O SUBPROJETO FÍSICA DO PIBID-UFRJ: A ATUAÇÃO EM SALA DE AULA
João José Fernandes De Sousa, Deise Miranda Vianna, Ligia De Farias Moreira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 24/01/2013
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2013
Texto completo
## O SUBPROJETO FÍSICA DO PIBID-UFRJ: A ATUAÇÃO EM SALA DE AULA 1
## João José Fernandes de Sousa 1 , Deise Miranda Vianna , Ligia de Farias 2 Moreira 3
1 UFRJ/Instituto de Física, jjose@if.ufrj.br
2 UFRJ/Instituto de Física, deisemv@if.ufrj.br
3 UFRJ/Instituto de Física, ligia@if.ufrj.br
## Resumo
O subprograma Física do projeto PIBID - UFRJ integra três grupos pertinentes ao processo de ensino aprendizagem nas escolas do governo do Estado: o professor de Ensino Médio (supervisor), o licenciando em física e o professor do Curso de Licenciatura em Física da UFRJ, numa dinâmica de interação que se dá nos diversos momentos de atuação na escola pública e no Instituto de Física, e converge para as classes regulares. O processo de orientação de 15 alunos - bolsistas de licenciatura consiste no envolvimento de três professores do Curso de Licenciatura em Física, em cooperação com os professores de três escolas públicas estaduais (SEE-RJ) (supervisores). Neste trabalho destacamos a percepção dos supervisores quanto: à modificação no interesse dos alunos do Ensino Médio pelo ensino de Física, a partir da introdução do Projeto PIBID; à atuação dos licenciandos em suas classes; a sua participação como co-formadores dos licenciandos; e quanto ao Projeto no seu desenvolvimento profissional.
Palavras-chave : Formação do professor, Física, PIBID, sala de aula.
## Introdução
O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência PIBID/CAPES, em vigência a partir de 2009 no Instituto de Física foi implementado segundo a proposta da CAPES de estabelecer dinâmicas de trabalho com objetivo de promover a articulação integrada da educação superior do sistema federal com a educação básica do sistema público, em proveito de uma sólida formação docente inicial; de elevar a qualidade das ações acadêmicas voltadas à formação inicial de professores nos cursos de licenciaturas das instituições federais de educação superior; de estimular a integração da educação superior com a educação básica no ensino fundamental e médio, de modo a estabelecer projetos de cooperação que elevem a qualidade do ensino nas escolas da rede pública. (SOUSA et al., 2011).
O subprograma Física (Projeto UFRJ) integra os três grupos envolvidos no processo de ensino aprendizagem controlado pelo Estado: o professor de Ensino Médio (supervisor), o licenciando em física e o professor do Curso de Licenciatura em Física, numa dinâmica de interação que se dá nos diversos momentos de atuação na escola pública e no Instituto de Física, atuando juntamente nas classes regulares. O processo de orientação de bolsistas consiste no envolvimento de três
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
\_
20 a 25 de janeiro de 2013
professores do Curso de Licenciatura em Física, os autores do artigo , em 2 cooperação com os supervisores. Esta dinâmica já foi estruturada e apresentada em trabalho no SNEF de 2011. (SOUSA et al., 2011)
Neste trabalho destacamos a percepção dos supervisores quanto: à modificação no interesse dos alunos do Ensino Médio pelo ensino de Física, a partir da introdução do Projeto; à atuação dos licenciandos em suas classes; a sua participação como co-formadores dos licenciandos; e quanto ao Projeto em sua atuação profissional.
## Os objetivos do PIBID
O projeto PIBID Física da UFRJ, já estabelecido há 4 anos, incentiva a formação de docentes em nível superior elevando a qualidade da formação inicial e promovendo a integração entre a Educação Superior e a Educação Básica. Destacamos a inserção dos licenciandos no cotidiano das escolas proporcionandolhes oportunidades de criação e participação em experiências metodológicas, tecnológicas e práticas docentes de caráter inovador e interdisciplinar. Em relação aos professores das escolas públicas de Educação Básica, destacamos sua missão como co-formadores dos futuros docentes e tornando-os protagonistas nos processos de formação inicial para o magistério. Como já afirmamos no SNEF de 2011:
'A ideia de supervisionar o licenciando na escola desde o início da formação é nova e pode atender objetivos tanto cognitivos como afetivos, motivando-o a permanecer na profissão e permitindo que empregue modelos estruturados para conhecer a escola e a conjuntura profissional do professor, que colabore com os professores do ensino médio e, dessa forma, contribua para um melhor desempenho, numa sala de aula que sabemos ser problemática na atual conjuntura educacional.' (SOUSA et al., 2011).
## Atuação nas escolas
No período de atuação do projeto as escolas mostradas na tabela abaixo com as respectivas características:
Tabela 01: Características das escolas do PIBID Física - UFRJ
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
\_
As ações específicas realizadas nas escolas são fundamentadas no Projeto Pedagógico de cada Unidade. O programa de trabalho contempla as necessidades da eficiência do ensino de física obedecendo à realidade da escola e o currículo oficial determinado pela SEE/RJ (ESTADO DO RIO DE JANEIRO, 2006). A dinâmica de trabalho para o desenvolvimento de materiais didáticos, estratégias e atividades concretas de aprendizagem, é estabelecida com a coparticipação dos três grupos envolvidos: Professor de Ensino Médio, Licenciando de Física e Professor do Instituto de Física.
A relação supervisor licenciando se torna diferenciada, pois aqueles atuam como co-formadores nas estratégias do processo de ensino-aprendizagem que estabelecem habilidades/capacidades inserindo-os no universo escolar. Nesta etapa são destacados:
- i. processos e métodos de ensino experimental (atividades práticas);
- ii. apresentação dos fenômenos físicos e sua tradução para modelos científicos;
- iii. uso da matemática básica trabalhando o significado físico das grandezas envolvidas;
- iv. análise de dados numéricos, tabelas, histogramas, gráficos, etc.;
- v. métodos de resolução de problemas (POLYA, 1995)
- vi. introdução ao uso de novas tecnologias em sala de aula, dando prioridade aos vídeos didáticos, simulações e animações, apresentados como material de trabalho efetivo em sala de aula;
## Ações formativas
As seguintes ações implementam a atuação dentro e fora da sala de aula, escola, Instituto de Física e trabalho independente do bolsista:
- i. Seminários semanais desenvolvidos pela coordenação e os supervisores com objetivo de reflexão e aprofundamento dos aspectos de conteúdo e pedagógicos;
- ii. Apresentação das demonstrações construídas antes de sua aplicação em sala de aula;
- iii. Preparação de material didático a ser aplicado em sala de aula e constituição de um acervo permanente para o laboratório da escola;
- iv. Redação de textos, problemas, questões conceituais e de testes para avaliação de aprendizagem e de provas, necessários ao desenvolvimento eficiente do currículo escolar.
- v. Busca e seleção (biblioteca e Internet) de material atual para uso em sala de aula.
## Percepção dos supervisores
Para avaliação do Projeto PIBID /FÍSICA /UFRJ realizamos um questionário com os supervisores para sabermos a influência do Projeto nas
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
\_
escolas e no desenvolvimento do ensino-aprendizagem de nossos alunos (da Licenciatura em Física e do Ensino Médio).
Relatamos a seguir o que foi obtido:
De uma maneira geral, os professores estão no magistério em períodos que variam de 5 a 15 anos, atuando em 1 ou 2 escolas, além das do PIBID. A experiência com supervisão dos licenciandos da UFRJ é de 7 a 13 alunos, ao longo dos 4 anos de atuação do projeto.
A opinião deles sobre seus alunos da escola pública é que houve modificação no interesse dos alunos pelo ensino de Física, a partir da introdução do Projeto. Como indica o prof. A:
'principalmente quando fazemos atividades experimentais, quando passamos vídeos didáticos e promovemos debates sobre algum tema',
## reafirmado pelo prof. C:
'Através das estratégias de ensino-aprendizagem adotadas pelo grupo do PIBID os alunos interagem diretamente com os fenômenos físicos estudados. Com isso os assuntos tratados passaram a ter mais significado para eles.'
Afirmam ainda que a participação de seus alunos é significativa, demonstrado pelo prof. B indicando que há uma parcela em sua turma que mesmo 'nas aulas expositivas, há alguns alunos que fazem considerações e tiram dúvidas'. De acordo com as necessidades para aprendizagem interagem com professores ou licenciandos. É muito claro em suas opiniões que seus alunos reconhecem os monitores como colaboradores, sentindo-se mais a vontade para perguntar, buscar explicações, apresentando um bom entrosamento. Um ponto importante é saber se o desempenho dos alunos na aprendizagem sofreu modificação. O prof. A ainda acredita que é a melhora é ainda pouco, como explicita:
'Acho que existem outros fatores permeando o processo ensino -aprendizagem. Os alunos de hoje são diferentes. Vejo que a maioria é imatura. Passamos mais tempo sendo agentes disciplinadores do que educadores. Entre aqueles que querem estudar, vejo que ainda apresentam dificuldades com o conteúdo e que a ajuda é lenta e gradual.'
Mas a diferença é sentida, como nos diz o Prof. C:
'De uma maneira geral, comparando o rendimento das turmas na mesma escola que participam e que não participam do projeto, há diferença no desempenho dos alunos. Podemos perceber uma melhora no desempenho dos alunos das turmas do PIBID.'
Como os supervisores atuam como co-formadores de nossos licenciandos, perguntamos também a opinião sobre a atuação destes em suas salas. Todos afirmam que há interesse dos alunos nas atividades desenvolvidas, participando da escolha, elaboração e desenvolvimento das atividades em classe. Como temos licenciando em diferentes períodos do curso, os mais antigos mostram-se mais participativos, enquanto os mais novos estão ainda 'acanhados'.
## Mas como afirma o prof. C
'as atitudes dos licenciandos na turma contribuíram para que os alunos passassem a vê-los mais como professores do que como estagiários'.
Apresentam alguma criatividade nas atividades propostas, dependendo do pesquisam e do que se propõem a fazer, como depende da característica de cada
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
\_
um. E demonstram quase sempre bom entrosamento com os alunos, e sempre com disponibilidade para com os supervisores.
Depois destes anos de trabalho conjunto, sistematizamos algumas opiniões dos supervisores sobre o Projeto. Eles descrevem que há contribuições relacionadas à interação com os coordenadores da UFRJ. Desenvolvem materiais e roteiros, apresentando em diferentes eventos da área de ensino de Física. Têm aproveitado materiais desenvolvidos no Programa de Mestrado Profissional do Instituto de Física - UFRJ, aplicando estratégias de ensino sugeridas, e verificando a eficácia para divulgação de resultados. Os supervisores tem ainda propostas para o trabalho conjunto com licenciandos, como nos diz o Prof.A:
'Valorizar menos as habilidades associadas à linguagem matemática e valorizar mais habilidades relacionadas aos aspectos sócio-culturais. Quero dizer, que devo desenvolver atividades que levem o aluno a perceber a importância da Física na vida cotidiana da sociedade. Quero trabalhar os temas do currículo mínimo utilizando mais os recursos do vídeo didático, textos de revistas científicas e simuladores de experiências disponíveis na internet. Quero propor mais debates e preparar uma feira de ciência no fim do ano letivo, conduzindo o aluno à pesquisa e autonomia nos estudos.';
## ou como o prof. B que pretende fazer:
'1) organização e melhoria do laboratório de Física; 2) visitações prévias a espaços de educação não formal (espaços de ciência e museus de ciência); 3) participação em curso de melhoria na utilização da voz pelos professores; 4) participação em seminário (virtual) internacional de ensino das ciências; 5) solicitação para registro das considerações (aspectos positivos e negativos e sugestões melhoria) sobre as atividades das quais os licenciandos tem participado, incluindo o conselho de classe..; e 6) realização de pré-teste e pós-teste para servir como parâmetros de reflexão sobre as atividades aplicadas em sala de aula.';
## e ainda o Prof. C:
'Está em fase de desenvolvimento na escola um espaço físico, ainda que pequeno, para ser utilizado pela equipe de física. Quando pronto, os monitores poderão desenvolver as atividades para a sala de aula na própria escola, juntamente com alguns alunos mais interessados'.
As opiniões acima nos mostram que a relação coordenadoressupervisores-licenciandos-alunos vem tendo sucesso, com todas as dificuldades pelas quais passa a escola pública neste pais. São muitos dias sem aula, há sacrifício dos licenciandos e supervisores com a atitude e comportamento de seus alunos. Porém se destaca o comprometimento de nossos supervisores com a coformação dos licenciandos, seja em aprofundamento do conteúdo, sempre atentos para que não haja deslize por parte dos alunos da UFRJ, quanto discutindo atitudes a serem tomadas em sala de aula, tanto de caráter sócio-educacional como metodológico. Após cada atividade, há sempre a sistematização com avaliação do desenvolvimento.
## Considerações finais
Todo este processo de atuação e avaliação nos fortelece para continuar acreditando que a formação do licenciando deve estar vinculada às práticas da sala de aula. O desenvolvimento do subprograma Física do PIBID-UFRJ confirma os objetivos propostos.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
\_
## Referências
BRASIL, Ministério da Educação, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES. Edital nº 001/2007 - PIBID - Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência. Brasília, 2007
ESTADO DO RIO DE JANEIRO, Secretaria de Estado da Educação. Reorientação Curricular, livro II: Ciências da Natureza e Matemática. Rio de Janeiro, 2006.
POLYA, G. A arte de resolver problemas: um novo aspecto do método matemático . Rio de Janeiro: Interciência, 1995.
SOUSA, J.J.F., VIANNA, D.M., MOREIRA, L.F., BARROS, S.S., SANTOS, A.G., DIAS, M.A. e CHAGAS, S.M.A. O Licenciando em Física e a Escola Básica no contexto do PIBID/CAPES em execução na UFRJ. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA , 19. 2011, Manaus. Atas do IXX Simpósio Nacional de Ensino de Física. Manaus, 2011
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.