A APROPRIAÇÃO DE LINGUAGENS RELACIONADAS A CONCEITOS DE FÍSICA E CINEMATOGRAFIA, DE ALUNOS DA 3ª SÉRIE DO ENSINO MÉDIO, A PARTIR DA PRODUÇÃO DE FILMES SOBRE RADIAÇÕES IONIZANTES.
Paulo Ricardo Da Silva Rosa, Ronaldo Conceicao Da Silva,
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XX
- Ano
- 2013
- Data
- 23/01/2013
- Linha de pesquisa
- Linguagem E Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A APROPRIAÇÃO DE LINGUAGENS RELACIONADAS A CONCEITOS DE FÍSICA E CINEMATOGRAFIA, DE ALUNOS DA 3ª SÉRIE DO ENSINO MÉDIO, A PARTIR DA PRODUÇÃO DE FILMES SOBRE RADIAÇÕES IONIZANTES.
Ronaldo Conceição da Silva ; Paulo Ricardo da Silva Rosa 1 2
- 1 2 Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências UFMS em Ensino de Ciências da UFMS, rconsilva@hotmail.com
2 Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências UFMS em Ensino de Ciências da UFMS, paulorosa@dfi.ufms.br
## RESUMO
Este artigo apresenta os resultados da análise do desenvolvimento das linguagens relacionada a conceitos de Física e Cinematografia de alunos da 3ª série do Ensino Médio, em atividade sobre Radiações Ionizantes, buscando investigar se os processos de elaboração de um vídeo possibilitam o aprendizado de conceitos científicos de Física. As motivações para realização desta pesquisa foram a análise das eficácias do uso de uma moderna ferramenta de ensino (a produção de vídeos pelos próprios alunos) e a da sequência didática voltada ao ensino de conceitos físicos nem sempre abordados em sala de aula. As atividades foram desenvolvidas à luz da Teoria Histórico Cultural de Lev Vygotsky. Foram propostos nove encontros, de duas horas de duração cada um, nos quais onze alunos voluntários, em horário contraturno, passaram por atividades de formação de conceitos relacionados à criação de vídeos e à aplicação de Radiações Ionizantes na Medicina. A pesquisa foi do tipo qualitativa. Os dados foram coletados por meio de uma entrevista, das atividades escritas pelos alunos, pelas transcrições dos diálogos ocorridos durante as atividades e na visita técnica ao setor de Radioterapia do Hospital Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, pelo roteiro e do storyboard elaborados e pelos vídeos produzidos por eles. Para realização das atividades foram confeccionadas duas apostilas: uma sobre produção de vídeos e outra sobre a utilização de Radiações Ionizantes na Medicina. A análise dos dados foi feita por 04 eixos diferentes: Avaliações Diagnósticas sobre as Zonas de Desenvolvimento Real e Proximal dos alunos, Sujeitos em Interação, Instantaneidade e a Linguagem e o filme produzidos, este último apresentado neste artigo. Foram identificadas evidências de aprendizagem tanto em Cinematografia como em conceitos de Radiações Ionizantes, nas linguagens escrita, oral e visual. Palavras-Chaves: Ensino de Física, Radiações Ionizantes, Produção de Vídeos;
Desenvolvimento de Linguagens.
## 1. Introdução
## 1.1 O Ensino de Física
O ensino de Física apresenta muitas dificuldades, as quais acontecem, entre outros aspectos, à ênfase dada pelo professor somente ao formalismo matemático. Assim, o ensino fica reduzido, muitas vezes, a situações de simples aplicação de fórmulas, o que gera nos alunos desestímulo em aprender o conteúdo. Posto isto,
são bem-vindas estratégias novas de ensino, buscando despertar o interesse dos aprendizes, dinamizando as práticas pedagógicas, segundo Ferreira et al (2009).
Buscando integrar a Física à vida do aluno de forma prazerosa, a ementa trabalhada nas escolas pelo professor pode ser atualizada, melhorada, passando a abordar conceitos associados à estrutura da matéria, espectro eletromagnético, dualidade da luz, assim como radiações ionizantes e suas aplicações, possibilitando ao aluno conseguir relacionar os conteúdos aprendidos em sala de aula com o desenvolvimento científico e tecnológico atuais. Oliveira e Vianna (2004), entretanto, destacam a necessidade desta abordagem ser mais qualitativa que quantitativa, consideradas as limitações matemáticas existentes no Ensino Médio. Luiz e Oliveira (2011) destacam que isto se justifica até mesmo por uma questão de segurança, uma vez que, a partir desta abordagem e da aquisição deste conhecimento, as pessoas evitem expor-se a doses desnecessárias de radiação ou serem causadoras de acidentes com vazamento de radiação, como o acontecido em Goiânia, em 1997.
O tema saúde, segundo Fortunato e Sauerwein (2011), pode também ser abordado pelo professor de Física, como os efeitos biológicos das Radiações Ionizantes, como câncer de pele, e os cuidados relacionados com a saúde, como o uso do protetor solar. A justificativa para abordagem deste tema faz-se por promover ao aluno capacidades de avaliar riscos e benefícios da utilização de radiações, compreender os exames da Medicina Nuclear, como radioterapia, posicionar-se criticamente acerca das discussões de geração de energia, principalmente a nuclear, questões de meio ambiente e os avanços da tecnologia.
## 1.2 O ensino de Radiações Ionizantes
Caminhar por terreno desconhecido, como a Física das Radiações, causa medo em muitos professores. Entretanto Dominguini et al (2011) reforçam a necessidade desta abordagem, visando enfrentar os juízos de valor das pessoas acerca da radioatividade, muitas vezes focados somente nos malefícios por ela causados. É urgente que as aprendizagens de conceitos novos ou mais complexos tomem o lugar do medo, do achismo. Por sorte, Baragan et al (2008), destacam que a utilização das radiações está cada vez mais atual e presente em nossas vidas, apesar de sempre polêmico; assim, o conhecimento não pode permanecer sobre alicerce do senso comum. Ao ensino cabe possibilitar à população melhores condições para debater sobre todas as radiações e suas tecnologias, por serem pouco conhecidas e abordadas.
Os livros didáticos, como destacado por Silva e Pereira (2011), abordam quase que exclusivamente os aspectos negativos como bombas e acidentes nucleares. Faz-se necessário, obedecidos aos limites existentes, que a abordagem ocorra de forma mais profunda e contextualizada, tratando os conceitos físicos, não puramente por sua simples descrição, mas sim por sua aplicabilidade nas muitas áreas de conhecimento. A escola deve promover a discussão científica, acerca também das radiações ionizantes, desde cedo.
O momento atual da educação científica mostra-se favorável à introdução de novas metodologias e materiais para abordagem de tópicos de Física Moderna e Contemporânea, principalmente os Raios X e os efeitos biológicos das radiações, de acordo com Oliveira et al (2007), subsidiando os professores de opções metodológicas, auxiliando-o a abordar a Física com exemplos contextualizados e atuais.
## 1.3 O uso de vídeos no processo de ensino e aprendizagem de conceitos.
- O aprendizado de ciências, de acordo com Resende Jr (2009), pode usar de variadas linguagens e recursos, meios e formas de expressão. Assim, o vídeo apresenta-se como alternativa para o ensino de Física, por ser uma ferramenta que permite fácil assimilação dos conceitos apresentados e estímulo à imaginação.
- O vídeo pode ajudar o aluno a mudar sua percepção em relação à Física, passando de mais uma integrante de seu currículo obrigatório, a uma forma efetiva de discussão de assuntos científicos e explicação de fenômenos tecnológicos presentes no cotidiano, destacam Silva et al (2005). É evidente que as novas tecnologias chegam à sala de aula, na maior parte das vezes, pelas mãos dos próprios alunos. Alguns professores são resistentes quanto a utilizar as novas tecnologias em suas aulas, por desconhecerem suas potencialidades e/ou terem dificuldades em manuseá-las. A adaptação, entretanto, é possível.
- A produção de vídeo apresenta-se como um meio pelo qual os alunos podem produzir imagens e contar histórias acerca de conceitos e situações físicas, como bem destacado por Pereira (2008). Assim, o vídeo pode conter o feedback tão esperado pelo professor, quanto ao estabelecimento de uma via de comunicação efetiva com o aluno.
Por viverem inseridos numa cultura que exercita a habilidade visual, o uso tecnológico e o processamento de informações, as atividades de produção cinematográfica pelos alunos potencializam-se como excelentes ferramentas a serem usadas pelo professor, possibilitando captar a atenção, desenvolver capacidades cognitivas e despertar a curiosidade para conceitos associados à Física. Por ser conhecido o gosto do homem contemporâneo, sobretudo dos adolescentes, pela TV, internet e cinema, expondo-se por horas diariamente, e de forma prazerosa, o professor pode e deve utilizar-se de ferramentas tecnológicas para abordagem dos assuntos de suas aulas. Desta forma, Rezende Jr et al (2005) destacam a importância das pesquisas acerca não somente do uso, mas também da produção de vídeos pelos alunos, atentando cada vez mais a estética dos materiais utilizados no ensino de Ciências, de forma geral.
Apesar de não ser um processo simples e direto, os professores podem encorajar-se quanto a ousar em suas aulas, utilizando-se dos recursos tecnológicos dispostos às suas mãos, sem medo de perder-se na atividade, comprometendo assim, o conteúdo e a disciplina da sala.
## 2. A pesquisa
Esta pesquisa propôs a abordagem de assuntos que não são trabalhados dentro do programa seguido pelo professor. A atividade oportunizou interdisciplinaridade com muitas áreas de conhecimento dentro da escola, relacionando avanços tecnológicos, o papel histórico e social da Física, ressaltando os efeitos, riscos e benefícios de Radiações Ionizantes, possibilitando ao aluno, compreender conceitos e suas aplicações no dia-a-dia.
Esta pesquisa procurou ver o ensino da Física na perspectiva interacionista da teoria de Vygotsky, a qual enfatiza a interação social, possibilitando uma aproximação entre os conceitos espontâneos (adquiridos no dia-a-dia) e os de natureza científica (adquiridos em ambiente escolar).
Buscou-se, nesta pesquisa, que as intervenções pedagógicas propostas ocorresse na Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), em relação a conceitos de Física, como meia vida, radiações ionizantes e não ionizantes, infravermelho, ultravioleta, raios X, raios gama, partículas alfa e beta , energia, comprimento de onda, frequência, período, levando o aluno a atingir a Zona de Desenvolvimento Real (ZDR) de aprendizado, por meio da troca de informações entre os integrantes do projeto (professor e alunos), baseada no diálogo, na participação coletiva, oportunizando aos alunos a exposição de suas ideias e contribuindo, dessa forma para a aprendizagem coletiva. Esperou-se aquisição de conhecimento como um processo cognitivo, a partir de atividades sócio-culturais.
Utilizou-se como delineamento, a análise dos grupos em dois momentos distintos: anterior e posterior à aplicação das atividades propostas na pesquisa. Para tanto, foram realizadas duas Avaliações Diagnósticas, uma Inicial e outra Final, buscando identificar o conhecimento de cada aluno quanto a conceitos e situações de aplicações de Radiações Ionizantes.
Além das duas Avaliações Diagnósticas realizadas, muitas informações foram colhidas nos encontros. Os alunos resolveram, de forma escrita, individualmente ou em grupo, questões relacionadas à Física das Radiações e também à Cinematografia. Foi realizada uma visita técnica ao setor de Radioterapia do Hospital Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, sob orientação da chefe do setor, na qual os alunos conheceram os equipamentos e os procedimentos que utilizam materiais radioativos e, ainda, os materiais e os métodos de radioproteção aos pacientes e aos funcionários do setor. Foi solicitada aos grupos a elaboração do Roteiro e do Storyboard do filme a ser produzido e a execução do próprio filme, curta metragem, com duração de 5 a 10 minutos. Os encontros e a visita técnica foram filmados e os diálogos transcritos. Por fim, foi realizada uma entrevista individual com os alunos, sobre a sua percepção quanto sua participação nas atividades da pesquisa.
- O 'corpus' de dados foi analisado sob diferentes eixos: 'Avaliações Diagnósticas sobre as Zonas de Desenvolvimento Real e Zona de Desenvolvimento Proximal dos alunos', 'Sujeitos em Interação', 'Instantaneidade' e 'A Linguagem e o filme produzidos'. Os resultados deste último eixo de análise são apresentados neste artigo.
Assim, buscou-se na apropriação da linguagem científica, os indícios de aprendizagem, tanto de Radiações quanto de Cinematografia, pelo uso de signos escritos, falados ou visuais presentes no Roteiro, no Storyboard , nos filmes produzidos, nas respostas escritas ou nos diálogos ocorridos nos encontros.
## 3. Resultados sobre 'A linguagem e o filme produzido'
As atividades desenvolvidas nesta pesquisa possibilitaram a apropriação de linguagem científica pelos alunos, como signos falados, escritos e visuais, adquiridos nas atividades realizadas em cada encontro da pesquisa.
Nas atividades escritas, quando individualmente foram solicitados em escrever a definição de conceitos associados às Radiações Ionizantes, identificaram-se casos nos quais os alunos não responderam à questão sobre o conceito 'meia vida' na Avaliação Diagnóstica Inicial, mas que na Final deram respostas consideradas:
- - corretas, como o Aluno A8: ' É o tempo que leva para que a massa ativa de elementos radioativos caia pela metade, diminuindo exponencialmente a porcentagem de radiações numa determinada quantidade de elemento '.
- - incompletas, como o Aluno A4 (' Meia vida é o tempo em que o material se desintegra, sua massa, para emitir menos radiação ') e do aluno A10 ( 'É o tempo de um elemento perder metade da massa de elemento, ficando com o mesmo peso, substituindo por outros elementos').
Ainda analisando a parte escrita, também se pode citar o caso das respostas dadas à questão sobre 'aplicação/uso das ondas ionizantes', por alunos que somente responderam no momento posterior à realização das atividades da pesquisa:
- -Aluno A2: 'Detecção de tumores, conservação de alimentos (mata microorganismos) para fazer um raio x. Eliminar tumores do organismo '.
- - Aluno A8: 'A radiação ionizante é frequentemente utilizada no tratamento de certas doenças e até no diagnóstico delas, um dos lados benéficos de seu uso. Entretanto, o exemplo máximo de radiações ionizantes é o Sol, o qual nenhum ser pode se ver livre de seus efeitos (raios ultravioletas e infravermelho)'.
Nos diálogos ocorridos nos encontros, identificaram-se momentos em que um aluno auxilia o companheiro de grupo quanto ao uso da linguagem científica correta, em substituição à cotidiana, como o ocorrido entre os alunos A2 e A5:
Professor: O que você percebeu Aluno A5?
Aluno A2: Que ela é importante no campo da Química por que descobriu a radiação, que pra ela é um elemento que emite luz e calor.... e.. ... que.. foi a primeira a separar os elementos..
Aluno A5 isolar
Aluno A2: isso, isolar... e... (olha o papel).. ganhou o Prêmio Nobel de Química.. deixa eu ver o que mais que eu anotei..... e que ela também descobriu os efeitos da radiação no corpo...
Identificou-se momentos de uso do conhecimento cotidiano na formação do conhecimento científico, como este fragmento do diálogo sobre uso de Radiações Ionizantes em tratamentos médicos:
- - Aluno A6: - ... sei que a mãe do aluno Y, ela teve que tirar a tireóide, ela teve que tomar hormônio artificial. Para tomar hormônio artificial não pode ter nenhum resquício de hormônio natural. Não sei como faz para injetar o iodo radioativo no corpo dela, mas, eles colocam e ele vai mudar todo resquício de hormônio natural e vai destruir. Ela tem que ficar três dias numa sala fechada..
Professor: Por que ela fica três dias numa sala fechada?
Aluno A6: por que ela ainda esta em processo de radiação. Ai tudo que ela leva tem que ficar isolado por dez dias.
Aluno A7: por que na verdade, o diário da Marie Curie dizem que é radioativo até hoje. Lembra que passou no filme?
Aluno A1: mas, quando passa pelo acelerador ele mesmo já emite radiação pro paciente também?
Professor: a gente vai ver como funciona....
Quando falando sobre hipotireoidismo, o professor mostrou uma das imagens sobre Radiações Ionizantes mostradas no momento inicial da pesquisa, sobre este tema. O diálogo ocorrido evidenciou que, naquele momento, os alunos não possuíam conhecimento visual sobre a doença:
Professor: - quem reconheceu alguma coisa ai?
Aluno A2: - Na verdade, o gogó ali ta bem dilatado.
Aluno A7: -
ah, é verdade!
Professor: -
eu acho que no dia vocês não tinham percepção para esta imagem.
Aluno A7: -
verdade. Eu falei que a mulher era cega.
Professor: - A2
, você marcou o que?
Aluno A7: - eu marquei que tinha radiação, mas eu não sabia o que era.
Professor: - mas vocês perceberam que o problema...( Todos movimentam a cabeça com negação).
Professor: - alguém percebeu que era na tireóide? Não! Ninguém!
Os alunos também escreveram, individualmente, sobre os possíveis erros encontrados no rótulo de um protetor solar que dizia ' Queimaduras por raios infravermelhos nunca mais. Garantimos proteção total à sua pele contra todos os tipos de radiações causadores de câncer de pele '. Depois, em duplas, responderam novamente, interagindo as diferentes ZDPs. Alterações foram identificadas nas estruturas das respostas que:
- -unificaram respostas individuais, ampliando a quantidade de signos científicos na resposta da dupla:
Antes da interação: A7) Erro está nos raios infravermelhos. Pois não são eles que queimam a pele e causam câncer de pele, são os raios ultravioletas que causam esse dois problemas.
A10) Sim, o protetor não pode garantir total proteção, apenas parcial.
Depois da interação: 'O erro está na palavra 'infravermelho', já que a proteção é para as radiações ultravioletas. E não dá proteção total apenas parcial'.
- -correção da resposta errada (associação de câncer de pele a raios infravermelhos) dada por um dos integrantes da dupla:
Antes da interação: A9) As queimaduras ocorrem apenas por raios ultravioletas, e nenhum protetor solar pode garantir proteção contra todos os tipos de radiações pois é algo impossível de acontecer.
A11) Não são apenas os raios infravermelhos que causam câncer de pele.
Depois da interação: 'Nenhum protetor solar apresenta proteção total contra radiações e as radiações responsáveis por câncer de pele são as ultravioletas'.
A proposta inicial apresentada aos alunos foi que cada grupo produzisse o roteiro e o storyboard de seu filme. Devido ao excesso de atividades escolares e a consequente falta de tempo, os alunos solicitaram cumprimento de somente uma das atividades proposta. O grupo G1 optou pela confecção do storyboard , fugindo à realização de atividades escritas, e, o grupo G1 optou pela criação do roteiro de seu filme.
O grupo G1, produziu um vídeo com 7 minutos e 57 segundos de duração, ao qual deram o nome de 'Enigma? O filme', disponibilizado no endereço : http://www.youtube.com/watch?v=ZYpNqbdB3yA . O enredo refere-se a um reality show no qual os participantes começam a sentir sintomas biológicos estranhos. Uma carta anônima, mandada por um detetive, denuncia que existe uma quantidade de Cobalto 60, escondido em algum local da casa. Iniciam a busca e não o encontram. Enquanto isso, mortes sucessivas vão acontecendo entre eles. O último sobrevivente encontra o material radioativo e tenta, via celular, avisar o detetive, morrendo antes de completar a ligação.
Verificou-se que o storyboard produzido, não condiz com a sequência correta de cenas filmadas. Cenas projetadas foram cortadas e foram inseridas cenas não presentes no storyboard original. Quanto à linguagem verbal, no filme foram utilizados pouquíssimos signos científicos sobre Radiações Ionizantes e, descompromissados quanto ao rigor do roteiro quanto aos diálogos das cenas, por 16 vezes foram citados palavrões no vídeo. Embora no filme deste grupo a ocorrência de elementos verbais não seja satisfatória, é na linguagem visual que se identificou os elementos buscados. As cenas mostram os efeitos biológicos relacionados às radiações ionizantes como queimaduras, vômitos, desmaios, queda de cabelo, sangramento de nariz e febre. O grupo confeccionou uma maquiagem de ferida no braço de um integrante, semelhante àquela realizada em sala de aula. Não utilizaram efeitos luminosos. Quanto ao uso dos efeitos sonoros utilizaram: toque de celular, música de suspense, sons de animais e aplausos finais. Destacase a última cena do filme, mostrando que ao encontrar o Cobalto 60 o personagem o toca, sem nenhuma proteção, embora a questão da blindagem ter sido tratado em sala e na visita técnica realizada.
- O grupo G2, produziu um filme de 9 minutos e 30 segundos de duração, ao qual chamaram 'Jornal Radiação', disponibilizado no endereço http://www.youtube.com/watch?v=7ewLwgRvSMc. Este grupo optou pela elaboração somente do roteiro, o qual foi corretamente produzido, quanto ao tipo e tamanho de letra e espaçamentos utilizados. As falas dos personagens foram todas descritas no roteiro. O filme apresenta trilha sonora e legenda de todos os diálogos. Não apresenta efeitos sonoros e luminosos. O uso de abordagens e signos científicos relacionados às radiações ionizantes é identificado nas cenas do filme, evidenciando a apropriação de signos da linguagem científica. No roteiro, identificaram-se:
- -citação sobre acidentes radioativos: 'Desde o acidente nuclear de Fukushima, a curiosidade das pessoas aumentou sobre a radiação. Este fenômeno que já abalou o mundo com o acidente de Chernobyl em 1986, e o acidente de Goiânia em 1987, merece destaque na mídia'.
-uso de signos científicos : 'lixo radioativo.... três tumores e um braço amputado'.
- contaminação radioativa: 'Esta camiseta está contaminada com radiação. Eu não deveria estar tocando nela, mas sou destemido'.
- - efeitos biológicos: ' A radiação penetrou sua pele, causando intensas queimaduras e necroses' ... 'Ele perdeu um braço, tem um tumor aqui, um aqui... E um belo tumor aqui! Se não estéril, seus filhos podem nascer deficientes. Provavelmente irá morrer antes'.
- blindagem radioativa: ' Estamos sendo orientados a descer para um abrigo por proteção à precipitação radioativa'.
Desta forma, a apropriação de conceitos científicos relacionados às Radiações Ionizantes ficou identificada em elementos visuais no grupo G1 e verbais no grupo G2.
Quando questionados, durante a entrevista individual com o pesquisador, quanto à inserção de novos signos à sua linguagem de radiação, os alunos citaram 'radiação ionizante', 'raios infravermelhos' e 'raios ultravioletas'. Quanto à Cinematografia foram citados: angulação, roteiro, storyboard e sonorização. Os alunos A1, A3, A5, A6 e A10 afirmaram que desenvolveram mais a linguagem relacionada à Física, enquanto os outros alunos (A2, A4, A7, A8, A9 e A11) citaram que ampliaram bem mais a linguagem relacionada à Cinematografia:
Aluno A9: 'Antes eu já prestava atenção na fotografia , agora eu resto atenção no que estão falando, no enredo, a forma como mexe a câmera'
Aluno A11: 'Com certeza. Vou entender como a câmera se movimenta, a luz, qual o tipo de filme'.
Aluno A10 (quando perguntado se conseguia lembrar palavras novas que você não tinha visto) 'Radiação ionizante, raios infravermelhos, ultravioletas'.
## 4. Conclusões da Pesquisa
O ' corpus ' de dados desta pesquisa permitiu identificar que o aprendizado dos alunos aconteceu tanto relacionado aos conceitos científicos de Radiações Ionizantes quanto em Cinematografia. Foram encontradas evidências de aprendizagem nas diferentes linguagens investigadas neste trabalho, escrita, falada e visual.
Desta pesquisa, conclui-se como necessária a utilização de novas ferramentas de ensino de conceitos de Física, abordando assuntos realmente associados ao dia-a-dia dos alunos. Ao professor cabe conhecer o conhecimento cotidiano de seu aluno, analisando sua capacidade de resolver assuntos conceituais individual ou coletivamente. Feito isso, cabe elaboração de atividades que possibilitem interações entre 'mais' e 'menos capazes', quanto aos assuntos conceituais abordados. Os alunos darão indícios de aprendizagem, pela linguagem falada, escrita ou por produção visual. Logicamente que partindo de conhecimentos diferentes, dificilmente os conceitos serão igualmente assimilados por todos os alunos. Alguns se apropriarão dos conceitos em suas ZDRs, outros em sua ZDPs. Entretanto, isso se faz primordial à manutenção da interação entre os integrantes de uma sala de aula. Interagir é ser escola. Interação é uma das bases para a efetiva aprendizagem.
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