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CLUBE DE CIÊNCIAS: UM ALIADO NA MOTIVAÇÃO PARA O DESPERTAR CIENTÍFICO

Amadeu Albino Júnior, Maria Da Glória Fernandes Do Nascimento Albino

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
24/01/2013
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Educação Não Formal
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## CLUBE DE CIÊNCIAS: UM ALIADO NA MOTIVAÇÃO PARA O DESPERTAR CIENTÍFICO

## Maria da Glória Fernandes do Nascimento Albino , 1 Amadeu Albino Júnior 2

1 IFRN Câmpus Pau dos Ferros / gloria.albino@ifrn.edu.br 2 IFRN Câmpus Natal Central / DIAC / amadeu.albino@ifrn.edu.br

## Resumo

A existência de estudo, debate e produção cientifica em um espaço não formal - Clube de Ciências, pode ser fundamental para o domínio da cultura científica e incentivo ao ingresso de estudantes na área das Ciências Naturais pela desmistificação das disciplinas Biologia, Física e Química, que são tidas como difíceis e distantes do contexto real. O espaço não formal - Clube de Ciências do IFRN tem como um de seus objetivos auxiliar na mudança de postura dos docentes da área que permita a reformulação de práticas ortodoxas que podem ser responsáveis pela falta de interesse dos educandos pela Ciência. O trabalho hora apresentado tem como objetivo descrever a criação de um clube de Ciências no Câmpus Natal-Central, e expor uma das atividades que o Clube de Ciências IFRN vem propondo a alunos e servidores de uma maneira geralas palestras motivacionais que apresentam o cotidiano de profissionais da área das Ciências da Natureza, em especial professores/pesquisadores. Até o momento, as propostas do projeto sinalizam que o Clube de Ciências pode se tornar uma importante alternativa para o desenvolvimento de uma identidade do ensino de Ciências no Ensino Básico tecnológico e provocar o reconhecimento de novas e grandes vocações para a área. O elevado número de alunos que demonstram querer participar da seleção para o ingresso como sócio do clube e o grande número de presentes nas palestras motivacionais podem indicar que a Ciência, aparentemente, não intimida, sendo assim, a falta de interesse pode ser ocasionada pela carência de espaços onde a criatividade e a motivação possam estimular a busca incessante pelo conhecimento. A proposta é que o Clube de Ciências passe a ser um espaço de interação e aprendizagem para professores e alunos do ensino básico, licenciandos dos cursos de graduação da área e egressos.

Palavras-chave: Clube, Ciências, Motivação, Ensino

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## Introdução

- O Ensino de ciências no sentido mais amplo, a todos os níveis e por todos os meios, é atualmente, condição essencial à democracia e ao desenvolvimento de um país. Isto porque, a ciência tem como objetivo a busca de respostas para o conhecimento do mundo e as leis que o regem, isso gera, como consequência, o desenvolvimento social, político e tecnológico de uma nação.
- A declaração sobre a ciência e a utilização do conhecimento científico feita na Conferência Mundial sobre a Ciência em 1999 já considerava a educação científica essencial para o desenvolvimento humano, a criação de capacidade científica endógena e a formação de cidadãos ativos e informados.

Assim, mais do que nunca, é necessário desenvolver uma alfabetização científica de base, e uma capacidade de raciocínio e de habilidades práticas que levem em conta a sensibilidade para os valores éticos, de modo que as pessoas possam participar de maneira mais efetiva e cidadã na tomada de decisões sobre a aplicação dos novos conhecimentos do séc. XXI.

Neste sentido, a constituição federal brasileira no Art. 218 do Título VIII (Da Ordem Social), Capítulo IV (Da Ciência e Tecnologia) proclama a intenção implícita do Estado brasileiro em promover e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológica. No parágrafo (§ 3) está expresso: 'O Estado apoiará a formação de recursos humanos nas áreas de ciência, pesquisa e tecnologia, e concederá aos que delas se ocupem meios e condições especiais de trabalho'. Esse intento é corroborado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) nº 9.394 de 1996, que delineia as diretrizes dos currículos do Ensino Básico no Brasil, que em seu art. 36 destaca como uma das diretrizes do Ensino Médio a educação tecnológica básica, a compreensão do signiÞcado da ciência, das letras e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura,e ainda explicita que as Instituições de ensino devem adotar metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes.

Apesar de todo esse escopo expressado na Lei, é possível a percepção de uma clara deficiência no aprendizado dos educandos de uma maneira geral, e particularmente nas disciplinas da área de Ciências da Natureza (Biologia, Física e Química). As razões para a deficiência em relação aos conteúdos dessas disciplinas vêm sendo tema de estudos para muitos pesquisadores da área de Ensino de Ciências e algumas conclusões têm se tornado consenso na comunidade, como a falta de profissionais da área (em especial, Física e Química) e a necessidade de uma práxis que permita a reformulação de práticas ortodoxas, o que tem gerado a falta de interesse dos educandos que geralmente consideram as disciplinas da área como sendo difíceis e distantes do cotidiano.

Nós criamos uma civilização global em que os elementos mais c ruciais - o transporte, as comunicações e todas as outras indústrias, a agricultura, a medicina, a educação, o entretenimento, a proteção ao meio ambiente e até a importante instituição democrática do voto - dependem profundamente da ciência e da tecnologia. Também criamos uma ordem em que quase ninguém compreende a ciência e a tecnologia. É uma receita para o desastre. Podemos escapar ilesos por algum tempo, porém mais cedo ou mais tarde essa mistura inflamável de ignorância e poder vai explodir na nossa cara.

- C. Sagan. Relatório da Reunião Educação para o Século XXI .

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Diante de tal situação, a existência de um espaço de estudo, de debate e de produção cientifica em um espaço não formal, pode ser de fundamental importância para o domínio da cultura científica e incentivo ao ingresso de estudantes na área pelo despertar de novas vocações. Segundo Praxedes (2009) a prática educativa em espaços não formais é um recurso didático catalisador de motivação e interesse, tanto por alunos como por professores, uma vez que sem a pressão de um currículo a ser cumprido e com tempo definido para o foco a ser estudado ou discutido, os estudantes podem ter a possibilidade do encantamento pela atividade científica, à medida que percebem que é uma atividade possível a todos. Nesse ínterim, aprendem que para fazer ciência é imprescindível paciência, perseverança e espírito de cooperação.

Tendo como primícias o desenvolvimento de projetos e debates sobre temas que envolvem ciências, um grupo de professores da área das ciências da natureza implantou no IFRN - Câmpus Natal-central, o Clube de Ciências do IFRN que tem como pretensão a construção de um espaço formativo e informativo de Ciências em ambiente não formal, onde os (sócios) integrantes poderão vivenciar o trabalho interdisciplinar da ciência a partir da utilização de temas de estudo em seu contexto real. Desta forma, segundo as Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio - OCNEM - (2006), é possível estruturar o conhecimento escolar de maneira a viabilizar o domínio do conhecimento científico sistematizado na educação formal, reconhecendo sua relação com o cotidiano e as possibilidades do uso dos conhecimentos apreendidos em situações diferenciadas da vida.

A proposta é implantar Clubes de Ciências em cada um dos Câmpus do IFRN após a consolidação do Clube no Câmpus Natal-Central, e nesse contexto, os Clubes de Ciências passarem a ser ricos ambientes de interação e aprendizagem para professores e alunos do ensino básico, licenciandos dos cursos de graduação da área e egressos recém-formados.

Assim, o Clube de Ciências do IFRN tem como princípio norteador das suas atividades, a alfabetização científica que, segundo as OCNEM (2006), implica em três dimensões: a aquisição de um vocabulário básico de conceitos científicos, a compreensão da natureza do método científico e a compreensão sobre o impacto da ciência e da tecnologia sobre os indivíduos e a sociedade.

O presente trabalho tem como objetivo descrever a implantação do Clube de Ciências IFRN no Câmpus Natal-Central e também apresentar uma de suas atividades - as palestras de incentivo ao ingresso de estudantes na área das Ciências da Natureza. O foco dessas palestras não é a discussão ou apresentação de projetos científicos simplesmente, mas principalmente, o testemunho da conquista de pessoas normais, não-gênios, que são destaques nas pesquisas de ponta, em nível nacional e internacional.

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## Metodologia

Para a implantação do Clube de Ciências do IFRN foram realizadas reuniões com um grupo pequeno de professores de física e biologia dos Câmpus Natal Central e de Câmpus do interior do estado - Pau dos Ferros. Esses professores já apresentavam vínculos criados a partir de suas aspirações relativas a criação de um espaço de discussão e produção científica no Instituto. Em um passo seguinte, aconteceram reuniões com outros professores, possíveis colaboradores do Clube. Esses profissionais do Instituto e de outras instituições, como a Universidade Federal do Rio Grande do Norte e da Secretaria de Educação do Estado do RN. Nessas reuniões foram propostos os capítulos do estatuto. A partir disso, foi apresentada a proposta aos professores que constituem a DIAC - Diretoria Acadêmica de Ciências - IFRN Câmpus Natal-Central, onde foram discutidas sugestões para a sua implantação. Feito isso, a proposta foi posta a apreciação de todos os servidores, e corpo discente do IFRN, via site oficial do próprio Instituto (www.ifrn.edu.br).

Para o lançamento do Clube de Ciências do IFRN foi organizada uma palestra de divulgação científica com a participação do professor Dr. José Renan de Medeiros (UFRN) que a proferiu com o seguinte título: 'Os Novos Mundos do Cosmo'. A palestra ocorreu no mini-auditório do IFRN Câmpus Natal-Central onde estiveram presentes 140 (cento e quarenta) pessoas, entre elas: estudantes do ensino básico tecnológico, do ensino superior e servidores.

Figura 01 Foto da Palestra do Prof. Dr. José Renan de Medeiros

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Figura 2 Foto da Palestra do Prof. Dr. José Renan de Medeiros

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O Clube de Ciências do IFRN será inicialmente implantado no Câmpus NatalCentral e atingirá estudantes e servidores, com perspectiva de atingir todos os Câmpus do Instituto Federal no Rio Grande do Norte. O Clube desenvolverá inicialmente projetos relacionados à área das Ciências da Natureza, podendo atingir outras áreas de acordo com a participação de docentes dessas áreas.

A seleção obedecerá ao estatuto implantado pelo Clube de Ciências, é será realizada anualmente. As atividades ocorrerão no contra-turno e serão acompanhadas pelos tutores responsáveis, de acordo com a natureza das atividades, podendo essas serem de ordem teórico-práticas ou de visitas a instituições e atividade de campo.

O Clube de Ciências do IFRN já conta com ambientes virtuais para divulgação e interação com seus integrantes e demais interessados em Ciência.

Facebook: https://www.facebook.com/ClubeDeCienciasIFRN

Twitter: http://twitter.com/#!/CCienciasIFRN

YouTube: http://www.youtube.com/ClubeDeCienciasIFRN

E-mail: clubedeciencias@ifrn.edu.br

A equipe de implantação e execução do projeto é composta por dois professores de Física do Câmpus Natal-Central e uma professora de Biologia do Câmpus Pau dos Ferros em Cooperação Técnica com o Câmpus Natal-Central.

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## Resultados Parciais

A proposta de implantação do Clube de Ciências do IFRN encontra-se no início de seu desenvolvimento, tendo, portanto, resultados incipientes se comparados às perspectivas da proposta, mas já se pode vislumbrar, a curto prazo, alguns pontos positivos relacionados ao corpo docente e discente, dentre as quais podemos destacar:

- · a participação de alunos do ensino básico e superior (do curso de licenciatura em Física) e professores da DIAC/Câmpus Natal-Central nas palestras de implantação e divulgação científica (Figuras 01, 02, 03, 04 e 05);
- · os inúmeros comentários favoráveis em relação às palestras, comentários esses expostos em redes sociais e durante as aulas; a cooperação de professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN - e da Secretaria de Estado do Rio Grande do Norte - SEEC/RN - que já confirmaram participação no Clube;
- · a possibilidade de um espaço para divulgação dos projetos na TV do IFRN (Canal Via Satélite);
- · a utilização dos espaços virtuais do Clube para interação dos docentes da área e demais interessados em Ciências no IFRN. Este último tem sido comemorado uma vez que, talvez, pelas grandes distâncias entre os diversos Câmpus, os professores/pesquisadores tendem a realizar suas pesquisas e não compartilha-las com o restante da comunidade IFRN. Neste caso, o Clube se tornará um canal aberto para a divulgação dos projetos de extensão realizados.

Figura 03 Foto do Prof. Dr. Aderson Farias (UFRN) com uma estação sismográfica para demonstração.

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Figura 04 Foto da palestra do Prof. Dr. Aderson Farias (UFRN)

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Figura 5 Foto da estação sismográfica montada no local da palestra

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## Conclusão

Dentre as finalidades do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte tem-se como características básicas o desenvolvimento de programas de extensão e de divulgação científica e tecnológica; a realização e estimulo à pesquisa científica e tecnológica, à produção cultural e à inovação tecnológica; estimulo ao cooperativismo e o desenvolvimento científico e tecnológico (PPP- Documento Base/IFRN 2012).

Nesse sentido, o Clube de Ciências irá possibilitar de maneira efetiva a concretização dos objetivos e finalidades institucionais sob orientação dos Arts. 6º e 7º, dispostos pela Lei 11.892/08 da criação dos Institutos Federais de Tecnologia.

Corroborando com as pretensões do Clube de Ciências, já proclamadas anteriormente, os PCNEM (Brasil, 1999) expressam em sua introdução que a aprendizagem de concepções científicas atualizadas do mundo físico e natural e o desenvolvimento de estratégias de trabalho centradas na solução de problemas é finalidade da área das Ciências da Natureza, de forma a aproximar o educando do trabalho de investigação científica e tecnológica, como atividades institucionalizadas de produção de conhecimentos, bens e serviços.

Por hora, o desenvolvimento do projeto tem mostrado que um Clube de Ciências pode se tornar uma importante alternativa para a melhoria do ensino de ciências no ensino básico tecnológico e provocar o reconhecimento de novas e grandes vocações para a área. A grande participação de alunos na palestra de implantação e o elevado número de alunos que demonstram queres participar da seleção para o ingresso como sócio do clube indica que a Ciência, aparentemente, não os intimida, sendo, portanto a falta de interesse provocada pela carência de ambientes motivadores que desenvolvam a criatividade e estimulem a busca incessante pelo 1 conhecimento, com orientação adequada e tempo e espaços apropriados para o processo de aquisição e até mesmo, de amor ao espírito científico.

## Referências

- · BRASIL , Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Brasília: Ministério da Educação, 2000.
- · BRASIL , Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Orientações Curriculares para o Ensino Médio; volume 2. Brasília: ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica, 2006.
- · BRASIL . Constituição (1988) . Constituição [da] Republica Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal.
- · BRASIL . LEI Nº 9.394 de dezembro de 1996 - Lei de diretrizes e bases da educação. Brasília, DF: Senado Federal.

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- · Projeto Político-Pedagógico do IFRN: uma construção coletiva. DOCUMENTO-BASEGLYPH&lt;31&gt;(Aprovado pela Resolução 38/2012-CONSUP/IFRN, de 26/03/2012) .
- · UNESCO . EDUCAÇÃO UM TESOURO A DESCOBRIR: Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. Ed.Cortez, 1996.
- · PRAXEDES, Gutemberg de Castro . A utilização de espaços de educação não formal por professores de biologia de Natal-RN . Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências Naturais e Matemática da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal/RN, 2009.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.