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A invisibilidade do professor de Física nos projetos PIBID

Sandro Rogério Vargas Ustra, Emerson Luiz Gelamo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XX
Ano
2013
Data
24/01/2013
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A INVISIBILIDADE DO PROFESSOR DE FÍSICA NOS PROJETOS PIBID

## Sandro Rogério Vargas Ustra¹, Emerson Luiz Gelamo²

- 1 Faculdade de Ciências Integradas do Pontal/UFU, srvustra@pontal.ufu.br
- 2 Faculdade de Ciências Integradas do Pontal/UFU, elgelamo@pontal.ufu.br

## Resumo

As ações voltadas para a melhoria da formação inicial nas Instituições de Ensino Superior do Brasil têm sido ampliadas significativamente. Dentre elas, o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), efetivado em 2010, é o que conta com o maior número de participantes. Embora o PIBID busque contemplar os três pilares fundamentais da universidade, ensino, pesquisa e extensão, o seu foco principal encontrase no ensino, no qual os alunos dos cursos de licenciatura desenvolvem atividades que lhes possibilitarão uma postura mais dinâmica e efetiva na sua carreira docente. Considerando que este programa é bastante novo, os primeiros trabalhos relatando experiências e resultados, na área de Ensino de Física, foram apresentados recentemente no XIX SNEF (Simpósio Nacional de Ensino de Física), em 2011. Neste contexto, desenvolvemos uma pesquisa fundamentada na análise de conteúdo dos trabalhos completos apresentados neste evento, relacionados às atividades vinculadas ao PIBID, buscando compreender qual é o espaço destinado ou propiciado para o conhecimento pedagógico e à experiência profissional do professor de Física em exercício. Os trabalhos analisados concentraram-se principalmente nas seções de 'formação e prática profissional de professores de Física' e "aprendizagem em Física", considerando tanto apresentações orais quanto pôsteres. A análise realizada revelou que tanto os professores atuantes na rede pública de ensino como alunos participantes do PIBID entendem que a formação docente, seja inicial ou continuada, é de importância fundamental para a melhoria do ensino como um todo. Um fato interessante observado é que, embora as atividades do programa sejam iniciadas com um período de observação na escola e da prática docente, nenhum dos trabalhos apresentados faz qualquer menção direta à prática do professor atuante na rede. Esta postura caracteriza um programa de formação docente desenvolvido pelas universidades como algo produzido por ela, definitivo, constituindo-se, portanto, em um trânsito de conhecimentos de mão única.

Palavras-chave : PIBID, Ensino de Física, Formação inicial, Formação continuada, Conhecimento pedagógico.

## Contextualização

As ações voltadas para a melhoria da formação inicial nas Instituições de Ensino Superior do Brasil têm sido ampliadas significativamente. Dentre elas, o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) é o que conta com o maior número de participantes.

Embora o PIBID busque contemplar os três pilares fundamentais da universidade, ensino, pesquisa e extensão, o seu foco principal encontra-se no ensino, no qual os alunos dos cursos de licenciatura desenvolvem atividades que lhes possibilitarão uma postura mais dinâmica e efetiva na sua carreira docente.

- O programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), embora existisse desde 2007, somente em 2010 passou a ser de responsabilidade da

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20 a 25 de janeiro de 2013

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) por meio do decreto no. 7219, de 24 de junho deste ano (BRASIL, 2010).

Anunciado como parte do projeto de reestruturação das universidades federais (REUNI) e criado como um complemento ao projeto maior denominado Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), o PIBID tem como objetivos gerais:

- I) incentivar a formação de professores para a educação básica, apoiando os estudantes que optam pela carreira docente;
- valorizar o magistério, contribuindo para a elevação da qualidade da escola pública; (sic)
- II) elevar a qualidade das ações acadêmicas voltadas à formação inicial de professores nos cursos de licenciatura das instituições de educação superior;
- III) inserir os licenciandos no cotidiano de escolas da rede pública de educação, promovendo a integração entre educação superior e educação básica;
- IV) proporcionar aos futuros professores participação em experiências metodológicas, tecnológicas e práticas docentes de caráter inovador e interdisciplinar e que busquem a superação de problemas identificados no processo de ensino-aprendizagem, levando em consideração o desempenho da escola em avaliações nacionais, como Provinha Brasil, Prova Brasil, SAEB, ENEM, entre outras;
- V) incentivar escolas públicas de educação básica, tornando-as protagonistas nos processos formativos dos estudantes das licenciaturas, mobilizando seus professores como co-formadores dos futuros docentes. (BRASIL, 2010)
- O foco inicial deste programa estava centrado na melhoria de qualidade da educação básica pública brasileira, seja municipal ou estadual, principalmente às escolas cujo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) encontrava-se abaixo da média nacional (4,4).

Inicialmente, foram priorizadas as áreas específicas com maior carência de professores, como Ciências e Matemática para o Ensino Fundamental e Física, Química, Biologia e Matemática para o Ensino Médio. Em apenas dois anos, os resultados apresentados foram considerados tão satisfatórios que o programa foi estendido a todos os cursos de licenciaturas como Letras, Filosofia, Artes, História, Geografia e áreas de estudos afins, como educação popular e estudos AfroBrasileiros, além da Matemática para o Ensino Básico.

Embora não se saiba com precisão o número de bolsistas envolvidos no projeto, estima-se que esteja em torno de 30.000 nas universidades federais, estaduais, particulares e institutos federais de educação no Brasil. É importante destacar ainda que este número tem aumento a cada semestre com novos subprojetos que vão surgindo de acordo com as necessidades das regiões na qual é implantado.

Considerando sua natureza e amplitude, pode-se afirmar que este projeto constitui-se em um recurso valioso tanto para a formação inicial dos futuros professores, por meio de sua participação ativa nas atividades docentes, quanto para a formação continuada dos professores em exercício, através do contato com o ambiente formativo e atuação como co-formadores.

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Como proposta de trabalho, o início do projeto constitui-se na observação da realidade e do ambiente escolar e no trabalho docente. A partir destas observações iniciais, executa-se um plano de atividades a ser realizado pelos alunos bolsistas que visam contribuir com o trabalho do professor. O papel do bolsista não é substitui-lo e sim auxiliá-lo da melhor forma possível, levando em consideração as experiências e as características do professor e dos recursos pedagógicos disponíveis na escola. Neste sentido, o trabalho colaborativo é de fundamental importância tanto para o bolsista quanto para o professor, contemplando de maneira significativa alguns dos objetivos do PIBID, que são a valorização do magistério e a articulação da educação superior à educação básica.

Considerando que este programa é bastante novo, os primeiros trabalhos relatando experiências e resultados, na área de Ensino de Física, foram apresentados recentemente no XIX SNEF (Simpósio Nacional de Ensino de Física), em 2011 e que estão disponíveis no sítio do evento (www. http://www.sbfisica.org.br/~snef/xix/).

Neste contexto, desenvolvemos uma pesquisa fundamentada na análise de conteúdo (BARDIN, 2011; OLIVEIRA et al., 2003) dos trabalhos completos apresentados neste evento, relacionados a atividades vinculadas ao PIBID, buscando compreender qual é o espaço destinado ou propiciado para o conhecimento pedagógico do professor de Física em exercício.

Foram analisados 38 trabalhos nos formatos de comunicação oral e pôster, nas seguintes áreas temáticas:

- · Formação e prática profissional de professores de Física - 15 trabalhos;
- · Aprendizagem em Física - 13 trab.
- · Políticas públicas e o Ensino de Física - 04 trab.
- · Tecnologia da informação, difusão tecnológica e o Ensino de Física - 03 trab.
- · Ensino de Física e Experiências em Ensino e Aprendizagem em Ciências Naturais e Matemática na Amazônia - 03 trab.

A análise dos trabalhos, apresentada na seção seguinte, envolveu a identificação dos seguintes aspectos: temas investigados; características apontadas para a situação atual do ensino de Física; fontes de dados; atuação do professor nas atividades; e resultados apontados.

## Análise dos Trabalhos

Uma primeira análise mais geral sobre os textos publicados nos anais do evento é apresentada na figura abaixo, na qual se pode observar a distribuição de frequências dos principais temas investigados nos trabalhos:

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Figura 01: Principais temas de investigação

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Dos trabalhos analisados, 30 apresentavam algum tipo de investigação relacionada às estratégias didáticas, com a maioria deles relatando atividades experimentais desenvolvidas com 'materiais de baixo custo'. As referências encontradas indicavam que estas propostas partiam das universidades.

Quanto às principais características apontadas para o ensino de Física no Ensino Médio, que justificavam a realização das atividades descritas, destacaram-se as seguintes:

Tabela 01: Principais características do ensino de Física

Na prevalência das características do ensino "tradicional", encontramos correlação com os temas da maioria dos trabalhos, uma vez que estes sinalizavam/propunham estratégias didáticas diferenciadas.

Relativamente às fontes de dados, identificamos:

Tabela 02: Principais fontes de dados

Nas análises destes dados, não foram observados qualquer detalhamento a respeito das metodologias utilizadas e sua articulação com os resultados apresentados.

A participação do professor nos projetos analisados encontra-se caracterizada na figura abaixo:

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Figura 02: Participação do professor nas atividades

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A referência à participação do professor enquanto supervisor do PIBID nas escolas até é mencionada na maioria dos trabalhos, entretanto, não são detalhadas suas contribuições às atividades desenvolvidas no âmbito dos projetos e nem sua participação nas análises efetuadas. Além disso, em nenhum trabalho relata qualquer referência à importância do conhecimento pedagógico do professor e/ou à sua experiência profissional.

Os resultados apontados nos trabalhos procuram evidenciar o sucesso e a "eficiência" das atividades desenvolvidas, basicamente fazendo referências às melhorias no processo de ensino-aprendizagem na escola e na formação dos futuros professores (bolsistas PIBID).

Cumpre também ressaltar que em todos os trabalhos apresentados no evento, os resultados são categoricamente positivos, porém, todos são expressos de modo bastante geral, sem uma articulação mais refinada aos dados apresentados. As referências às avaliações efetuadas ao final de cada atividade estavam relacionadas, de um modo geral, à subjetividade da opinião e/ou do comportamento dos alunos, o que efetivamente não significa que houve aprendizagem dos conteúdos desenvolvidos naquelas atividades, sendo elas, na maioria, experimentais.

É esperado que uma atividade experimental produza no aluno um interesse pelo assunto, mesmo porque este experimento, por si só, constitui-se em uma atividade diferenciada à aula tradicional e é, de algum modo, contextualizado à realidade do aluno. Não se pretende, com esta crítica, desvalorizar as atividades desenvolvidas; ao contrário, elas são necessárias e podem efetivamente contribuir de maneira significativa com o ensino e a aprendizagem da Física ou de qualquer outra área do conhecimento.

## A conformação da invisibilidade do professor

O ponto crucial que focamos nesta análise está relacionado ao papel do professor supervisor no subprojeto da Física nas escolas em que o PIBID atua. Na análise implementada verificamos a inexistência de espaço para o conhecimento pedagógico dos professores em exercício. A participação dos professores é restrita à liberação de espaço nas aulas de Física e ao fornecimento de informações sobre as condições de ensino. Um número significativo de trabalhos sequer cita a presença do professor em sala de aula. Desta forma, perde-se uma importante

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contribuição para a formação docente inicial e continuada (GIROUX, 1987; FREIRE, 1997; USTRA, 2006).

Por outro lado, os resultados positivos obtidos nas práticas implementadas parecem indicar que a atuação do professor pode mesmo ser ignorada; e, mais que isso, esses relatos de trabalhos experimentais realizados com materiais de baixo custo sugerem que até os materiais de baixo custo tem mais valor e resultados do que o próprio professor.

Nas condições em que se encontra a educação no Brasil, a existência de um projeto como o PIBID é de importância fundamental para o desenvolvimento da educação, e consequentemente, do país, uma vez que o Brasil pretende se inserir como participante nas tomadas de decisões internacionais. Não basta que a economia caminhe nos trilhos do progresso, é urgente e necessário que a educação tenha seu papel muito bem definido; e, para isso, a valorização do professor (em exercício e em formação) constitui um dos pilares deste progresso.

No contexto percebido, alguns dos principais objetivos do PIBID, que são a valorização do magistério, a promoção da melhoria da qualidade da educação básica e a articulação da educação superior à educação básica, podem estar em risco.

- O que se pretendeu com este trabalho, foi realizar uma reflexão acerca dos objetivos PIBID, por meio de uma análise dos trabalhos apresentados no XIX SNEF, relacionados ao programa, o que nos permitiu concluir que o PIBID é um programa de formação docente desenvolvido pelas universidades como algo produzido por ela, definitivo, constituindo-se, portanto, em um trânsito de conhecimentos de mão única.

## Referências

BRASIL. Portaria Normativa CAPES nº 72 de 9 de abril de 2010. Disponível em: http://capes.gov.br/images/stories/download/diversos/Portaria72\_Pibid.pdf.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1997.

GIROUX, H.A. Os Professores como Intelectuais - rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. Porto Alegre: Art Med, 1987.

OLIVEIRA, E.; ENS, R. T.; ANDRADE, D. F.; DE MUSIS, C. R. Análise de conteúdo e pesquisa na área da educação. In: Revista Diálogo Educacional (PUCPR), Curitiba, v. 4, n. 9, p. 11-28, 2003.

USTRA, S.R.V. Formação continuada de professores de Física: enfrentamento de problemas reais. São Paulo, Tese de doutorado, FEUSP, 2006.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.