PROBLEMATIZANDO CONCEITOS DE ASTRONOMIA: UMA PROPOSTA BASEADA NOS TRÊS MOMENTOS PEDAGÓGICOS
Flávia Polati Ferreira, Gabriel Moreira Barros, Cristina Leite
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 24/01/2013
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## PROBLEMATIZANDO CONCEITOS DE ASTRONOMIA: UMA PROPOSTA BASEADA NOS TRÊS MOMENTOS PEDAGÓGICOS
## Flávia Polati Ferreira , Gabriel Moreira Barros 1 2 , Cristina Leite 3
1
Mestranda do Programa de Interunidades em Ensino de Ciências/USP, flaviapolati@gmail.com 2 Mestrando do Programa de Interunidades em Ensino de Ciências/USP, gabrielmoreirabarros@gmail.com 3 Instituto de Física /Departamento de Física Experimental/USP, crismilk@if.usp.br
## Resumo
O presente trabalho visa apresentar uma proposta didática composta de 11 atividades para a formação de professores de Ciências e Física que busque problematizar assuntos de astronomia através de relações entre os conceitos astronômicos e a observação de eventos e fenômenos em nosso cotidiano. Tal proposta foi aplicada em um curso de extensão para a formação continuada e está em avaliação. Fazendo o uso do referencial dos Três Momentos Pedagógicos, procurou-se problematizar aspectos que possam ser vivenciados no contexto do planeta Terra, como a observação de sua forma, do movimento aparente do Sol, as estações do ano, o dia e a noite, dentre outros. Em seguida, buscou-se através de diversas estratégias a apropriação dos conhecimentos astronômicos, como o uso de modelos, leitura de textos, uso de softwares, observação do céu diurno, dentre outras. Os conceitos trabalhados foram aplicados no contexto dos demais planetas do Sistema Solar ou então sistematizados através da retomada das questões iniciais, visando o uso do terceiro momento. Espera-se com este trabalho contribuir para a formação de professores de Ciências e Física com atividades para o ensino de Astronomia que busquem promover o constante diálogo entre a realidade do sujeito e o conhecimento científico.
Palavras-chave : ensino de astronomia, formação de professores, Três Momentos Pedagógicos
## Introdução
O Sistema Solar é um dos temas da Astronomia mais abordados em sala de aula, tanto por sua presença em diversos livros didáticos nacionais quanto por estar nos PCNs de Ciências e Física. Porém, a forma mais comum de ensinar este conteúdo é através da memorização. Enunciados vazios de significados, sem correlações com nossas vidas, estão presentes no ensino da Astronomia e são, em geral, repetidos por alguém que aprendeu também através da memorização (BISCH, 1998; LANGHI, 2009).
A importância de questionar e problematizar nas aulas de Ciências conceitos de astronomia vai ao encontro da proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de Ciências da Natureza , para as aulas de Ciências do terceiro e quarto ciclo do ensino fundamental (BRASIL, 1999), a partir do eixo estruturador Terra e Universo e da Proposta Curricular do Estado de São Paulo (SÃO PAULO, 2008).
Os PCNs, por sua vez, ressaltam a importância do ensino de astronomia estar articulado com a observação do céu. No entanto, é importante considerar o fato de que nossa observação do céu é extremamente limitada, visto que, observamos o universo apenas a partir do ponto de vista fixo na Terra, o que nos limita à percepção de apenas duas dimensões. Para termos uma percepção
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20 a 25 de janeiro de 2013
tridimensional dos astros através apenas da observação, seria necessário viajar pelo universo, percebendo os planetas e estrelas como objetos esféricos (LEITE, 2006).
Uma compreensão mais profunda de conceitos astronômicos, como as implicações da percepção tridimensional da forma e dos movimentos dos planetas, pode contribuir também para a compreensão de diversos fenômenos presentes em nossa vida cotidiana, como é o exemplo da relação entre a forma esférica da Terra e o clima em diferentes locais do planeta:
Quanto à forma esférica, é interessante investigar como os raios solares atingem o planeta: mais próximos de uma perpendicular à superfície na região entre os dois trópicos, e mais obliquamente nas regiões mais próximas aos pólos, o que implica distribuição da luz e calor de forma diferenciada nestes locais. Assim, temos diferentes zonas climáticas: duas regiões polares frias, uma equatorial quente e duas regiões intermediárias tropicais (BRASIL, 1999 p. 66).
Além disso, estimular a reinterpretação crítica do observável através das contradições que possam surgir ao tratar da maneira como observamos alguns eventos astronômicos em nosso cotidiano vem ao encontro da proposta dos PNCs de Ciências. Um ótimo exemplo sobre este assunto é a contradição entre o movimento 'aparente' do Sol e o movimento de rotação da Terra, visto que observamos algo distinto do modelo científico atualmente aceito:
Certamente os alunos manifestam a contradição entre o que observam no céu - o movimento do Sol tomando-se o horizonte como referencial - e o movimento de rotação da Terra, do qual já tiveram notícia. As dúvidas dos alunos, contudo, podem ser o ponto de partida para se estabelecer uma nova interpretação dos fenômenos observados (BRASIL, 1999 p. 62).
Diante desse cenário, o presente trabalho visa apresentar uma proposta didática que busque problematizar assuntos de astronomia e discutir as relações entre os conceitos abordados com a observação de eventos e fenômenos em nosso cotidiano. Esta proposta se encontra fundamenta no referencial dos Três Momentos Pedagógicos , inspiradas nas ideias do educador brasileiro Paulo Freire (1921-1997).
Os Três Momentos Pedagógicos (3MP) surgiram ao final da década de 70 no contexto da apropriação das ideias de Freire aos projetos de ensino de Ciências, desenvolvidos em Guiné Bissau, no Rio Grande do Norte e no município de São Paulo (MUNCHEN, 2010). Os 3MP são denominados: Problematização inicial (PI) , Organização do conhecimento (OC) e Aplicação do conhecimento (AC) (DELIZOICOV, 2001) . A PI propõe que se parta do conhecimento vivencial dos alunos, sendo estes expostos em discussões em pequenos grupos, para que posteriormente sejam levados para a sala toda, em uma discussão no grande grupo. O papel do professor é questionar, provocar a dúvida e gerar interesse pela discussão. No segundo momento, OC, os temas selecionados são aprofundados. Neste momento, diversas estratégias são realizadas para o estudo dos conteúdos questionado no momento anterior: discussões, leituras de textos, resoluções de problemas, observação do céu, etc. Por fim, na AC, os conceitos questionados inicialmente e trabalhados na etapa anterior são retomados através de novas situações propostas ou sintetizados a partir da retomada da questão inicial.
Neste trabalho, objetivamos apresentar uma proposta de ensino estruturada a partir da metodologia dos 3MP, que visa explorar conceitos de astronomia a partir da problematização de aspectos vivenciáveis pelos sujeitos, visando a formação de professores críticos com relação à realidade que os cerca.
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## Metodologia de construção das atividades
Apresentamos a seguir um conjunto de 11 atividades que foram aplicadas em um curso de extensão para a formação de professores de Ciências e Física do Estado de São Paulo e estão em fase de avaliação.
Fazendo o uso da estrutura do 3MP procurou-se inicialmente levantar problemas que podem ser vivenciados pelos sujeitos no contexto do planeta Terra (PI), como exemplo, a observação de sua forma, do movimento aparente do Sol, as estações do ano, o dia e a noite, dentre outros. Em seguida, buscou-se através de diversas estratégias a apropriação dos conhecimentos astronômicos, como o uso de modelos, leitura de textos, interpretação de tabelas, uso de softwares, observação do céu diurno e noturno, dentre outras (OC). Por fim, os conceitos trabalhados foram aplicados no contexto dos demais planetas do Sistema Solar (AC) ou sistematizados através da retomada das questões iniciais.
## A forma e os movimentos dos planetas do Sistema Solar: uma proposta para a formação do professor de Ciências em Astronomia
As atividades I a VI exploram o tema forma dos planetas do Sistema Solar e, grande parte delas, foi inspirada em atividades presentes nos Cadernos de Ciências do Currículo do Estado de São Paulo (São Paulo, 2008). As atividades VII a XI apresentam uma discussão sobre os movimentos e as relações entre os planetas do Sistema Solar e o Sol, discutindo os movimentos de rotação e translação dos planetas, o dia e a noite e as estações do ano. A seguir descrevemos as atividades que constituem a Proposta Didática.
## Atividade I: Como observamos a forma dos planetas do Sistema Solar?
Esta atividade se inicia questionando a maneira como observamos a forma do planeta Terra em nosso cotidiano Para fornecer elementos para a discussão, são . apresentadas algumas imagens de nosso planeta, obtidas a partir de diferentes referenciais, explorando o papel da localização do referencial na maneira como observamos o planeta Terra, de modo que, dependendo da sua posição na superfície terrestre é possível visualizar a Terra como um plano, um disco, dentre outros. Ainda problematizando a observação da forma da Terra, propõe-se que seja comparada a maneira como observamos a Terra em nosso cotidiano e a maneira como foi observada a mesma nas imagens disponibilizadas (PI). Visando fornecer elementos para aprofundar na compreensão do papel do referencial na observação da forma dos planetas, num segundo momento é proposta uma reflexão sobre o que é preciso fazer para observar a Terra como um todo. Propõe-se que seja manuseado o software Google Earth que pode propiciar observar nosso planeta como um todo e assim a forma esférica da Terra (OC). Ao final, buscando aplicar o problema da observação da forma de um planeta do Sistema Solar sugere-se retomar os conceitos tratados em outro contexto, em outro planeta, questionando-se se já observaram algum outro planeta além da Terra e caso tenham observado, qual foi a forma visualizada. São apresentadas algumas fotos do planeta Marte e perguntas semelhantes àquelas feitas no contexto da forma da Terra: Qual o ponto de vista das fotos que você observou? Deste ponto de vista é possível observar a forma de Marte? Por fim, através de uma situação imaginária, sugere-se que seja elaborada uma carta a um morador de Marte informando o que é possível fazer para que seja observado o planeta Marte na sua forma esférica (AC).
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## Atividade II: O que significa morar em um planeta esférico?
Visando problematizar a maneira como representamos os objetos e pessoas no planeta em que habitamos, sugere-se representar em um desenho a Terra e duas pessoas, uma no hemisfério Norte e outra no hemisfério Sul (PI). Com este desenho, esta atividade busca problematizar a noção de que a representação de objetos tridimensionais em um plano, bidimensional, retrata apenas uma parte do objeto, nunca o todo. Num segundo momento, aprofundando a relação entre a observação das partes de algo tridimensional, propõem-se uma discussão sobre duas representações de nosso planeta, o globo terrestre didático e o planisfério, visando identificar quais as vantagens e desvantagens de cada uma destas representações para perceber a forma esférica da Terra e para representar as pessoas em nosso planeta (OC). Neste momento, o conceito de atração gravitacional na superfície terrestre é tratado como a justificativa central do fato de habitarmos a superfície esférica da Terra, sem que caiamos desta superfície. Por fim, propõem-se que os conceitos de representação de nosso planeta e da direção da gravidade terrestre sejam aplicados em outro contexto, através de um desenho que represente o trajeto de uma pedra lançada por dois moradores, um no Brasil e outro no Canadá (AC). Assim, objetiva-se explorar a noção de representação de objetos na superfície da Terra orientados na direção radial de nosso planeta, explorando o conceito de gravidade em um planeta com sua forma esférica.
## Atividade III: O que há por detrás das sombras?
Esta atividade tem como um dos objetivos questionar como podemos desvendar a forma de um objeto a partir da observação de suas partes, neste caso, suas sombras. Com esta questão, procura-se problematizar a ideia de que observar uma única sombra de um objeto não propicia observá-lo como um todo, sendo necessário realizar um movimento do referencial ou do objeto observado, para poder observá-lo como um todo (PI). Sugere-se assim que observem diversas sombras de um mesmo objeto, procurando identificar qual a forma do mesmo (OC). Ao descobrirem algumas formas dos objetos, sugere-se novamente que respondam a questão inicialmente proposta, com o objetivo de fazerem uma síntese, buscando evidenciar a maneira como o referencial de observação propicia ou não a visualização da forma de um objeto como um todo (AC).
## Atividade IV: A incidência dos raios solares nos planetas
Nesta atividade, problematiza-se a maneira como se dá a incidência dos raios solares em um planeta cuja forma é esférica. A partir de nossa percepção de que nos lugares mais próximos aos pólos faz mais frio do que nas regiões próximas ao equador, espera-se inicialmente motivar a reflexão sobre um acontecimento simples: diferentes regiões da Terra receberem luz e calor de maneira desigual em um mesmo período no ano (PI). Em busca de fornecer elementos para a percepção da maneira como os raios solares incidem a Terra, propõe-se a realização de um desenho que evidencie os raios solares que incidem em nosso planeta. Neste segundo momento, propõe-se também simular como ocorre a incidência de luz solar na Terra em um modelo com bola de isopor e lanterna (OC). Ao simular a incidência dos raios solares no modelo tridimensional, espera-se que seja possível perceber a concentração de luz solar maior nas regiões próximas ao equador, enquanto que nos pólos, a quantidade de luz é menor. Assim, solicita-se que justifiquem o porquê
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de o planeta Terra receber quantidades de luz e calor de maneira desigual, realizando assim uma sistematização dos argumentos que justifiquem o fato de a Terra receber luz solar de maneira diferente em regiões distintas do globo. Tais fatos se devem a forma esférica de nosso planeta e a maneira como os raios solares incidem a superfície da Terra, paralelos entre si, discutindo também a maneira como a luz solar percorre seu trajeto até chegar na Terra, ou seja, apresentar que os raios solares incidem a Terra paralelos entre si (AC).
## Atividade V: O Globo Terrestre Paralelo
A atividade do globo terrestre paralelo se inicia questionando como seriam as sombras de dois objetos, de dimensões idênticas, localizados em São Paulo e no Canadá, ambas registradas no mesmo instante (PI). A partir deste questionamento espera-se a reflexão sobre a maneira como incidem os raios solares na superfície da Terra a partir de uma situação observável: as sombras de objetos localizados em distintos locais da Terra. A localização do objeto influencia no tamanho e na orientação da sombra do mesmo, visto que, os raios solares incidem de maneira distinta em nosso planeta, devido à forma esférica de nosso planeta. Em seguida, sugere-se a atividade adaptada do Globo Terrestre Paralelo (CAMINO, 2009, p.39) buscando aprofundar na maneira como a incidência de luz solar se dá no planeta Terra a partir de uma condição geométrica que permite representar fielmente o recebimento da luz solar em nosso planeta, a partir do alinhamento de um globo terrestre didático a partir de um alinhamento (posicionar no mesmo plano) do meridiano que passa pela cidade de São Paulo no globo e com o meridiano local, na direção Norte-Sul determinada (OC). Assim, o objetivo é verificar as sombras de objetos em distintas regiões do planeta Terra, visto que a incidência dos raios solares numa superfície esférica ocorre de maneira desigual, originando sombras de tamanhos e direções distintas. Ao final desta atividade, sugere-se uma sistematização das observações realizadas, evidenciando quais aspectos da incidência solar foram percebidos na observação do globo terrestre paralelo e suas relações com a forma esférica da Terra (AC).
## Atividade VI: A Gravidade como causa da forma esférica
Esta atividade se inicia problematizando como é possível justificar a forma esférica da Terra (PI). Através da leitura de trechos traduzidos do livro De Caelo , de Aristóteles, propõe-se que façam um levantamento dos argumentos a favor da esfericidade da Terra expostos por este pensador, como o argumento da visualização da forma esférica da Terra através de um eclipse lunar e a noção de atração dos graves para o centro do Universo (OC). Após a leitura do texto, sugerese que sejam retomados os argumentos que justificam a forma esférica da Terra, tratados ao longo das atividades anteriores, somados aos argumentos presentes no texto. Após esta organização do conhecimento , sugere-se que seja debatido através da atividade do Júri Simulado (GUERRA et al , 2002; SILVA e MARTINS, 2009) a seguinte questão: A Terra é esférica ou plana? (AC) Com este debate realiza-se uma síntese do conhecimento e de alguns pensadores ao longo da história que defendem a forma esférica dos planetas.
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## Atividade VII: Movimento dos planetas - Rotação
Esta atividade inicia-se problematizando os movimentos dos planetas e como observamos seu movimento no céu, explorando o que é possível ser observado a olho nu, trazendo assim a tona um problema que envolve a astronomia e a observação do céu (PI). Em seguida, visando aprofundar nas relações entre nossas observações do céu e o modelo científico atualmente aceito para descrever os movimentos dos planetas, questiona-se qual astro é possível ter seus movimentos observados a partir de um observador na Terra, a Terra ou o Sol? (OC) Com a problemática do movimento da Terra, busca-se explorar a percepção dos movimentos de rotação e translação dos planetas e sugere-se que sejam representados os movimentos que podemos observar, a partir do referencial terrestre, em um modelo com bolas de isopor e lanterna. Através deste modelo, questiona-se qual é o movimento que está sendo representado, translação ou rotação, visando assim sistematizar a discussão sobre aquilo que observamos corresponder ou não ao mesmo movimento que representamos no modelo, ou seja, evidenciando que a partir do referencial da Terra, observamos o Sol se movimentar o que se trata do movimento de rotação da Terra, já no modelo é representado no movimento translação de nosso planeta ao redor do Sol (AC).
## Atividade VIII: Movimentos de Rotação e o 'dia e noite'
Esta atividade se inicia com um pequeno texto, presente na atividade É dia no Brasil, mas é noite na China , do caderno da 5ª série da Proposta Curricular do Estado de São Paulo (SÃO PAULO, 2008) problematizando a existência do dia em uma região do planeta e noite em outra, simultaneamente, trazendo a tona um exemplo perceptível (PI). Em busca de aprofundar esta informação inicial, sugere-se que seja comparado duas possíveis representações do fenômeno do dia e da noite no planeta Terra: um imagem de um planisfério representando o dia e a noite em nosso planeta, que mostra a Terra ora completamente escura, ora inteiramente iluminada, e um modelo com bolas de isopor e lanternas. Sugere-se seja explicado porque não é possível ter noite ou dia no planeta como um todo comparando as duas representações deste planeta (OC). Espera-se que neste momento seja aprofundada a ideia de que na representação plana é impossível haver dia ou noite em todo o planeta, simultaneamente, e que este fenômeno ocorre por que a Terra é esférica e não recebe luminosidade igualmente no planeta como um todo, no mesmo instante. Por fim, a decorrência do dia e a noite associado a existência de um movimento de rotação da Terra é explorado de maneira que solicita-se que imaginem como seria o fenômeno do dia e da noite em outro contexto, no caso, um planeta que não tenha período de rotação (AC).
## Atividade XIX: Movimentos dos planetas - Translação
Inicia-se esta atividade com a leitura de trechos do artigo de Albuquerque e Leite (2011) visando problematizar a maneira com se deu o nome 'planeta' desde a antiguidade, que se deu a partir da ideia de um astro que possuía um movimento no céu diferente das demais estrelas (PI). Espera-se que, a partir do texto, seja explorada a maneira como os antigos interpretavam o céu, e como percebiam os movimentos de um planeta através das estrelas de fundo. Após a leitura e interpretação do texto, sugere-se imaginar como é possível verificar o movimento de translação da Terra ao redor do Sol, a partir do referencial terrestre. Sugere-se
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assim verificar o movimento de translação da Terra a partir de um modelo, em que uma pessoa representa o Sol e outra a Terra, enquanto que outras 12 pessoas que representam as constelações do zodíaco. Com este modelo é possível simular quais constelações que são possíveis de se observar com a Terra em diferentes localizações no espaço, ou seja, em diferentes pontos de sua trajetória em torno do Sol (OC). Por fim, buscando aplicar a ideia de que é possível observar o movimento de translação de um planeta observando-o com referencia às constelações de fundo, sugere-se que seja observado os movimentos de um planeta não nomeado em um conjunto de transparências obtidas por impressão do software Stellarium, verificando assim o movimento de um planeta através de uma sequência de imagens do céu, ao longo dos dias, em um mesmo horário (AC).
## Atividade X: Movimento de Translação e as 'Estações do Ano'
A partir de fotos de paisagem que comumente associamos às estações do ano, como a neve é associada ao inverno, a praia e o Sol ao verão, as flores à primavera, dentre outras, solicita-se a interpretação das semelhanças e diferenças em tais imagens e o que elas representam, problematizando a relação entre as estações do ano, dentre outros fatores, e diversos eventos em nosso cotidiano. Neste momento problematiza-se também, de acordo com seus conhecimentos prévios, o que são as estações do ano e quais as razões que provocam as este fenômeno em nosso planeta (PI). Para dar elementos para resolverem esta questão, sugere-se que resolvam duas situações problemas: a primeira se refere à existência de estações diferentes numa mesma época, por exemplo, em dezembro ter inverno nos países localizados no hemisfério Norte, como o Canadá, e ser verão no hemisfério Sul, como no Brasil; a segunda se refere à mudança das estações ao longo de um ano, numa mesma região (OC). A ideia é explorar duas das causas das estações do ano: o movimento de translação da Terra (que possibilita termos variações de estações ao longo do ano) e a inclinação do eixo de rotação (que possibilita termos diferentes estações em distintos locais do planeta). Por fim, questiona-se como seriam as estações do ano caso não existisse o movimento de translação e caso a inclinação do eixo de rotação não existisse (AC).
## Atividade XI: Movimentos e Fenômenos nos demais planetas
Esta atividade inicia-se problematizando a existência dos fenômenos do dia e da noite e as estações do ano nos demais planetas do Sistema Solar (PI). Através desta problemática inicial, espera-se que os conhecimentos tratados nas atividades anteriores sejam retomados na interpretação destes fenômenos nos demais planetas. Após este questionamento inicial, sugere-se que interpretem uma tabela com os dados dos períodos de rotação e translação dos planetas, do ângulo de inclinação do eixo de rotação e da distancia média do planeta ao Sol, discutindo como seriam os fenômenos a partir de tais dados (OC). Por fim, sugere-se que seja feito uma síntese deste conhecimento, discutindo aqueles planetas que chamaram mais atenção quanto a sua particularidade dos fenômenos de estações do ano e dia e noite (AC).
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## Algumas Considerações
No presente trabalho apresentamos uma Proposta Didática, composta por 11 atividades, para o ensino de Astronomia baseada no referencial dos 3MP. Ao longo das atividades procurou-se estabelecer um diálogo constante entre aspectos observáveis e eventos presente no cotidiano. A partir deste diálogo procurou-se trabalhar o conhecimento astronômico através de diversas estratégias de ensino, como uso de modelos, leitura de textos, interpretação de tabelas, debates, observações do céu diurno e noturno, dentre outros. No momento final, buscou-se extrapolar os conceitos de astronomia abordados para o contexto dos demais planetas do Sistema Solar visando aplicar o conhecimento trabalhado em outra situação problema, ou retomar a questão inicial, buscando uma síntese e o constante diálogo sobre os conhecimentos astronômicos.
Embora esta proposta esteja em fase de construção, validação e avaliação, a mesma foi aplicada em um curso de formação continuada de professores de Ciências do estado de São Paulo.
Percebemos nesta primeira aplicação que as atividades I, VII e XIX problematizaram as ideias de forma e movimentos dos planetas, respectivamente, e permitiram que os professores refletissem sobre conceitos astronômicos amplamente presentes em nosso cotidiano. As atividades II, III, IV e V permitiram que os professores aprofundassem seus conhecimentos sobre a forma dos planetas, trazendo a tona argumentos que evidenciassem, a partir do referencial terrestre, as implicações da esfericidade da Terra. Já as atividades VIII e X permitiram aprofundar conhecimentos relacionados aos movimentos dos planetas, compreendendo com modelos tridimensionais explicações para os fenômenos do dia e da noite, estações do ano, movimentos de translação e rotação. Por fim, as atividades VI e XI permitiram que os professores tivessem uma ampliação dos conceitos de forma e movimentos, explorados nas atividades anteriores junto ao contexto do planeta Terra, evidenciando as leis físicas que justificam a esfericidade e movimentos de rotação e translação dos planetas são válidas também para os demais planetas do Sistema Solar.
Tal proposta se apresentou bastante rica ao promover reflexões sobre conhecimentos que muitas vezes são considerados tácitos dentre o conhecimento astronômico, como é o caso da forma e movimentos da Terra e de outros planetas do Sistema Solar. Esperamos que esta Proposta Didática contribua para a formação de professores de Ciências e Física exemplificando uma possibilidade de sistematizar atividades para o ensino de Astronomia que busquem promover o constante diálogo entre a realidade do sujeito e o conhecimento científico.
## Referências
ALBUQUERQUE, V; LEITE, C. O caso Plutão e a natureza da ciência.In: Atas do XIX Simpósio Nacional de Ensino de Física - XIX SNEF . Manaus, AM, 2011.
BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais, Ciências Naturais, terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Média e Tecnológica, Brasília: MEC/SEMT, 1998.
BISH, S. M. Astronomia no 1º grau: natureza do conhecimento de estudantes e professores. São Paulo, 1998. Tese (Doutorado em Educação). Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo.
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CAMINO, N. et al. Observación conjunta del Equinoccio de marzo, Proyecto CTS 4 - Enseñanza de la Astronomía'. n° 31 (número especial), Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência , jul. 2009.
DELIZOICOV, D. Problemas e Problematizações. In: PIETROCOLA, M. (org.) Ensino de Física: conteúdo, metodologia e epistemologia numa concepção integradora . Florianópolis: Editora da UFSC, p. 125-150, 2001.
GUERRA, A.; REIS, J. C.; BRAGA, M.. Um julgamento no ensino médio: uma estratégia para trabalhar a ciência sob enfoque histórico-filosófico. Física na Escola , Rio de Janeiro, v. 3, n. 1, p. 8-11, 2002.
LANGHI, R. Astronomia nos anos iniciais do ensino fundamental: repensando a formação de professores. 2009. Tese (Doutorado em Educação para a Ciência). Faculdade de Ciências, UNESP, Bauru.
LEITE, C. Formação do professor de ciências em astronomia: uma proposta com enfoque na espacialidade . São Paulo, 2006. Tese (Doutorado em Educação). Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo.
MUENCHEN, C.; DELIZOICOV, D. Os três momentos pedagógicos: um olhar histórico-epistemológico - Em: Atas do XII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física - XIIEPEF . Águas de Lindóia, 2010.
SÃO PAULO. Proposta Curricular do Estado de São Paulo - Ciências. Secretaria do Estado da Educação . São Paulo, 2008.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.