Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

O IMPACTO DA ABORDAGEM HISTÓRICO-FILOSÓFICA DO NOVO CURRÍCULO MÍNIMO DE FÍSICA IMPLANTADO NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Bárbara De Azevedo Bittencourt, Camila De Souza Ferreira, José Claudio De Oliveira Reis

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
24/01/2013
Linha de pesquisa
História, Filosofia E Sociologia Da Física
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2013

Texto completo

## O IMPACTO DA ABORDAGEM HISTÓRICO-FILOSÓFICA DO NOVO CURRÍCULO MÍNIMO DE FÍSICA IMPLANTADO NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

## Bárbara de Azevedo Bittencourt , Camila de Souza Ferreira , José 1 2 Claudio de Oliveira Reis 3

## Resumo

Neste trabalho discorremos a respeito da pesquisa que iremos desenvolver sobre os impactos do novo currículo mínimo do estado do Rio de Janeiro nos professores durante a sua implementação no ano de 2012. Estamos interessados nos aspectos relevantes a utilização da História e Filosofia da Ciência como ferramenta do processo de construção do conhecimento e para isso desenvolvemos um questionário com o objetivo de identificar e agrupar os aspectos recorrentes no discurso desses professores. A ferramenta que iremos utilizar é a análise textual, que tem como característica uma análise qualitativa. O questionário será respondido por alguns professores apenas, pois não haverá tempo hábil para levá-lo a todos os professores de física do estado do Rio de Janeiro, e por esse mesmo motivo levaremos o questionário apenas às regiões mais centrais do estado. Outro aspecto relevante é que estão sendo elaboradas orientações curriculares que poderão ser construídas levando em consideração parte das informações levantadas com essa pesquisa. Essas orientações têm por finalidade dar subsídios aos professores na montagem dos seus cursos a partir do que propõe o novo currículo.

Palavras-chave : História e Filosofia da Ciência, Currículo Mínimo do Estado do Rio de Janeiro

## INTRODUÇÃO

A motivação deste trabalho surgiu do fato de 2012 ser o ano de implantação do novo currículo mínimo, no Estado do Rio de Janeiro, e por este novo currículo ter trazido diversas mudanças em relação à versão anterior. Graças a essa grande mudança, várias perguntas surgiram e urgiam por serem respondidas. E eram elas: o que esse 'novo currículo' trazia de 'novo'? Os professores conhecem esse novo currículo? Se ele é tão novo assim, os professores estão prontos para ele? Os professores irão realmente segui-lo? E por fim, a nossa pergunta geradora: Qual foi o impacto, causado pela abordagem histórico-filosófica do novo currículo mínimo, nos professores de Física do Estado do Rio de Janeiro? Com isso formulamos um questionário que nos fornecesse informações para tentarmos responder tais perguntas, e muitas outras que surgiriam ao longo do caminho.

## POR QUE HISTÓRIA DA CIÊNCIA?

A abordagem histórico-filosófica do novo currículo mínimo nos despertou um interesse particular devido ao fato de já termos trabalhado com este tema em nossos

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

20 a 25 de janeiro de 2013

trabalhos de conclusão do curso de licenciatura na UERJ. Os trabalhos 'As Quatro Leis de Newton' e 'Física, Arte e Ensino' foram desenvolvidos separadamente pelos autores 1 e 2 respectivamente, com a orientação do autor 3. Esses dois trabalhos tinham como objetivo desenvolver uma proposta de ensino baseada na História e Filosofia da Ciência e foram motivados pelo artigo cuja passagem mais marcante encontra-se destaca na citação abaixo.

A história, a filosofia e a sociologia da ciência não têm todas as respostas para essa crise, porém possuem algumas delas: podem humanizar as ciências e aproximá-las dos interesses pessoais, éticos, culturais e políticos da comunidade; podem tornar as aulas de ciências mais desafiadoras e reflexivas, permitindo deste modo, o desenvolvimento do pensamento crítico; podem contribuir para um entendimento mais integral da matéria científica, isto é, podem contribuir para a superação do 'mar de falta de significação' que se diz ter inundado as salas de aula de ciências, onde fórmulas e equações são recitadas sem que muitos cheguem a saber o que significam; podem melhorar a formação do professor auxiliando o desenvolvimento de uma epistemologia da ciência mais rica e mais autêntica, ou seja, dar uma maior compreensão da estrutura das ciências bem como do espaço que ocupam no sistema intelectual das coisas. (MATTHEWS, 1995, p.165).

O ensino tradicional não corresponde mais aos anseios dos alunos, que se encontram imersos em uma sociedade com um crescente fluxo de informações onde a presença do professor lhes parece desnecessária, e o ensino de ciências sem significado. Há ainda uma crescente insatisfação com os métodos tradicionais de ensino, que é partilhada pelos alunos e pelos professores (REZENDE, 2005). Neste sentido acreditamos que o uso da HFC seja capaz de dar significado aos conteúdos de ciência, pois acreditamos que é a falta de significado que torna os alunos desinteressados, uma vez que não conseguem mediar com clareza o conhecimento, nem relacioná-los com a realidade de forma a atuarem de maneira crítica e participativa.

Além disso, essa abordagem histórico-filosófica é capaz de alcançar também os objetivos propostos pelos PCN's para o ensino de física:

A Física deve apresentar-se,... como um conjunto de competências específicas que permitam perceber e lidar com os fenômenos naturais e tecnológicos, presentes tanto no cotidiano mais imediato quanto na compreensão do universo distante (Parâmetros Curriculares Nacionais, 2002).

Pensando nas estratégias que os professores podem adotar numa tentativa de cativar os alunos, é fundamental fazer a ciência dialogar com a cultura, com a história da ciência, assim como com o cotidiano em que o aluno está inserido, uma vez que a ciência formal apresenta pouco sentido aos alunos. As relações com a cultura, com a tecnologia e a sociedade são um possível ponto de partida para um diálogo produtivo com a Ciência (Aguiar Jr, 2010).

Sendo assim, acreditamos que a contextualização através da HFC é uma importante ferramenta para que a postura dos alunos diante do ensino de ciências seja diferente, pois ela possibilita que eles vejam significado naquilo que estão aprendendo (POZO & CRESPO, 2009), ela humaniza as ciências e tornam as aulas de física mais desafiadoras e reflexivas (MATTHEWS,1995), bem como auxilia na formação de cidadãos autônomos, críticos e participativos na sociedade em que estão inseridos.

Há também a necessidade de que o conhecimento científico esteja inserido num processo histórico e social, pois como aparece na apresentação do Currículo Mínimo 2012: 'preparar os estudantes de Ensino Médio (E.M.) para compreender o

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

seu cotidiano e a sociedade em que estão inseridos significa propor um ensino de Física que lhes permita entender como esta ajudou a construir o mundo em que vivemos.'. Sendo assim, o uso de HFC parece se encaixar, mais uma vez, adequadamente a esta proposta, uma vez que não há o objetivo de substituir o ensino de física pelo de história e filosofia da ciência, mas sim incentivar o uso da contextualização sócio-cultural para que o conhecimento científico e tecnológico seja compreendido como resultado de uma construção humana e assim poder facilitar a compreensão da física ensinada atualmente.

Não se deseja que as crianças sejam capazes de resolver a controvérsia entre realismo e instrumentalismo; também não se tenciona que elas sejam submetidas a uma 'catequese' sobre as quinze razões pelas quais as conclusões de Galileu eram corretas e as dos cardeais não. Ao contrário, espera-se que elas considerem algumas das questões intelectuais que estão em jogo; espera-se que considerem o fato de que há perguntas a serem feitas e que comecem a refletir não somente sobre as respostas para essas perguntas, mas, sobretudo, sobre quais as respostas válidas e que tipos de evidências poderiam sustentar essas respostas. (MATTHEWS, 1995, p.168)

## METODOLOGIA

Para iniciar a pesquisa, havia primeiro a necessidade de se conhecer o currículo novo e o que estava em vigor antes dele, pois era preciso saber quais eram as semelhanças, diferenças e propostas. Sendo assim os dois currículos foram analisados ressaltando suas diferenças e semelhanças, no que abrange os conteúdos a serem ministrados nas turmas de Ensino Médio; as propostas e justificativas dadas pela equipe que o confeccionou; e principalmente os motivos do 'porque estudar física no ensino médio' que foi o tema norteador do grupo para a elaboração deste novo currículo.

Após esta fase de reconhecimento dos currículos e de ambientação com os termos, órgãos do Estado e siglas utilizadas em documentos oficiais, partiu-se para a formulação do questionário que será respondido por alguns professores apenas, pois não haverá tempo hábil para levá-lo a todos os professores de física do estado do Rio de Janeiro. Sendo assim, contar-se-á com um número restrito de professores e, por consequência, também de questionários para serem analisados. A metodologia utilizada nesta pesquisa será à análise textual, (Moraes, 1999) que tem por objetivo fazer uma análise rigorosa e criteriosa da informação coletada; sem a intenção de comprovar ou refutar hipóteses, mas sim compreendê-las. De modo que para coletar os dados a serem analisados serão utilizados questionários com perguntas geradas a partir do confronto do currículo mínimo novo com o antigo, e que serão respondidos pelos professores voluntários. E após separar os dados, estes serão identificados e os aspectos, considerados relevantes serão agrupados, através de palavras chaves.

## O QUESTIONÁRIO

Em consonância com as propostas dos PCN's de utilizar o ensino de física para formar um cidadão para o mundo contemporâneo, o novo currículo mínimo propõe preparar os estudantes de E. M. para compreender o seu cotidiano e a sociedade em que estão inseridos. Sendo assim, a grande diferença entre os currículos se dá por uma mudança na maneira de enxergar o porquê do ensino de Física no E. M., uma vez que o novo currículo busca inserir a Física na história e

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

aborda temas contemporâneos para facilitar a compreensão do cotidiano repleto de tecnologia que foi engendrada pela física.

Baseados nessa proposta os formuladores do currículo mínimo optaram por retirar alguns tópicos e inserir outros que achavam mais válidos, numa tentativa de dar ao aluno capacidade de dominar conceitos científicos e da lógica de construção de conhecimento.

Assim, as mudanças na primeira série do E. M. começaram com a retirada dos tópicos de termodinâmica, que foram transferidos para o segundo ano do E. M. onde serão tratados a partir do estudo de máquinas térmicas. Os conceitos relacionados à óptica foram realocados na terceira série do E. M., e serão tratados a partir do estudo do olho humano, onde se objetiva o estudo do espectro luminoso. O novo currículo mínimo propõe que os alunos da primeira série do E. M. estudem os movimentos dos corpos a partir da cosmologia e da observação do céu, dispensado assim o estudo detalhado do formalismo matemático das funções dos movimentos e da cinemática, pois eles são menos relevantes para a compreensão do mundo e da própria Física. Neste ponto é importante que os alunos aprendam conceitos básicos associados aos movimentos dos corpos a partir da história da evolução dos diferentes conceitos de mundo e da necessidade de explicar os movimentos dos corpos celestes, dando mais significado aos conceitos de movimento uma vez que estes são fundamentais para o entendimento dos fenômenos naturais e de sistemas tecnológicos. Além disso, o estudo de outros tópicos de Mecânica como forças, relatividade geral e restrita, impulso, momento linear e conservação do momento também são sugeridos para a primeira série do E. M., que serão abordados também a partir de temas com as ideias do Universo geoestático de Aristóteles-Ptolomeu, heliostático de Copérnico-Galileu-Kepler e os modelos atuais do universo (evolução estelar, buracos negros, espaço curvo e big bang).

Da segunda série do E. M. foram retirados os conteúdos de Mecânica, que como vimos anteriormente, passaram a ser tratados na primeira série do E. M., e foi sugerido o estudo de Termodinâmica a partir de temas geradores como máquinas térmicas, usinas de energia elétrica o que agora permite o professor dar maior ênfase as leis da termodinâmica e aos processos de transmissão de calor. Neste momento o estudo detalhado da Termometria, dilatação e Calorimetria passam a ser considerados dispensáveis se inseridos nesta nova perspectiva onde temas que abordam as relações da energia com a sociedade são tratados com mais significado, uma vez que estão imersos num contexto histórico e social que está mais próximo da realidade e do conhecimento cotidiano do aluno.

Na terceira série do E. M. permaneceram os tópicos de eletricidade, magnetismo e ondas. Contudo, a abordagem utilizada para o eletromagnetismo priorizou os fenômenos que ajudam a compreender as diferentes transformações de energia, assim como no dínamo e no motor elétrico; e as relações e impactos de temas como a lei da indução eletromagnética e o avanço do eletromagnetismo para a nossa sociedade. A Física ondulatória, como já dito, passará a ser introduzida utilizando a ideia do olho humano; e a óptica geométrica foi deixada de lado, uma vez que não é essencial para a compreensão dos fenômenos ondulatórios.

As mudanças foram feitas em todos os níveis do currículo, tais como a nova organização por habilidades e competências, a contrapartida histórica, a abordagem de Ciência-Tecnologia-Sociedade (CTS) e a inserção da física moderna, contemporânea, dentre muitas outras. Cientes das mudanças, de uma forma geral,

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

na estrutura e na filosofia do currículo e tentado compreender a percepção dos professores sobre o novo currículo mínimo, algumas perguntas foram formuladas. Primeiramente, procura-se saber se os professores têm conhecimento da mudança de currículo, e que essa nova versão esta bem diferente da anterior. Além disso, também, há um interesse em saber se eles já tiveram algum contato com este currículo e quais foram as suas primeiras impressões. Na pergunta seguinte, levando-se em consideração que muitos licenciandos em física concluem a sua graduação sem ter nenhum tipo de contato com ferramentas auxiliadoras de ensino, é importante saber o quanto a abordagem histórico-filosófica presente no novo currículo é uma novidade para o professor; por isso pergunta-se a ele se já a utilizava em suas aulas, com que frequência e em que momentos. Mais importante do que isso é a informação sobre a visão do professor do que é uma abordagem de História e Filosofia da Ciência (HFC): uma ferramenta no processo de construção da aprendizagem ou uma informação.

Após o posicionamento do professor em relação à utilização da HFC é necessário perguntar a frequência de utilização deste tipo de abordagem, e em que momentos durante o curso ele faz uso dela; neste momento vale ressaltar a leve divisão entre os professores que utilizam e os que não utilizam a HFC, mas as perguntas que se seguem não tencionam excluir os professores que não a utilizam, pois todos são agregadores de valores a esta pesquisa.

- O questionamento anterior, sobre a utilização da abordagem histórico filosófica, desperta o interesse em saber onde esses professores buscam as informações que passam aos alunos, e por isso decidiu-se perguntar onde esses professores buscam as referências para montar suas aulas. Assim como a informação sobre a busca de referências, era extremamente importante saber se os professores tinham conhecimento sobre as orientações fornecidas pela Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC); o que nos dará uma noção sobre o nível de informação dos professores a respeito do novo currículo.

Porém, tão importante quanto às orientações de apoio fornecidas pela SEEDUC para a implantação do novo currículo mínimo, é necessário conhecer a opinião dos professores a respeito dos livros adotados junto com o novo currículo mínimo, qual foi o livro adotado pela escola, e se eles concordam com a escolha, ou se teriam optado por outro.

Nesta parte do questionário começam as perguntas sobre as mudanças no currículo mínimo que envolvem especificamente a abordagem histórico filosófica da ciência, pois o novo currículo mínimo também trouxe mudanças que envolvem a inserção de tópicos como cosmologia e relatividade que não são o foco de investigação deste trabalho. Tentando abordar de uma forma mais direta surgem da contextualização histórica duas perguntas, a primeira se refere ao reconhecimento da Física aristotélica e sua influência no pensamento ocidental até o surgimento das leis de Newton, pois é importante saber como o professor enxerga esta relação; e a segunda se os professores seriam capazes de relacionar o surgimento das máquinas a vapor com a Primeira Revolução Industrial, e quais seriam os reflexos disso no aprendizado dos seus alunos.

Então surge outra reflexão importante, saber a opinião dos professores sobre o ensino de conceitos de astronomia, se eles ensinam e de que maneira eles fazem isso. Esta pergunta serve também de gancho para a próxima, onde há a intenção de saber a opinião do professor sobre a pertinência do ensino das

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

diferentes teorias sobre o universo, tais como o modelo geostático de Aristóteles/Ptolomeu, o heliostático de Copérnico/Galileu/Kepler e as teorias atuais sobre a origem e constituição do universo.

Aulas que envolvem temas do cotidiano dos alunos também são fatores importantes para esta pesquisa, pois como já foi justificado em outros momentos a utilização da HFC é uma ferramenta para ajudar o aluno a compreender a realidade em que ele está inserido; neste caso em específico a questão tenciona avaliar se o professor está fazendo o paralelo entre a física aprendida em sala de aula, que inevitavelmente envolve fórmulas e equações matemáticas, com o funcionamento de geladeiras, carros, chuveiros elétricos, satélites, aviões, entre outros.

Por fim o questionário se encerra com uma pergunta que reflete a proposta do PCN de tornar o aluno capaz de compreender a sociedade em que está inserido, então pergunta-se ao professor se ele considerava que os atuais alunos dele seriam capazes de analisar, argumentar e posicionar-se criticamente em relação a temas de ciência, tecnologia e sociedade e de que maneira suas aulas estariam ligadas a essa compreensão e entendimento de mundo.

## CONSIDERAÇÕES FINAIS

Achamos importante destacar mais uma vez que apesar do novo currículo mínimo ser uma proposta para todo o estado do Rio de Janeiro, não foi possível por uma questão de tempo e de logística, atingir todos os professores da rede, e que nossos questionários serão respondidos apenas em uma parcela da região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro. Porém, pretendemos expandir essa área futuramente para que nossos dados possam ser mais expressivos e representativos.

Em uma breve análise dos questionários respondidos, pudemos destacar as primeiras impressões que os professores, que participaram da nossa pesquisa, tiveram sobre o novo currículo mínimo. O primeiro dado que nos chamou atenção foi o fato de a média de idade destes professores ser de 30 anos e todos com menos de 10 anos como efetivos do Estado; dentre eles uma grande maioria se mostrou interessada, e um manifestou seus anseios pela maior participação dos professores no processo de formulação do currículo mínimo. Também foi possível perceber que todos eles já haviam tomado conhecimento sobre a implementação do novo currículo mínimo, e no que diz respeito à utilização da HFC a maioria se mostrou favorável à esta abordagem, até porque grande parte já utilizava a HFC com uma ferramenta pra a construção do conhecimento em suas aulas. Outra pergunta que até este momento da pesquisa vem mostrando reações fortes dos professores é a que se refere à utilização dos conceitos da Física aristotélica na introdução do ensino das leis de Newton, todos eles se mostraram absolutamente favoráveis e alguns ainda acrescentam a forma como eles fazem em suas aulas; sendo assim percebemos que cada professor tem sua maneira de trabalhar esta competência do currículo, e quando vemos suas respostas percebemos a diversidade que esta competência trás.

A proposta deste currículo entrou em vigor nas escolas do estado do Rio de Janeiro poucos meses antes do início do ano letivo de 2012, sendo assim as orientações de apoio da SEEDUC aos professores de física não estavam disponíveis para o 1º bimestre deste ano; contudo, nos bimestres seguintes estas já podiam ser acessadas no site 'Conexão Professor'. Estas orientações não tencionam enrijecer a prática dos professores, seu objetivo é subsidiar os

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

professores com o maior número possível de informações e de auxílio na montagem de suas aulas, de forma a facilitar a implementação do novo currículo nas salas de aula. No início de cada bimestre as orientações começam com um breve panorama sobre o que deve ser desenvolvido e trabalhado especificamente, depois há uma proposta para a divisão do tema em unidades, bem como uma estimativa de quantas semanas cada unidade levará para ser desenvolvida com os alunos. Nas orientações também é possível encontrar materiais de apoio, conexões com habilidades e competências, sugestão de atividades, conexão com os livros do PNLD, atividade interdisciplinares, sugestões de avaliação e uma seção com dicas de vídeos, disponíveis e de fácil acesso na internet.

Tendo em vista que a partir de 2013 serão oferecidos cursos de formação continuada para auxiliar os professores a desenvolverem as propostas do novo currículo mínimo. Outro aspecto relevante é que estão sendo elaboradas orientações curriculares que poderão ser construídas a levando em consideração parte das informações levantadas com essa pesquisa.

Além disso, por ser um trabalho que está sendo elaborado para um simpósio de âmbito nacional, acreditamos que essa pesquisa possa trazer resultados que ajudem na formação de licenciandos, e também na prática e na formação continuada de professores.

## Referências

AGUIAR JUNIOR, Orlando. A ação do professor em sala de aula: identificando desafios contemporâneos à prática docente. In: CUNHA, Ana Maria de Oliveira et al. Convergências e tensões no campo da formação e do trabalho docente: Educação Ambiental; Educação em Ciências; Educação em Espaços nãoescolares; Educação Matemática. Belo Horizonte: Autêntica, 2010. p. 238-264.

AUTOR 1. As quatro leis de Newton. 2012. Monografia (Graduação em Física) Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro.

AUTOR 2. Física, arte e ensino. 2011. Monografia (Graduação em Física) Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro.

MATTHEWS, M. R.. História, Filosofia e Ensino de Ciências: A tendência atual da reaproximação. Caderno Catarinense Ensino de Física , Florianópolis, v. 12, n. 3, p. 164-214, dez. 1995.

MORAES, R. Uma tempestade de luz: a compreensão possibilitada pela análise textual discursiva. Ciência & Educação . v. 9, n. 2, p. 191 - 211, 2003.

Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasil, 2002

POZO, Juan Ignacio; CRESPO, Miguel Angel Gomez. A Aprendizagem e o Ensino de Ciências: Do Conhecimento Cotidiano ao Conhecimento Científico. 5. ed. Porto Alegre: : ARTIMED, 2009. 296p.

REZENDE, Flavia; OSTERMANN, Fernanda. A prática do professor e a pesquisa em ensino de física: novos elementos para repensar essa relação. Caderno Brasileiro Ensino de Física , Florianópolis, v. 22, n. 3, p.316-337, dez. 2005.

Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Proposta Curricular: um novo formato. Ciências, Biologia, Física e Química, Rio de Janeiro, 2010.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Conexão Professor, 2012. Disponível em: < http://www.conexaoprofessor.rj.gov.br/curriculo\_identificacao.asp> Acesso em: 15 out. 2012.

Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Currículo Mínimo 2012. Componente Curricular: Física, Rio de Janeiro, 2012.

Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Orientações pedagógicas para o novo currículo mínimo do estado do Rio de Janeiro. Componente Curricular: Física, Rio de Janeiro, 2012.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.