PROJETO FOTO NA LATA: UMA ATIVIDADE INTERDISCIPLINAR EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE ENSINO MÉDIO
Maria Clara Igrejas Amon Santarelli, Valéria Maria Bonetto, Gabriel Steinicke, Mikiya Muramatsu
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 24/01/2013
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## PROJETO FOTO NA LATA: UMA ATIVIDADE INTERDISCIPLINAR EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE ENSINO MÉDIO
Maria Clara Igrejas Amon Santarelli , Valéria Maria Bonetto , Gabriel Steinicke , 1 2 3 Mikiya Muramatsu 4
1 Instituto de Física da Universidade de São Paulo/E. E. Patriarca da Independência, mariaclara.amonsantarelli@usp.br
- 2 Escola Estadual Patriarca da Independência, valeriawmbonetto@uol.com.br
## Resumo
- O projeto 'Foto na Lata', desenvolvido com alunos de uma escola pública de Ensino Médio na cidade de Vinhedo - SP, teve como objetivo fazer com que os alunos, ao participarem de uma atividade experimental, envolvendo-se com todo o processo, conseguissem entender melhor os conceitos da Física e da Química utilizados, obtendo um aprendizado efetivo. As professoras de Física e de Química da escola desenvolveram este projeto interdisciplinar visando uma melhor aquisição de conceitos presentes no processo fotográfico utilizando para isso uma câmara escura de orifício. O projeto se iniciou a partir da aplicação de uma avaliação diagnóstica na qual as professoras perceberam que os estudantes de terceiro ano do Ensino Médio não haviam aprendido de fato alguns conceitos referentes ao segundo ano. Foi escolhido o processo fotográfico como tema, pois ele instiga a curiosidade dos alunos, além do que pode-se trabalhar com outras áreas do conhecimento ao analisar as fotografias. Através de uma avaliação diagnóstica com perguntas abertas, análise de relatórios, comportamento dos estudantes durante todo o processo e de uma avaliação final verificamos a evolução do grupo e a eficácia do método utilizado para alcançar um aprendizado efetivo. Este trabalho destacará os resultados das avaliações diagnóstica e final realizados na área de Física e Química.
Palavras-chave : Ensino de Física, Ensino de Química, interdisciplinaridade.
## Introdução e Justificativa
O projeto de aquisição de fotografias em uma escola pública de Ensino Médio visou a vivência pelos estudantes de uma atividade experimental composta de várias etapas divididas durante todo um ano letivo. Este projeto interdisciplinar foi desenvolvido na escola no qual os estudantes, a partir das imagens coletadas nas fotografias tiradas na escola, nos bairros de origem e também das nascentes e da represa na cidade de Vinhedo, analisavam tanto o processo de aquisição e 1 revelação das imagens, quanto o conteúdo das mesmas.
- O projeto intitulado 'Foto na Lata' teve início por conta da insatisfação das professoras de Física e Química com relação aos conhecimentos adquiridos pelos alunos nos anos anteriores. Elas perceberam que a grande maioria dos estudantes apresentavam lacunas nos conteúdos que já havia sido estudado por eles. O processo fotográfico foi escolhido como tema, pois ele instiga a curiosidade dos
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20 a 25 de janeiro de 2013
alunos, hoje acostumados com as câmeras digitais, sendo que muitos não conheceram as câmeras antigas e o processo fotográfico analógico como um todo, além do que consegue-se trabalhar com outras áreas do conhecimento ao analisar as fotografias adquiridas, sendo uma atividade interdisciplinar.
- O objetivo deste projeto foi uma melhor aquisição de conceitos de Física e de Química presentes no processo fotográfico pelos alunos, bem como utilizar conhecimentos de outras áreas quando forem analisar as fotografias. Neste trabalho faremos uma descrição do trabalho feito nas áreas de Física e Química, discussões do processo experimental e do progresso dos alunos durante a participação no projeto.
Através de avaliação diagnóstica com questões abertas, avaliação ao final do processo, análise de relatórios, da realização de tarefas e comportamento dos estudantes durante todo o processo verificamos a evolução do grupo e a eficácia do método utilizado para alcançar um aprendizado de fato. Neste trabalho serão destacados apenas os resultados da avaliação diagnóstica e avaliação final (esta última já levou em consideração os relatórios, participação etc.).
## Embasamento teórico e Metodologia
Esta pesquisa surgiu no sentido de buscar um melhor aprendizado dos alunos em determinados conteúdos de Física e Química, pois as professoras das respectivas áreas diagnosticaram que os alunos de terceiro ano tinham conhecimentos insuficientes, apesar daqueles conteúdos já terem sido estudados por eles no segundo ano do Ensino Médio.
As professoras procuraram então investigar as suas próprias práticas, tentando modificar os resultados no aprendizado de seus alunos.
Ponte (2002) aponta quatro grandes razões para que os professores fac GLYPH<31> am pesquisa sobre a sua própria prática:
(i) para se assumirem como aute GLYPH<31> nticos protagonistas no campo curricular e profissional, tendo mais meios para enfrentar os problemas emergentes dessa mesma prática; (ii) como modo privilegiado de desenvolvimento profissional e organizacional; (iii) para contribuírem para a construc GLYPH<31> ão de um património de cultura e conhecimento dos professores como grupo profissional; e (iv) como contribuic GLYPH<31> ão para o conhecimento mais geral sobre os problemas educativos. Ou seja, os problemas da construção e gestão do currículo, bem como os problemas emergentes da prática profissional nos seus diversos níveis, requerem do professor capacidades de problematização e investigação, para além do simples bom senso e boa vontade profissionais. Além disso, em determinadas condições, o conhecimento gerado pelos professores na investigação sobre a sua prática pode ser útil a outras comunidades profissionais e académicas. (Ponte, 2002, p.3)
A partir do que foi dito acima, elas viram que colocar este projeto em funcionamento seria uma contribuição tanto para as próprias professoras, para os alunos envolvidos bem como para os demais professores destas áreas de Física e Química quando elas divulgassem o trabalho feito.
Neste trabalho será descrita a segunda edição do projeto. Em 2010 foi realizado um projeto piloto no qual foram feitas observações dos estudantes nas atividades propostas e analisados os relatórios confeccionados pelos grupos de alunos. Também foram analisadas algumas conversas informais com alguns
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estudantes de uma forma menos sistematizada, envolvendo somente Física e Química. Em 2011 ampliou-se o projeto e foram feitas algumas modificações. Com relação à avaliação do processo: foi feita uma avaliação diagnóstica inicial para levantar os conhecimentos prévios dos alunos e para se ter um parâmetro de onde as professoras deveriam começar. Também foi feita uma avaliação final através dos relatórios e provas bimestrais relacionadas aos conteúdos do projeto com o objetivo de verificar se houve evolução na aquisição dos conceitos básicos e avanços conceituais, saber se os estudantes conseguiram entender o processo fotográfico como um todo e rever, se necessário, algumas práticas por parte das professoras.
Para elaborar todo esse projeto, alguns autores foram utilizados para organizar e nortear melhor cada etapa do processo, com o objetivo de verificar a eficácia da utilização de uma atividade experimental envolvendo o assunto estudado pelos estudantes ao invés de um aprendizado prioritariamente teórico sobre o assunto. Vale lembrar que este método de coleta de dados descrito é referente à parte do projeto que envolve conceitos de Física e de Química somente.
Segundo Freire (2004) ensinar não é somente transmitir conhecimentos, mas criar as possibilidades para a produção do saber. O ensinar exige alguns fatores importantes. Um destes fatores é o educador respeitar os saberes do educando, e utilizá-los de forma a ajudar no processo de aprendizagem. Ensinar também exige respeito à autonomia do educando, desta forma o educador deve respeitar a curiosidade do estudante, seu gosto estético, sua inquietude e linguagem dando a possibilidade para que o estudante construa seu conhecimento.
Com a avaliação diagnóstica no início do projeto, verificou-se os conhecimentos prévios dos alunos, e a partir dos resultados foram feitas discussões com os estudantes em sala de aula, adequando assim as atividades conforme o grupo para que conseguissem um aprendizado efetivo.
Os estudantes foram agrupados em equipes para trabalharem juntos durante todo o processo, desde a construção da câmara escura até a revelação das fotografias, o que propiciou uma maior interação entre os colegas, maior comprometimento e um aprendizado mútuo.
Segundo Rustin (2001) precisamos também entender a importância de levar em conta a dimensão afetiva da aprendizagem desde a infância até a vida adulta. Precisa-se dar a prioridade necessária às relações, levando em conta a dimensão social e interativa do processo educacional. Uma negação da dimensão afetiva constitui um sério problema educacional.
Casassus (2002) ressalta que um ambiente emocional benéfico à aprendizagem é um dos fatores que influenciam o desempenho dos alunos. Sobre a relevância deste ambiente emocional, Casassus afirma que:
(...) é a descoberta mais importante do Estudo e merece um comentário especial. Em primeiro lugar é importante notar que o efeito desta variável, por si só, 'pesa' mais nos resultados dos alunos do que todos os outros fatores reunidos. (Cassasus, 2002, p. 156)
Quando os estudantes fotografam seus bairros e partes da sua própria cidade, parte deles está representada na fotografia e isso tem uma carga afetiva imensa. Eles se sentem parte do processo e conseguem interagir melhor com o objeto de estudo, criando vínculos mais fortes.
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Foi escolhido o método de coleta de dados da pesquisa qualitativa. Segundo Lüdke (1986), esta coleta de dados se divide em: observação, entrevista e análise documental. Foram feitas observações dos estudantes nas atividades propostas, analisados os relatórios confeccionados pelos grupos de alunos, questões abertas, algumas conversas informais com os estudantes e discussões em sala de aula.
## O projeto de pesquisa: Foto na Lata
O projeto foi desenvolvido em uma escola pública da região central de Vinhedo - SP. Todos os alunos participantes são do Ensino Médio do período da manhã desta escola. O trabalho preliminar começou em 2010 com turmas de terceiro ano. As professoras de Física e Química testaram o material antes de realizar as atividades com os alunos e tiveram o apoio da Universidade de São Paulo, tanto na aquisição de materiais quanto na elucidação de dúvidas relativas aos procedimentos teórico e prático.
Em 2011 foram feitas algumas inclusões no projeto para envolver mais disciplinas, tornando-se cada vez mais interdisciplinar. Neste ano o projeto se dividiu em quatro momentos:
- · No primeiro bimestre, após a avaliação diagnóstica, os alunos confeccionaram câmaras escuras de orifício com latas. Foi feito um estudo dos diversos tipos de imagens formadas em câmara escura, espelhos e lentes e um estudo de concentrações de soluções, reação de óxido-redução e reações específicas envolvidas no processo fotográfico. Este estudo foi planejado após a avaliação diagnóstica, na qual as professoras perceberam um grande déficit por parte dos alunos nestes conteúdos.
- · No segundo bimestre os grupos fizeram a aquisição e revelação dos negativos das fotografias adquiridas de diversas regiões de Vinhedo - SP.
- · No terceiro bimestre foram feitos os positivos das fotografias, a confecção de relatórios pelos grupos sobre todo o processo e os alunos foram avaliados em prova bimestral.
- · No quarto bimestre os estudantes apresentaram em Feira Cultural da escola o trabalho desenvolvido no primeiro semestre do ano. Paralelamente às atividades de Física e Química, alguns outros trabalhos foram desenvolvidos em outras disciplinas.
Foi feito, além disso, uma observação do comportamento dos estudantes, avaliação os materiais produzidos por eles para nortear as ações das professoras e detectar avanços conceituais por parte dos estudantes.
A avaliação diagnóstica foi planejada para verificarmos os conhecimentos prévios dos alunos e percebeu-se que a desconfiança das professoras de que eles apresentariam muitas lacunas foi confirmada. A avaliação final foi planejada juntamente com a diagnóstica e foi testada com uma amostra de estudantes que haviam participado da primeira edição do projeto em 2010 alguns meses após o término das aulas. Esta avaliação final foi reformulada para 2011 e as questões foram inseridas nas avaliações bimestrais, para termos resultados sobre todos os estudantes participantes.
## Avaliação Diagnóstica e Avaliação final
A avaliação diagnóstica foi aplicada no início das atividades do projeto em 2011. As questões desta avaliação foram as seguintes:
- 1 - O que é uma imagem? Qual é o papel da luz para a formação de imagens?
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- 2 - Explique por que a imagem na câmara escura aparece invertida? Desenhe um esquema explicativo.
- 3 - Qual a função do orifício na câmara escura? Por que ele não pode ser muito grande ou muito pequeno? Justifique.
- 4 - Você sabe como uma máquina fotográfica funciona? Explique sucintamente.
- 5 - O que é uma reação de óxido-redução?
A avaliação final que foi primeiramente planejada foi testada com uma pequena amostra de estudantes participantes no ano anterior. As três primeiras questões eram idênticas à avaliação diagnóstica e foram incluídas mais cinco questões que estão abaixo:
- 4 - Quais são os procedimentos e cuidados tomados para se tirar uma foto na lata?
- 5 - Descreva sucintamente o processo de revelação e fixação do negativo. Quais são as reações químicas que ocorrem neste processo?
- 6 - Descreva sucintamente o processo de fazer o positivo da foto.
- 7 - Caso tenha sugestões, críticas ao projeto 'Foto na Lata' pedimos para que sejam escritas aqui.
- O resultado desta avaliação final com uma amostra de cinco alunos que participaram do projeto em 2010 foi satisfatório em todos os casos. Após algumas reformulações, as professoras acharam melhor inserir algumas destas questões acima (4, 5 e 6) em uma das avaliações bimestrais e pedir o maior detalhamento do processo nos relatórios.
## Primeiro e segundo bimestres
A avaliação diagnóstica foi aplicada em 2011 antes do projeto ser iniciado para uma amostra de 27 alunos, dos dois terceiros anos do Ensino Médio do período da manhã que iriam participar do projeto. No total, as duas turmas tinham 66 alunos. Esta avaliação diagnóstica era referente a alguns assuntos vistos nos anos anteriores de Física e Química. Os resultados foram avaliados como satisfatório, regular ou insatisfatório. Nosso resultado está expresso abaixo no gráfico:
Gráfico 01: Resultado da Avaliação Diagnóstica
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Vê-se que quase a metade da amostra teve desempenho insatisfatório. O intuito deste projeto foi modificar estes dados. Acredita-se que com o envolvimento com o projeto, com as escolhas dos lugares para fotografar e análise destas fotos, os alunos consigam criar um maior vínculo com o objeto de aprendizagem.
Como primeira etapa, foram ministradas as aulas de revisão dos conceitos básicos de óptica, como luz, formação de imagens e funcionamento de uma câmara escura, bem como discussão sobre os conhecimentos prévios dos alunos. Posteriormente foi dada uma aula preparatória sobre reações de oxi-redução para o entendimento da revelação e fixação das fotografias. A segunda etapa do processo foi uma pequena simulação sobre a aquisição das fotos e revelação das mesmas em sala de aula para que os alunos tirassem suas dúvidas e que aprendessem todo o procedimento de aquisição das fotos, como o tempo de exposição dependendo da luminosidade, quais cuidados deveriam tomar para conseguir obter uma boa foto etc. Cada equipe foi orientada a construir sua própria lata (câmara escura),
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escurecendo-a por dentro e fazendo um furo na sua lateral. As professoras de Física e Química prepararam os pedaços de alumínio de 1cm com furos bem pequenos no 2 centro. Estes furos (pinholes) foram feitos com agulha e lixados para retirada de rebarbas e foram colocados na frente do furo que os estudantes fizeram na lateral de suas latas. A luz entra somente por este furinho na lata, deixando a imagem mais nítida. Os estudantes também participaram da preparação da sala escura para a revelação e fixação das fotos. As equipes entregaram suas latas para as professoras, que colocaram o papel fotográfico dentro delas na sala escura com a iluminação somente de uma lâmpada vermelha, pois o filme fotográfico preto e branco não é sensível à luz vermelha. As latas foram colocadas em sacos pretos e lacradas para não haver o perigo de se abrirem no translado e velar o papel fotográfico. Foram entregues algumas orientações sobre o tempo de exposição, caso não estivéssemos junto no momento da aquisição da foto. Abaixo duas fotos do material utilizado para a revelação e fixação dos negativos:
Figura 02: Lâmpada vermelha.
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Figura 01: Bandejas com revelador, fixador e água.
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As primeiras aquisições de fotos foram na represa de Vinhedo, em uma visita que os estudantes fizeram com alguns professores da escola. Cada equipe juntamente com as professoras, participaram do processo de revelação dos negativos. Porém neste dia da visita estava bastante nublado e por ser a primeira vez que os estudantes realizavam este tipo de experiência, não obtiveram resultados muito satisfatórios, pois o tempo de exposição das fotos foi muito reduzido para um dia com pouca luminosidade. Foi discutido o porquê das fotos não terem saído de boa qualidade com os alunos e as equipes tiraram novas fotos em lugares que eles próprios escolhessem. Alguns voltaram à represa, outros tiraram fotos de seus bairros, outros na escola. Os resultados nesta segunda rodada foram bem melhores, pois a maioria dos estudantes já havia adquirido habilidades no processo da aquisição da foto. Alguns grupos ainda tiveram que repetir o experimento. Acreditase que este processo ajudou bastante os alunos a entender melhor o que estavam fazendo, pensar no que poderiam melhorar para obter um melhor resultado, assim envolvendo-se mais e criando mais vínculos com o conhecimento.
Abaixo estão alguns exemplos dos negativos obtidos em 2011 pelos alunos:
Figura 03: Negativos de algumas fotografias tiradas por grupos de estudantes em 2011.
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## Terceiro e quarto bimestres
Após a aquisição de bons negativos, novamente retornou-se com as equipes à sala escura para a aquisição dos positivos das fotografias. Abaixo uma foto do aparato montado com materiais de baixo custo para fazer o positivo das fotos:
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Figura 04: Vista lateral do aparato. Figura 05: Vista superior do aparato. Como exemplos, abaixo estão os positivos dos negativos do item anterior:
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Figura 06: Positivos de algumas fotografias tiradas por grupos de estudantes em 2011.
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Outra opção para o positivo é scanear ou tirar uma foto do negativo com o celular, invertendo as cores e também horizontalmente. Tem-se um misto entre foto analógica e digital. Com isso poupa-se papel fotográfico. Mas é importante que se faça pelo menos uma vez analogicamente para que os estudantes aprendam o processo.
Os estudantes foram avaliados no terceiro bimestre com aquelas questões referidas acima e mostraram um ótimo desempenho comparado com a avaliação diagnóstica aplicada a uma amostra. Os grupos redigiram relatórios sobre todo o processo pelo qual passaram no projeto. O resultado global da avaliação dos 66 estudantes encontra-se abaixo:
Gráfico 02: Resultado da Avaliação Final
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Nota-se que nesta avaliação final fizemos questão de avaliar todos os estudantes participantes do projeto. Na avaliação diagnóstica utilizamos uma amostra destes estudantes para nortear nossas estratégias.
Foi feita também uma exposição em outubro de 2011 dos negativos e positivos feitos pelos estudantes na Feira Cultural da Escola, na qual alguns alunos explicavam aos visitantes os procedimentos realizados para obterem aqueles resultados.
O plano inicial de fotografar as nascentes acabou não se concretizando, pois as professoras em visita a estes locais perceberam que eram pouco iluminados e não teríamos bons negativos nestes locais. Os estudantes visitaram os locais na mesma e apresentaram trabalhos em outras áreas do conhecimento, como Biologia, História, Geografia e Português.
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## Considerações finais
Já na análise preliminar da avaliação final respondida por uma amostra dos estudantes que participaram do projeto em 2010, verificou-se que eles apresentavam um entendimento satisfatório do conceito de imagem invertida projetada (como resultado da propagação retilínea da luz) e da função do orifício (pinhole) na câmara escura, bem como do processo fotográfico como um todo.
As avaliações diagnósticas em 2011 com outras turmas que ainda não tinham participado do projeto não foram muito animadoras e mostraram que mesmo que todo os conteúdos de Física de formação de imagens e luz e de Química de reações de oxido-redução tinham sido vistos por eles no ano anterior, muito pouco eles aprenderam realmente. Pensou-se que com uma atividade como esta do projeto 'Foto na Lata' os estudantes se relacionassem de uma forma diferente com o conhecimento, criando vínculos mais fortes por conta do envolvimento em todo o processo, análise crítica dos resultados, fazendo-os pensar nas soluções para os problemas encontrados e ao fim perceberem o belo resultado de todo trabalho realizados por eles próprios.
As expectativas para os resultados do projeto se confirmaram, como pode-se ver na avaliação final de todo o processo, onde conseguimos 41% dos estudantes com desempenho satisfatórios, 47% com desempenho regular e somente 12% com desempenho insatisfatório.
- É claro que estes resultados não são os ideais, mas vê-se uma melhora significativa por parte dos estudantes, o que pode confirmar que estas atividades diferenciadas, nas quais se utilizam da interdisciplinaridade e envolvem os estudantes ativamente nas atividades fazem a diferença no aprendizado dos mesmos.
Pretende-se dar continuidade no projeto na escola, tentando cada vez mais envolver diversas áreas do conhecimento para que os estudantes tenham a oportunidade de relacionar aprendizagens, serem mais críticos, reflexivos e ativos em seus processos de aprendizagem.
## Referências
CASASSUS, J. A escola e a desigualdade. Tradução de Lia Zatz. Brasília: Plano Editora, 2002. p. 25-26 e 151-157.
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia - Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Ed. Paz e Terra, 2002.
LÜDKE, M; ANDRÉ, M. E. D. A.. Pesquisa em educação: Abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986. p. 11-42.
PONTE, J. P. Investigar a nossa própria prática. In GTI (Org.), Reflectir e investigar sobre a prática profissional . Lisboa: APM, 2002.
RUSTIN, M. Reason and unreason , Psychoanalysis, science and politics, London: Continuum, 2001. p.201-224.
SOUZA, C. E. R.; NEVES, J. R.; MURAMATSU, M. Fotografando com uma câmara escura de orifício: a óptica e o processo fotográfico na sala de aula. Física na Escola, v.8, n.2, 2007
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