.; INHELDER, B. A representação no espaço da criança. Porto Alegre: Artes Médicas, 1979.

SANTOS, W. L. P. dos. Educação científica na perspectiva de letramento como prática social: funções, princípios e desafios. Revista Brasileira de Educação, 2007, vol.12, n.36, p. 474-492.

STUDART, D.C. O Público de Famílias em Museus de Ciências. Em 'Museu: Lugar de Público', editora Fiocruz, 2009. P. 95-120.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.