A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia como Ferramenta para a Popularização da Ciência
Leda Sampson, José Luís Barros, Maria Aparecida Neves
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 21/01/2013
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Educação Não Formal
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia como Ferramenta para a Popularização da Ciência
## Leda Sampson 1 , José Luís Barros , Maria Aparecida Neves 2 3
- 1 Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, leda.pinto@mct.gov.br
- 2 Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, jbarros@mct.gov.br
- 3 Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mneves@mct.gov.br
## Resumo
No Brasil, existe uma dificuldade inerente em interessar jovens estudantes em ciências exatas, como matemática, física e química, e nas engenharias. Tal deficiência é resultado, em grande parte, de um ensino que não estimula a curiosidade, a interatividade, as práticas científicas e a inovação. Esse cenário traz sérios problemas à formação de quadros especializados no país, o que se reflete diretamente no desenvolvimento da pesquisa básica e de novas tecnologias nacionais. As políticas públicas para a popularização da ciência que se iniciaram na última década, particularmente dentro do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, embora ainda incipientes, têm buscado fazer com que os conhecimentos científicos sejam transmitidos de maneira mais ampla, com o objetivo de promover o interesse, principalmente de crianças e jovens, pelas ciências. Neste trabalho, descrevemos e analisamos um destes instrumentos de popularização da ciência, criado em anos recentes, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que, desde sua primeira edição em 2004, tem gerado uma mobilização inédita no país em termos de engajamento e alcance popular. Ela pode ser utilizada como uma ferramenta adicional para promover as ciências exatas e as engenharias no Brasil.
Palavras-chave : Ensino de ciências, Popularização da Ciência, SNCT
## 1. Introdução
- O Brasil é um país de dimensões continentais. Grande parte da produção científico-tecnológica se dá nas capitais do eixo Sul-Sudeste, que concentram cerca de 12% da população e onde se encontram as universidades e centros/museus de ciência mais proeminentes. Como resultado, a visitação anual a museus e centros de ciência no Brasil restringe-se a uma pequena parcela da população. Diante desse fato, enfrentamos o grande desafio de levar ciência e tecnologia às outras regiões e municípios brasileiros, incluindo localidades tão isoladas que seus habitantes não têm acesso ao conhecimento.
Essa situação motiva uma realidade de desinteresse generalizado pela ciência que se reflete na atitude dos jovens e em suas escolhas profissionais. Ao longo dos últimos anos houve uma melhora nesse cenário e o Brasil tem observado um crescimento sólido em atividades de popularização de ciência e tecnologia, mas a estrutura ainda é frágil e limitada.
Um dos grandes responsáveis pela introdução sistemática de atividades de popularização de ciência e tecnologia no Brasil nos últimos anos, o Departamento de Popularização e Difusão de Ciência e Tecnologia (DEPDI) da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (SECIS), promove e apoia eventos e atividades relacionados à popularização de ciência, com o objetivo de oferecer à população,
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20 a 25 de janeiro de 2013
em particular nas regiões mais pobres, oportunidades de ter acesso à informação científica e de conhecer as pesquisas científicas e o desenvolvimento tecnológico realizados no país.
Um dos principais propósitos dessa política é envolver municípios e atores locais para que se organizem e sejam responsáveis pelo planejamento e execução de atividades ou eventos que tenham relação direta com a realidade local dos cidadãos, em termos de população (nível de escolaridade, histórico cultural), da situação geográfica e socioeconômica. Ao se apoiar ações locais, a intenção é potencializar o processo de aprendizado, trazer a ciência para o cotidiano dos brasileiros e contribuir para a promoção da inclusão social.
Uma das ferramentas mais importantes para promover a disseminação de ciência no país é a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT ou Semana). A Semana, que é coordenada nacionalmente pelo MCTI, foi estabelecida em 2004 e seu principal objetivo é mobilizar a população, em especial crianças e jovens, acerca de temas e atividades de ciência e tecnologia, estimulando criatividade, raciocínio científico e inovação [1].
## 2. A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
A educação não formal tem grande importância para a formação permanente dos indivíduos e para o aumento do interesse coletivo pela ciência, tecnologia e inovação [2]. Hoje, os órgãos públicos já reconhecem a necessidade de se estimular não só o crescimento científico e tecnológico, mas a popularização do conhecimento junto à população. Esse reconhecimento fica evidenciado nas ações e planos de governo, que passaram a adotar entre suas diretrizes a ampliação da participação social e o estímulo e a valorização da educação, da ciência e da tecnologia.
Portanto, apesar de o conceito de popularização de ciência ter sido apenas recentemente introduzido na agenda das políticas públicas do Brasil, o país tem observado um crescimento considerável na realização de atividades de divulgação científica nos últimos anos. A Semana é um dos resultados dessa nova agenda política.
A SNCT tem como proposta mostrar a importância da ciência e da tecnologia na vida de todos e para o desenvolvimento do país, também oferecendo uma oportunidade para a população brasileira conhecer e discutir os resultados, a relevância e os impactos da pesquisa científico-tecnológica e suas aplicações.
Todos os interessados podem desenvolver atividades durante a SNCT. Os maiores atores envolvidos são: universidades e instituições de pesquisa; escolas públicas e privadas; instituições de educação tecnológica; centros e museus de ciência e tecnologia; entidades científico-tecnológicas; fundações de amparo à pesquisa; parques, unidades de conservação, jardins botânicos e zoológicos; secretarias de ciência e tecnologia e educação; companhias públicas e privadas; jornais, canais de televisão e estações de rádio; órgãos governamentais; organizações não governamentais e outras entidades da sociedade civil organizada [1].
Entre as atividades geralmente desenvolvidas durante a SNCT podemos citar: tendas em praças públicas; dias de portas abertas em instituições de educação e pesquisa; feiras de ciências; concursos, workshops e seminários; cientistas indo a escolas; jornadas de iniciação científica; excursões científicas; eventos integrando
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ciência, cultura e arte. São distribuídos livros e cerca 350.000 cópias do Jornal da SNCT, a exibição de filmes e vídeos científicos e a transmissão de programas de popularização de ciência no rádio e na televisão. São também distribuídos 20 DVDs com programas de televisão e vídeos científicos de diferentes países para serem exibidos em todos os estados.
A cada ano a SNCT trabalha um tema diferente. Em sua primeira edição (2004) o tema foi 'Brasil, olhe para a água!' e em 2005, 'Brasil, olhe para o céu!'. Em 2005 foi comemorado, também, o Ano Internacional da Física (AIF), declarado pela Unesco em homenagem ao centenário da publicação dos trabalhos de Einstein sobre o fóton, a relatividade especial, a relação massa-energia e o movimento browniano. Um dos principais objetivos do AIF foi chamar a atenção do público em geral para a importância e o impacto da física no mundo contemporâneo.
Os temas da SNCT são escolhidos em função de sua relevância, interdisciplinaridade e, às vezes, estão também conectados a comemorações relevantes nacionais ou internacionais. A terceira edição da SNCT teve como tema 'Criatividade e Inovação', para celebrar o centenário do primeiro voo do 14 Bis. Uma réplica do avião voou na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, durante a Semana e ao longo do ano milhares de atividades educativas e eventos de difusão de ciência fizeram homenagem ao grande inventor Santos Dummont.
Em 2007, o tema foi 'Terra', escolhido para comemorar o Ano Internacional do Planeta Terra, declarado pelas Nações Unidas. Em 2008, a SNCT trabalhou com 'Evolução e Diversidade', pelo 150º aniversário da Teoria da Evolução pela Seleção Natural, de Charles Darwin.
No ano de 2009, o tema foi 'Ciência no Brasil' e levou à população conhecimento sobre a ciência que é produzida no Brasil. O Ano Internacional da Astronomia também foi comemorado; milhares de atividades astronômicas foram promovidas durante a SNCT e ao longo do ano, alcançando mais de 2 milhões de pessoas [3]. Milhares de livros, folders e livretos sobre vários temas (Santos Dummont, Carlos Chagas, cientistas brasileiros, Astronomia, experimentos, etc.) foram distribuídos pelo país.
Em 2010, o tema escolhido foi 'Ciência para o Desenvolvimento Sustentável'. Além de promover uma gama de atividades de difusão, a SNCT estimulou o debate sobre maneiras e estratégias de como usar os recursos naturais do Brasil e sua rica biodiversidade de forma sustentável, sempre com o objetivo de melhorar as condições socioeconômicas da população. Ciência para o Desenvolvimento Sustentável mostrou que ciência e tecnologia são fatores essenciais para o desenvolvimento social, econômico e ambiental de qualidade.
Em 2011, o tema 'Mudanças Climáticas, Desastres Naturais e Prevenção de Riscos' foi escolhido não apenas por sua relevância global, mas por sua atual importância para a população brasileira. A SNCT promoveu extensas discussões sobre estratégias de como enfrentar o grande desafio das mudanças climáticas e prevenir os riscos de desastres naturais ocasionados pela intervenção humana. Nessa edição, a SNCT contou com 16.110 atividades em 654 municípios, um recorde de participação.
O ano de 2011 foi também o Ano Internacional da Química (AIQ), declarado pela Unesco para promover uma celebração mundial dos avanços da química e suas contribuições para o bem da humanidade. Como parte das atividades
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Tabela 01: Evolução da SNCT ao longo dos anos [1]
comemorativas, os coordenadores do Ano Internacional da Química desenvolveram o experimento global da água, a ser executado por estudantes de todas as idades. O experimento consistiu na coleta de água de alguma fonte local e medição de seu pH usando soluções indicadoras coloridas. Cerca de 30.000 kits educacionais deste experimento foram produzidos com apoio do MCTI, e também de governos estaduais de SP e Bahia, e distribuídos a escolas em todo o país. Durante a SNCT estudantes de cerca de 620 municípios coletaram dados e postaram os resultados na página da Sociedade Brasileira de Química. Quase 3.000 experimentos foram registrados no site do AIQ. Com isto o Brasil se tornou o país do mundo no qual foi realizado o maior número destes experimentos durante o AIQ; em segundo lugar ficaram os EUA.
- Neste ano de 2012, o tema da Semana é 'Sustentabilidade, Economia Verde e Erradicação da Pobreza' e foi escolhido devido à sua relevância nacional e internacional. Em junho de 2012 a cidade do Rio de Janeiro sediou a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável - Rio+20, que contou com a participação de praticamente todos os membros da ONU. Os temas discutidos durante a conferência são de importância crucial, já que as decisões tomadas pelos chefes de estado influenciam positiva ou negativamente no caminho do Planeta para um futuro sustentável.
- O principal objetivo da SNCT 2012 é disseminar e debater os temas e os resultados da Rio+20 e envolver a população na discussão de como contribuir para um mundo sustentável e participar do processo decisório em relação ao futuro do país e de seus recursos naturais.
- Ao longo dos anos, a Semana tem experimentado um crescimento substancial, tanto no número de atividades desenvolvidas quanto de municípios participantes, como pode ser visualizado na Tabela 1 (evolução da SNCT desde a sua primeira edição, em 2004). Em 2011, somente em Brasília, 160.000 pessoas visitaram a Tenda da Ciência, erguida no coração da capital durante a Semana.
- O fato de a Semana apresentar um crescimento constante, alcançando a cada ano mais municípios, claramente mostra que essa é uma ferramenta bastante eficiente no que diz respeito à popularização de ciência no Brasil. Ou seja, a SNCT pode ser usada em âmbito nacional para estimular a transferência generalizada de conhecimento científico-tecnológico, induzir a participação pública e promover inclusão social, o que naturalmente gera uma mudança social permanente.
Finalmente, dado que as atividades da Semana têm cunho prioritariamente experimental e interativo, com foco explícito no aprendizado, a SNCT funciona como
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ferramenta complementar ao ensino formal de ciências nas redes de ensino brasileiras.
## 3. A Popularização da Ciência no Brasil
- O Brasil é um país vasto e extremamente diversificado. Essa característica, que é muito particular, dá origem a enormes contrastes. Adicionalmente, devido às suas dimensões, a logística necessária para atingir todos os seus municípios é bastante complexa. Esse cenário é agravado no interior do país, especialmente nas regiões de floresta, onde há comunidades que somente podem ser alcançadas de barco e após dias de viagem ininterrupta.
Devido a esses fatores distintos, é bastante complicado atingir igualmente todo o país e uma porção considerável da população brasileira não tem acesso ao conhecimento científico e tecnológico, a museus, centros de ciência e instituições de pesquisa. Esse fator, somado a uma educação básica fraca, em particular nas regiões mais desassistidas do país, contribui para a geração e perpetuação de uma sociedade cientificamente analfabeta. A realidade de exclusão social revela-se em uma população alheia e desinteressada, que não enxerga a relação entre a ciência e seu cotidiano e não participa de decisões que terão impacto direto em seu modo de vida. Nesse contexto, fomentar o interesse de jovens para que sigam carreiras científicas é uma tarefa hercúlea.
Assim, é importante criar mecanismos flexíveis, adequados à realidade brasileira, que ofereçam soluções reais para a grande necessidade de interiorização da ciência no Brasil e fortalecimento do ensino formal de ciências nas escolas. A Semana Nacional foi pensada como instrumento para atingir esses objetivos, tomando como foco principal a relação já existente entre a ciência e o contexto particular de cada indivíduo ou localidade.
Levando-se em consideração a proposta de utilização de metodologias experimentais e interativas, a SNCT pode ser caracterizada pela não existência de regras ou mecanismos fixos para sua implementação, o que permite que a disseminação da ciência seja feita com versatilidade, dinamismo e democracia. As atividades da Semana podem e devem ser repensadas a cada ano e seus executores têm plena liberdade para se adaptar, tanto em termos tecnológicos, quanto educacionais, às mais novas tendências, conceitos e desenvolvimentos.
Essa flexibilidade da SNCT apresenta uma série de benefícios: (i) gera simpatia por parte dos executores locais, que se encontram na posição bastante confortável de não precisar justificar qualquer ação e de poderem atuar de acordo com sua própria realidade; (ii) contribui para a popularidade dos executores junto à sua população, já que têm liberdade para atender demandas de atividades específicas ou suprir deficiências locais; (iii) gera maior potencial para atingir efetivamente o público alvo.
- O efeito mobilizador da SNCT pode ser potencializado com o desenvolvimento de atividades integradas, que sejam executadas em todo o país, concomitantemente à realização da Semana em âmbito nacional. Citamos abaixo dois exemplos exitosos de atividades integradas que podem servir de inspiração para o desenvolvimento de iniciativas similares de Física.
Em 2009 foi comemorado o Ano Internacional da Astronomia. Dentro do tema, a União Astronômica Internacional (IAU) lançou o evento global Noites Galileanas,
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cujo objetivo foi oferecer ao público de todo o mundo a oportunidade de observar os mesmos corpos celestes vistos em 1609 por Galileu. Em especial, o programa se concentrou na observação da Lua e do planeta Júpiter com seus quatro satélites principais. No Brasil, o programa foi desenvolvido no período de 22-24 de outubro, como parte das atividades da SNCT 2009. O desempenho do país foi admirável, com um total de 16.600 eventos registrados e participação de 2.3 milhões de pessoas [3], o que rendeu três prêmios, conferidos pela IAU [4]: maior número de eventos registrados promovidos por um mesmo grupo - Centro de Estudos Astronômicos de Alagoas, 29 eventos; maior participação popular em um único evento - Clube de Astronomia de Brasília, mais de 16.500 pessoas observaram Júpiter e suas luas durante sete dias; divulgação na comunidade - Centro de Estudos Astronômicos de Alagoas, maior número de cidades visitadas por um único grupo.
O exemplo seguinte refere-se à atividade global do pH da água, realizada durante a SNCT 2011, como parte das comemorações do Ano Internacional da Química. Por meio desse experimento, estudantes de todo o país puderam medir a qualidade das fontes de água locais e discutir a melhor maneira de conservar e preservar os recursos naturais. Além de ter contato direto com o processo químico de avaliação, os estudantes puderam verificar com seus experimentos o nível de poluição da água consumida por suas comunidades. Em muitos casos, essa descoberta levou os estudantes a organizarem protestos envolvendo professores, pais e a comunidade na cobrança por investimentos em programas de conservação e proteção das fontes de água locais. Muitos desses estudantes também promoveram a divulgação de práticas de conservação e se comprometeram a fiscalizar as medidas implementadas pelos governos locais para a proteção do meio ambiente. Portanto, o experimento cumpriu seu papel, gerando uma consciência coletiva sobre um assunto de extrema importância ambiental e introduzindo no cotidiano dos alunos o questionamento e a utilização do método científico para responder esse questionamento.
Esse é um caso típico em que a introdução da ciência na vida dos cidadãos desperta o senso de responsabilidade que culmina com a participação popular e a exigência de ações que supram as demandas da sociedade. Todos os experimentos foram realizados por professores e seus alunos, também com o intuito de fortalecer o ensino de química no Brasil.
Houve uma mobilização grande sobre a Física no ano de 2005, por ocasião do AIF, quando a Sociedade Brasileira de Física recebeu recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para o lançamento de um edital e para apoio a atividades comemorativas especiais. Foram desenvolvidos seminários, congressos e conferências, exposições, mostras, oficinas, palestras, peças de teatro, houve livros publicados e a apresentação de vídeos científicos. Foi realizada, ainda, uma sessão na Câmara dos Deputados cujo objeto foi: Homenagem ao Ano Mundial da Física e aos 50 anos da morte do cientista Albert Einstein.
Números e pesquisas revelam que a Semana tem se tornado, ao longo de seus quase 9 anos de existência, um evento de referência no Brasil. Sua evolução temporal, apresentada na Tabela 1, indica que os estados têm conseguido estender o alcance da Semana em seus territórios, engajando continuamente mais municípios e incentivando uma ampla participação popular. Já se tornou praxe os estados terem
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como meta anual o aumento do número de cidades envolvidas, de atividades desenvolvidas e de público participante.
Em âmbito mais geral, uma pesquisa de opinião pública conduzida em 2006 [5] mostrou que 3,0% da população brasileira com mais de 16 anos participavam de atividades da Semana. A mesma pesquisa, refeita em 2010, mostrou um avanço considerável nesse cenário: em 4 anos, a participação na SNCT subiu cerca de 60%, alcançando 4,8% desta população, uma marca de quase 9,5 milhões de pessoas. A pesquisa entrevistou 2004 adultos, homens e mulheres, de diversos níveis de formação escolar, classes socioeconômicas e históricos culturais.
Apesar de o alcance da Semana ser ainda bastante limitado em termos de população atingida, o progresso é evidente, principalmente em relação às atividades integradas. A cada ano é maior o número de estados que oficializam a Semana Nacional como evento de seu calendário estadual. Muitos municípios têm inserido em seus calendários escolares a realização de feiras de ciências, para que ocorram sempre no mesmo período do ano, simultaneamente à Semana em âmbito nacional.
Essas iniciativas indicam que a SNCT tem uma notável penetração nas escolas, atuando de forma complementar ao ensino formal de ciências. Alunos, professores e a sociedade são incentivados a discutir e opinar sobre temas relevantes, fortalecendo o aprendizado dos estudantes e a atitude científica dos cidadãos e gerando uma mobilização inédita no Brasil, que se traduz em uma população mais consciente e participativa.
Outro indicativo da relevância da SNCT no Brasil é sua influência no surgimento de trabalhos de pesquisa que avaliam e discutem os impactos gerados pelas novas políticas de disseminação da ciência no país. Aqui citamos dois exemplos: 'Comunicação Científica para o Público Leigo no Brasil', tese de doutorado de Rita de Cássia Caribé [6] e 'Desafios e Possibilidades da Interdisciplinaridade no Ensino Médio', dissertação de mestrado de Ângela Maria Hartmann [7]. Tais teses e trabalhos de pesquisa são muito importantes porque possibilitam uma avaliação independente (por não estar ligada aos órgãos públicos responsáveis pela execução da SNCT) desta iniciativa de popularização da C&T, que é financiada com recursos públicos.
## 4. Conclusão
Como indivíduos, comunidades e sociedades, tanto nosso entendimento quanto nossa resposta à ciência são determinados pelas culturas e contextos nos quais vivemos, trabalhamos e socializamos. Dessa forma, a ciência deve ser introduzida no universo particular de cada comunidade como um aspecto de sua cultura, de suas atividades cotidianas, de sua realidade.
A maneira mais efetiva de atingir esse objetivo é criar uma conexão entre a ciência que é apresentada na escola, no museu ou na SNCT e o dia-a-dia da população. Uma vez estabelecida essa conexão, as pessoas desenvolvem atitudes, emoções e identidades positivas em relação à ciência e tecnologia [8], sentindo-se estimuladas a buscar mais, a entender o mundo que as cerca e a usar a ciência como ferramenta para uma vida melhor.
Quando atores locais, conhecedores profundos da realidade vivida pela comunidade, desenvolvem eventos e atividades científicos que apresentam a ciência
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como experiência cotidiana, cria-se um sentimento de identificação da pessoa com a ciência, facilitando o aprendizado e fortalecendo a cultura científica local.
A Física é uma das ciências mais fundamentais e pode ser facilmente inserida no cotidiano de qualquer indivíduo, seja qual for sua formação, ocupação ou interesse, e apresentada de maneira instigante, por meio de experimentos, explanações ou demonstrações que se relacionem diretamente à realidade particular daquele indivíduo. Essa mobilização envolve alunos, que passam a enxergar a Física como parte integrante de suas vidas e como opção de profissão; professores, que passam a inovar para ensinar, utilizando o mundo ao seu redor como principal recurso de aprendizagem; e a comunidade como um todo, que passa a conhecer os benefícios da ciência e tecnologia e se vê em condições de participar do processo decisório do país no que diz respeito ao futuro da ciência e aos investimentos para seu desenvolvimento.
Dada a experiência bem sucedida da SNCT, não só para a disseminação da ciência em todo o território nacional, mas para a contextualização da ciência em relação aos distintos aspectos culturais, socioeconômicos, geográficos e populacionais brasileiros, propomos que ela seja explorada mais intensamente como uma ferramenta com excelente potencial para ampliar as atividades de popularização da Física junto à população brasileira.
## Referências
- [1] Semana Nacional de Ciência e Tecnologia: http://semanact.mct.gov.br/
- [2] Livro Azul da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável - Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia/Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, 2010.
- [3] The IYA2009 - Brazil in Numbers, disponível em: http://www.astronomy2009.org/static/reports/Brazil/IYA2009\_Brasil.pdf
- [4] União Astronômica Internacional:
- http://www.astronomy2009.org/news/updates/829/
- [5] Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil, pesquisa coordenada pelo MCTI, http://www.museudavida.fiocruz.br/media/enquete2010.pdf
- [6] Rita de Cássia Caribé, 2011, Comunicação Científica para o Público Leigo no Brasil, tese de doutorado, Faculdade de Ciência da Informação, Universidade de Brasília, disponível em:
http://repositorio.bce.unb.br/bitstream/10482/9003/1/2011\_RitadeC%C3%A1ssia doValeCarib%C3%A9.pdf
- [7] Ângela Maria Hartmann, 2007, Desafios e Possibilidades da Interdisciplinaridade no Ensino Médio, dissertação de mestrado, Faculdade de Educação, Universidade de Brasília, disponível em: http://repositorio.bce.unb.br/bitstream/10482/2591/1/2007\_AngelaMariaHartman n.PDF
- [8] National Research Council, 2009, Learning Science in Informal Environments:
- People, Places and Pursuits. Committee on Learning Science in Informal Environments. P. Bell, B. Lewenstein, A. W. Shouse & M. A. Feder (Eds). Washington, DC: The National Academies Press.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.